Lula e Protógenes, FHC e Dantas, Greenhalg e Gilberto Carvalho, PF e Abin, Gilmar e De Sanctis, MI-6 e Congresso, Reinaldo e LN... Tudo isso você acompanha querendo ou não. Mas o mundo não parou, melhor dar uma olhada.
Folha de S.Paulo:
"A operadora de telefonia Oi anunciou ontem que obteve empréstimo de R$ 4,3 bilhões do Banco do Brasil para financiar a compra da Brasil Telecom. O negócio, anunciado em abril, ainda depende de mudanças na lei para ser efetivado.... Desse total, R$ 5,8 bilhões serão pagos pelo controle da BrT. Outros R$ 3,5 bilhões farão parte da oferta pública obrigatória para aquisição de ações ordinárias dos minoritários -o chamado 'tag along'. Mais R$ 3 bilhões serão gastos na oferta voluntária para a compra de ações preferenciais da BrT.
... Em nota, a Oi afirmou que comprará a BrT com recursos próprios e que o empréstimo do Banco do Brasil 'constitui-se no primeiro movimento de captação de recursos' que, em seguida, contará com 'emissão de notas promissórias com os bancos Santander, Bradesco e Itaú'.
... É o segundo financiamento de um banco público obtido pela Oi para a operação de compra da BrT, operação apoiada pelo governo federal sob o argumento de que o país precisaria de uma grande empresa no setor para concorrer com gigantes multinacionais como a espanhola Telefónica e a mexicana Claro. O BNDES já havia anunciado crédito de R$ 2,5 bilhões, com o objetivo específico de promover a reestruturação acionária da Oi -condição necessária para a compra da BrT." (Roberto Machado)
Na mesma Folha:
"Sergio Ramírez é um notável escritor nicaragüense, que se tornou revolucionário, lutou com a Frente Sandinista de Libertação Nacional contra a nefanda ditadura Somoza, elegeu-se vice-presidente e, afinal, rompeu com os companheiros, horrorizado com o nível de corrupção a que se dedicaram uma vez instalados no poder.No auge do escândalo do mensalão, ele me disse uma frase que não me sai da cabeça: 'Se eu fosse presidente, antes da posse chamaria todos os parentes e amigos e lhes diria que, durante o meu governo, não poderiam fazer negócios. Nem negócios legais'." (Clóvis Rossi)
Seguido de:
"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou ontem a lei que cria o piso salarial dos professores da educação básica (ensino infantil a médio). A partir de 2010, os professores da rede pública terão que receber, no mínimo, R$ 950." (Angela Pinho)
Por fim:
"NEM TODO MUNDO tem senso de humor. É como inteligência natural. Nem todo mundo é esperto. De fato, algumas pessoas são naturalmente obtusas.Não significa que elas sejam de alguma maneira inferiores ou menos charmosas, bonitas, fortes ou bem sucedidas. Mas o fato é que os seres humanos têm diferentes talentos e diferentes capacidades. Essa é uma descoberta da vida, especialmente para os professores. Eu sei que mães relutam em aceitar esse fato com relação aos seus filhos, mas ainda assim é verdade." (Kenneth Maxwell)
Muito bom o Milênio, exibido pela Globonews na semana passada. O entrevistado é o jornalista britânico Misha Glenny, autor de "McMáfia - Crime sem fronteiras". Ele relata atividades criminosas em vários paises, inclusive no Brasil, que aparece na parte final do programa. Glenny destaca o aumento dos crimes cibernéticos entre os brasileiros e dá sua opinião sobre a polícia daqui:
"O sistema policial brasileiro é um desastre ambulante. Há uma proliferação entre as forças policiais, uma competição entre essas diferentes forças e, claro, há o problema da corrupção."
Pedro Soares informa sobre Angra 3 na Folha de S.Paulo. Reproduzo aqui alguns trechos.
"Para conceder o licenciamento ambiental prévio da usina de Angra 3, o Ministério do Meio Ambiente fará exigências adicionais, como a fixação de um prazo para a construção de um depósito definitivo de resíduos nucleares.Segundo o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente), essa foi uma das 'condições' introduzidas por sua gestão ao processo de licenciamento da usina, que está 'praticamente pronto'.
'Vamos estabelecer um prazo até a licença de operação [última fase do processo de licenciamento] para a construção de um depósito para destinação final do rejeito atômico, algo que até hoje não se resolveu.'
O país conta apenas com depósito provisório para os resíduos de Angra 1 e 2, situado no mesmo terreno em que estão as usinas e no qual será construída Angra 3. Ali, são colocados rejeitos de baixa e média intensidade -como roupas e equipamentos que entraram em contato com material radioativo.
O combustível radioativo, de alta intensidade, é guardado nas próprias usinas, em piscinas usadas também para resfriar o material."
Assunto que vale acompanhar (clique aqui para ler o que escrevi sobre ele).
Então o TSE decidiu restringir o uso da internet como instrumento de propaganda política. Lilian Christofoletti escreveu hoje para a Folha de S.Paulo:
"... significa que as inúmeras ferramentas da internet -como blog, e-mail, web TV, web rádio e páginas de notícias, de bate-papo, de vídeos ou comunidades virtuais- não poderão ser usadas para divulgar imagens ou opiniões que configurem apoio ou crítica a candidatos.A vedação cria situações inusitadas. Um texto desfavorável a uma candidatura, por exemplo, pode ser publicado num jornal impresso, mas não pode ser reproduzido em um blog.
Até mesmo o internauta poderá ser multado se criar sites, blogs ou comunidades pró ou contra candidatos. O tribunal entende que quem não pode praticar um ato por meio próprio também não pode praticar por meio de terceiros."
SOCOOOOORRO! O que dizer? Eu queria mandar bem como fez o Reinaldo Azevedo (clique aqui para ver o texto dele sobre o assunto), mas não. Acabaria mais debochada que o recomendável.
Assim, achei por bem procurar notícias menos imbecis. Que tal ciências? Ótimo. Da BBC Brasil:
"Comer grandes quantidades de alguns produtos à base de soja – entre eles o tofu- pode aumentar o risco de demência, sugere um estudo realizado na Grã-Bretanha.... De acordo com o professor David Smith, da Universidade de Oxford, o tofu é um alimento complexo com muitos ingredientes que podem causar impacto nas células."
É sinal do Universo. Não posso me calar, sob risco de omissão. Devem estar servindo esse negócio no cafezinho do TSE.
MINISTROS, PAREM IMEDIATAMENTE COM O CHÁ DE TOFU! TODO MUNDO PRA "REHAB"! VAMOS!
Se é que ainda dá tempo.
Valdo Cruz, na Folha, toca em uma ferida que sangrará daqui a pouco, a briga pelos canais de TV paga. Alguns trechos:
"... De um lado, a Globo trabalha para derrubar o sistema de cotas de canais e de conteúdo nacional na TV paga tal como está proposto, sob o argumento de que ele vai tornar o serviço mais caro e afetar a qualidade da programação.Do outro, grupos como Abril, Band e Record, apoiados pelos produtores independentes, defendem as cotas criadas pelo relator do projeto na Câmara, deputado Jorge Bittar (PT-RJ), pronto para ser votado na Comissão de Ciência, Tecnologia e Comunicação.
Esses grupos alegam que as cotas de canais e conteúdo nacional vão estimular a concorrência na TV paga brasileira, ao criar um mercado mínimo para produtoras que hoje têm dificuldades para conseguir espaço nesse setor.
Traduzindo: está em disputa o negócio de fornecimento de conteúdo nacional para a TV por assinatura, hoje dominado pela Globosat com seus canais esportivos e de notícias.
Concentração que se repete na distribuição do serviço no país: dois grupos controlam quase 80% desse mercado -Net (associação entre a Globo e o mexicano Carlos Slim) e Sky (controlada pelo grupo americano Liberty Media, com participação da Globo).
Com a entrada em peso das teles fixa no setor, a partir das mudanças na legislação atual, a estimativa é que o número de assinantes salte dos pouco mais de 5,3 milhões de hoje para 18 milhões em 2018.
Um mercado que, crescente, tende a atrair parte do bolo publicitário do setor de mídia, estimado hoje em R$ 8 bilhões anuais -90% vão para a TV aberta, concentrado na Globo."
Que as teles entraram na briga é claro. E os outros grupos de mídia? Vejamos.
1) A Folha é sócia das Organizações Globo no jornal Valor Econômico e da Portugal Telecom no UOL.
2) A Abril vendeu a TVA para a Telefónica (numa operação que elevou a concentração de mercado no estado de São Paulo a níveis ridículos).
3) Dos grandes da imprensa sobra O Estadão, aquele sobre o qual pesam especulações de venda. Para quem mesmo? A princípio, para a Globo ou para a Abril.
Se a escolhida for a Globo, como fica a parceria no Valor? E a Agência Estado vai se fundir ao portal de notícias da Globo, o G1? E a Folha vai ficar quieta com o avanço da Globo sobre o mercado paulista? Pelo tom da reportagem do Valdo, que foi diretor da sucursal de Brasília e hoje é repórter especial, não parece.
Por fim, bom observar que alguns nomes passaram ao largo dessa primeira análise: SBT (eternamente à venda na boataria, mas eternamente feudo de Silvio Santos na prática), Brasil Telecom, Oi (ex-Telemar) e Telecom Itália, a dona da TIM.
O jogo está ficando interessantíssimo. Acho que vou começar a acompanhá-lo.
Élio Gaspari, na Folha de hoje, avisa: começou a boca livre com a inflação. Onde? No BNDES, aquele amigo-irmão, ora bolas. Olhe só:
"O Conselho Monetário Nacional manteve a Taxa de Juros de Longo Prazo do BNDES em 6,25% ao ano. Metade do que a patuléia terá que pagar pela Selic do Banco Central. Com essa medida, os sábios da ekipekonômica reinjetaram um vírus na patologia da incipiente inflação do real. Criaram o sujeito que ganha com ela. A 6,25%, o BNDES cobra juros inferiores à taxa de inflação prevista para o ano, 6,3%.A inflação prejudica as famílias porque as mercadorias ficam mais caras e os investimentos perdem para a desvalorização da moeda. Dói, mas é o jogo jogado.
Esse mesmo jogo fica trapaceado quando alguém entra nele sem chance de perder. Na hora em que o CMN mantém em 6,25% seus juros camaradas, os clientes da TJLP passam a ganhar para dever.
Por enquanto a trapaça é pontual e o benefício é pequeno, mas ninguém deve subestimar a audácia do governo, do BNDES e do empresariado que freqüenta esse circuito. Já houve época em que, em nome de um grande projeto industrial, o banco emprestava a uma taxa prefixada de 20%, com uma inflação de 35%. Muita gente boa botou o dinheiro no papelório e o progresso ficou para depois."
Se ninguém reclamar, daqui a pouco a diferença para beneficiar os financiados do BNDES corresponderá a um percentual bem maior. Pode apostar.
E Gaspari vai em cima também em outro assunto importante. Nelson Jobim, que é um dos ministros mais sassaricas de Lula, saiu-se com a seguinte pérola, que o Eremildo não perdoou.
"Eremildo é um idiota e soube que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, trabalha com a possibilidade de dar uma pensão de um salário mínimo às famílias dos três jovens chacinados depois que uma tropa do Exército os entregou a bandidos do morro da Mineira.Tudo bem. O cretino não entende porque a vida de um cidadão vale R$ 480 mensais e a Bolsa Ditadura de Lula custa algo em torno de R$ 4.800.
O idiota concluiu que morrer na democracia vale dez vezes menos do que gramar 31 dias de cadeia na ditadura.
Eremildo vai a Brasília para mostrar a Jobim uma tabelinha de Bolsas Ditadura distribuídas pelo governo nos últimos anos. O cretino tem certeza de que o ministro será capaz de demonstrar que Vinicius de Moraes havia bebido quando cantou que 'o morro não tem vez'."
Pois é, Jobim. Levantou tão bem a bola que a cortada foi inevitável. "Medalha!"
"Os investimentos da União chegaram a R$ 9,4 bilhões no primeiro semestre de 2008, valor recorde se comparado ao mesmo período dos últimos sete anos, segundo levantamento da ONG Contas Abertas. Grande parte dos investimentos deve-se ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O Orçamento autorizado para este ano em investimentos também é um dos maiores desde 2001, ficando atrás apenas da dotação do ano passado, fixada em R$ 46,4 bilhões. Para 2008, cerca de R$ 40,2 bilhões estão previstos para a realização de obras e compra de equipamentos."
A notícia é muito boa. O governo fez um ótimo trabalho na área econômica e deve mesmo aproveitar o período para investir.
Mas é preciso colocar os investimentos em perspectiva, exatamente para o que é bom não se perca. Faltam processos para acompanhar o caminho do dinheiro. Além disso, há a questão das prioridades. Também n'O Estadão:
"O Senado aprovou na noite da última quarta-feira, 3, em votação simbólica, o projeto que estabelece o piso de R$ 950 para professores da educação básica da rede pública de ensino. A proposta, agora, vai à sanção presidencial. Segundo o projeto do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), o piso salarial nacional será implantado em todo o País, de forma gradual, até 2010. O piso de R$ 950 é uma antiga reivindicação da categoria. O valor deverá ser pago para professores com carga horária de 40 horas semanais. De acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), existem mais de 5 mil pisos salariais diferentes para a categoria, variando entre R$ 315 e R$ 1.400. Está prevista no projeto a complementação da União para os entes federados que não atingirem o valor de piso nacional."
Novecentos e cinqüenta reais é pouco, pouquíssimo, uma vergonha. O que dizer de R$ 315? Por isso vejo com bons olhos a informação que vem a seguir:
"O Senado também aprovou na última quarta proposta de emenda constitucional (PEC) que obriga a União a destinar integralmente à Educação 18% da receita, acabando, portanto, com a chamada Desvinculação de Recursos da União (DRU) para o setor. Atualmente, com a DRU, o governo usa 20% desses 18% para o superávit primário, reduzindo os investimentos na Educação."
O presidente da República, dono de 58% de aprovação, segundo a pesquisa CNI/Ibope, chamou de "insensível" quem classificou como eleitoreiro o reajuste de 8% nos beneficios do Bolsa Família. "Estamos dando o reajuste porque temos condições de dar, porque tem no Orçamento dinheiro para dar esse reajuste", afirmou.
Será? O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), usado para medir a inflação, teve a alta de 6,8% no semestre. Superou a rentabilidade de todos os investimentos no País. A taxa inflacionária, aliás, é a principal preocupação dos brasileiros _ 65% dos entrevistados temem a remarcação de preços.
O medo não é apenas local. O Banco de Compensações Internacionais, também conhecido como banco central dos bancos centrais, acredita que "o mundo vive hoje a maior turbulência financeira desde a Segunda Guerra e que a união de desaceleração econômica e inflação está empurrando para um 'ponto crítico' a economia global".
Ou seja, mais do que temer a própria inflação, há que se temer a expectativa que está se espalhando como gripe espanhola por todo o mundo.
O governo do Brasil, pelo que disse o presidente, parece estar imune ao pessimismo ganha espaço a cada dia e torna a crise uma profecia auto-realizável. Até aí tudo bem. O problema é a área política achar que nossa situação é boa o suficiente para criar gatilhos no pagamento de salários e benefícios.
Eles poderão significar um belo empurrão para o governo consolidar uma base de prefeitos robusta após as eleições, mas certamente haverá um efeito colateral perigosíssimo: o rombo nas contas do Estado.
O BIS, aliás, avisou aos emergentes para não ir com tanta sede ao pote e cuidar da inflação. Tendo em vista que o próprio presidente da República reconhece os feitos na área econômica como os mais bem sucedidos, não custaria um pouquinho de coerência. O Real foi uma conquista árdua e que precisa de todo o cuidado.
Para mim, o reajuste do bolsa-família é uma medida eleitoreira e perigosa. Infelizmente.
Com a palavra os economistas.
A disputa pelo jornal O Estado de S.Paulo está cada vez mais acirrada. Além de haver cisão entre os acionistas sobre a venda, há rumores de que os maiores interessados em comprar o diário - Globo e Abril - brigam por um sócio capitalista para concretizar a operação.
O endinheirado-alvo, conforme dizem, seria Eike Batista. Coincidência ou não, o moço recentemente enfeitou a capa da Época. Logo depois, apareceu na capa da Veja.
A avaliação dos supostos compradores seria a de que o BNDES está sob bombardeio e, portanto, não convém pedir ajuda ao banco, pois, além da concentração de mercado, os concorrentes teriam munição extra para reclamar do negócio.
Enquanto a situação não se resolve, a redação d'O Estado faz a festa. Emplaca um furo atrás do outro.
Vamos mesmo de vento em popa. Olhe só o que informa a Veja Online:
"A América Latina é a terceira região do mundo onde houve o maior avanço no número de milionários em 2007, com o Brasil na liderança. É o que aponta o estudo World Wealth Report (Relatório de Riqueza Mundial), uma parceria entre o banco americano Merrill Lynch e a consultoria de informática Capgemini, divulgado nesta terça-feira. De acordo com o estudo, o mundo tem mais de 10,1 milhões de milionários, o que representa um aumento de 6% em relação a 2006."
Óbvio que os números estão subestimados. Imagine se o pessoal declarasse o que realmente ganha e o que tem escondidinho lá fora. China e Índia ficariam comendo poeira. Brasil, êêêêooooo!!!
O engraçado é ver que a América Latina é a mesma região que abriga, no Paraguai, um presidente com o lindo nome de Nicanor Frutos que não consegue sequer renunciar. Também estão por aqui o casal Kirchner, da Argentina, cujo mérito é fazer lambança em parceria.
Há o Evo Morales, da Bolívia, nacionalizando até sua santa mãe, além do venezuelano Hugo Chávez e do equatoriano Rafael Corrêa, dois que só deixaram de gostar dos narcotraficantes quando viram que a coisa ficaria feia para eles próprios. O nicaraguense Daniel Ortega, pelo jeito, continua ligadão nos amigos bons de coca. Álvaro Uribe, da Colômbia, tem de brigar com todos esses fanfarrões e, quando sobra tempo, olha para um país dividido entre as Farc e outros traficantes.
Existe ainda Fidel e Raúl Castro, com a valorosa versão caribenha da Albânia. Os índices educacionais e de mortalidade de Cuba são excelentes, mas duvido que alguém lá confesse ser milionário. O uruguaio Tabaré Vasquéz, que esteve com os irmãos castristas há poucos dias, preocupa-se com o fato de sete em cada dez alunos do ensino fundamental terem ingerido alguma bebida alcóolica e com o ingresso do México, de Felipe Calderón, no Mercosul. Calderón, pelo jeito, entrou no clima dos sulistas _ anda defendendo mais intervenção do Estado na economia.
Alan Garcia, do Peru, gasta tutano com os compatriotas que estão na Europa e saliva para provar que os tais índios isolados eram armação. Em Honduras, Manuel Zelaya ainda retira corpos do último furacão.
Sobra a presidente do Chile, Michelle Bachelet, que enfrenta milhares de pessoas que protestam contra as mudanças na área educacional.
E tem o Lula.
Sobre o presidente brasileiro, todavia, estou cansada de falar. Recorro à Agência Brasil:
"Um relatório sobre governabilidade, divulgado hoje (24) pelo Banco Mundial (Bird), mostra que diversos países em desenvolvimento conseguiram ganhos importantes no controle da corrupção. Alguns, inclusive, conseguiram alcançar níveis de países desenvolvidos na performance geral dos indicadores de governabilidade.... O estudo mostra que alguns países em desenvolvimento, como Chile, Uruguai, República Tcheca e Hungria, alcançaram índices melhores do que países industrializados, como Grécia e Itália.
... O Brasil não apresentou mudanças significativas nos indicadores, registrando pequena piora em quatro aspectos, em relação a 2006: grau de participação dos cidadãos, regime de direito, estabilidade política e controle da corrupção. Nestas duas últimas categorias, o país registrou os seus piores resultados."
Shakespeare tinha razão. Há mais coisas entre o céu e a terra do que eu e você podemos supor.
Comprou um nariz de palhaço? Não? Vá buscar o seu. A menos, claro, que você seja integrante da República de São Bernardo.
Manchete da Folha de S.Paulo:
"A Presidência reconheceu que o advogado Roberto Teixeira esteve pelo menos seis vezes no Palácio do Planalto com Luiz Inácio Lula da Silva, seu compadre, desde 2006, em encontros não registrados na agenda pública do presidente.Teixeira é acusado de usar sua influência junto ao governo para aprovar a venda da VarigLog para o fundo americano Matlin Patterson e três sócios brasileiros, que o contrataram.
Ao menos dois desses encontros estão relacionados diretamente com o negócio, aprovado pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) em junho de 2006. No mês seguinte, a VarigLog adquiriu a Varig. A assessoria de Teixeira diz que as demais visitas foram apenas de cortesia ao amigo Lula.
... O Planalto argumenta que nem todos os compromissos do presidente são divulgados."
Também na Folha:
"Em entrevista à Folha na semana passada, Teixeira havia dito que os contatos com Lula foram poucos: 'Nos últimos cinco anos e meio, os momentos que tive com o presidente foram raros. Os meus raríssimos encontros com ele são mais pessoais'."
Certamente que não. Só ficamos sabendo os resultados dos encontros quando os negócios são fechados. A cortesia oferecida ao presidente, aliás, também é desconhecida do grande público. Nem adianta perguntar para o "Papai" qual seria, uma vez que ele parece, hum, digamos, pouco amigo da verdade.
Uma das cortesias, aliás, a Folha pode ter revelado:
"O psicólogo e empresário Marcos Claudio Lula da Silva e o publicitário Sandro Luis Lula da Silva, filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, abriram uma empresa de tecnologia da informação cuja sede é um imóvel que pertence à empreiteira Mito Empreendimentos, fundada pelo advogado Roberto Teixeira e hoje registrada em nome da mulher e da filha do advogado, a advogada Valeska Teixeira Zanin Martins.O advogado e o Palácio do Planalto, procurados, não comentaram o assunto."
Enquanto Roberto Teixeira ganha seus US$ 5 milhões (como admitiu depois de dizer que tinha recebido só R$ 350 mil), a Folha informa:
"Apesar dos altos gastos da VarigLog no pagamento de honorários de advogados e despesas processuais, a empresa enfrenta dificuldades financeiras e acumula cerca de R$ 204 milhões em dívidas.... Segundo o relatório, o principal passivo da companhia é com fornecedores brasileiros, de R$ 73 milhões. As dívidas tributárias vêm em segundo lugar, com um total de R$ 65,8 milhões entre débitos de FGTS, Pis/Cofins, INSS e ICMS."
Você sabe quem cobre o buraco nas contas da previdência, não é? E isso é só a VarigLog. Olhe a Varig:
"O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu que irá julgar o imbróglio sobre as dívidas trabalhistas da velha Varig, a parcela da empresa que permanece em recuperação judicial, com dívidas de mais de R$ 7 bilhões."
Uma beleza. De quem será o prejuízo? Certamente de ninguém que tenha Roberto Teixeira, o ás, como advogado.
Fiquei rouca de falar sobre o absurdo do caso BrOi, a Telezona, criada mesmo sem a lei permitir, em vários posts. Também escrevi um bocado sobre a Varig e o Aerus, como você pode ver aqui, por exemplo.
Qual será a próxima negociata fechada a partir do jeitinho? Varig e BrOi, infelizmente, ninguém mais lê. Hoje haverá uma grita, que passa em cerca de horas. O governo aposta na espiral do silêncio. Tem tudo para ganhar.
E o nariz, está com você? Então, vamos lá. "Hoje tem marmelada? Tem, sim, senhor!"
CPI da BM&F. Resolvia a bagunça da Alstom, do mensalão, do financiamento ilegal de campanhas. Isso porque cairiam na rede todas as corretoras usadas para encobrir o dinheiro sujo manipulado por esses políticos trambiqueiros.
O economista Alexandre Schwartsman comenta em seu blog, "A Mão Visível", sobre a possibilidade de adendos aos contratos das dívidas dos Estados e Municípios. Alguns trechos:
"Quando um estado deve à União, em caso de não pagamento esta última pode, pelo contrato de refinanciamento da dívida, interromper as transferências constitucionais de impostos para o estado (ou município) inadimplente, até recuperar o valor do pagamento. Isto impede na prática o calote do devedor.Caso o credor seja outro, sem o mesmo acesso às garantias na forma das receitas de transferências constitucionais, o que impediria um novo candidato a Itamar Franco de interromper o pagamento da dívida? Aliás, diga-se, muito provavelmente acusando a administração anterior e o banco credor, mesmo se este último for uma instituição multilateral, mais uma vez jogando a conta no governo federal."
Vale ler a íntegra. Clique aqui.
Denise Abreu, que, dizem, seria ligada a José Dirceu, esculhambou o primeiro-compadre e a ministra Dilma Rousseff. O escândalo nasceu em reportagem do Estadão e migrou para a Veja. Três dias depois, bomba na revista Época, desta vez contra Dirceu.
Reportagem do excelente Andrei Meirelles:
"A prova mais contundente da operação policial que levou de volta à cadeia o prefeito de Juiz de Fora (MG), Carlos Alberto Bejani (PTB), saiu da gaveta do próprio prefeito. Na primeira fase da Operação Pasárgada, em abril passado, além de deter Bejani, a Polícia Federal apreendeu documentos, computadores, armas de uso exclusivo das Forças Armadas e R$ 1,1 milhão em dinheiro vivo que o prefeito guardava em casa.... os agentes encontraram um pacote com oito DVDs.... ÉPOCA teve acesso, com exclusividade, às gravações. As imagens mostram o prefeito recebendo maços de dinheiro e contando a propina. “Você não tem uma mala aí não?”, pergunta o prefeito, ao receber o dinheiro. Num dos vídeos, gravado em maio de 2006, Bejani fala de uma suposta reunião com o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu para tratar da liberação de R$ 70 milhões para a prefeitura. Sem saber que estava sendo gravado, ele dispara: “Sabe quanto isso dá de comissão? R$ 7 milhões”. O contrato, com a Caixa Econômica Federal e o Ministério das Cidades, foi assinado 50 dias depois.
... Bejani foi preso pela PF no início da manhã desta quinta-feira (12), com mais 13 pessoas, entre elas o empresário Francisco José Carapinha, o Bolão, que aparece nos vídeos negociando a propina.
... O ex-ministro José Dirceu – por intermédio do advogado José Luiz Oliveira – negou ter negócios com o prefeito de Alberto Bejani."
Acho que há um trecho da Época a ser melhor explicado.
"É Bolão quem mais aparece, com Bejani, nas gravações. Também foi ele, de acordo com as informações colhidas pela polícia ao longo da investigação, quem escondeu a câmera no escritório. Apesar da boa amizade, queria ter o prefeito na mão. O próprio Bejani, ao saber da existência das gravações, tratou de pegar os DVDs (não se sabe justamente como), e os guardou na prefeitura. Não contava com a ação da polícia."
Tudo bem que Bolão tenha gravado, mas o prefeito manter as gravações é estranho, não é?
Vamos ver no que dá todo essa balaio de gatos.
A CPMF zumbi, chamada CSS, foi aprovada nesta noite pelo plenário da Câmara dos Deputados com apenas dois votos de folga. Isso significa que o governo teve de negociar pesado. É fácil identificar pelo menos um toma-lá-dá-cá: a família Alcântara, do Ceará.
O ex-governador do Ceará e tucaníssimo Lúcio Alcântara (alguém acredita no PR?) ganhou há alguns dias a vice-presidência do Banco do Brasil. Hoje, seu filho, o deputado Leo Alcântara, votou a favor da CSS. Quantos votos mais ele conseguiu para o governo na bancada de seu partido, o nanico PR? Espero alguém de Brasília me contar.
Leo Alcântara acha que o país necessita de mais impostos para manter as contas públicas em dia. Adoraria perguntar a ele se julga que a necessidade seria mantida caso todo mundo que tem dívidas com o governo pagasse ou, no mínimo, renegociasse o saldo devedor a partir de quitação à vista de parte do total. O deputado, por exemplo, deve R$ 8 milhões para o BB (ele não acha a cobrança justa, recorreu ao judiciário para não pagar). Não vê nenhum problema no fato de o pai ter se tornado vice-presidente do banco. O Planalto também não.
Para saber quem votou por mais um imposto, clique aqui (por partido) ou aqui (por Estado).
A internet é mesmo um mundo à parte. Ao ler as agências de notícias fiquei com a impressão de que o depoimento de Denise Abreu, que acontece no Senado, estava sendo um fiasco. Fui conferir. É exatamente o CONTRÁRIO: a ex-diretora da Anac faz um estrago considerável com suas declarações sobre a VarigLog. Pior: acaba de colocar o Aerus, o fundo de pensão da Varig, na jogada.
Aí, amigo, o caldo entorna.
Segundo Denise, o modelo de venda da Varig elaborado pela equipe técnica GARANTIA o pagamento de todos os trabalhadores e dos aposentados, bem como criava um fundo de reserva.
Abro aqui um parêntesis. Sou pró-capitalismo e acho que o governo não tem de "preservar" empregos em companhias mal administradas. O caso, porém, é completamente diferente. Os trabalhadores da Varig não receberam as rescisões trabalhistas. Pior ainda foi o Aerus. O fundo de pensão foi fraudado ao longo de anos COM A AJUDA do Estado, que era responsável por ele. Imagine o que é isso: pagar uma aposentadoria privada a vida toda e, quando precisa dela, o dinheiro simplesmente... SUMIU! É inaceitável. INACEITÁVEL!. Fecho o parêntesis.
"Ora era dito para que cumpríssemos o que o juiz mandava. De repente, mudava tudo", afirmou a ex-presidente da Anac. E agora, como fica? A única esperança é o Supremo Tribunal Federal. Se os ministros amarelarem e seguirem os passos do compadre do presidente da República, o sr. Roberto Teixeira, estará institucionalizando que o roubo é permitido no Brasil. Basta que seja feito pelos amigos do rei.
Achei o vídeo abaixo no YouTube. ASSISTA. Ele explica direitinho o caso Varig-Aerus. Explicações adicionais podem ser encontradas aqui.
Muitas histórias contam sobre Judah Loew ben Bezalel, famoso rabino que viveu em Praga, inclusive a de que ele teria, valendo-se dos mesmos ritos usados pelo Senhor, sido capaz de moldar um ser vivo a partir do barro.
A perfeição é alheia aos humanos, coisa que parece ter afetado a conjuração. A criatura do rabi saiu disforme, dona de inteligência rala e incapaz de controlar as próprias pulsões. Por isso, o sábio chamou seu filho mágico, cuja missão era proteger os judeus do gueto, de Golem (pronuncia-se "goilem"), “substância ainda inacabada”.
Dizem que o sopro de vida foi a escrita da palavra Emet, cujo significado é “verdade”, na testa do embrião de lodo.
O Golem cresceu muito, além do que o rabino esperava, arrancando o teto da casa de Judah Loew. Assim, despertou o medo dos gentios, que recrudesceram a violência contra os judeus.
Sem alternativa, o rabi foi obrigado a tirar a vida que havia concedido _ apagou a primeira letra de Emet (à moda hebraica, da direita para a esquerda), formando a palavra, Meit, “morto“. O Golem foi desfeito.
Recordei da historinha acima ao ler as notícias sobre a confusão provocada pelas declarações da ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil, Denise Abreu, que sustenta ter sofrido pressão da ministra Dilma Rousseff para aprovar a venda da Varig para clientes do compadre do presidente Lula, o advogado Roberto Teixeira.
Pergunto: o que fará Lula com o ataque a seus Golens? Aliás, uma questão anterior que precisa ser esclarecida; no caso de Roberto Teixeira, quem é o criador e quem é a criatura? Até onde vai a simbiose?
Leio no Blog do Josias que na avaliação do presidente, Dilma (e, creio que por extensão, Teixeira) é vítima de fogo amigo. Bobagem. O fogo pode até ser do PT, mas é inimigo mesmo. Ou alguém acha que, depois de seis anos de governo, ainda há muitos petistas imolados dispostos a cortar novamente a garganta pelos queridinhos de Lula?
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Políticos do meu Brasil, esfreguem as mãozinhas e gargalhem à vontade. Vem aí o Bolsa-Empreiteira.
Da Folha de S.Paulo:
"O ministro Edison Lobão (Minas e Energia) disse à Folha que o governo "vai construir mais quatro usinas nucleares no Nordeste e no Sul do país", além de retomar as obras de Angra 3 ainda neste ano.Segundo Lobão, já há uma predefinição do governo pela construção das novas usinas nucleares e muito provavelmente "serão duas no Nordeste e duas no Sul". "Estamos na fase final do processo de estudos para definir detalhes, como a localização das novas usinas", revelou o ministro, que defende a energia nuclear como fonte segura para o país."
O pessoal da Andrade Gutierrez, que já andava feliz com o governo por ter conseguido comprar a Brasil Telecom com dinheiro do BNDES, mesmo sem a lei permitir a aquisição, deve estar impossível. Mais uma vez Lobão:
"Quanto à retomada das obras de Angra 3, o ministro avalia que dentro de 'dois a três meses' o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) concederá a licença para o reinício da construção.Angra 3 deve entrar em operação em 2013, com investimentos de R$ 7,2 bilhões e potência para gerar 1.350 megawatts. As obras, paralisadas há mais de 20 anos, serão tocadas pela construtora Andrade Gutierrez, vencedora da licitação ainda no governo militar."
O contrato-matusalém é o maior escândalo na história das licitações brasileiras e ninguém fala nada. No lugar de fazer um novo edital, o governo decidiu renegociar o documento antigo. Teria pesado o fato de o dono da empresa ser amigo do presidente da República e um dos maiores financiadores de campanha do país?
Imagine a correção monetária em cima de todos os governos e planos econômicos que sucederam os militares. Pense também nos detalhes legais que foram alterados desde que o tal contrato foi firmado. Fácil pescar que não houve discussão pública suficiente sobre o assunto, mas tudo bem.
Janaína, você é contra a energia nuclear? Não. Nem contra, nem a favor. A exemplo da história das cotas universitárias, esse é um assunto sobre o qual tenho dificuldade de formar opinião. Sempre acho que faltam informações para decidir de forma justa.
O que estou dizendo aqui é apenas o óbvio: esse contrato é dinheiro que não acaba mais _ R$ 7,2 bilhões. Dois terços de tal valor será empregado na importação de mão-de-obra, máquinário e serviços.
As outras empreiteiras jamais deixarão a Andrade abocanhar tudo sozinha. Devem estar com tudo arranjadíssimo, pois os russos não bobeiam.
É aí que está o perigo.
Boa parte das maracutaias de financiamento de campanha feitas no Brasil passa pelas obras públicas. A ganhadora da concorrência contrata subempreiteiras, que superfaturam serviços usando uma rede de emissores de notas falsas. Ao mesmo tempo, "perdem" dinheiro no mercado financeiro por meio da corretora "x", enquanto outras empresas de fachada ganham na corretora "y". Os recursos são enviados para paraísos fiscais e de lá espalham-se em contas no exterior. É o esquema da Alstom e de parte do mensalão, por exemplo.
Uma lástima. Mas eu não sou político e sequer trabalho como repórter. Minha perspectiva tem pouca importância. Cobre o seu jornal ou a sua revista para que faça uma matéria decente sobre o assunto.
Sabe as qualidades dos políticos brasileiros que mais aprecio? A coerência e o altruísmo, além da capacidade de enxergar no longo prazo. Confira você mesmo.
Da Agência Estado:
"O ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, informou hoje, em Roma, que o governo estuda um novo reajuste para o programa Bolsa Família. Segundo ele, o índice de correção que está sendo estudado é de 6%, o equivalente ao aumento dos preços dos alimentos, medido pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)."
Agora leia a Veja Online:
"O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) registrou alta em seis de sete capitais pesquisadas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), no indicador de até 31 de maio."
E novamente a Agência Estado:
"O Banco Central (BC) vai recorrer novamente ao aumento da taxa básica de juros (Selic) para reduzir o crescimento do consumo das famílias ao nível de 6% e controlar a inflação. Impulsionado pela aceleração da atividade econômica, o consumo das famílias brasileiras fechou o último trimestre do ano passado com expansão de 8,6%. As indicações são de que a população continua indo às compras em ritmo ainda incompatível com o da atividade econômica, cujo crescimento foi de 5,4% no ano passado."
Acrescente agora as informações que a Folha Online trouxe do Blog do Josias:
"... o governo estima que, além do ajuste de abril e da elevação desta semana, o BC poderá ser compelido a promover mais três ou quatro altas. Isso pode fazer com que a taxa Selic encerre 2008 em níveis entre 14,25% e 14,75%."
E a melhor parte, também do Blog do Josias, reproduzida pela Folha Online:
"Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que fará o que for preciso para evitar a volta da inflação. 'Tenham certeza que farei qualquer sacrifício, seja remédio amargo (...)'. Para Lula, caso a inflação volte, 'vai quebrar é o bolso do povo pobre, trabalhador'."
Qualquer sacrifício menos o de votos, pelo jeito. Exatamente com Fernando Henrique Cardoso fez em 1998 por meio do populismo cambial.
Coerentes, altruístas, com visão de longo prazo. Que bonito. Eu, representante da patuléia, fico encantada.
Se alguém tinha dúvidas de que as brigas em torno da BrOi seriam mesmo encaçapadas, deve olhar a ata das assembléias da Brasil Telecom Participações e da Brasil Telecom S/A, ocorridas ontem. Por unanimidade, os representantes de ambas as empresas encerraram os processos contra o Opportunity.
Papai Planalto mandou, os filhinhos de pensão obedeceram. Contra a força não há resistência, não é, prezados? Eu avisei, acharam que era melhor investir contra o mensageiro. Pois é. Foram traídos. Resta negociar as compensações.
No mais, agora é só o Executivo cumprir o que prometeu aos novos donos da tele, Carlos Jereissati e Sérgio Andrade, e mudar logo a lei. Rápido, hein, por que eles já estão cobrando. Basta ler os recados nos jornais dos últimos dias.
Corre, governo, corre! Olha o relho! Com esse pessoal, meus caros, vocês não tiram farinha...
PS: Até agora, acertei cerca de 85% do que escrevi em janeiro sobre as teles. Deve ser por isso, por todo esse fracasso, que saíram por aí me criticando. Humpf.
Daqui a um tempinho chega a avalanche de críticas, mas realmente escapa da minha compreensão o motivo pelo qual o déficit da balança comercial foi manchete dos principais jornais do país. Dirão que US$ 14 bilhões são recorde histórico e que houve uma virada brusca no saldo e que não entendo nada do assunto e blábláblá. Tudo bem. Ainda acho que é tempestade em copo d’água.
Não dá para comparar as conseqüências de fechar a balança no vermelho na situação atual com a da década de 90, quando o câmbio era administrado, e havia enorme déficit fiscal. Atualmente, o Brasil vive situação oposta: o dólar flutua livremente e há superávit primário. Naquele tempo valia o escarcéu. Hoje não, especialmente quando os números vêm acompanhados das explicações dos especialistas.
Diante da conjunção atual, citada acima, a receita infalível é cada um cuidar da respectiva praia: BC olha para a inflação, Fazenda pensa em meios de atrair investimentos que garantam a entrada de recursos (como desburocratização e desoneração tributária), o Planejamento matuta como diminuir gastos e, ao mesmo tempo, gerir melhor os recursos orçamentários. Todos juntos pensam no aperfeiçoamento dos marcos regulatórios. O Planalto negocia esses novos parâmetros com o Congresso, que não atrasa as discussões, nem as votações. O Judiciário, por sua vez, garante que tudo seja implementado e respeitado.
Na Bruzundanga, porém, a moda é sempre a confusão. A Fazenda quer interferir no câmbio inventando um “fundo soberano” ou algo que o valha. Na prática, isso funciona como alguém que deve muito (o Estado) pegar parte do dinheiro que serviria para pagar a dívida e aplicá-lo numa caderneta de juros bem baixinhos, abaixo dos juros cobrados pelo atraso. Como os credores são você e eu, eles não ligam.
O Planejamento costura meios de criar uma nova CPMF. O Planalto está dividido entre um presidente palanqueiro, uma ministra que quer ser presidente e gente que especula sobre a candidatura do presidente do BC. O Congresso fica enredado em CPIs inúteis e escândalos de corrupção. E o Judiciário se ocupa na discussão de habeas corpus para quem quer mentir.
Como você percebe, uma beleza. Todo mundo dorme com o barulho; fica difícil saber o que é preocupação justificada e o que é drama.
Sobre a imprensa, é fato que o país está crescendo. Não adianta querer entrar no túnel do tempo e alinhar-se aos que querem impedir a entrada de produtos estrangeiros na marra. As importações crescerão mesmo, é assim em todo o lugar cuja economia está em expansão. As manchetes deveriam estar por conta da criação de um ambiente econômico que atraia investimentos polpudos para equilibrar a balança _ corte de gastos governamentais e aperfeiçoamento na gestão dos recursos públicos, só para começar.
Lauro Jardim informa:
"A Vale acaba de doar 1,4 milhão de dólares à Cruz Vermelha para as vítimas do terremoto na China. Já são 55 000 os mortos. No ano passado, a empresa já fizera o mesmo, logo após o Peru ter sido atingido por um terremoto. É o preço de ser uma empresa globalizada."
Pois é. Os super ricos e vermelhos da China recebem dinheiro da Vale no caso de tragédias da natureza. Isso está em contrato? Em sinal positivo, o Partido não brinca em serviço.
Por aqui, a Vale também deve pagar caro. É que a gente não fica sabendo, só os políticos. O desastre no Brasil é tão natural que acabou incorporado ao cotidiano.
Sou contra. Não tem cabimento um negócio onde as duas pontas são estatais e sequer houve tomada de preços no mercado. Isso aí vai acabar (vai?) em safadeza.
Na minha modesta opinião, querem criar mais um braço para o Banco do Brasil onde serão pendurados os apanigüados, um imenso cabide de empregos. Muitas vaguinhas para suprir a necessidade de quem perderá o cargo com a virada de mandato. (O mesmo, creio, acontecerá com os gestores/consultores/atravessadores do tal fundo soberano que o Guido Mantega defende.)
O Estado brasileiro é inchado, corrupto e ineficiente. Tunga o contribuinte sem piedade para cobrir os buracos herdados das antigas administrações e os criados pela atual. Surpreendentemente, quando a gente fala de mandar em banco, tudo muda. Dedos estalados, o setor público vira guru. São os professores mundiais de lucratividade. Você não acha estranho? Eu acho.
As iniciativas do atual governo na área de crédito são excelentes para garantir a popularidade do presidente junto aos menos favorecidos, mas estão a anos-luz de garantir uma estrutura firme para a concessão de crédito no médio e no longo prazo _ está aí o Banco Popular como exemplo. O spread bancário continua a beirar o histrionismo. O BNDES, aparentemente, virou terra de ninguém. O que é que esse povo tem na cabeça?
Se eu fosse uma pessoa descuidada, diria o que estou pensando abertamente: que eles vão é fazer um bruta caixa dois para a campanha de 2010. Bem capaz, ressalte-se, que o butim seja dividido com os tucanos, esses neoliberais privatistas que, num átimo de iluminação, perceberam: é banco estadual que não pode. Federal, porém, dá para pensar. Sociedade mista, então, 100% maravilha. Sei, sei.
Governo não tem de emprestar dinheiro, nem se meter em ganhos financeiros. Tem de cuidar da Educação e da Saúde, garantindo que as pessoas tenham formação física e intelectual para disputar vagas em qualquer mercado de trabalho. Simples assim: o BB engolir a Nossa Caixa? Sou contra.
PS: Eu nem havia pensado naquilo que o Gravataí, do Imprensa Marrom, percebeu de pronto, o aumento do poder da Previ. Vale dar um pulo lá e conferir a íntegra.
Prometi que voltaria com o caso Alstom, eis que estou aqui. Em linhas gerais, você sabe: procuradores da Suíça investigam se a francesa Alstom, um gigante mundial na área de infra-estrutura, pagou propinas entre 1997 e 2003 a políticos brasileiros para ganhar licitações gigantescas.
A cobertura dos jornais têm sido muito bem feita em relação aos contratos da Alstom com o metrô paulistano e com a CTEEP. Hoje, por exemplo, Mario Cesar Carvalho e José Ernesto Credendio revelam na Folha de S.Paulo que o Tribunal de Contas do Estado de S.Paulo julgou irregular a compra de 12 trens feita pela CPTM, companhia que cuida do metrô local, no fim de 2005. Por aqueles dias, o tucano Geraldo Alckmin era o governador.
O negócio, fechado sem licitação, correspondeu a R$ 223 milhões. Baseou-se em um contrato de 1995. Pior: o documento havia expirado em 2000. Vale a leitura.
Também é interessante a nota escrita por Monica Bergamo, da mesma Folha. Ela informa que o procurador suíço que investiga a Alstom já havia colaborado com o promotor Sílvio Marques, que cuida do caso no Brasil. Da outra vez, o alvo eram as contas do ex-prefeito Paulo Maluf.
Da outra vez, eu disse? Talvez não. Se o Ministério Público tiver liberdade para a investigação que pretende, é possível que esquemas antigos voltem à tona. Digo isso pois a história de usar notas frias para encobrir repasses ilegais aos políticos é antiga, respingou em Maluf há 11 anos, com o escândalo da Lavanderia Monte Cristo. Revista IstoÉ de 29/10/1997.
“... Ali funciona a sede do grupo Monte Cristo, amontoado de mais de 30 empresas, quase todas de fachada, comandadas pelo empresário Samir Assad. Duas delas, a Montreal Assessoria e Consultoria e a Somartec C M & Futuros Ltda., tiveram operações com títulos públicos da Prefeitura de São Paulo registradas pela CPI do Senado e há seis meses passaram a ser investigadas. O que a PF não sabia era o tamanho da conexão que seria descoberta. No bunker da Monte Cristo os policiais encontraram farta documentação (incluindo mais de dez mil notas fiscais frias) e funcionários dispostos a contar tudo o que sabem sobre um esquema de falsificações e lavagem de dinheiro. Este esquema aponta para empreiteiras e seus costumeiros parceiros, os políticos. Apenas em 125 das notas já analisadas, o valor da falcatrua atinge R$ 17,8 milhões. A PF acredita que o escândalo pode superar os R$ 500 milhões.Segundo os depoimentos... as notas eram completamente falsas. Não correspondiam a nenhum serviço prestado pelas empresas do grupo, não eram registradas na Secretaria da Fazenda e, embora tenham sido impressas na Izar Artes Gráficas Ltda., estampavam o nome de gráficas fantasmas no rodapé.”
Se eu fosse cobrir essa bagunça toda, daria uma olhadinha em quem eram as parceiras da Alstom à época e veria se elas podem ter repassado dinheiro por aí em nome da francesa. Ficaria de olho especialmente na corretagem e nas operações financeiras. É aí que as investigações costumam se perder _ nos meandros do mercado.
A OAS, por exemplo, no fim de 1997 mandou para Jersey (onde ficavam as supostas contas de Paulo Maluf) R$ 6,8 milhões.
Volto para a Folha de hoje:
"Segundo o jornal norte-americano 'The Wall Street Journal', uma dessas propinas, de US$ 6,8 milhões, teria sido paga para que a Alstom conseguisse um contrato de US$ 45 milhões do Metrô de São Paulo."
Pode ser apenas coincidência de valores, e provavelmente o é, mas eu começaria a investigar por aí.
Para continuar lendo, clique aqui.
Continue lendo "ALSTOM: Pano para todas as mangas" »
Leitor, você viu O Estadão? Tem uma reportagem muito interessante lá.
"As investigações envolvendo a empresa de engenharia francesa Alstom, suspeita de pagar propina para vencer licitações no Brasil, como a de obras de expansão do Metrô de São Paulo, está se configurando em um novo fronte de batalha entre os dois grandes partidos políticos do País. Segundo artigo do Wall Street Journal, o PT e o PSDB vêm trocando acusações de corrupção nos meses que antecedem as eleições municipais, e o caso Alstom acabou se tornando o centro das campanhas.""A maioria dos contratos com a Alstom - 77 de 139 - foram assinados na administração do ex-governador Geraldo Alckmin, do PSDB. No total, estima-se que a empresa francesa tenha recebido US$ 4,6 bilhões do governo do Estado. O jornal também comenta que parlamentares ligados ao PSDB, que detém a maioria na Assembléia Legislativa, rejeitaram um pedido de abertura de inquérito para investigar o caso."
Outro texto:
"A investigação começou por acaso. A Comissão Federal de Bancos da Suíça, que regula o setor financeiro, pediu que a KPMG preparasse um relatório sobre a situação do Banco Tempus, de Genebra. "Para nós, o caso já está fechado, porque o banco que estávamos avaliando não existe mais desde 2004", afirmou Alain Bichsel, da comissão de bancos. "O objetivo da investigação não era a Alstom", disse a autoridade regulatória da Suíça ao Estado. Segundo ele, porém, parte do relatório mostrou a relação do banco com a empresa francesa. Essa, portanto, teria sido a pista que levou as autoridades suíças a investigar o suposto esquema de propinas da Alstom."Mais um
"A gigante francesa de engenharia Alstom informou nesta sexta-feira, 16, que entrou como parte civil no inquérito que apura as denúncias de que a empresa pagaria propinas para conseguir contratos na América do Sul e na Ásia. O grupo está sendo investigada na França e na Suíça. "A Alstom se juntou à investigação como parte civil dentro de um procedimento legal em andamento na Suíça e na França ao qual o nome da companhia foi associado, com relação ao possível uso indevido de ativos da empresa em detrimento da Alstom", disse a empresa, em um breve comunicado divulgado. Segundo o jornal francês Le Figaro, com isso, a Alstom terá acesso a todo o inquérito."Você sabe que o PT quer uma CPI sobre o assunto, não é? Acho que vou começar a olhar o que tem nesse caso. Parece interessante.
Postado por Janaína Leite às 04:27 PM | Comentar (2) |
Veio criptografada?
Leitor do Paraná pergunta se considero possível que as notas sobre Celso Daniel sejam apenas recados ou, ainda, algum tipo de chantagem contra quem quer enterrar o caso de Santo André. Minha resposta _ óbvia, admito _ é que o passado indica: tudo é plausível quando o imbróglio em questão é esse.
O que tem saído por aí fala que 1) Norma Cunha, ex-mulher do juiz Rocha Mattos, seria sócia oculta da Havaí Turismo, 2) Celso Daniel teria contas no exterior que teriam sido movimentadas depois de sua morte, 3) empresários mineiros estariam metidos com os mesmos doleiros de Celso Daniel (no caso, a Havaí Turismo).
Pense comigo. De acordo com o que indica meu leitor, devo supor que para a chantagem ser bem-sucedida o doleiro em questão, na verdade, NÃO é a dona da Havaí, mas outro, certo? Vazar algo falando da sra. Kodama, segundo tal raciocínio, seria apenas um jeito de mandar um recado aos donos do dinheiro.
Muito bem, vamos lá. Nas notas anteriores, lembrei que o Ministério Público Federal denunciou dois empresários mineiros, donos da GD International, por remessas ilegais e lavagem de dinheiro. A empresa seria uma das abastecedoras da conta de Duda Mendonça, o marqueteiro do PT, no exterior.
Ora, além da GD, quem mandou dinheiro para Duda? Radial Enterprise e Deal Financial Corporation. E a quem elas pertencem? Ai a porca torce o rabo, leitor. (Olhe o diagrama feito pelo Senado.)
Segundo o Correio Braziliense de 17 de agosto de 2005, o dono da Radial e da Deal é o doleiro Sandor Paes de Figueiredo, também proprietário da Santur Câmbio e Turismo Ltda.
“Apuração da força-tarefa do Caso Banestado — missão integrada pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal para investigar remessas ilegais de dinheiro ao exterior — atribui a Sandor Figueiredo uma série de operações por meio de empresas instaladas em paraísos fiscais. Duas delas estão na rota dos valores que Duda Mendonça recebeu no exterior como pagamento pela prestação de serviços de publicidade ao PT durante a campanha eleitoral de 2002. São elas: a Deal Financial Corporation e a Radial Enterprise.A Deal e Radial aparecem no organograma do Departamento de Recuperação de Ativos (DRCI) do Ministério da Justiça que demonstra como o dinheiro de Duda chegou ao BankBoston em Miami (EUA), onde a empresa de dele, a Dusseldorf Company, mantém conta bancária.
... Fonte do Ministério Público envolvida nas investigações revelou ao Correio Braziliense que Sandor Figueiredo realizou, por meio das empresas instaladas em paraísos fiscais, uma série de operações no MTB Bank, de Nova York — outra coincidência com transações atribuídas a Duda Mendonça. Conforme a base de dados do MTB, o publicitário e sua sócia Zilmar da Silveira teriam movimentado cerca de US$ 2 milhões entre 1998 e 2000, sempre utilizando como intermediária a Ágata, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas. Essas contas teriam recebido recursos de campanhas eleitorais, investiga a PF.”
Norma Cunha e Rocha Mattos conhecem Sandor? Em 2004, o Estadão dizia que sim:
“O relatório liga Rocha Mattos ao suposto doleiro Sandor Paes Figueiredo, dono da Suntur Turismo e Câmbio Ltda - onde a PF encontrou cópia de sentença do juiz, "absolvendo acusado de crime previsto no artigo 22 da Lei 7.492/96 (Lei do Colarinho Branco)". ‘O juiz é cliente da Suntur, com várias compras de pacotes, inclusive para o exterior.’Para a Anaconda, Rocha Mattos ‘dá sustentação à organização através da intimidação proporcionada pelo cargo que ocupa e/ou colaborando através da prolação de decisões de interesse do grupo criminoso‘.
A Folha de S.Paulo, em dezembro de 2003, muito antes de estourar o mensalão, também acreditava na proximidade:
“O dono da empresa de câmbio Suntur, Sandor Paes de Figueiredo, foi arrolado por Norma [Cunha] como sua testemunha numa ação de ‘reconhecimento de sociedade conjugal de fato e de direito‘, aberto por ela em 3 de setembro de 2002 na Vara de Sucessão e Famílias do Foro Central da Justiça Cível de São Paulo. A ação era necessária porque Norma pretendia formalizar o seu divórcio com o juiz.Ela requeria que a Justiça declarasse a existência de "mais ampla relação de direito" com seu ex-marido, Rocha Mattos. Nesse gênero de processo, somente pessoas muito próximas do casal são intimadas a depor.”
Até aí tudo bem, mas encontrei versões diferentes. Um mês depois da matéria do Correio Braziliense sair, em agosto de 2005, dizendo que Sandor era o dono das contas que mandaram dinheiro para Duda, a Folha de S.Paulo, em 3 de setembro de 2005, veio com outra história:
“A duas quadras da sede do Rural, outra equipe fazia buscas na empresa Radial Participações. Essa empresa teria relação com a Deal Financial Corporation. Um dos sócios da Radial Participações é o empresário João Bosco Assunção Esteves, irmão de Camilo de Lélis Assunção, um dos quatro doleiros presos em Minas no ano passado na operação Farol da Colina --que prendeu 60 doleiros em vários Estados.”A revista Época, em fevereiro de 2008, embarcou na mesma. Olhe só:
“A rede de abastecimento da Dusseldorf envolve ainda outro "empresário" mineiro, João Bosco Assunção Esteves, operador da Radial Enterprise e da Deal Financial Corporation. Juntas, elas mandaram mais de US$ 200 mil para Duda nas Bahamas. Em depoimento à PF, Esteves disse não se lembrar das remessas para a Dusseldorf e afirmou que não conhecia nenhuma pessoa ligada a Marcos Valério. "Durante vários anos realizei operações no comércio exterior, principalmente no ramo de importações de produtos de baixo valor", declarou à PF. O esquecimento de Esteves pode ser até verdadeiro, já que por suas contas em paraísos fiscais passaram centenas de depósitos investigados pela PF. São as chamadas contas-ônibus, usadas para dificultar a identificação do beneficiário final do dinheiro expatriado ilegalmente.Esteves é um velho conhecido no mundo das investigações sobre lavagem de dinheiro. Só em uma das mais famosas contas-ônibus operadas pelos doleiros brasileiros, a Beacon Hill, que deu origem a uma operação que prendeu cambistas e seus comparsas nos quatro cantos do país, Esteves movimentou US$ 2,7 milhões por meio de 60 transações."
Entre Rocha Mattos, Norma e Esteves não achei nada. Talvez exista, se você souber de algo avise-me e publicarei. Além disso, Esteves não deixa de ser uma possibilidade, uma vez que é empresário, mineiro e irmão de doleiro. Encaixa-se, portanto, no perfil descrito na nota publicada por Claudio Humberto no último dia 15.
Por fim, uma lembrança: Sandor e Camilo foram presos na Operação Farol da Colina, que levou vários doleiros à cadeia. Não sei se estão soltos agora. E você? Será que algum deles tinha negócios em Santo André?
Façam suas apostas. A minha? Aposto que não mexerei mais nesse assunto por um bom tempo.
Postado por Janaína Leite às 12:00 AM | Comentar (6) |
May 18, 2008
Mundo pequeno, não?
Há alguns dias, uma leitora perguntou qual era a minha opinião sobre o fato de Eliane Cantanhêde, colunista da Folha de S.Paulo, ter chamado o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, de mentiroso.
Para quem não se lembra, a acusação foi publicada no último dia 13:
"Henrique Meirelles era ligado à AP (Ação Popular, da década de 1960) e teve até alguma participação no movimento estudantil de resistência à ditadura, mas nunca foi preso e muito menos torturado. Se conhece pau-de-arara e palmatória, é de ouvir falar.Por isso ele não teve nem tem o direito de mentir, apesar de aparentemente estar mentindo pelos cotovelos quando diz que não quer, não tem condições e não vai concorrer ao governo de Goiás em 2010. Ele me disse isso, olho no olho, em 25 de abril. Ainda bem que não escrevi. Dias depois, veio a notícia de que vai se candidatar -e até já comunicou ao chefe Lula. De duas, uma: ou Meirelles mente, ou Lula mente. Façam suas apostas.
... Não dá para entender por que Meirelles me chamou para desmentir o "indesmentível": que não desistiu de suas pretensões eleitorais, depois de trocar o admirável mundo das finanças globais justamente para enveredar pela política no Brasil. Ele explica a troca do domicílio eleitoral para Anápolis "por questões sentimentais", mas articula com líderes goianos de quase todos os partidos e gostos, à frente o mensaleiro Sandro Mabel."
Já escrevi aqui, talvez ao responder um comentário, que gosto muito da Eliane. Achei a coluna o máximo, pela coragem de enfrentamento demonstrado pela colunista. Ressalto, porém, que Meirelles conversou comigo várias vezes quando morei em Brasília. Nunca mentiu.
Fiquei imaginando um jeito de tirar a prova dos nove. Acho que encontrei. Meirelles, segundo Eliane, teria justificado a decisão de votar em Anápolis "por questões sentimentais", certo? Se eu estivesse lá pelas bandas do planalto central, minha pergunta para o presidente do BC seria se, ao dizer isso, ele se referia ao fato de ter parentes naquela cidade.
Henrique Meirelles é primo de Haroldo Duarte, presidente municipal do PDT, segundo pesquisei na internet. Haroldo é tido como uma importante liderança da esquerda e tem bom trânsito entre os petistas. Um de seus trunfos seria o filho: Glauco Diniz Duarte. Você se lembra dele?
No último dia 15, escrevi uma nota contando que o Ministério Público Federal em Belo Horizonte denunciou dois empresários, Glauco Diniz Duarte, e Alexandre Vianna de Aguilar. Donos da empresa GD International, eles foram acusados de evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Os crimes teriam sido cometidos a partir de uma conta no Florida Bank que "funcionava como autêntica conta-ônibus, uma modalidade de conta que abriga várias outras subcontas, o que permite a dissimulação da natureza, origem, localização, movimentação e propriedade dos valores movimentados".
Mais: a conta da GD mandou dinheiro para a off-shore Dusseldorf Company, empresa de Duda Mendonça. A Dusseldorf, segundo o próprio Duda disse à CPI dos Correios, foi aberta a pedido do PT. O partido pagou lá fora, com dinheiro não declarado, os serviços do publicitário (expert nesse tipo de publicidade desde que prestava serviços a Paulo Maluf), que coordenou uma série de campanhas eleitorais para candidatos petistas _ inclusive a de Luís Inácio Lula da Silva à presidência e a do prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel.
De acordo com o Ministério Público, a conta da GD também está ligada com outros réus por lavagem de dinheiro, como o Banco Rural e outros braços do grupo financeiro.
Aqui no Brasil, Glauco da GD ficou conhecido ao fechar um convênio com a prefeitura de BH em nome do Clube dos Diretores Lojistas de Belo Horizonte, em 2004, chamado "Olho Vivo". Consistia na compra de câmeras de vídeo para combate ao crime _ instaladas no centro da cidade, monitoraria os transeuntes. Os procuradores de Minas Gerais, contudo, acharam que por trás do combate ao crime poderia haver algo. Ao investigarem o "Big Brother Pão de Queijo", descobriram que: 1) as câmeras compradas vinham de contrabando; 2) o material era superfaturado; 3) a empresa que emitia notas fiscais referentes ao negócio era fantasma.
E não acaba por aí. Um pouco acima eu disse que a GD, empresa de Glauco, mandava dinheiro em nome do PT para a Düsseldorf de Duda Mendonça, por meio de uma conta no Florida Bank, não é? Pois bem. Os depósitos coincidiam com os pagamentos da prefeitura de BH ao Clube dos Diretores Lojistas (cujo diretor era Glauco), que vinha recendo notas frias para justificar a saída do dinheiro. Assim, cerca de R$ 12 milhões teriam abastecido o publicitário (e, depois, trazidos ao Brasil pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, acusado pela Procuradoria-Geral da República de esquentar recursos no caso do mensalão).
Em 2004, você sabe, a prefeitura de Belo Horizonte já estava sob o comando do petista Fernando Pimentel. A marca do político sempre foi a capacidade de diálogo. Pimentel foi um dos principais articuladores da aliança que resultou na chapa PT-PL, Lula e o então senador mineiro José Alencar, vencedora das eleições presidenciais de 2002. Desde então, Pimentel trabalha em outra aliança, aquela que oficializará um casamento que, nos bastidores, dá certo desde de 2004: PT e PSDB, Pimentel e Aécio Neves, outro entusiasta de que a política é feita com aliados, não inimigos.
E Glauco e Aécio têm algo a ver? Só se Mauríco Campos Jr., nomeado pelo governador tucano como secretário estadual de Defesa for parente do ex-prefeito de BH Maurício Campos, que é sogro de Glauco. Isso eu não sei. Se alguém aí é de Minas, pode me dizer?
No cargo, Maurício Jr. defende que os presídios sejam administrados pelo setor privado, por meio de parcerias público-privadas. Antes de assumir a função, o criminalista se ocupava em defender os diretores do Banco Rural .
Campos Jr. também advogou para Fernandinho Beira-Mar, acusado de ser a autoridade máxima do Comando Vermelho (CVV), facção criminosa que divide com o Primeiro Comando da Capital (PCC) a condição de liderança nacional em tráfico e venda de drogas, contrabando de armas e prostituição.
E por aqui eu fico, leitor. Afinal, é domingo, gosto muito da minha vida e tenho uma filhinha linda para criar. Quem sabe as grandes redações se interessam? Até mais!
Postado por Janaína Leite às 04:00 PM | Comentar (7) |
May 17, 2008
Respeito
Muito bom o editorial de hoje d'O Estadão sobre as infelizes declarações do presidente da República em relação às regras legais que regem os processos licitação. Adoraria tê-lo escrito.
Alguns trechos:
"Num discurso de improviso feito no lançamento de uma obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o presidente Lula voltou a mostrar que tem dificuldades para conviver com as leis e as instituições, quando elas contrariam seus propósitos. Falando em Salvador, na semana passada, ele investiu contra a Lei Eleitoral, afirmando que ela atrapalha suas viagens pelo País para divulgar o PAC; reclamou do rigor da Lei de Licitações que, segundo ele, dificulta a execução do cronograma de obras do governo; e criticou os órgãos encarregados de zelar pela aplicação desta lei, o Ministério Público Federal e o Tribunal de Contas da União (TCU).O motivo da irritação de Lula está no fato de que o TCU, cumprindo sua função constitucional, fiscalizou 122 obras do PAC e constatou graves irregularidades em 29, determinando o bloqueio dos recursos orçamentários correspondentes. O TCU embasou suas decisões na Lei de Licitações, aprovada em 1993 com o objetivo de regulamentar as compras governamentais e fechar brechas que permitiam manipulação de concorrências. A lei foi aprovada pelo Congresso como resposta às denúncias de corrupção que marcaram o governo Collor.
... 'É preciso mudar para facilitar as coisas. A Lei de Licitações não pode continuar do jeito que é porque, aqui no Brasil, se parte do pressuposto de que todo mundo é ladrão', disse o presidente, esquecendo-se de que, mesmo com os rigores da Lei de Licitações, a Polícia Federal tem feito sucessivas descobertas de grossa corrupção na máquina estatal.
... O presidente Lula goza, por méritos próprios, dos mais altos índices de popularidade que já teve um governante neste país. Mas, como chefe de Estado, ele tem a obrigação de saber como as instituições funcionam e de respeitar a ordem jurídica. Foi essa lição elementar que os ministros do TCU tentaram lhe ensinar."
O ocupante do Planalto tem todo o direito, bem como legitimidade, de propor discussões sérias acerca da burocracia que, tem razão o presidente, trava o sistema. Isso é uma coisa. Usar a exposição resultante do cargo para influenciar a opinião pública a hostilizar quem lhe incomoda é outra. Para o bem do país, nós e ele devemos saber a diferença entre as duas coisas.
Leia a íntegra.
Postado por Janaína Leite às 02:58 PM | Comentar (2) |
Lei da Selva
Ser vidente no Brasil dá pouco trabalho quando o assunto é carga tributária. Basta apostar em alta de impostos _ o Leão, na terrinha, vive faminto.
No dia 13 de março, aqui, eu disse:
"Podem escrever aí: nos próximos meses, o governo vai fazer de tudo para aprovar um novo imposto capaz de substituir a CPMF."Rá. Hoje vejo a manchete da Folha:
"Governo prepara nova CPMF para financiar gasto da SaúdeTributo em estudo tem alíquota menor; imposto sobre fumo também pode subir
Contribuição da Saúde seria de 0,08%; governo pretende mudar lei aprovada no Senado que destina ainda mais dinheiro para o setor"
"Os aumentos serão decididos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na reunião semanal de coordenação do governo.
"No caso da Saúde, o governo encampou uma proposta de deputados governistas. O objetivo é oferecer uma nova fonte de financiamento para a Saúde em troca da alteração do projeto de lei que regulamentou a Emenda Constitucional 29.
"O projeto foi aprovado em abril no Senado e foi para a Câmara. Estipula normas que devem elevar os recursos para a Saúde dos R$ 48,5 bilhões previstos no Orçamento deste ano para R$ 58,4 bilhões. Até 2011, os recursos extras seriam de mais de R$ 20 bilhões anuais.
... Em 2007, a arrecadação da CPMF foi de R$ 37,2 bilhões. Um tributo idêntico com alíquota de 0,08% deve render ao menos R$ 8,7 bilhões (considerado ainda o aumento de arrecadação média do governo federal este ano). Mas tal fonte de dinheiro para a Saúde evitaria que fossem vinculadas ao setor fatias cada vez maiores do Orçamento federal, tal como prevê a regulamentação da Emenda 29. Mesmo sem a receita da CPMF, a arrecadação do governo continua a crescer."
"... A Emenda 29 havia sido aprovada em 2000. Sem que fosse regulamentada, prevalecia a norma provisória que obrigava o governo federal a aplicar em Saúde a verba do ano anterior mais a variação nominal do PIB. O PIB real cresceu 5,4% em 2007; o nominal subiu 9,7%.
A lei orçamentária prevê que a receita total de impostos do governo federal em 2008 deve ser de R$ 687 bilhões. Como em 2008 seriam aplicados 8,5% da receita, a saúde receberia cerca de R$ 58,4 bilhões, contra R$ 48,5 bilhões previstos no Orçamento -R$ 9,7 bilhões a mais."
Deixe-me ver se entendi: o governo escolheu deliberadamente criar novos impostos, a despeito da arrecadação cada vez maior, para não ter de melhorar a administração dos recursos orçamentários _ esperteza, aliás, que os tucanos também usaram no governo passado.
Dirão que é um jeito de os mais ricos financiarem a saúde dos mais pobres. Pode ser. Mas, para mim, é uma transferência que não resolve o problema central _ desenvolver modelos mais eficientes de gestão e controle dos recursos públicos. Na prática, os novos impostos são uma maneira de a classe média, a mais penalizada pela sanha da Receita, financiar a incompetência dos Poderes.
Os congressistas (aí incluo os de oposição e só vou retirá-los, pedindo desculpas pelo mau pensamento, se derrubarem as novas taxas) tendem a embarcar na proposta governista. Triste. Mais uma vez o Leão vai rugir, mais uma vez os anéis serão entregues. Até aqui, aliás, eles nunca pararam nos dedinhos do povo por muito tempo.
Será destino?
PS: A charge acima é do Aroeira, foi publicada n'O Dia em fins de abril.
Postado por Janaína Leite às 01:52 PM | Comentar (1) |
May 12, 2008
OURO NEGRO: Quer saber? Os EUA estão certos
Responda rápido: se você fosse o presidente dos Estados Unidos, comandante de uma nação com arraigados valores protestantes e capitalistas, acharia uma boa depender do petróleo produzido em parte por islâmicos que consideram seu estilo de vida uma ofensa, em parte por repúblicas sul-americanas conduzidas por chefetes militarizados que se intitulam "socialistas"? Eu não.
Você lembrou que alguns dos maiores da Opep estão alinhados aos EUA. Verdade. Mas olhe a geopolítica dos anos 70 e 80. Inimigos de hoje do Tio Sam são os unha-e-carne de ontem. Aquela região obedece a outros parâmetros, outras realidades.
Também não me sentiria confortável para comprar biodiesel produzido em países cuja democracia ainda está em processo de maturação, com instituições vilipendiadas e corrupção para todo o lado. Deixar a maior economia do mundo dependendo de aloprados? "No way, dude."
Se a Janoca, como diz a Manu, estivesse no páreo com a Hillary e o Obama, defenderia o caríssimo subsídio ao combustível extraído do milho. Ele é caro, sim, uma baba. Mas, a questão aí não é dinheiro. É visão de longo prazo. Significa, no mínimo, ganhar tempo e ver para qual lado o vento sopra.
Li na Folha que o presidente Lula acha que "o debate sobre os biocombustíveis esconde interesses econômicos dos países desenvolvidos". Até parece! Se fosse só por motivos econômicos, a Europa não iria subsidiar os agricultores, nem os americanos, práticos como são, torrariam bilhões de dólares no milharal. A discussão é, isso sim, estratégica. Aí vale tudo _ inclusive bancar para não produzir, como lembrou o presidente.
Eis o motivo pelo qual eu não sei se haverá mercado para o etanol brasileiro. É preciso saber se 1) a China continuará crescendo? Sob qual ritmo? Até quando?; 2) Os Estados Unidos serão importadores? Em qual proporção? A partir de quando?; 3) Quais outros mercados potencialmente interessantes? Eles compensariam o investimento maciço na produção? Em quanto tempo? Essa compensação está sendo calculada sob critérios econômicos ou estratégicos?
Minha metideza acaba por aqui. Não tenho, nem de longe, respostas para as perguntas acima. Mas, quero ouvir sua opinião. Conversar, e aprender, é muito divertido.
PS: "Janaína, você é uma pérola de incoerência. Por que então não apóia a criação de uma tele nacional?" O dia em que o Estado brasileiro conseguir dar conta do básico (Saúde, Educação, Saneamento etc.) a gente conversa.
Postado por Janaína Leite às 07:26 PM | Comentar (16) |
OURO NEGRO: Viola no saco, eu?
Em 2005, quando escrevi que a Telemar fazia gestões para comprar a Brasil Telecom, choveu de gente dizendo que eu propagava teorias conspiratórias. O argumento era o de que a repórter não era “especialista” na área e, portanto, desinformada, manipulada, ingênua e faladora de bobagens. As principais críticas vinham de analistas do setor e de outros jornalistas.
Três anos depois, manchete de todos os jornais estamparam a aquisição. As críticas aí, mudaram: de uma hora para outra, deixei de ser bocó e virei a Mata Hari da Bruzundanga. Promoção-relâmpago, na medida para que as pessoas continuassem não ouvindo o que eu dizia.
De tão ridícula, a história da espiã durou menos de três meses. Ninguém com dois neurônios acredita nela. Prova é que um dos analistas que mais detonava minhas opiniões ligou. Segundo ele, o jornalismo precisa de mais gente néscia como eu. (Bom, na verdade o rapaz usou algo como “corajosa” ou “íntegra”, mas o sentido era o de alguém que não pense do mesmo jeito que os especialistas, o que dá na mesma.)
Portanto, fico até feliz quando dizem que não entendo patavinas de um assunto e deveria recolher minha viola. Sinal de que devo insistir. Percebo que é o caso dessa história do petróleo.
O pior é que é verdade: sei do assunto menos que um cientista político, menos que um economista, menos que um especialista em mercado internacional, menos que um engenheiro da Petrobras, menos que um mulá. Reconheço. É verdade, ué.
Mas isso não tira meu direito de dizer o que penso, tira? Se estiver errada, é uma chance de aprender o certo, assim como os outros leitores. Basta que expliquem. Se, mesmo assim, eu bater o pé nas minhas bobagens, não me acompanhe, apenas respeite os que concordarem com elas. Daqui a algum tempo a gente conversa.
Quanto à viola, apure aí o ouvido para o dó-re-mi. Estou chegando.
Postado por Janaína Leite às 06:47 PM | Comentar (5) |
OURO NEGRO: Oriente Médio de um lado, socialistas de outro
As análises do petróleo, na minha avaliação, têm levado pouco em conta o fato de os grandes produtores viverem hoje situação geopolítica muito diferente da década de 70, quando ocorreram os choques do petróleo. As explicações ainda não chegaram ao leitor de forma direta, que continua perdido entre o que é prioridade econômica (mercado) e o que é prioridade estratégica (governos)
O islamismo é uma religião que cresce de maneira acelerada. O número cada vez maior de fiéis confere aos países árabes, os grandes produtores do “ouro negro“, uma simpatia até então jamais vista fora da região.
Na mão contrária, o antiamericanismo, ao longo dos últimos 30 anos, acabou fomentado pelas sucessivas intervenções militares dos Estados Unidos, bem como pela percepção (distorcida ou não) de estímulo ao consumo desenfreado e desrespeito sistemático a outras culturas. Tal antipatia, aliás, antes ficava concentrada nas regiões da Cortina de Ferro. Agora tornou-se tendência descentralizada.
Outro ponto a ser levado em consideração é que, além da manutenção de patamares da atividade produtiva dos Estados Unidos e das nações desenvolvidas, o renascimento da China é um dos grandes responsáveis pela perspectiva de maior demanda petrolífera.
A China vive sob um regime socialista. Onde mais a esquerda com digitais parecidas ganhou espaço considerável nos últimos tempos? Na América do Sul, em especial na Venezuela, integrante da Opep.
Uma panorâmica é o suficiente para ver que a situação dos americanos e, por conseqüência, a de seus aliados europeus está longe da zona de conforto: os países que extraem petróleo gostam pouco dos Estados Unidos e agem sob doutrinas (filosóficas, políticas e religiosas) de confronto ao capitalismo.
É possível imaginar que esses países irão preferir acordos comerciais com a China. Por lá, todo mundo sabe, os negócios são fechados primeiro entre o Partido Comunista e outros partidos. Depois é que a palavra governo assume contornos de relevância. Qual outro país com economia de grande porte tem a margem de manobra do governo chinês para interferir numa política de preços, por exemplo?
Você acha impossível que os países da Opep estejam fazendo caixa com o petróleo para financiar uma possível expansão islâmica? Eu não. (Ai, lá vem pedrada!)
De acordo com essa linha de raciocínio, para os árabes é mais que bom ter como aliados líderes como, por exemplo, Hugo Chávez, que também possui ambições contrárias às dos EUA. É necessário. (Ressalto que, aqui, falo apenas de ações legais e legítimas, não de financiamento ao terror. Isso é outro departamento. Mesmo assim, sei que sobrarão críticas. Ai, ai.)
Também não considero completamente fora de esquadro que alguns cogitem formar estoques em seus próprios países, mesmo que para tanto tenham de pagar um dinheirão. A questão aí é mais estratégica que econômica, caro. Seguro, todo mundo sabe, só partiu por conta da velhice _ imprudência, com ele, não teve vez.
É no meio dessa bagunça que entram os combustíveis alternativos, temas do meu próximo post.
Postado por Janaína Leite às 02:39 PM | Comentar (6) |
OURO NEGRO: A alta do petróleo resulta de especulação?
Até há poucos dias, muitos explicavam a alta recorde do petróleo como resultado de um movimento especulativo. Pouco provável, creio. Embora seja temerário arriscar que o mundo vive uma nova crise do petróleo, pelo menos em níveis semelhantes aos da década de 70, os indícios maiores são os de que a demanda pelo produto é real.
Segundo me explicaram certa vez, uma das características do especulador é que ele não forma estoques, pois armazenamento e manutenção têm custo grandes o bastante para picotar a margem de lucro do dono da mercadoria.
O jogador, portanto, é aquele que investe no mercado futuro sem se preocupar com a existência física do produto. Comprando bastante lá na frente, ele puxa o preço da mercadoria primeiro no prazo do contrato, ou seja, dali a algum tempo. Só depois, como reflexo, é que o valor negociado no presente aumenta.
A especulação acontece quando o dono da posição futura, malandrinho, sai vendendo o que comprou em grandes quantidades. Isso deixa “rendido” o dono da mercadoria real, que percebe de uma hora para outra não ter comprador para seu estoque no preço que esperava.
Quando o preço futuro começa a despencar, é lógico supor que o dono do produto físico tente vendê-lo imediatamente, de forma a evitar de pagar pelos impostos e pela estocagem, que já não compensam no longo prazo. Resultado: o preço cai também no presente.
O caso do petróleo, parece, é outro. O valor do barril está subindo primeiro e atingindo valores recordes no mercado à vista, o que indica a existência de demanda.
Aí você pergunta: “Janaína, vai faltar petróleo?” Não sei. Mas a lei mais antiga da economia é a dos secos e molhados: demanda aquecida combinada à escassez da mercadoria permite ao dono da mercadoria vendê-la caro e, assim, obter lucro alto.
Por isso, é fácil entender que os países produtores de petróleo aparentemente estão adorando o dinheiro extra. Reprimem a oferta e deixam de investir na descoberta de novos poços. De modo que as estimativas do Goldman Sachs, de que o barril atinja algo entre US$ 150 e US$ 200, entre seis meses e dois anos, parece longe da maluquice.
Quanto ao Brasil, agora produz o suficiente para dispensar a importação do petróleo. Além disso, investe pesadamente em combustíveis alternativos, como o biodiesel. No último caso, a pergunta, cuja resposta ainda não está clara para mim, é quem vai comprá-lo.
Continuo daqui a pouco.
Postado por Janaína Leite às 10:20 AM | Comentar (5) |
May 08, 2008
Tchau, cafezinho!
Vinte e três currículos enviados por executivos da Brasil Telecom, vendida recentemente à Oi (ex-Telemar), para os concorrentes. E todo mundo no mercado, que tem o tamanho de uma ervilha Jurema, sabendo. Não façam isso, rapazes. Calma é fundamental.
Caso contrário, o que acontece é um bando de pessoas que trabalha com vocês na cafeteria, rindo e fazendo trocadilhos do tipo: "quando a Oi chegar, para eles é Tchau".
Para os faladeiros, cujo respeito pelos colegas passou longe, o aviso: jornalista tem fontes. E a probabilidade que ela esteja bem do seu ladinho, a menos de 50 centímetros de distância, é enorme.
Além disso, moço, ninguém garante que a vaga de quem fofoca é 100% certa. Vai por mim.
Postado por Janaína Leite às 07:12 PM | Comentar (1) |
May 07, 2008
Corte gastos, ministro!
Perfeito o editorial da Folha de S.Paulo sobre a idéia do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de lançar um fundo soberano para o país, com o objetivo de intervir no câmbio. Um trecho:
"ALGUMAS discussões sobre novas medidas de política econômica no governo federal são travadas de modo peculiar. Nos temas em que o chefe do Banco Central se choca com o titular da Fazenda, o ministro Guido Mantega, em dificuldade para convencer o presidente Lula, busca socorro na opinião pública.Lança a idéia, o chamado balão de ensaio, e tenta fortalecer-se, com a repercussão, no embate interno. Flutua no ar, novamente, a "proposta" de criação de um fundo soberano pelo Brasil. As aspas se justificam porque, além da intenção de abrir um flanco para a Fazenda intervir no câmbio -tarefa hoje exclusiva do BC-, sobre tudo o mais pairam dúvidas ou faltam informações.
O ponto crucial é de onde virão os dólares para suprir o fundo.
... Utilizar dinheiro dos impostos na compra da moeda estrangeira seria absurdo. Há meios mais eficazes e menos arriscados de despender recursos fiscais em prol do equilíbrio macroeconômico."
Santa confusão, Batman! Por que a Fazenda não deixa a política monetária com o Banco Central, que, falemos a verdade, saiu-se bem até agora?
Tento, mas não consigo ver outro motivo para a atitude de Mantega que não disputa política. Por que investir em uma solução visivelmente duvidosa se o mesmo efeito positivo para os mercados de câmbio e de juros poderiam ser obtidos com 99,9% de certeza a partir do corte de gastos públicos?
Você pode dizer que entendo de economia muito pouco para criticar o ministro da Fazenda e dar pitaco nas escolhas do governo federal. Estará certo. Será que pensa o mesmo quando a recomendação vem de um ex-diretor do Banco Central ou do presidente da Fiesp?
Como disse uma fonte que admiro muito certa vez, "o tropicalismo é maravilhoso e deu grandes contribuições, por exemplo, à música. Quando o assunto é economia, contudo, seguir por aí acaba em jaca".
Diminuir a lambança dos gastos administrados pelo goveno dá mais trabalho e, ao contrário da criação de um fundo, vai desagradar muita gente acostumada a usar o dinheiro público como se nascesse em pé de banana. Mas o Plano Real tem dado certo até aqui por conta daqueles que, corajosamente, optaram pela impopularidade no curto prazo em troca de uma visão de futuro melhor elaborada.
A pergunta agora, ministro Mantega, é se o senhor está disposto a fazer o mesmo que eles. Tomara.
PS: Um dia depois do post, li no G1 que o governo contratou uma consultoria para cortar gastos.
"Defendo que a elevação [do Brasil ao grau de investimento] é algo importante e motivo para comemoração. Óbvio que está longe de significar panacéia, mas foi obtida com muito custo, um trabalho de 15 anos. O Real é nosso projeto melhor concebido e executado_ todas as equipes econômicas que vieram desde lá, descontados erros e teimosias, cumpriram bem o papel."
A síntese do que penso sobre a decisão da S&P de melhorar a indicação da agência para os investimentos brasileiros está aí. A controvérsia que pesa sobre o assunto, no entanto, mostra que os leitores querem mais que um resumo _ interessa a eles os argumentos que sustentam minha opinião. Apesar de considerar que ela é apenas mais uma, pois entendo relativamente pouco do assunto, aceito o desafio.
Clóvis Rossi e Diogo Mainardi, em colunas reproduzidas aqui no Arrastão, defendem que há muito carnaval em torno do grau de investimento. Ambos, cada um no seu estilo, questionam a legitimidade de um rótulo pregado por estrangeiros "de mercado", alheios aos problemas reais enfrentados na realidade cotidiana. "Miçangas", disse Rossi. "Olodum mental", sentenciou Mainardi.
Ora, todos sabem o quanto eu gosto dos dois. Mas, desta vez, creio que vale comemorar o novo enquadramento, sim. E bastante. É uma boa vitória _ não daquelas que conquistam o troféu, mas das que garantem a chegada às semi-finais. Por que não ficar feliz? Eu fiquei.
Os motivos:
1) O grau de investimento não caiu do céu. Foi obtido a partir de uma idéia brilhante (o Real), implementada em um ambiente de total descrédito e de oposição ferrenha _ dentro e fora do governo, diga-se de passagem. É canalhice achar que o "nunca antes neste país" começou agora. Os jardineiros trabalharam com Itamar e FHC, sim senhor, em um plano com inúmeros ajustes, que tropeçou em erros de seus condutores, e foi duramente colocado à prova por crises internas e externas. Para que nossa moeda fosse considerada assim, digna do nome, vários economistas foram achincalhados nos jornais, ajudaram os inimigos, pediram arrego sobre o que não sabiam. Em suma: o grau de investimento chega, em boa parte, por um maravilhoso e bem-sucedido trabalho de equipes que se sucederam ao longo de uma década e meia.
2) Acostumada a pensar em termos do dono do capital, a imprensa esquece como funciona a cabeça dos gestores. Você acha que o pessoal que administra grandes somas está disposto a correr um milímetro de risco além do necessário? Que nada! Eles são como você e eu, acham o desemprego uma coisa chata, boba e feia. Um selo de qualidade, para essa gente, ajuda e muito a explicar a opção pelo Brasil. Se perderem dinheiro aqui, a culpa é da S&P e não deles próprios... Grandes fundos americanos e europeus com gente que se preocupa com essas questões, digamos, protocolares começarão a olhar o país com um pouquinho mais de boa vontade. Pode apostar.
3) Os empresários brasileiros, com o tempo, conseguirão crédito mais barato. Brasileiro é imediatista e tem dificuldade planejamentos de longo prazo. Assim, a primeira reação dos empresários exportadores foi reclamar _ o grau de investimento trará dólares para o mercado interno, fazendo que o valor da moeda americana caia ainda mais e, assim, crie desequilíbrio ainda maior nas contas externas, já baqueada com o real forte. Verdade. Mas há um outro lado aí: as empresas brasileiras conseguirão se financiar mais barato e com mais facilidade no exterior. Por isso mesmo não é maluquice supor que conseguirão derrubar o preço de seus produtos e diversificar as atuais estratégias de venda, tornando-se mais competitivas.
4) Dólares entrando no país antes assustavam pelo perfil da dívida brasileira. Agora não mais, pelo contrário. Aqui recorro à metideza e os leitores economistas que me ajudem (com carinho) se eu estiver abusando. O grande mérito da equipe econômica de Lula, ao contrário do que gostam de afirmar por aí, não foi apenas seguir os passos de seus antecessores _ foi aumentar pesadamente as reservas cambias e acabar com a dívida interna atrelada ao câmbio. Há alguns anos, quando o dólar subia, BUM!, explodia a dívida interna, pois ela era corrigida do mesmo jeito. Agora isso não acontece mais. A União é credora em dólares. Estou errada?
5) Os investidores costumam ouvir as agências de classificação por um motivo simples: elas são bons parâmetros. Sim, eu sei, guarde a pedra, elas erram, guarde a pedra, elas erram, ai! Eu admito. Elas erram. Acrescento, entretanto, o óbvio: as agências acertam bem mais do que falham. Prova disso que, quando dão uma mancada, há grita geral. O problema é que gente como nós não tem dinheiro suficiente para saber dos acertos. E não adianta tacar outra pedra, agora eu desvio.
6) Os recursos que o grau de investimento atrai são de longo prazo. "Ah, Janaína, como é que você afirma uma temeridade dessas?" Simples. Pense numa abertura de capital, num IPO. Quem comprou a ação, comprou. O dinheiro será usado para financiar a empresa. O problema é que a maioria das pessoas só pensa nos papéis que já são negociados em bolsa, aí a mostra fica restrita.
7) Último e melhor motivo, na minha modestíssima avaliação: mais importante do que ganhar o grau de investimento é trabalhar para não perdê-lo. O pulo do gato, na minha opinião, está aí. A rigor, ainda precisamos de outra agência melhorando o rating (não basta apenas a S&P dizer que a gente é bacana). Mas quem é o louco do governo que vai querer entrar para a história como o responsável por um suposto "rebaixamento"? O grau de investimento é um seguro contra maluquices, uma camisa-de-força institucional. Tomemos, sei lá, a Petrobras como exemplo. Alguém acha que daqui para a frente será tão fácil quanto antes usar a petrolífera como instrumento de política econômica, impedindo a empresa de repassar a alta dos combustíveis, mesmo que isso signifique desfalque no caixa da companhia, como ocorreu tantas vezes no passado? Duvido. Terão de encontrar compensações, soluções. Quem mais, guardadas as proporções, passou por um processo semelhante? Portugal, Espanha e Itália. Só quando começaram a jogar sob as regras da comunidade é que se desenvolveram de verdade. Hoje, empresas deles mandam aqui, inclusive. Olhe para as teles. (É, não resisto.) E, com todo o respeito, eu prefiro seguir o caminho dos espanhóis do que apoiar que o Brasil se embrenhe na picada aberta a facão pelos "hermanos" da América do Sul, com seus politiqueiros fardados financiados por narcotraficantes.
Talvez alguns venham dizer: "Mas, e a dengue lembrada pelo Rossi? E a mulher assassinada de forma hedionda citada pelo Mainardi? Você não rebateu!" Claro que não, seria idiota tentar negar os fatos. Os dois casos estão aí e são problemas sérios, seríssimos. Mas aqui, neste post, trato de mercado financeiro e de macroeconomia. Não quer dizer que eu fechei os olhos para a dengue, muito menos para um esquartejamento, e sim que resolvi olhar para um elo da cadeia econômica que antecede tudo isso.
Saúde pública, violência, valores, prioridade na pauta dos jornais: são questões muito sérias, nós precisamos discuti-las e lidar com elas. E é por isso que eu fiz o Arrastão, vamos olhar aqui para tudo isso, por que não?
Aliás, caímos aqui na praia que eu entendo: o jornalismo. É certo dar manchete para o grau de investimento e não para as vítimas da dengue ou para o desmembramento de um ser humano? Isso é uma coisa. Transformar o grau de investimento em "miçanga" que mostra como nós somos "primários" é outra. Reforça o quanto o investment grade é desimportante diante das tragédias cotidianas, mas, ainda assim, é outra coisa. Por isso, discordei do Rossi e do Mainardi _ com todo o respeito e humildade, uma vez que estou a anos-luz da inteligência, da perspicácia e da qualidade do texto de ambos.
Agora volte lá no primeiro parágrafo. Digo que é "óbvio que [o grau de investimento] está longe de significar panacéia". Mesmo assim vejo motivos de comemorar. E comemorei. Foi isso que eu quis dizer. Pescou?
Um grande abraço para você, leitor.
Ontem, coloquei um post dizendo que discordava da análise de Clóvis Rossi sobre o grau de investimento. Leitores pediram que eu explique melhor minhas considerações. Começo a escrever para eles agora.
Mas, enquanto redijo, fique com outra coluna sobre o assunto, a do Diogo Mainardi desta semana. Todo mundo sabe o quanto admiro o trabalho dele. Mas, para meu azar, o texto que escreveu para a edição da Veja desta semana está mais para o Rossi do que para mim.
Às vezes, acontece. Discordo de quem admiro. E isso é a coisa mais legal de toda essa história de blog: estar rodeada de pessoas inteligentes e que respeitam a liberdade de opinião.
Volto daqui a pouco.
Continue lendo "Grau de investimento - 2" »
Se discordo do artigo publicado hoje por Clóvis Rossi, sobre o grau de investimento, confesso que gostaria de ter assinado o texto dele que saiu ontem na Folha. Vale a íntegra:
"Política virou negócioSÃO PAULO - Eduardo Zaplana, terceiro homem na hierarquia do conservador Partido Popular espanhol, anunciou anteontem que deixa seu posto de deputado para trabalhar na Telefónica (com acento agudo porque é a da Espanha, não a do Brasil). Informa a respeito o jornal "El País": "O presidente da Telefónica, César Alierta, contratou Zaplana por seus contatos com o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, o que pode facilitar os negócios da operadora nesse país".
Saiu assim, como se fosse absolutamente normal que um importante líder político se torne ariete de negócios, usando seus contatos no meio conservador europeu. Uma espécie de multinacional da desfaçatez, no pressuposto óbvio de que o novo governo conservador italiano será suscetível ao charme de um ilustre conservador espanhol.
O pior é que é, sim, normal. Ou torna-se crescentemente normal, no mundo todo, que os políticos usem seus cargos e/ou prestígio para negócios. Ou, mais exatamente, para finalidades privadas em vez de o bem público (confesso que fico até envergonhado de falar em bem público nesse contexto; mais que ingênuo, me sinto um cretino).
Nem preciso falar do Brasil. No fundo, no fundo, a mais recente operação da Polícia Federal, que pegou deputados e funcionários públicos beneficiando-se de contatos para levar comissão em negócios com o BNDES, revela a mesma gênese do caso Zaplana, ainda que haja possíveis ilegalidades naquele e não neste.
Não é à toa que, na Itália, um livro recente trate o mundo político como "casta", um clubão a serviço dele próprio. Como diz Tito Boeri, colunista de "La Stampa", "a política se tornou mais