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July 16, 2008

Nunca

Desculpem o sumiço. Ontem, minha filha chegou de viagem depois de duas semanas. Como toda huna, ela adora seriadinhos de TV, especialmente aqueles do tipo Law & Order, CSI etc. Confesso que também gosto (menos do CSI Miami, onde os cadáveres e os investigadores partilham das mesmas cores anos 80).

Tem uma coisa, porém que sempre me encafifa: por que as pessoas que morrem nunca deixam dicas mais óbvias para o pessoal que terá de procurar sua causa mortis?

Eu, por exemplo, teria uns dez itens de coisas escritas n’algum canto, tipo a lista do NUNCA. Mais ou menos assim:

1) Nunca me mataria. Tenho uma filha linda, que já deu sentido a ela. Portanto, estou por aqui fazendo hora. Mas jamais, nunca mesmo, faria sofrer as pessoas à minha volta.
2) Se me encontrassem asfixiada nunca seria por gostar de sexo com travesseiro na cara. Marcas de tortura de qualquer gênero deveriam ser encaradas como isso mesmo: tortura. Eu nunca apanharia por vontade própria.
3) Eu não uso drogas. Nunca morreria de overdose. Se acontecesse, teria sido induzida ou forçada.
4) Não ando em quebradas. Se encontrassem meu corpo muito distante do perímetro onde moro, pode saber: alguém fez aquilo.
5) Não tenho dinheiro, nem carro. Morrer num tiroteio no ponto de ônibus até que é provável, bem como ser atropelada etc. Mas é outro risco que não corro, pois minha disposição é mínima. No momento, nunca morreria disso também.
6) Adoro pedir comida pelo telefone. Mas estou na casa da minha mãe e ela não deixa. Veneno, então, nunca seria algo natural. E, como aos 35 o corpo ainda não precisa se preocupar com doenças crônicas do coração, o médico deveria pensar nessa hipótese se dissessem que foi um ataque cardíaco.
7) Afogamento é algo impossível de acontecer num apartamento com o banheiro tão apertado. Nunca seria plausível.
8) Brigas passionais também estão descartadas. Nunca. Moro com minha mãe e minha filha _ as duas pessoas mais importantes da minha vida. Posso ficar brava de vez em quando, ser linha dura e tal, mas nenhum mal seria feito por mim para elas e vice-versa.
9) Há a zarabatana de curare, mas meus vizinhos de Pinheiros nunca teriam o hábito de usá-las. Se bem que, depois de tanto CSI, me sinto pouco inclinada a abrir a janela.
10) Sobra o incêndio, esse sim, plausível. Afinal, quem brinca com o fogo sai queimado, não? Mas eu não começaria. Eu nunca começo.

E agora, leitor, você já sabe disso. Tomei muito do seu tempo, vou ali liberar os comentários e depois terminar meu frila. Ontem, a página estava dando problemas. Espero que hoje esteja tudo ok.

Beijos,
Jana

Postado por Janaína Leite às | Comentar (30) |



July 15, 2008

Virei melô do Claudinho e Buchecha

E lá vem o Nassif descendo a ladeira com a tamanca na mão. Justo. Eu reproduzi a coluna na qual Mainardi ouviu de Otavio Frias Filho que ele é achacador, hora do revide.

O que está no relatório da PF:

PF Janaina 01.jpg

Pois bem. Aí vem Nassif e diz que eu era "informante" de Daniel Dantas. Bom, deixa eu ver se entendi: a super espiã aqui falava para o Dantas sobre notícias publicadas na internet sobre... Daniel Dantas. Claro, é o raciocínio lógico mais perfeito que existe. Supor que eu pudesse ter lido a notícia do Ucho e ligado para perguntar o que era aquilo é inimaginável. Que coisa.

Outra da PF é o diálogo mantido entre Janaína (sim, é óbvio que sou eu) com Daniel Dantas. Olhe como Nassif publicou o diálogo:


PF Janaina 02.jpg


Olhe como é o diálogo na íntegra:

160_161_manus.jpg

Pois bem. Eu tinha uma tese sobre a BrOi, a de que o modelo da operação levaria alguns sócios a ficarem com uma participação pequena, mas controladora. Para financiar esse controle eles teriam de endividar a operadora, a exemplo do que ocorreu com a gestão de Tronchetti Provera na Itália. Isso é errado? Eu deveria escrever sem checar? Não sei os motivos pelos quais a PF sabia que aí eu era Janaína e nas outras conversas não, uma vez que ela identificou o telefone no nome da minha mãe (sim, meus amigos, minha mãe apareceu no relatório).

Continuo. Outro trecho do relatório, página 157 (numeração manuscrita). Lá aparece um diálogo datado de 18/02/2008 entre Daniel Dantas e MNI. Fiquei pensando no que que isso quer dizer? Mulher Não Identificada? Vou ficar com Moça Não Identificada, é mais bonitinho. Se bem que, a partir de agora, você saberá que a MNI sou eu.

O resumo do diálogo analisado pelo agente da PF está aqui e aqui eu o explico frase a frase. Mas primeiro contextualizo. Um dia antes, 17 de fevereiro, houve o primeiro ataque a mim por parte de Luís Nassif, na palhaçada do tal "Dossiê Veja". Eu dei minha resposta.

(Colocaria link para o Nassif, se ele não tivesse limpado seu histórico.)

No dia seguinte, DD me ligou. Estava preocupado comigo, pois sabia serem injustas as acusações de que eu tinha usado meu cargo de repórter na Folha de S.Paulo para favorecê-lo. Seu conselho, como alguém mais experiente e que entendia dessa história, era que eu ignorasse os ataques de Nassif, pois havia algo estranho na motivação daquele dossiê, algo que ele não sabia dizer o que era, mas que não parecia bom, uma vez que estavam mirando em alguém como eu. E ponderou que ele próprio, DD, considerava a hipótese de que o dossiê estivesse ligado a interesses comerciais e, portanto, era uma briga que não valia a pena. Outro argumento usado por ele era o de que Diogo Mainardi, da Veja, tinha apoio institucional para entrar numa batalha desse porte, poderia pagar advogados. Eu, que tinha pedido demissão da Folha, não. Dantas me alertou ainda que seus inimigos fariam qualquer coisa caso se sentissem acuados e que ele já tinha sofrido muito pois seus adversários tinham a simpatia do Estado, ao contrário dele. Disse ainda que a guerra tinha ficado tão terrível que mesmo alguns de seus inimigos, os quais não tinham limites, não sabiam exatamente contra o que brigavam. O assunto já estaria nas mãos dos procuradores (Mainardi havia informado na coluna que mandara os papéis).

Eu disse a DD o seguinte: que não tinha o menor interesse de ficar brigando com alguém mais conhecido que eu. Por mim tudo tinha acabado, apenas respondi os ataques injustos que recebi (num tom bem educado até, como você pode ver aqui). Mas deixei claro que eu não tinha o que temer, pois nunca vendi matéria nenhuma, nem inventei nada, e portanto iria responder quantas vezes viessem para cima de mim. E, se não me engano, falei algo na linha de que o assunto das teles estava pegando fogo (por conta da criação da BrOi), ao que ele respondeu que eu deveria parar de insistir com o assunto da Telecom Itália (alvo das críticas de Nassif), mas que isso não implicava parar de escrever, eu podia falar sobre os assuntos que quisesse, Telemar, o que fosse.

Ora, eu sabia disso. Tanto que já vinha escrevendo contra a operação e continuei a fazê-lo.

Fiquei me perguntando os motivos pelos quais a PF teria se interessado por essa conversa. Simples, leitor. Naquele mesmo dia, eu escrevi à noite que o tempo esclarecia mais que os esforços, como havia me dito alguém de quem gosto muito, e que eu acataria o conselho. Sacou?

Sinceramente, quantas pessoas me falaram que eu não deveria brigar com Luís Nassif? TODAS. TODAS. Inclusive minha mãe, que hoje eu vejo estampada num relatório policial. Perdão, querida. A culpa é minha. Eu deveria ter ouvido você. E Dantas também.

Continuando o melô do Claudinho e Buchecha da PF ("quero te encontrar!"), outra parte onde a mamãe, coitadinha, aparece no relatório:

janaina3.jpg

Olhe nos meus arquivos (é, para o bem ou para o mal eu não apaguei nenhum dos meus textos). No dia 10 de abril, depois de a mulher de Nassif ter lançado dúvidas sobre mim, eu havia escrito um post desafiando Nassif a abrir seus clientes, contas, tudo, com direito ao acompanhamento de auditores e jornalistas. Está aqui, basta você conferir.

Recebi e retornei vários telefonemas aquele dia. Pelo jeito um deles foi para Daniel Dantas, com quem tive o diálogo acima: tudo isso era uma palhaçada - quantas vezes vou ter de repetir? -, e que ele mais do que ninguém sabia disso. Pois bem.

Mas agora eu entendi o segundo recado do que está aí: insinuam que minha mãe é minha laranja. Pois bem. Então aí vai o segundo desafio: VAMOS ABRIR A CONTA DA MINHA MÃE TAMBÉM? Inclusive os investimentos? Podem procurar bens em nome de toda a minha família e detodos os meus amigos. Nada encontrarão. Eu não tenho nada, nem eles, coitados.

Só tem uma coisa, PF. Eu quero ver a da família do Nassif. Ah, e pedir um favorzinho também. Será que vocês poderiam vazar a ligação em que Rodrigo Andrade me conta que avisou Nassif que não tinha dito coisíssima nenhuma para o juiz que eu era informante dele e que Nassif não tinha publicado? Nessa ligação, eu peço para Andrade me mandar o print screen. Veja você mesmo, clique aqui.

Afinal, a PF é para todo mundo. Não é?

Postado por Janaína Leite às | Comentar (27) |



July 14, 2008

A letra escarlate

Desde que estourou o escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Dantas, na semana passada, recebi alguns comentários escritos por pessoas dignas de uma educação da realeza. Coisas bonitas, na linha de “sua carreira acabou” e “encontro você no inferno”.

Isso mexe comigo, claro. E muito. Esta noite, por exemplo, sonhei que estava na Inglaterra de 1637 e havia sido condenada ao pelourinho por falar contra o governo e publicar, sem permissão, material dissidente. De repente, no meio do sonho, a acusação mudava: por conta de fazer mapa astral e de ler o tarô, vinham com dedo em riste acusando-me de posar de oráculo e de fazer previsões em benefício próprio. A expiação passava pela fogueira. A acusação era que, travestida de parteira, apelava para artes da bruxaria e sedução para dominar as pessoas. Por fim, o cenário mudava e eu era do serviço secreto. Como falava com certa facilidade com pessoas importantes, em qualquer horário e sobre qualquer assunto, até aconselhando se fosse o caso, minha sentença era a cadeira elétrica.

O problema é que, quando acordei, vi que não era sonho. Realmente fui colocada em um pelourinho eletrônico depois de escrever reportagens que feriram os interesses do governo. Eu realmente faço o mapa astral de todo mundo que me dá na telha, até de atores de Hollywood. A quantidade de gente, inclusive fontes, que fiz perguntar o horário de nascimento para a mãe é incomensurável. E eu realmente nunca fui uma pessoa formal _ brinco, aconselho, fofoco e dano a filosofar com qualquer um que tenha a bondade de falar comigo e de me tratar com atenção.

Esse jeito despachado já garantiu (e certamente continuará garantindo) umas boas vergonhas, mas também garante que eu tenha a capacidade de me colocar no lugar do outro e atue de forma desarmada. Também trouxe amigos maravilhosos, a quem eu decepciono com mais freqüência do que gostaria, embora se divirtam com meu jeito tresloucado, e boas propostas de emprego, algumas das quais recusei por achar que eram incompatíveis com a minha liberdade. Outras eu aceitei, como aquela da consultoria, feita por um estrangeiro com quem acabei namorando e de quem hoje sou amiga.

Certamente há quem critique o meu jeito, especialmente aqueles que têm a pretensão de ser a palmatória do mundo. Mas uma coisa eles devem admitir: não sou venal e minha paciência com joguinhos às escuras é mínima. (O céu explica, meu ascendente é Áries.)

Sendo assim, leitor, aqui vai o que você realmente precisa saber: a aparição dos jornalistas nessa história de Daniel Dantas não é gratuita. O fato de alguns nomes de jornalistas antes acusados, como o meu, terem sumido subitamente da listagem também não. Há um jogo pesado de recados nos bastidores (não só entre as partes aparentes, governo e Opportunity) e você, desavisado, acha que isso é notícia.

Minha dúvida é se a polícia está envolvida propositalmente no leva-e-traz ou se está sendo usada. Se grampos vazarem de forma descontextualizada e truncada por aí, saberemos.

No mais, chegou a hora de eu dizer o que acho da história toda ocorrida na semana passada. Daniel Dantas não deveria ter sido libertado pela segunda vez por Gilmar Mendes, pois a atitude do ministro realmente foi uma afronta ao Judiciário. O fato de a Globo cobrir a prisão do banqueiro não foi “espetaculosidade” coisíssima nenhuma, foi um furaço. E, principalmente, Dantas não tinha nada que dar sinal verde para seus emissários conversarem com delegados fora da delegacia, nem se valer de gente como Luiz Eduardo Greenhalg e Roberto Teixeira, credo.

(Dizem que Dantas é o maior corruptor do Brasil. Acho que é o pior, isso sim, porque sempre descobrem o que ele faz. Os maiores, e melhores, estão agindo com foto em coluna social.)

Por outro lado, que mal tem o advogado perguntar para a repórter que noticiou a história onde está o processo? Eu teria tido essa mesma idéia, é mais inteligente do que mandar um batalhão de pessoas para vagar nos tribunais do país inteiro. E que mal tem a repórter, questionada sobre seu trabalho, informar o número do processo? Por acaso vivemos em uma ditadura, onde as pessoas não podem constituir advogados para defender seus interesses?

Por fim, essa história de israelense espião e do Opportunity Fund rola há anos, desde que explodiu o caso Kroll. Por que, raios, representantes do fundo não chamam uma coletiva para explicar isso direito? Contem a história tintim por tintim. Mas não. Ficam aí tentando essas técnicas subreptícias, como levar delegado pra comer picanha. Dá no que dá. Jogam nas sombras igualzinho aos adversários.

A BrOi é um escândalo e todo mundo sabe disso. Mas ela significa apascentar o cumprimento da promessa de campanha e, na minha opinião, o primeiro passo para que a Portugal Telecom aumente sua relevância como player. Quem ganha com ela? E quem perde com ela? E com toda a história da prisão de Dantas, quem ganha e quem perde?

O que há no processo de Nova York contra o governo? E quem mais aparece nos autos? O que há no processo da Itália contra o governo? E quem mais está nos papéis de Milão? O acordo da BrOi está sendo fechado às pressas para impedir que esses documentos, os americanos e os de Milão, vazem por aqui?

O que há no relatório da Polícia Federal, fato específico e não genérico, no uso de empresas de prateleira apontadas no relatório? Quanto foi que o Opportunity perdeu com essa história e para onde foi o dinheiro? Há gente ligando para os investidores do banco e provocando fuga de recursos?

E, principalmente, o bilhete encontrado na casa de Dantas com o timbre do Waldorf Astoria era um lembrete de que há documentos em Nova York relativos a um encontro do presidente da República com representantes do Citigroup naquele hotel, em 23 de junho de 2004, fato noticiado por mim e Leila Suwwan na Folha de S.Paulo em 12 de maio de 2005, numa reportagem que jornalistas submissos ao governo tentam de todo o modo desacreditar?

Enfim, há pano para a manga. Polícia Federal, Ministério Público e Justiça deveriam olhar para esse tipo de coisa e não ficarem servindo de fontes para garotos de recado de chantagistas.

Pronto, amigos. Podem me mandar para o pelourinho, para a fogueira, para a cadeira elétrica. Revelem minhas conversas, distorçam o contexto, plantem provas, costurem a letra escarlate no meu peito. A minha carreira, como vocês bem observaram, acabou. Vocês só não contavam que meus valores são diferentes dos seus. A gente se encontra no inferno.

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July 12, 2008

MAINARDI: Tenho como provar o que falei sobre Nassif

Eis que informações sobre o tal relatório da Polícia Federal que cita jornalistas começou a rolar na internet. Luis Nassif publicou que Diogo Mainardi, colunista da Veja, está entre eles.

Nesta manhã, a Veja que chegou às bancas trouxe a informação, assinada por Mainardi, de que Nassif teria sido desligado da Folha de S.Paulo após suspeitas de ter usado seu espaço naquele jornal para obter patrocínios de eventos organizados por sua empresa _ aquela mesma cuja dívida obteve perdão parcial do BNDES, mesmo sem garantias firmes.

Ora, eu não confio em Nassif e não gosto nem um pouco dele. Há alguns meses, o jornalista de serviços saiu por ai lançando dúvidas sobre minha lisura profissional. Tomou minhas medidas pelo seu metro, o que, claro, só poderia resultar nas baboseiras que falou.

Às claras o que está acima, informo que mandei um e-mail para Diogo Mainardi com duas perguntas. Eis as respostas:

JANAÍNA: Você pode provar o que disse sobre Luís Nassif? Como?
DIOGO: Como eu disse na coluna, Otavio Frias Filho, nesta semana, confirmou a história. E, claro, me autorizou a publicá-la.
JANAÍNA: O que tem a dizer sobre o relatório da PF, onde seu nome aparece?
DIOGO: Uma patetice. Uma fanfarronice. E um tiro no pé. O delegado listou um monte de jornalistas, gente de primeiro time, acima de qualquer suspeita. Nos últimos anos, amolei um bocado os inspiradores desse inquérito: Gushiken, Demarco, Lacerda e seus blogueiros achacadores. Vários deles me processaram e se deram mal. Agora estão tentando me condenar de outra maneira, mas vão quebrar a cara mais uma vez. O juiz De Sanctis nem levou em consideração essa palhaçada.

Eu não vi o relatório, só rumores. Se os nomes que ouvi forem confirmados, lamentarei pela polícia, pois são profissionais da imprensa de primeira, que nada têm a ver com o pato.

Se você quer ler uma análise realmente interessante sobre o embate entre Luís Nassif e Diogo Mainardi, vá ao site de quem entende do riscado: Gravataí Merengue , meu amigo querido, por quem sinto enorme respeito e gratidão, deu show no Imprensa Marrom.

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Enquanto isso...

Pedro Soares informa sobre Angra 3 na Folha de S.Paulo. Reproduzo aqui alguns trechos.

"Para conceder o licenciamento ambiental prévio da usina de Angra 3, o Ministério do Meio Ambiente fará exigências adicionais, como a fixação de um prazo para a construção de um depósito definitivo de resíduos nucleares.

Segundo o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente), essa foi uma das 'condições' introduzidas por sua gestão ao processo de licenciamento da usina, que está 'praticamente pronto'.

'Vamos estabelecer um prazo até a licença de operação [última fase do processo de licenciamento] para a construção de um depósito para destinação final do rejeito atômico, algo que até hoje não se resolveu.'

O país conta apenas com depósito provisório para os resíduos de Angra 1 e 2, situado no mesmo terreno em que estão as usinas e no qual será construída Angra 3. Ali, são colocados rejeitos de baixa e média intensidade -como roupas e equipamentos que entraram em contato com material radioativo.

O combustível radioativo, de alta intensidade, é guardado nas próprias usinas, em piscinas usadas também para resfriar o material."

Assunto que vale acompanhar (clique aqui para ler o que escrevi sobre ele).

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MAINARDI: Suspeita de achaque levou Nassif a sair da Folha

Eis a coluna que Diogo Mainardi, da Veja, escreveu para a última edição da revista:

"Eu sou lobista de Daniel Dantas. É o que diz o blogueiro Luis Nassif. Como foi que eu ajudei Daniel Dantas? Acusando-o de ter financiado Lula. E também acusando Naji Nahas de ter financiado Lula. O fato de eu ter publicado uma série de documentos judiciais sobre Naji Nahas e a Telecom Italia me incrimina, segundo Luis Nassif. Entende-se: em meu lugar, ele teria picotado e obedientemente engolido esses documentos, que denunciam as ilegalidades cometidas pela empresa e pelo governo. Quem patrocina o site de Luis Nassif? A Telecom Italia. Quem impediu que ele falisse e perdesse até as cuecas? O BNDES.

Eu já ridicularizei Luis Nassif três anos atrás, demonstrando que ele reproduziu integralmente em sua coluna a nota de um lobista ligado a Luiz Gushiken. Ele foi demitido da Folha de S.Paulo pouco tempo depois, por causa de um fato ainda mais nauseabundo: a suspeita de ter usado seus artigos no jornal para achacar o governo de Geraldo Alckmin. Em 2004, Luis Nassif convidou o secretário Saulo de Castro para um fórum de debates organizado por sua empresa, Dinheiro Vivo. O detalhe sórdido era o seguinte: para o secretário poder participar do evento, o governo paulista teria de desembolsar 50.000 reais. Saulo de Castro negou o pedido.

Em 2005, Luis Nassif voltou à carga, cobrando uma tarifa ligeiramente mais modesta, de 35.000 reais. A assessora de Saulo de Castro mandou um e-mail para o chefe com este comentário: "Não é à toa que a empresa se chama Dinheiro Vivo". Saulo de Castro negou o pedido mais uma vez. Luis Nassif decidiu retaliar. Em sua coluna, passou a atacar sistematicamente o governo Alckmin, em particular o secretário Saulo de Castro. Quando o diretor da Folha de S.Paulo, Otavio Frias Filho, foi informado das suspeitas em torno de Luis Nassif, demitiu-o imediatamente. Nesta semana, falei sobre o episódio com Otavio Frias Filho. Ele confirmou.

Com a carreira no jornalismo arruinada, Luis Nassif refugiou-se na internet, onde seu passado era desconhecido, como o de Mengele em Bertioga. O bando de Luiz Gushiken arranjou-lhe uma sinecura no iG. Enquanto fazia um blog para meia dúzia de leitores, ele era obrigado a escapar de seus credores no BNDES, que queriam penhorar seus carros e apartamentos para tentar recuperar uma parte do rombo de 4 milhões de reais da Dinheiro Vivo. No fim de 2007, depois de um misterioso encontro com a diretoria do BNDES, ele conseguiu fechar um acordo judicial altamente lesivo para o banco, que lhe garantiu os seguintes mimos: o abatimento de 1 milhão de reais de sua dívida, o prazo de dez anos para saldá-la, a retirada de todas as garantias para o pagamento do empréstimo e a dispensa de uma multa de 300.000 reais. Algumas semanas depois, ele retribuiu a generosidade estatal usando o único método que conhece: uma campanha de mentiras descaradas contra mim e contra VEJA, tidos como inimigos do governo.

Luis Nassif é um banana. Ninguém dá bola para ele. Por isso mesmo, minha idéia era persegui-lo apenas judicialmente. De fato, estou processando o iG. Tenho uma tonelada de mensagens, documentos e testemunhas que desmoralizam toda a imundície publicada em seu blog. Mas suas calúnias ganharam outro peso depois que Daniel Dantas e Naji Nahas foram presos. Claramente, o pessoal que o emprega está preocupado com o rumo que esse inquérito pode tomar. Há um empenho para impedir que os dois sejam associados a Lula, como eu sempre fiz. Quando Daniel Dantas e Naji Nahas foram presos, eu comemorei. Luis Nassif deve ter pensado em todos os documentos que terá de picotar e engolir. E em todos os patrocinadores que poderá ganhar."

Só não concordo com a parte que diz "ninguém dá bola para ele". Infelizmente, há pessoas que ficam cegas pela ideologia ou aquelas que não imaginam o que se passa realmente nos bastidores da notícia. É por respeito aos últimos que reproduzo a coluna, pois Mainardi não precisa ser incensado. Tem méritos próprios e no episódio lamentável do "dossiê Veja", que envolveu meu nome e criou uma série de constrangimentos para minha vida profissional, Mainardi tem a verdade a seu lado.

Por isso mesmo, a retaliação em forma de fatos distorcidos e ataques aleatórios chegará logo. Mais uma vez, será desmentida. É guerra, leitor. Você vai se divertir. Eu, nem tanto. Preferia continuar dedicando atenção a "Kafka à Beira-Mar". Pensando bem, todavia, eu o farei _ de um jeito ou de outro.

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July 10, 2008

Os jornalistas e os leões

Cesar Tralli no JN:

"Em outra folha manuscrita apreendida na residência de Daniel Valente Dantas, com timbre do Hotel The Waldorf Astoria, pode-se ler a anotação: 'Usar o assunto da polícia p/produzir notícia e influenciar na Justiça (fls. 05/06), concluindo a autoridade policial seu raciocínio no sentido de que estaria confirmada "a produção de factóides pela quadrilha com vistas a manipular a imprensa, a fim de gerar notícias favoráveis à organização criminosa, tudo para abastecer com argumentos as inumeráveis manobras jurídicas de seus advogados', mormente porque no curso da investigação havia sido comprovado que o investigado manteve pessoalmente e por meio de outras pessoas de sua organização contatos com vários jornalistas, ocasiões nas quais são discutidos o teor das matérias a serem publicadas na imprensa' (fl. 06)."

Reinaldo Azevedo confirmou que há inquéritos contra jornalistas. Muito bem. Se os policiais acharam indícios de venda de reportagens mentirosas, feitas de má fé e com o único objetivo de atrapalhar a Justiça, devem mesmo entender melhor o assunto, principalmente como é que o veículo concorda em publicar a reportagem enviesada. É dever deles investigar, chamar para testemunhar, esclarecer, recomendar o processo se for o caso. O jornalista que for chamado vai e explica o que lhe for perguntado. É chato? É. Mas é o preço de viver em sociedade.

Se a investigação for séria, os policiais terão cuidado para não macular o nome de ninguém e de separar o trigo do joio _ se o joio existir.

Isso, claro, é muito diferente de execrar publicamente jornalistas que tenham divulgado documentos verdadeiros que prejudiquem os interesses dos inimigos do banqueiro e/ou do governo, ou aqueles que mantinham contato regular com assessores e o próprio Dantas.

Duvido, porém, que o time que está no comando das investigações ou a Justiça tenham interesse nisso. Por que o fariam? Para beneficiar os inimigos do banqueiro? Para ganhar holofotes que permitissem seu fortalecimento na briga interna da PF? Para abafar o inquérito da Itália? Até aqui não vi indício de que é essa a força que move esse pessoal. Espero estar certa.

Claro que há uma torcida organizada (alguns por ideologia, outros por interesse, outros ainda por gostar de ver o circo pegar fogo) para que a policia vaze grampos, imagens etc. Ela fará isso? A conferir.

Por fim, acho estranho que Daniel Dantas, apontado como o cérebro de uma organização criminosa tão potente que consegue os juros do FED com antecedência, tenha guardado um bilhete limítrofe desses, bem como uma planilha de contribuição de campanhas em sua própria casa. Ainda mais sabendo que seria preso a qualquer momento, como acusa a própria polícia! Mas essa é outra história e, a exemplo do que ocorre no caso dos jornalistas, teremos de esperar.

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July 09, 2008

Espetáculo

Muitas foram as discussões ao longo do dia sobre o trabalho da Polícia Federal na Operação Satiagraha. O presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, achou que houve epetáculo na hora das prisões. Minha opinião é que não tinha como ser de outro jeito, levando-se em conta os envolvidos: Daniel Dantas é o banqueiro mais polêmico do país, Naji Nahas quebrou a bolsa do Rio; Celso Pitta administrou São Paulo apadrinhado por Paulo Maluf. Óbvio que alguém faria imagens e que elas vazariam rapidamente.

Em contrapartida, classifico as declarações de Tarso Genro sobre a forma da prisão ridículas a não mais poder. É um absurdo que tenham saído da boca de um ministro que comanda justamente a pasta da Justiça. Ao dizer que "se fizerem uma lei no país dizendo que pessoas de baixa renda podem ser algemadas e pessoas de alta renda não podem, então a Polícia Federal vai cumprir", Genro valeu-se de uma politicagem de galinheiro. Inadmissível.

Continuo não entendendo os motivos pelos quais os presos não tiveram acesso aos autos, ou por que os diretores do Opportunity estão presos. Mas é visível que a situação de Dantas está complicada por conta da história da tentativa de suborno do delegado, reconhecida pelo advogado de um dos homens acusados de serem emissários do banqueiro. Certamente o delegado estava gravando a conversa. Por que será que as imagens foram vazadas sem áudio?

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July 08, 2008

A prisão de Dantas e os proxenetas

Os proxenetas do dinheiro público estão assanhadíssimos com a prisão de Daniel Dantas e dos diretores do Opportunity. Haja paciência.

Luís Nassif, que havia calado a boca por meses depois que veio a público o perdão* de R$ 2 milhões de sua dívida com o BNDES, resolveu investir de novo no infame dossiê Veja, um amontoado de baboseiras que serve de desculpas para o ataque a Diogo Mainardi e ao próprio Dantas.

A exemplo do que havia feito em outras ocasiões, o introdutor do jornalismo de serviços no Brasil _ seja lá que raios isso quer dizer _ aproveitou para colocar meu nome no meio da balbúrdia outra vez. Claro que, depois de ter sido criticado pelas inconsistências de suas acusações, teve o cuidado de fazer com que a menção do meu nome fique na boca de outros. Nassif sabe que, juridicamente, está no sal comigo. Mesmo assim, insiste. O que será que ele ganha com isso?

A claque ligada aos inimigos de Dantas também saiu a campo para encher o saco daqueles que criticam o governo. Há pouco recebi o seguinte comentário do leitor que assina Marcelo:

"E ai jornalistinha de aluguel, seu patrão ( Daniel Dantas ) foi preso. Está com medo do que vai acontecer com você ?? bjs"

Não estou, Marcelinho. Nunca tive medo e continuo não tendo. Nunca vendi matéria, nunca fechei acordo dilapidando patrimônio de banco público, nunca achaquei ninguém que não queria patrocinar minhas empresas, nunca apoiei falcatrua de nenhum tipo.

E quer saber mais? DANIEL DANTAS, AÍ ESTÁ UM CONVITE PÚBLICO DO ARRASTÃO: SE VOCÊ QUISER DAR ENTREVISTA PARA O BLOG, AVISE-ME.

E quer saber ainda mais, ô, Marcelinho? VOU CONTINUAR FALANDO MAL DO GOVERNO O QUANTO EU QUISER.

Não tenho motivo para temer falar com quem quer que seja. Talvez outros tenham: até o fim do mês passado, a informação da Justiça italiana era que o inquérito tocado pela Procuradoria de Milão (que mostra pagamentos irregulares da Telecom Itália para políticos, lobistas, funcionários públicos e jornalistas) será encerrado entre o fim deste mês e o início de setembro. A partir de então, os papéis se tornarão públicos.

Aí eu quero ver.

( * ) - Ao contrário do que Nassif diz para seus leitores, houve uma renegociação de dívida _ que ele não pagou. A RENEGOCIAÇÃO NÃO FOI HONRADA. O BNDES, portanto, entrou com uma execução cobrando um valor X. O "subcrédito A" (parte que, paga, desobriga das demais) do ACORDO realizado é absurdamente inferior ao próprio valor X inicial da execução.

Além disso, ao contrário do que se faz em qualquer acordo judicial, não foi oferecida garantia alguma. A única garantia que o BNDES tem do pagamento do acordo - que foi esticado em dez anos! - é o próprio jornalista. Isso mesmo. Embora vários bens tenham sido apontados ao longo do processo de execução, no acordo não pediram nenhum bem como garantia.

O "dossiê Veja", essa patacoada onde Nassif fala mal de mim e de Mainardi, começou poucas semanas depois de celebrado o acordo. Ah, e depois de Mainardi ter escrito uma coluna com críticas negativas ao BNDES.

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July 03, 2008

Dia das Mães

Só dá para dizer uma coisa: mulher admirável. Que os filhos sigam seus passos e nós, seu exemplo.

A íntegra da entrevista de Ingrid Betancourt pode ser vista aqui.

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June 25, 2008

Mensalão - As testemunhas

Claudio Humberto divulgou há algumas horas a lista de testemunhas de acusação no processo do mensalão. Segue a íntegra da nota:

"O ministro-relator no Supremo Tribunal Federal da ação penal 470, que investiga o escândalo do mensalão no governo Lula consideoru concluída a fase de interrogatório dos réus. O ministro Joaquim Barbosa, determinou o início da fase de depoimento das testemunhas de acusação pelos mesmos juízes que atuaram nos interrogatórios, ou por outros juízes federais escolhidos por livre distribuição. O ministro acredita que o processo ainda deve levar pelo menos dois anos para chegar a julgamento final pelo Plenário da Corte. Ele também estima que, “com muito otimismo”, será necessário mais um ano de instrução, no mínimo e de outro ano para ler todo o material recolhido e só então concluir seu voto. Entre os personagens listados está a cafetina Jeany Mary Corner. Veja a lista completa das testemunhas de acusação:
1. FERNANDA KARINA RAMOS SOMMAGGIO; 2. JOSÉ FRANCISCO DE ALMEIDA REGO; 3. LUCAS DA SILVA ROQUE; 4. GERALDO MAGELA FERNANDES SILVEIRA; 5. RAIMUNDO CARDOSO DE SOUZA SILVA; 6. ELIANE ALVES LOPES; 7. PAULO LEITE NUNES; 8. BENONI NASCIMENTO DE MOURA; 9. RAIMUNDO FERREIRA DA SILVA JÚNIOR; 10. RICARDO PENNA MACHADO; 11. SOLANGE PEREIRA DE OLIVEIRA; 12. LUIZ EDUARDO FERREIRA DA SILVA; 13. CÉLIO MARCOS SIQUEIRA; 14. JOSÉ HERTZ CARDOSO; 15. PEDRO RAPHAEL CAMOS FONSECA; 16. CARLOS EDUARDO GUANABARA; 17. ROBSON FERREIRA REGO; 18. MÁRCIO HIRAM GUIMARÃES NOVAES; 19. FRANCISCO MARCOS CASTILHO SANTOS; 20. PAULINO ALVES RIBEIRO JÚNIOR; 21. DAVID RODRIGUES ALVES; 22. ALESSANDRO FERREIRA DOS SANTOS; 23. VALMIR CAMPOS CREPALDI; 24. JEANY MARY CORNER; 25. IVAN GONÇALVES GUIMARÃES; 6. LÚCIO BOLONHA FUNARO; 27. JOSÉ CARLOS BATISTA; 28. AUREO MARCATO; 29. ADEMIR LUCAS GOMES; 30. GISELE MEROLLI MIRANDA; 31. APARÍCIO DE JESUS; 32. FREDERICO CLIMACO SCHAEFER; 33. MARIANA CLIMACO SCHAEFER; 34. EMERSON RODRIGO BRATI; 35. DANIELLY CINTRA CARLOS; 36. VALTER COLONELLO; 37. LAURITO DEFAIX MACHADO; 38. JOSÉ RENE DE LACERDA; 39. MAFALDA LANGELA SIBINELLI; 40. CHARLES ANTÔNIO RIBEIRO; 41. PAULO VIEIRA ALBRIGO."

Os grifos são meus e referem-se aos personagens que ficaram mais conhecidos no tempo da CPI dos Correios. Vou pesquisar os outros nomes e volto depois.

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Do cinismo e outras considerações

Muito bom o artigo de José Nêumanne sobre o caso dos militares que entregaram três rapazes a traficantes no Rio de Janeiro, publicado pelo Estadão hoje. Alguns trechos:

"Incapazes de enfrentar o problema da violência, anabolizada pelo crime organizado, que vende entorpecentes e contrabandeia armas, e de combater o mal endêmico da corrupção policial, governadores fluminenses sempre apelaram à União por uma intervenção militar nos territórios sem lei das favelas do Rio. Da mesma forma como não resistiu à tentação de mandar tropas cumprir a tarefa de Sísifo de impor a lei no Haiti, o governo federal, chefiado pelo petista Lula da Silva, cometeu a insensatez de atender ao pedido, contrariando a maioria dos oficiais das Forças Armadas e a unanimidade dos especialistas em segurança pública. Com a mesma fé que devota à própria infalibilidade e à capacidade de transferi-la à "companheirada" antiga ou moderna, o papa Lula Único se investiu da convicção inabalável de que a farda do Exército seria impermeável aos esgotos morais que infestam a periferia carioca. Mas não ficou nisso e foi além: em nome do "social", que tudo justifica, ele ungiu projeto do senador Marcelo Crivella, maioral da Igreja Universal do Reino de Deus, senador da República e um dos candidatos oficiais à Prefeitura da ex-Cidade Maravilhosa, permitindo que o Ministério das Cidades o bancasse e o da Defesa o protegesse.

... Dado o primeiro passo para a insensatez, os seguintes se tornaram inexoráveis: quem joga uma maçã no esgoto não pode esperar que ela seja retirada limpa e pronta para ser comida.

... A 11 dias da tragédia, o mandante das torturas e das mortes e seus executantes estão livres e comandam o tráfico na favela. A polícia fluminense, tão diligente em acusar os militares que entregaram as vítimas aos algozes, não prendeu nem processou o chefão do tráfico e seus esbirros. O ministro da Defesa subiu o morro para pedir desculpas, expediente grato ao atual governo e ao qual também apelaram os protagonistas militares, com idêntico oportunismo. O ministro da Justiça não perdeu a ocasião de bajular o chefe, dizendo que Lula se opunha a usar o Exército no combate ao tráfico. E este agiu como se fosse um ombudsman ao classificar de 'injustificável' a presença das tropas sob seu comando no morro, além de ter prometido indenizar as famílias das vítimas, como se o vil metal bastasse para limpar a sujeira e a sangria desta tragédia impune e anunciadíssima."

Para ler a íntegra, clique aqui.

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June 24, 2008

Joga a lona e cobre. É circo.

Comprou um nariz de palhaço? Não? Vá buscar o seu. A menos, claro, que você seja integrante da República de São Bernardo.

Manchete da Folha de S.Paulo:

"A Presidência reconheceu que o advogado Roberto Teixeira esteve pelo menos seis vezes no Palácio do Planalto com Luiz Inácio Lula da Silva, seu compadre, desde 2006, em encontros não registrados na agenda pública do presidente.

Teixeira é acusado de usar sua influência junto ao governo para aprovar a venda da VarigLog para o fundo americano Matlin Patterson e três sócios brasileiros, que o contrataram.

Ao menos dois desses encontros estão relacionados diretamente com o negócio, aprovado pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) em junho de 2006. No mês seguinte, a VarigLog adquiriu a Varig. A assessoria de Teixeira diz que as demais visitas foram apenas de cortesia ao amigo Lula.

... O Planalto argumenta que nem todos os compromissos do presidente são divulgados."

Também na Folha:

"Em entrevista à Folha na semana passada, Teixeira havia dito que os contatos com Lula foram poucos: 'Nos últimos cinco anos e meio, os momentos que tive com o presidente foram raros. Os meus raríssimos encontros com ele são mais pessoais'."

Certamente que não. Só ficamos sabendo os resultados dos encontros quando os negócios são fechados. A cortesia oferecida ao presidente, aliás, também é desconhecida do grande público. Nem adianta perguntar para o "Papai" qual seria, uma vez que ele parece, hum, digamos, pouco amigo da verdade.

Uma das cortesias, aliás, a Folha pode ter revelado:

"O psicólogo e empresário Marcos Claudio Lula da Silva e o publicitário Sandro Luis Lula da Silva, filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, abriram uma empresa de tecnologia da informação cuja sede é um imóvel que pertence à empreiteira Mito Empreendimentos, fundada pelo advogado Roberto Teixeira e hoje registrada em nome da mulher e da filha do advogado, a advogada Valeska Teixeira Zanin Martins.

O advogado e o Palácio do Planalto, procurados, não comentaram o assunto."

Enquanto Roberto Teixeira ganha seus US$ 5 milhões (como admitiu depois de dizer que tinha recebido só R$ 350 mil), a Folha informa:

"Apesar dos altos gastos da VarigLog no pagamento de honorários de advogados e despesas processuais, a empresa enfrenta dificuldades financeiras e acumula cerca de R$ 204 milhões em dívidas.

... Segundo o relatório, o principal passivo da companhia é com fornecedores brasileiros, de R$ 73 milhões. As dívidas tributárias vêm em segundo lugar, com um total de R$ 65,8 milhões entre débitos de FGTS, Pis/Cofins, INSS e ICMS."

Você sabe quem cobre o buraco nas contas da previdência, não é? E isso é só a VarigLog. Olhe a Varig:

"O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu que irá julgar o imbróglio sobre as dívidas trabalhistas da velha Varig, a parcela da empresa que permanece em recuperação judicial, com dívidas de mais de R$ 7 bilhões."

Uma beleza. De quem será o prejuízo? Certamente de ninguém que tenha Roberto Teixeira, o ás, como advogado.

Fiquei rouca de falar sobre o absurdo do caso BrOi, a Telezona, criada mesmo sem a lei permitir, em vários posts. Também escrevi um bocado sobre a Varig e o Aerus, como você pode ver aqui, por exemplo.

Qual será a próxima negociata fechada a partir do jeitinho? Varig e BrOi, infelizmente, ninguém mais lê. Hoje haverá uma grita, que passa em cerca de horas. O governo aposta na espiral do silêncio. Tem tudo para ganhar.

E o nariz, está com você? Então, vamos lá. "Hoje tem marmelada? Tem, sim, senhor!"

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June 22, 2008

Sugestão

CPI da BM&F. Resolvia a bagunça da Alstom, do mensalão, do financiamento ilegal de campanhas. Isso porque cairiam na rede todas as corretoras usadas para encobrir o dinheiro sujo manipulado por esses políticos trambiqueiros.

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Pernas curtas, mas de longo alcance

Durou pouco a versão de Roberto Teixeira, compadre do presidente da República, sobre o quanto ganhou para amarrar a venda da Varig (sem que os aposentados e credores recebessem um tostão). Mariana Barbosa para O Estadão:

"O advogado Roberto Teixeira admitiu ao Estado que recebeu US$ 3.266.825,79 referentes a serviços prestados para a VarigLog, incluindo uma taxa de sucesso de US$ 750 mil (R$ 1.600.050) pela participação na compra da Varig em leilão judicial. O valor refere-se ao período de abril de 2006 a junho de 2007. O advogado cobra ainda US$ 682 mil (R$ 1.220.448,40) referentes a serviços prestados entre julho de 2007 e janeiro de 2008 e não pagos. Em um ano e nove meses, portanto, os honorários e taxas de sucesso do escritório do advogado totalizaram US$ 3,95 milhões.

Na última quarta-feira em Brasília, Teixeira afirmou que recebera apenas US$ 350 mil da VarigLog. Ele foi a Brasília à convite do Senado para explicar as acusações da ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu, que em entrevista ao Estado disse que ele teria se aproveitado do livre trânsito com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu compadre, e com a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) para conseguir aprovar a compra da VarigLog e da Varig. Segundo Denise, a atuação do escritório no episódio foi 'imoral'."

Só há uma palavra para definir a bagunça em torno do assunto: RIDÍCULO. Há uma penca de evidências de que Teixeira e sua trupe usaram o fato de orbitarem em torno do presidente Lula para ganhar um dinheirão de maneira, no mínimo, questionável.

Essa gente não sabe o significado da palavra Estado, ela fez do Planalto a casa da Mãe Joana e apropriou-se do poder público para criar uma nova elite, cara-de-pau e nauseabunda, onde aperfeiçoar a gestão da coisa pública significa transformar a frase "olhe com quem você está falando" numa única palavra, "papai".

(Nem venha com a história de que "antes era bem pior" e toda aquela balela de militância obtusa, pois não me curvo à idéia de que a malandragem é menos pior quando levada adiante pelos "bonzinhos".)

O tráfico de influência é a sífilis da sociedade brasileira, cada vez mais deformada diante do espelho. É por conta dele que a corrupção se espalha em todos os cantos. O dinheiro da propina se mistura com o das drogas e do contrabando de armas, por meio dos doleiros e das lavanderias. Forma a raiz da impunidade e do conformismo, mistura que termina em militares agindo como bandidos e milícias torturando jornalistas.

Enquanto o Brasil continuar aceitando essa esturdície (presente e passada) com ar bovino, como se fosse algo inexorável, pouco adiantará fazer ares de repulsa quando alguém for queimado vivo no morro ou tiver os miolos espalhados ao parar no semáforo. Não passa de teatrinho para esconder que, no fundo, somos cúmplices de todo esse horror, que só faz piorar, dia após dia.


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Alstom e os tucanos

Costumo gostar bastante das entrevistas de Fernando Henrique Cardoso e a conversa que ele teve com Roberto Dias, publicada hoje na Folha, não foi diferente. O ex-presidente é um observador arguto da realidade do país e consegue, com poucas palavras, diagnosticar tendências econômicas, políticas e sociológicas.

FHC e eu, porém, temos opiniões contrárias em relação ao caso Alstom.

"FOLHA - Nos últimos dias, enquanto o comando nacional do PSDB divulgava uma nota reduzindo a crise no governo Yeda a uma conspiração política, em SP a bancada tucana na Assembléia barrava investigação no caso Alstom. O partido não se enfraquece ao agir assim?
FHC - Não barrava investigação nenhuma. Não houve nada que pudesse dar razão para fazer uma CPI sobre o caso Alstom. O caso Alstom é a divulgação, na Europa, de que essa empresa teria dado alguma propina a alguns políticos. E pára por aí. Ninguém tem informação concreta. O resto é especulação. Você não pode fazer uma CPI na base da especulação. Não tem um elemento. Não sei se é o caso de CPI. O próprio governo deve ser o primeiro a se manifestar contra e punir."

Mentira. Barraram a CPI, sim, senhor. Além disso, é óbvio que o caso Alstom merece investigação. inclusive parlamentar. Élio Gaspari, também na Folha, resume bem os motivos:

"A TROPA DE choque do governador José Serra na Assembléia Legislativa de São Paulo impediu, pela segunda vez, que a CPI da Eletropaulo discutisse as maracutaias da fornecedora de equipamentos Alstom com os governos tucanos. Derrubaram requerimentos de convocação de ex-administradores e rejeitaram até mesmo requisições de documentos relacionados com uma investigação que segue seu curso na Suíça e na França.

Para quem queria manter o caso longe da luz do sol, o garrote da Assembléia pareceu um capuz eficaz. Faltou combinar com o "Wall Street Journal" e com os promotores europeus. Dois dias depois da vitória da tropa de choque, três repórteres, trabalhando em Paris, Berlim e São Paulo expuseram pela segunda vez as propinas da Alstom.

...A Alstom e "Claudio Mendes" montaram uma lavanderia internacional de propinas. Alguns tintureiros já apareceram. Entre 1998 e 2001, o engenheiro José Geraldo Villas Boas, ex-presidente da Cesp, recebeu US$ 1,4 milhão da Alstom. Villas Boas assegura que prestou serviços à empreiteira, mas reconhece que outros pagamentos eram fictícios. Quais? 'O quê, você quer que eu leve um tiro?'"

Geraldo Alckmin é outro tucano que está dando uma de João Sem-Braço.

"FOLHA - O sr. acha que o atual governo do Estado está sendo enfático na defesa do seu período e do período de Mario Covas no caso Alstom? ALCKMIN - Tudo que eu sei sobre esse caso é pela imprensa. Precisa ser esclarecido. Cabe ao governo federal, que parece ter documentos que nem o governo do Estado tem, cabe a ele esclarecer. Nós somos os maiores interessados.
FOLHA - Mas, na prática, o PSDB barrou a investigação na Assembléia paulista. ALCKMIN - O Legislativo é outro Poder, totalmente independente. Segundo, uma coisa é investigação séria, outra, é desgaste político em véspera de eleição. Precisa haver cuidado. As pessoas citadas como suspeitas são sérias, têm história."

Maiores interessados em esclarecer, Alckmin? Tenha dó, isso é fazer pouco da inteligência alheia. FHC é bem mais sutil.

Recomendo a você que leia as íntegras dos textos citados acima. Eu só discordo do Gaspari quando ele diz que a "suposição de que o caso da Alstom pode ser abafado é "produto da arrogância" _ para mim está mais como a certeza de que a corrupção e o caixa dois são práticas quase que institucionalizadas e, portanto, os tucanos poderão contar com um acordo de bastidores com o governo federal. Ninguém será punido. Um toma-lá-dá-cá de proporções épicas com o dinheiro público, inclusive o seu, leitor.

Para ler a entrevista de FHC por inteiro, clique aqui.

Continue lendo "Alstom e os tucanos" »

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June 20, 2008

Fique ligado

Claudio Humberto:

"O governador Aécio Neves passou no teste do estádio lotado. Foi muito aplaudido no Mineirão, quarta-feira, mas enfrentou uma saia justa ouvindo o coro “Ei, Maradona, vai se f(*), o Aécio cheira mais do que você!”. A piada, um tanto carinhosa, foi abafada pelas vaias a Dunga."

Ucho Haddad:

"A compra do jornal O Estado de São Paulo pelas Organizações Globo, há dias aqui anunciada, contará com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, entidade presidida por Luciano Coutinho. Segundo informações obtidas pela coluna, o negócio estaria sendo tratado pelas partes na casa dos R$ 2,4 bilhões. Resumindo, o suado dinheiro do contribuinte será usado para financiar um negócio que mais adiante servirá aos interesses de todo e qualquer ocupante do Palácio do Planalto. Seja ele de esquerda, de direita ou de centro."
"O texto da CPI do Sistema Carcerário ainda não foi divulgado, mas nos bastidores da Câmara dos Deputados há uma intensa movimentação para que autoridades dos estados não sejam citadas ou indiciadas. O deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), que preside a Comissão dos Direitos Humanos, faz pressão para que cinco autoridades policiais do seu estado sejam excluídas do texto porque serão indiciadas. A lista contém cinco nomes, três dos quais são conhecidos até agora: José Francisco Mallmann (secretário de Segurança), Eden Moraes (diretor do Presídio Central de Porto Alegre) e o coronel Paulo Roberto Mendes (comandante da Brigada Militar)."

Monica Bergamo:

"O jurista Francisco Rezek fará a sustentação oral no julgamento, pelo STF (Supremo Tribunal Federal), do caso Raposa/Serra do Sol, informa o governador de Roraima, José de Anchieta Jr. (PSDB-RR). Ele contratou o ex-ministro do STF para defender a posição do Estado, contra a demarcação contínua das terras indígenas."

E a melhor do dia, também na coluna de Bergamo:

"Marta Suplicy (PT-SP) foi ao desfile da Cia. Marítima, anteontem, na São Paulo Fashion Week. "Eu também uso biquíni", disse. E moda ajuda a ganhar eleitores? "Sinceramente, não sei, mas na periferia elogiam bastante a minha pele."


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June 17, 2008

Corrupção "do bem"

Impecável. É a palavra que define, na minha opinião, o editorial publicado pel'O Estadão:

"O presidente Lula diz uma coisa e faz outra. De um lado, comparou a uma ''laranja sem caldo'' o depoimento de 8 horas da ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu, que acusa a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, de tê-la pressionado para que não criasse caso com a suspeita composição societária da firma formada para comprar a VarigLog e depois vender a Varig. Lula afirmou ainda que a publicação da denúncia - motivo do convite para Denise depor - não passou de ''mau jornalismo''. De outro lado, mandou ninguém menos do que o seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, assumir prioritariamente a responsabilidade pela defesa do governo no caso.

"... Na discutível versão de Carvalho, as coisas não se misturam.

A nossa regra é muito clara'', assegura. ''Parente e amigo, aqui, passam por uma peneira de fio duplo.'' ''Se o presidente não fez nada pelo irmão'', pergunta, ''por que há de fazer pelo compadre?'' A comparação é absurda. Genivaldo Inácio da Silva, o Vavá, investigado ano passado pela Polícia Federal, é de uma desimportância atroz. 'Arruma dois pau pra eu', mendigou certa vez, numa conversa gravada. Já Teixeira é o pivô de jogadas bilionárias na aviação comercial."

"... Não se trata das velhas relações de compadrio - no sentido que a ciência política dá ao termo - entre governantes corruptos e os endinheirados que os ajudaram a se eleger para isso mesmo. Hoje em dia, a corrupção do princípio da impessoalidade das decisões do Executivo se reveste da defesa do bem comum - ''salvar'' a Varig, por exemplo. É o estágio superior, pode-se dizer, das parcerias espúrias entre o público e o privado."

Para ler a íntegra, clique aqui.

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June 13, 2008

Comissão de 10%

Denise Abreu, que, dizem, seria ligada a José Dirceu, esculhambou o primeiro-compadre e a ministra Dilma Rousseff. O escândalo nasceu em reportagem do Estadão e migrou para a Veja. Três dias depois, bomba na revista Época, desta vez contra Dirceu.

Reportagem do excelente Andrei Meirelles:

"A prova mais contundente da operação policial que levou de volta à cadeia o prefeito de Juiz de Fora (MG), Carlos Alberto Bejani (PTB), saiu da gaveta do próprio prefeito. Na primeira fase da Operação Pasárgada, em abril passado, além de deter Bejani, a Polícia Federal apreendeu documentos, computadores, armas de uso exclusivo das Forças Armadas e R$ 1,1 milhão em dinheiro vivo que o prefeito guardava em casa.... os agentes encontraram um pacote com oito DVDs.

... ÉPOCA teve acesso, com exclusividade, às gravações. As imagens mostram o prefeito recebendo maços de dinheiro e contando a propina. “Você não tem uma mala aí não?”, pergunta o prefeito, ao receber o dinheiro. Num dos vídeos, gravado em maio de 2006, Bejani fala de uma suposta reunião com o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu para tratar da liberação de R$ 70 milhões para a prefeitura. Sem saber que estava sendo gravado, ele dispara: “Sabe quanto isso dá de comissão? R$ 7 milhões”. O contrato, com a Caixa Econômica Federal e o Ministério das Cidades, foi assinado 50 dias depois.

... Bejani foi preso pela PF no início da manhã desta quinta-feira (12), com mais 13 pessoas, entre elas o empresário Francisco José Carapinha, o Bolão, que aparece nos vídeos negociando a propina.

... O ex-ministro José Dirceu – por intermédio do advogado José Luiz Oliveira – negou ter negócios com o prefeito de Alberto Bejani."

Acho que há um trecho da Época a ser melhor explicado.

"É Bolão quem mais aparece, com Bejani, nas gravações. Também foi ele, de acordo com as informações colhidas pela polícia ao longo da investigação, quem escondeu a câmera no escritório. Apesar da boa amizade, queria ter o prefeito na mão. O próprio Bejani, ao saber da existência das gravações, tratou de pegar os DVDs (não se sabe justamente como), e os guardou na prefeitura. Não contava com a ação da polícia."

Tudo bem que Bolão tenha gravado, mas o prefeito manter as gravações é estranho, não é?

Vamos ver no que dá todo essa balaio de gatos.


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June 12, 2008

Retrato brasileiro

Olhei as notícias de internet sobre o caso Varig. Ai, que preguiça! Não vi nenhuma explicando o básico para que as pessoas entendam a gravidade do que está acontecendo. Então, darei minha contribuição.

1) O PT tem uma relação muito próxima com empresas de ônibus e aviação. Os laços geralmente são amarrados pelo advogado Roberto Teixeira, amigo fraterno de Lula e de boa parte da cúpula do PT. Seu nome ficou conhecido na década de 90, quando outro petista famoso, Paulo de Tarso Venceslau, denunciou Teixeira como o articulador de um esquema de arrecadação ilegal nas prefeituras petistas.

2) Nos últimos anos, Teixeira fez lobby para Antonio Celso Cipriani (Transbrasil) e Joaquim “Nenê" Constantino (Gol). O primeiro era investigador do Dops no período da ditadura. O segundo era sócio de Ronan Maria Pinto e Baltazar José de Souza em uma empresa de ônibus.

3) Ronan Maria Pinto, empresário no setor de transporte público que atuava na região de Santo André, teve sociedade com um petista famoso: Sérgio Gomes da Silva, o “Sombra”. Os dois, junto com o advogado Fernando Milman, eram donos da Roanake.

4) A Roanake é uma empresa que mandou dinheiro para offshores no Uruguai. Parte dos recursos, milhões de reais, supostamente obtidos por meio do achaque de empresários em Santo André, teria retornado para cobrir campanhas políticas do PT e de seus aliados. Algumas das offshores em questão teriam sido usadas também para lavar dinheiro do tráfico de drogas da quadrilha do Comendador Arcanjo, um dos líderes do crime organizado no país.

5) “Sombra” e Ronan foram acusados pelo Ministério Público de concussão (extorsão praticada por funcionário público) e formação de quadrilha. Também foram denunciados como mandantes do seqüestro e do assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel em 2001. A Justiça aceitou a denúncia contra "Sombra", que está preso.

6) Os irmãos de Celso Daniel sustentaram publicamente que o prefeito foi morto por conta do esquema de dinheiro sujo que envolvia o PT. Afirmaram ainda que o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, sabia disso.

7) O outro sócio de Ronan na Roanake, Fernando Milman, também manteve uma empresa com um petista graúdo: Waldomiro Diniz. Antes de ir trabalhar no Planalto, Waldomiro teria atuado junto a bicheiros e a bingueiros para arrecadar R$ 1 bilhão para a campanha do PT em 2002.

8) Um dos principais contatos de Waldomiro Diniz seria o espanhol Alejandro Ortiz e seus filhos, apontado pela Divisão Anti-Máfia da Itália e pelos parlamentares da CPI dos Bingos como o representante da máfia italiana no Brasil.

9) Diniz também teria ligações com empresários angolanos, segundo Rogério Buratti, ex-secretário de Antônio Palocci na prefeitura de Ribeirão Preto.

10) Toda essa teia pode ser escrutinada agora, depois que a ex-diretora da Anac, Denise Abreu, afirmou publicamente que o advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula, e sua filha, a advogada Valeska Teixeira, fizeram lobby junto ao governo para que a VarigLog fosse vendida para o fundo norte-americano Matlin Patterson e três sócios brasileiros, Marco Antônio Audi, Luiz Gallo e Marcos Haftel.

11) Denise confirmou que a ministra-chefe da Casa Civil teria pressionado a Anac para que a venda da Varig à Gol acontecesse rapidamente. O modelo de venda original traçado pelos técnicos do governo, disse Denise, garantia o pagamento das dívidas trabalhistas da Varig e o ressarcimento dos aposentados que contribuíram com o fundo de pensão da companhia. Isso, porém, exigiria mais tempo e a venda acabou saindo sem que trabalhadores e pensionistas recebessem um tostão. O assunto foi para o Supremo Tribunal Federal.

12) A VarigLog foi repassada ao fundo americano Matlin Patterson, assessorado por Teixeira, por apenas R$ 24 milhões.

13) A venda, juntamente com a liquidação intempestiva do fundo de pensão da Varig, permitiu que a Gol, de Nenê Constantino, a quem Roberto Teixeira também assessorou, levasse a Varig _ limpinha, sem dívidas _ em março de 2007 por R$ 320 milhões. A CVM, na época, abriu um inquérito para investigar a compra.

14) A revista Veja da semana passada mostrou que a TAM fez uma oferta maior pela Varig, de R$ 738 milhões. Mesmo assim, o governo preferiu selar a operação com a Gol.

E AGORA, COMO ESTÃO AS COISAS?

1) O presidente Lula recebeu Roberto Teixeira e os compradores da VarigLog logo em seguida de a operação ter sido fechada. Autografou uma foto onde aparece sorridente.

2) O presidente Lula não recebeu os aposentados do Aerus. Quem escreve para ele sobre o assunto recebe um e-mail dizendo que o assunto está na Justiça, pois o Supremo Tribunal Federal irá julgar a liquidação-relâmpago do fundo. Até o julgamento, que pode levar anos, ninguém recebe um tostão da Varig. Muitos terão morrido quando a sentença sair.

3) Denise Abreu foi bombardeada pela mídia no caso do apagão aéreo e perdeu o cargo na Anac. Desde então, não conseguiu mais emprego.

4) A TAM negou ter feito uma oferta maior que a da Gol pela Varig. A Veja divulgou um memorando da TAM comprovando o que havia publicado.

5) A Justiça não aceitou a denúncia contra Ronan Maria Pinto no caso Celso Daniel. O consórcio liderado pelo empresário venceu a licitação de transporte público de Santo André em 5 de abril deste ano.

6) O caso Waldomiro Diniz foi esquecido. Até agora, não há decisão final da Justiça sobre o tema.

7) Rogério Buratti voltou atrás em suas denúncias, o que deve ajudar Diniz. Alejandro Ortiz e os filhos foram inocentados por falta de provas.

8) A família de Celso Daniel pediu asilo político à França. Recebia ameaças de morte no Brasil.

9) Paulo de Tarso Venceslau foi expulso do PT.

10) A mídia sabe de tudo isso e não publica.

Agora que você entendeu, combinemos assim: eu esqueço o que escrevi e você esquece do que leu, pois ninguém fará nada. Tudo continuará como sempre e o brasileiro terá orgulho de si. Afinal, ele não desiste nunca.

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June 10, 2008

Vítima? Conta outra

Você sabe que, ultimamente, ando com certa preguiça de ler os jornais. Sempre o mesmo, cansa qualquer um. Por isso, peço licença para comentar com um dia de atraso as declarações do presidente do BNDES, Luciano Coutinho. Para ele, o BNDES foi vítima nos esquemas de corrupção denunciados nas últimas semanas.

Vítima, o BNDES? Uma ova. Vítima é você, que trabalha 148 dias por ano para cobrir os impostos cobrados pelo governo.

O BNDES, autarquia, tem plena responsabilidade de ser criterioso no repasse do dinheiro que não é dele. Se há alguém lá nomeado para representar os interesses do banco e usou o cargo para vender facilidades, o BNDES é cúmplice. Os procedimentos de fiscalização interna não são bons? Façam outros. E, principalmente, dêem bom exemplo _ tudo indica, porém, que é aí o lugar onde o sapato aperta.

Há cinco dias, o Diário Oficial da União informou que o Tesouro Nacional liberou R$ 12,5 bilhões para o BNDES, por meio da Lei 11.688. Para você ter uma idéia, os desembolsos do Bolsa-Família, que é recebido por cerca de 11 milhões de famílias, um quarto da população brasileira, estão na casa dos R$ 11 bilhões POR ANO.

Você está acompanhando, claro. O governo pega dinheiro arrecadado com impostos para fazer empréstimos aos empresários por juros mais baixos do que os de mercado, ou seja, subsidiados. Não contente com o valor normal do repasse, o Tesouro abocanhou mais um tanto do dinheiro que estava no caixa e entregou para o BNDES.

O mínimo que se pode esperar é que o banco seja criterioso na escolha dos projetos, que financie empresários que realmente precisam, que as empresas atendidas gerem empregos no país, que a instituição seja rigorosa na cobrança dos pagamentos. Em poucas palavras, que gerencie os recursos tendo em vista que o dinheiro tem dono e que esse dono é o contribuinte e não o governo.

É isso que acontece? Óbvio que não. O BNDES empresta para a Andrade Gutierrez e para o grupo La Fonte, donos da Oi (Telemar) comprarem a Brasil Telecom, a despeito de a aquisição ser proibida por lei. Pelo que me lembro, seriam R$ 1,2 bilhão para os dois sócios privados e mais R$ 1,3 bilhão para a Oi. (Isso mesmo, amiguinho, a mordida equivale a 20% do último caminhão de dinheiro que o Tesouro mandou para o BNDES.)

Também perdoa milhões da dívida de gente como Luís Nassif, cuja atividade jornalística consiste em puxar o saco do governo e, assim, garantir a contratação de palestras, convênios e patrocínios _ inclusive com o próprio BNDES, que emprestou o dinheiro para o empresário no âmbito de um programa de tecnologia (?!?).

(A atividade principal de Nassif, para quem não sabe, é procurar jornalistas, empresários e políticos às escondidas para xingar seus desafetos. Coisa ridícula, credo.)

Ah, o BNDES também é ótimo em linhas internacionais, como a de Angola, por exemplo. Eles vão construir estradas lá na África, não aqui, mas compram nossos equipamentos. Também fecham contratos com empresinhas pequenas, que precisam de ajuda, como a Odebrecht. Além disso, o governo angolano é super legal: vai convocar eleições depois de DEZESSEIS anos. Quem sobreviveu à guerra pode até votar, veja você!

O pessoal de Luanda ganhou uma linha de US$ 1,5 bilhão, cerca de R$ 2,5 bilhões. Com a bolada, os amigos bingueiros de Waldomiro Diniz podem até abandonar essa história de jogo e trabalhar como lobistas do BNDES no outro lado do Atlântico. Ou não. Talvez o pessoal da Força queira estender sua área de atividades, sei lá.

Dinheiro para as grandes empreiteiras aqui e lá fora, fôlego para as candinhas, está aí o BNDES em seu esplendor. O mais bacana é quando essa ala "desenvolvimentista" pede juros baixos. Se concorda em sangrar o caixa do Tesouro para subsidiar os amigos a taxas abaixo do mercado, de forma a interferir nas contas públicas, é fácil perceber que o BNDES é, no máximo, vítima das próprias escolhas.

PS: PHA é o homem de ferro brasileiro, pois tem cara-de-amianto. Reinventa o passado e fala mal das pessoas conforme lhe dá na telha. Só rindo.

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June 09, 2008

Pacote de segurança

Acabo de ler que o presidente da República sancionou parte do pacote de segurança pública, aprovado em maio pela Câmara dos Deputados. Vejo as mudanças com bons olhos, pois deverão agilizar o trâmite dos processos. Dois pontos, entretanto, parecem complicados.

O primeiro diz respeito ao fato de que os depoimentos do réu, da vítima e das testemunhas deverão ser tomados no mesmo dia. Creio que isso pode resultar no cerceamento ao direito de defesa. Ninguém terá tempo de se preparar devidamente.

O outro é a determinação de que o Ministério Público será proibido de recorrer diante da absolvição sumária do réu. Tem tudo para virar um estímulo ao suborno de juízes.

Tomara que eu esteja errada.

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June 08, 2008

Façam suas apostas

Prepare-se. Há uma guerra em curso e ela envolve gente importante. Manchete de hoje do Jornal do Brasil (íntegra aqui):

"Existe uma forte pressão de sindicalistas e dos empresários para que se tenha uma resposta para os mais de 80 projetos que abordam a regularização dos jogos no Congresso. O lobby tem efeito até no Planalto e, por lá, conta com o aval do ministro das Relações Institucionais, José Múcio. O argumento é de que a regularização foi uma antiga promessa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao setor, quando solicitou ajuda para ser fonte de desenvolvimento do esporte voltado para a área social."
... O projeto mais recente é o 3489/08. Foi apresentado na semana passada e libera apenas os bingos. Nada de caça-níqueis – que Lula nem quer ouvir falar – ou jogo do bicho. Terão autorização para funcionar bingos permanentes (em casas específicas) e os eventuais (em locais públicos, como ginásios). A idéia é que a arrecadação movimente por ano R$ 4,7 bilhões, sendo resultado de 15% do cálculo entre a receita e o valor dos prêmios.

Os recursos seriam destinados completamente para a saúde. Pelas previsões do autor da proposta, deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), correligionário do ministro, desta maneira os bingos empregariam 120 mil brasileiros.

...O ponto polêmico da proposta, no entanto, é a permissão para a jogatina, que seria por meio de autorização e não de concessões. No entendimento de deputados, a medida dificulta a fiscalização. Pelo texto, poderiam ser criadas empresas com capital social mínimo de R$ 500 mil, além da obrigatoriedade de empregar 50 pessoas e da exigência dos sócios não terem implicações na Justiça."

Bicho, bingos e caça-níqueis formam o calcanhar de Aquiles do governo. Como disse aqui mais uma vez, o dinheiro sujo do jogo, do tráfico e da corrupção é lavado nos mesmos esquemas. Vira uma grande lambança, onde achaques são a moeda corrente.

Para quem precisa de memoriol, sugiro a revista Época, 16/0/2004:

"Às 19 horas da quinta-feira 12, o subchefe de Assuntos Parlamentares da Presidência da República, Waldomiro Diniz, ficou com os olhos cheios d''água. Acabava de ser informado por ÉPOCA do conteúdo explosivo de uma fita de vídeo, gravada em 2002 pelo empresário e bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Na gravação, Waldomiro pede propina para si mesmo e dinheiro para a campanha eleitoral. Em troca, promete beneficiar Cachoeira em uma concorrência pública. Na ocasião, Waldomiro Diniz presidia a Loterj, Loteria do Estado do Rio de Janeiro, no governo da petista Benedita da Silva. Waldomiro tentou negar as imagens, mas acabou confessando: levou dinheiro do jogo do bicho para a campanha eleitoral do PT."

O assunto fez tremer Brasília e acabou sendo investigado na CPI dos Bingos. Trechos do sumário do (imperdível) relatório final da comissão, disponível aqui:

"Rogério Tadeu Buratti afirmou de maneira firme e clara que o sr. Waldomiro Diniz, representando José Dirceu, arrecadou dinheiro de bingueiros no Estado do Rio de Janeiro... Buratti também informou que Antônio Palocci Filho, Waldomiro Diniz e empresários de jogos do Rio de Janeiro e São Paulo, incluindo os angolanos, se encontraram no hotel Sofitel em São Paulo, entre o final de outubro e o início de novembro de 2002, em reunião que selou o acordo para legalizar os jogos no governo do presidente Lula."

Buratti, que havia sido secretário de Palocci em Ribeirão Preto, voltou atrás em tudo o que disse.

Por conta da CPI dos Bingos, a legalização do jogo teve de ser esquecida pelo governo durante um tempinho. Voltou à baila em abril deste ano, quando o presidente da República encaminhou uma proposta sobre o assunto ao Conselhão. O autor? Paulo Pereira, o Paulinho da Força, o mesmo que é acusado de fazer parte de um esquema de desvio de dinheiro do BNDES.

Folha Online, 01/04/2008:

"'Outro dia, eu não sei se está aqui o companheiro Paulinho da Força Sindical, ele me falava da questão de jogos aqui no Brasil, sei lá se bingo, se cassino. E, eu falei: 'vamos falar com o Paulinho'", afirmou Lula durante a reunião do conselho, realizada hoje no Palácio do Planalto.

... À Folha Online, Paulo Pereira disse que está organizando o material para encaminhar a proposta ao conselho. A idéia é legalizar as casas de bingos, depois os caça-níqueis e, por fim, os cassinos.

... Segundo ele, o esboço da proposta foi apresentada a Lula e ao ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais)."

De novo, é bom olhar o resumo do relatório final da CPI dos Bingos para entender melhor como funciona o mercado da jogatina ilegal. Segundo concluíram os parlamentares, há três grandes esquemas nesse mundo. O primeiro diz respeito aos bicheiros, que cobrariam "pedágio" das casas de bingo para funcionar em sua área. O segundo, coordenado por italianos, franceses e espanhóis, é o uso de bingos eletrônicos para esquentar dinheiro oriundo do tráfico internacional. Tal rede lançaria mão de "empresas off-shore, contas em paraísos fiscais, 'laranjas' e homicídios para chegar ao seu objetivo. Já o terceiro modelo consiste na associação dos donos de bingos tradicionais e dos bingos eletrônicos, também com o objetivo de lavar recursos ilegais.

Fácil perceber que há muita gente querendo dominar o feudo. Carlinhos Cachoeira, lá para trás foi um deles. Para tanto, desafiou Alejandro Ortiz, apontado pela Divisão Anti-Máfia da Itália como o capo mafioso no Brasil.

Ortiz foi investigado pela Polícia Federal. O inquérito foi aberto em fevereiro de 1999 e encerrado em agosto de 2002 por falta de provas.

Apesar disso, o relatório da CPI insistiu na ligação entre Ortiz e a máfia, bem como entre Ortiz e Waldomiro Diniz. E de um sócio de Waldomiro com a Roanake, a empresa que até 2002 reuniu Ronan Maria Pinto e Sérgio Gomes da Silva (lembrados no texto como, respectivamente, o Marcos Valério e o Delúbio Soares de Santo André).

A história de liberar o jogo trará o assunto novamente aos holofotes. Pule de dez como vai dar confusão. Não fosse ilegal, eu até apostaria que o tema é, de longe, o que mais constrange o governo.

PS: Em 1587, um grupo de 114 pessoas, entre homens, mulheres e crianças, viajou da Inglaterra até a Ilha de Roanake, na Carolina do Norte. Ali criaram uma vila, onde nasceu a primeira criança de origem européia em terras norte-americanas. Foi chamada Virginia. O avô, John White, teve de partir para Londres em busca de suprimentos e acabou sem conseguir voltar ao Novo Mundo, por conta da guerra. Quando finalmente embarcou com destino a Roanake, em 1590, White não encontrou nenhum vestígio da colônia. Todas as pessoas haviam desaparecido como num passe de mágica. Até hoje o mistério não foi solucionado, apesar de inúmeras tentativas.


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June 06, 2008

Lula e os golens

Muitas histórias contam sobre Judah Loew ben Bezalel, famoso rabino que viveu em Praga, inclusive a de que ele teria, valendo-se dos mesmos ritos usados pelo Senhor, sido capaz de moldar um ser vivo a partir do barro.

A perfeição é alheia aos humanos, coisa que parece ter afetado a conjuração. A criatura do rabi saiu disforme, dona de inteligência rala e incapaz de controlar as próprias pulsões. Por isso, o sábio chamou seu filho mágico, cuja missão era proteger os judeus do gueto, de Golem (pronuncia-se "goilem"), “substância ainda inacabada”.

Dizem que o sopro de vida foi a escrita da palavra Emet, cujo significado é “verdade”, na testa do embrião de lodo.

O Golem cresceu muito, além do que o rabino esperava, arrancando o teto da casa de Judah Loew. Assim, despertou o medo dos gentios, que recrudesceram a violência contra os judeus.

Sem alternativa, o rabi foi obrigado a tirar a vida que havia concedido _ apagou a primeira letra de Emet (à moda hebraica, da direita para a esquerda), formando a palavra, Meit, “morto“. O Golem foi desfeito.

Recordei da historinha acima ao ler as notícias sobre a confusão provocada pelas declarações da ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil, Denise Abreu, que sustenta ter sofrido pressão da ministra Dilma Rousseff para aprovar a venda da Varig para clientes do compadre do presidente Lula, o advogado Roberto Teixeira.

Pergunto: o que fará Lula com o ataque a seus Golens? Aliás, uma questão anterior que precisa ser esclarecida; no caso de Roberto Teixeira, quem é o criador e quem é a criatura? Até onde vai a simbiose?

Leio no Blog do Josias que na avaliação do presidente, Dilma (e, creio que por extensão, Teixeira) é vítima de fogo amigo. Bobagem. O fogo pode até ser do PT, mas é inimigo mesmo. Ou alguém acha que, depois de seis anos de governo, ainda há muitos petistas imolados dispostos a cortar novamente a garganta pelos queridinhos de Lula?

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May 31, 2008

A rede

A proximidade na América do Sul entre políticos, doleiros e organizações criminosas ainda vai acabar mal, muito mal. As relações teriam sido comprovadas há um bom tempo se a CPI do Banestado tivesse seguido adiante. Conseguiram abafar as investigações, que mostrava o caminho do dinheiro sujo. O poder em excesso, no entanto, resulta em descuido; evidências que mostram as ligações estão por todos os lados. Basta costurá-las.

Diogo Mainardi, coluna publicada na edição de 04/06/2008 da Veja:

"A mulher de Olivério Medina, o representante das Farc no Brasil, foi contratada pelo governo Lula. Agora só falta arranjar um emprego para a mulher de Fernandinho Beira-Mar, outro criminoso ligado às Farc.

... Publicamente, Lula tenta se afastar da companhia das Farc. Às escondidas, seu governo dá cada vez mais sinais de irmandade com o grupo terrorista, como nesse caso da mulher de Olivério Medina. Nos computadores de Raúl Reyes, o terrorista morto pelos soldados colombianos, foi encontrada uma mensagem de Olivério Medina em que ele dizia poder contar com o apoio da "cúpula do governo" brasileiro, em particular com o ministro Celso Amorim. O papel de Olivério Medina no Brasil, de acordo com o jornal colombiano El Tiempo, era "trocar cocaína por armas e fazer o recrutamento de simpatizantes". O recrutamento de simpatizantes podia ser feito até mesmo no Ministério da Pesca. Já a troca de cocaína por armas passava por outros canais. Numa de suas mensagens sobre o tema, Olivério Medina referiu-se a um certo "Acácio", identificado como o Negro Acácio, sócio de Fernandinho Beira-Mar no narcotráfico."

Sobre Olivério Medina fala Policarpo Jr. na Veja de 16 de março de 2005.

"Em apenas uma folha e dividido em três parágrafos, esse documento informa que, no dia 13 de abril de 2002, um grupo de esquerdistas solidários com as Farc promoveu uma reunião político-festiva numa chácara nos arredores de Brasília. Na reunião, que teve a presença de cerca de trinta pessoas, durou mais de seis horas e acabou com um animado forró, o padre Olivério Medina, que atua como uma espécie de embaixador das Farc no Brasil, fez um anúncio pecuniário. Disse aos presentes que sua organização guerrilheira estava fazendo uma doação de 5 milhões de dólares para a campanha eleitoral de candidatos petistas de sua predileção. A notícia foi recebida com aplausos pela platéia. Faltavam então menos de seis meses para a eleição. Um agente da Abin, infiltrado na reunião, ouviu tudo, fez um informe a seus chefes, e assim chegou à Abin a primeira notícia de que as relações entre militantes esquerdistas, alguns deles petistas, e as Farc podem ter ultrapassado a mera simpatia ideológica e chegado ao pantanoso terreno financeiro."

O que disse o governo sobre a reportagem que mostrava a doação das Farc? Agência de notícias do Senado, 17/03/2005:

"O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Jorge Armando Félix, e o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), delegado Mauro Marcelo de Lima e Silva, garantiram à Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência que os documentos que atestariam ligações do Partido dos Trabalhadores (PT) com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), não foram produzidos pela Abin."

Como reagiram os veículos de comunicação? Agência Carta Maior, abrigada pelo UOL, em 17/03/2005:

"O que nem [o senador Arthur] Virgílio nem a Veja disseram é que, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, ele foi designado para manter contato com representantes das Farc, conforme noticiou a imprensa brasileira na época. No final de 1998, representantes da guerrilha colombiana se encontraram com vários parlamentares brasileiros, entre eles os deputados tucanos Tuga Angerami (SP) e Arthur Virgílio, secretário-geral do PSDB à época. Naquele ano, o atual líder do PSDB no Senado justificou do seguinte modo, à Folha de São Paulo, o encontro com os 'narcoguerrilheiros colombianos envolvidos com corrupção, seqüestro e morte de brasileiros': 'O Brasil tem grande importância diplomática na América Latina. Podemos ajudar a Colômbia a pôr fim aos conflitos'."

Voltando ao primeiro artigo, Fernandinho Beira-Mar tem mesmo ligação com as Farc? Folha Online, 19/03/2002:

"De acordo com o desertor, que era tesoureiro de uma das frentes das Farc, o líder rebelde Tomás Molina Caracas, o "Negro Acacio", tinha estreitos laços com Fernandinho Beira-Mar, que fornecia armas para a guerrilha em troca de cocaína.

O desertor revelou que "foi enfermeiro de Beira-Mar durante a Operação Gato Negro, quando o traficante brasileiro foi ferido (....) Fernandinho foi capturado, mas com Negro Acacio não aconteceu nada".

Ontem, Negro Acacio e Beira-Mar foram formalmente acusados pelas autoridades norte-americanas de tráfico de drogas para os Estados Unidos."

Fernandinho Beira-Mar é considerado um gênio do crime. Ele fechou acordos entre várias facções e estruturou uma organização muito bem sucedida, com milhares de tentáculos. Reuters, 23/11/2007:

"O secretário nacional de Segurança Pública, Antonio Carlos Biscaia, disse nesta sexta-feira que não há regime ou sistema prisional no Brasil capaz de impedir que o Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, continue mantendo contato com o mundo externo e comandando a sua organização criminosa de dentro da cadeia. 'Ele montou uma organização incrível e incontrolável', afirmou.

... quadrilha comandada por Beira-Mar da penitenciária de segurança máxima de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul."

Não creio que o contato de Beira-Mar com o restante do mundo seja fácil. Talvez nem seja preciso. Todos os chefes do crime estão na mesma prisão. Agência Estado, 21/05/2008:

"Os detentos do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) ficarão em salas de 14 metros quadrados, com um solário, espaço onde o preso tomará banho de sol sem sair da cela. Advogados de defesa não terão contato físico com os detentos. Eles serão separados por um vidro e vigiados por meio de câmeras. Em Campo Grande e Catanduva estão detidos os traficantes Juan Carlos Abadía, Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, Márcio dos Santos Nepomuceno, Marcinho VP, e Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco."

Alguns dos nomes acimas tiveram negócios com Fernandinho Beira-Mar, mas faltaram outros, como o Comendador Arcanjo, por exemplo, que também está em Campo Grande. Alguém lembra dele? Folha Online, 31/05/2006:

"Em depoimento à CPI dos Bingos, a cozinheira Zildete Leite dos Reis acusou hoje os ex-ministros Antonio Palocci (Fazenda), José Dirceu (Casa Civil) e o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, de freqüentarem a casa do empresário João Arcanjo Ribeiro --conhecido como comendador Arcanjo, em Mato Grosso. Ela disse ainda que chegou a ver os três saindo da casa com malas de dinheiro.

Zildete afirmou ainda que viu o empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, procurar Arcanjo para contratar um pistoleiro que iria assassinar o prefeito de Santo André Celso Daniel (PT)."

E por aqui eu fico. Até!

PS: Quem foram os homens que negaram o relatório da Abin sobre as doações das Farc? General Félix, Folha de S.Paulo, 14/11/2004.

"O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Armando Félix, é radicalmente contra a abertura dos documentos da ditadura militar (1964-1985): "Não há nada bonito ali", diz ele. Curiosamente, justifica que sua preocupação não é poupar os torturadores e sim os perseguidos e torturados.

Folha - O atual diretor da Abin, Mauro Marcelo de Lima e Silva, é a favor da permissão para escutas telefônicas. O sr. também?

Félix - Em alguns casos, seria interessante. Exemplo: chega alguém no Brasil suspeito de terrorismo. Acompanhar visualmente é possível, eventualmente vejo que está telefonando. Para quem? Falando o quê? Não sei.

Folha - O sr. entregou o cargo ao presidente e ele pediu para esperar a reforma ministerial?

Félix - Não. Ainda não me passou pela cabeça fazer um pedido de demissão. Nunca houve nenhuma razão, tenho tido todo tipo de consideração por parte do presidente e de todos os ministros. Não tenho problema de saúde na minha família, como alguns jornais andaram anunciando, não tenho nenhum tipo de problema com o diretor da Abin.
Antes de ele assumir, conversamos várias vezes. Ele sabe exatamente o papel dele, não temos nenhum tipo de contencioso. Ele não despacha diretamente com o presidente. Não despachou nenhuma vez, desde que assumiu.

Folha - E os encontros nos finais de semana?

Félix - Eles são amigos."

Mais sobre Jorge Félix na Agência da Câmara, 08/04/2008:

"Jorge Felix informou que são sigilosos os gastos com a segurança do chefe de Estado e de sua família. Em relação à manutenção das residências oficiais, ele disse que a segurança credencia e acompanha os serviços de manutenção realizados. Segundo Felix, uma lavagem de dez coletes à prova de bala é sigilosa, por exemplo, porque evidencia que dez pessoas trabalham na segurança daquela autoridade.

O general disse que não há, no entanto, lei que defina o que é sigiloso. Com relação à Agência Brasileira de Inteligência (Abin), principal órgão responsável pela segurança do Estado, Felix disse que são sigilosos os gastos com operações de inteligência, informantes, contato com serviços estrangeiros de informação, entre outros."

E quem é Mauro Marcelo?

Diogo Mainardi, na Veja de 20/02/2008:

"Em meados de 2004, o delegado Mauro Marcelo foi nomeado para chefiar a Abin, depois de ter trabalhado como guarda-costas de Lula na campanha eleitoral de 2002. A escolha de seu nome para ocupar o cargo na Abin foi feita pessoalmente pelo presidente.

De acordo com os autos do tribunal italiano, o relacionamento de Mauro Marcelo com a Telecom Italia era de perfeita intimidade. Interrogado sobre o assunto, Fabio Ghioni, especialista em computadores contratado pela empresa, declarou que o chefe da Abin era "fornecedor de Jannone no Brasil, e por este era remunerado". Ghioni referia-se a Angelo Jannone, diretor da Telecom Italia."

Mais um pouquinho: entrevista de Angelo Jannone à Janaína Leite, do Arrastão, 22/04/2008:

"ARRASTÃO - Mainardi reproduziu um trecho do interrogatório de Giuliano Tavaroli, em que ele fala sobre o apoio institucional oferecido pelo governo Lula, através do chefe da Abin, Mauro Marcelo. Tavaroli confirmou o depoimento, mas negou que a TI tenha dado 300 mil dólares a Mauro Marcelo. O senhor sabe se esse dinheiro foi pago?

JANNONE - Tavaroli afirma também que Mauro Marcelo sugeriu contratar [o detetive particular] Eloy Lacerda, e que a Eloy foram prometidos 300 mil dólares, que ele queria receber de mim. Eu não sabia de nada. quando cheguei no Brasil, sem saber de nada, mandei o Spinelli (que tinha um contrato com Bonera, meu antecessor) pagar uma parte daquele valor. Mas quando suspeitei que por trás de Eloy houvesse [o ex-chefe da Abin] Mauro Marcelo, suspendi os pagamentos (fevereiro de 2005) e, em setembro de 2005, discuti por esse motivo com Eloy Lacerda, que chegou para usar um tom ameaçador Gravei o telefonema e entreguei a gravação à magistratura [italiana].

ARRASTÃO - A gravação mostra que Eloy Lacerda entregava dinheiro da Telecom Italia para o ex-titular da Agência Brasileira de Informações, Mauro Marcelo, sem o seu conhecimento? O senhor mandaria essa gravação para o Ministério Público brasileiro?

JANNONE - Na gravação eu reclamo com Eloy por ter recebido também um telefonema de Mauro Marcelo sobre o asunto. As confirmações de minhas suspeitas foram feitas a mim por Bonera maio de 2006, durante outra conversa gravada. As gravações há muito tempo estão nas mãos dos juízes italianos, mas provavelmente eles não as escutaram."


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May 23, 2008

Do facão e outros artefatos

Minha mãe descende de índios e italianos. Meu pai vem de franceses. Isso quer dizer que eu posso rosetar carregando comigo facão, arco e flecha, zarabatana, gládio, pilum, galeus, sabre e florete?

Se for assim, aqui no A Postos teremos uma milícia e tanto.

David, do altovolta:

"Não tem problema. Só quero isonomia. Eu sou judeu. A Torá, a palavra de D'us ditada a Moisés, ordena que eu ajude a exterminar os amalequitas da face da Terra. Os amalequitas atormentaram os Filhos de Israel no deserto - o equivalente hebreu de "atirar pedra na cruz" - e tem de pagar por isso. Devo achar amalequitas. Devo matar amalequitas. É minha cultura.

Tudo bem, não sabemos exatamente quem são os descendentes dos amalequitas hoje, mas esse problema é nosso, da comunidade. Os rabinos vão decidir. Até sair o veredito, vou polindo minha Uzi, uma arma 100% kosher."

Nariz Gelado:

"Se liberaram o porte de facão como elemento cultural (?!), vou sair por aí com a Beretta que o meu bisnono ganhou do próprio Giuseppe Beretta quando estava deixando a Itália para vir se instalar na serra gaúcha.

Era 1878 e o Beretta, que já estava fazendo fama internacional vendendo rifles e pistolas para a coquista do oeste americano, previu direitinho o quadro que o bisnono encontraria no Brasil: muitos "bugres" atacando os colonos, enquanto eles abriam caminho à facão para chegar aos quase inviáveis lotes de terras que a Coroa Brasileira lhes prometera."

E você, leitor? Quais são as suas armas?

PS: Há também quem sugira que todos nós carreguemos bordunas, pois descendemos, sem exceção, dos homens das cavernas. E, se a compreensão dominante for a de que nós viemos dos ETs, podemos optar por pistolas que emitem laser ou sabres de luz.

PS2: Duro mesmo é saber que aqui em São Paulo, selva para ninguém botar defeito, a polícia só deixa eu andar com documentos e os telefones de emergência. Culpa minha, que sou aculturada, lógico.

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May 19, 2008

A revoada da Alstom

Leitor, você viu O Estadão? Tem uma reportagem muito interessante lá.

"As investigações envolvendo a empresa de engenharia francesa Alstom, suspeita de pagar propina para vencer licitações no Brasil, como a de obras de expansão do Metrô de São Paulo, está se configurando em um novo fronte de batalha entre os dois grandes partidos políticos do País. Segundo artigo do Wall Street Journal, o PT e o PSDB vêm trocando acusações de corrupção nos meses que antecedem as eleições municipais, e o caso Alstom acabou se tornando o centro das campanhas."

"A maioria dos contratos com a Alstom - 77 de 139 - foram assinados na administração do ex-governador Geraldo Alckmin, do PSDB. No total, estima-se que a empresa francesa tenha recebido US$ 4,6 bilhões do governo do Estado. O jornal também comenta que parlamentares ligados ao PSDB, que detém a maioria na Assembléia Legislativa, rejeitaram um pedido de abertura de inquérito para investigar o caso."

Outro texto:

"A investigação começou por acaso. A Comissão Federal de Bancos da Suíça, que regula o setor financeiro, pediu que a KPMG preparasse um relatório sobre a situação do Banco Tempus, de Genebra. "Para nós, o caso já está fechado, porque o banco que estávamos avaliando não existe mais desde 2004", afirmou Alain Bichsel, da comissão de bancos. "O objetivo da investigação não era a Alstom", disse a autoridade regulatória da Suíça ao Estado. Segundo ele, porém, parte do relatório mostrou a relação do banco com a empresa francesa. Essa, portanto, teria sido a pista que levou as autoridades suíças a investigar o suposto esquema de propinas da Alstom."

Mais um

"A gigante francesa de engenharia Alstom informou nesta sexta-feira, 16, que entrou como parte civil no inquérito que apura as denúncias de que a empresa pagaria propinas para conseguir contratos na América do Sul e na Ásia. O grupo está sendo investigada na França e na Suíça. "A Alstom se juntou à investigação como parte civil dentro de um procedimento legal em andamento na Suíça e na França ao qual o nome da companhia foi associado, com relação ao possível uso indevido de ativos da empresa em detrimento da Alstom", disse a empresa, em um breve comunicado divulgado. Segundo o jornal francês Le Figaro, com isso, a Alstom terá acesso a todo o inquérito."

Você sabe que o PT quer uma CPI sobre o assunto, não é? Acho que vou começar a olhar o que tem nesse caso. Parece interessante.

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May 18, 2008

Mundo pequeno, não?

Há alguns dias, uma leitora perguntou qual era a minha opinião sobre o fato de Eliane Cantanhêde, colunista da Folha de S.Paulo, ter chamado o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, de mentiroso.

Para quem não se lembra, a acusação foi publicada no último dia 13:

"Henrique Meirelles era ligado à AP (Ação Popular, da década de 1960) e teve até alguma participação no movimento estudantil de resistência à ditadura, mas nunca foi preso e muito menos torturado. Se conhece pau-de-arara e palmatória, é de ouvir falar.

Por isso ele não teve nem tem o direito de mentir, apesar de aparentemente estar mentindo pelos cotovelos quando diz que não quer, não tem condições e não vai concorrer ao governo de Goiás em 2010. Ele me disse isso, olho no olho, em 25 de abril. Ainda bem que não escrevi. Dias depois, veio a notícia de que vai se candidatar -e até já comunicou ao chefe Lula. De duas, uma: ou Meirelles mente, ou Lula mente. Façam suas apostas.

... Não dá para entender por que Meirelles me chamou para desmentir o "indesmentível": que não desistiu de suas pretensões eleitorais, depois de trocar o admirável mundo das finanças globais justamente para enveredar pela política no Brasil. Ele explica a troca do domicílio eleitoral para Anápolis "por questões sentimentais", mas articula com líderes goianos de quase todos os partidos e gostos, à frente o mensaleiro Sandro Mabel."

Já escrevi aqui, talvez ao responder um comentário, que gosto muito da Eliane. Achei a coluna o máximo, pela coragem de enfrentamento demonstrado pela colunista. Ressalto, porém, que Meirelles conversou comigo várias vezes quando morei em Brasília. Nunca mentiu.

Fiquei imaginando um jeito de tirar a prova dos nove. Acho que encontrei. Meirelles, segundo Eliane, teria justificado a decisão de votar em Anápolis "por questões sentimentais", certo? Se eu estivesse lá pelas bandas do planalto central, minha pergunta para o presidente do BC seria se, ao dizer isso, ele se referia ao fato de ter parentes naquela cidade.

Henrique Meirelles é primo de Haroldo Duarte, presidente municipal do PDT, segundo pesquisei na internet. Haroldo é tido como uma importante liderança da esquerda e tem bom trânsito entre os petistas. Um de seus trunfos seria o filho: Glauco Diniz Duarte. Você se lembra dele?

No último dia 15, escrevi uma nota contando que o Ministério Público Federal em Belo Horizonte denunciou dois empresários, Glauco Diniz Duarte, e Alexandre Vianna de Aguilar. Donos da empresa GD International, eles foram acusados de evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Os crimes teriam sido cometidos a partir de uma conta no Florida Bank que "funcionava como autêntica conta-ônibus, uma modalidade de conta que abriga várias outras subcontas, o que permite a dissimulação da natureza, origem, localização, movimentação e propriedade dos valores movimentados".

Mais: a conta da GD mandou dinheiro para a off-shore Dusseldorf Company, empresa de Duda Mendonça. A Dusseldorf, segundo o próprio Duda disse à CPI dos Correios, foi aberta a pedido do PT. O partido pagou lá fora, com dinheiro não declarado, os serviços do publicitário (expert nesse tipo de publicidade desde que prestava serviços a Paulo Maluf), que coordenou uma série de campanhas eleitorais para candidatos petistas _ inclusive a de Luís Inácio Lula da Silva à presidência e a do prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel.

De acordo com o Ministério Público, a conta da GD também está ligada com outros réus por lavagem de dinheiro, como o Banco Rural e outros braços do grupo financeiro.

Aqui no Brasil, Glauco da GD ficou conhecido ao fechar um convênio com a prefeitura de BH em nome do Clube dos Diretores Lojistas de Belo Horizonte, em 2004, chamado "Olho Vivo". Consistia na compra de câmeras de vídeo para combate ao crime _ instaladas no centro da cidade, monitoraria os transeuntes. Os procuradores de Minas Gerais, contudo, acharam que por trás do combate ao crime poderia haver algo. Ao investigarem o "Big Brother Pão de Queijo", descobriram que: 1) as câmeras compradas vinham de contrabando; 2) o material era superfaturado; 3) a empresa que emitia notas fiscais referentes ao negócio era fantasma.

E não acaba por aí. Um pouco acima eu disse que a GD, empresa de Glauco, mandava dinheiro em nome do PT para a Düsseldorf de Duda Mendonça, por meio de uma conta no Florida Bank, não é? Pois bem. Os depósitos coincidiam com os pagamentos da prefeitura de BH ao Clube dos Diretores Lojistas (cujo diretor era Glauco), que vinha recendo notas frias para justificar a saída do dinheiro. Assim, cerca de R$ 12 milhões teriam abastecido o publicitário (e, depois, trazidos ao Brasil pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, acusado pela Procuradoria-Geral da República de esquentar recursos no caso do mensalão).

Em 2004, você sabe, a prefeitura de Belo Horizonte já estava sob o comando do petista Fernando Pimentel. A marca do político sempre foi a capacidade de diálogo. Pimentel foi um dos principais articuladores da aliança que resultou na chapa PT-PL, Lula e o então senador mineiro José Alencar, vencedora das eleições presidenciais de 2002. Desde então, Pimentel trabalha em outra aliança, aquela que oficializará um casamento que, nos bastidores, dá certo desde de 2004: PT e PSDB, Pimentel e Aécio Neves, outro entusiasta de que a política é feita com aliados, não inimigos.

E Glauco e Aécio têm algo a ver? Só se Mauríco Campos Jr., nomeado pelo governador tucano como secretário estadual de Defesa for parente do ex-prefeito de BH Maurício Campos, que é sogro de Glauco. Isso eu não sei. Se alguém aí é de Minas, pode me dizer?

No cargo, Maurício Jr. defende que os presídios sejam administrados pelo setor privado, por meio de parcerias público-privadas. Antes de assumir a função, o criminalista se ocupava em defender os diretores do Banco Rural .

Campos Jr. também advogou para Fernandinho Beira-Mar, acusado de ser a autoridade máxima do Comando Vermelho (CVV), facção criminosa que divide com o Primeiro Comando da Capital (PCC) a condição de liderança nacional em tráfico e venda de drogas, contrabando de armas e prostituição.

E por aqui eu fico, leitor. Afinal, é domingo, gosto muito da minha vida e tenho uma filhinha linda para criar. Quem sabe as grandes redações se interessam? Até mais!

Postado por Janaína Leite às | Comentar (7) |



May 16, 2008

Recordar é... viver?

Hoje estou naqueles dias de pouca escrita, perdão. Fiquei lendo coisas antigas, pulando de texto em texto. Além do prefeito assassinado em 2002 de Santo André, Celso Daniel, há outra morte, anterior, bastante intrigante: a da modelo Cristiana Aparecida Ferreira, ocorrida em 2000.

A moça, lindíssima, foi encontrada nua em um flat próximo ao Palácio da Liberdade, Belo Horizonte. A Polícia Civil disse que havia se suicidado com veneno de rato. O celular de Cristiana, porém, apontou várias ligações trocadas com políticos e empresários poderosos.

A partir daí, o caso foi reaberto _ descobriram que a modelo, sobre quem restou a suspeita de ter sido garota de programa e "mula" para transporte de dinheiro ilegal, havia sido agredida e sufocada antes de morrer. O assassino teria tido o cuidado de derramar raticida em seus lábios para simular um suicídio. Seu ex-namorado, um detetive particular, será julgado pelo crime.

Um trecho da reportagem da Folha Online de 29/08/2005:

"Nas últimas semanas, o promotor Francisco Assis Santiago, que atua no caso da morte de Cristiana, ouviu a mãe e três irmãos da modelo, que confirmaram depoimentos prestados em 2002. Na ocasião, os familiares afirmaram que a modelo transportava freqüentemente malas suspeitas para São Paulo e Brasília. Um dos irmãos disse que a modelo contou a ele, certa vez, que estava com R$ 1,3 milhão em dinheiro."

Continuo aqui.