Se você gosta de história, filosofia, teologia ou ciência, dê um pulo no site da revista New Yorker e leia o artigo "The Forbidden World". O texto, em inglês, é sobre Giordano Bruno, padre italiano condenado à fogueira pela Inquisição no século XVI.
Entre outras coisas, Bruno dizia que habitamos um dos infinitos mundos e que as estrelas têm diferentes grandezas e não são fixas. Suas idéias, consideradas heréticas, influenciaram Galileu e Espinosa, por exemplo.
Concordo com João Pereira Coutinho. Ele escreve hoje, na Folha de S.Paulo, sobre voto obrigatório:
"Só uma vida examinada vale a pena ser vivida? Os gregos, pela boca platônica (na "Apologia"), acreditavam que sim. Mas os gregos acreditavam em mais: acreditavam que a vida pública era marca suprema da excelência. Os homens podem ocupar-se dos seus assuntos pessoais e privados. Mas a recusa em votar, em discursar, em interessar-se pelos assuntos da cidade, revelava não apenas egoísmo ou ignorância. Essa recusa cobria o abstencionista com um manto de imoralidade e infâmia. Os gregos, aliás, tinham uma palavra bem expressiva para essas tribos: 'idiotai'. Não é difícil imaginar a evolução da palavra nos tempos futuros.Foi o cristianismo que quebrou esse "absolutismo democrático" ao introduzir um espaço íntimo, pessoal, intransmissível, palco da minha consciência. A Deus o que é de Deus, a César o que é de César. Ou, por outras palavras, um ser humano não se define, apenas, pela vontade em participar nos destinos da cidade terrestre. Existe uma relação fundamental, e talvez superior, com os mandamentos da cidade celeste. Involuntariamente, o cristianismo promovia a liberdade individual ao apresentar aos homens não apenas um caminho, mas dois: o caminho público e o caminho privado.
... Pessoalmente, creio que a verdadeira legitimidade de qualquer eleito só existe quando o voto foi uma opção pessoal do eleitor, não uma exigência do sistema. A autonomia valoriza o ato. Mas também valoriza, como Kant relembra, as conseqüências do ato.
Os gregos admiravam a vida pública sobre qualquer outra. E reservavam o rótulo de 'idiotas' para quem discordava. Não é grave, leitores, não é grave. Ontem, como hoje, melhor ser 'idiota' do que escravo."
Lula e Protógenes, FHC e Dantas, Greenhalg e Gilberto Carvalho, PF e Abin, Gilmar e De Sanctis, MI-6 e Congresso, Reinaldo e LN... Tudo isso você acompanha querendo ou não. Mas o mundo não parou, melhor dar uma olhada.
Folha de S.Paulo:
"A operadora de telefonia Oi anunciou ontem que obteve empréstimo de R$ 4,3 bilhões do Banco do Brasil para financiar a compra da Brasil Telecom. O negócio, anunciado em abril, ainda depende de mudanças na lei para ser efetivado.... Desse total, R$ 5,8 bilhões serão pagos pelo controle da BrT. Outros R$ 3,5 bilhões farão parte da oferta pública obrigatória para aquisição de ações ordinárias dos minoritários -o chamado 'tag along'. Mais R$ 3 bilhões serão gastos na oferta voluntária para a compra de ações preferenciais da BrT.
... Em nota, a Oi afirmou que comprará a BrT com recursos próprios e que o empréstimo do Banco do Brasil 'constitui-se no primeiro movimento de captação de recursos' que, em seguida, contará com 'emissão de notas promissórias com os bancos Santander, Bradesco e Itaú'.
... É o segundo financiamento de um banco público obtido pela Oi para a operação de compra da BrT, operação apoiada pelo governo federal sob o argumento de que o país precisaria de uma grande empresa no setor para concorrer com gigantes multinacionais como a espanhola Telefónica e a mexicana Claro. O BNDES já havia anunciado crédito de R$ 2,5 bilhões, com o objetivo específico de promover a reestruturação acionária da Oi -condição necessária para a compra da BrT." (Roberto Machado)
Na mesma Folha:
"Sergio Ramírez é um notável escritor nicaragüense, que se tornou revolucionário, lutou com a Frente Sandinista de Libertação Nacional contra a nefanda ditadura Somoza, elegeu-se vice-presidente e, afinal, rompeu com os companheiros, horrorizado com o nível de corrupção a que se dedicaram uma vez instalados no poder.No auge do escândalo do mensalão, ele me disse uma frase que não me sai da cabeça: 'Se eu fosse presidente, antes da posse chamaria todos os parentes e amigos e lhes diria que, durante o meu governo, não poderiam fazer negócios. Nem negócios legais'." (Clóvis Rossi)
Seguido de:
"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou ontem a lei que cria o piso salarial dos professores da educação básica (ensino infantil a médio). A partir de 2010, os professores da rede pública terão que receber, no mínimo, R$ 950." (Angela Pinho)
Por fim:
"NEM TODO MUNDO tem senso de humor. É como inteligência natural. Nem todo mundo é esperto. De fato, algumas pessoas são naturalmente obtusas.Não significa que elas sejam de alguma maneira inferiores ou menos charmosas, bonitas, fortes ou bem sucedidas. Mas o fato é que os seres humanos têm diferentes talentos e diferentes capacidades. Essa é uma descoberta da vida, especialmente para os professores. Eu sei que mães relutam em aceitar esse fato com relação aos seus filhos, mas ainda assim é verdade." (Kenneth Maxwell)
Desculpem o sumiço. Ontem, minha filha chegou de viagem depois de duas semanas. Como toda huna, ela adora seriadinhos de TV, especialmente aqueles do tipo Law & Order, CSI etc. Confesso que também gosto (menos do CSI Miami, onde os cadáveres e os investigadores partilham das mesmas cores anos 80).
Tem uma coisa, porém que sempre me encafifa: por que as pessoas que morrem nunca deixam dicas mais óbvias para o pessoal que terá de procurar sua causa mortis?
Eu, por exemplo, teria uns dez itens de coisas escritas n’algum canto, tipo a lista do NUNCA. Mais ou menos assim:
1) Nunca me mataria. Tenho uma filha linda, que já deu sentido a ela. Portanto, estou por aqui fazendo hora. Mas jamais, nunca mesmo, faria sofrer as pessoas à minha volta.
2) Se me encontrassem asfixiada nunca seria por gostar de sexo com travesseiro na cara. Marcas de tortura de qualquer gênero deveriam ser encaradas como isso mesmo: tortura. Eu nunca apanharia por vontade própria.
3) Eu não uso drogas. Nunca morreria de overdose. Se acontecesse, teria sido induzida ou forçada.
4) Não ando em quebradas. Se encontrassem meu corpo muito distante do perímetro onde moro, pode saber: alguém fez aquilo.
5) Não tenho dinheiro, nem carro. Morrer num tiroteio no ponto de ônibus até que é provável, bem como ser atropelada etc. Mas é outro risco que não corro, pois minha disposição é mínima. No momento, nunca morreria disso também.
6) Adoro pedir comida pelo telefone. Mas estou na casa da minha mãe e ela não deixa. Veneno, então, nunca seria algo natural. E, como aos 35 o corpo ainda não precisa se preocupar com doenças crônicas do coração, o médico deveria pensar nessa hipótese se dissessem que foi um ataque cardíaco.
7) Afogamento é algo impossível de acontecer num apartamento com o banheiro tão apertado. Nunca seria plausível.
8) Brigas passionais também estão descartadas. Nunca. Moro com minha mãe e minha filha _ as duas pessoas mais importantes da minha vida. Posso ficar brava de vez em quando, ser linha dura e tal, mas nenhum mal seria feito por mim para elas e vice-versa.
9) Há a zarabatana de curare, mas meus vizinhos de Pinheiros nunca teriam o hábito de usá-las. Se bem que, depois de tanto CSI, me sinto pouco inclinada a abrir a janela.
10) Sobra o incêndio, esse sim, plausível. Afinal, quem brinca com o fogo sai queimado, não? Mas eu não começaria. Eu nunca começo.
E agora, leitor, você já sabe disso. Tomei muito do seu tempo, vou ali liberar os comentários e depois terminar meu frila. Ontem, a página estava dando problemas. Espero que hoje esteja tudo ok.
Beijos,
Jana
E lá vem o Nassif descendo a ladeira com a tamanca na mão. Justo. Eu reproduzi a coluna na qual Mainardi ouviu de Otavio Frias Filho que ele é achacador, hora do revide.
O que está no relatório da PF:

Pois bem. Aí vem Nassif e diz que eu era "informante" de Daniel Dantas. Bom, deixa eu ver se entendi: a super espiã aqui falava para o Dantas sobre notícias publicadas na internet sobre... Daniel Dantas. Claro, é o raciocínio lógico mais perfeito que existe. Supor que eu pudesse ter lido a notícia do Ucho e ligado para perguntar o que era aquilo é inimaginável. Que coisa.
Outra da PF é o diálogo mantido entre Janaína (sim, é óbvio que sou eu) com Daniel Dantas. Olhe como Nassif publicou o diálogo:

Olhe como é o diálogo na íntegra:

Pois bem. Eu tinha uma tese sobre a BrOi, a de que o modelo da operação levaria alguns sócios a ficarem com uma participação pequena, mas controladora. Para financiar esse controle eles teriam de endividar a operadora, a exemplo do que ocorreu com a gestão de Tronchetti Provera na Itália. Isso é errado? Eu deveria escrever sem checar? Não sei os motivos pelos quais a PF sabia que aí eu era Janaína e nas outras conversas não, uma vez que ela identificou o telefone no nome da minha mãe (sim, meus amigos, minha mãe apareceu no relatório).
Continuo. Outro trecho do relatório, página 157 (numeração manuscrita). Lá aparece um diálogo datado de 18/02/2008 entre Daniel Dantas e MNI. Fiquei pensando no que que isso quer dizer? Mulher Não Identificada? Vou ficar com Moça Não Identificada, é mais bonitinho. Se bem que, a partir de agora, você saberá que a MNI sou eu.
O resumo do diálogo analisado pelo agente da PF está aqui e aqui eu o explico frase a frase. Mas primeiro contextualizo. Um dia antes, 17 de fevereiro, houve o primeiro ataque a mim por parte de Luís Nassif, na palhaçada do tal "Dossiê Veja". Eu dei minha resposta.
(Colocaria link para o Nassif, se ele não tivesse limpado seu histórico.)
No dia seguinte, DD me ligou. Estava preocupado comigo, pois sabia serem injustas as acusações de que eu tinha usado meu cargo de repórter na Folha de S.Paulo para favorecê-lo. Seu conselho, como alguém mais experiente e que entendia dessa história, era que eu ignorasse os ataques de Nassif, pois havia algo estranho na motivação daquele dossiê, algo que ele não sabia dizer o que era, mas que não parecia bom, uma vez que estavam mirando em alguém como eu. E ponderou que ele próprio, DD, considerava a hipótese de que o dossiê estivesse ligado a interesses comerciais e, portanto, era uma briga que não valia a pena. Outro argumento usado por ele era o de que Diogo Mainardi, da Veja, tinha apoio institucional para entrar numa batalha desse porte, poderia pagar advogados. Eu, que tinha pedido demissão da Folha, não. Dantas me alertou ainda que seus inimigos fariam qualquer coisa caso se sentissem acuados e que ele já tinha sofrido muito pois seus adversários tinham a simpatia do Estado, ao contrário dele. Disse ainda que a guerra tinha ficado tão terrível que mesmo alguns de seus inimigos, os quais não tinham limites, não sabiam exatamente contra o que brigavam. O assunto já estaria nas mãos dos procuradores (Mainardi havia informado na coluna que mandara os papéis).
Eu disse a DD o seguinte: que não tinha o menor interesse de ficar brigando com alguém mais conhecido que eu. Por mim tudo tinha acabado, apenas respondi os ataques injustos que recebi (num tom bem educado até, como você pode ver aqui). Mas deixei claro que eu não tinha o que temer, pois nunca vendi matéria nenhuma, nem inventei nada, e portanto iria responder quantas vezes viessem para cima de mim. E, se não me engano, falei algo na linha de que o assunto das teles estava pegando fogo (por conta da criação da BrOi), ao que ele respondeu que eu deveria parar de insistir com o assunto da Telecom Itália (alvo das críticas de Nassif), mas que isso não implicava parar de escrever, eu podia falar sobre os assuntos que quisesse, Telemar, o que fosse.
Ora, eu sabia disso. Tanto que já vinha escrevendo contra a operação e continuei a fazê-lo.
Fiquei me perguntando os motivos pelos quais a PF teria se interessado por essa conversa. Simples, leitor. Naquele mesmo dia, eu escrevi à noite que o tempo esclarecia mais que os esforços, como havia me dito alguém de quem gosto muito, e que eu acataria o conselho. Sacou?
Sinceramente, quantas pessoas me falaram que eu não deveria brigar com Luís Nassif? TODAS. TODAS. Inclusive minha mãe, que hoje eu vejo estampada num relatório policial. Perdão, querida. A culpa é minha. Eu deveria ter ouvido você. E Dantas também.
Continuando o melô do Claudinho e Buchecha da PF ("quero te encontrar!"), outra parte onde a mamãe, coitadinha, aparece no relatório:

Olhe nos meus arquivos (é, para o bem ou para o mal eu não apaguei nenhum dos meus textos). No dia 10 de abril, depois de a mulher de Nassif ter lançado dúvidas sobre mim, eu havia escrito um post desafiando Nassif a abrir seus clientes, contas, tudo, com direito ao acompanhamento de auditores e jornalistas. Está aqui, basta você conferir.
Recebi e retornei vários telefonemas aquele dia. Pelo jeito um deles foi para Daniel Dantas, com quem tive o diálogo acima: tudo isso era uma palhaçada - quantas vezes vou ter de repetir? -, e que ele mais do que ninguém sabia disso. Pois bem.
Mas agora eu entendi o segundo recado do que está aí: insinuam que minha mãe é minha laranja. Pois bem. Então aí vai o segundo desafio: VAMOS ABRIR A CONTA DA MINHA MÃE TAMBÉM? Inclusive os investimentos? Podem procurar bens em nome de toda a minha família e detodos os meus amigos. Nada encontrarão. Eu não tenho nada, nem eles, coitados.
Só tem uma coisa, PF. Eu quero ver a da família do Nassif. Ah, e pedir um favorzinho também. Será que vocês poderiam vazar a ligação em que Rodrigo Andrade me conta que avisou Nassif que não tinha dito coisíssima nenhuma para o juiz que eu era informante dele e que Nassif não tinha publicado? Nessa ligação, eu peço para Andrade me mandar o print screen. Veja você mesmo, clique aqui.
Afinal, a PF é para todo mundo. Não é?
Eis não ter sido preciso muito. A íntegra do relatório da Polícia Federal, escrita no âmbito da Operação Satiagraha, foi divulgada no site Consultor Jurídico por Claudio Tognolli, clique aqui.
A parte que fala sobre a mídia está aqui.
Vou ler tudo o que está ali e converso com você depois. A princípio, numa leitura rápida, vi que há pelo menos um diálogo meu ali reproduzido. Quem achar outras citações, por favor, avise-me.
Muito bom o Milênio, exibido pela Globonews na semana passada. O entrevistado é o jornalista britânico Misha Glenny, autor de "McMáfia - Crime sem fronteiras". Ele relata atividades criminosas em vários paises, inclusive no Brasil, que aparece na parte final do programa. Glenny destaca o aumento dos crimes cibernéticos entre os brasileiros e dá sua opinião sobre a polícia daqui:
"O sistema policial brasileiro é um desastre ambulante. Há uma proliferação entre as forças policiais, uma competição entre essas diferentes forças e, claro, há o problema da corrupção."
Desde que estourou o escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Dantas, na semana passada, recebi alguns comentários escritos por pessoas dignas de uma educação da realeza. Coisas bonitas, na linha de “sua carreira acabou” e “encontro você no inferno”.
Isso mexe comigo, claro. E muito. Esta noite, por exemplo, sonhei que estava na Inglaterra de 1637 e havia sido condenada ao pelourinho por falar contra o governo e publicar, sem permissão, material dissidente. De repente, no meio do sonho, a acusação mudava: por conta de fazer mapa astral e de ler o tarô, vinham com dedo em riste acusando-me de posar de oráculo e de fazer previsões em benefício próprio. A expiação passava pela fogueira. A acusação era que, travestida de parteira, apelava para artes da bruxaria e sedução para dominar as pessoas. Por fim, o cenário mudava e eu era do serviço secreto. Como falava com certa facilidade com pessoas importantes, em qualquer horário e sobre qualquer assunto, até aconselhando se fosse o caso, minha sentença era a cadeira elétrica.
O problema é que, quando acordei, vi que não era sonho. Realmente fui colocada em um pelourinho eletrônico depois de escrever reportagens que feriram os interesses do governo. Eu realmente faço o mapa astral de todo mundo que me dá na telha, até de atores de Hollywood. A quantidade de gente, inclusive fontes, que fiz perguntar o horário de nascimento para a mãe é incomensurável. E eu realmente nunca fui uma pessoa formal _ brinco, aconselho, fofoco e dano a filosofar com qualquer um que tenha a bondade de falar comigo e de me tratar com atenção.
Esse jeito despachado já garantiu (e certamente continuará garantindo) umas boas vergonhas, mas também garante que eu tenha a capacidade de me colocar no lugar do outro e atue de forma desarmada. Também trouxe amigos maravilhosos, a quem eu decepciono com mais freqüência do que gostaria, embora se divirtam com meu jeito tresloucado, e boas propostas de emprego, algumas das quais recusei por achar que eram incompatíveis com a minha liberdade. Outras eu aceitei, como aquela da consultoria, feita por um estrangeiro com quem acabei namorando e de quem hoje sou amiga.
Certamente há quem critique o meu jeito, especialmente aqueles que têm a pretensão de ser a palmatória do mundo. Mas uma coisa eles devem admitir: não sou venal e minha paciência com joguinhos às escuras é mínima. (O céu explica, meu ascendente é Áries.)
Sendo assim, leitor, aqui vai o que você realmente precisa saber: a aparição dos jornalistas nessa história de Daniel Dantas não é gratuita. O fato de alguns nomes de jornalistas antes acusados, como o meu, terem sumido subitamente da listagem também não. Há um jogo pesado de recados nos bastidores (não só entre as partes aparentes, governo e Opportunity) e você, desavisado, acha que isso é notícia.
Minha dúvida é se a polícia está envolvida propositalmente no leva-e-traz ou se está sendo usada. Se grampos vazarem de forma descontextualizada e truncada por aí, saberemos.
No mais, chegou a hora de eu dizer o que acho da história toda ocorrida na semana passada. Daniel Dantas não deveria ter sido libertado pela segunda vez por Gilmar Mendes, pois a atitude do ministro realmente foi uma afronta ao Judiciário. O fato de a Globo cobrir a prisão do banqueiro não foi “espetaculosidade” coisíssima nenhuma, foi um furaço. E, principalmente, Dantas não tinha nada que dar sinal verde para seus emissários conversarem com delegados fora da delegacia, nem se valer de gente como Luiz Eduardo Greenhalg e Roberto Teixeira, credo.
(Dizem que Dantas é o maior corruptor do Brasil. Acho que é o pior, isso sim, porque sempre descobrem o que ele faz. Os maiores, e melhores, estão agindo com foto em coluna social.)
Por outro lado, que mal tem o advogado perguntar para a repórter que noticiou a história onde está o processo? Eu teria tido essa mesma idéia, é mais inteligente do que mandar um batalhão de pessoas para vagar nos tribunais do país inteiro. E que mal tem a repórter, questionada sobre seu trabalho, informar o número do processo? Por acaso vivemos em uma ditadura, onde as pessoas não podem constituir advogados para defender seus interesses?
Por fim, essa história de israelense espião e do Opportunity Fund rola há anos, desde que explodiu o caso Kroll. Por que, raios, representantes do fundo não chamam uma coletiva para explicar isso direito? Contem a história tintim por tintim. Mas não. Ficam aí tentando essas técnicas subreptícias, como levar delegado pra comer picanha. Dá no que dá. Jogam nas sombras igualzinho aos adversários.
A BrOi é um escândalo e todo mundo sabe disso. Mas ela significa apascentar o cumprimento da promessa de campanha e, na minha opinião, o primeiro passo para que a Portugal Telecom aumente sua relevância como player. Quem ganha com ela? E quem perde com ela? E com toda a história da prisão de Dantas, quem ganha e quem perde?
O que há no processo de Nova York contra o governo? E quem mais aparece nos autos? O que há no processo da Itália contra o governo? E quem mais está nos papéis de Milão? O acordo da BrOi está sendo fechado às pressas para impedir que esses documentos, os americanos e os de Milão, vazem por aqui?
O que há no relatório da Polícia Federal, fato específico e não genérico, no uso de empresas de prateleira apontadas no relatório? Quanto foi que o Opportunity perdeu com essa história e para onde foi o dinheiro? Há gente ligando para os investidores do banco e provocando fuga de recursos?
E, principalmente, o bilhete encontrado na casa de Dantas com o timbre do Waldorf Astoria era um lembrete de que há documentos em Nova York relativos a um encontro do presidente da República com representantes do Citigroup naquele hotel, em 23 de junho de 2004, fato noticiado por mim e Leila Suwwan na Folha de S.Paulo em 12 de maio de 2005, numa reportagem que jornalistas submissos ao governo tentam de todo o modo desacreditar?
Enfim, há pano para a manga. Polícia Federal, Ministério Público e Justiça deveriam olhar para esse tipo de coisa e não ficarem servindo de fontes para garotos de recado de chantagistas.
Pronto, amigos. Podem me mandar para o pelourinho, para a fogueira, para a cadeira elétrica. Revelem minhas conversas, distorçam o contexto, plantem provas, costurem a letra escarlate no meu peito. A minha carreira, como vocês bem observaram, acabou. Vocês só não contavam que meus valores são diferentes dos seus. A gente se encontra no inferno.

Li os jornais, os blogs e as revistas. A imagem que melhor resume o que vi está aí em cima. Chama-se "A Face da Guerra", quadro pintado em 1940 por Salvador Dalí.
Surreal.
Eis que informações sobre o tal relatório da Polícia Federal que cita jornalistas começou a rolar na internet. Luis Nassif publicou que Diogo Mainardi, colunista da Veja, está entre eles.
Nesta manhã, a Veja que chegou às bancas trouxe a informação, assinada por Mainardi, de que Nassif teria sido desligado da Folha de S.Paulo após suspeitas de ter usado seu espaço naquele jornal para obter patrocínios de eventos organizados por sua empresa _ aquela mesma cuja dívida obteve perdão parcial do BNDES, mesmo sem garantias firmes.
Ora, eu não confio em Nassif e não gosto nem um pouco dele. Há alguns meses, o jornalista de serviços saiu por ai lançando dúvidas sobre minha lisura profissional. Tomou minhas medidas pelo seu metro, o que, claro, só poderia resultar nas baboseiras que falou.
Às claras o que está acima, informo que mandei um e-mail para Diogo Mainardi com duas perguntas. Eis as respostas:
JANAÍNA: Você pode provar o que disse sobre Luís Nassif? Como?
DIOGO: Como eu disse na coluna, Otavio Frias Filho, nesta semana, confirmou a história. E, claro, me autorizou a publicá-la.
JANAÍNA: O que tem a dizer sobre o relatório da PF, onde seu nome aparece?
DIOGO: Uma patetice. Uma fanfarronice. E um tiro no pé. O delegado listou um monte de jornalistas, gente de primeiro time, acima de qualquer suspeita. Nos últimos anos, amolei um bocado os inspiradores desse inquérito: Gushiken, Demarco, Lacerda e seus blogueiros achacadores. Vários deles me processaram e se deram mal. Agora estão tentando me condenar de outra maneira, mas vão quebrar a cara mais uma vez. O juiz De Sanctis nem levou em consideração essa palhaçada.
Eu não vi o relatório, só rumores. Se os nomes que ouvi forem confirmados, lamentarei pela polícia, pois são profissionais da imprensa de primeira, que nada têm a ver com o pato.
Se você quer ler uma análise realmente interessante sobre o embate entre Luís Nassif e Diogo Mainardi, vá ao site de quem entende do riscado: Gravataí Merengue , meu amigo querido, por quem sinto enorme respeito e gratidão, deu show no Imprensa Marrom.
Eis a coluna que Diogo Mainardi, da Veja, escreveu para a última edição da revista:
"Eu sou lobista de Daniel Dantas. É o que diz o blogueiro Luis Nassif. Como foi que eu ajudei Daniel Dantas? Acusando-o de ter financiado Lula. E também acusando Naji Nahas de ter financiado Lula. O fato de eu ter publicado uma série de documentos judiciais sobre Naji Nahas e a Telecom Italia me incrimina, segundo Luis Nassif. Entende-se: em meu lugar, ele teria picotado e obedientemente engolido esses documentos, que denunciam as ilegalidades cometidas pela empresa e pelo governo. Quem patrocina o site de Luis Nassif? A Telecom Italia. Quem impediu que ele falisse e perdesse até as cuecas? O BNDES.Eu já ridicularizei Luis Nassif três anos atrás, demonstrando que ele reproduziu integralmente em sua coluna a nota de um lobista ligado a Luiz Gushiken. Ele foi demitido da Folha de S.Paulo pouco tempo depois, por causa de um fato ainda mais nauseabundo: a suspeita de ter usado seus artigos no jornal para achacar o governo de Geraldo Alckmin. Em 2004, Luis Nassif convidou o secretário Saulo de Castro para um fórum de debates organizado por sua empresa, Dinheiro Vivo. O detalhe sórdido era o seguinte: para o secretário poder participar do evento, o governo paulista teria de desembolsar 50.000 reais. Saulo de Castro negou o pedido.
Em 2005, Luis Nassif voltou à carga, cobrando uma tarifa ligeiramente mais modesta, de 35.000 reais. A assessora de Saulo de Castro mandou um e-mail para o chefe com este comentário: "Não é à toa que a empresa se chama Dinheiro Vivo". Saulo de Castro negou o pedido mais uma vez. Luis Nassif decidiu retaliar. Em sua coluna, passou a atacar sistematicamente o governo Alckmin, em particular o secretário Saulo de Castro. Quando o diretor da Folha de S.Paulo, Otavio Frias Filho, foi informado das suspeitas em torno de Luis Nassif, demitiu-o imediatamente. Nesta semana, falei sobre o episódio com Otavio Frias Filho. Ele confirmou.
Com a carreira no jornalismo arruinada, Luis Nassif refugiou-se na internet, onde seu passado era desconhecido, como o de Mengele em Bertioga. O bando de Luiz Gushiken arranjou-lhe uma sinecura no iG. Enquanto fazia um blog para meia dúzia de leitores, ele era obrigado a escapar de seus credores no BNDES, que queriam penhorar seus carros e apartamentos para tentar recuperar uma parte do rombo de 4 milhões de reais da Dinheiro Vivo. No fim de 2007, depois de um misterioso encontro com a diretoria do BNDES, ele conseguiu fechar um acordo judicial altamente lesivo para o banco, que lhe garantiu os seguintes mimos: o abatimento de 1 milhão de reais de sua dívida, o prazo de dez anos para saldá-la, a retirada de todas as garantias para o pagamento do empréstimo e a dispensa de uma multa de 300.000 reais. Algumas semanas depois, ele retribuiu a generosidade estatal usando o único método que conhece: uma campanha de mentiras descaradas contra mim e contra VEJA, tidos como inimigos do governo.
Luis Nassif é um banana. Ninguém dá bola para ele. Por isso mesmo, minha idéia era persegui-lo apenas judicialmente. De fato, estou processando o iG. Tenho uma tonelada de mensagens, documentos e testemunhas que desmoralizam toda a imundície publicada em seu blog. Mas suas calúnias ganharam outro peso depois que Daniel Dantas e Naji Nahas foram presos. Claramente, o pessoal que o emprega está preocupado com o rumo que esse inquérito pode tomar. Há um empenho para impedir que os dois sejam associados a Lula, como eu sempre fiz. Quando Daniel Dantas e Naji Nahas foram presos, eu comemorei. Luis Nassif deve ter pensado em todos os documentos que terá de picotar e engolir. E em todos os patrocinadores que poderá ganhar."
Só não concordo com a parte que diz "ninguém dá bola para ele". Infelizmente, há pessoas que ficam cegas pela ideologia ou aquelas que não imaginam o que se passa realmente nos bastidores da notícia. É por respeito aos últimos que reproduzo a coluna, pois Mainardi não precisa ser incensado. Tem méritos próprios e no episódio lamentável do "dossiê Veja", que envolveu meu nome e criou uma série de constrangimentos para minha vida profissional, Mainardi tem a verdade a seu lado.
Por isso mesmo, a retaliação em forma de fatos distorcidos e ataques aleatórios chegará logo. Mais uma vez, será desmentida. É guerra, leitor. Você vai se divertir. Eu, nem tanto. Preferia continuar dedicando atenção a "Kafka à Beira-Mar". Pensando bem, todavia, eu o farei _ de um jeito ou de outro.
- Qualquer pessoa de bem quer ver Daniel Dantas preso, pois é o maior corruptor brasileiro.
- Qualquer pessoa de bem vê que o Estado é policialesco, que há interesse comercial e perseguição política na prisão de Daniel Dantas .
- Qualquer pessoa de bem está do lado da PF.
- Qualquer pessoa de bem está do lado do STF.
- Qualquer pessoa de bem vê que há jornalistas agindo para favorecer Dantas.
- Qualquer pessoa de bem vê que há jornalistas atuando para favorecer o governo.
- Qualquer pessoa de bem percebe que Lula frita Dantas.
- Qualquer pessoa de bem observa que Dantas frita Lula.
- Qualquer pessoa de bem apóia os grampos.
- Qualquer pessoa de bem condena os grampos.
- Qualquer pessoa de bem considera que é tudo a mesma coisa.
- Qualquer pessoa de bem considera que é tudo muito singular.
- Qualquer pessoa de bem aposta que dançará todo mundo.
- Qualquer pessoa de bem crê que tudo continuará como dantes.
- EI, PSIU! Alguém aí viu os autos?
- ...
- ...
- Ok, então eu vou ouvir música.
Cesar Tralli no JN:
"Em outra folha manuscrita apreendida na residência de Daniel Valente Dantas, com timbre do Hotel The Waldorf Astoria, pode-se ler a anotação: 'Usar o assunto da polícia p/produzir notícia e influenciar na Justiça (fls. 05/06), concluindo a autoridade policial seu raciocínio no sentido de que estaria confirmada "a produção de factóides pela quadrilha com vistas a manipular a imprensa, a fim de gerar notícias favoráveis à organização criminosa, tudo para abastecer com argumentos as inumeráveis manobras jurídicas de seus advogados', mormente porque no curso da investigação havia sido comprovado que o investigado manteve pessoalmente e por meio de outras pessoas de sua organização contatos com vários jornalistas, ocasiões nas quais são discutidos o teor das matérias a serem publicadas na imprensa' (fl. 06)."
Reinaldo Azevedo confirmou que há inquéritos contra jornalistas. Muito bem. Se os policiais acharam indícios de venda de reportagens mentirosas, feitas de má fé e com o único objetivo de atrapalhar a Justiça, devem mesmo entender melhor o assunto, principalmente como é que o veículo concorda em publicar a reportagem enviesada. É dever deles investigar, chamar para testemunhar, esclarecer, recomendar o processo se for o caso. O jornalista que for chamado vai e explica o que lhe for perguntado. É chato? É. Mas é o preço de viver em sociedade.
Se a investigação for séria, os policiais terão cuidado para não macular o nome de ninguém e de separar o trigo do joio _ se o joio existir.
Isso, claro, é muito diferente de execrar publicamente jornalistas que tenham divulgado documentos verdadeiros que prejudiquem os interesses dos inimigos do banqueiro e/ou do governo, ou aqueles que mantinham contato regular com assessores e o próprio Dantas.
Duvido, porém, que o time que está no comando das investigações ou a Justiça tenham interesse nisso. Por que o fariam? Para beneficiar os inimigos do banqueiro? Para ganhar holofotes que permitissem seu fortalecimento na briga interna da PF? Para abafar o inquérito da Itália? Até aqui não vi indício de que é essa a força que move esse pessoal. Espero estar certa.
Claro que há uma torcida organizada (alguns por ideologia, outros por interesse, outros ainda por gostar de ver o circo pegar fogo) para que a policia vaze grampos, imagens etc. Ela fará isso? A conferir.
Por fim, acho estranho que Daniel Dantas, apontado como o cérebro de uma organização criminosa tão potente que consegue os juros do FED com antecedência, tenha guardado um bilhete limítrofe desses, bem como uma planilha de contribuição de campanhas em sua própria casa. Ainda mais sabendo que seria preso a qualquer momento, como acusa a própria polícia! Mas essa é outra história e, a exemplo do que ocorre no caso dos jornalistas, teremos de esperar.
A discussão em torno do comportamento da Polícia Federal no caso da prisão de Daniel Dantas ofusca outra, muito mais importante: quais são, no detalhe, os crimes detectados pela PF e pelo Ministério Público Federal? “Lavagem de dinheiro, formação de quadrilha etc.”, responde você. “US$ 2 bilhões entre 1992 e 2004 foram movimentados de forma ilegal.”
OK, leitor, mas quais são as empresas envolvidas? Qual o caminho do dinheiro? Quando ocorreu a lavagem? É o mesmo tipo de operação detectado no âmbito do mensalão? Nesse caso, o dinheiro foi recebido por quem? Repassado para qual conta? Voltou ao Brasil por qual caminho? E Dantas pagou para receber qual benefício?
Por que os advogados dos acusados não podiam sequer saber o motivo pelo qual estavam sendo investigados? Isso é normal? Cerceia o direito de defesa? Onde os supostos crimes praticados por Dantas convergiam com os de Nahas? Quem são os supostos brasileiros arrolados no Opportunity Fund? Como houve o acesso ao disco rígido do banco? Quem permitiu?
Ninguém informa. Leio que Daniel Dantas foi libertado, que Daniel Dantas foi preso, que a Polícia Federal não gosta dos jornalistas da Folha, que a Polícia Federal gosta dos jornalistas da Globo, que o presidente do STF critica as algemas, que o ministro da Justiça elogia as algemas, que o delegado é um demônio, que o delegado é um anjo.
BULLSHIT. Isso é firula.
Na Folha, li que a PF apura privilégio a Dantas na venda da BrT à Oi. Por quê? A princípio, a operação não me parece escandalosa por conta do que Dantas pediu para vender suas ações, nem por Carlos Jereissati e Sérgio Andrade terem concordado em pagar tal valor. O absurdo dos absurdos é que o dinheiro SAIA DO BNDES. Se Jereissati e Andrade querem pagar caro pelas ações de Dantas e do Citi, azar o deles. O que não pode é o Planalto apoiar essa vergonha.
Dizer que Dantas sai da BrT “beneficiado” é estranho. Não é ele que vai ficar com a companhia, aliás, acredito que ele nem quisesse sair de lá. Esse sim era o plano de Dantas: unir BrT e Telemar, ficando no controle de ambas. Os beneficiados, no caso, são os novos compradores _ grandes financiadores da campanha presidencial.
Posso estar falando besteira? Posso. Não vi os autos. Vai que ali tem coisa que salta aos olhos e eu não sei? As referências que ouvi do Ministério Público Federal e do juiz são excelentes. O currículo do delegado também é de peso _ qualquer pessoa que tenha brigado para esclarecer o caso Banestado e as supostas falcatruas de Paulo Maluf tem, a princípio, minha simpatia. Mas até aqui ainda não deu para entender as informações que estão saindo por aí, parece tudo uma grande massaroca.
Outro exemplo, também da Folha, é o caso da mulher de Daniel Dantas, Maria Alice, que teria movimentado US$ 21 milhões em menos de um ano. “Ela não teria fonte de renda para tanto”, teria constatado o Coaf. Pelo amor de Deus! Maria Alice é casada com um dos homens mais ricos do país e não tem fonte de renda? Acudam! O mesmo acontece com os filhos de Verônica Dantas _ é proibido filho pedir dinheiro para os pais? Os investigadores afirmam que sim e talvez tenham razão, mas até aqui não está claro o motivo. Até que me convençam, considero muito mais escandaloso o caso Gamecorp.
Claro, há a história da corrupção. É séria, muito séria, e lamentável. Foi uma péssima escolha tentar jogar de maneira suja quando se está cercado de inimigos. Se todo o divulgado for comprovado, a tentativa deve ser punida como manda a lei.
Quer saber? Bom mesmo era se Daniel Dantas falasse tudo. Eu, no lugar, não teria dúvidas. Tudo que parece horrível hoje pode ser apenas uma chance que o Universo está dando a ele de virar completamente o jogo amanhã.
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PS: Rusgas entre a Folha e a Globo não devem fazer com que o pessoal das redações perca de vista o mais importante _ o direito ao segredo da fonte e o de informar da melhor forma possível.
Muitas foram as discussões ao longo do dia sobre o trabalho da Polícia Federal na Operação Satiagraha. O presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, achou que houve epetáculo na hora das prisões. Minha opinião é que não tinha como ser de outro jeito, levando-se em conta os envolvidos: Daniel Dantas é o banqueiro mais polêmico do país, Naji Nahas quebrou a bolsa do Rio; Celso Pitta administrou São Paulo apadrinhado por Paulo Maluf. Óbvio que alguém faria imagens e que elas vazariam rapidamente.
Em contrapartida, classifico as declarações de Tarso Genro sobre a forma da prisão ridículas a não mais poder. É um absurdo que tenham saído da boca de um ministro que comanda justamente a pasta da Justiça. Ao dizer que "se fizerem uma lei no país dizendo que pessoas de baixa renda podem ser algemadas e pessoas de alta renda não podem, então a Polícia Federal vai cumprir", Genro valeu-se de uma politicagem de galinheiro. Inadmissível.
Continuo não entendendo os motivos pelos quais os presos não tiveram acesso aos autos, ou por que os diretores do Opportunity estão presos. Mas é visível que a situação de Dantas está complicada por conta da história da tentativa de suborno do delegado, reconhecida pelo advogado de um dos homens acusados de serem emissários do banqueiro. Certamente o delegado estava gravando a conversa. Por que será que as imagens foram vazadas sem áudio?
Vale ouvir a entrevista de Osmar Serraglio (PMDB-PR), relator da CPI dos Correios, até o fim.
"Existe ainda uma outra vertente (do mensalão) que sequer foi iniciada e é muito grave: a dos fundos de pensão... Tem muita coisa ainda que vai acontecer, tenho convicção que vai."
Os proxenetas do dinheiro público estão assanhadíssimos com a prisão de Daniel Dantas e dos diretores do Opportunity. Haja paciência.
Luís Nassif, que havia calado a boca por meses depois que veio a público o perdão* de R$ 2 milhões de sua dívida com o BNDES, resolveu investir de novo no infame dossiê Veja, um amontoado de baboseiras que serve de desculpas para o ataque a Diogo Mainardi e ao próprio Dantas.
A exemplo do que havia feito em outras ocasiões, o introdutor do jornalismo de serviços no Brasil _ seja lá que raios isso quer dizer _ aproveitou para colocar meu nome no meio da balbúrdia outra vez. Claro que, depois de ter sido criticado pelas inconsistências de suas acusações, teve o cuidado de fazer com que a menção do meu nome fique na boca de outros. Nassif sabe que, juridicamente, está no sal comigo. Mesmo assim, insiste. O que será que ele ganha com isso?
A claque ligada aos inimigos de Dantas também saiu a campo para encher o saco daqueles que criticam o governo. Há pouco recebi o seguinte comentário do leitor que assina Marcelo:
"E ai jornalistinha de aluguel, seu patrão ( Daniel Dantas ) foi preso. Está com medo do que vai acontecer com você ?? bjs"
Não estou, Marcelinho. Nunca tive medo e continuo não tendo. Nunca vendi matéria, nunca fechei acordo dilapidando patrimônio de banco público, nunca achaquei ninguém que não queria patrocinar minhas empresas, nunca apoiei falcatrua de nenhum tipo.
E quer saber mais? DANIEL DANTAS, AÍ ESTÁ UM CONVITE PÚBLICO DO ARRASTÃO: SE VOCÊ QUISER DAR ENTREVISTA PARA O BLOG, AVISE-ME.
E quer saber ainda mais, ô, Marcelinho? VOU CONTINUAR FALANDO MAL DO GOVERNO O QUANTO EU QUISER.
Não tenho motivo para temer falar com quem quer que seja. Talvez outros tenham: até o fim do mês passado, a informação da Justiça italiana era que o inquérito tocado pela Procuradoria de Milão (que mostra pagamentos irregulares da Telecom Itália para políticos, lobistas, funcionários públicos e jornalistas) será encerrado entre o fim deste mês e o início de setembro. A partir de então, os papéis se tornarão públicos.
Aí eu quero ver.
( * ) - Ao contrário do que Nassif diz para seus leitores, houve uma renegociação de dívida _ que ele não pagou. A RENEGOCIAÇÃO NÃO FOI HONRADA. O BNDES, portanto, entrou com uma execução cobrando um valor X. O "subcrédito A" (parte que, paga, desobriga das demais) do ACORDO realizado é absurdamente inferior ao próprio valor X inicial da execução.
Além disso, ao contrário do que se faz em qualquer acordo judicial, não foi oferecida garantia alguma. A única garantia que o BNDES tem do pagamento do acordo - que foi esticado em dez anos! - é o próprio jornalista. Isso mesmo. Embora vários bens tenham sido apontados ao longo do processo de execução, no acordo não pediram nenhum bem como garantia.
O "dossiê Veja", essa patacoada onde Nassif fala mal de mim e de Mainardi, começou poucas semanas depois de celebrado o acordo. Ah, e depois de Mainardi ter escrito uma coluna com críticas negativas ao BNDES.
Da Folha Online:
"Fazendeiros e investidores estrangeiros têm comprado 12 km² de terras por dia no Brasil, o equivalente a seis vezes a área de Mônaco ou sete parques Ibirapuera, informa reportagem de Eduardo Scolese publicada na Folha.
... O levantamento não leva em conta a compra de empresas nacionais de capital estrangeiro e os que se utilizam de "laranjas" brasileiros para passar despercebidos pelos cartórios."
O governo defendeu a união da Brasil Telecom com a Oi (ex-Telemar), à revelia da lei e com financiamento público, usando o argumento de que o setor de telecomunicações é estratégico.
O mesmo grupo de comando é favorável ao monopólio petrolífero e torce o nariz para capital estrangeiro controlador nas empresas de mídia, nos portos e na aviação. Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, então, nem pensar.
Ao mesmo tempo, o governo nem dá pelota para o enxame de estrangeiros na compra de terras.
Logo, fácil concluir: estratégico é algo que tem conselho de administração para servir de cabide de empregos, bem como uma empresa onde seja possível nomear os fornecedores.
Ai, ai. É triste.
Então o TSE decidiu restringir o uso da internet como instrumento de propaganda política. Lilian Christofoletti escreveu hoje para a Folha de S.Paulo:
"... significa que as inúmeras ferramentas da internet -como blog, e-mail, web TV, web rádio e páginas de notícias, de bate-papo, de vídeos ou comunidades virtuais- não poderão ser usadas para divulgar imagens ou opiniões que configurem apoio ou crítica a candidatos.A vedação cria situações inusitadas. Um texto desfavorável a uma candidatura, por exemplo, pode ser publicado num jornal impresso, mas não pode ser reproduzido em um blog.
Até mesmo o internauta poderá ser multado se criar sites, blogs ou comunidades pró ou contra candidatos. O tribunal entende que quem não pode praticar um ato por meio próprio também não pode praticar por meio de terceiros."
SOCOOOOORRO! O que dizer? Eu queria mandar bem como fez o Reinaldo Azevedo (clique aqui para ver o texto dele sobre o assunto), mas não. Acabaria mais debochada que o recomendável.
Assim, achei por bem procurar notícias menos imbecis. Que tal ciências? Ótimo. Da BBC Brasil:
"Comer grandes quantidades de alguns produtos à base de soja – entre eles o tofu- pode aumentar o risco de demência, sugere um estudo realizado na Grã-Bretanha.... De acordo com o professor David Smith, da Universidade de Oxford, o tofu é um alimento complexo com muitos ingredientes que podem causar impacto nas células."
É sinal do Universo. Não posso me calar, sob risco de omissão. Devem estar servindo esse negócio no cafezinho do TSE.
MINISTROS, PAREM IMEDIATAMENTE COM O CHÁ DE TOFU! TODO MUNDO PRA "REHAB"! VAMOS!
Se é que ainda dá tempo.
Élio Gaspari, na Folha de hoje, avisa: começou a boca livre com a inflação. Onde? No BNDES, aquele amigo-irmão, ora bolas. Olhe só:
"O Conselho Monetário Nacional manteve a Taxa de Juros de Longo Prazo do BNDES em 6,25% ao ano. Metade do que a patuléia terá que pagar pela Selic do Banco Central. Com essa medida, os sábios da ekipekonômica reinjetaram um vírus na patologia da incipiente inflação do real. Criaram o sujeito que ganha com ela. A 6,25%, o BNDES cobra juros inferiores à taxa de inflação prevista para o ano, 6,3%.A inflação prejudica as famílias porque as mercadorias ficam mais caras e os investimentos perdem para a desvalorização da moeda. Dói, mas é o jogo jogado.
Esse mesmo jogo fica trapaceado quando alguém entra nele sem chance de perder. Na hora em que o CMN mantém em 6,25% seus juros camaradas, os clientes da TJLP passam a ganhar para dever.
Por enquanto a trapaça é pontual e o benefício é pequeno, mas ninguém deve subestimar a audácia do governo, do BNDES e do empresariado que freqüenta esse circuito. Já houve época em que, em nome de um grande projeto industrial, o banco emprestava a uma taxa prefixada de 20%, com uma inflação de 35%. Muita gente boa botou o dinheiro no papelório e o progresso ficou para depois."
Se ninguém reclamar, daqui a pouco a diferença para beneficiar os financiados do BNDES corresponderá a um percentual bem maior. Pode apostar.
E Gaspari vai em cima também em outro assunto importante. Nelson Jobim, que é um dos ministros mais sassaricas de Lula, saiu-se com a seguinte pérola, que o Eremildo não perdoou.
"Eremildo é um idiota e soube que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, trabalha com a possibilidade de dar uma pensão de um salário mínimo às famílias dos três jovens chacinados depois que uma tropa do Exército os entregou a bandidos do morro da Mineira.Tudo bem. O cretino não entende porque a vida de um cidadão vale R$ 480 mensais e a Bolsa Ditadura de Lula custa algo em torno de R$ 4.800.
O idiota concluiu que morrer na democracia vale dez vezes menos do que gramar 31 dias de cadeia na ditadura.
Eremildo vai a Brasília para mostrar a Jobim uma tabelinha de Bolsas Ditadura distribuídas pelo governo nos últimos anos. O cretino tem certeza de que o ministro será capaz de demonstrar que Vinicius de Moraes havia bebido quando cantou que 'o morro não tem vez'."
Pois é, Jobim. Levantou tão bem a bola que a cortada foi inevitável. "Medalha!"
A Folha mandou Marcos Strecker para cobrir a Flip. Ele mandou uma boa e apimentada matéria, olhe só:
"'É escandaloso o espaço que estão dando para a libertação de Ingrid Betancourt'. A opinião é do polêmico escritor colombiano Fernando Vallejo, 66, um dos convidados da 6ª Festa Literária Internacional de Paraty, que acontece na cidade fluminense até o próximo domingo. Para o autor, a ex-refém 'é uma manipuladora, velhaca, horrível, oportunista'.Na opinião de Vallejo, a ex-candidata à Presidência não é uma vítima das Farc, mas uma política ambiciosa que provocou a ação da guerrilha como forma de promoção política.
Segundo ele, 'ela e sua assessora e companheira de aventuras Clara Rojas [libertada em janeiro deste ano] são os únicos políticos que agiram para serem seqüestrados'. 'Na época da captura, ela tinha ido com a assessora intencionalmente para um local em que havia esse risco', afirmou Vallejo. Ingrid foi seqüestrada com Rojas em fevereiro de 2002, quando viajavam em campanha para San Vicente del Caguán, em uma região no sul da Colômbia tida então como bastião das Farc.
Reféns esquecidos
O autor se mostra indignado com a comoção que a política colombiana desperta. 'Milhares já foram seqüestrados ao longo dos anos, agora várias centenas estão sofrendo em poder da Farc, mas só se fala dela.' As Farc mantêm centenas de reféns não-político pelos quais pede resgate em dinheiro.
Para Vallejo não será surpresa se Betancourt concorrer novamente à Presidência, em 2010 -ela já abriu a possibilidade anteontem. Caso isso aconteça, o escritor acha que a ex-refém tem chances de ganhar as eleições. 'O povo colombiano é tão ignorante que pode até elegê-la. Mas ela é francesa, tem dupla cidadania. Por que escolheu fazer política e concorrer a presidente da Colômbia? Por que ela não concorre na França, com [Nicolas] Sarkozy?', questiona.
O escritor e cineasta é conhecido pelo romance 'A Virgem dos Sicários' (Companhia das Letras) e vive hoje no México. Em sua obra, inclusive no recém-lançado 'Despenhadeiro', usa sua cidade natal, Medellín, a mesma do presidente Álvaro Uribe, como fonte para uma prosa realista e autobiográfica. Costuma fazer um retrato ácido da sociedade colombiana e de Medellín, fortemente impregnadas de religiosidade e afetadas pelo narcotráfico, pelo crime e pela corrupção.
Para o autor, as Farc estão derrotadas. 'A Colômbia não gosta da organização, são um bando de assassinos, seqüestradores e narcotraficantes', afirmou -antes dissera em coletiva que o grupo, 'depois da Igreja Católica e de Uribe, é a maior praga da Colômbia'.
Grande crítico do atual presidente, Vallejo acha que se ele se reeleger depois de conseguir uma mudança constitucional, nada vai mudar. 'Toda a classe política na América Latina só pensa em seus próprios interesses, quando não está claramente envolvida com o crime e com a corrupção.'"
Como se vê, a libertação de Betancourt dará pano para a manga. Particularmente, acho que o escritor só tem razão no último parágrafo. Mas é bom, sempre bom, o contraditório em meio a uma cobertura tão intensa quanto a da libertação da colombiana.
Nariz Gelado alertou sobre matéria d'O Globo que informa: Denise Abreu, ex-diretora da Anac, gravou conversas que mostram a pressão da Casa Civil para a venda da VarigLog, aquela transação para a qual trabalhou o compadre do presidente. E agora, como fica?
Leia a íntegra aqui.
Da Reuters:
"O México se tornou no últimos anos o país mais perigoso na região para o jornalismo e o governo deveria endurecer as investigações e as punições contra a liberdade de expressão, disse na sexta-feira a Sociedade Inter-americana de Imprensa (SIP).O país tem sido sacudido nos últimos anos por uma onda de violência criminal, alimentada principalmente pelas guerras entre cartéis do narcotráfico pelo controle das rotas para levar drogas para os Estados Unidos. Mais de 1.600 pessoas morreram neste ano por conta disso.
Segundo registros da SIP, ao menos sete jornalistas morreram até agora neste ano no país e 3 estão desaparecidos, disse em entrevista coletiva o presidente da comissão de liberdade de imprensa e informação da organização, Gonzalo Marroquín.
... 'Até o fim do século passado a Colômbia era o país onde era mais perigoso exercer o jornalismo, eu diria que nesses últimos anos o México se converteu no país mais perigoso para os jornalistas', acrescentou."
Péssimo. A organização, todavia, não deve atuar em regiões como o Zimbábue. Aproveitando a deixa, a situação daquele país é absolutamente surreal. Também da Reuters:
"O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, foi empossado no domingo após ser declarado o vencedor de uma eleição de candidato único que observadores dizem estar marcada por violência e intimidação.Mugabe era o único candidato e foi adiante com a eleição apesar de uma onda de condenação internacional. Os Estados Unidos, que dizem estar preparando novas sanções, pediram no domingo por uma forte ação internacional.
O líder da oposição Morgan Tsvangirai se retirou da disputa há uma semana dizendo que uma campanha sistemática de violência, que matou quase 90 de seus seguidores, tornou impossível uma votação livre e justa.
A comissão eleitoral disse que Mugabe venceu com 85,51 por cento dos votos. Ele teve 43,2 por cento no primeiro turno em março, quando Tsvangirai venceu com 47,9 por cento, próximo à maioria absoluta necessária para uma vitória ainda no primeiro turno.
A comissão disse que o comparecimento às urnas foi de 42,37 por cento, quase o mesmo que em março. Entidades de direitos humanos e testemunhas acusaram as milícias pró-Mugabe de forçar as pessoas a votar em algumas áreas.
Os observadores da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC, na sigla em inglês) disseram no domingo que a votação foi maculada pela violência pré-eleição e não reflete a vontade do povo do país, dando um grande golpe à legitimidade de Mugabe.
... Mugabe, de 84 anos, que está no poder desde a independência da Grã-Bretanha em 1980, foi rapidamente empossado para um novo mandato de cinco anos em uma cerimônia no gramado da residência presidencial, com uma banda militar, marcha da guarda e juizes em túnicas vermelhas e perucas brancas."
Oitenta e quatro anos e infernizando a vida dos outros. Credo.
Diogo Mainardi na Veja. Vale a íntegra.
"Dá para encaixar um encontro com Roberto Teixeira? Dá. Sempre dá. Roberto Teixeira foi recebido por Lula. Segundo ele, tratou-se de uma mera visita de cortesia. Nada a ver com seu trabalho para a Varig. Nesse caso, porém, por que é que a Varig teria pago as suas despesas da viagem a Brasília? Foi o que eu perguntei a Roberto Teixeira, por meio de sua assessoria de imprensa. Ele respondeu candidamente que "aproveitava as idas aos tribunais e passava no Planalto". Isto mesmo: a Varig pode ter bancado seu encontro com Lula, mas o propósito da viagem era outro.Denise Abreu, no dia de seu depoimento, entregou ao Senado Federal uma mala abarrotada de documentos. Estou com cópias de alguns deles na minha frente. Referem-se às duas semanas que antecederam o encontro de Roberto Teixeira com Lula, no Palácio do Planalto. Em 10 de agosto, a Anac decidiu cancelar os "hotrans" e os "slots" da Varig. No dia seguinte, esse cancelamento foi comunicado oficialmente a Cristiano Martins, genro de Roberto Teixeira.
Os "hotrans" e os "slots" da Varig em Congonhas eram o que a companhia aérea tinha de mais valioso. Em torno deles, desencadeou-se uma batalha. De um lado, a Anac. Do outro, Roberto Teixeira e o Palácio do Planalto. "Hotrans" e "slots" correspondem às vagas nos aeroportos. Roberto Teixeira brigou pela posse dessas vagas, como um flanelinha dos ares. Em 16 de agosto, Cristiano Martins remeteu à Anac o plano de negócios da empresa, que incluía "hotrans" e "slots". Em 17 de agosto, Valeska Teixeira protocolou na Anac um pedido de registro da companhia.
Nesse período, ocorreu aquilo que, na diretoria da Anac, se tornou conhecido como Dia do Bife: um encontro de mais de oito horas, no Palácio do Planalto, coordenado pela secretária executiva de Dilma Rousseff, Erenice Guerra. Ela pressionou para que a Anac concedesse imediatamente um certificado homologando a Varig. O coronel Jorge Velozo usou a imagem do cozimento de um bife para ilustrar a impossibilidade de queimar etapas a fim de acelerar o processo. Longe do microfone, o coronel Jorge Velozo confirma os detalhes intimidatórios do Dia do Bife. Eu testemunhei isso. Perto do microfone, ele é muito mais acanhado.
Em 22 de agosto, a Anac se reuniu para determinar a abertura do processo licitatório dos "hotrans" e dos "slots" da Varig. No mesmo dia, Roberto Teixeira deu um pulinho no Palácio do Planalto, para se encontrar com Lula. O que aconteceu depois disso? O juiz Luiz Roberto Ayoub acolheu um recurso apresentado pelo compadre do presidente e desautorizou a Anac, alegando a necessidade de dar um "tratamento excepcional" à Varig. Em 24 de agosto, ele mandou intimar toda a diretoria da Anac. O flanelinha dos ares garantiu suas vagas em Congonhas. Honorários: 5 milhões de dólares."
A disputa pelo jornal O Estado de S.Paulo está cada vez mais acirrada. Além de haver cisão entre os acionistas sobre a venda, há rumores de que os maiores interessados em comprar o diário - Globo e Abril - brigam por um sócio capitalista para concretizar a operação.
O endinheirado-alvo, conforme dizem, seria Eike Batista. Coincidência ou não, o moço recentemente enfeitou a capa da Época. Logo depois, apareceu na capa da Veja.
A avaliação dos supostos compradores seria a de que o BNDES está sob bombardeio e, portanto, não convém pedir ajuda ao banco, pois, além da concentração de mercado, os concorrentes teriam munição extra para reclamar do negócio.
Enquanto a situação não se resolve, a redação d'O Estado faz a festa. Emplaca um furo atrás do outro.
Claudio Humberto divulgou há algumas horas a lista de testemunhas de acusação no processo do mensalão. Segue a íntegra da nota:
"O ministro-relator no Supremo Tribunal Federal da ação penal 470, que investiga o escândalo do mensalão no governo Lula consideoru concluída a fase de interrogatório dos réus. O ministro Joaquim Barbosa, determinou o início da fase de depoimento das testemunhas de acusação pelos mesmos juízes que atuaram nos interrogatórios, ou por outros juízes federais escolhidos por livre distribuição. O ministro acredita que o processo ainda deve levar pelo menos dois anos para chegar a julgamento final pelo Plenário da Corte. Ele também estima que, “com muito otimismo”, será necessário mais um ano de instrução, no mínimo e de outro ano para ler todo o material recolhido e só então concluir seu voto. Entre os personagens listados está a cafetina Jeany Mary Corner. Veja a lista completa das testemunhas de acusação:
1. FERNANDA KARINA RAMOS SOMMAGGIO; 2. JOSÉ FRANCISCO DE ALMEIDA REGO; 3. LUCAS DA SILVA ROQUE; 4. GERALDO MAGELA FERNANDES SILVEIRA; 5. RAIMUNDO CARDOSO DE SOUZA SILVA; 6. ELIANE ALVES LOPES; 7. PAULO LEITE NUNES; 8. BENONI NASCIMENTO DE MOURA; 9. RAIMUNDO FERREIRA DA SILVA JÚNIOR; 10. RICARDO PENNA MACHADO; 11. SOLANGE PEREIRA DE OLIVEIRA; 12. LUIZ EDUARDO FERREIRA DA SILVA; 13. CÉLIO MARCOS SIQUEIRA; 14. JOSÉ HERTZ CARDOSO; 15. PEDRO RAPHAEL CAMOS FONSECA; 16. CARLOS EDUARDO GUANABARA; 17. ROBSON FERREIRA REGO; 18. MÁRCIO HIRAM GUIMARÃES NOVAES; 19. FRANCISCO MARCOS CASTILHO SANTOS; 20. PAULINO ALVES RIBEIRO JÚNIOR; 21. DAVID RODRIGUES ALVES; 22. ALESSANDRO FERREIRA DOS SANTOS; 23. VALMIR CAMPOS CREPALDI; 24. JEANY MARY CORNER; 25. IVAN GONÇALVES GUIMARÃES; 6. LÚCIO BOLONHA FUNARO; 27. JOSÉ CARLOS BATISTA; 28. AUREO MARCATO; 29. ADEMIR LUCAS GOMES; 30. GISELE MEROLLI MIRANDA; 31. APARÍCIO DE JESUS; 32. FREDERICO CLIMACO SCHAEFER; 33. MARIANA CLIMACO SCHAEFER; 34. EMERSON RODRIGO BRATI; 35. DANIELLY CINTRA CARLOS; 36. VALTER COLONELLO; 37. LAURITO DEFAIX MACHADO; 38. JOSÉ RENE DE LACERDA; 39. MAFALDA LANGELA SIBINELLI; 40. CHARLES ANTÔNIO RIBEIRO; 41. PAULO VIEIRA ALBRIGO."
Os grifos são meus e referem-se aos personagens que ficaram mais conhecidos no tempo da CPI dos Correios. Vou pesquisar os outros nomes e volto depois.
Mais verdade em dose homeopática em relação ao caso Varig. Folha de S.Paulo desta quarta-feira:
"A ministra Dilma Rousseff admitiu ontem que o advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Lula, foi recebido pelo menos duas vezes na Casa Civil em encontros omitidos de sua agenda pública e anteriormente negados por sua assessoria. Teixeira é acusado de influir na venda da VarigLog para o fundo Matlin Patterson, para quem advoga.A omissão desses encontros fere o decreto 4.334, de agosto de 2002, que determina que audiências de autoridades públicas com representantes de interesse privado devem ser registradas e acompanhadas por outro servidor.
Em entrevista no Planalto, Dilma admitiu que em um dos encontros estava presente uma das filhas de Teixeira, Valeska, que é afilhada de Lula e também advoga para a VarigLog. As reuniões, segundo ela, trataram de "questões relativas aos leilões da Varig", comprada pela VarigLog.
Questionada se advogados de outras companhias interessadas no negócio receberam atenção semelhante, Dilma reconheceu que não. Segundo ela, os presidentes da Gol e da TAM foram recebidos, mas não advogados das empresas."
Também na Folha:
"A ex-diretora da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) Denise Abreu relatou ontem ter se reunido "inúmeras vezes" ao longo de 2006 com a ministra Dilma Rousseff em encontros de que a Casa Civil alega "não ter registro". Abreu acusa Rousseff de interferência no processo de venda da Varig para a VarigLog.... De acordo com Abreu, num desses encontros Rousseff a teria pressionado a não mais exigir documentos que pudessem atestar a origem do capital e a capacidade financeira dos compradores da VarigLog, o que poderia atrapalhar o negócio. A ministra nega."
Você acredita em quem, na ministra Dilma ou em Denise Abreu? Eu fico com a segunda. Ao que consta, a ex-diretora da Anac não teve nenhum lapso de memória (leia aqui o que ela disse). Já a chefe da Casa Civil... Deve ser por isso que Dilma reclama da "escandalização do nada".
O curioso é que "o nada" pode ser medido em cifras: US$ 5 milhões para Roberto Teixeira, R$ 204 milhões em dívidas da VarigLog, R$ 7 bilhões (isso, bilhões) em dívidas da Varig. E O Estado de S.Paulo de hoje acrescenta mais uma, relativa aos compradores finais da Varig _ os mesmos para quem trabalha o compadre do presidente da República, Roberto Teixeira:
"A família Constantino, dona da Gol e da Varig, possui uma dívida tributária de ao menos R$ 377 milhões com a União, a maior parte acumulada no INSS por conta do não recolhimento de contribuições previdenciárias de dez empresas de ônibus do grupo. Em junho de 2006, antes da compra da Varig, ocorrida em março de 2007, a Justiça Federal em São Paulo reconheceu a existência do grupo econômico e penhorou ações da Gol para pagar as dívidas das empresas de ônibus.Os negócios envolvendo essa última companhia vêm sendo questionados por ex-diretores da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) - segundo eles, houve interferência do Palácio do Planalto.
"A família Constantino, dona da Gol e da Varig, possui uma dívida tributária de ao menos R$ 377 milhões com a União, a maior parte acumulada no INSS por conta do não recolhimento de contribuições previdenciárias de dez empresas de ônibus do grupo. Em junho de 2006, antes da compra da Varig, ocorrida em março de 2007, a Justiça Federal em São Paulo reconheceu a existência do grupo econômico e penhorou ações da Gol para pagar as dívidas das empresas de ônibus.
... Alguns processos que tramitam na Justiça revelam, segundo a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), indícios de que a família compra e vende empresas de transporte em um esquema que envolve 'laranjas'."
Vamos deixar claro mais uma vez o que está acontecendo.
1) Pessoas que trabalharam NOMEADAS PELO ATUAL GOVERNO acusam o Planalto de pressionar ÓRGÃOS PÚBLICOS a aceitar determinadas condições de venda de uma empresa QUE DEVE BILHÕES, inclusive a VELHINHOS, DOENTES e ao próprio TESOURO.
2) Tais condições beneficiaram diretamente o ADVOGADO que costurou a venda, sendo esse advogado COMPADRE DO PRESIDENTE.
3) Os COMPRADORES da companhia endividada, que foi entregue a eles LIMPINHA, sem débitos, TAMBÉM DEVEM MILHÕES ao governo.
4) O compadre do presidente, para quem não se lembra, costuma CEDER imóveis para Lula e seus filhos.
5) O mesmo compadre, aliás, que foi recebido seis vezes pelo presidente da República e, sabemos agora, também pela ministra Dilma Rousseff em encontros FORA DE AGENDA, o que é irregular, para discutir... a venda da companhia endividada. Antes de os jornais descobrirem, o motivo alegado era "cortesia".
Sobre as visitas a Folha revela:
"Três das quatro visitas que o advogado Roberto Teixeira descreveu como "cordiais" ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu compadre, no Palácio do Planalto, aconteceram no período em que as empresas aéreas questionavam a venda da VarigLog para o fundo norte-americano Matlin Patterson e três sócios brasileiros. Acusado de influir no negócio, Teixeira advogava para a companhia de carga."
Não é lindo? A ministra explicou para a Folha:
"Respondendo à acusação de que teria interferido em favor do grupo formado pelo fundo americano e os sócios brasileiros, a ministra da Casa Civil afirmou ter participado pouco do processo da Varig, que, de acordo com ela, concentrou-se na Justiça. Mas reconheceu que "o governo não queria que a falência da Varig fosse um ato de inação do governo".
O governo, bem com os juízes que cuidaram da falência, acreditam que era preciso "salvar" a Varig a qualquer custo. Por conta do calote nos aposentados que passaram a vida pagando um plano de previdência que foi transformado em pó nas fuças de administradores nomeados pelo Ministério da Previdência? Não, pois o plano de venda aprovado a toque de caixa não previa o pagamento de ninguém. Por conta dos credores, nos quais estão o INSS e a Receita? Não, pois pois o plano de venda aprovado a toque de caixa não previa o pagamento de ninguém. Por conta do mercado? Pode ser.
Minha pergunta, bem simples, é a seguinte: o mercado é quem mesmo, hein, compadre?
Muito bom o artigo de José Nêumanne sobre o caso dos militares que entregaram três rapazes a traficantes no Rio de Janeiro, publicado pelo Estadão hoje. Alguns trechos:
"Incapazes de enfrentar o problema da violência, anabolizada pelo crime organizado, que vende entorpecentes e contrabandeia armas, e de combater o mal endêmico da corrupção policial, governadores fluminenses sempre apelaram à União por uma intervenção militar nos territórios sem lei das favelas do Rio. Da mesma forma como não resistiu à tentação de mandar tropas cumprir a tarefa de Sísifo de impor a lei no Haiti, o governo federal, chefiado pelo petista Lula da Silva, cometeu a insensatez de atender ao pedido, contrariando a maioria dos oficiais das Forças Armadas e a unanimidade dos especialistas em segurança pública. Com a mesma fé que devota à própria infalibilidade e à capacidade de transferi-la à "companheirada" antiga ou moderna, o papa Lula Único se investiu da convicção inabalável de que a farda do Exército seria impermeável aos esgotos morais que infestam a periferia carioca. Mas não ficou nisso e foi além: em nome do "social", que tudo justifica, ele ungiu projeto do senador Marcelo Crivella, maioral da Igreja Universal do Reino de Deus, senador da República e um dos candidatos oficiais à Prefeitura da ex-Cidade Maravilhosa, permitindo que o Ministério das Cidades o bancasse e o da Defesa o protegesse.... Dado o primeiro passo para a insensatez, os seguintes se tornaram inexoráveis: quem joga uma maçã no esgoto não pode esperar que ela seja retirada limpa e pronta para ser comida.
... A 11 dias da tragédia, o mandante das torturas e das mortes e seus executantes estão livres e comandam o tráfico na favela. A polícia fluminense, tão diligente em acusar os militares que entregaram as vítimas aos algozes, não prendeu nem processou o chefão do tráfico e seus esbirros. O ministro da Defesa subiu o morro para pedir desculpas, expediente grato ao atual governo e ao qual também apelaram os protagonistas militares, com idêntico oportunismo. O ministro da Justiça não perdeu a ocasião de bajular o chefe, dizendo que Lula se opunha a usar o Exército no combate ao tráfico. E este agiu como se fosse um ombudsman ao classificar de 'injustificável' a presença das tropas sob seu comando no morro, além de ter prometido indenizar as famílias das vítimas, como se o vil metal bastasse para limpar a sujeira e a sangria desta tragédia impune e anunciadíssima."
Para ler a íntegra, clique aqui.
Comprou um nariz de palhaço? Não? Vá buscar o seu. A menos, claro, que você seja integrante da República de São Bernardo.
Manchete da Folha de S.Paulo:
"A Presidência reconheceu que o advogado Roberto Teixeira esteve pelo menos seis vezes no Palácio do Planalto com Luiz Inácio Lula da Silva, seu compadre, desde 2006, em encontros não registrados na agenda pública do presidente.Teixeira é acusado de usar sua influência junto ao governo para aprovar a venda da VarigLog para o fundo americano Matlin Patterson e três sócios brasileiros, que o contrataram.
Ao menos dois desses encontros estão relacionados diretamente com o negócio, aprovado pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) em junho de 2006. No mês seguinte, a VarigLog adquiriu a Varig. A assessoria de Teixeira diz que as demais visitas foram apenas de cortesia ao amigo Lula.
... O Planalto argumenta que nem todos os compromissos do presidente são divulgados."
Também na Folha:
"Em entrevista à Folha na semana passada, Teixeira havia dito que os contatos com Lula foram poucos: 'Nos últimos cinco anos e meio, os momentos que tive com o presidente foram raros. Os meus raríssimos encontros com ele são mais pessoais'."
Certamente que não. Só ficamos sabendo os resultados dos encontros quando os negócios são fechados. A cortesia oferecida ao presidente, aliás, também é desconhecida do grande público. Nem adianta perguntar para o "Papai" qual seria, uma vez que ele parece, hum, digamos, pouco amigo da verdade.
Uma das cortesias, aliás, a Folha pode ter revelado:
"O psicólogo e empresário Marcos Claudio Lula da Silva e o publicitário Sandro Luis Lula da Silva, filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, abriram uma empresa de tecnologia da informação cuja sede é um imóvel que pertence à empreiteira Mito Empreendimentos, fundada pelo advogado Roberto Teixeira e hoje registrada em nome da mulher e da filha do advogado, a advogada Valeska Teixeira Zanin Martins.O advogado e o Palácio do Planalto, procurados, não comentaram o assunto."
Enquanto Roberto Teixeira ganha seus US$ 5 milhões (como admitiu depois de dizer que tinha recebido só R$ 350 mil), a Folha informa:
"Apesar dos altos gastos da VarigLog no pagamento de honorários de advogados e despesas processuais, a empresa enfrenta dificuldades financeiras e acumula cerca de R$ 204 milhões em dívidas.... Segundo o relatório, o principal passivo da companhia é com fornecedores brasileiros, de R$ 73 milhões. As dívidas tributárias vêm em segundo lugar, com um total de R$ 65,8 milhões entre débitos de FGTS, Pis/Cofins, INSS e ICMS."
Você sabe quem cobre o buraco nas contas da previdência, não é? E isso é só a VarigLog. Olhe a Varig:
"O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu que irá julgar o imbróglio sobre as dívidas trabalhistas da velha Varig, a parcela da empresa que permanece em recuperação judicial, com dívidas de mais de R$ 7 bilhões."
Uma beleza. De quem será o prejuízo? Certamente de ninguém que tenha Roberto Teixeira, o ás, como advogado.
Fiquei rouca de falar sobre o absurdo do caso BrOi, a Telezona, criada mesmo sem a lei permitir, em vários posts. Também escrevi um bocado sobre a Varig e o Aerus, como você pode ver aqui, por exemplo.
Qual será a próxima negociata fechada a partir do jeitinho? Varig e BrOi, infelizmente, ninguém mais lê. Hoje haverá uma grita, que passa em cerca de horas. O governo aposta na espiral do silêncio. Tem tudo para ganhar.
E o nariz, está com você? Então, vamos lá. "Hoje tem marmelada? Tem, sim, senhor!"
Durou pouco a versão de Roberto Teixeira, compadre do presidente da República, sobre o quanto ganhou para amarrar a venda da Varig (sem que os aposentados e credores recebessem um tostão). Mariana Barbosa para O Estadão:
"O advogado Roberto Teixeira admitiu ao Estado que recebeu US$ 3.266.825,79 referentes a serviços prestados para a VarigLog, incluindo uma taxa de sucesso de US$ 750 mil (R$ 1.600.050) pela participação na compra da Varig em leilão judicial. O valor refere-se ao período de abril de 2006 a junho de 2007. O advogado cobra ainda US$ 682 mil (R$ 1.220.448,40) referentes a serviços prestados entre julho de 2007 e janeiro de 2008 e não pagos. Em um ano e nove meses, portanto, os honorários e taxas de sucesso do escritório do advogado totalizaram US$ 3,95 milhões.Na última quarta-feira em Brasília, Teixeira afirmou que recebera apenas US$ 350 mil da VarigLog. Ele foi a Brasília à convite do Senado para explicar as acusações da ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu, que em entrevista ao Estado disse que ele teria se aproveitado do livre trânsito com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu compadre, e com a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) para conseguir aprovar a compra da VarigLog e da Varig. Segundo Denise, a atuação do escritório no episódio foi 'imoral'."
Só há uma palavra para definir a bagunça em torno do assunto: RIDÍCULO. Há uma penca de evidências de que Teixeira e sua trupe usaram o fato de orbitarem em torno do presidente Lula para ganhar um dinheirão de maneira, no mínimo, questionável.
Essa gente não sabe o significado da palavra Estado, ela fez do Planalto a casa da Mãe Joana e apropriou-se do poder público para criar uma nova elite, cara-de-pau e nauseabunda, onde aperfeiçoar a gestão da coisa pública significa transformar a frase "olhe com quem você está falando" numa única palavra, "papai".
(Nem venha com a história de que "antes era bem pior" e toda aquela balela de militância obtusa, pois não me curvo à idéia de que a malandragem é menos pior quando levada adiante pelos "bonzinhos".)
O tráfico de influência é a sífilis da sociedade brasileira, cada vez mais deformada diante do espelho. É por conta dele que a corrupção se espalha em todos os cantos. O dinheiro da propina se mistura com o das drogas e do contrabando de armas, por meio dos doleiros e das lavanderias. Forma a raiz da impunidade e do conformismo, mistura que termina em militares agindo como bandidos e milícias torturando jornalistas.
Enquanto o Brasil continuar aceitando essa esturdície (presente e passada) com ar bovino, como se fosse algo inexorável, pouco adiantará fazer ares de repulsa quando alguém for queimado vivo no morro ou tiver os miolos espalhados ao parar no semáforo. Não passa de teatrinho para esconder que, no fundo, somos cúmplices de todo esse horror, que só faz piorar, dia após dia.
Costumo gostar bastante das entrevistas de Fernando Henrique Cardoso e a conversa que ele teve com Roberto Dias, publicada hoje na Folha, não foi diferente. O ex-presidente é um observador arguto da realidade do país e consegue, com poucas palavras, diagnosticar tendências econômicas, políticas e sociológicas.
FHC e eu, porém, temos opiniões contrárias em relação ao caso Alstom.
"FOLHA - Nos últimos dias, enquanto o comando nacional do PSDB divulgava uma nota reduzindo a crise no governo Yeda a uma conspiração política, em SP a bancada tucana na Assembléia barrava investigação no caso Alstom. O partido não se enfraquece ao agir assim?
FHC - Não barrava investigação nenhuma. Não houve nada que pudesse dar razão para fazer uma CPI sobre o caso Alstom. O caso Alstom é a divulgação, na Europa, de que essa empresa teria dado alguma propina a alguns políticos. E pára por aí. Ninguém tem informação concreta. O resto é especulação. Você não pode fazer uma CPI na base da especulação. Não tem um elemento. Não sei se é o caso de CPI. O próprio governo deve ser o primeiro a se manifestar contra e punir."
Mentira. Barraram a CPI, sim, senhor. Além disso, é óbvio que o caso Alstom merece investigação. inclusive parlamentar. Élio Gaspari, também na Folha, resume bem os motivos:
"A TROPA DE choque do governador José Serra na Assembléia Legislativa de São Paulo impediu, pela segunda vez, que a CPI da Eletropaulo discutisse as maracutaias da fornecedora de equipamentos Alstom com os governos tucanos. Derrubaram requerimentos de convocação de ex-administradores e rejeitaram até mesmo requisições de documentos relacionados com uma investigação que segue seu curso na Suíça e na França.Para quem queria manter o caso longe da luz do sol, o garrote da Assembléia pareceu um capuz eficaz. Faltou combinar com o "Wall Street Journal" e com os promotores europeus. Dois dias depois da vitória da tropa de choque, três repórteres, trabalhando em Paris, Berlim e São Paulo expuseram pela segunda vez as propinas da Alstom.
...A Alstom e "Claudio Mendes" montaram uma lavanderia internacional de propinas. Alguns tintureiros já apareceram. Entre 1998 e 2001, o engenheiro José Geraldo Villas Boas, ex-presidente da Cesp, recebeu US$ 1,4 milhão da Alstom. Villas Boas assegura que prestou serviços à empreiteira, mas reconhece que outros pagamentos eram fictícios. Quais? 'O quê, você quer que eu leve um tiro?'"
Geraldo Alckmin é outro tucano que está dando uma de João Sem-Braço.
"FOLHA - O sr. acha que o atual governo do Estado está sendo enfático na defesa do seu período e do período de Mario Covas no caso Alstom? ALCKMIN - Tudo que eu sei sobre esse caso é pela imprensa. Precisa ser esclarecido. Cabe ao governo federal, que parece ter documentos que nem o governo do Estado tem, cabe a ele esclarecer. Nós somos os maiores interessados.
FOLHA - Mas, na prática, o PSDB barrou a investigação na Assembléia paulista. ALCKMIN - O Legislativo é outro Poder, totalmente independente. Segundo, uma coisa é investigação séria, outra, é desgaste político em véspera de eleição. Precisa haver cuidado. As pessoas citadas como suspeitas são sérias, têm história."
Maiores interessados em esclarecer, Alckmin? Tenha dó, isso é fazer pouco da inteligência alheia. FHC é bem mais sutil.
Recomendo a você que leia as íntegras dos textos citados acima. Eu só discordo do Gaspari quando ele diz que a "suposição de que o caso da Alstom pode ser abafado é "produto da arrogância" _ para mim está mais como a certeza de que a corrupção e o caixa dois são práticas quase que institucionalizadas e, portanto, os tucanos poderão contar com um acordo de bastidores com o governo federal. Ninguém será punido. Um toma-lá-dá-cá de proporções épicas com o dinheiro público, inclusive o seu, leitor.
Para ler a entrevista de FHC por inteiro, clique aqui.
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"O governador Aécio Neves passou no teste do estádio lotado. Foi muito aplaudido no Mineirão, quarta-feira, mas enfrentou uma saia justa ouvindo o coro “Ei, Maradona, vai se f(*), o Aécio cheira mais do que você!”. A piada, um tanto carinhosa, foi abafada pelas vaias a Dunga."
"A compra do jornal O Estado de São Paulo pelas Organizações Globo, há dias aqui anunciada, contará com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, entidade presidida por Luciano Coutinho. Segundo informações obtidas pela coluna, o negócio estaria sendo tratado pelas partes na casa dos R$ 2,4 bilhões. Resumindo, o suado dinheiro do contribuinte será usado para financiar um negócio que mais adiante servirá aos interesses de todo e qualquer ocupante do Palácio do Planalto. Seja ele de esquerda, de direita ou de centro."
"O texto da CPI do Sistema Carcerário ainda não foi divulgado, mas nos bastidores da Câmara dos Deputados há uma intensa movimentação para que autoridades dos estados não sejam citadas ou indiciadas. O deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), que preside a Comissão dos Direitos Humanos, faz pressão para que cinco autoridades policiais do seu estado sejam excluídas do texto porque serão indiciadas. A lista contém cinco nomes, três dos quais são conhecidos até agora: José Francisco Mallmann (secretário de Segurança), Eden Moraes (diretor do Presídio Central de Porto Alegre) e o coronel Paulo Roberto Mendes (comandante da Brigada Militar)."
"O jurista Francisco Rezek fará a sustentação oral no julgamento, pelo STF (Supremo Tribunal Federal), do caso Raposa/Serra do Sol, informa o governador de Roraima, José de Anchieta Jr. (PSDB-RR). Ele contratou o ex-ministro do STF para defender a posição do Estado, contra a demarcação contínua das terras indígenas."
E a melhor do dia, também na coluna de Bergamo:
"Marta Suplicy (PT-SP) foi ao desfile da Cia. Marítima, anteontem, na São Paulo Fashion Week. "Eu também uso biquíni", disse. E moda ajuda a ganhar eleitores? "Sinceramente, não sei, mas na periferia elogiam bastante a minha pele."
O economista Alexandre Schwartsman comenta em seu blog, "A Mão Visível", sobre a possibilidade de adendos aos contratos das dívidas dos Estados e Municípios. Alguns trechos:
"Quando um estado deve à União, em caso de não pagamento esta última pode, pelo contrato de refinanciamento da dívida, interromper as transferências constitucionais de impostos para o estado (ou município) inadimplente, até recuperar o valor do pagamento. Isto impede na prática o calote do devedor.Caso o credor seja outro, sem o mesmo acesso às garantias na forma das receitas de transferências constitucionais, o que impediria um novo candidato a Itamar Franco de interromper o pagamento da dívida? Aliás, diga-se, muito provavelmente acusando a administração anterior e o banco credor, mesmo se este último for uma instituição multilateral, mais uma vez jogando a conta no governo federal."
Vale ler a íntegra. Clique aqui.
Impecável. É a palavra que define, na minha opinião, o editorial publicado pel'O Estadão:
"O presidente Lula diz uma coisa e faz outra. De um lado, comparou a uma ''laranja sem caldo'' o depoimento de 8 horas da ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu, que acusa a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, de tê-la pressionado para que não criasse caso com a suspeita composição societária da firma formada para comprar a VarigLog e depois vender a Varig. Lula afirmou ainda que a publicação da denúncia - motivo do convite para Denise depor - não passou de ''mau jornalismo''. De outro lado, mandou ninguém menos do que o seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, assumir prioritariamente a responsabilidade pela defesa do governo no caso."... Na discutível versão de Carvalho, as coisas não se misturam.
A nossa regra é muito clara'', assegura. ''Parente e amigo, aqui, passam por uma peneira de fio duplo.'' ''Se o presidente não fez nada pelo irmão'', pergunta, ''por que há de fazer pelo compadre?'' A comparação é absurda. Genivaldo Inácio da Silva, o Vavá, investigado ano passado pela Polícia Federal, é de uma desimportância atroz. 'Arruma dois pau pra eu', mendigou certa vez, numa conversa gravada. Já Teixeira é o pivô de jogadas bilionárias na aviação comercial."
"... Não se trata das velhas relações de compadrio - no sentido que a ciência política dá ao termo - entre governantes corruptos e os endinheirados que os ajudaram a se eleger para isso mesmo. Hoje em dia, a corrupção do princípio da impessoalidade das decisões do Executivo se reveste da defesa do bem comum - ''salvar'' a Varig, por exemplo. É o estágio superior, pode-se dizer, das parcerias espúrias entre o público e o privado."
Para ler a íntegra, clique aqui.
Claudio Humberto, hoje:
"Os bancos oficiais remuneram em apenas 6,25% ao ano as aplicações do Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT), estimadas em R$ 139 bilhões, mas emprestam esse dinheiro, inclusive a trabalhadores, cobrando 24% ao ano. Com isso, o lucro dos bancos do governo (Banco do Brasil, Caixa, BNDES, Basa e BNB) é bem maior que o obtido pela banca privada emprestando o que é depositado pelos próprios clientes.""A agiotagem dos bancos oficiais terá de mudar, advertem dirigentes do FAT, que exigem remuneração melhor para as aplicações do Fundo."
Duvido e faço pouco. Nunquinha da silva os bancos oficiais abrirão mão desses recursos. A não ser, claro, que o Bradesco entre em acordo amplo e irrestrito com o Sindicato dos Bancários de São Paulo, assumindo um caso antigo que, para o bem de todos, nunca pôde ser chamado de casamento.
Da coluna de Monica Bergamo, hoje, na Folha:
"A pista do aeroporto de Congonhas deve estar no centro da conclusão da investigação sobre o acidente da TAM, que a polícia pode finalizar até julho. De acordo com o promotor Mario Luiz Sarrubbo, que acompanha o inquérito, 'as condições da pista foram fatores contribuintes" da tragédia, pois levaram os pilotos a procedimentos mais cautelosos mas já não recomendados pela Airbus -como deixar um dos manetes em posição idle (ponto morto). 'Quando o manete não fica na posição correta, o computador da aeronave enlouquece e ela vara a pista', diz o promotor.""De acordo com Sarrubbo, 'serão vários os denunciados', inclusive 'autoridades federais'. 'A responsabilidade criminal virá.' O promotor afirma, no entanto, que pretende esperar a conclusão das investigações da Aeronáutica para dar início à ação penal."
Você acha mesmo que depois da notícia acima algum integrante da diretoria da Anac irá corroborar o que disse Denise Abreu sobre o caso Varig? E a TAM, dona do avião que caiu em Congonhas, terá peito de explicar a oferta que fez pela Varig?
Eu ficaria surpresa.
Denise Abreu, que, dizem, seria ligada a José Dirceu, esculhambou o primeiro-compadre e a ministra Dilma Rousseff. O escândalo nasceu em reportagem do Estadão e migrou para a Veja. Três dias depois, bomba na revista Época, desta vez contra Dirceu.
Reportagem do excelente Andrei Meirelles:
"A prova mais contundente da operação policial que levou de volta à cadeia o prefeito de Juiz de Fora (MG), Carlos Alberto Bejani (PTB), saiu da gaveta do próprio prefeito. Na primeira fase da Operação Pasárgada, em abril passado, além de deter Bejani, a Polícia Federal apreendeu documentos, computadores, armas de uso exclusivo das Forças Armadas e R$ 1,1 milhão em dinheiro vivo que o prefeito guardava em casa.... os agentes encontraram um pacote com oito DVDs.... ÉPOCA teve acesso, com exclusividade, às gravações. As imagens mostram o prefeito recebendo maços de dinheiro e contando a propina. “Você não tem uma mala aí não?”, pergunta o prefeito, ao receber o dinheiro. Num dos vídeos, gravado em maio de 2006, Bejani fala de uma suposta reunião com o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu para tratar da liberação de R$ 70 milhões para a prefeitura. Sem saber que estava sendo gravado, ele dispara: “Sabe quanto isso dá de comissão? R$ 7 milhões”. O contrato, com a Caixa Econômica Federal e o Ministério das Cidades, foi assinado 50 dias depois.
... Bejani foi preso pela PF no início da manhã desta quinta-feira (12), com mais 13 pessoas, entre elas o empresário Francisco José Carapinha, o Bolão, que aparece nos vídeos negociando a propina.
... O ex-ministro José Dirceu – por intermédio do advogado José Luiz Oliveira – negou ter negócios com o prefeito de Alberto Bejani."
Acho que há um trecho da Época a ser melhor explicado.
"É Bolão quem mais aparece, com Bejani, nas gravações. Também foi ele, de acordo com as informações colhidas pela polícia ao longo da investigação, quem escondeu a câmera no escritório. Apesar da boa amizade, queria ter o prefeito na mão. O próprio Bejani, ao saber da existência das gravações, tratou de pegar os DVDs (não se sabe justamente como), e os guardou na prefeitura. Não contava com a ação da polícia."
Tudo bem que Bolão tenha gravado, mas o prefeito manter as gravações é estranho, não é?
Vamos ver no que dá todo essa balaio de gatos.
Difícil resistir: "nunca antes na história deste país" alguém escapou tantas vezes de dar explicações ao Senado quanto o compadre do presidente, Roberto Teixeira. Será diferente agora? Tenho dúvidas.
Longe de mim dificultar ainda mais. Alguém, contudo, poderia perguntar a Teixeira se diante da Comissão de Infra-Estrutura do Senado, ele agirá como Denise Abreu. A ex-diretora da Anac avisou que está disposta a fazer acareações públicas com quem quer que seja, basta chamarem. Também afirmou, com todas as letras, que assinaria um termo de compromisso com a verdade em seu depoimento naquele instante.
Cá entre nós, isso é notícia. Novamente, não li em nenhum lugar. Meus amigos também não. Pode ser que tenha saído e não vimos, nesse caso, por favor, me avise.
Por que é notícia? Porque o costume de quem é chamado para falar no Congresso nessas comissões é exatamente o oposto: vão pedir habeas corpus para ter direito a não responder às perguntas, basta lembrar dos mensaleiros. Denise fez o oposto. Para mim isso conta. Você decide o que pensa.
Também foi pouquíssimo explorada pelos senadores a atuação dos juízes que decidiram pela venda da Varig nos moldes como aconteceu (ou seja, sem pagar a ninguém). Um desses magistrados era Márcia Cunha, lembra dela? Se precisar de memoriol, clique aqui e aqui.
Nada como um dia atrás do outro, dinheiro vivo não substitui olho vivo.
P.S.: Se você é do mundo jurídico, poderia me explicar como uma vara empresarial pode julgar decisões de uma autarquia federal? Não entendi até agora. A Anac pensava o mesmo, segundo Denise Abreu. Recorreu ao CNJ. A vara que havia constado da reclamação teria sido extinta e, por conseqüência, o processo não prosperou. Que coisa.
Olhei as notícias de internet sobre o caso Varig. Ai, que preguiça! Não vi nenhuma explicando o básico para que as pessoas entendam a gravidade do que está acontecendo. Então, darei minha contribuição.
1) O PT tem uma relação muito próxima com empresas de ônibus e aviação. Os laços geralmente são amarrados pelo advogado Roberto Teixeira, amigo fraterno de Lula e de boa parte da cúpula do PT. Seu nome ficou conhecido na década de 90, quando outro petista famoso, Paulo de Tarso Venceslau, denunciou Teixeira como o articulador de um esquema de arrecadação ilegal nas prefeituras petistas.
2) Nos últimos anos, Teixeira fez lobby para Antonio Celso Cipriani (Transbrasil) e Joaquim “Nenê" Constantino (Gol). O primeiro era investigador do Dops no período da ditadura. O segundo era sócio de Ronan Maria Pinto e Baltazar José de Souza em uma empresa de ônibus.
3) Ronan Maria Pinto, empresário no setor de transporte público que atuava na região de Santo André, teve sociedade com um petista famoso: Sérgio Gomes da Silva, o “Sombra”. Os dois, junto com o advogado Fernando Milman, eram donos da Roanake.
4) A Roanake é uma empresa que mandou dinheiro para offshores no Uruguai. Parte dos recursos, milhões de reais, supostamente obtidos por meio do achaque de empresários em Santo André, teria retornado para cobrir campanhas políticas do PT e de seus aliados. Algumas das offshores em questão teriam sido usadas também para lavar dinheiro do tráfico de drogas da quadrilha do Comendador Arcanjo, um dos líderes do crime organizado no país.
5) “Sombra” e Ronan foram acusados pelo Ministério Público de concussão (extorsão praticada por funcionário público) e formação de quadrilha. Também foram denunciados como mandantes do seqüestro e do assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel em 2001. A Justiça aceitou a denúncia contra "Sombra", que está preso.
6) Os irmãos de Celso Daniel sustentaram publicamente que o prefeito foi morto por conta do esquema de dinheiro sujo que envolvia o PT. Afirmaram ainda que o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, sabia disso.
7) O outro sócio de Ronan na Roanake, Fernando Milman, também manteve uma empresa com um petista graúdo: Waldomiro Diniz. Antes de ir trabalhar no Planalto, Waldomiro teria atuado junto a bicheiros e a bingueiros para arrecadar R$ 1 bilhão para a campanha do PT em 2002.
8) Um dos principais contatos de Waldomiro Diniz seria o espanhol Alejandro Ortiz e seus filhos, apontado pela Divisão Anti-Máfia da Itália e pelos parlamentares da CPI dos Bingos como o representante da máfia italiana no Brasil.
9) Diniz também teria ligações com empresários angolanos, segundo Rogério Buratti, ex-secretário de Antônio Palocci na prefeitura de Ribeirão Preto.
10) Toda essa teia pode ser escrutinada agora, depois que a ex-diretora da Anac, Denise Abreu, afirmou publicamente que o advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula, e sua filha, a advogada Valeska Teixeira, fizeram lobby junto ao governo para que a VarigLog fosse vendida para o fundo norte-americano Matlin Patterson e três sócios brasileiros, Marco Antônio Audi, Luiz Gallo e Marcos Haftel.
11) Denise confirmou que a ministra-chefe da Casa Civil teria pressionado a Anac para que a venda da Varig à Gol acontecesse rapidamente. O modelo de venda original traçado pelos técnicos do governo, disse Denise, garantia o pagamento das dívidas trabalhistas da Varig e o ressarcimento dos aposentados que contribuíram com o fundo de pensão da companhia. Isso, porém, exigiria mais tempo e a venda acabou saindo sem que trabalhadores e pensionistas recebessem um tostão. O assunto foi para o Supremo Tribunal Federal.
12) A VarigLog foi repassada ao fundo americano Matlin Patterson, assessorado por Teixeira, por apenas R$ 24 milhões.
13) A venda, juntamente com a liquidação intempestiva do fundo de pensão da Varig, permitiu que a Gol, de Nenê Constantino, a quem Roberto Teixeira também assessorou, levasse a Varig _ limpinha, sem dívidas _ em março de 2007 por R$ 320 milhões. A CVM, na época, abriu um inquérito para investigar a compra.
14) A revista Veja da semana passada mostrou que a TAM fez uma oferta maior pela Varig, de R$ 738 milhões. Mesmo assim, o governo preferiu selar a operação com a Gol.
E AGORA, COMO ESTÃO AS COISAS?
1) O presidente Lula recebeu Roberto Teixeira e os compradores da VarigLog logo em seguida de a operação ter sido fechada. Autografou uma foto onde aparece sorridente.
2) O presidente Lula não recebeu os aposentados do Aerus. Quem escreve para ele sobre o assunto recebe um e-mail dizendo que o assunto está na Justiça, pois o Supremo Tribunal Federal irá julgar a liquidação-relâmpago do fundo. Até o julgamento, que pode levar anos, ninguém recebe um tostão da Varig. Muitos terão morrido quando a sentença sair.
3) Denise Abreu foi bombardeada pela mídia no caso do apagão aéreo e perdeu o cargo na Anac. Desde então, não conseguiu mais emprego.
4) A TAM negou ter feito uma oferta maior que a da Gol pela Varig. A Veja divulgou um memorando da TAM co