Só para dizer que me avisaram sobre novos posts no blog http://bndesnassif.blogspot.com/
Fui lá conferir. Barbaridade.
Aqui, a resposta enviada pelo sr. Luís Roberto Demarco às afirmações feitas por mim ontem, bem como a publicação dos e-mails que dele recebi.
"Sem prejuízo das ações Criminais e Cíveis contra as difamações, calúnias e injúrias propaladas pela senhora Janaína Leite no seu blog de internet, venho a público esclarecer o que se segue:1) Nunca visitei a senhora Janaína Leite em uma redação de jornal ou revista que ela tenha trabalhado.
2) Não tive conversas com a senhora Janaína Leite a respeito do senhor Rodrigo Andrade, personagem sem nenhuma importância para mim.
3) Desafio a senhora Janaína Leite a apresentar o nome de um jornalista que apresente hora e local confirmando que me recebeu em sua redação com qualquer material a respeito desse personagem.
4) O senhor Rodrigo Andrade também testemunhou para Daniel Dantas perante a Grande Corte das Ilhas Cayman em 2002. O Juiz o sentenciou como mentiroso e desqualificou o seu depoimento. A sentença é definitiva e confirmada pela Suprema Corte Inglesa.
5) A senhora Janaína Leite não apresentará no seu blog qualquer email meu para ela a respeito de Rodrigo Andrade, simplesmente porque esse email não existe.
6) A senhora Janaína Leite será convocada para demonstrar em juízo a autenticidade dos emails que publicou, atribuídos a mim, alguns dos quais ela nem aparece como parte.
7) Ainda que autêntica, a publicação de qualquer correspondência privada, senão crime, certamente é uma descortesia pessoal e uma clara demonstração da pior prática do jornalismo, com a quebra do sigilo e da confiança de suas fontes jornalísticas."
PS: Sem problemas. É só dizer onde e quando eu tenho de falar com o juiz. Sobre a descortesia... Depois de todo o ocorrido, Demarco, você só pode estar de brincadeira.
Luís Nassif,
Pela SEGUNDA VEZ você tinha uma informação do AUTOR DA DECLARAÇÃO me inocentando de suas diatribes e a ignorou só para manter a versão tresloucada de que eu servia aos interesses de Daniel Dantas quando trabalhava na Folha de S.Paulo.
Você ESCONDEU o comentário de Rodrigo Andrade, enviado ONTEM para seu blog. Você ESCONDEU a entrevista que fez com Angelo Jannone, ex-chefe de segurança da Telecom Italia para a América Latina e um dos investigados pelo Ministério Público de Milão. Só revelou a conversa entre vocês depois de eu ter informado aos MEUS leitores que você havia procurado o italiano.
Rodrigo Andrade falou a verdade. Eu disse a ele que Luís Demarco andara pelas redações distribuindo material contra ele, Rodrigo, e contra todos do Opportunity. Todos os repórteres que cobriam o setor sabem disso.
E por que eu decidi contar? Simples. Como iria acreditar em um seqüestrador, coisa da qual Demarco acusava Andrade? Trilhei o caminho correto: confrontei a versão de Demarco, rica em detalhes, com a de Andrade. Faria isso mil vezes, assim como qualquer repórter correto. Agi bem e você, por motivos que escapam à lógica, quis transformar minha ação em algo sujo e comprometedor.
No mais, Nassif, eu conheci Rodrigo Andrade em 2006 _ ele já tinha saído do Opportunity e foi minha fonte em outros assuntos, em NADA relacionados com a telefonia. Naquele mesmo ano, Andrade e eu deixamos de nos falar regularmente, depois que citei o nome dele em outra matéria.
Só mantive isso comigo até agora porque, ao contrário de você, acredito no direito ao sigilo da fonte. Apuro fatos, Nassif. Você patrulha jornalistas. Essa é uma de nossas diferenças, além de tantas outras, tão óbvias que até você, com sua mente rocambolesca, é capaz de entender de primeira.
Mas que fique registrado: por DUAS VEZES você teve acesso a informações corretas e, mesmo assim, escolheu continuar sua campanha difamatória.
Para mim, você é o que há de pior como exemplo de falta de ética pessoal e jornalística
Janaína Leite
PS: Li mais uma vez a nota de Andrade. Cinco linhas. Cinco erros de Nassif. Impressionante.
PS2: Exemplos de material fornecidos aos repórteres pelo sr. Demarco. Creio que não há quebra de sigilo nisso, uma vez que configuram evidências de que falo a verdade e que não fui eu a trazer o assunto à baila, mas Nassif.
Continue lendo "SEGUNDO bilhete público de JANAÍNA LEITE para LUÍS NASSIF" »
Nassif,
quer dizer que você tem HÁ DIAS a informação de que 1) os papéis colocados por mim e Diogo Mainardi na internet eram verdadeiros; 2) as páginas faltantes não alteravam o sentido dos documentos e 3) aquilo nunca havia sido um relatório, nem um dossiê forjado, e sim documentos oficiais da Justiça italiana, ao contrário do que você sustenta publicamente em seu blog e no Google desde fevereiro?
E, mesmo de posse dos dados verdadeiros, calou-se, se recusando a fazer uma retratação? Nem contou para seus leitores que havia conseguido falar com Angelo Jannone, autor do depoimento que eu linkei, e alvo do mandado de prisão que Mainardi compartilhou? Ainda por cima deixou no ar aquelas coisas que escreveu _ e pediu para as pessoas espalharem _ mesmo tendo a certeza de que eram MENTIRA?
Estou sem palavras, Nassif. Sem palavras.
Janaína
PS: Jannone colocou um post em seu blog. Lá, me pede desculpas e depois afirma que documentos publicados por Leite e Mainardi foram obtidos com o Judiciário brasileiro, aos quais não foram passados pelos canais oficiais, mas por canais oficiosos. É isso que ele está dizendo, Nassif. ;-))
Para ler a resposta às últimas diatribes de Nassif, contidas no tal dossiê Veja, clique aqui.
Continue lendo "Para LUÍS NASSIF - Bilhete e resposta ao dossiê Veja" »
Entrevistei o ex-chefe de Segurança para a América Latina da Telecom Italia, Angelo Jannone, um dos investigados no inquérito movido pelo Ministério Público de Milão. A conversa está dividida em três textos.
Clique para ler na ordem:
ANGELO JANNONE: "Documentos que estão na internet são autênticos e Nassif me procurou" (parte 1)
Clique aqui para acompanhar quem é quem entre os citados.
Continue lendo "ANGELO JANNONE - Entrevista organizada" »
Aqui, a segunda parte da entrevista de Angelo Jannone, ex-chefe de Segurança para a América Latina da Telecom Italia, ao Arrastão. Para entender um pouco melhor o assunto, dê uma olhada nas matérias que estão abaixo do ponto 7 neste post.
ARRASTÃO - Mainardi reproduziu um trecho do interrogatório de Giuliano Tavaroli, em que ele fala sobre o apoio institucional oferecido pelo governo Lula, através do chefe da Abin, Mauro Marcelo. Tavaroli confirmou o depoimento, mas negou que a TI tenha dado 300 mil dólares a Mauro Marcelo. O senhor sabe se esse dinheiro foi pago?
JANNONE - Tavaroli afirma também que Mauro Marcelo sugeriu contratar [o detetive particular] Eloy Lacerda, e que a Eloy foram prometidos 300 mil dólares, que ele queria receber de mim. Eu não sabia de nada. quando cheguei no Brasil, sem saber de nada, mandei o Spinelli (que tinha um contrato com Bonera, meu antecessor) pagar uma parte daquele valor. Mas quando suspeitei que por trás de Eloy houvesse [o ex-chefe da Abin] Mauro Marcelo, suspendi os pagamentos (fevereiro de 2005) e, em setembro de 2005, discuti por esse motivo com Eloy Lacerda, que chegou para usar um tom ameaçador Gravei o telefonema e entreguei a gravação à magistratura [italiana].
ARRASTÃO - A gravação mostra que Eloy Lacerda entregava dinheiro da Telecom Italia para o ex-titular da Agência Brasileira de Informações, Mauro Marcelo, sem o seu conhecimento? O senhor mandaria essa gravação para o Ministério Público brasileiro?
JANNONE - Na gravação eu reclamo com Eloy por ter recebido também um telefonema de Mauro Marcelo sobre o asunto. As confirmações de minhas suspeitas foram feitas a mim por Bonera maio de 2006, durante outra conversa gravada. As gravações há muito tempo estão nas mãos dos juízes italianos, mas provavelmente eles não as escutaram.
ARRASTÃO - Segundo Giuliano Tavaroli, Marco Bonera, seu antecessor, levou uma mala com 300 mil dólares a Brasília, para o pagamento de propina a políticos brasileiros. Quem recebeu esse dinheiro?
JANNONE - Creio que essa história seja de 2003. Eu ainda não trabalhava na Telecom Italia, mas ouvi falar sobre ela.
ARRASTÃO - Fale sobre Marco Bernardini. O senhor diz que ele mentiu envolvendo seu nome. Quais foram as mentiras? E por que ele fez isso?
JANNONE - A lista de mentiras e contradições de Bernardini é interminável. Eu deveria escrever um romance. Por exemplo, quando disse que Marcelo Elias era pago para distribuir propina. É falso! Ele e Marcelo Elias assinaram um contrato de US$ 495 mil. É o valor exato do orçamento detalhadíssimo dos advogados de Londres que serviam a Luís Demarco no caso do Privy Council, que me foi passado pelo [ex-diretor da Telecom Italia no Brasil Marco] Patuano e que eu entreguei ao Ministério Público. Bernardini reteve metade daquele valor, suscitando os protestos de Demarco, sobre o qual já falei. Esse é apenas um exemplo. Entreguei [aos procuradores de Milão] as gravações que desmentem Bernardini.
ARRASTÃO - Qual é a ligação entre Marco Bernardini e o publicitário Marcos Valério, que ficou conhecido nas investigações do mensalão? Como o senhor soube disso? Como nós, brasileiros, conseguiríamos comprovar tal ligação?
JANNONE - Não sei a natureza desse relacionamento, sei apenas que o advogado de Bernardini contou ao Ministério Público que encontrou Marcos Valério no Brasil. Está escrito no interrogatório de 10 de outubro de 2007. Qual o sentido disso?
ARRASTÃO - A revista Carta Capital, há algumas semanas, trouxe uma reportagem que fala desse assunto. Há, inclusive, uma entrevista com o senhor. Por isso, eu gostaria de entender melhor.
JANNONE - Simples: o advogado Vincenzo Carosi tem relações de negócio com Bernardini. A [testemunha Luciane] Araújo é o amiga do advogado Carosi antes de [se relacionar com] Bernardini. O advogado Carosi é o amigo de Marcos Valério e de seus advogados e freqüentemente viaja ao Brasil. Tudo isto está nos documentos do processo, so é preciso saber ler. Agora Luciane Araújo afirma que os advogados de Valério e Carosi trabalharam junto no caso de Telecom. Se isso é verdade, muitas coisas pode ser entendida. Eu não sou maquiavélico, nem malicioso, mas sou capaz de levantar provas, aguardar se for preciso, e ler documentos para julgar. Esse sempre foi meu trabalho.
ARRASTÃO - O senhor está disposto a confirmar suas declarações ao Arrastão para o Ministério Público e a polícia brasileiros, se for preciso?
JANNONE - Certamente. Até mesmo porque tudo o que declarei está acompanhado de provas. O problema é que os magistrados italianos nunca leram ou ouviram as provas que lhes entreguei, e elas são muitíssimas. Isso é o que não entendo. Espero que a justiça brasileira possa ser mais escrupulosa do que a italiana.
ARRASTÃO - Há poucas semanas, o senhor lançou dúvidas sobre mim em seu site e chegou a me comparar com o Pinóquio. O que fez com que mudasse de idéia e me concedesse a entrevista?
JANNONE - Você se ofendeu? Perdoe-me. É que eu não lembrava da troca de e-mails [entre nós] ocorrida em 2007.
É "isso" que você tem contra mim, Luís Nassif?
"Janaína Leite, provavelmente valendo-se da falta de filtros de seu jornal."
Vamos refrescar sua memória: o jornal era a Folha de S.Paulo, o maior do país, e onde você tinha uma coluna. Ok, talvez você achasse que não era o caso de usar. Então, poderia ter avisado ao Conselho Editorial, que bobeou. Quem é que fazia parte do Conselho? Hmmm, deixe-me ver... VOCÊ! Você, Luís Nassif, era do Conselho Editorial.
Puxa! Que coisa. Você decidiu que vai acusar a si mesmo. Por essa eu não esperava, admito.
O bom é que a sua claque vai acreditar que uma repórter mandava mais que um conselheiro. O ruim? É que até a claque está envergonhada do seu "jornalismo".
Que feio! Mas sinta-se à vontade para aumentar a coleção de coisas que vou levar ao juiz. Daqui para a frente, é o que lhe resta.
Janaína
Continuo aqui.
Continue lendo " Resposta a Luís Nassif" »
Amanhã, publicarei a íntegra da entrevista concedida ao Arrastão, via e-mail, por Angelo Jannone, ex-chefe de Segurança da Telecom Italia para a América Latina. Ele fala sobre o inquérito da Procuradoria de Milão que investiga práticas irregulares da operadora em vários países, inclusive no Brasil.
De acordo com Jannone, ele entregou pelo menos 15 mil documentos à Justiça de Milão e está disposto a colaborar com o Ministério Público brasileiro. Ex-carabinieri, reclama que os procuradores italianos têm privilegiado testemunhos “mentirosos” às provas documentais. Como exemplo, ele cita as declarações do detetive Marco Bernardini, ex-colaborador do time de segurança da Telecom Italia.
Jannone confirma que os documentos tornados públicos em fevereiro por mim e Diogo Mainardi, da revista Veja, fazem parte dos autos da Justiça milanesa, são autênticos e mantêm o sentido do original, mesmo com páginas a menos.
O entrevistado tem autoridade para falar sobre o assunto. Os links que eu coloquei na internet são relativos ao depoimento prestado aos procuradores italianos pelo próprio Angelo Jannone. Mainardi, por sua vez, compartilhou o mandado de prisão expedido contra... Jannone.
A afirmação do ex-chefe de segurança da Telecom Italia na região latino-americana desmonta, portanto, acusações feitas por Luís Nassif, dono da Dinheiro Vivo e blogueiro do iG, contra mim e Mainardi.
Em seu blog, no chamado dossiê Veja, Nassif e seus “comentaristas”, sustentam que os documentos revelados na internet haviam sido forjados no Brasil. E lançam a suspeita de que as páginas faltantes foram retiradas propositalmente para beneficiar o banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity.
A entrevista com Jannone fala ainda sobre a relação entre a Telecom Italia e a Abin, a suposta ligação entre Marcos Valério e Marco Bernardini, a participação de outras empresas na espionagem da cúpula do governo federal, os detalhes de pagamentos feitos pela operadora italiana no exterior a pessoas contratadas para influenciar a mídia no Brasil etc.
Não perca.
O ex-chefe de Segurança da Telecom Italia para a América Latina, Angelo Jannone, me escreveu pela segunda vez. Aqui o texto, onde ele admite que estava errado ao me acusar:
"Prezada Janaina,eu tambem eu estou feliz d’esta explicação. Varios jornalistas brasileiros me perguntaram notícias se fosse verdade o que apareceu em meu blog. A minha resposta foi que eu nao quiero entrar in uma inexplicavel disputa jornalistica brasileria, mas que o foco seria entender outro. Eu nunca recebi suas recentes correspondências (ela provavelmente escreveu a um endereço velho)
Por mea vez eu nao tive seu endereço em quanto eles me apprenderam o computador onde lhe escrevei. E verdade que do Brazil pessoas me sugeram não falar com ela como jornalista. Sua tenacidade em publicar documentos contra me, mi convenceram que eles tinham razão talvez.
Pelomeno agora ela sperimentou quanto è fácil ser uma vítima de difamação ou calúnia, exatamente como acontecido a mim. Só que eu também fui arruinado pelas calúnias. Eu tambem nao tive possibilitade de defender a minha reputaçoe, sobretudo no Brazil.
Voçe gostaria saber mais? Ta. Vamos traballando junto. Enviame pergundas e respostas sobre o caso.
Abc
Angelo Jannone"
PS: Vou mandar as perguntas, bem como publicá-las aqui. Acompanhe.
PS2: Se você quer ler em ordem o que aconteceu, melhor ir primeiro aqui, depois aqui e releia o que está acima.
A assessoria do BNDES entrou em contato comigo. Disse que precisava de mais tempo para levantar todos os dados que pedi. Concordei em esperar.
Meus leitores entenderam, inclusive aqueles que questionaram a divulgação da dívida de R$ 4,2 milhões da Dinheiro Vivo com o BNDES.
A claque de Nassif, como sempre, atazana. Mas, apesar de tudo, são leitores. Merecem explicação. Assim, decidi aclarar, praticamente desenhar, minha principal dúvida em relação aos termos públicos da renegociação.
O BNDES, segundo o artigo 23 da Lei 4.595/64, é considerado “o principal instrumento da política de investimentos do governo federal”.
Ou seja, o banco é uma instituição pública, que aplica recursos públicos. Sendo assim, o mínimo esperado é que a concessão ou a renegociação dos créditos obedeça a rígidos critérios de solvência do tomador e de recuperação de créditos, por meio de garantias apresentadas em contrato por quem emprestou o dinheiro.
De acordo com as regras de garantia para a concessão de crédito apresentadas na página eletrônica do BNDES, um tomador com as características da Dinheiro Vivo, a empresa de Nassif, precisa apresentar garantias equivalentes a 130% do valor da operação.
1) POR QUE ESSAS GARANTIAS NÃO ESTÃO EXPRESSAS NO CONTRATO DE RENEGOCIAÇÃO?
O BNDES aceita dois tipos de garantias, reais e pessoais. O segundo caso é o de Nassif e sua mulher, ambos apresentados como avalistas do empréstimo.
De modo que os dois deveriam apresentar um patrimônio igual ou superior a 130% da dívida e assumirem a condição de “principal devedor”, para facilitar ao banco a execução das garantias em caso de inadimplência.
Ou seja, Nassif e sua esposa teriam de comprovar a existência de um patrimônio igual ou maior do R$ 5,5 milhões para cobrir tais condições (patrimônio mais compatível com o de um jornalista ou de um empresário? Decida).
2) NASSIF JÁ HAVIA SE PROVADO UM MAU PAGADOR, POIS A RENEGOCIAÇÃO DE 2007 ERA A SEGUNDA EM QUATRO ANOS. QUAL FOI O CRITÉRIO USADO PELO BNDES PARA DISPENSAR AS GARANTIAS REAIS E ACEITAR QUE ELE PRÓPRIO FOSSE O GARANTIDOR DA DÍVIDA?
3) POR QUE NÃO É LISTADO NO CONTRATO DE RENEGOCIAÇÃO O PATRIMÔNIO DE NASSIF QUE SERVE COMO GARANTIA À DÍVIDA?
4) SUPONDO-SE QUE TAL PATRIMÔNIO TENHA SIDO LISTADO EM CONTRATOS ANTERIORES, O BNDES TOMOU O CUIDADO DE RECALCULAR OS VALORES?
5) CASO NASSIF FAÇA O QUE JÁ FEZ E DEIXE DE PAGAR A DÍVIDA, COMO O BNDES VAI EXECUTÁ-LO, SE NÃO LISTOU AS GARANTIAS NO CONTRATO DE RENEGOCIAÇÃO?
O BNDES tem, sim, a prerrogativa de dispensar a apresentação de garantias. Mas, nesse caso, precisa justificar por escrito e anexar aos processos o motivo pelo qual aquele tomador é encarado pelo banco como um caso excepcional (sim, excepcional, você leu direito).
6) NASSIF É UM CASO EXCEPCIONAL? POR QUÊ?
7) EM CASO AFIRMATIVO, POR QUE O BANCO NÃO ANEXOU A JUSTIFICATIVA PARA O TRATAMENTO DIFERENCIADO (PRAZO ESTENDIDO, PRINCIPAL DEVIDO MENOR, VALOR DO PERDÃO CONDICIONAL MAIOR E A FALTA DE GARANTIAS DETALHADAS) NOS TERMOS DA RENEGOCIAÇÃO?
Espero a resposta.
Ademais, o próprio Nassif parece concordar comigo. Em artigo publicado no blog do empresário em 21 de janeiro deste ano, ele diz:
“Dada a escassez de recursos para aumento do patrimônio de referência e o volume de operações, deveria o BNDES aclarar para debate público quais são suas prioridades na concessão dos financiamentos?”
Defendo que sim.
Agora, por favor, me dêem licença. Tenho mais a fazer do que tentar convencer alguns nefelibatas que dinheiro público é público e não do governo, cujo papel é tão somente o de administrador.
Prezado Sr. Jannone,
Fiquei muito feliz com o seu comentário. Sinal de que, assim como eu, está agindo de boa fé. Explico exatamente o que ocorreu e, acredito, poderemos esclarecer todas as dúvidas sobre a honestidade de nossas atuações.
No dia 7 de abril, o leitor Tiago escreveu na parte de comentários do blog Imprensa Marrom que o senhor, Angelo Jannone, tinha uma página na Internet, onde me acusava de ter viajado à Itália bancada pelo dono do Opportunity, Daniel Dantas.
Dizia o tal Tiago:
(para continuar lendo, clique aqui.)
Continue lendo "Resposta a Angelo Jannone" »
Vou parar para liberar os comentários. Até aqui, semanas depois de inaugurado o sistema de postagem, não cortei nenhum. Estão ali, paradinhos, esperando resposta. Tudo indica, no entanto, que hoje a coisa muda.
Aviso que não voltarei ao tema Nassif/dossiê/BNDES, a não ser que 1) mais uma vez seja ofendida; 2) o BNDES responda (e ele deve responder, é óbvio); 3) o novo post seja uma organização de arquivos passados; 4) a discussão esteja no campo da teoria.
Quanto ao que Luís Nassif e seus leitores falam no blog dele, mais fácil listar minha opinião em tópicos:
1) Golpe baixo é ofender a família e/ou conhecidos, contar fatos degradantes da vida privada, destratar o adversário em características físicas e/ou emocionais e mentir com o objetivo de atingir a credibilidade. O último caso, aliás, aplica-se ao sr. Nassif em relação ao meu nome pelo menos em duas situações: ao escrever sobre mim em seu dossiê fajuto e quando teve a pachorra de ligar para um político só para me chamar de "mentirosa compulsiva e outros adjetivos pesados". Projeção é realmente um mecanismo psicológico complicado.2) Eu não comecei essa história. Foi Nassif, o empresário que deve milhões, que veio para cima de mim. E avisei que, devido aos excessos, mudaria minha postura e ficaria mais incisiva em minha defesa.
3) Os casos da dívida de Nassif com o BNDES e da contratação do patrocínio para uma de suas empresas são documentados. Baseada neles escrevi o que saiu no Arrastão. Nassif escreveu seu dossiê calcado em brisa e maldade. No meu caso, como você sabe, não apresentou UMA comprovação sequer.
4) Vingança? Não, meu chapa. Reportagem. Jamais falei da vida privada de Nassif, mas de sua atuação na esfera pública: o caso da dívida trata-se de um processo público, fechado com um banco público, envolvendo dinheiro público. O seu e o meu, inclusive.
5) Luís Nassif, ao iniciar o dossiê Veja, deu início a uma série de questionamentos sobre o comportamento da grande imprensa junto ao setor privado, em especial, o grau de independência dos repórteres que, de um jeito ou de outro, feriram os interesses do governo e/ou dos atuais administradores do iG, onde Nassif trabalha. Há todos os motivos para ampliarmos o debate e jogar luz sobre o grau de independência de alguns jornalistas, incluindo Nassif, diante do governo. Ou a preocupação do empresário é só com a ética alheia?
6) Esse argumento de que a Abril e Daniel Dantas estão por trás de tudo, inclusive dos pequenos blogs, é cretino. Quem fez e renegociou a dívida com o BNDES foi Nassif, não o dono daquela editora, nem o banqueiro.
7) Os documentos nos quais baseei o que escrevi são públicos e podem ser consultados no Tribunal de Justiça de São Paulo. Quem duvidar que se habilite a ir até lá, antes de sair por aí propalando histórias da carochinha.
8) Suicídio e homicídio _ em sentido figurado, literal ou abobalhado _ estão a anos-luz de meu vocabulário profissional. Apuração, checagem, fontes protegidas, fontes reveladas em ON, notícia, publicação, retratação: aí estão as palavras que são do meu conhecimento e da minha prática.
Agora, com licença, vou lá cortar qualquer "longa manus" que apresente má intenção. Até daqui a pouco, leitor. Fique com o Tarantino. Ou vá dar uma volta no A Postos, sempre há coisas bacanas por ali.
Acho que ficará melhor para entender toda essa bagunça se você puder acompanhar em ordem. Por isso, compilei alguns links, de forma a facilitar seu entendimento. Se houver sugestões, por favor, fique à vontade.
1) MEMÓRIA
- O que eu dizia da briga dos jornalistas ANTES de ser envolvida, dois posts de novembro: Briga na imprensa e Adendo.
2) NASSIF e "O caso Janaína Leite"
- O que Nassif falou de mim.
- A matéria que escrevi para a Folha citada por Nassif (para assinantes ou aqui).
- A resposta de Janaína.
- A análise do texto de Nassif por Gravataí Merengue.
- A reação destemperada de Nassif
- O esclarecimento de Soninha
- As ponderações de Gravataí Merengue:
- As desculpas de Nassif para Soninha.
Continue lendo "DOSSIÊ VEJA: Acusações e respostas (1)" »
Continuo enumerando os links em uma ordem que facilita seu entendimento.
3) Os italianos no Arrastão
- Novembro: "Estamos aqui", Dica, Dica 2, Aviso à Praça, Listinha, Túnel do Tempo, Polido, Notícias da Itália, Notícias da Itália 2, Testemunha, Influenza, Tavaroli, Briga na imprensa, Adendo, "Antes tarde...".
- Dezembro: Negociador pleno, "Uns ganham, outros...", Calúnia, Angra, Angra 2, Ciao!, Crítica pertinente, G00db0ys, Benvenuto, O Brasil de Bismarck, Briga na imprensa 2, Diálogo, "Alô, Planalto!", "Alô, Planalto! 2", "Resposta a Luís Nassif (primeiro ataque)"
3) NASSIF e a acusação de orquestração
- O que ele disse e as conclusões do "leitor Salles".
- Os documentos italianos transformados em "relatórios".
- Minha resposta (a segunda da série que fui obrigada a fazer)ao ataque que falava sobre a orquestração.
- Os comentários no blog de Nassif que falavam da página 55 (se não me engano, um tal de Fábio). "Cadê a página 55, Janaína?"
- Minha segunda resposta a Nassif e seus leitores.
4) Para entender melhor, procurei mais material na Folha. A pesquisa foi feita a partir da expressão "advogado Marcelo Elias". Os links são apenas para os assinantes. Copiei as matérias aqui.
- O que escrevi sobre o advogado Marcelo Elias. No dia 29 de outubro de 2006, a Folha publicou uma página com informações que mandei da Itália. A página princial era "Tele quis investigar ministros, diz italiano", "Perfil: Ex-detetive colabora com promotores"; "Saiba mais: Telecom Italia entrou no Brasil com a privatização das teles"; "Outro lado: Acusados por araponga negam irregularidades"; "Outro lado: Chefe da PF nega acusação; Bastos vai investigar".
- O que a Folha publicou sobre o advogado Marcelo Elias (outros repórteres): "Luiz Francisco propõe ação contra Dantas - Promotr usa arquivo de computador cuja origem é um sócio de Luís Roberto Demarco, sócio do Opportunity"; "Procurador justifica registro digital - Luiz Francisco diz que usou letra de arquivo recebido de advogado". Ambas são de 2004 e eu ainda não trabalhava na Folha. Se você não é assinante, pode ler aqui, um pouquinho mais para baixo.
5) O podcast de Mainardi: "Mais documentos sobre a Telecom Itália", 13/02/2004.
- A coluna de Mainardi (que saiu logo em seguida do podcast): "Esperei Godot, e ele apareceu". É aí que o coluna dá o link para os documentos italianos. Para assinantes, ou aqui, depois das minhas matérias.
6) Reportagem sobre Marcelo Elias e a Telecom Itália na mídia italiana: La Repubblica (março de 2007) (Daqui a pouco procuro mais, vou almoçar)
7) E, afinal, existe ou não o CD? O Corriere della Sera, mais influente jornal italiano, relata que sim. (Daqui a pouco procuro mais, vou almoçar)
PS: Odeio mexer com esse negócio de link em html. Dá um trabalho danado esse recorta-muda-de-tela-volta-cola-outra-tela-sumiu-cadê-pega-de-novo-cola. Se estiver algo errado, avise.
Continue lendo "DOSSIÊ VEJA: Acusações e respostas (2)" »
A força da internet é realmente impressionante. Desde que avisei que começaria a rebater as acusações feitas contra mim de maneira menos delicada do que fazia até então, há duas semanas, as visitas aumentaram de maneira exponencial.
De repente, a caixa de comentários ficou lotada (ainda há um monte deles pendurados, perdoem-me), assim como a caixa postal. Alguns pedem que eu continue com a série sobre os italianos, outros que “desça o cacete”. Há os que defendem outros assuntos e que rogam para que eu não desperdice meu talento em brigas, os que gostam dos filmes e músicas, os que se divertem com as crônicas.
Teve até um que virou fã do Fogell-McLovin, um dos hunos e amiguinho da minha filha, e sugeriu trazer o pobre para deletar os comentários ofensivos em companhia dos canibais americanos (ressalte-se, todavia, que os últimos entrariam em cena apenas em caso de extrema necessidade).
A verdade é que, até agora, ninguém me ofendeu. Há, sim, os comentários que chateiam e entristecem, mas são a menor parte e, em boa parte das vezes, as dúvidas mostram-se sinceras. Apenas chegam com uma impressão errada de mim e pesam no discurso.
E, chatice suprema, ainda tem o negócio dos médicos e remédios e blábláblá.
Bem, esse prólogo é para dizer o seguinte: quero evitar que a caixa fique ainda mais abarrotada, mas noto que há demanda por explicações da tal dívida na página inicial. Então, vou reproduzir aqui alguns comentários de leitores que sintetizam um pouco o que penso. Espero que eles ajudem você a entender melhor minhas intenções, ok? Não é uma técnica que eu pretenda usar de maneira recorrente (parece aquele cantor que, no show, grita “vocês!” e tira o microfone da boca), mas acho que hoje ela nos ajuda.
Peço ainda que leiam com cuidado os posts (“Luís Nassif e o BNDES - 4” e “Madrugadeira”, inclusive os comentários).
E agradeço ao Idelber, do Biscoito Fino, a elegância de esperar antes de fazer julgamentos precipitados para qualquer lado.
Até daqui a pouco.
O MEU RESUMO:
- A Dinheiro Vivo deve ao BNDES, a dívida é dividida em dois créditos, dos quais um só precisa ser pago se o outro não for (perdão condicional, sim, senhor!).
- O principal da dívida diminuiu de 2003 para cá. O valor do perdão condicional oferecido pelo BNDES aumentou, assim como o prazo de pagamento.
- Os próprios donos da empresa são os avalistas e não vi nos papéis qualquer garantia real apresentada para cobrir um possível calote;
- Nassif obteve, apresentando o braço de consultoria de suas empresas, uma dispensa de licitação para receber um patrocínio de praticamente R$ 5 mil a mais do que pagava na prestação mensal ao BNDES.
Tudo isso é documento e eu mostrei aqui.
Fica a pergunta: esses contratos são uma prática normal do BNDES? Quais são os critérios para o banco investir? Apresentação de resultados não está nas metas do negócio? Perguntei ao banco e até agora não tive resposta. Quando ela chegar, publico aqui. Se for comum, é muito ruim para todos nós, contribuintes, pois os critérios de investimento me parece estranhos. Se não for, o BNDES deverá explicar os motivos pelos quais aconteceram.
RESUMO DOS LEITORES.
“Prezada Janaína, leio o blog do Nassif frequentemente. Como tudo que leio, de forma critica.Postei um comentário para ele, que repito aqui:
Prezado Nassif,
Acho que todo mundo aqui sabe, inclusive o seu leitor com o comentário em destaque, o que a renegociação de uma dívida bancária é. Assim como todo mundo sabe o que um empréstimo é.
No entanto, as ilações não são sobre a natureza legal dos acordos, mas sobre os termos e as circunstâncias desses contratos.
Por exemplo, dizem que vc se beneficiou de uma dispensa de licitação e que vc obteve como resultado da renegociação de uma dívida a dispensa, ainda que condicionada, do pagamento de quase 2 milhões de Reais.
Mal comparando, o que dizemos da figura pública que consegue rolar dívidas e que consegue financiamentos em cláusulas inacessíveis para o comum dos mortais? ESSE É O X DA QUESTÃO.
Outro exemplo: Lulinha. Porque o escândalo? Eu sei muito bem quão difícil é obter financiamentos. Isto é, a menos que se tenha as conexões certas. Juridicamente falando, tenho certeza que a Gamecorps está dentro da lei.
Portanto, não questiona-se a legalidade dos contratos, mas sim os termos em que foram assinados. E, por conseqüência, questiona-se qual pode ser "a isenção do juiz que recebe agrados".
Fica a pergunta: qual a melhor maneira de se demonstrar cabalmente e de uma vez por todas se houve ou não tratamento diferenciado, acima do disse-me-disse da "blogosfera"? Não sei a resposta. Essa dificuldade é a mãe dos "assassinatos de reputação".
Porém, repetir didaticamente qual a praxe bancária manterá o fogo cruzado e não esclarecerá o público.”
"O Ponto principal se resume: Podemos esperar ouvir a verdade sobre o governo, da boca de uma pessoa que tem como ofício o jornalismo, se o sustento dessa pessoa depende desse mesmo governo? Qual a lição que o senhor Nassif tenta nos ensinar diligentemente no imbróglio do dossiê contra Veja? Que Jornalistas se vendem, e a prova é o conteúdo laudatório de suas respectivas reportagens aos compradores. Esse é a prova máxima que apresenta no dossiê contra Veja. Venderam-se para Fulano! A Prova? Escreveram em consonância com os interesses de Fulano... CuteO mínimo que se espera dos que acreditam no Dossiê contra Veja é que usem o mesmo metro para tirar conclusões a respeito do assunto em questão.
Se vale pra jornalistas de Veja e pra Janaína, tem que valer pra Nassif.
Muita gente que odeia a Veja, usa como justificativa, além da tontice corriqueira dos pobristas em dizer que Veja é revista de PRAIBÓI, o argumento de que tem apurado senso crítico, ceticismo. Que são capazes de pensar por só próprios e não precisam da Pauta semanal elitista de Veja.... Cute
Afora a obvia falácia lógica, esses mesmos independentes deveriam afastar sua torcida no momento de analisar o caso em questão. E não se atenham a detalhes. Pouco importa se o ato de banco perdoar 2 milhões de dívida é praxe ou não (Na verdade importa MUITO né, mas vamos relevar...), o ponto principal continua sendo: Nassif tem profundos interesses econômicos em jogo dentro de instituições que são controladas pelas pessoas que tanto elogia e defende. A conta se fecha.
E ao contrário de uma empresa privada:
QUEM PAGA ESSA CONTA É VOCÊ.”
Luís Nassif rebateu em seu blog as informações que escrevi ontem, sobre o acordo que a empresa dele, a Dinheiro Vivo, fechou com o BNDES. Você deve ler a resposta. É justo.
"Essa denúncia do tal 'perdão' da dívida é falsa."
Enquanto isso, eu vou pedir a alguém que me ajude a digitalizar partes dos contratos, para que você conclua por si mesmo. (23:10 - As imagens estão aqui.)
No mais, ele poderia aproveitar o embalo.
Conte para as pessoas, Nassif, que ANTES de a negociação ser homologada pela diretoria do BNDES, em 23 de outubro do ano passado, você ganhou uma dispensa de licitação do banco, que patrocinou um evento seu no valor de R$ 25 mil.
Como naquele tempo a prestação da Dinheiro Vivo com o BNDES era de R$ 20,1 mil, ainda sobraram praticamente R$ 5 mil do dinheiro público no seu bolso.
EXTRATO DE INEXIGIBILIDADE DE LICITAÇÃO Nº 107/2007CONTRATADO: Dinheiro Vivo Consultoria S/C Ltda
CONTRATANTE: Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES
OBJETO: Patrocínio para a realização do 47º Fórum de Debates
Projeto Brasil - Políticas de Inovação, a ocorrer no dia 12 de setembro de 2007 , na cidade de São Paulo (SP).
ESPÉCIE: contrato de patrocínio.
PREÇO: valor total de até R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais).
PRAZO: 03 (três) meses, contados da data da assinatura do contrato, prorrogáveis, uma única vez, por igual período.
RUBRICA ORÇAMENTÁRIA: 3141.11.05.00-0
FUNDAMENTO LEGAL: Artigo 25, "caput", da Lei nº 8.666, de 21.06.93.
PRONUNCIAMENTO JURÍDICO: pelo advogado do GP/DECO, na IP GP/DECO nº 105/2007, emitida em 30/08/2007.
ATO DE RATIFICAÇÃO: do Presidente do BNDES, prolatado em 03/09/2007, na IP GP/DECO nº 105/2007, emitida em 30/08/2007.
Eu sei que você vai explicar aos leitores que a Dinheiro Vivo Agência de Informações S/A é a endividada. E que quem ganhou a dispensa de licitação foi a Dinheiro Vivo Consultoria S/C.
Mas, me explique uma coisa: você não está na das duas?
Ah, e antes que eu me esqueça: realmente não sou uma mocinha inocente, nem vulnerável. Sou repórter.
E você, Nassif? É jornalista ou empresário? Ou, como diria a sua mulher: "consultor de quem, mesmo"?
PS: Quase oito da noite e só agora consegui ver o link do Coronel que um leitor me mandou. E não é que ele também informou sobre o contrato do patrocínio? Melhor: ele é esperto e colocou a imagem.
PS2: Treze leitores já me mandaram, entre e-mails e comentários, o link para esse post do Reinaldo Azevedo. Talvez nada tenha a ver com a discussão que rola aqui, mas como o delivery do texto não pára, achei que seria melhor simplesmente deixar a decisão de visitá-lo com cada um.
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Há alguns posts, eu disse que não tinha dinheiro, não tinha fama, não tinha medo. Agora é hora de dizer: é verdade, mas, em compensação, tenho AMIGOS. Podem ser antigos, próximos, recentes ou só virtuais. Pouco importa. Eles são os melhores e a eles, meu agradecimento e meu carinho.
Aqui, o trabalho do Gravatai Merengue, advogado, que dissecou no Imprensa Marrom todas as acusações feitas por Luís Nassif contra mim. Está dividido em primeira e segunda partes.
Gravata, o que dizer? Obrigada, mil vezes obrigada. Jamais esquecerei da ajuda voluntária e gratuita, simplesmente para evitar a propagação de uma injustiça.
A vida é extremamente generosa, às vezes.
Uma pessoa sabe quando está no rumo certo numa briga quando seus aliados são melhores que ela. É o meu caso. Lendo os comentários, ficou claro para mim que o visitante do Arrastão está longe de ter o perfil dobermann, aquele que anseia por baixarias em um debate, nem o de assentir, como vaquinha de presépio, a tudo que eu falo. Quer argumentos, provas, texto de alto nível, explicações detalhadas.
Tenho realmente muita sorte. Vocês saíram melhores que a ecomenda. Obrigada.
Peço licença, porém, para sugerir que olhem os últimos posts à luz do que direi a seguir, antes de se entregarem ao bate-rebate típico das discussões na internet. Talvez alguns continuem discordando de minha atitude, o que é justo, desde que feito com educação, mas certamente entenderão melhor as motivações dela.
Luís Nassif, o dono da Dinheiro Vivo, escreveu sobre mim três vezes ao longo de seu “dossiê Veja”, além de mencionar meu nome forma velada por outras vezes. Ontem, vários pediram que eu argumentasse contra as acusações que ele me fez. Ora, fiz isso assim que cada menção foi divulgada. Não deixei nenhum _ nenhum! _ ataque sem resposta.
E os ataques foram vários (há um resumo do ocorrido, segundo a minha versão, na parte de comentários). Antes de fazê-los, Nassif não procurou a mim e nem a Folha. O jornal certamente teria informado que eu apresentei todos os documentos internamente antes de publicar as matérias da Itália. Entrevistas, contatos e o andamento das apurações foram descritos regularmente ao meu chefe, o editor do caderno Dinheiro. Tudo por escrito, aliás.
Repare: a Folha de S.Paulo escreveu 203 reportagens negativas ao Opportunity e a Daniel Dantas no caso Kroll. O caso Telecom Italia mereceu 17 textos _ a maioria escrita por mim, é certo. Mas até uma porta é capaz de perceber que o total, o tamanho e o destaque cedido às matérias na versão impressa e on-line é insuficiente para beneficiar ou prejudicar quem quer que fosse.
Mesmo assim, Nassif continua com suas diatribes. Na visão maluca dele, antes, na Folha, eu era o elo entre Daniel Dantas e a Veja. Desde a semana passada, todavia, eu teria ampliado minha área de atuação: conecto Dantas, a Veja, os pequenos blogueiros, desembargadores, a Câmara de Vereadores de São Paulo e os arapongas italianos do mal (sim, porque agora eles também são divididos, como mutantes da Record, em dois times).
Eis que surjo então como uma espécie fita-crepe que une a imensa rede que quer governar o mundo e destruir o PT, não necessariamente nessa ordem. Daqui a pouco o Snoopy Dogg, a Stephanie de Mônaco, o presidente da Associação Internacional dos Jogadores de Bocha e o Nelson Ned aparecerão como parte importante do “esquema”.
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Aos queridos que estranharam meus últimos posts, digo apenas que continuo exatamente a mesma pessoa que era há alguns dias. Aos que querem mais argumentos e menos "assuntos periféricos", peço calma. Aos que duvidam de mim, só posso dizer que seu time diminui a cada dia. Eis a versão da vereadora Soninha (PPS-SP) para o telefonema que recebeu ontem de Luís Nassif, o paladino da ética:
"Sobre o Gravataí Merengue: você me ligou ontem duas vezes para dizer que ele estava completamente enganado sobre "a moça" (que foi jornalista da Folha e está sendo acusada de ser "patrocinada pelo Dantas", é isso?). Você disse que ela é mentirosa compulsiva e outros adjetivos pesados, e que ele estava entrando em uma fria."Se tiver estômago, leia o restante aqui. Jamais encontrei Soninha, sequer voto em São Paulo, pouco sei da política local. Mas agradeço a ela por ter a coragem de enfrentar alguém que se presta a um papel tão enojante. E também ao Gravataí Merengue, do Imprensa Marrom, agradável surpresa nesse mundo virtual
E a você, Nassif, eu digo: por que é tão ameaçador com as outras pessoas, mas incapaz de ligar para mim? Nem um único telefonema, um e-mail, um recado por meio dos amigos comuns (sim, eu sei quem são eles, não se iludam). Poderia ter feito isso hoje para me cumprimentar quando, veja você!, eu falei a verdade.
Perdeu a chance. Perdeu.
PS: Nassif admitiu que errou com a Soninha e destacou não ter sido o responsável pelo afastamento de Gravataí Merengue da chefia de gabinete da vereadora. Menos mal. Pena que a humildade do empresário só chegue ao reconhecimento do que pode lhe causar problemas.
No começo do blog aqui no A Postos, um leitor que se identificava como Paulo mandou uma crítica muito completa a um post que escrevi sobre os benefícios assistenciais. Achei que ele foi firme e educado, embora com uma orientação ideológica muito mais à esquerda do que a minha. Dediquei outro post para respondê-lo.
Com o tempo, Paulo se transformou em um leitor constante. Nos últimos tempos, porém, alguma coisa parece errada. Não combina com a impressão que tive sobre sua riqueza de seus argumentos e sua capacidade como debatedor.
"Janaína, jamais li tamanha bobagem escrita por quem se diz jornalista. Isso é uma mentira inacreditavel, você vai pagar o maior mico dos blogs de todos os tempos !BNDES perdoou divida !!!!! Banco perdoa divida, quando.... hahahahahahahahahahahahaha, isso não existe, o que provavelmente aconteceu foi um parcelamento de uma divida atrasada.
É a coisa mais ridicula que já li em toda a minha vida, parece piada !
Faço-lhe um desafio se você não provar essa mentira, proponho que rasgue o seu diploma de jornalista, que tal?"
Bom, Paulo, eu també acho que parece piada. Quase metade da dívida, de acordo com os termos da última renegociação entre Luís Nassif e o BNDES, está perdoada _ a menos, claro, que ele volte a atrasar os pagamentos. Meu banco não é tão legal. Será que é por que ele é privado?
Se você duvida de mim, procure pelo processo número 000.05.200321-5, que corre no Poder Judiciário de São Paulo. Escorregue seu indicador até a cláusula 3.3, onde verá a seguinte expressão: "DISPENSA CONDICIONADA".
É o nome técnico do perdão. Se você ler até o fim do parágrafo, concordará comigo, mesmo a contragosto. Até porque não há como duvidar quando a frase em questão é "terá o seu pagamento dispensado, desobrigando os devedores do respectivo pagamento". Sem mistérios, como pode perceber.
E, quer saber, Paulo? Pretendo fazer do Arrastão um espaço para pessoas de todas as correntes e crenças, mas não a qualquer custo. Os bem-vindos aqui primam pela argumentação, pela gentileza, pela honestidade intelectual. Ataques como o que está acima eu já aturo em outros blogs. Os seus, com todo o respeito, eu passo a dispensar.
Por fim, só mais uma coisa: jornalista que é jornalista você sente na veia, onde corre tinta junto com o sangue. Não no papel pendurado na parede. E isso, colega, ninguém destrói, põe em dúvida ou ameaça. Nunca.
Como era de se esperar, meus textos não estão descendo redondos para algumas pessoas. Antes que os ataques venham, melhor deixar claro o que está por trás deles: Luís Nassif, outrora jornalista conhecido, é hoje muuuuuuuito mais empresário que repórter.
Primeiro, a pergunta: se você tivesse uma dívida de R$ 1,9 milhão PERDOADA por um banco estatal, você gostaria do governo?
Eu gostaria. Luís Nassif, que recebeu esse benefício, também. Mais especificamente R$ 1.901.297,34, conforme decidiu a diretoria do BNDES no dia 23 de outubro de 2007.
Continuo daqui a pouco.
Aqui vai a terceira parte das minhas considerações e explicações. Clique aqui para ler tudo.
Continue lendo "I TARANTATI - A guerra na mídia e os italianos (parte 3)" »
Pouco adianta seguir com essa história sem você lembrar o início da briga pela Brasil Telecom. Neste capítulo, você lerá um compilado de textos publicados antes por mim no Arrastão. Considero, porém, a parada estratégica.
Clique aqui para entender AS RAÍZES do caso, segunda parte do texto relativo à guerra na mídia brasileira que coloco no ar hoje.
Se você quiser ler a primeira parte, clique aqui.
Continue lendo "I TARANTATI - A guerra na mídia e os italianos (parte 2)" »
Hoje só vou dar o link e agradecer publicamente ao moço que, mesmo apoiando o dossiê Veja e só me conhecendo por meio de conversas no computador, iniciadas há menos de um mês, teve a decência de checar as informações relativas a mim antes de divulgá-las.
Gravataí, saiba que minha gratidão é imensa. Conheci algumas pessoas corajosas e justas em minha vida, mas, diante de tudo o que tem demonstrado ao longo da última semana, você realmente se destaca na lista.
Para ver a análise que o Gravataí Merengue fez do primeiro texto que Luís Nassif escreveu me acusando, no fim de fevereiro, clique aqui.
----- Original Message -----
From: Diogo Mainardi
To: Janaína Leite
Sent: Thursday, April 10, 2008 7:14 PM
Cara Janaina,
epa! Eu também quero. Eu topo abrir minhas contas e meu imposto de renda. Leio o blog todos os dias e me divirto enormemente. Posso dar um conselho? Volte para a imprensa.
Diogo
(se quiser, pode publicar)
R.: Diogo, você não imagina o quanto me deixa feliz e honrada com seu e-mail. Volte sempre. Será mais que bem-vindo. E, enquanto os auditores olham nossas contas, a gente toma um café. ;-)
Eu tentei. Vocês são testemunhas. Mas já havia avisado que minha paciência estava curta e que nada ficaria sem resposta.
De Renata Nassif, hoje, no blog de Luís Nassif:
"Meu pai certamente não a conhece. Mas, vou perguntar ao Luís - ou melhor, ele mesmo poderá responder a você, se assim entender. Eu acho que os fatos que ele apresentou continuam falando por si mesmos; acho que sua (dela) tentativa de defesa por um pouco além da contundência, mas, ainda assim, não contrariou os fatos que o Nassif apresentou. E a minha pergunta tem, sim, razão de ser. No seu blog, ela se apresenta como "consultora". Consultora de quem? Desqualificar o debatedor não é contundência, é falta de argumentos... Um abraço."
Concordo com Renata. Não gosto da estratégia de desqualificação _ embora, no momento, seja quase irresistível usá-la contra a própria Renata.
No entanto, vou me ater aos argumentos usados pela mulher e ajudante de Nassif. "Fatos que falam por si mesmos?"
Está certíssima, querida. Quando os fatos falam por si não há problemas. E eu sou repórter, não brigo com eles. Apenas relato. O ruim é quando empresários como o Nassif se metem a interpretá-los de acordo com as próprias conveniências. Mais: para reverberar suas ilações maldosas, usam uma claque de comentaristas.
A segunda interpretação possível para "fatos que falam por si" é a de pessoas flagradas no ato criminoso. Por acaso eu fui presa em flagrante aí na realidade paralela? Aqui, no mundo real, não.
Esse bate-boca virtual, porém, é cansativo e improdutivo, além de sempre sujeito a reverberações dúbias. Eu, por exemplo, descobri o comentário da Renata em outro blog, o Imprensa Marrom, em um post que nem era sobre o assunto. Alguém copiou do site original e espalhou.
Então, vamos acabar com isso logo. Coloquei o post abaixo como comentarista do Imprensa Marrom.
"Renata,
obrigada pela oportunidade. É exatamente por ela que eu estava esperando. Infelizmente, ainda não consegui um contrato de consultoria com o BNDES. E Nassif?
Você e o Nassif topam abrir TODOS os contratos que fecharam desde 2003, inclusive com órgãos governamentais, autarquias, palestras e mediações (em empresas de fundos de pensão)? E topam abrir as empresas que vocês recusaram?
O mesmo vale para os financiamentos e patrimônio, inclusive o seu, uma vez que é casada e devedora solidária.
Aí vocês concordam em fazer uma comparação pública dos nomes das empresas, proprietários e executivos dessas companhias (ou dirigentes, no caso do governo) com as colunas que o Nassif escreveu desde então?
EU TOPO!!! ABRO MEUS CONTRATOS, MEUS PARCEIROS, MEUS EMPRÉSTIMOS BANCÁRIOS E MEUS ESCRITOS.
Não tenho a mínima intenção de desqualificar seu marido. Só gostaria de saber qual a sua noção de contrariar. Pelo jeito, ela é de uma contundência ainda maior do que a minha.
Para ter certeza de que todos verão o que escrevi aqui, vou mandar o comentário também no seu blog (acho justo, uma vez que você lança dúvidas sobre mim lá) e publicar no meu.
Eu topo ainda que o Nassif escolha dois jornalistas e eu outros dois para acompanhar tudo, junto com uma auditoria.
Sem mais e na esperança de que, a partir de agora, tudo seja resolvido,
Janaína Leite"
Estou esperando.
PS: O comentário da Renata foi feito a um leitor que reclamou pelo fato de ela ter respondido "quem é esta mesmo?", quando outro perguntou sobre mim.
Bom, muito prazer, Renata. Acho que agora você me conhece.
Tratei da questão indígena há algum tempo. Se quiser, passeie por lá.
Falei que acho brinquedo novo irresistível. Está aí o último post do blogueiro do iG Luís Nassif sobre os italianos, "O lobista de Dantas", dissecado de forma a você entender tudinho.
Meu aparte está em negrito. O original, de Nassif, tem fonte mais clara.
Divirta-se com esse trecho:
"O post-it de Mainardi: aqui mostro como o relatório que Mainardi diz ter sido enviado da Itália na verdade foi preparado no Brasil , na mesma época em que um outro site, ligado a Daniel Dantas, tinha divulgado as informações nele contidas."
Agora, em partes:
NASSIF: ... aqui mostro como o relatório que Mainardi diz...
JANAÍNA: Não é um relatório, é um mandado de prisão emitido pela Justiça Italiana. Ouça o podcast em questão, aquele em que Mainardi dizia que o documento citado no início da fala, relativo ao advogado Marcelo Elias, havia sido enviado da Itália. Outros documentos, como admitiram os próprios depoentes, vieram da Itália. E foram conferidos com Giuliano Tavaroli, o autor de um do depoimento. São esses que Nassif diz que são uma fraude. Na verdade, eles vieram da Itália, foram armazenados no Brasil e remetidos por um procurador ao Procurador-Geral da República, o que deixa muita gente de cabelo em pé.
NASSIF: ... na mesma época em que um outro site, ligado a Daniel Dantas, tinha divulgado as informações nele contidas...
JANAÍNA: Site ligado a Daniel Dantas? Como é que é? MENTIRA: o Arrastão era um blog hospedado no Blogger, o serviço GRATUITO mais conhecido no Brasil. E não é na mesma época. Eu coloquei OUTRAS informações do caso italiano ANTES da Veja. Sim, a base dos documentos era a mesma: mandado de prisão expedido pela Justiça italiana. Fonte oficial, logo, e as informações foram confirmadas com fontes ITALIANAS.
NASSIF: "E explico como funciona o esquema de repercussão de notícias, para fins jurídicos."
JANAÍNA: Só faltou explicar como funciona o esquema de repercussão do iG.
NASSIF: "Repito: esse trabalho de lobby de Mainardi ocorre exclusivamente no espaço que tem na Veja. Na GNT não consta que ele atue de maneira similar, certamente porque o canal deve impor linhas de conduta a seus contratados."
JANAÍNA: Preciso mesmo contar a diferença entre ser colunista, com liberdade total na escrita, e ser participante de um programa com uma equipe grande que, pule de dez, tem pauteiro?
Para continuar lendo, clique aqui:
PS: Perdoe a minha dificuldade para configurar este post. Sou ruim com as coisas de html.
Continue lendo "Pazzos? - 2" »
Diogo Mainardi é polêmico. A Veja também. Dizem que atuamos em dobradinha há alguns anos. Bem que eu queria... Se fosse verdade, os documentos do caso Telecom Italia já estariam aqui.
O colunista descobriu o que fez a Carta Capital publicar a reportagem sobre o assunto que está na última edição da revista. Uma riqueza.
Alguns trechos:
"A imprensa paraestatal anda perdida. Algum tempo atrás, acusou-me de publicar documentos falsos sobre o inquérito da Telecom Italia. Isso mesmo: os documentos teriam sido fabricados por Daniel Dantas e veiculados por mim, mediante pagamento. Um documento em particular foi contestado pela imprensa paraestatal: o mandado de prisão de um araponga da Telecom Italia, em que eram mencionados Lula e Antonio Palocci.Carta Capital mandou um de seus jornalistas - autor do volume Lula, o Presidente dos Pobres - entrevistar o araponga da Telecom Italia. Assunto da entrevista: eu. Carta Capital é assim: podendo perguntar sobre Lula e Antonio Palocci, preferiu perguntar sobre mim. Eu só posso agradecer. Em vez de mentir a meu respeito, declarando que fabriquei o documento, o araponga da Telecom Italia reconheceu sua autenticidade, dando até o nome do indiciado que o teria remetido para mim.
... A realidade é outra. A magistratura italiana interrogou dezenas de pessoas e recolheu toneladas de documentos. Os arapongas da Telecom Italia foram presos porque recorreram a práticas ilegais para desmantelar o esquema de espionagem contratado por Daniel Dantas. Só isso. Ninguém quis beneficiá-lo."
Podem espernear, aqui e lá na Itália. Mesmo a contragosto de alguns, Ministério Público Federal e Polícia Federal já conversaram e sabem: o caso Telecom Itália vai bater daqui a pouquinho no Brasil, questão de meses. Deve ser por isso que o pessoal que NÃO quer as investigações está trombando entre si e atirando desesperadamente em qualquer alvo móvel _ mesmo que ele seja uma repórter que nem está mais na redação de um grande jornal.
Às vezes, como nos últimos dias, penso muito em voltar. Há uma grande reportagem esperando para ser escrita, aquela que contará como funcionava o esquema da Telecom Italia no Brasil e quais são os envolvidos na tramóia. E repórter que é repórter gosta é de furo, não de sugar as canelas dos poderosos de plantão.
Para ouvir o podcast de Mainardi, clique aqui.
O texto, na íntegra, está aqui mesmo, no Arrastão, um pouquinho mais para baixo.
Caro leitor,
é provável que você saiba dos ataques que sofro desde fevereiro, por parte de jornalistas contratados pelo iG, subordinados aos interesses de acionistas da Brasil Telecom que disputavam o comando da operadora até outro dia.
A irresponsabilidade e o servilismo dos que me acusam têm sido usados como combustível para internautas incautos ou mal-intencionados, que acatam as histórias da carochinha como verdades absolutas e as reproduzem por aí.
Pois bem. Até aqui, tive paciência e boa vontade com todos. As mentiras, contudo, extrapolaram o limite do ridículo, é preciso fazer algo. E eu vou fazer. Tomarei as medidas legais cabíveis contra todos os detratores. Vamos ver, diante do juiz, quem mente e macula a profissão para beneficiar terceiros. Vamos ver quem prova o que diz.
Até lá, será fogo contra fogo. Não tenho dinheiro e não tenho fama. Mas, por outro lado, não tenho medo. Por não precisar de costas quentes, uma vez que digo a verdade, posso avançar sem pensar duas vezes.
Os principais detratores têm sido Luís Nassif e Paulo Henrique Amorim, dinossauros do jornalismo, com pelo menos algumas décadas a mais na certidão de nascimento, algumas histórias a mais no currículo, muito dinheiro a mais no banco (seja lá onde ficar a conta).
A tese de ambos é que eu “trabalhei” em prol do banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity, quando fui repórter da Folha de S.Paulo. Nesse período cobri a briga que marca o setor de telecomunicações desde a privatização, em 1998. Tese tão ridícula e frágil quanto a ética dos acusadores, e aqui eu explico os motivos. Melhor ler de baixo para cima.
A Folha é o maior jornal do país e foi o veículo que, sem dúvida, mais de perto acompanhou o desenrolar do cabo-de-guerra em torno da Brasil Telecom.
Vários repórteres cuidaram do assunto, inclusive eu e a sempre competente Elvira Lobato (se alguém achou que eu entraria nesse jogo horroroso de falar mal de quem não merece, está redondamente enganado: Elvira é ótima mesmo. O fato de ela olhar a cobertura sob ângulo diferente do meu garantiu ao leitor da Folha ser agraciado com diversidade.)
Repórter, como eu já disse, não desce página de jornal para as rotatórias. O texto passa por editores. No caso desse furdunço das teles, o rigor era total. E todo mundo sabe muito bem disso. Inclusive os coroinhas de Missa Negra, supondo-se que ainda não esqueceram tudo o que diz respeito ao jornalismo que não é de negócios.
Blogueiros
No último sábado, Nassif colocou na rede novo post ancorado na realidade alternativa e bizarra criada por ele. Sem citar meu nome, mas apresentando links que chegam a mim, insistiu no que está descrito um parágrafo acima: há um “sistema Dantas” de comunicação.
De minha parte, escrevi o que está aqui, aqui e aqui.
Ontem à noite, por meio de um desses internautas, como tal Tiago, que papagaiam a mentirada dos escribas do iG, descobri que o ex-chefe de Segurança para a Telecom Italia, Angelo Jannone, copiou a técnica de Nassif: resolveu criar um blog onde diz que Daniel Dantas pagou minhas viagens. O objetivo, porém, é outro. Jannone quer mostrar para os italianos que os procuradores de Milão vazaram documentos oficiais que constam dos autos.
Ou seja, é o Brasil "exportando sua expertise" de malandragem para os italianos. Lindo. Dê uma olhada.
Agora eu explico devagar para você entender. SEI que você vai entender tudinho e bem rápido. Quer ver?
Que documento é esse do qual fala o blog italiano? O mandado de prisão de Angelo Jannone, onde existem vários testemunhos colhidos pelos procuradores italianos. O motivo é que Jannone se contradisse várias vezes durante suas conversas com os representantes da Justiça.
Que importância tem esse Jannone? É o homem que entregou o CD com as informações sobre a Kroll para a Polícia Federal brasileira em 2004. Por conta do caso Kroll, a PF invadiu o Opportunity e Daniel Dantas foi acusado, entre outras coisas, de formação de quadrilha. Enfrenta vários processos relativos ao tema.
Quem publicou os documentos? Eu e Diogo Mainardi, da Veja.
Quando? Eu, sem apresentar os papéis, só mencionando sua existência, em janeiro. Mainardi, dando link na internet para uma parte dos documentos, em fevereiro.
De quem são os testemunhos contidos nos documentos? Angelo Jannone e seus ex-companheiros de trabalho: Giuliano Tavaroli, Fabio Ghioni e Marco Bernardini, entre outros. Há várias considerações do próprio Ministério Público italiano.
E o que esses sujeitos dizem? Uma porção de coisas. Entre elas, que Daniel Dantas era um bandido; que o banqueiro, assim como dezenas de outras pessoas ligadas ao caso Kroll no Brasil e no exterior, foi espionado pela Telecom Italia; que Naji Nahas era assessor direto do então presidente mundial da tele e que recebia quantias astronômicas em dinheiro vivo; que hackers e arapongas foram contratados no Brasil para monitorar inimigos dos italianos; que tinham contato direto com a cúpula da Abin e da Polícia Federal; que lobistas brasileiros recebiam dinheiro fora do país, ou camuflados em contratos de consultorias, para influenciar jornalistas, políticos e dirigentes de fundos de pensão em favor da Telecom Italia; que um desses lobistas era Luís Roberto Demarco, o qual teria recebido US$ 1 milhão fora do país; que os pagamentos a Demarco eram feitos por meio de seu advogado, Marcelo Elias, antigo prestador de serviços dos fundos de pensão.
Pare um segundo.
Aqui vai um refresco para sua memória: Demarco é o dono da lojinha do PT, ligado à ala sindical e bancária do partido. Foi demitido do Opportunity e, desde então, quer ver Daniel Dantas pobrinho da silva. Ganhou uma ação trabalhista do banqueiro em Cayman. Trabalhou para a TIW, também inimiga de Dantas, e recebeu milhões do Citigroup depois que o banco trocou a parceria com o Opportunity para andar de mãos dadas com os fundos de pensão.
Entre outros negócios, é dono de empresas de softwares usados em call centers e da Nexxy, a mesma do CNPJ que aparece no registro da página que abriga o site de Paulo Henrique Amorim desde que ele foi mandado embora do iG. Demarco também é o autor do release que Luís Nassif copiou e assinou como seu quando colunista da Folha de S.Paulo.
Esses dois episódios foram noticiados por Diogo Mainardi, da Veja. A princípio, Amorim e Nassif negaram. Depois o discurso foi mudando. Demarco declarou publicamente que apenas “ajudava a um amigo” na história do registro. E Nassif admitiu que, sim, transcreveu um bloco inteiro de informações escritas por Demarco em uma coluna que tratava de telecomunicações. Pressa por conta do fechamento do jornal, alegou.
O que dizem Nassif e Paulo Henrique Amorim sobre os papéis divulgados por mim e Mainardi? Que são falsos, fabricados no Brasil e tornados públicos em favor de Daniel Dantas.
O que dizem Nassif e Paulo Henrique Amorim sobre mim e Mainardi? Que mentimos, não temos fontes na Itália, somos jornalistas de araque que colocam matérias inventadas em circulação, com o objetivo de favorecer Daniel Dantas em seus processos judiciais. E que falar desses papéis italianos é fazer chantagem (não dizem com quem, nem como, nem o motivo) e tentativa de influenciar os juízes. Nenhum dos dois afirma que somos bonitinhos, o que é, claramente, injustiça.
O que dizem Nassif e Paulo Henrique Amorim sobre a Folha e a Veja? Que estão em processo de decadência e abrigam profissionais com caráter duvidoso; sacripantas que trabalham em favor de poderosos, especialmente, adivinhe?, Daniel Dantas.
O que dizem Nassif e Paulo Henrique Amorim sobre as testemunhas italianas? São lobistas e mentirosos pagos por, é isso mesmo, Daniel Dantas.
O que dizem Nassif e Paulo Henrique Amorim sobre a Telecom Italia? Que há italianos e italianos, que a direção da empresa mudou e que os italianos que gostam de Dantas são maus, mas há outros bons, que não queriam nada com o banqueiro e são bacaninhas.
O que dizem Nassif e Paulo Henrique Amorim sobre Luís Demarco? Que é muito inteligente e ótima fonte. E que indica vinhos bons a preços razoáveis. E que é vítima de calúnias de pessoas que se submetem a Daniel Dantas.
Entendeu? Então está certo.
Pois bem. Voltemos aos italianos. Mais especificamente ao blog do espião italiano (juro que, quando vi, achei que era piada. Araponga blogueiro é coisa que parece inventada pelo L. F. Veríssimo.)
Ora, se Jannone me acusa de ser paga por Dantas e reclama da divulgação de seu testemunho, exatamente por reconhecer que ele é autêntico, parte do processo judicial que corre em Milão, EXPLIQUE-ME, ACUSADOR: como pode Angelo Jannone, o homem que acusou Luís Roberto Demarco de ser pago pela Telecom Italia para influenciar jornalistas, também ser pago por Daniel Dantas?
Estou esperando a resposta.
No mais, quando vi o que Jannone fez, me acusando de viajar à custa de Daniel Dantas, tomei as devidas providências: mandei um e-mail a ele perguntando quem era o dono do blog e avisei que, se ele escreveu aquelas maluquices, vou processá-lo no Brasil e na Itália. O e-mail seguiu com cópia para a direção da Folha de S.Paulo (onde estão TODOS os recibos com meus gastos de viagem, traslado, hospedagem, transporte local etc.). Também foram copiados dois procuradores de Milão responsáveis pelo caso Telecom Italia, Fabio Napoleone e Nicola Piacente.
Hoje pela manhã avisei Maria Amália Coutrim, diretora do Opportunity. O Ministério Público brasileiro também foi colocado a par do ocorrido, bem como o colunista da Veja, Diogo Mainardi, e outros jornalistas e blogueiros.
Agora é a vez de vocês saberem o ocorrido.
A partir de hoje, estou de licença do trabalho para cuidar do assunto. Serão 24 horas de dedicação, se preciso. Não vou admitir que sujem a única coisa que, com muito esforço, trabalho e entrega, amealhei em 34 anos de vida: credibilidade.
Ao contrário dos meus acusadores, não faço jornalismo de serviços. Faço Jornalismo. Assim mesmo, com “j” maiúsculo. E _ o lado bom dessa história foi redescobrir _ adoro minha profissão.
Fiquem aqui. Estou apenas começando.
Abraços,
Janaína
PS: colocarei todos os links aqui, mas tenha calma. Minha conexão é ruim.
( ) Daniel Dantas corrompeu todos os procuradores de Milão para que eles acreditem em qualquer mentira. Eles querem apenas atingir o PT.
( ) Daniel Dantas coordenou os espiões italianos que levantaram as informações do caso Kroll para que eles inventassem um escândalo que mandaria a eles próprios, espiões, para a cadeia. Eles querem apenas atingir o PT.
( ) Daniel Dantas pagou Marcos Valério. Os dois são os maiores corruptores do Brasil por conta do mensalão. Mas não há corrupção na base aliada. Inexistem corrompidos. Ninguém recebia mensalão. Eles querem apenas atingir o PT.
( ) Daniel Dantas plantava matéria nas Folhas e na Veja, que são de outros donos, por meio da obscura Janaína Leite e do raivoso Diogo Mainardi, para usar os textos em processos judiciais. Mas o Citigroup e os fundos de pensão, donos e administradores do iG, jamais se importaram com o que escrevia o paladino Luís Nassif, contratado do portal. Preferiam perder a disputa de milhões de dólares, pois amam a ética acima do dinheiro. Eles querem apenas atingir o PT.
( ) Daniel Dantas escolheu todos os entrevistados que a Carta Capital usou na matéria sobre a Telecom Itália. E Mino Carta deixou passar um texto dúbio, sem ataques explícitos ao banqueiro, só para que a real intenção do autor, escondida, fosse explicada didaticamente por outro blogueiro. Eles querem apenas atingir o PT.
( ) Daniel Dantas deve R$ 4,2 milhões ao BNDES. Conseguiu renegociar duas vezes a dívida, uma em 2003 e outra em 2007, por valores magrinhos, magrinhos. Em troca, apóia incondicionalmente o governo. Eles só... Espera aí! Nesse caso, a figura em questão não é o Daniel Dantas...
Mas é claro que você não vai acreditar em mim. Já ouviu de fonte segura que eu sou um "deles". E eles, todo mundo sabe, querem apenas atingir o PT.
Ainda bem que você é esperto.
Ao longo dos últimos meses, Luís Nassif citou meu nome diversas vezes em seu blog, de forma pouco lisonjeira, ao divulgar o chamado Dossiê Veja. Em linhas gerais, o colunista do portal iG insinuou que usei o cargo de repórter na Folha de S.Paulo para plantar notícias falsas e distorcer informações, com o objetivo de favorecer o dono do Opportunity, Daniel Dantas, em suas disputas comerciais.
De acordo com Nassif, eu, na Folha, e Diogo Mainardi, colunista da Veja, atuamos em dobradinha na empreitada.
Mentira.
Para sustentá-la, o contratado do iG colocou em dúvida a autenticidade de documentos publicados por Mainardi na Veja, relativos a um processo enfrentado pela Telecom Italia em seu país de origem. Os mesmos papéis haviam sido citados aqui, no Arrastão, tempos antes de saírem na revista.
Nassif imaginou que eu havia entregue a documentação a Mainardi. Na tentativa de transformar o delírio em fato, distorceu o que o colunista da Veja falara durante seu programa semanal de rádio na internet. Pintou a mim como uma repórter carreirista que, sem méritos, invadia a área de atuação de outros profissionais. E deu a entender que o comando da Folha degringolou de uns tempos para cá.
Os advogados da Veja pediram a Mainardi que não respondesse e que guardasse toda a munição para os tribunais. A Folha optou por ignorar os ataques do mal-agradecido. Eu, que não tenho departamento jurídico, nem a paciência de um diretor de redação, não consegui ficar quieta diante dos coprólitos oriundos da cabeça de Nassif. Escrevi. (Se quiser ler, vá ao lado esquerdo desta página e clique sobre a categoria “Resposta”.)
A bagunça acontece por conta do que ocorre na Europa: procuradores milaneses investigam um gigantesco esquema de espionagem, de venda ilegal de informações e de corrupção tocado dentro da Telecom Italia.
Ontem, para minha surpresa, o assunto foi retomado. A revista Carta Capital chegou às bancas contendo uma reportagem sobre o caso dos italianos. Entrevistou uma das testemunhas do Ministério Público de Milão. Acertadamente, falou também com um acusado que busca desqualificar o ex-patrão da testemunha (e a moça a reboque, claro).
No texto da Carta, os responsáveis pelos autos foram apresentados como “notórios” procuradores. A entrevistada, descrita como “testemunha-chave” para a Justiça italiana, confirmou que a tele pagava a políticos brasileiros e patrocinava grampos ilegais no Brasil. O outro personagem, ex-chefe de Segurança da Telecom Italia no Brasil, confirmou que havia "uma quantia paga" a lobistas de Brasília próximos do então ministro das Comunicações.
Confesso não ter entendido o que incitou a publicação. Todo mundo sabe que a Carta Capital é alinhada ao PT (partido que, segundo a entrevista, está no meio do rolo). Jamais poderia levar a pecha de trabalhar pela desestabilização do governo. O dono da editora que publica a revista é Mino Carta, xodó de 11 entre 10 esquerdistas, crítico contumaz da Folha, desafeto público de Mainardi, a quem processa, e acusador implacável de Dantas.
A Carta, de esquerda, cujo dono pode ser tudo, menos pau-mandado de Daniel Dantas, ouviu dois envolvidos no processo italiano e nenhum dos dois desmentiu os papéis apresentados por Mainardi ou citados no Arrastão. Nem disseram que é mentira o envolvimento da Telecom Italia com políticos brasileiros. Se os documentos tivessem sido fabricados no Brasil, fraudados e divulgados por mim ou pela Veja, Mino Carta não perdoaria.
E agora? Como ficam as acusações de Nassif? O que ele terá de inventar para manter em pé a versão autista que propalou? Que Mino Carta virou a casaca e trabalha em prol de Dantas? Que é despiste o fato de o banqueiro ser retratado na capa da Carta Capital com orelhas gigantes? Que Mino Carta fez a matéria em combinação com Diogo Mainardi? Que a Carta pagou para conseguir a entrevista da testemunha? Que Mino Carta não checou as informações trazida a seus leitores?
Estou curiosa. Até que a resposta chegue, só martelarei o que sempre disse: o caso Telecom Italia é importante. Deve ser investigado pela imprensa (de direita, de esquerda, do avesso) e pelo Ministério Público.
Continuo aqui.
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Paulo Henrique Amorim tem desancado vários jornalistas, inclusive eu, acusando esses profissionais de servirem aos interesses do banqueiro Daniel Dantas na briga pelas teles.
Quando PHA estava contratado pelo iG era fácil saber o motivo dos ataques. O portal é um braço da Brasil Telecom, controlada pelos fundos de pensão e pelo Citigroup. Os dois disputavam com Dantas o controle da operadora e, para sustentar suas teses nos tribunais, usaram os jornalistas da casa, pagos a peso de ouro, para desqualificar qualquer notícia ou veículo considerados prejudiciais a seus interesses. O próprio PHA, aliás, reconheceu em seu blog ter sido contratado pela sua notória capacidade de "vigiar" Dantas.
Curiosamente, a perspectiva de um acordo entre Citi, os fundos e o dono do Opportunity esmaeceu as tintas dos ataques patrocinados pelo iG. Façam uma pesquisa e verão o que digo.
Parece lógico supor que as diatribes, bem como os jornalistas que tinham a tarefa de promovê-las, deixaram de ser ajuda. Tornaram-se empecilho. Também é razoável deduzir que alguns dos detratores, por motivos que nada têm a ver com o jornalismo, se renderam aos novos tempos. Outros, também por várias razões, não aceitaram as alterações no jogo.
Deve ter sido o caso de PHA, que perdeu o emprego de forma estrepitante. Poucas horas depois, ele montou um novo site para continuar atirando. A metralhadora giratória, agora, é disparada também contra alguns dos ex-empregadores, além de assessores, empresários e o que mais vier pela frente. Até colegas que foram extremamente leais a ele, PHA, no passado entraram na mira.
O motivo declarado por PHA para seu comportamento belicoso foi que Dantas grampeou sua mulher e sua filha. Portanto, ele faz qualquer coisa, até pacto com o diabo, para pegá-lo.
Ora, se Dantas fez mesmo o que PHA fala, o ódio é compreensível. Fácil entender a gana de fazer com que o banqueiro seja mortificado publicamente, que empobreça, que vá preso, que pague pelo crime de alguma forma.
Só não dá para chamar isso de jornalismo. Muito menos se aproveitar da boa fé dos leitores, ou da propensão que alguns internautas têm de usar a rede como campo de guerra, para atacar os jornalistas que não têm raiva de "a", ou de "b", e fazem seu trabalho sem a intenção de destruir a vida dos outros.
Segundo PHA, a obstinação em acabar com Dantas nada tem a ver com dinheiro, associações ou amizades. O ódio, contudo, é capaz de turvar a visão sobre os elos que cultiva.
Deixo vocês com Diogo Mainardi, na Veja desta semana:
"...Os jornalistas que foram afastados da grande imprensa procuraram se reciclar na internet. Eles cancelaram o passado e se apresentaram como promotores de um jornalismo independente e transparente, trombeteando a internet como o caminho para o futuro. Na realidade, o que ocorreu foi o contrário: eles retomaram algumas das práticas mais antigas e mais imundas do jornalismo, como a chantagem, a mentira, a propaganda do poder e a matéria paga.O internauta bocó, da risada enlatada e da claque, certamente é mais propenso a ser ludibriado pela imprensa marrom instalada na internet. Por sorte, os instrumentos para policiar esse tipo de jornalismo encontram-se na própria internet. Posso mostrar como isso acontece, citando um caso menor, muito menor.
Recentemente, Paulo Henrique Amorim foi demitido do iG. No dia seguinte, ele abriu um blog com seu nome. Um leitor sugeriu que eu desse uma espiada no registro do blog. Descobri que seu servidor era a Nexxia. A Nexxia pertence a Luiz Roberto Demarco, aquele da Lojinha do PT, o comércio on-line dos produtos licenciados pelo partido para arrecadar fundos eleitorais: bonés, camisetas, broches, relógios. Fiz um podcast sobre o assunto. Paulo Henrique Amorim me chamou de mentiroso, mas imediatamente tratou de mudar o servidor.
... Fui escarafunchar o novo registro do blog de Paulo Henrique Amorim... Nesse jogo de propriedades cruzadas, Paulo Henrique Amorim tem o domínio da Nexxy (empresa de Demarco) e a Nexxy tem o domínio de Paulo Henrique Amorim.
... Tanto o blog de Paulo Henrique Amorim quanto o domínio da Nexxy foram registrados com o mesmo documento: 003.534.337/0001-77. Uma rápida consulta no site da Receita Federal permite dizer que esse é o número de CNPJ da Nexxy. Paulo Henrique Amorim escondeu o homem da Lojinha do PT, mas ele continua lá, dando as cartas. Pelo menos até o momento em que redijo este artigo."
E agora? Como fica?
PHA é apenas um da turba de acusadores. E os outros? Provavelmente continuarão se escorando no "bom jornalismo", no mito de Davi contra Golias, para justificar seus ataques. Especialmente quando seus contratos nababescos acabarem, ou forem rescindidos _ o que acontecerá, mais dia ou menos dia.
A verdade, porém, é que essas pessoas estão a serviço do ódio. Um tipo de ódio lucrativo e, por isso mesmo, cuidadosamente alimentado com fatos ou com falácias.
Uma das histórias gregas que considero mais interessantes é a que conta o primeiro dia de vida de Hermes, o Mensageiro. Por um motivo simples: o Brasil é um país que cultua as qualidades herméticas. As coisas, por aqui, se resolvem no jeitinho, no gingar dos quadris, na certeza da impunidade.
Ao contrário do que ocorre em países desenvolvidos, na Bruzundanga os valores apolíneos _ individualidade, correção, clareza, justiça, ordem _ são motivo de risada. O resultado é um exército de Autólicos, senhores da mentira, sentindo-se cada vez mais livres para agir.
Mas, sigamos rumo ao mito. Você poderá acompanhar melhor o meu raciocínio.
Conhecido como Mercúrio entre os romanos, Hermes é o deus da fala e o protetor dos comunicadores, negociantes, viajantes, atletas e ladrões; mestre da astúcia, persuasão e oportunidade; senhor dos caminhos e do sono, guardião dos limites e fronteiras, arauto dos deuses, guia das almas, patrono da alquimia, alcoviteiro real, salvador dos inocentes e semeador da fortuna.
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Reza o ditado: quem tem idéia fixa é doido. Se fosse verdade, o iG seria um candidato sério a hospício virtual. O pessoal de lá passa dias, noites e intervalos pensando no banqueiro Daniel Dantas e no colunista da Veja, Diogo Mainardi. Quem entender de psicologia ou de finanças que arrisque um motivo. Eu não.
Nos últimos tempos, sabe-se lá por qual motivo, os iGBoys decidiram que eu também sou razoável objeto de obsessão. Em nome do “bom jornalismo” _ não ria! _ penduram-se, sôfregos, no meu pé. Ai, ai... Cada um com a sua cruz.
Claro que não é possível praticar a nobre arte da manipulação sem fazer algumas concessões à verdade.
Luís Nassif resolveu me espinafrar por conta de uma reportagem sobre o caso da juíza Márcia Cunha. O empresário me acusa de tentativa de “assassinato de reputação” e de ter servido aos interesses de Daniel Dantas.
Nassif, todavia, esqueceu de contar aos seus leitores que a própria juíza afirmou não ter condições de julgar o caso em questão. Assim, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio considerou que era inútil seguir com a reclamação de que outros teriam escrito a sentença em nome da magistrada.
Escapou à memória do “colunista” que houve pareceres de especialistas mostrando incongruência entre os despachos emitidos pela juíza.
A lembrança também falhou para contar aos internautas que o Ministério Público considerou não existirem indícios suficientes para prosseguir com as acusações, feitas pela juíza, de que teria sido pressionada.
O mais imporante: Nassif deixou de informar que há uma reclamação contra a juíza que continua valendo no Conselho Nacional de Justiça. Lá, o mérito da questão deve ser avaliado.
As respostas para outras insinuações podem ser acessadas aqui. Melhor ler de baixo para cima.
E que fique claro: não chamei ninguém do iG de psicótico. Nenhum dos blogueiros de lá é maluco para rasgar dinheiro _ muito pelo contrário. Também não são "assassinos de reputação", por mais que se esforcem.
Boa tarde a todos.
Mais uma onda de ataques vinda do iG, o portal mais, hmm, como direi?, isento do país. Desta vez, o agente é Paulo Henrique Amorim.
Aparentemente, ele está uma vara comigo. Os motivos, pelo que entendi, são:
1) a desembargadora que cuida do caso Avner Shemesh levou em consideração uma matéria que escrevi na Folha , em 2006, para mandar trazer documentos dos tribunais europeus que revelam uma rede de espionagem e venda de informações coordenada pela Telecom Itália;
2) uma fonte minha, Rodrigo Andrade, afirmou em juízo que eu passei informações sobre o empresário Luís Roberto Demarco.
Minhas considerações:
- No processo Avner Shemesh, o Ministério Público tenta provar que Luís Demarco e Paulo Henrique Amorim foram grampeados pelo israelense Avner Shemesh a mando de Daniel Dantas à época do caso Kroll. Demarco é assistente da acusação.
- Eu e Diogo Mainardi, colunista da Veja, escrevemos sobre os documentos da Itália. Mainardi, inclusive, colocou os papéis na internet. Até agora, quase 5 mil pessoas baixaram o que foi divulgado.
- Isso desencadeou uma reação violenta. A estratégia, antiga, é a de atingir o mensageiro para desqualificar a mensagem.
- E o que contêm esses documentos para incomodar tanto a turma do iG? Várias são as hipóteses. No caso Shemesh, creio que é porque testemunhas afirmaram ao Ministério Público de Milão que Demarco recebia dinheiro não declarado da Telecom Itália, tinha contato direto com a equipe que praticava as ilegalidades e chegou a indicar um hacker para os colegas italianos.
- As testemunhas também afirmam que a Kroll e Demarco foram espionados pela Telecom Italia. A operadora duvidava da fidelidade do empresário na briga pela BrT. Acreditava que ele poderia estar trabalhando, também, para os fundos de pensão (os donos do iG).
- TROCANDO EM MIÚDOS, os papéis vindos da Europa podem interferir diretamente no caso Shemesh. Lançam a possibilidade de que os grampos plantados pelo israelense, se existiram, tenham sido feitos por ordem da Telecom Italia. Isso contraria, aparentemente, os interesses de Paulo Henrique Amorim e de Luís Demarco, que há anos movem uma batalha pessoal contra o banqueiro Daniel Dantas.
(Imagine o piti que esse povo vai ter ao descobrir que Diogo Mainardi já mandou provas ao Procurador-Geral da República, atestando que o teor do material divulgado na internet foi checado com Giuliano Tavaroli, o ex-capo mundial do serviço de espionagem da Telecom Italia...)
- Segundo Paulo Henrique Amorim, Rodrigo Andrade disse que sou fonte dele. Ah, é? E o que eu teria falado sobre Demarco? Eu não sei. O caso corre sob segredo de Justiça. Mas, se me explicarem o que é, digo se é verdade ou não.
- Quando uma testemunha cita meu nome em um processo, Paulo Henrique lança dúvidas sobre minha honestidade e acha que é uma história de interesse nacional. Quando uma testemunha italiana cita o nome de Demarco e do ex-chefe da Abin, ele acha que isso nada prova e que a divulgação do depoimento é uma armação. Uma lógica bisonha.
Por fim, Paulo Henrique Amorim lança a hipótese de que eu ande sobre as águas (!). Não ando. Mas também não sou nenhuma nefelibata: sei exatamente o que está acontecendo. Fiz meu trabalho direito, além dos dossiês entregues pelos lobistas. Isso feriu _ e continua ferindo _ os interesses financeiros e a imagem de muita gente. Agora eles querem retaliação e, para tanto, insistem em manipular seus leitores com a história do Davi contra Golias.
Golias, meus caros, são os fundos de pensão. E eles pagam o salário do pessoal do iG, não o meu.
A virulência dos ataques contra mim é explicada pelas perdas que esse pessoal poderá sofrer com a venda da BrT à Telemar. Se isso acontecer, para desespero dos franco-atiradores, Dantas vai ganhar um dinheirão em um negócio escandaloso. E de quem vem esse tutu? Dos amigos de Paulo Henrique e Demarco. Os serviços de lobistas para interferir na linha de cobertura da imprensa, por outro lado, tornam-se desnecessários. É compreensível que estejam roendo a quina da mesa de ódio.
Fica a pergunta: esses ataques podem até animar meia dúzia, mas será que os novos donos vão querer por perto colaboradores tão espalhafatosos? Afinal, enquanto todo mundo na República tenta abafar os papéis da Itália, o pessoal do iG, mesmo que por motivos tortos, coloca o assunto em evidência.
Só dá para agradecer.