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July 17, 2008

Enquanto isso...

Lula e Protógenes, FHC e Dantas, Greenhalg e Gilberto Carvalho, PF e Abin, Gilmar e De Sanctis, MI-6 e Congresso, Reinaldo e LN... Tudo isso você acompanha querendo ou não. Mas o mundo não parou, melhor dar uma olhada.

Folha de S.Paulo:

"A operadora de telefonia Oi anunciou ontem que obteve empréstimo de R$ 4,3 bilhões do Banco do Brasil para financiar a compra da Brasil Telecom. O negócio, anunciado em abril, ainda depende de mudanças na lei para ser efetivado.

... Desse total, R$ 5,8 bilhões serão pagos pelo controle da BrT. Outros R$ 3,5 bilhões farão parte da oferta pública obrigatória para aquisição de ações ordinárias dos minoritários -o chamado 'tag along'. Mais R$ 3 bilhões serão gastos na oferta voluntária para a compra de ações preferenciais da BrT.

... Em nota, a Oi afirmou que comprará a BrT com recursos próprios e que o empréstimo do Banco do Brasil 'constitui-se no primeiro movimento de captação de recursos' que, em seguida, contará com 'emissão de notas promissórias com os bancos Santander, Bradesco e Itaú'.

... É o segundo financiamento de um banco público obtido pela Oi para a operação de compra da BrT, operação apoiada pelo governo federal sob o argumento de que o país precisaria de uma grande empresa no setor para concorrer com gigantes multinacionais como a espanhola Telefónica e a mexicana Claro. O BNDES já havia anunciado crédito de R$ 2,5 bilhões, com o objetivo específico de promover a reestruturação acionária da Oi -condição necessária para a compra da BrT." (Roberto Machado)

Na mesma Folha:

"Sergio Ramírez é um notável escritor nicaragüense, que se tornou revolucionário, lutou com a Frente Sandinista de Libertação Nacional contra a nefanda ditadura Somoza, elegeu-se vice-presidente e, afinal, rompeu com os companheiros, horrorizado com o nível de corrupção a que se dedicaram uma vez instalados no poder.

No auge do escândalo do mensalão, ele me disse uma frase que não me sai da cabeça: 'Se eu fosse presidente, antes da posse chamaria todos os parentes e amigos e lhes diria que, durante o meu governo, não poderiam fazer negócios. Nem negócios legais'." (Clóvis Rossi)

Seguido de:

"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou ontem a lei que cria o piso salarial dos professores da educação básica (ensino infantil a médio). A partir de 2010, os professores da rede pública terão que receber, no mínimo, R$ 950." (Angela Pinho)

Por fim:

"NEM TODO MUNDO tem senso de humor. É como inteligência natural. Nem todo mundo é esperto. De fato, algumas pessoas são naturalmente obtusas.

Não significa que elas sejam de alguma maneira inferiores ou menos charmosas, bonitas, fortes ou bem sucedidas. Mas o fato é que os seres humanos têm diferentes talentos e diferentes capacidades. Essa é uma descoberta da vida, especialmente para os professores. Eu sei que mães relutam em aceitar esse fato com relação aos seus filhos, mas ainda assim é verdade." (Kenneth Maxwell)

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July 14, 2008

A letra escarlate

Desde que estourou o escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Dantas, na semana passada, recebi alguns comentários escritos por pessoas dignas de uma educação da realeza. Coisas bonitas, na linha de “sua carreira acabou” e “encontro você no inferno”.

Isso mexe comigo, claro. E muito. Esta noite, por exemplo, sonhei que estava na Inglaterra de 1637 e havia sido condenada ao pelourinho por falar contra o governo e publicar, sem permissão, material dissidente. De repente, no meio do sonho, a acusação mudava: por conta de fazer mapa astral e de ler o tarô, vinham com dedo em riste acusando-me de posar de oráculo e de fazer previsões em benefício próprio. A expiação passava pela fogueira. A acusação era que, travestida de parteira, apelava para artes da bruxaria e sedução para dominar as pessoas. Por fim, o cenário mudava e eu era do serviço secreto. Como falava com certa facilidade com pessoas importantes, em qualquer horário e sobre qualquer assunto, até aconselhando se fosse o caso, minha sentença era a cadeira elétrica.

O problema é que, quando acordei, vi que não era sonho. Realmente fui colocada em um pelourinho eletrônico depois de escrever reportagens que feriram os interesses do governo. Eu realmente faço o mapa astral de todo mundo que me dá na telha, até de atores de Hollywood. A quantidade de gente, inclusive fontes, que fiz perguntar o horário de nascimento para a mãe é incomensurável. E eu realmente nunca fui uma pessoa formal _ brinco, aconselho, fofoco e dano a filosofar com qualquer um que tenha a bondade de falar comigo e de me tratar com atenção.

Esse jeito despachado já garantiu (e certamente continuará garantindo) umas boas vergonhas, mas também garante que eu tenha a capacidade de me colocar no lugar do outro e atue de forma desarmada. Também trouxe amigos maravilhosos, a quem eu decepciono com mais freqüência do que gostaria, embora se divirtam com meu jeito tresloucado, e boas propostas de emprego, algumas das quais recusei por achar que eram incompatíveis com a minha liberdade. Outras eu aceitei, como aquela da consultoria, feita por um estrangeiro com quem acabei namorando e de quem hoje sou amiga.

Certamente há quem critique o meu jeito, especialmente aqueles que têm a pretensão de ser a palmatória do mundo. Mas uma coisa eles devem admitir: não sou venal e minha paciência com joguinhos às escuras é mínima. (O céu explica, meu ascendente é Áries.)

Sendo assim, leitor, aqui vai o que você realmente precisa saber: a aparição dos jornalistas nessa história de Daniel Dantas não é gratuita. O fato de alguns nomes de jornalistas antes acusados, como o meu, terem sumido subitamente da listagem também não. Há um jogo pesado de recados nos bastidores (não só entre as partes aparentes, governo e Opportunity) e você, desavisado, acha que isso é notícia.

Minha dúvida é se a polícia está envolvida propositalmente no leva-e-traz ou se está sendo usada. Se grampos vazarem de forma descontextualizada e truncada por aí, saberemos.

No mais, chegou a hora de eu dizer o que acho da história toda ocorrida na semana passada. Daniel Dantas não deveria ter sido libertado pela segunda vez por Gilmar Mendes, pois a atitude do ministro realmente foi uma afronta ao Judiciário. O fato de a Globo cobrir a prisão do banqueiro não foi “espetaculosidade” coisíssima nenhuma, foi um furaço. E, principalmente, Dantas não tinha nada que dar sinal verde para seus emissários conversarem com delegados fora da delegacia, nem se valer de gente como Luiz Eduardo Greenhalg e Roberto Teixeira, credo.

(Dizem que Dantas é o maior corruptor do Brasil. Acho que é o pior, isso sim, porque sempre descobrem o que ele faz. Os maiores, e melhores, estão agindo com foto em coluna social.)

Por outro lado, que mal tem o advogado perguntar para a repórter que noticiou a história onde está o processo? Eu teria tido essa mesma idéia, é mais inteligente do que mandar um batalhão de pessoas para vagar nos tribunais do país inteiro. E que mal tem a repórter, questionada sobre seu trabalho, informar o número do processo? Por acaso vivemos em uma ditadura, onde as pessoas não podem constituir advogados para defender seus interesses?

Por fim, essa história de israelense espião e do Opportunity Fund rola há anos, desde que explodiu o caso Kroll. Por que, raios, representantes do fundo não chamam uma coletiva para explicar isso direito? Contem a história tintim por tintim. Mas não. Ficam aí tentando essas técnicas subreptícias, como levar delegado pra comer picanha. Dá no que dá. Jogam nas sombras igualzinho aos adversários.

A BrOi é um escândalo e todo mundo sabe disso. Mas ela significa apascentar o cumprimento da promessa de campanha e, na minha opinião, o primeiro passo para que a Portugal Telecom aumente sua relevância como player. Quem ganha com ela? E quem perde com ela? E com toda a história da prisão de Dantas, quem ganha e quem perde?

O que há no processo de Nova York contra o governo? E quem mais aparece nos autos? O que há no processo da Itália contra o governo? E quem mais está nos papéis de Milão? O acordo da BrOi está sendo fechado às pressas para impedir que esses documentos, os americanos e os de Milão, vazem por aqui?

O que há no relatório da Polícia Federal, fato específico e não genérico, no uso de empresas de prateleira apontadas no relatório? Quanto foi que o Opportunity perdeu com essa história e para onde foi o dinheiro? Há gente ligando para os investidores do banco e provocando fuga de recursos?

E, principalmente, o bilhete encontrado na casa de Dantas com o timbre do Waldorf Astoria era um lembrete de que há documentos em Nova York relativos a um encontro do presidente da República com representantes do Citigroup naquele hotel, em 23 de junho de 2004, fato noticiado por mim e Leila Suwwan na Folha de S.Paulo em 12 de maio de 2005, numa reportagem que jornalistas submissos ao governo tentam de todo o modo desacreditar?

Enfim, há pano para a manga. Polícia Federal, Ministério Público e Justiça deveriam olhar para esse tipo de coisa e não ficarem servindo de fontes para garotos de recado de chantagistas.

Pronto, amigos. Podem me mandar para o pelourinho, para a fogueira, para a cadeira elétrica. Revelem minhas conversas, distorçam o contexto, plantem provas, costurem a letra escarlate no meu peito. A minha carreira, como vocês bem observaram, acabou. Vocês só não contavam que meus valores são diferentes dos seus. A gente se encontra no inferno.

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July 08, 2008

Satiagraha

O banqueiro Daniel Dantas está em maus lençóis, a se julgar pela reportagem veiculada há pouco pelo Jornal Nacional (clique aqui para assistir). O grande problema, na minha opinião, não são as acusações do Ministério Público sobre as supostas atividades ilegais do Opportunity Fund, motivo principal da Operação Satiagraha, mas a informação de que colaboradores próximos de Dantas tentaram subornar delegados da Polícia Federal.

Por que digo isso? Porque as operações ainda estão sendo investigadas. O trabalho do Ministério Público e da Polícia é esse mesmo. Mas vai ser difícil contradizer as imagens que mostram os encontros dos colaboradores de Dantas com os delegados, bem como explicar por qual razão um desses sujeitos, que, de acordo com os delegados, oferecia a propina, tinha mais de um milhão de reais em dinheiro vivo dentro de casa.

Se a história da tentativa de suborno for comprovada, Dantas escolheu o caminho errado e pagará caro pelo erro de ter achado que dinheiro resolve tudo. Não resolve. Às vezes, como agora, complica.

Um dos pontos pelo qual não escrevi antes sobre o assunto foi entender a gênese da ação que resultou na prisão de Dantas e várias pessoas ligadas a ele hoje pela manhã, no Rio de Janeiro. Também queria saber quem eram os encarregados pelas prisões. Pois bem, a permissão veio do juiz Fausto de Santis, da 6ª Vara Federal de São Paulo, entende do riscado. Foi ele o responsável pela prisão de outro banqueiro, Edemar Cid Ferreira, do Banco Santos, aquele dono da casa onde os banheiros tinham torneiras de ouro. É sério e pouco dado a espetáculos. Esse é um ponto importante.

Outro ponto que me parecia importante ver esclarecido é se a Operação Satiagraha tinha algo com a Operação Chacal, aquela do caso Kroll, deflagrada em 2004. Isso porque o disco rígido do Banco Opportunity foi apreendido naquela operação, cujo fato gerador da ação é questionado em juízo. O Ministério Público Federal de São Paulo esclareceu que não é. Mesmo assim, eu gostaria de entender um pouco melhor como eles tiveram acesso ao disco rígido do banco (quem cuidava do outro processo, o primeiro, relativo aos acontecimentos de 2004, permitiu? Se não, como isso aconteceu, uma vez que o primeiro processo estava na segunda instância? Leitores advogados, ajudem-me).

Ah, outra coisa: qual é a participação de Luiz Eduardo Greenhalg nessa história? Por que o Ministério Público pediu sua prisão? E por que o juiz a rejeitou? Falo de fatos específicos, não esse blablabá genérico que vi até agora.

Por fim, chamou minha atenção o fato de que uma das testemunhas de acusação arrolada pela Procuradoria-Geral da República no processo do Supremo Tribunal Federal, Lúcio Bolonha Funaro, teve ordem de prisão no âmbito da Satiagraha. Você lembra-se dele? Lúcio era dono de uma empresa chamada Garanhuns e estaria, segundo desconfiava a CPI dos Correios, por trás das operações da corretora Bônus Banval, também investigada naquela época sob a suspeita de ter esquentado recursos do mensalão. Afinal, Funaro foi preso ou é um dos foragidos?

E Naji Nahas? Pelo jeito abastecia Celso Pitta, que caiu de pára-quedas na história. Eu gostaria de saber quais são as empresas onde ele e Dantas são sócios. Essa história também é novidade pra mim. Até onde eu sabia, Nahas trabalhava para a Telecom Italia, que era aliada dos fundos de pensão até o começo de 2005. Ora, se as investigações começaram em 2004, tem gente dos fundos envolvida?

Vamos esperar. Os jornais prometem vir recheados amanhã.

PS: O release oficial do Ministério Público está aqui.

PS2: Querem tanto vincular o Diogo Mainardi ao Daniel Dantas que se esquecem de um pequeno detalhe, a realidade. Ouça ou leia o podcast do moço e conclua você mesmo.


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July 06, 2008

Xadrez

Valdo Cruz, na Folha, toca em uma ferida que sangrará daqui a pouco, a briga pelos canais de TV paga. Alguns trechos:

"... De um lado, a Globo trabalha para derrubar o sistema de cotas de canais e de conteúdo nacional na TV paga tal como está proposto, sob o argumento de que ele vai tornar o serviço mais caro e afetar a qualidade da programação.

Do outro, grupos como Abril, Band e Record, apoiados pelos produtores independentes, defendem as cotas criadas pelo relator do projeto na Câmara, deputado Jorge Bittar (PT-RJ), pronto para ser votado na Comissão de Ciência, Tecnologia e Comunicação.

Esses grupos alegam que as cotas de canais e conteúdo nacional vão estimular a concorrência na TV paga brasileira, ao criar um mercado mínimo para produtoras que hoje têm dificuldades para conseguir espaço nesse setor.

Traduzindo: está em disputa o negócio de fornecimento de conteúdo nacional para a TV por assinatura, hoje dominado pela Globosat com seus canais esportivos e de notícias.

Concentração que se repete na distribuição do serviço no país: dois grupos controlam quase 80% desse mercado -Net (associação entre a Globo e o mexicano Carlos Slim) e Sky (controlada pelo grupo americano Liberty Media, com participação da Globo).

Com a entrada em peso das teles fixa no setor, a partir das mudanças na legislação atual, a estimativa é que o número de assinantes salte dos pouco mais de 5,3 milhões de hoje para 18 milhões em 2018.

Um mercado que, crescente, tende a atrair parte do bolo publicitário do setor de mídia, estimado hoje em R$ 8 bilhões anuais -90% vão para a TV aberta, concentrado na Globo."

Que as teles entraram na briga é claro. E os outros grupos de mídia? Vejamos.

1) A Folha é sócia das Organizações Globo no jornal Valor Econômico e da Portugal Telecom no UOL.

2) A Abril vendeu a TVA para a Telefónica (numa operação que elevou a concentração de mercado no estado de São Paulo a níveis ridículos).

3) Dos grandes da imprensa sobra O Estadão, aquele sobre o qual pesam especulações de venda. Para quem mesmo? A princípio, para a Globo ou para a Abril.

Se a escolhida for a Globo, como fica a parceria no Valor? E a Agência Estado vai se fundir ao portal de notícias da Globo, o G1? E a Folha vai ficar quieta com o avanço da Globo sobre o mercado paulista? Pelo tom da reportagem do Valdo, que foi diretor da sucursal de Brasília e hoje é repórter especial, não parece.

Por fim, bom observar que alguns nomes passaram ao largo dessa primeira análise: SBT (eternamente à venda na boataria, mas eternamente feudo de Silvio Santos na prática), Brasil Telecom, Oi (ex-Telemar) e Telecom Itália, a dona da TIM.

O jogo está ficando interessantíssimo. Acho que vou começar a acompanhá-lo.

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May 30, 2008

Acabou a novela da BrT. Vem aí "A Telezona"

Se alguém tinha dúvidas de que as brigas em torno da BrOi seriam mesmo encaçapadas, deve olhar a ata das assembléias da Brasil Telecom Participações e da Brasil Telecom S/A, ocorridas ontem. Por unanimidade, os representantes de ambas as empresas encerraram os processos contra o Opportunity.

Papai Planalto mandou, os filhinhos de pensão obedeceram. Contra a força não há resistência, não é, prezados? Eu avisei, acharam que era melhor investir contra o mensageiro. Pois é. Foram traídos. Resta negociar as compensações.

No mais, agora é só o Executivo cumprir o que prometeu aos novos donos da tele, Carlos Jereissati e Sérgio Andrade, e mudar logo a lei. Rápido, hein, por que eles já estão cobrando. Basta ler os recados nos jornais dos últimos dias.

Corre, governo, corre! Olha o relho! Com esse pessoal, meus caros, vocês não tiram farinha...

PS: Até agora, acertei cerca de 85% do que escrevi em janeiro sobre as teles. Deve ser por isso, por todo esse fracasso, que saíram por aí me criticando. Humpf.

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May 08, 2008

Tchau, cafezinho!

Vinte e três currículos enviados por executivos da Brasil Telecom, vendida recentemente à Oi (ex-Telemar), para os concorrentes. E todo mundo no mercado, que tem o tamanho de uma ervilha Jurema, sabendo. Não façam isso, rapazes. Calma é fundamental.

Caso contrário, o que acontece é um bando de pessoas que trabalha com vocês na cafeteria, rindo e fazendo trocadilhos do tipo: "quando a Oi chegar, para eles é Tchau".

Para os faladeiros, cujo respeito pelos colegas passou longe, o aviso: jornalista tem fontes. E a probabilidade que ela esteja bem do seu ladinho, a menos de 50 centímetros de distância, é enorme.

Além disso, moço, ninguém garante que a vaga de quem fofoca é 100% certa. Vai por mim.

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May 02, 2008

Rossi: Na maioria dos casos, porém, estou com ele

Se discordo do artigo publicado hoje por Clóvis Rossi, sobre o grau de investimento, confesso que gostaria de ter assinado o texto dele que saiu ontem na Folha. Vale a íntegra:

"Política virou negócio

SÃO PAULO - Eduardo Zaplana, terceiro homem na hierarquia do conservador Partido Popular espanhol, anunciou anteontem que deixa seu posto de deputado para trabalhar na Telefónica (com acento agudo porque é a da Espanha, não a do Brasil). Informa a respeito o jornal "El País": "O presidente da Telefónica, César Alierta, contratou Zaplana por seus contatos com o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, o que pode facilitar os negócios da operadora nesse país".

Saiu assim, como se fosse absolutamente normal que um importante líder político se torne ariete de negócios, usando seus contatos no meio conservador europeu. Uma espécie de multinacional da desfaçatez, no pressuposto óbvio de que o novo governo conservador italiano será suscetível ao charme de um ilustre conservador espanhol.

O pior é que é, sim, normal. Ou torna-se crescentemente normal, no mundo todo, que os políticos usem seus cargos e/ou prestígio para negócios. Ou, mais exatamente, para finalidades privadas em vez de o bem público (confesso que fico até envergonhado de falar em bem público nesse contexto; mais que ingênuo, me sinto um cretino).

Nem preciso falar do Brasil. No fundo, no fundo, a mais recente operação da Polícia Federal, que pegou deputados e funcionários públicos beneficiando-se de contatos para levar comissão em negócios com o BNDES, revela a mesma gênese do caso Zaplana, ainda que haja possíveis ilegalidades naquele e não neste.

Não é à toa que, na Itália, um livro recente trate o mundo político como "casta", um clubão a serviço dele próprio. Como diz Tito Boeri, colunista de "La Stampa", "a política se tornou mais que nunca auto-referente. O fato é que os políticos italianos não só custam muito, mas rendem muito pouco".

Você aí diria alguma coisa diferente dos políticos brasileiros?"

Há exatamente um ano, escrevi que a aproximação da espanhola Telefónica e da Telecom Italia passaria pelos meandros da política européia. Errei nos prazos (vai demorar bem mais de seis meses para que os nacos sejam distribuídos), mas a direção era por ali. No fim das contas, prepostos dos políticos acabarão encampando parte das duas companhias e, no futuro, sem entraves institucionais, elas irão se unir e formar uma gigante européia.

Isso terá conseqüências diretas para o mercado sul-americano. Mas, aí é outra história.

Para ler a íntegra das minhas reportagens antigas, clique aqui.

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April 28, 2008

Análise organizada - BrOi

Para ler a análise "Telezona, a síntese do Brasil" na íntegra, clique aqui.

Aqui estão as partes de modo organizado:

- Primeira
- Segunda
- Terceira
- Quarta
- Quinta
- Sexta

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Telezona, a síntese do Brasil (parte 6 - última)

Para encerrar, mais alguns números e considerações. Até aqui, claro, você pescou: no Brasil, é possível ser empresário sem ligações com os governantes de plantão. Mas, para conseguir atuar em uma área de concessão pública, é recomendável ter bons amigos entre os poderosos. Agora, se o caso é fechar um negócio ilegal envolvendo concessionárias... Aí é bom conhecer os políticos, se dar bem com várias facções e partidos, ceder a prepostos alguns lugares no conselho das empresas e, muito provavelmente, doar um bom dinheiro para campanhas eleitorais.

Antes das ponderações, contudo, os números da “supertele” (como é fácil criar uma impressão positiva, sem desembolsar um tostão em publicidade!).

Li em todos os jornais que a La Fonte e a Andrade terão, juntas 38,68% da Telemar Participações _ empresa que não é negociada em bolsa e está acima, em uma árvore socitária complicada, da operadora. Quase 40%... Dá até para entender facilmente os R$ 2,4 bilhões vindos do BNDES.

Mas, como eu disse, há informações numéricas que são como cebolas. A Telemar Participações está acima da Tele Norte Participações, que manda na Telemar Norte Leste (TMAR), a operadora. E, fazendo os cálculos, somando-se inclusive a participação direta de Jereissati e Andrade, descobre-se que a parte relativa a ambos corresponde a... 5,89%.

Os dois terão praticamente 6%, talvez um pouco menos, da Telezona, mas nela mandarão. A operadora nascerá um tantinho endividada. O risco estará mais com o mercado, creio, uma vez que são os investidores os donos de boa parte das ações da operadora.

Outros, bem mais inteligentes que eu, perceberam antes. As ações com direito a voto da TNL Part., da controladora da Oi, despencaram hoje 10,6%. E os papéis preferenciais caíram 9,7%. Avalio _ e isso é apenas minha avaliação _ que o movimento demonstra que o mercado não acreditou na história de uma governança corporativa aperfeiçoada para a Telezona.

Provavelmente, os operadores lembraram de casos recentes, como, por exemplo, o de Marco Tronchetti Provera, da Pirelli. Ele controlava a Telecom Italia por meio de uma empresa acima dela na árvore societária. Para financiar a empresa em que estavam suas ações, o empresário permitiu que a dívida da Telecom Itália (onde só tinha 3% do total) explodisse.

Enquanto o governo italiano era amigo de Provera, não houve problema. Quando, entretanto, Romano Prodi, que detestava o presidente da Pirelli, assumiu o cargo de primeiro-ministro, a situação virou. Em pouco tempo, a procuradoria italiana varria as atividades da Telecom Itália e os bancos cobravam as dívidas.

Resultado: Provera perdeu a companhia para a espanhola Telefónica. Os espanhóis que adquiriram o controle da Telecom Italia no ano passado em parceria com instituições financeiras.

“O que você quer dizer com isso, Janaína?” Que, na minha opinião, a Telezona continuará dependendo das relações de seus comandantes com a política. O acordo de acionistas não saiu mas, para descompensar o bloco de controle, basta que UM feche com o grupo contrário. Assim, a composição ainda é crucial para que Jereissati e Andrade fiquem à dianteira da tele.

“E a administração?” Espero que seja boa. O primeiro ponto a ser olhado com cuidado é o quanto os empresários querem essa companhia para aperfeiçoar as atividades da operadora por aqui ou como um braço mecânico para expandir suas outras atividades lá fora.

Se for o segundo caso, o dinheiro público financiou ambições privadas que, embora nacionais, são de pouca valia para nós, os brasileiros. E daqui a pouquinho, um estrangeiro, como a Portugal Telecom, por exemplo, comprará a controladora Telezona _ pagando muito mais pelas ações dos manda-chuvas (Jereissati, Andrade e o fundo de pensão da Telemar, o Atlantis) do que para os demais sócios (os fundos de pensão do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, da Petrobras e da BNDESPar).

Claro, o dinheiro público está nos últimos. Meio Fellini, eu sei. Mas, é só um detalhe, não é?

E la nave va.

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Telezona, a síntese do Brasil (parte 5)

Números enganam bem menos que as palavras, por isso admiro quem tem familiaridade com eles. Mas, às vezes, a informação que chega por meio de algarismos é como uma cebola _ quando picada, traz lágrimas aos olhos. Aqui, na quinta e penúltima parte da análise sobre a compra da Brasil Telecom pela Telemar, você entenderá o motivo pelo qual digo isso.

A criação da Telemar, como descrito antes, permitiu a união de empresários locais com representantes dos fundos de pensão ligados à ala sindical do PT. O tempo mostraria, porém, que as ambições dos dois grupos para o futuro eram diferentes.

A idéia dos petistas era fazer com a Telemar, no longo prazo, algo semelhante ao que ocorreu na Vale do Rio Doce: os fundos de pensão manteriam o poder, ao lado de um forte sócio privado (o Bradesco, no caso da mineradora; a Andrade Gutierrez, no caso da operadora).

Andrade, por sua vez, enxergou uma ótima oportunidade de unir forças em dois setores da infra-estrutura: a construção civil e as telecomunicações. Sua pretensão era (e é) criar uma plataforma conjunta, atraente o bastante para a exportação. O mesmo pensou Jereissati, acostumado a negócios imobiliários e comerciais.

Mas, antes que o descompasso entre os dois e os petistas ficasse evidente, o que só ocorreu nos últimos meses, a parceria rendeu. Os fundos de pensão puderam deixar a administração da Telemar nas mãos dos amigos e concentraram suas forças em recuperar o comando da Brasil Telecom. Em troca, colocaram muito dinheiro nas empresas dos sócios privados. Escrevi uma reportagem em 2005 sobre isso.

“Fundos injetaram R$ 950 milhões na La Fonte; valor é 86% do aporte da empresa na Telemar (desde 1998); Polícia Federal investiga se fundos bancaram sócios privados da tele.”

Nunca ouvi nada sobre o resultado desse inquérito. Você ouviu?

Seja como for, Andrade e Jereissati são dois ases dos negócios. Se, por um lado, o dinheiro dos fundos entrava, por outro, eles se tornaram grandes financiadores de campanha.

“Um dos principais acionistas privados da Oi e maior interessado na compra da Brasil Telecom, o grupo Andrade Gutierrez foi também o maior financiador do PT em 2006, ano com o último dado disponível. A construtora mineira doou R$ 6,4 milhões para o partido -dinheiro usado sobretudo para financiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de outras campanhas petistas. ...Além da doação ao partido, a Andrade Gutierrez doou R$ 1,52 milhão diretamente para a campanha de Lula em 2006. Para que a Oi possa comprar a BrT, é preciso um decreto presidencial mudando a legislação. O governo apóia a venda da BrT.”

O trecho acima consta de reportagem escrita por Leonardo Souza e Fábio Zanini, da sucursal de Brasília da Folha de S.Paulo, em 13 de janeiro deste ano.

A melhor e mais ousada jogada da dupla, contudo, não foi na Telemar, embora muita gente ache que a compra a Gamecorp, empresa do filho do presidente da República, por R$ 5,2 milhões em 2004, um mês depois de ela ser constituída, tenha ajudado.

Para mim, a tacada de mestre dos dois foi deixar a Telecom Italia, o Opportunity, os fundos e o Citigroup se engalfinharem pela Brasil Telecom. Quando todos os adversários estavam sujos, ensangüentados, enfraquecidos e com fama de malvados... Clap! Um único sopapo na orelha. Nenhum dos briguentos ficou de pé.

PS: A íntegra de todas as reportagens citadas estão aqui, um pouquinho mais para baixo.

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Telezona, a síntese do Brasil (parte 4)

Então você, até aqui, guardou as principais informações do cenário em volta da privatização das teles: em 1998, a economia mundial sofrera vários abalos e havia sinais de outros a caminho; a política monetária brasileira tinha um alto custo e sinalizava implosão (o que realmente aconteceu no começo de 1999); o acordo com o PFL, balizador das duas candidaturas de Fernando Henrique Cardoso, fora subitamente enfraquecido; o PSDB desenvolvimentista havia crescido em importância e o PT vira uma chance para si no racha da base aliada.

(Creio que é melhor ir direto para o leilão, ou levarei meses escrevendo antes de opinar sobre a compra da Brasil Telecom pela Oi-Telemar, motivo dessa análise toda. Depois, se você quiser, deixe um comentário ou mande um e-mail. Se houver demanda, retomo o assunto, ok?)

No resumo, basta saber que o dono do Opportunity, Daniel Dantas, era visto como alguém com bom trânsito no PFL e, por conseqüência, com o próprio FHC.

A esperança dos tucanos alinhados com os pefelistas era que, ao fim do leilão, Telecom Italia/Bradesco/Globo ficassem com a região de São Paulo; a espanhola Telefónica com o Centro-Oeste e o Sul (onde já atuavam) e o grupo Citigroup/ fundos/Opportunity levassem a Telemar.

Como dizem no futebol, faltou combinar com os russos.

O dono da La Fonte, Carlos Jereissati, era velho conhecido dos fundos de pensão, de quem era sócio no setor imobiliário. E Sérgio Andrade, como bom mineiro e excelente empreiteiro, se relacionava bem com todo mundo. Viram a oportunidade bater à porta com a exclusão de pessoas ligadas ao PT na montagem dos grandes consórcios.

Dias antes do leilão, Jereissati e Andrade, apoiados pelos fundos de pensão e pela ala desenvolvimentista tucana do Banco do Brasil, montaram um consórcio. Para compensar a falta de uma operadora internacional no grupo, adotaram o discurso nacionalista.

Alguns integrantes dos fundos, por sua vez, se aproximaram da Telecom Italia. E os tucanos do Banco do Brasil cevaram a relação com os espanhóis. Encontros secretos às vésperas da operação de venda para cá, desistências para lá... Sabe-se lá como, no dia do leilão, tudo saiu ao avesso.

Os espanhóis apresentaram um lance altíssimo por São Paulo e retiraram a oferta pela Tele Centro-Sul. Resultado: a segunda maior oferta pela futura região da Brasil Telecom, a do grupo Citi/fundos/Opportunity, venceu a rodada (ágio de 6,15%). Assim, foram automaticamente obrigados a sair da disputa pela Telemar. Quem ficou por lá? O consórcio engendrado por Jereissati e Andrade. Arremataram a empresa por 1% de ágio sobre o lance mínimo (você leu certo, é UM por cento mesmo).

Naquele dia mesmo, os compradores da Telemar anunciaram que usariam dinheiro emprestado do BNDES para quitar metade dos R$ 1,4 bilhão que teria de ser pago à vista pela operadora.

Dia 29 de julho de 1998. As 12 empresas do sistema Telebrás foram privatizadas por R$ 22,058 bilhões. Ao fim do leilão, que durou quatro horas e quatro minutos, o ágio médio chegou a 63,74% _ muito acima dos 17% esperados pelo governo e pelos mercados.

Do lado de fora da Bolsa de Valores do Rio, milhares de policiais e militantes de esquerda, contrários à privatização, se enfrentavam. Cerca de 300 pessoas foram presas e mais de 30 acabaram no hospital.

Como de costume, acredito, o chão-de-fábrica que estapeava os policiais e tomava bordoadas na cabeça não sabia que, lá onde o martelo fora batido, os representantes graduados do PT se cumprimentavam felizes. Por conta de manobras muito bem pensadas, o resultado do leilão calcinara o acordo entre FHC e o PFL, impulsionara os tucanos desenvolvimentistas e consolidara uma aliança muito proveitosa para os petistas com o grupo que comprou a Telemar. Melhor, impossível.


PS: O Valor de hoje veio com uma matéria muito boa para rememorar o leilão, escrita por Talita Moreira. Para ler, clique aqui.

Continue lendo "Telezona, a síntese do Brasil (parte 4)" »

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April 27, 2008

Telezona, a síntese do Brasil (parte 3)

Vamos sair um pouquinho da política e olhar a quantas andava a economia em 1998. O Plano Real, um sucesso, responsável pelo fim da inflação, ainda estava em fase de consolidação. Para tanto, a equipe econômica optara por manter a taxa de câmbio administrada. (Como bem lembrou o Carl, em seu comentário, o regime adotado foi o de "flutuação suja".)

Mesmo quem entende patavinas de ciência econômica percebe que essa relação é ilusória. Como a moeda do país mais poderoso do mundo pode valer (mais ou menos) o mesmo que outra, a de uma nação de terceiro mundo? Impossível, a não ser de forma artificial.

A administração da taxa de câmbio, assim, exigia um esforço hercúleo. A relação entre a dívida brasileira e o PIB sofria forte degeneração, as reservas eram insuficientes, o funcionalismo amargava sem reajustes (não é de se admirar que o PT tenha feito um rapa nos votos dos servidores públicos), as contas externas viviam em desequilíbrio. Por outro lado, era possível saber quanto valeria o salário no fim do mês, algo impossível antes do Real.

Outro aspecto bagunçava ainda mais o coreto da economia nacional: sucessivas crises ocorridas no exterior. Esses abalos implicavam mudanças bruscas no fluxo de capital internacional, criando um ambiente propício para os especuladores apostarem contra determinadas moedas. Primeiro foi a crise do México, depois a da Ásia e, em meados de 1998, formava-se a nuvem negra que viria a ser confirmada como a crise da Rússia.

Também é fácil entender, portanto, que a época estava longe de ser a ideal para atrair capital de longo prazo. Os investidores viam o Brasil com cautela, devido ao histórico complicado da economia, à prática da corrupção típica dos países latino-americanos e às imensas lacunas e contradições do sistema regulatório.

Mesmo assim, a princípio, alguns estrangeiros mostraram interesse nos consórcios que disputariam as empresas resultantes da cisão da Telebrás. Entre eles, Citigroup, Bell South, MCI e Sprint; Telefónica de Espanha, a canadense TIW, Telecom Italia, Portugal Telecom, France Telecom.

Nem todos ficariam até o fim. O capital anglo-saxão, principalmente, não gostou do que viu por aqui. A maioria deu no pé antes de se meter em confusão.

PS: Agora vou almoçar mesmo. Na volta, continuo.

PS2: Fazia tanto tempo que eu não saía de casa e conversava com meus amigos... Perdi a noção das horas, perdão. (21h40)

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Telezona, a síntese do Brasil (parte 2)

Como você sabe, no Brasil existem "esquinas políticas", instâncias onde os interesses menores e imediatos permitem maior interação entre determinados partidos.

Em 1998, PFL e PSDB jogavam em dobradinha no Congresso e na agenda econômica. Também estavam reunidos no Ministério da Previdência, onde o PFL dava as cartas, inclusive na Secretaria de Previdência Complementar (responsável pela fiscalização dos fundos de pensão).

Com a morte de Sérgio Motta, o Ministério das Comunicações foi para o PSDB desenvolvimentista, também titular do BNDES e dono da maior parte das cadeiras importantes no Banco do Brasil.

O PT, em contrapartida, aparecia em má situação, sozinho em um cenário onde todos os demais tinham aliados. A campanha sistemática do partido contra a privatização havia fracassado, percebida como discurso anacrônico, retrógrado. Por conta das manifestações (o MST chegou a invadir o BNDES), seus militantes corriam o risco de receberem, mais uma vez, o rótulo de intransigentes _ imagem que atrapalhara muito a legenda na eleição perdida para Collor (1989) e as duas derrotatas para FHC (1994 e 1998).

Onde o PT era poderoso? No Sindicato dos Bancários (o que o tornava um player importante para o Banco do Brasil, e na Previ, o gigantesco fundo de pensão do BB). Nada no banco ou na entidade de previdência passava sem um acordo com os petistas, pois parte das vagas de comando, no segundo caso, era obtida por voto dos bancários. Mesmo assim, a força do Estado era esmagadora _ a maioria dos acertos era fechada em bases ruins para os trabalhadores.

A influência sindical também permitia certa influência do PT na Caixa Econômica Federal e seu respectivo fundo de pensão, a Funcef, bem como na Petrobras e na Petros, instituição previdenciária da petrolífera.

Quando o assunto é bilhão, esses três fundos são os que interessam: Previ (o maior da América Latina), Petros e Funcef. Juntos, eles detêm cerca de 70% dos ativos do sistema brasileiro de previdência complementar. São os gigantes dos investimentos de longo prazo. Praticamente TUDO na economia passa por eles, inclusive no mercado de capitais.

Justiça seja feita _ se a governança corporativa dos fundos de pensão é falha hoje, naquele tempo era uma piada. Diversos negócios mal explicados resultavam em prejuízos para as fundações. Rendiam dinheiro só para os tucanos-pefelês; os petistas se descabelavam com as sobras. Corriam ao Ministério Público com freqüência para fazer denúncias sérias, fundamentadas, que _ DEZ ANOS DEPOIS _ deram em zero de punição. Por que será? Deixo para outra ocasião.

O PSDB desenvolvimentista, matreiro, decidiu jogar em duplicidade. Uma parte (Ministério das Comunicações e BNDES) continuaria alinhada ao PFL e ao acordo azeitado por FHC. Outra, a do Banco do Brasil, iria compor com o PT, de olho mais no futuro presidente do que naquele que ocupava o posto naquele momento. Fosse qual fosse o resultado, os tucanos sairiam ganhando. Pelo menos, era o que eles pensavam.

E o Planalto? Aí eu só posso dizer para você o que eu acho: a eleição de 2002 pouco interessava a ele, que tinha garantido dois mandatos. Fazer um sucessor que não fosse Luís Eduardo era indiferente para Fernando Henrique Cardoso. Fechou os olhos e mandou seguir.

PS: Vou sair para almoçar. Retomo mais para o fim do dia, ok?

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Telezona, a síntese do Brasil (parte 1)

A privatização da Telebrás, que resultou na divisão do sistema em várias empresas arrematadas por grupos estrangeiros e nacionais, completará dez anos no próximo 29 de julho. Jamais esquecerei aquele dia. O salto da bota quebrado que me fez passar o leilão descalça, o burburinho da redação, a comemoração no fim da noite por um trabalho de equipe perfeito.

De lá para cá, mudei bastante. Envelheci, aprendi e me tornei capaz de pensar nas conseqüências de minhas ações no longo prazo. O Brasil? Muito menos, creio. A politicagem e os interesses de campanha seguem ganhando a queda-de-braço com o desenvolvimento.

Para entender minha linha de raciocínio, convido você a um passeio no túnel do tempo.

A privatização das teles foi idealizada por Sérgio Motta, ministro das Comunicações e um dos mais influentes tucanos no primeiro mandato do governo Fernando Henrique Cardoso. Outro grande aliado de FHC era Luís Eduardo Magalhães, então presidente da Câmara, filho do senador Antônio Carlos Magalhães e um dos expoentes do PFL.

Motta, o trator, e Luís Eduardo, o conciliador, foram indispensáveis para as costuras políticas que permitiram o fim do monopólio estatal nas telecomunicações. Por isso, o governo sofreu um golpe pesado quando ambos morreram subitamente, poucos meses antes do leilão, em decorrência de problemas de saúde.

O desaparecimento dos dois principais articuladores políticos de Fernando Henrique colocaram a base aliada em polvorosa. Havia um acordo implícito para o PFL apoiar os tucanos na eleição de 1994 _ ao fim de oito anos, o sucessor de FHC na chapa composta seria um pefelista. O nome natural era o de Luís Eduardo, estimado pelo presidente, capaz de mobilizar os políticos nordestinos e, assim, promover a alternância de poder entre o sul e o norte.

Dentro do governo, o acordo era visto com bons olhos pela equipe econômica, capitaneada pelo então ministro da Fazenda, Pedro Malan, mas causava urticária na ala tucana conhecida como "desenvolvimentista", cuja pretensão era a de apresentar um candidato próprio, o recém-empossado ministro da Saúde, José Serra.

Sem Motta para conter os desenvolvimentistas e Luís Eduardo para manter acesa a chama do acordo fechado com o PFL em 1994, a política ficou de pernas para o ar. A equipe econômica, espécie de fiadora do pacto, estava desgastada pelas seguidas crises econômicas internacionais e pelo alto custo da manutenção do câmbio administrado.

Resultado: os desenvolvimentistas vislumbraram uma brecha para lançar a semente da candidatura de um tucano desenvolvimentista em 2002. O PFL passou a desconfiar dos aliados. E o PT, oposição ferrenha, completamente abafado no primeiro mandato de FH, revoltado com o tratamento que recebia do "intelectual", viu uma chance de crescer com o desbalanceamento dos adversários.

TODOS precisavam fazer caixa para a campanha (menos FHC, que já tinha garantido dois mandatos).

Foi assim que o jogo começou.

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April 25, 2008

PODCAST: "I TARANTATI - O resumo do caso Telecom Italia"

Pessoal, eu sei que essa história é cansativa. Se você preferir acompanhar por meio de áudio, fique à vontade. Clique aqui para ter o texto do podcast na íntegra.

 Janaína Leite - I TARANTI - O resumo do caso Telecom Italia

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I TARANTATI - O resumo do caso Telecom Italia (parte 5)

Funcionava assim: executivos da Telecom Italia, lá na Europa, contratavam detetives italianos, a maioria, ex-policiais ou antigos agentes do serviço secreto. Esses detetives, por sua vez, recrutavam colaboradores brasileiros.

É aí que você deve prestar atenção. Os procuradores italianos descobriram que o esquema se divide em dois, se bifurca.

Uma parte deles era formada por lobistas, cuja missão era azucrinar os inimigos da Telecom Italia, influenciando a mídia e tocando processos judiciais paralelos contra os adversários dos italianos.

O segundo tipo de colaborador identificado pelos milaneses era uma espécie de negociador. Servia como ponte entre a Telecom Itália e políticos, funcionários públicos, juízes, advogados e por aí vai. Enfim, ligava os italianos aos poderosos.

Os procuradores de Milão têm indícios de que esses colaboradores, mais sofisticados, receberam milhões de euros e pagaram propinas no Brasil.

A Justiça italiana também desconfia que parte do dinheiro distribuído nos trópicos voltou para o bolso de executivos italianos, numa operação que você e eu conhecemos como lavagem de dinheiro.

O processo que corre em Milão já tem caixas e caixas de documentos, recibos, arquivos de computador, lançamentos contábeis e testemunhos de pessoas que participavam do esquema. Esses fatos têm sido amplamente noticiados pela imprensa italiana, mas, aqui no Brasil, só eu e mais um, ou dois colegas insistimos no assunto.

“Jornalistas”, assim mesmo, entre aspas, perguntam por aí qual é o meu interesse em trazer os papéis? Ora, meu filho, o interesse é óbvio _ é um filé mignon informativo, com evidente cunho jornalístico.

Aí você pergunta: "mas trazer os papéis beneficia Daniel Dantas?" Eu respondo: e daí? Desde quando ajudar ou prejudicar alguém é critério para derrubar matéria? Só se for aí, no universo paralelo.

"Ah, não, Janaína, os papéis vão contaminar os processos movidos pela Polícia Federal e pelo Ministério Público no Brasil." É? Por quê? Tem coisa mal investigada ali? Faltam informações? Houve manipulação de algum modo no que está sendo apresentados aos juízes? Qual é o problema, hein? Se tudo foi bem apurado, duvido que os papéis italianos contaminem alguma coisa. E se não foi, nada mais correto para quem trabalha com isenção do que acrescentar as informações que faltam.

Acho muito engraçado que esses “jornalistas” fujam de outra pergunta, muito mais importante: por que é tão grande a resistência dentro do governo para trazer os documentos da Itália ao Brasil? Esquisito, não é? Esse inquérito tem DOIS anos e até agora NADA.

Estão engavetando as coisas para impedir que Daniel Dantas seja favorecido? Tenha dó! Eu duvido. Muito mais fácil que seja para impedir que outros peixes graúdos caiam na rede.

Bom, fico por aqui, mas antes quero saber o que você acha. Deixe a sua opinião na caixa de comentários. Eu volto para conferir.

Até daqui a pouco.

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TELEZONA: Tudo assinado. O negócio saiu.

Volto daqui a pouco.

JANAÍNA: Voltei.

O acordo que permite aos sócios privados da Oi, a antiga Telemar, se tornarem donos da Brasil Telecom foi assinado há pouco no Rio de Janeiro. Nasce a BrOi, que eu chamo de Telezona, porque além de gigantesca, a nova empresa está sendo criada à revelia da lei.

O mais constrangedor é que a ilegalidade é, como sempre foi, abençoada pelo governo. A desculpa é a criação de uma supertele nacional. Mas não é preciso ser muito esperto para perceber que agradar grandes financiadores de campanha também pesou na balança do Planalto.

A compra resulta que Carlos Jereissati, dono da La Fonte, e Sérgio Andrade, da construtora Andrade Gutierrez, foram coroados os reizinhos das telecomunicações brasileiras. Também significa que o dono do Opportuntiy, Daniel Dantas, ficará pelo menos R$ 1 bilhão mais rico. Depois os caras-de-pau dizem que eu favoreço o banqueiro. Ridículos.

Em linhas gerais: Banco do Brasil e subsidiárias, GP, Citigroup e Opportunity deixam o setor de telefonia. O BNDES paga boa parte da conta, mas diminui a participação. Também encolhem os fundos de pensão ligados às estatais. La Fonte e Andrade Gutierrez se deram bem. Muito bem.

Agora é esperar e ver como o governo vai lidar com a imposição de metas. É o mínimo que pode fazer antes de essa "operação tropical" acabar sacramentada _ o que só acontecerá com a mudança da legislação.

PS: Para saber mais, dê um pulo na Folha Online. Eles fizeram um ótimo infográfico.

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April 22, 2008

Amigos e guarda-costas

Hoje, Reinaldo Azevedo disse que lê o Arrastão. Diogo Mainardi, em seu podcast semanal, recomendou meu blog. Os acessos diários dos dois colunistas da Veja, sozinhos ou somados, vão à estratosfera. Fácil entender. Mesmo quando discordo deles, minha opinião é que ambos são donos dos melhores textos da imprensa atual.

Em outro extremo ideológico, Idelber Avelar, do Biscoito Fino, mostrou coerência e honestidade ao explicar suas crenças, reafirmar seu alinhamento com a esquerda e fechar a caixa de comentários para evitar o linchamento moral de quem quer que seja. Pessoas de valor assumem o que pensam e, mesmo no meio dessa balbúrdia, vejo como mostra de coragem de Idelber a adequação de seu discurso ao que ele considera justo.

Só posso agradecer publicamente e deixar claro meu respeito pelos três.

Disse antes e repito: a mim interessa cativar leitores, não formar seguidores. A polêmica que cerca meu nome será superada _ eu confio na Justiça e na inteligência das pessoas _, e daqui a pouco o espetáculo terá de ser um texto bem escrito, uma análise interessante, uma provocação bem colocada.

Espero que você, que gosta de mim ou que me considera a Mata Hari da Bruzundanga, esteja por aqui para acompanhar essa futura etapa, muito mais afeita ao que sou e ao que defendo. Espero, sinceramente, que essa fase venha logo. Mas, enquanto me derem motivo para brigar, enfrentarei o que for preciso e do meu jeito.

Bem, volto a Mainardi. Aqui, um trecho das revelações contidas em seu podcast semanal, no programa "O Guarda-Costas de Lula" (para ouvir, clique aqui.)

"As principais testemunhas do processo contra a Telecom Italia declararam em juízo que, no mesmo período em que era chefe da Abin, Mauro Marcelo oferecia seus préstimos à empresa. O pagamento de 300 mil dólares, segundo essas mesmas testemunhas, seria realizado por meio do detetive Eloy Lacerda, parceiro de Mauro Marcelo.

Um dos executivos da Telecom Italia, Angelo Jannone, declarou à promotoria que se opunha à idéia de pagar um membro do governo brasileiro, tanto que, a certa altura, decidiu bloquear os pagamentos. Para comprovar esses fatos, ele apresentou uma série de documentos ao Ministério Público italiano. Num deles, o lobista Luiz Roberto Demarco teria se lamentado num e-mail nos seguintes termos:

Sinto que corruptos como Eloy ou Mauro Marcelo são tratados com mais respeito e mais atenção (do que eu).
Jannone apresentou também um telefonema gravado com o parceiro de Mauro Marcelo, que teria reivindicado um aumento no contrato de 300 mil dólares com o seguinte argumento:

Quando eu relatei a ele (Mauro Marcelo) a última conversa que tivemos, ele me pediu para ver se havia um jeito de melhorar um pouquinho, porque já se passou muito tempo, né?"


Para ler a íntegra do texto de Mainardi, vá para este link.

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Para LUÍS NASSIF - Bilhete e resposta ao dossiê Veja

Nassif,

quer dizer que você tem HÁ DIAS a informação de que 1) os papéis colocados por mim e Diogo Mainardi na internet eram verdadeiros; 2) as páginas faltantes não alteravam o sentido dos documentos e 3) aquilo nunca havia sido um relatório, nem um dossiê forjado, e sim documentos oficiais da Justiça italiana, ao contrário do que você sustenta publicamente em seu blog e no Google desde fevereiro?

E, mesmo de posse dos dados verdadeiros, calou-se, se recusando a fazer uma retratação? Nem contou para seus leitores que havia conseguido falar com Angelo Jannone, autor do depoimento que eu linkei, e alvo do mandado de prisão que Mainardi compartilhou? Ainda por cima deixou no ar aquelas coisas que escreveu _ e pediu para as pessoas espalharem _ mesmo tendo a certeza de que eram MENTIRA?

Estou sem palavras, Nassif. Sem palavras.

Janaína

PS: Jannone colocou um post em seu blog. Lá, me pede desculpas e depois afirma que documentos publicados por Leite e Mainardi foram obtidos com o Judiciário brasileiro, aos quais não foram passados pelos canais oficiais, mas por canais oficiosos. É isso que ele está dizendo, Nassif. ;-))

Para ler a resposta às últimas diatribes de Nassif, contidas no tal dossiê Veja, clique aqui.

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ANGELO JANNONE - Entrevista organizada

Entrevistei o ex-chefe de Segurança para a América Latina da Telecom Italia, Angelo Jannone, um dos investigados no inquérito movido pelo Ministério Público de Milão. A conversa está dividida em três textos.

Clique para ler na ordem:

ANGELO JANNONE: "Documentos que estão na internet são autênticos e Nassif me procurou" (parte 1)

ANGELO JANNONE: "Pirelli mandou espionar Thomaz Bastos; Lula aparece em relatório da Justiça Italiana" (parte 2)

ANGELO JANNONE: "Chefe da Abin em 2005 recebia dinheiro da Telecom Italia; há informações sobre Marcos Valério no inquérito de Milão" (parte 3)

Clique aqui para acompanhar quem é quem entre os citados.

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JANNONE: "Chefe da Abin em 2005 recebia dinheiro da Telecom Italia; há informações sobre Marcos Valério no inquérito de Milão" (parte 3)

Aqui, a segunda parte da entrevista de Angelo Jannone, ex-chefe de Segurança para a América Latina da Telecom Italia, ao Arrastão. Para entender um pouco melhor o assunto, dê uma olhada nas matérias que estão abaixo do ponto 7 neste post.

ARRASTÃO - Mainardi reproduziu um trecho do interrogatório de Giuliano Tavaroli, em que ele fala sobre o apoio institucional oferecido pelo governo Lula, através do chefe da Abin, Mauro Marcelo. Tavaroli confirmou o depoimento, mas negou que a TI tenha dado 300 mil dólares a Mauro Marcelo. O senhor sabe se esse dinheiro foi pago?
JANNONE -
Tavaroli afirma também que Mauro Marcelo sugeriu contratar [o detetive particular] Eloy Lacerda, e que a Eloy foram prometidos 300 mil dólares, que ele queria receber de mim. Eu não sabia de nada. quando cheguei no Brasil, sem saber de nada, mandei o Spinelli (que tinha um contrato com Bonera, meu antecessor) pagar uma parte daquele valor. Mas quando suspeitei que por trás de Eloy houvesse [o ex-chefe da Abin] Mauro Marcelo, suspendi os pagamentos (fevereiro de 2005) e, em setembro de 2005, discuti por esse motivo com Eloy Lacerda, que chegou para usar um tom ameaçador Gravei o telefonema e entreguei a gravação à magistratura [italiana].

ARRASTÃO - A gravação mostra que Eloy Lacerda entregava dinheiro da Telecom Italia para o ex-titular da Agência Brasileira de Informações, Mauro Marcelo, sem o seu conhecimento? O senhor mandaria essa gravação para o Ministério Público brasileiro?
JANNONE -
Na gravação eu reclamo com Eloy por ter recebido também um telefonema de Mauro Marcelo sobre o asunto. As confirmações de minhas suspeitas foram feitas a mim por Bonera maio de 2006, durante outra conversa gravada. As gravações há muito tempo estão nas mãos dos juízes italianos, mas provavelmente eles não as escutaram.

ARRASTÃO - Segundo Giuliano Tavaroli, Marco Bonera, seu antecessor, levou uma mala com 300 mil dólares a Brasília, para o pagamento de propina a políticos brasileiros. Quem recebeu esse dinheiro?
JANNONE -
Creio que essa história seja de 2003. Eu ainda não trabalhava na Telecom Italia, mas ouvi falar sobre ela.

ARRASTÃO - Fale sobre Marco Bernardini. O senhor diz que ele mentiu envolvendo seu nome. Quais foram as mentiras? E por que ele fez isso?
JANNONE -
A lista de mentiras e contradições de Bernardini é interminável. Eu deveria escrever um romance. Por exemplo, quando disse que Marcelo Elias era pago para distribuir propina. É falso! Ele e Marcelo Elias assinaram um contrato de US$ 495 mil. É o valor exato do orçamento detalhadíssimo dos advogados de Londres que serviam a Luís Demarco no caso do Privy Council, que me foi passado pelo [ex-diretor da Telecom Italia no Brasil Marco] Patuano e que eu entreguei ao Ministério Público. Bernardini reteve metade daquele valor, suscitando os protestos de Demarco, sobre o qual já falei. Esse é apenas um exemplo. Entreguei [aos procuradores de Milão] as gravações que desmentem Bernardini.

ARRASTÃO - Qual é a ligação entre Marco Bernardini e o publicitário Marcos Valério, que ficou conhecido nas investigações do mensalão? Como o senhor soube disso? Como nós, brasileiros, conseguiríamos comprovar tal ligação?
JANNONE -
Não sei a natureza desse relacionamento, sei apenas que o advogado de Bernardini contou ao Ministério Público que encontrou Marcos Valério no Brasil. Está escrito no interrogatório de 10 de outubro de 2007. Qual o sentido disso?

ARRASTÃO - A revista Carta Capital, há algumas semanas, trouxe uma reportagem que fala desse assunto. Há, inclusive, uma entrevista com o senhor. Por isso, eu gostaria de entender melhor.
JANNONE -
Simples: o advogado Vincenzo Carosi tem relações de negócio com Bernardini. A [testemunha Luciane] Araújo é o amiga do advogado Carosi antes de [se relacionar com] Bernardini. O advogado Carosi é o amigo de Marcos Valério e de seus advogados e freqüentemente viaja ao Brasil. Tudo isto está nos documentos do processo, so é preciso saber ler. Agora Luciane Araújo afirma que os advogados de Valério e Carosi trabalharam junto no caso de Telecom. Se isso é verdade, muitas coisas pode ser entendida. Eu não sou maquiavélico, nem malicioso, mas sou capaz de levantar provas, aguardar se for preciso, e ler documentos para julgar. Esse sempre foi meu trabalho.

ARRASTÃO - O senhor está disposto a confirmar suas declarações ao Arrastão para o Ministério Público e a polícia brasileiros, se for preciso?
JANNONE -
Certamente. Até mesmo porque tudo o que declarei está acompanhado de provas. O problema é que os magistrados italianos nunca leram ou ouviram as provas que lhes entreguei, e elas são muitíssimas. Isso é o que não entendo. Espero que a justiça brasileira possa ser mais escrupulosa do que a italiana.

ARRASTÃO - Há poucas semanas, o senhor lançou dúvidas sobre mim em seu site e chegou a me comparar com o Pinóquio. O que fez com que mudasse de idéia e me concedesse a entrevista?
JANNONE - Você se ofendeu? Perdoe-me. É que eu não lembrava da troca de e-mails [entre nós] ocorrida em 2007.

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April 21, 2008

Resposta a Luís Nassif

É "isso" que você tem contra mim, Luís Nassif?

"Janaína Leite, provavelmente valendo-se da falta de filtros de seu jornal."

Vamos refrescar sua memória: o jornal era a Folha de S.Paulo, o maior do país, e onde você tinha uma coluna. Ok, talvez você achasse que não era o caso de usar. Então, poderia ter avisado ao Conselho Editorial, que bobeou. Quem é que fazia parte do Conselho? Hmmm, deixe-me ver... VOCÊ! Você, Luís Nassif, era do Conselho Editorial.

Puxa! Que coisa. Você decidiu que vai acusar a si mesmo. Por essa eu não esperava, admito.

O bom é que a sua claque vai acreditar que uma repórter mandava mais que um conselheiro. O ruim? É que até a claque está envergonhada do seu "jornalismo".

Que feio! Mas sinta-se à vontade para aumentar a coleção de coisas que vou levar ao juiz. Daqui para a frente, é o que lhe resta.

Janaína

Continuo aqui.

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April 20, 2008

JANNONE: Documentos italianos são autênticos; íntegra da entrevista amanhã no Arrastão

Amanhã, publicarei a íntegra da entrevista concedida ao Arrastão, via e-mail, por Angelo Jannone, ex-chefe de Segurança da Telecom Italia para a América Latina. Ele fala sobre o inquérito da Procuradoria de Milão que investiga práticas irregulares da operadora em vários países, inclusive no Brasil.

De acordo com Jannone, ele entregou pelo menos 15 mil documentos à Justiça de Milão e está disposto a colaborar com o Ministério Público brasileiro. Ex-carabinieri, reclama que os procuradores italianos têm privilegiado testemunhos “mentirosos” às provas documentais. Como exemplo, ele cita as declarações do detetive Marco Bernardini, ex-colaborador do time de segurança da Telecom Italia.

Jannone confirma que os documentos tornados públicos em fevereiro por mim e Diogo Mainardi, da revista Veja, fazem parte dos autos da Justiça milanesa, são autênticos e mantêm o sentido do original, mesmo com páginas a menos.

O entrevistado tem autoridade para falar sobre o assunto. Os links que eu coloquei na internet são relativos ao depoimento prestado aos procuradores italianos pelo próprio Angelo Jannone. Mainardi, por sua vez, compartilhou o mandado de prisão expedido contra... Jannone.

A afirmação do ex-chefe de segurança da Telecom Italia na região latino-americana desmonta, portanto, acusações feitas por Luís Nassif, dono da Dinheiro Vivo e blogueiro do iG, contra mim e Mainardi.

Em seu blog, no chamado dossiê Veja, Nassif e seus “comentaristas”, sustentam que os documentos revelados na internet haviam sido forjados no Brasil. E lançam a suspeita de que as páginas faltantes foram retiradas propositalmente para beneficiar o banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity.

A entrevista com Jannone fala ainda sobre a relação entre a Telecom Italia e a Abin, a suposta ligação entre Marcos Valério e Marco Bernardini, a participação de outras empresas na espionagem da cúpula do governo federal, os detalhes de pagamentos feitos pela operadora italiana no exterior a pessoas contratadas para influenciar a mídia no Brasil etc.

Não perca.

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April 19, 2008

JANNONE: "Você gostaria de saber mais?"

O ex-chefe de Segurança da Telecom Italia para a América Latina, Angelo Jannone, me escreveu pela segunda vez. Aqui o texto, onde ele admite que estava errado ao me acusar:

"Prezada Janaina,

eu tambem eu estou feliz d’esta explicação. Varios jornalistas brasileiros me perguntaram notícias se fosse verdade o que apareceu em meu blog. A minha resposta foi que eu nao quiero entrar in uma inexplicavel disputa jornalistica brasileria, mas que o foco seria entender outro. Eu nunca recebi suas recentes correspondências (ela provavelmente escreveu a um endereço velho)

Por mea vez eu nao tive seu endereço em quanto eles me apprenderam o computador onde lhe escrevei. E verdade que do Brazil pessoas me sugeram não falar com ela como jornalista. Sua tenacidade em publicar documentos contra me, mi convenceram que eles tinham razão talvez.

Pelomeno agora ela sperimentou quanto è fácil ser uma vítima de difamação ou calúnia, exatamente como acontecido a mim. Só que eu também fui arruinado pelas calúnias. Eu tambem nao tive possibilitade de defender a minha reputaçoe, sobretudo no Brazil.

Voçe gostaria saber mais? Ta. Vamos traballando junto. Enviame pergundas e respostas sobre o caso.

Abc

Angelo Jannone"

PS: Vou mandar as perguntas, bem como publicá-las aqui. Acompanhe.

PS2: Se você quer ler em ordem o que aconteceu, melhor ir primeiro aqui, depois aqui e releia o que está acima.

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April 18, 2008

Resposta a Angelo Jannone

Prezado Sr. Jannone,

Fiquei muito feliz com o seu comentário. Sinal de que, assim como eu, está agindo de boa fé. Explico exatamente o que ocorreu e, acredito, poderemos esclarecer todas as dúvidas sobre a honestidade de nossas atuações.

No dia 7 de abril, o leitor Tiago escreveu na parte de comentários do blog Imprensa Marrom que o senhor, Angelo Jannone, tinha uma página na Internet, onde me acusava de ter viajado à Itália bancada pelo dono do Opportunity, Daniel Dantas.

Dizia o tal Tiago:

(para continuar lendo, clique aqui.)

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ANGELO JANNONE, o ex-chefe de segurança para a América Latina da Telecom Italia, no Arrastão

O Arrastão está que é um agito só. Há pouco, liberei o seguinte comentário:


"Cara Janaina Leite, estou aguarandando o eu email do qual vc fala.

Mais mas eu não desejo fazer polêmico com ela ou pertencer a uma "briga" inexplicável entre jornalistas brasileiros. Eu só pretendo sinalizar que os documentos publicados pelos juízes sou a interpretação de fatos, não "Evangelho". Para isto nas democracias modernas há 3 graus de julgamento, e para isto na Itália vencio o partito do centro - direito, porque as pessoas estão cansadas de um giustizialismo superficial e de uma Justiça injusta.

Em sua entervista (do 2006), por exemplo, o Bernardini diz que eu teria lhe pedido que investigasse Ministros brasileiros. Não è verdade! Nos documentos (pasta 34, 1 ^ parte) há a evidencia d'isso: Um relatorio de Bernardini em Bastos, Lula e outros, pedido da Tavaroli e da Pirelli! Não de mim. E então porque me acusa hoje? Isto precisa desejar saber!

Os promotores e Gennari, me acusam de ter ordenado hackeragem acontecido dentro o 2003! Isto fale os peritos da mesma Procura de Milao! Eu n'aquela epoca era o Coronel in actvidade de infiltrado em narcos!

Ghioni me acusa tambem de ter ordenado hackeragem a Telefonica, Telmex e outros. Ma em outros dois declaraçoes d'ele diz que o ordem foi do Tavaroli e do Bonera. E Tavaroli confirma. Por seria melhor pergundar perque chegam a vc o Mainardi os documentas sobre de mim. Vc entende? Vc è uma jornalist indipendente?

Vamos ver.

Angelo Jannone

JANAÍNA: Opa! Como vai o sr. Tudo bem? Vou responder seu e-mail na página principal. E, sim, eu sou independente. O sr. sabe disso. Por favor, não saia daí."

Continue aí você também. Vamos juntos esclarecer os pontos do sr. Jannone, que tal?

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April 17, 2008

Comentários e Considerações - "Trix are for kids"

Vou parar para liberar os comentários. Até aqui, semanas depois de inaugurado o sistema de postagem, não cortei nenhum. Estão ali, paradinhos, esperando resposta. Tudo indica, no entanto, que hoje a coisa muda.

Aviso que não voltarei ao tema Nassif/dossiê/BNDES, a não ser que 1) mais uma vez seja ofendida; 2) o BNDES responda (e ele deve responder, é óbvio); 3) o novo post seja uma organização de arquivos passados; 4) a discussão esteja no campo da teoria.

Quanto ao que Luís Nassif e seus leitores falam no blog dele, mais fácil listar minha opinião em tópicos:

1) Golpe baixo é ofender a família e/ou conhecidos, contar fatos degradantes da vida privada, destratar o adversário em características físicas e/ou emocionais e mentir com o objetivo de atingir a credibilidade. O último caso, aliás, aplica-se ao sr. Nassif em relação ao meu nome pelo menos em duas situações: ao escrever sobre mim em seu dossiê fajuto e quando teve a pachorra de ligar para um político só para me chamar de "mentirosa compulsiva e outros adjetivos pesados". Projeção é realmente um mecanismo psicológico complicado.

2) Eu não comecei essa história. Foi Nassif, o empresário que deve milhões, que veio para cima de mim. E avisei que, devido aos excessos, mudaria minha postura e ficaria mais incisiva em minha defesa.

3) Os casos da dívida de Nassif com o BNDES e da contratação do patrocínio para uma de suas empresas são documentados. Baseada neles escrevi o que saiu no Arrastão. Nassif escreveu seu dossiê calcado em brisa e maldade. No meu caso, como você sabe, não apresentou UMA comprovação sequer.

4) Vingança? Não, meu chapa. Reportagem. Jamais falei da vida privada de Nassif, mas de sua atuação na esfera pública: o caso da dívida trata-se de um processo público, fechado com um banco público, envolvendo dinheiro público. O seu e o meu, inclusive.

5) Luís Nassif, ao iniciar o dossiê Veja, deu início a uma série de questionamentos sobre o comportamento da grande imprensa junto ao setor privado, em especial, o grau de independência dos repórteres que, de um jeito ou de outro, feriram os interesses do governo e/ou dos atuais administradores do iG, onde Nassif trabalha. Há todos os motivos para ampliarmos o debate e jogar luz sobre o grau de independência de alguns jornalistas, incluindo Nassif, diante do governo. Ou a preocupação do empresário é só com a ética alheia?

6) Esse argumento de que a Abril e Daniel Dantas estão por trás de tudo, inclusive dos pequenos blogs, é cretino. Quem fez e renegociou a dívida com o BNDES foi Nassif, não o dono daquela editora, nem o banqueiro.

7) Os documentos nos quais baseei o que escrevi são públicos e podem ser consultados no Tribunal de Justiça de São Paulo. Quem duvidar que se habilite a ir até lá, antes de sair por aí propalando histórias da carochinha.

8) Suicídio e homicídio _ em sentido figurado, literal ou abobalhado _ estão a anos-luz de meu vocabulário profissional. Apuração, checagem, fontes protegidas, fontes reveladas em ON, notícia, publicação, retratação: aí estão as palavras que são do meu conhecimento e da minha prática.

Agora, com licença, vou lá cortar qualquer "longa manus" que apresente má intenção. Até daqui a pouco, leitor. Fique com o Tarantino. Ou vá dar uma volta no A Postos, sempre há coisas bacanas por ali.

"O-Ren Ishii: You didn't think it was gonna be that easy, did you?
The Bride: You know, for a second there, yeah, I kinda did.
O-Ren Ishii: Silly rabbit.
The Bride: Trix are…
O-Ren Ishii: …for kids."

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DOSSIÊ VEJA: Acusações e respostas (1)

Acho que ficará melhor para entender toda essa bagunça se você puder acompanhar em ordem. Por isso, compilei alguns links, de forma a facilitar seu entendimento. Se houver sugestões, por favor, fique à vontade.

1) MEMÓRIA

- O que eu dizia da briga dos jornalistas ANTES de ser envolvida, dois posts de novembro: Briga na imprensa e Adendo.


2) NASSIF e "O caso Janaína Leite"
- O que Nassif falou de mim.
- A matéria que escrevi para a Folha citada por Nassif (para assinantes ou aqui).
- A resposta de Janaína.
- A análise do texto de Nassif por Gravataí Merengue.
- A reação destemperada de Nassif
- O esclarecimento de Soninha
- As ponderações de Gravataí Merengue:
- As desculpas de Nassif para Soninha.

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DOSSIÊ VEJA: Acusações e respostas (2)

Continuo enumerando os links em uma ordem que facilita seu entendimento.

3) Os italianos no Arrastão
- Novembro: "Estamos aqui", Dica, Dica 2, Aviso à Praça, Listinha, Túnel do Tempo, Polido, Notícias da Itália, Notícias da Itália 2, Testemunha, Influenza, Tavaroli, Briga na imprensa, Adendo, "Antes tarde...".

- Dezembro: Negociador pleno, "Uns ganham, outros...", Calúnia, Angra, Angra 2, Ciao!, Crítica pertinente, G00db0ys, Benvenuto, O Brasil de Bismarck, Briga na imprensa 2, Diálogo, "Alô, Planalto!", "Alô, Planalto! 2", "Resposta a Luís Nassif (primeiro ataque)"


3) NASSIF e a acusação de orquestração

- O que ele disse e as conclusões do "leitor Salles".
- Os documentos italianos transformados em "relatórios".
- Minha resposta (a segunda da série que fui obrigada a fazer)ao ataque que falava sobre a orquestração.
- Os comentários no blog de Nassif que falavam da página 55 (se não me engano, um tal de Fábio). "Cadê a página 55, Janaína?"
- Minha segunda resposta a Nassif e seus leitores.

4) Para entender melhor, procurei mais material na Folha. A pesquisa foi feita a partir da expressão "advogado Marcelo Elias". Os links são apenas para os assinantes. Copiei as matérias aqui.

- O que escrevi sobre o advogado Marcelo Elias. No dia 29 de outubro de 2006, a Folha publicou uma página com informações que mandei da Itália. A página princial era "Tele quis investigar ministros, diz italiano", "Perfil: Ex-detetive colabora com promotores"; "Saiba mais: Telecom Italia entrou no Brasil com a privatização das teles"; "Outro lado: Acusados por araponga negam irregularidades"; "Outro lado: Chefe da PF nega acusação; Bastos vai investigar".

- O que a Folha publicou sobre o advogado Marcelo Elias (outros repórteres): "Luiz Francisco propõe ação contra Dantas - Promotr usa arquivo de computador cuja origem é um sócio de Luís Roberto Demarco, sócio do Opportunity"; "Procurador justifica registro digital - Luiz Francisco diz que usou letra de arquivo recebido de advogado". Ambas são de 2004 e eu ainda não trabalhava na Folha. Se você não é assinante, pode ler aqui, um pouquinho mais para baixo.

5) O podcast de Mainardi: "Mais documentos sobre a Telecom Itália", 13/02/2004.

- A coluna de Mainardi (que saiu logo em seguida do podcast): "Esperei Godot, e ele apareceu". É aí que o coluna dá o link para os documentos italianos. Para assinantes, ou aqui, depois das minhas matérias.

6) Reportagem sobre Marcelo Elias e a Telecom Itália na mídia italiana: La Repubblica (março de 2007) (Daqui a pouco procuro mais, vou almoçar)

7) E, afinal, existe ou não o CD? O Corriere della Sera, mais influente jornal italiano, relata que sim. (Daqui a pouco procuro mais, vou almoçar)

PS: Odeio mexer com esse negócio de link em html. Dá um trabalho danado esse recorta-muda-de-tela-volta-cola-outra-tela-sumiu-cadê-pega-de-novo-cola. Se estiver algo errado, avise.

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NASSIF E BNDES - Os leitores

A força da internet é realmente impressionante. Desde que avisei que começaria a rebater as acusações feitas contra mim de maneira menos delicada do que fazia até então, há duas semanas, as visitas aumentaram de maneira exponencial.

De repente, a caixa de comentários ficou lotada (ainda há um monte deles pendurados, perdoem-me), assim como a caixa postal. Alguns pedem que eu continue com a série sobre os italianos, outros que “desça o cacete”. Há os que defendem outros assuntos e que rogam para que eu não desperdice meu talento em brigas, os que gostam dos filmes e músicas, os que se divertem com as crônicas.

Teve até um que virou fã do Fogell-McLovin, um dos hunos e amiguinho da minha filha, e sugeriu trazer o pobre para deletar os comentários ofensivos em companhia dos canibais americanos (ressalte-se, todavia, que os últimos entrariam em cena apenas em caso de extrema necessidade).

A verdade é que, até agora, ninguém me ofendeu. Há, sim, os comentários que chateiam e entristecem, mas são a menor parte e, em boa parte das vezes, as dúvidas mostram-se sinceras. Apenas chegam com uma impressão errada de mim e pesam no discurso.

E, chatice suprema, ainda tem o negócio dos médicos e remédios e blábláblá.

Bem, esse prólogo é para dizer o seguinte: quero evitar que a caixa fique ainda mais abarrotada, mas noto que há demanda por explicações da tal dívida na página inicial. Então, vou reproduzir aqui alguns comentários de leitores que sintetizam um pouco o que penso. Espero que eles ajudem você a entender melhor minhas intenções, ok? Não é uma técnica que eu pretenda usar de maneira recorrente (parece aquele cantor que, no show, grita “vocês!” e tira o microfone da boca), mas acho que hoje ela nos ajuda.

Peço ainda que leiam com cuidado os posts (“Luís Nassif e o BNDES - 4” e “Madrugadeira”, inclusive os comentários).

E agradeço ao Idelber, do Biscoito Fino, a elegância de esperar antes de fazer julgamentos precipitados para qualquer lado.

Até daqui a pouco.

O MEU RESUMO:

- A Dinheiro Vivo deve ao BNDES, a dívida é dividida em dois créditos, dos quais um só precisa ser pago se o outro não for (perdão condicional, sim, senhor!).

- O principal da dívida diminuiu de 2003 para cá. O valor do perdão condicional oferecido pelo BNDES aumentou, assim como o prazo de pagamento.

- Os próprios donos da empresa são os avalistas e não vi nos papéis qualquer garantia real apresentada para cobrir um possível calote;

- Nassif obteve, apresentando o braço de consultoria de suas empresas, uma dispensa de licitação para receber um patrocínio de praticamente R$ 5 mil a mais do que pagava na prestação mensal ao BNDES.

Tudo isso é documento e eu mostrei aqui.

Fica a pergunta: esses contratos são uma prática normal do BNDES? Quais são os critérios para o banco investir? Apresentação de resultados não está nas metas do negócio? Perguntei ao banco e até agora não tive resposta. Quando ela chegar, publico aqui. Se for comum, é muito ruim para todos nós, contribuintes, pois os critérios de investimento me parece estranhos. Se não for, o BNDES deverá explicar os motivos pelos quais aconteceram.

RESUMO DOS LEITORES.

“Prezada Janaína, leio o blog do Nassif frequentemente. Como tudo que leio, de forma critica.

Postei um comentário para ele, que repito aqui:

Prezado Nassif,

Acho que todo mundo aqui sabe, inclusive o seu leitor com o comentário em destaque, o que a renegociação de uma dívida bancária é. Assim como todo mundo sabe o que um empréstimo é.

No entanto, as ilações não são sobre a natureza legal dos acordos, mas sobre os termos e as circunstâncias desses contratos.

Por exemplo, dizem que vc se beneficiou de uma dispensa de licitação e que vc obteve como resultado da renegociação de uma dívida a dispensa, ainda que condicionada, do pagamento de quase 2 milhões de Reais.

Mal comparando, o que dizemos da figura pública que consegue rolar dívidas e que consegue financiamentos em cláusulas inacessíveis para o comum dos mortais? ESSE É O X DA QUESTÃO.

Outro exemplo: Lulinha. Porque o escândalo? Eu sei muito bem quão difícil é obter financiamentos. Isto é, a menos que se tenha as conexões certas. Juridicamente falando, tenho certeza que a Gamecorps está dentro da lei.

Portanto, não questiona-se a legalidade dos contratos, mas sim os termos em que foram assinados. E, por conseqüência, questiona-se qual pode ser "a isenção do juiz que recebe agrados".

Fica a pergunta: qual a melhor maneira de se demonstrar cabalmente e de uma vez por todas se houve ou não tratamento diferenciado, acima do disse-me-disse da "blogosfera"? Não sei a resposta. Essa dificuldade é a mãe dos "assassinatos de reputação".

Porém, repetir didaticamente qual a praxe bancária manterá o fogo cruzado e não esclarecerá o público.”


"O Ponto principal se resume: Podemos esperar ouvir a verdade sobre o governo, da boca de uma pessoa que tem como ofício o jornalismo, se o sustento dessa pessoa depende desse mesmo governo? Qual a lição que o senhor Nassif tenta nos ensinar diligentemente no imbróglio do dossiê contra Veja? Que Jornalistas se vendem, e a prova é o conteúdo laudatório de suas respectivas reportagens aos compradores. Esse é a prova máxima que apresenta no dossiê contra Veja. Venderam-se para Fulano! A Prova? Escreveram em consonância com os interesses de Fulano... Cute

O mínimo que se espera dos que acreditam no Dossiê contra Veja é que usem o mesmo metro para tirar conclusões a respeito do assunto em questão.

Se vale pra jornalistas de Veja e pra Janaína, tem que valer pra Nassif.

Muita gente que odeia a Veja, usa como justificativa, além da tontice corriqueira dos pobristas em dizer que Veja é revista de PRAIBÓI, o argumento de que tem apurado senso crítico, ceticismo. Que são capazes de pensar por só próprios e não precisam da Pauta semanal elitista de Veja.... Cute

Afora a obvia falácia lógica, esses mesmos independentes deveriam afastar sua torcida no momento de analisar o caso em questão. E não se atenham a detalhes. Pouco importa se o ato de banco perdoar 2 milhões de dívida é praxe ou não (Na verdade importa MUITO né, mas vamos relevar...), o ponto principal continua sendo: Nassif tem profundos interesses econômicos em jogo dentro de instituições que são controladas pelas pessoas que tanto elogia e defende. A conta se fecha.

E ao contrário de uma empresa privada:

QUEM PAGA ESSA CONTA É VOCÊ.”

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April 16, 2008

NASSIF E O BNDES - 5

Luís Nassif rebateu em seu blog as informações que escrevi ontem, sobre o acordo que a empresa dele, a Dinheiro Vivo, fechou com o BNDES. Você deve ler a resposta. É justo.

"Essa denúncia do tal 'perdão' da dívida é falsa."

Enquanto isso, eu vou pedir a alguém que me ajude a digitalizar partes dos contratos, para que você conclua por si mesmo. (23:10 - As imagens estão aqui.)

No mais, ele poderia aproveitar o embalo.

Conte para as pessoas, Nassif, que ANTES de a negociação ser homologada pela diretoria do BNDES, em 23 de outubro do ano passado, você ganhou uma dispensa de licitação do banco, que patrocinou um evento seu no valor de R$ 25 mil.

Como naquele tempo a prestação da Dinheiro Vivo com o BNDES era de R$ 20,1 mil, ainda sobraram praticamente R$ 5 mil do dinheiro público no seu bolso.

EXTRATO DE INEXIGIBILIDADE DE LICITAÇÃO Nº 107/2007

CONTRATADO: Dinheiro Vivo Consultoria S/C Ltda

CONTRATANTE: Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES

OBJETO: Patrocínio para a realização do 47º Fórum de Debates

Projeto Brasil - Políticas de Inovação, a ocorrer no dia 12 de setembro de 2007 , na cidade de São Paulo (SP).

ESPÉCIE: contrato de patrocínio.

PREÇO: valor total de até R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais).

PRAZO: 03 (três) meses, contados da data da assinatura do contrato, prorrogáveis, uma única vez, por igual período.

RUBRICA ORÇAMENTÁRIA: 3141.11.05.00-0

FUNDAMENTO LEGAL: Artigo 25, "caput", da Lei nº 8.666, de 21.06.93.

PRONUNCIAMENTO JURÍDICO: pelo advogado do GP/DECO, na IP GP/DECO nº 105/2007, emitida em 30/08/2007.

ATO DE RATIFICAÇÃO: do Presidente do BNDES, prolatado em 03/09/2007, na IP GP/DECO nº 105/2007, emitida em 30/08/2007.

Eu sei que você vai explicar aos leitores que a Dinheiro Vivo Agência de Informações S/A é a endividada. E que quem ganhou a dispensa de licitação foi a Dinheiro Vivo Consultoria S/C.

Mas, me explique uma coisa: você não está na das duas?

Ah, e antes que eu me esqueça: realmente não sou uma mocinha inocente, nem vulnerável. Sou repórter.

E você, Nassif? É jornalista ou empresário? Ou, como diria a sua mulher: "consultor de quem, mesmo"?

PS: Quase oito da noite e só agora consegui ver o link do Coronel que um leitor me mandou. E não é que ele também informou sobre o contrato do patrocínio? Melhor: ele é esperto e colocou a imagem.

PS2: Treze leitores já me mandaram, entre e-mails e comentários, o link para esse post do Reinaldo Azevedo. Talvez nada tenha a ver com a discussão que rola aqui, mas como o delivery do texto não pára, achei que seria melhor simplesmente deixar a decisão de visitá-lo com cada um.

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Gravataí Merengue

Há alguns posts, eu disse que não tinha dinheiro, não tinha fama, não tinha medo. Agora é hora de dizer: é verdade, mas, em compensação, tenho AMIGOS. Podem ser antigos, próximos, recentes ou só virtuais. Pouco importa. Eles são os melhores e a eles, meu agradecimento e meu carinho.

Aqui, o trabalho do Gravatai Merengue, advogado, que dissecou no Imprensa Marrom todas as acusações feitas por Luís Nassif contra mim. Está dividido em primeira e segunda partes.

Gravata, o que dizer? Obrigada, mil vezes obrigada. Jamais esquecerei da ajuda voluntária e gratuita, simplesmente para evitar a propagação de uma injustiça.

A vida é extremamente generosa, às vezes.

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NASSIF E O BNDES - 4

Uma pessoa sabe quando está no rumo certo numa briga quando seus aliados são melhores que ela. É o meu caso. Lendo os comentários, ficou claro para mim que o visitante do Arrastão está longe de ter o perfil dobermann, aquele que anseia por baixarias em um debate, nem o de assentir, como vaquinha de presépio, a tudo que eu falo. Quer argumentos, provas, texto de alto nível, explicações detalhadas.

Tenho realmente muita sorte. Vocês saíram melhores que a ecomenda. Obrigada.

Peço licença, porém, para sugerir que olhem os últimos posts à luz do que direi a seguir, antes de se entregarem ao bate-rebate típico das discussões na internet. Talvez alguns continuem discordando de minha atitude, o que é justo, desde que feito com educação, mas certamente entenderão melhor as motivações dela.

Luís Nassif, o dono da Dinheiro Vivo, escreveu sobre mim três vezes ao longo de seu “dossiê Veja”, além de mencionar meu nome forma velada por outras vezes. Ontem, vários pediram que eu argumentasse contra as acusações que ele me fez. Ora, fiz isso assim que cada menção foi divulgada. Não deixei nenhum _ nenhum! _ ataque sem resposta.

E os ataques foram vários (há um resumo do ocorrido, segundo a minha versão, na parte de comentários). Antes de fazê-los, Nassif não procurou a mim e nem a Folha. O jornal certamente teria informado que eu apresentei todos os documentos internamente antes de publicar as matérias da Itália. Entrevistas, contatos e o andamento das apurações foram descritos regularmente ao meu chefe, o editor do caderno Dinheiro. Tudo por escrito, aliás.

Repare: a Folha de S.Paulo escreveu 203 reportagens negativas ao Opportunity e a Daniel Dantas no caso Kroll. O caso Telecom Italia mereceu 17 textos _ a maioria escrita por mim, é certo. Mas até uma porta é capaz de perceber que o total, o tamanho e o destaque cedido às matérias na versão impressa e on-line é insuficiente para beneficiar ou prejudicar quem quer que fosse.

Mesmo assim, Nassif continua com suas diatribes. Na visão maluca dele, antes, na Folha, eu era o elo entre Daniel Dantas e a Veja. Desde a semana passada, todavia, eu teria ampliado minha área de atuação: conecto Dantas, a Veja, os pequenos blogueiros, desembargadores, a Câmara de Vereadores de São Paulo e os arapongas italianos do mal (sim, porque agora eles também são divididos, como mutantes da Record, em dois times).

Eis que surjo então como uma espécie fita-crepe que une a imensa rede que quer governar o mundo e destruir o PT, não necessariamente nessa ordem. Daqui a pouco o Snoopy Dogg, a Stephanie de Mônaco, o presidente da Associação Internacional dos Jogadores de Bocha e o Nelson Ned aparecerão como parte importante do “esquema”.

Continuo aqui. Leia.

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April 15, 2008

A versão de Soninha

Aos queridos que estranharam meus últimos posts, digo apenas que continuo exatamente a mesma pessoa que era há alguns dias. Aos que querem mais argumentos e menos "assuntos periféricos", peço calma. Aos que duvidam de mim, só posso dizer que seu time diminui a cada dia. Eis a versão da vereadora Soninha (PPS-SP) para o telefonema que recebeu ontem de Luís Nassif, o paladino da ética:

"Sobre o Gravataí Merengue: você me ligou ontem duas vezes para dizer que ele estava completamente enganado sobre "a moça" (que foi jornalista da Folha e está sendo acusada de ser "patrocinada pelo Dantas", é isso?). Você disse que ela é mentirosa compulsiva e outros adjetivos pesados, e que ele estava entrando em uma fria."
Se tiver estômago, leia o restante aqui. Jamais encontrei Soninha, sequer voto em São Paulo, pouco sei da política local. Mas agradeço a ela por ter a coragem de enfrentar alguém que se presta a um papel tão enojante. E também ao Gravataí Merengue, do Imprensa Marrom, agradável surpresa nesse mundo virtual

E a você, Nassif, eu digo: por que é tão ameaçador com as outras pessoas, mas incapaz de ligar para mim? Nem um único telefonema, um e-mail, um recado por meio dos amigos comuns (sim, eu sei quem são eles, não se iludam). Poderia ter feito isso hoje para me cumprimentar quando, veja você!, eu falei a verdade.

Perdeu a chance. Perdeu.

PS: Nassif admitiu que errou com a Soninha e destacou não ter sido o responsável pelo afastamento de Gravataí Merengue da chefia de gabinete da vereadora. Menos mal. Pena que a humildade do empresário só chegue ao reconhecimento do que pode lhe causar problemas.

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NASSIF E O BNDES - 3

No começo do blog aqui no A Postos, um leitor que se identificava como Paulo mandou uma crítica muito completa a um post que escrevi sobre os benefícios assistenciais. Achei que ele foi firme e educado, embora com uma orientação ideológica muito mais à esquerda do que a minha. Dediquei outro post para respondê-lo.

Com o tempo, Paulo se transformou em um leitor constante. Nos últimos tempos, porém, alguma coisa parece errada. Não combina com a impressão que tive sobre sua riqueza de seus argumentos e sua capacidade como debatedor.

"Janaína, jamais li tamanha bobagem escrita por quem se diz jornalista. Isso é uma mentira inacreditavel, você vai pagar o maior mico dos blogs de todos os tempos !

BNDES perdoou divida !!!!! Banco perdoa divida, quando.... hahahahahahahahahahahahaha, isso não existe, o que provavelmente aconteceu foi um parcelamento de uma divida atrasada.

É a coisa mais ridicula que já li em toda a minha vida, parece piada !

Faço-lhe um desafio se você não provar essa mentira, proponho que rasgue o seu diploma de jornalista, que tal?"

Bom, Paulo, eu també acho que parece piada. Quase metade da dívida, de acordo com os termos da última renegociação entre Luís Nassif e o BNDES, está perdoada _ a menos, claro, que ele volte a atrasar os pagamentos. Meu banco não é tão legal. Será que é por que ele é privado?

Se você duvida de mim, procure pelo processo número 000.05.200321-5, que corre no Poder Judiciário de São Paulo. Escorregue seu indicador até a cláusula 3.3, onde verá a seguinte expressão: "DISPENSA CONDICIONADA".

É o nome técnico do perdão. Se você ler até o fim do parágrafo, concordará comigo, mesmo a contragosto. Até porque não há como duvidar quando a frase em questão é "terá o seu pagamento dispensado, desobrigando os devedores do respectivo pagamento". Sem mistérios, como pode perceber.

E, quer saber, Paulo? Pretendo fazer do Arrastão um espaço para pessoas de todas as correntes e crenças, mas não a qualquer custo. Os bem-vindos aqui primam pela argumentação, pela gentileza, pela honestidade intelectual. Ataques como o que está acima eu já aturo em outros blogs. Os seus, com todo o respeito, eu passo a dispensar.

Por fim, só mais uma coisa: jornalista que é jornalista você sente na veia, onde corre tinta junto com o sangue. Não no papel pendurado na parede. E isso, colega, ninguém destrói, põe em dúvida ou ameaça. Nunca.

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NASSIF e o BNDES

Como era de se esperar, meus textos não estão descendo redondos para algumas pessoas. Antes que os ataques venham, melhor deixar claro o que está por trás deles: Luís Nassif, outrora jornalista conhecido, é hoje muuuuuuuito mais empresário que repórter.

Primeiro, a pergunta: se você tivesse uma dívida de R$ 1,9 milhão PERDOADA por um banco estatal, você gostaria do governo?

Eu gostaria. Luís