E lá vem o Nassif descendo a ladeira com a tamanca na mão. Justo. Eu reproduzi a coluna na qual Mainardi ouviu de Otavio Frias Filho que ele é achacador, hora do revide.
O que está no relatório da PF:

Pois bem. Aí vem Nassif e diz que eu era "informante" de Daniel Dantas. Bom, deixa eu ver se entendi: a super espiã aqui falava para o Dantas sobre notícias publicadas na internet sobre... Daniel Dantas. Claro, é o raciocínio lógico mais perfeito que existe. Supor que eu pudesse ter lido a notícia do Ucho e ligado para perguntar o que era aquilo é inimaginável. Que coisa.
Outra da PF é o diálogo mantido entre Janaína (sim, é óbvio que sou eu) com Daniel Dantas. Olhe como Nassif publicou o diálogo:

Olhe como é o diálogo na íntegra:

Pois bem. Eu tinha uma tese sobre a BrOi, a de que o modelo da operação levaria alguns sócios a ficarem com uma participação pequena, mas controladora. Para financiar esse controle eles teriam de endividar a operadora, a exemplo do que ocorreu com a gestão de Tronchetti Provera na Itália. Isso é errado? Eu deveria escrever sem checar? Não sei os motivos pelos quais a PF sabia que aí eu era Janaína e nas outras conversas não, uma vez que ela identificou o telefone no nome da minha mãe (sim, meus amigos, minha mãe apareceu no relatório).
Continuo. Outro trecho do relatório, página 157 (numeração manuscrita). Lá aparece um diálogo datado de 18/02/2008 entre Daniel Dantas e MNI. Fiquei pensando no que que isso quer dizer? Mulher Não Identificada? Vou ficar com Moça Não Identificada, é mais bonitinho. Se bem que, a partir de agora, você saberá que a MNI sou eu.
O resumo do diálogo analisado pelo agente da PF está aqui e aqui eu o explico frase a frase. Mas primeiro contextualizo. Um dia antes, 17 de fevereiro, houve o primeiro ataque a mim por parte de Luís Nassif, na palhaçada do tal "Dossiê Veja". Eu dei minha resposta.
(Colocaria link para o Nassif, se ele não tivesse limpado seu histórico.)
No dia seguinte, DD me ligou. Estava preocupado comigo, pois sabia serem injustas as acusações de que eu tinha usado meu cargo de repórter na Folha de S.Paulo para favorecê-lo. Seu conselho, como alguém mais experiente e que entendia dessa história, era que eu ignorasse os ataques de Nassif, pois havia algo estranho na motivação daquele dossiê, algo que ele não sabia dizer o que era, mas que não parecia bom, uma vez que estavam mirando em alguém como eu. E ponderou que ele próprio, DD, considerava a hipótese de que o dossiê estivesse ligado a interesses comerciais e, portanto, era uma briga que não valia a pena. Outro argumento usado por ele era o de que Diogo Mainardi, da Veja, tinha apoio institucional para entrar numa batalha desse porte, poderia pagar advogados. Eu, que tinha pedido demissão da Folha, não. Dantas me alertou ainda que seus inimigos fariam qualquer coisa caso se sentissem acuados e que ele já tinha sofrido muito pois seus adversários tinham a simpatia do Estado, ao contrário dele. Disse ainda que a guerra tinha ficado tão terrível que mesmo alguns de seus inimigos, os quais não tinham limites, não sabiam exatamente contra o que brigavam. O assunto já estaria nas mãos dos procuradores (Mainardi havia informado na coluna que mandara os papéis).
Eu disse a DD o seguinte: que não tinha o menor interesse de ficar brigando com alguém mais conhecido que eu. Por mim tudo tinha acabado, apenas respondi os ataques injustos que recebi (num tom bem educado até, como você pode ver aqui). Mas deixei claro que eu não tinha o que temer, pois nunca vendi matéria nenhuma, nem inventei nada, e portanto iria responder quantas vezes viessem para cima de mim. E, se não me engano, falei algo na linha de que o assunto das teles estava pegando fogo (por conta da criação da BrOi), ao que ele respondeu que eu deveria parar de insistir com o assunto da Telecom Itália (alvo das críticas de Nassif), mas que isso não implicava parar de escrever, eu podia falar sobre os assuntos que quisesse, Telemar, o que fosse.
Ora, eu sabia disso. Tanto que já vinha escrevendo contra a operação e continuei a fazê-lo.
Fiquei me perguntando os motivos pelos quais a PF teria se interessado por essa conversa. Simples, leitor. Naquele mesmo dia, eu escrevi à noite que o tempo esclarecia mais que os esforços, como havia me dito alguém de quem gosto muito, e que eu acataria o conselho. Sacou?
Sinceramente, quantas pessoas me falaram que eu não deveria brigar com Luís Nassif? TODAS. TODAS. Inclusive minha mãe, que hoje eu vejo estampada num relatório policial. Perdão, querida. A culpa é minha. Eu deveria ter ouvido você. E Dantas também.
Continuando o melô do Claudinho e Buchecha da PF ("quero te encontrar!"), outra parte onde a mamãe, coitadinha, aparece no relatório:

Olhe nos meus arquivos (é, para o bem ou para o mal eu não apaguei nenhum dos meus textos). No dia 10 de abril, depois de a mulher de Nassif ter lançado dúvidas sobre mim, eu havia escrito um post desafiando Nassif a abrir seus clientes, contas, tudo, com direito ao acompanhamento de auditores e jornalistas. Está aqui, basta você conferir.
Recebi e retornei vários telefonemas aquele dia. Pelo jeito um deles foi para Daniel Dantas, com quem tive o diálogo acima: tudo isso era uma palhaçada - quantas vezes vou ter de repetir? -, e que ele mais do que ninguém sabia disso. Pois bem.
Mas agora eu entendi o segundo recado do que está aí: insinuam que minha mãe é minha laranja. Pois bem. Então aí vai o segundo desafio: VAMOS ABRIR A CONTA DA MINHA MÃE TAMBÉM? Inclusive os investimentos? Podem procurar bens em nome de toda a minha família e detodos os meus amigos. Nada encontrarão. Eu não tenho nada, nem eles, coitados.
Só tem uma coisa, PF. Eu quero ver a da família do Nassif. Ah, e pedir um favorzinho também. Será que vocês poderiam vazar a ligação em que Rodrigo Andrade me conta que avisou Nassif que não tinha dito coisíssima nenhuma para o juiz que eu era informante dele e que Nassif não tinha publicado? Nessa ligação, eu peço para Andrade me mandar o print screen. Veja você mesmo, clique aqui.
Afinal, a PF é para todo mundo. Não é?
Eis a coluna que Diogo Mainardi, da Veja, escreveu para a última edição da revista:
"Eu sou lobista de Daniel Dantas. É o que diz o blogueiro Luis Nassif. Como foi que eu ajudei Daniel Dantas? Acusando-o de ter financiado Lula. E também acusando Naji Nahas de ter financiado Lula. O fato de eu ter publicado uma série de documentos judiciais sobre Naji Nahas e a Telecom Italia me incrimina, segundo Luis Nassif. Entende-se: em meu lugar, ele teria picotado e obedientemente engolido esses documentos, que denunciam as ilegalidades cometidas pela empresa e pelo governo. Quem patrocina o site de Luis Nassif? A Telecom Italia. Quem impediu que ele falisse e perdesse até as cuecas? O BNDES.Eu já ridicularizei Luis Nassif três anos atrás, demonstrando que ele reproduziu integralmente em sua coluna a nota de um lobista ligado a Luiz Gushiken. Ele foi demitido da Folha de S.Paulo pouco tempo depois, por causa de um fato ainda mais nauseabundo: a suspeita de ter usado seus artigos no jornal para achacar o governo de Geraldo Alckmin. Em 2004, Luis Nassif convidou o secretário Saulo de Castro para um fórum de debates organizado por sua empresa, Dinheiro Vivo. O detalhe sórdido era o seguinte: para o secretário poder participar do evento, o governo paulista teria de desembolsar 50.000 reais. Saulo de Castro negou o pedido.
Em 2005, Luis Nassif voltou à carga, cobrando uma tarifa ligeiramente mais modesta, de 35.000 reais. A assessora de Saulo de Castro mandou um e-mail para o chefe com este comentário: "Não é à toa que a empresa se chama Dinheiro Vivo". Saulo de Castro negou o pedido mais uma vez. Luis Nassif decidiu retaliar. Em sua coluna, passou a atacar sistematicamente o governo Alckmin, em particular o secretário Saulo de Castro. Quando o diretor da Folha de S.Paulo, Otavio Frias Filho, foi informado das suspeitas em torno de Luis Nassif, demitiu-o imediatamente. Nesta semana, falei sobre o episódio com Otavio Frias Filho. Ele confirmou.
Com a carreira no jornalismo arruinada, Luis Nassif refugiou-se na internet, onde seu passado era desconhecido, como o de Mengele em Bertioga. O bando de Luiz Gushiken arranjou-lhe uma sinecura no iG. Enquanto fazia um blog para meia dúzia de leitores, ele era obrigado a escapar de seus credores no BNDES, que queriam penhorar seus carros e apartamentos para tentar recuperar uma parte do rombo de 4 milhões de reais da Dinheiro Vivo. No fim de 2007, depois de um misterioso encontro com a diretoria do BNDES, ele conseguiu fechar um acordo judicial altamente lesivo para o banco, que lhe garantiu os seguintes mimos: o abatimento de 1 milhão de reais de sua dívida, o prazo de dez anos para saldá-la, a retirada de todas as garantias para o pagamento do empréstimo e a dispensa de uma multa de 300.000 reais. Algumas semanas depois, ele retribuiu a generosidade estatal usando o único método que conhece: uma campanha de mentiras descaradas contra mim e contra VEJA, tidos como inimigos do governo.
Luis Nassif é um banana. Ninguém dá bola para ele. Por isso mesmo, minha idéia era persegui-lo apenas judicialmente. De fato, estou processando o iG. Tenho uma tonelada de mensagens, documentos e testemunhas que desmoralizam toda a imundície publicada em seu blog. Mas suas calúnias ganharam outro peso depois que Daniel Dantas e Naji Nahas foram presos. Claramente, o pessoal que o emprega está preocupado com o rumo que esse inquérito pode tomar. Há um empenho para impedir que os dois sejam associados a Lula, como eu sempre fiz. Quando Daniel Dantas e Naji Nahas foram presos, eu comemorei. Luis Nassif deve ter pensado em todos os documentos que terá de picotar e engolir. E em todos os patrocinadores que poderá ganhar."
Só não concordo com a parte que diz "ninguém dá bola para ele". Infelizmente, há pessoas que ficam cegas pela ideologia ou aquelas que não imaginam o que se passa realmente nos bastidores da notícia. É por respeito aos últimos que reproduzo a coluna, pois Mainardi não precisa ser incensado. Tem méritos próprios e no episódio lamentável do "dossiê Veja", que envolveu meu nome e criou uma série de constrangimentos para minha vida profissional, Mainardi tem a verdade a seu lado.
Por isso mesmo, a retaliação em forma de fatos distorcidos e ataques aleatórios chegará logo. Mais uma vez, será desmentida. É guerra, leitor. Você vai se divertir. Eu, nem tanto. Preferia continuar dedicando atenção a "Kafka à Beira-Mar". Pensando bem, todavia, eu o farei _ de um jeito ou de outro.
Cesar Tralli no JN:
"Em outra folha manuscrita apreendida na residência de Daniel Valente Dantas, com timbre do Hotel The Waldorf Astoria, pode-se ler a anotação: 'Usar o assunto da polícia p/produzir notícia e influenciar na Justiça (fls. 05/06), concluindo a autoridade policial seu raciocínio no sentido de que estaria confirmada "a produção de factóides pela quadrilha com vistas a manipular a imprensa, a fim de gerar notícias favoráveis à organização criminosa, tudo para abastecer com argumentos as inumeráveis manobras jurídicas de seus advogados', mormente porque no curso da investigação havia sido comprovado que o investigado manteve pessoalmente e por meio de outras pessoas de sua organização contatos com vários jornalistas, ocasiões nas quais são discutidos o teor das matérias a serem publicadas na imprensa' (fl. 06)."
Reinaldo Azevedo confirmou que há inquéritos contra jornalistas. Muito bem. Se os policiais acharam indícios de venda de reportagens mentirosas, feitas de má fé e com o único objetivo de atrapalhar a Justiça, devem mesmo entender melhor o assunto, principalmente como é que o veículo concorda em publicar a reportagem enviesada. É dever deles investigar, chamar para testemunhar, esclarecer, recomendar o processo se for o caso. O jornalista que for chamado vai e explica o que lhe for perguntado. É chato? É. Mas é o preço de viver em sociedade.
Se a investigação for séria, os policiais terão cuidado para não macular o nome de ninguém e de separar o trigo do joio _ se o joio existir.
Isso, claro, é muito diferente de execrar publicamente jornalistas que tenham divulgado documentos verdadeiros que prejudiquem os interesses dos inimigos do banqueiro e/ou do governo, ou aqueles que mantinham contato regular com assessores e o próprio Dantas.
Duvido, porém, que o time que está no comando das investigações ou a Justiça tenham interesse nisso. Por que o fariam? Para beneficiar os inimigos do banqueiro? Para ganhar holofotes que permitissem seu fortalecimento na briga interna da PF? Para abafar o inquérito da Itália? Até aqui não vi indício de que é essa a força que move esse pessoal. Espero estar certa.
Claro que há uma torcida organizada (alguns por ideologia, outros por interesse, outros ainda por gostar de ver o circo pegar fogo) para que a policia vaze grampos, imagens etc. Ela fará isso? A conferir.
Por fim, acho estranho que Daniel Dantas, apontado como o cérebro de uma organização criminosa tão potente que consegue os juros do FED com antecedência, tenha guardado um bilhete limítrofe desses, bem como uma planilha de contribuição de campanhas em sua própria casa. Ainda mais sabendo que seria preso a qualquer momento, como acusa a própria polícia! Mas essa é outra história e, a exemplo do que ocorre no caso dos jornalistas, teremos de esperar.
A Itália é o Brasil europeu. Só dá gente populista, corrupta e néscia no poder. A última moda vinda da Bota é uma temeridade. Do JC Online:
"O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, concedeu aos prefeitos de Roma, Milão e Nápoles, as três maiores cidades da Itália, poderes extraordinários para resolver o que chamou de "emergência cigana", segundo o jornal espanhol El Pais. Desde que foi eleito em abril, Berlusconi vem endurecendo a política contra imigrantes, especialmente os romas (ciganos), vistos com desconfiança por muitos italianos. O ministro do Interior, Alfredo Mantovano, chegou acusar os romas de estarem ligados a roubos, assaltos e raptos.A aprovação dos poderes especiais, publicada no sábado na Gazeta Oficial italiana, prevê uma verba inicial de € 3 milhões (US$ 4 6 milhões) para que os prefeitos "realoquem ou expulsem" as comunidades ciganas das regiões do Lácio, da Lombardia e da Campânia.
...No sábado, em entrevista ao jornal Il Tempo, Mantovano não poupou acusações à etnia. "Como demonstram os números e a realidade sociológica, os romas são uma etnia ligada a certos tipos de crimes, como roubos, assaltos e até raptos", acusou o ministro, do partido de extrema direita Aliança Nacional."
Socorro! Baixou o espírito de Mussolini em Berlusconi! Camisa-de-força para Mantovano já!
Dinheiro público para expulsar pessoas das cidades por conta de sua ascendência? Vimos o mesmo no século passado e o resultado foi a Segunda Guerra Mundial. Italianos, façam alguma coisa!
Racismo é uma ótima desculpa para as autoridades deixarem de cumprir sua obrigação de patrulhar, prender e condenar quem desrespeita a lei. Lembre-se que a Itália, como o Brasil, é um país onde o crime organizado estendeu os tentáculos para o governo, uma associação que rende excelentes lucros para os corruptos. Por que não colocam na cadeia o pessoal da Parmalat, por exemplo? O julgamento é uma espécie de seriado ruim, está no ar faz anos e não dá em nada.
Perguntei a um amigo de origem italiana o que pensa sobre o caso. A análise foi bastante lúcida:
"Berlusconi se aproveita do clima de xenofobia que se espalhou pelo país. Tal clima não é imotivado: os estrangeiros cometem boa parte dos crimes. A esquerda preferiu ignorar o assunto, fazendo-se de boa moça, como sempre e se deu mal. O crime tem de ser combatido frontalmente. A xenofobia só brota porque o governo não faz o que deve ser feito: impor a ordem."
Precisa dizer algo mais?
Luís Nassif colocou uma nota do BNDES em seu blog há pouco, reiterando que não foi favorecido pelo banco ao "renegociar" sua dívida com a instituição em 2007. Leia aqui.
Eu não banco a informação do BNDES, muito pelo contrário. As explicações, na minha opinião, são insatisfatórias. Ainda bem para Nassif que ele as obteve no mesmo dia de seu pedido. Para mim, a instituição demorou dez dias até enviar suas ponderações. Mas, tendo em vista tudo o que acontece nesse caso, está em linha com o comportamento do BNDES.
TODAS as perguntas e TODAS as respostas publicadas por Nassif são referentes a casos de renegociação da dívida, o que NÃO se aplica ao próprio Nassif. O BNDES perdoou condicionalmente _ até o Hoauiss entende "dispensa" como perdão _ R$ 1,9 milhão da dívida total de R$ 4,2 milhões do empresário durante ACORDO JUDICIAL. E o fez SEM A APRESENTAÇÃO DE GARANTIAS REAIS.
Em NENHUM processo que corre no Tribunal de Justiça de São Paulo foram encontrados acordos em tais condições.
Não tinha a intenção de revelar minha conversa com o BNDES antes de receber o segundo lote de respostas. Mas, diante da nota de Nassif, acho por bem fazê-lo. Devo isso ao leitor do Arrastão.
1) O acordo com Nassif é normal e obedece aos procedimentos usuais do banco. Eu perguntei por que, nesse caso, nenhum outro acordo do tipo pode ser encontrado em andamento, pelo menos no TJ paulistano, o maior do país. Não obtive resposta.2) O contrato de Nassif foi fechado em 1997, no âmbito de um programa de "inovação tecnólogica". Esse programa dispensava a apresentação das garantias. Eu perguntei que tipo de "inovação tecnológica" uma AGÊNCIA DE NOTÍCIAS pode apresentar? Não obtive resposta.
3) Segundo o BNDES, a lógica da dispensa da garantia dentro do programa de "inovação" é que "uma agência de notícias conta com o patrimônio da credibilidade". Perguntei, então, se a garantia era apenas o próprio nome de Nassif e como é possível medir esse tipo de credibilidade. Não obtive resposta.
4) Ainda sobre a apresentação de garantias, perguntei: se um contrato foi fechado em bases ruins para o BNDES no passado, a equipe atual, sendo formada por servidores públicos, teria obrigação de tentar melhorar as condições para o banco. Não obtive resposta.
4) Seguindo a linha acima, perguntei no que o BNDES se baseou para o perdão ocorrido no acordo judicial e a dispensa de garantias, tendo em vista que há outros processos no TJ de São Paulo mostrando que Nassif é notório mau pagador (só em um dos autos, reclamação movida por uma editora, a dívida cobrada do empresário é de R$ 2 milhões). Não obtive resposta.
5) O BNDES disse que há detalhamentos sobre o caso que não pode me dar, pois trata-se de sigilo bancário. Perguntei desde quando processo judicial público tem sigilo bancário. Não obtive resposta.
6) Para explicar o sigilo, o BNDES citou como exemplo o meu banco e hipotéticos empréstimos pessoais que eu pudesse ter feito. Perguntei se um banco público de fomento, com juros subsidiados e funcionários pagos com o dinheiro público, inclusive o meu, obedece às mesmas regras de uma instituição financeira privada em créditos com pessoas físicas. Não obtive resposta.
7) Não perguntei ontem, mas pergunto agora: quem vai se responsabilizar pelas informações sustentadas pelo BNDES? Luciano Coutinho? Espero obter resposta.
Por fim, vá ler o link que me mandaram e que enviei para o BNDES hoje pela manhã (http://bndesnassif.blogspot.com/)
Eu quero explicações para todos os pontos listados por mim e os que constam daquele blog. E ponto final.
Leio que a Polícia Federal quer mandar para a cadeia cerca de 20 pessoas, por supostas operações ilegais no mercado financeiro identificadas na quebra de sigilo do disco rígido do Banco Opportunity, em poder dos policiais desde a Operação Chacal, deflagrada em 2004 a partir do caso Kroll.
A íntegra, para assinantes, está aqui. Acompanhe trechos aqui:
"Personagem crucial no processo de aquisição da Brasil Telecom pela Oi, o banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity, e seus principais sócios e executivos são alvo de uma outra investigação da Polícia Federal que começou com base na quebra de sigilo do computador central do banco apreendido pelos policiais federais em setembro de 2004.Segundo a equipe de policiais que trabalha no caso, a existência de fortes indícios de crimes financeiros poderia levar à prisão pelo menos 20 pessoas, cumprimento de mandados de busca e apreensão de documentos e bens em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Pará, além de procedimentos de cooperação de órgão policiais internacionais em três países: Estados Unidos, Itália e França.
Além de Dantas, os principais alvos da investigação da PF são o sócio dele Carlos Rodemburg, sua irmã e também parceira de negócios, Verônica Dantas, além do empresário e especulador Naji Nahas.
... Desde meados de 2007, o inquérito que investiga Dantas e seus comandados está sob a presidência do delegado da PF Protógenes Queiroz, o mesmo que investigou e prendeu o hoje deputado Paulo Maluf e o contrabandista Law Kim Chong.
Houve uma análise estratégica para conduzir a investigação. Dantas tem muitos informantes no meio de telecomunicações, até por já ter contratado espiões particulares que usam prática ortodoxas, a exemplo da Kroll, segundo acusa o Ministério Público Federal, e ser acionista da Brasil Telecom e também da Telemar. A opção foi grampear o fluxo de e-mails que circulam pelo servidor central do banco Opportunity.
A troca de correspondência revelou as ligações de Dantas com Naji Nahas, inclusive o acesso a dados privilegiados do mercado financeiro, de acordo com a investigação. Segundo a PF, por conta do nível de dados que o grupo demonstra dominar, configura-se o acesso a informações privilegiadas em primeira mão ("inside information"), o que, pelas leis brasileiras, poderia ser enquadrado como crime contra o sistema financeiro."
Lá vou eu comprar briga de novo. Era muito fácil ficar quieta, surfar na onda boa do blog e deixar de comentar qualquer coisa que se relacione com Daniel Dantas, o banqueiro mais polêmico do país. Mas, se eu gostasse das coisas fáceis, teria escolhido outro ramo do jornalismo. E, provavelmente, você não estaria aqui lendo o que escrevo.
Considero mais que plausível a idéia de que Dantas tenha feito jogadas no mercado financeiro que mereçam a atenção da polícia. Tomara que investiguem mesmo e, se encontrarem provas verdadeiras, não mequetrefes como o CD vindo da Itália, tomem as devidas providências.
Isso posto, acho muito, muito estranha essa tentativa de ligar Naji Nahas SOMENTE ao banqueiro. Para quem precisa de "memoriol", Nahas era o negociador da Telecom Italia, de quem recebeu o equivalente a milhões de euros. E ele não negociou só com Dantas, mas com os fundos de pensão e o Citigroup.
Além disso, Nahas é tão prestigiado no governo Lula que até viajou na caravana do presidente da República que aportou em Beirute, dezembro de 2006, e discretamente faz lobby para a Vale do Rio Doce, companhia controlada pelos fundos de pensão estatais e pelo Bradesco, interessada em parceiros e investimentos no Oriente Médio.
Nahas também é muito ligado aos marqueteiros tucanos, alguns dos quais foram responsáveis por repasses de publicidade da Telecom Italia no estado de São Paulo.
Pois bem. Há cerca de uma, duas semanas, repórteres que trabalham em perfis de inimigos de Dantas conversaram com algumas pessoas que conheço. Avisaram, à ocasião, que o banqueiro iria preso nos próximos dias. A Folha de hoje confirma. Dantas é, no Brasil, o único futuro presididário que recebe a notícia antes pela imprensa, sempre. Bom mesmo junto a uma das facções da PF, todavia, é ser inimigo do banqueiro. Aí é possível saber da ordem antes mesmo dos jornalistas.
O que estou querendo dizer? Não, caro, o que estou DIZENDO. Mandar recado é coisa de gente que tem culpa no cartório. Eu posso, e falo, o que penso diretamente: se o trabalho da PF é sério, parabéns. Mas, se os policiais agem querendo unir Nahas SÓ a Dantas para EVITAR que tragam os papéis da Itália, além de apresentar uma desculpa para a farra dos grampos nos e-mails e telefones, aí tem. Muitos perceberão, pois essa tática foi tão usada nos últimos anos que, agora, acabará dando errado.
"Por que o governo faria isso, Janaína?" Explico, claro. O esquema dos italianos vai além da Telecom Italia, pega subsidárias de outras empresas italianas com filial no Brasil, como a Parmalat, Tecnosistemi e a Cirio (Bombril). Para limpar o caixa das filiais, remetendo o dinheiro em forma de pagamentos fictícios ao Uruguai e outros paraísos fiscais, executivos dessas empresas pagaram montanhas de dinheiro em propinas para que políticos, policiais, juízes e servidores públicos fechassem os olhos da fiscalização.
O "cala-boca" foi pago desde o fim da década de 90, ou seja, pega tucanos e petistas da base, especialmente prefeitos. E eu desconfio que, em ano eleitoral, qualquer abalo desses pese toneladas contra a reputação dos candidatos. Melhor fazer um escarcéu, como o do caso Kroll, e impedir que rode todo mundo.
Agora, diga: se você fosse escolher um bode para colocar na sala, quem melhor do que Daniel Dantas? O homem foi transformado no mal supremo, numa espécie de avesso do teflon _ qualquer coisa negativa gruda no banqueiro.
De novo, sublinho que sim, é bem possível que Dantas tenha praticado crimes financeiros. Se isso ficar provado, parabéns para a Polícia Federal. Mas, na minha opinião, a hipótese mais provável é que, mais uma vez, esteja em curso uma ação que é mais para confundir do que para clarear as maracutaias da alta roda.
PS: Se estiverem me grampeando, por favor, conversem com o José Dirceu para que ele peça ao Slim para melhorar a conexão de internet para laptop e a de celular. Aqui em Pinheiros está uma droga. Obrigada, policiais! Eu sei que a maioria está em Brasília, sob o cuidado da Brasil Telecom, mas não custa nada tentar, não é?
Pessoal, eu sei que essa história é cansativa. Se você preferir acompanhar por meio de áudio, fique à vontade. Clique aqui para ter o texto do podcast na íntegra.
Janaína Leite - I TARANTI - O resumo do caso Telecom Italia
Continue lendo "PODCAST: "I TARANTATI - O resumo do caso Telecom Italia"" »
Funcionava assim: executivos da Telecom Italia, lá na Europa, contratavam detetives italianos, a maioria, ex-policiais ou antigos agentes do serviço secreto. Esses detetives, por sua vez, recrutavam colaboradores brasileiros.
É aí que você deve prestar atenção. Os procuradores italianos descobriram que o esquema se divide em dois, se bifurca.
Uma parte deles era formada por lobistas, cuja missão era azucrinar os inimigos da Telecom Italia, influenciando a mídia e tocando processos judiciais paralelos contra os adversários dos italianos.
O segundo tipo de colaborador identificado pelos milaneses era uma espécie de negociador. Servia como ponte entre a Telecom Itália e políticos, funcionários públicos, juízes, advogados e por aí vai. Enfim, ligava os italianos aos poderosos.
Os procuradores de Milão têm indícios de que esses colaboradores, mais sofisticados, receberam milhões de euros e pagaram propinas no Brasil.
A Justiça italiana também desconfia que parte do dinheiro distribuído nos trópicos voltou para o bolso de executivos italianos, numa operação que você e eu conhecemos como lavagem de dinheiro.
O processo que corre em Milão já tem caixas e caixas de documentos, recibos, arquivos de computador, lançamentos contábeis e testemunhos de pessoas que participavam do esquema. Esses fatos têm sido amplamente noticiados pela imprensa italiana, mas, aqui no Brasil, só eu e mais um, ou dois colegas insistimos no assunto.
“Jornalistas”, assim mesmo, entre aspas, perguntam por aí qual é o meu interesse em trazer os papéis? Ora, meu filho, o interesse é óbvio _ é um filé mignon informativo, com evidente cunho jornalístico.
Aí você pergunta: "mas trazer os papéis beneficia Daniel Dantas?" Eu respondo: e daí? Desde quando ajudar ou prejudicar alguém é critério para derrubar matéria? Só se for aí, no universo paralelo.
"Ah, não, Janaína, os papéis vão contaminar os processos movidos pela Polícia Federal e pelo Ministério Público no Brasil." É? Por quê? Tem coisa mal investigada ali? Faltam informações? Houve manipulação de algum modo no que está sendo apresentados aos juízes? Qual é o problema, hein? Se tudo foi bem apurado, duvido que os papéis italianos contaminem alguma coisa. E se não foi, nada mais correto para quem trabalha com isenção do que acrescentar as informações que faltam.
Acho muito engraçado que esses “jornalistas” fujam de outra pergunta, muito mais importante: por que é tão grande a resistência dentro do governo para trazer os documentos da Itália ao Brasil? Esquisito, não é? Esse inquérito tem DOIS anos e até agora NADA.
Estão engavetando as coisas para impedir que Daniel Dantas seja favorecido? Tenha dó! Eu duvido. Muito mais fácil que seja para impedir que outros peixes graúdos caiam na rede.
Bom, fico por aqui, mas antes quero saber o que você acha. Deixe a sua opinião na caixa de comentários. Eu volto para conferir.
Até daqui a pouco.
Luís Nassif sustenta, em seu blog, que Rodrigo Andrade não mandou o comentário ontem, como afirma no texto escrito para mim.
Andrade acaba de falar comigo. "Mandei ontem para o blog de Nassif, sim, e não foi publicado. Acredito que ele recebeu meu comentário e o cortou, pois, hoje, por volta do meio-dia, Nassif arrumou meu sobrenome no texto do Dossiê Veja, trocando de Rodrigo Azevedo para Rodrigo Andrade. Nesta tarde, repeti a postagem: depois de colocar o comentário no Arrastão, mandei de novo para Nassif."
Creio que devem existir meios para comprovar quem fala a verdade, como registros no computador. Por motivos óbvios, até que me provem o contrário, acredito em Andrade.
Hoje, Reinaldo Azevedo disse que lê o Arrastão. Diogo Mainardi, em seu podcast semanal, recomendou meu blog. Os acessos diários dos dois colunistas da Veja, sozinhos ou somados, vão à estratosfera. Fácil entender. Mesmo quando discordo deles, minha opinião é que ambos são donos dos melhores textos da imprensa atual.
Em outro extremo ideológico, Idelber Avelar, do Biscoito Fino, mostrou coerência e honestidade ao explicar suas crenças, reafirmar seu alinhamento com a esquerda e fechar a caixa de comentários para evitar o linchamento moral de quem quer que seja. Pessoas de valor assumem o que pensam e, mesmo no meio dessa balbúrdia, vejo como mostra de coragem de Idelber a adequação de seu discurso ao que ele considera justo.
Só posso agradecer publicamente e deixar claro meu respeito pelos três.
Disse antes e repito: a mim interessa cativar leitores, não formar seguidores. A polêmica que cerca meu nome será superada _ eu confio na Justiça e na inteligência das pessoas _, e daqui a pouco o espetáculo terá de ser um texto bem escrito, uma análise interessante, uma provocação bem colocada.
Espero que você, que gosta de mim ou que me considera a Mata Hari da Bruzundanga, esteja por aqui para acompanhar essa futura etapa, muito mais afeita ao que sou e ao que defendo. Espero, sinceramente, que essa fase venha logo. Mas, enquanto me derem motivo para brigar, enfrentarei o que for preciso e do meu jeito.
Bem, volto a Mainardi. Aqui, um trecho das revelações contidas em seu podcast semanal, no programa "O Guarda-Costas de Lula" (para ouvir, clique aqui.)
"As principais testemunhas do processo contra a Telecom Italia declararam em juízo que, no mesmo período em que era chefe da Abin, Mauro Marcelo oferecia seus préstimos à empresa. O pagamento de 300 mil dólares, segundo essas mesmas testemunhas, seria realizado por meio do detetive Eloy Lacerda, parceiro de Mauro Marcelo.Um dos executivos da Telecom Italia, Angelo Jannone, declarou à promotoria que se opunha à idéia de pagar um membro do governo brasileiro, tanto que, a certa altura, decidiu bloquear os pagamentos. Para comprovar esses fatos, ele apresentou uma série de documentos ao Ministério Público italiano. Num deles, o lobista Luiz Roberto Demarco teria se lamentado num e-mail nos seguintes termos:
Sinto que corruptos como Eloy ou Mauro Marcelo são tratados com mais respeito e mais atenção (do que eu).
Jannone apresentou também um telefonema gravado com o parceiro de Mauro Marcelo, que teria reivindicado um aumento no contrato de 300 mil dólares com o seguinte argumento:Quando eu relatei a ele (Mauro Marcelo) a última conversa que tivemos, ele me pediu para ver se havia um jeito de melhorar um pouquinho, porque já se passou muito tempo, né?"
Nassif,
quer dizer que você tem HÁ DIAS a informação de que 1) os papéis colocados por mim e Diogo Mainardi na internet eram verdadeiros; 2) as páginas faltantes não alteravam o sentido dos documentos e 3) aquilo nunca havia sido um relatório, nem um dossiê forjado, e sim documentos oficiais da Justiça italiana, ao contrário do que você sustenta publicamente em seu blog e no Google desde fevereiro?
E, mesmo de posse dos dados verdadeiros, calou-se, se recusando a fazer uma retratação? Nem contou para seus leitores que havia conseguido falar com Angelo Jannone, autor do depoimento que eu linkei, e alvo do mandado de prisão que Mainardi compartilhou? Ainda por cima deixou no ar aquelas coisas que escreveu _ e pediu para as pessoas espalharem _ mesmo tendo a certeza de que eram MENTIRA?
Estou sem palavras, Nassif. Sem palavras.
Janaína
PS: Jannone colocou um post em seu blog. Lá, me pede desculpas e depois afirma que documentos publicados por Leite e Mainardi foram obtidos com o Judiciário brasileiro, aos quais não foram passados pelos canais oficiais, mas por canais oficiosos. É isso que ele está dizendo, Nassif. ;-))
Para ler a resposta às últimas diatribes de Nassif, contidas no tal dossiê Veja, clique aqui.
Continue lendo "Para LUÍS NASSIF - Bilhete e resposta ao dossiê Veja" »
Entrevistei o ex-chefe de Segurança para a América Latina da Telecom Italia, Angelo Jannone, um dos investigados no inquérito movido pelo Ministério Público de Milão. A conversa está dividida em três textos.
Clique para ler na ordem:
ANGELO JANNONE: "Documentos que estão na internet são autênticos e Nassif me procurou" (parte 1)
Clique aqui para acompanhar quem é quem entre os citados.
Continue lendo "ANGELO JANNONE - Entrevista organizada" »
Aqui, a segunda parte da entrevista de Angelo Jannone, ex-chefe de Segurança para a América Latina da Telecom Italia, ao Arrastão. Para entender um pouco melhor o assunto, dê uma olhada nas matérias que estão abaixo do ponto 7 neste post.
ARRASTÃO - Mainardi reproduziu um trecho do interrogatório de Giuliano Tavaroli, em que ele fala sobre o apoio institucional oferecido pelo governo Lula, através do chefe da Abin, Mauro Marcelo. Tavaroli confirmou o depoimento, mas negou que a TI tenha dado 300 mil dólares a Mauro Marcelo. O senhor sabe se esse dinheiro foi pago?
JANNONE - Tavaroli afirma também que Mauro Marcelo sugeriu contratar [o detetive particular] Eloy Lacerda, e que a Eloy foram prometidos 300 mil dólares, que ele queria receber de mim. Eu não sabia de nada. quando cheguei no Brasil, sem saber de nada, mandei o Spinelli (que tinha um contrato com Bonera, meu antecessor) pagar uma parte daquele valor. Mas quando suspeitei que por trás de Eloy houvesse [o ex-chefe da Abin] Mauro Marcelo, suspendi os pagamentos (fevereiro de 2005) e, em setembro de 2005, discuti por esse motivo com Eloy Lacerda, que chegou para usar um tom ameaçador Gravei o telefonema e entreguei a gravação à magistratura [italiana].
ARRASTÃO - A gravação mostra que Eloy Lacerda entregava dinheiro da Telecom Italia para o ex-titular da Agência Brasileira de Informações, Mauro Marcelo, sem o seu conhecimento? O senhor mandaria essa gravação para o Ministério Público brasileiro?
JANNONE - Na gravação eu reclamo com Eloy por ter recebido também um telefonema de Mauro Marcelo sobre o asunto. As confirmações de minhas suspeitas foram feitas a mim por Bonera maio de 2006, durante outra conversa gravada. As gravações há muito tempo estão nas mãos dos juízes italianos, mas provavelmente eles não as escutaram.
ARRASTÃO - Segundo Giuliano Tavaroli, Marco Bonera, seu antecessor, levou uma mala com 300 mil dólares a Brasília, para o pagamento de propina a políticos brasileiros. Quem recebeu esse dinheiro?
JANNONE - Creio que essa história seja de 2003. Eu ainda não trabalhava na Telecom Italia, mas ouvi falar sobre ela.
ARRASTÃO - Fale sobre Marco Bernardini. O senhor diz que ele mentiu envolvendo seu nome. Quais foram as mentiras? E por que ele fez isso?
JANNONE - A lista de mentiras e contradições de Bernardini é interminável. Eu deveria escrever um romance. Por exemplo, quando disse que Marcelo Elias era pago para distribuir propina. É falso! Ele e Marcelo Elias assinaram um contrato de US$ 495 mil. É o valor exato do orçamento detalhadíssimo dos advogados de Londres que serviam a Luís Demarco no caso do Privy Council, que me foi passado pelo [ex-diretor da Telecom Italia no Brasil Marco] Patuano e que eu entreguei ao Ministério Público. Bernardini reteve metade daquele valor, suscitando os protestos de Demarco, sobre o qual já falei. Esse é apenas um exemplo. Entreguei [aos procuradores de Milão] as gravações que desmentem Bernardini.
ARRASTÃO - Qual é a ligação entre Marco Bernardini e o publicitário Marcos Valério, que ficou conhecido nas investigações do mensalão? Como o senhor soube disso? Como nós, brasileiros, conseguiríamos comprovar tal ligação?
JANNONE - Não sei a natureza desse relacionamento, sei apenas que o advogado de Bernardini contou ao Ministério Público que encontrou Marcos Valério no Brasil. Está escrito no interrogatório de 10 de outubro de 2007. Qual o sentido disso?
ARRASTÃO - A revista Carta Capital, há algumas semanas, trouxe uma reportagem que fala desse assunto. Há, inclusive, uma entrevista com o senhor. Por isso, eu gostaria de entender melhor.
JANNONE - Simples: o advogado Vincenzo Carosi tem relações de negócio com Bernardini. A [testemunha Luciane] Araújo é o amiga do advogado Carosi antes de [se relacionar com] Bernardini. O advogado Carosi é o amigo de Marcos Valério e de seus advogados e freqüentemente viaja ao Brasil. Tudo isto está nos documentos do processo, so é preciso saber ler. Agora Luciane Araújo afirma que os advogados de Valério e Carosi trabalharam junto no caso de Telecom. Se isso é verdade, muitas coisas pode ser entendida. Eu não sou maquiavélico, nem malicioso, mas sou capaz de levantar provas, aguardar se for preciso, e ler documentos para julgar. Esse sempre foi meu trabalho.
ARRASTÃO - O senhor está disposto a confirmar suas declarações ao Arrastão para o Ministério Público e a polícia brasileiros, se for preciso?
JANNONE - Certamente. Até mesmo porque tudo o que declarei está acompanhado de provas. O problema é que os magistrados italianos nunca leram ou ouviram as provas que lhes entreguei, e elas são muitíssimas. Isso é o que não entendo. Espero que a justiça brasileira possa ser mais escrupulosa do que a italiana.
ARRASTÃO - Há poucas semanas, o senhor lançou dúvidas sobre mim em seu site e chegou a me comparar com o Pinóquio. O que fez com que mudasse de idéia e me concedesse a entrevista?
JANNONE - Você se ofendeu? Perdoe-me. É que eu não lembrava da troca de e-mails [entre nós] ocorrida em 2007.
É "isso" que você tem contra mim, Luís Nassif?
"Janaína Leite, provavelmente valendo-se da falta de filtros de seu jornal."
Vamos refrescar sua memória: o jornal era a Folha de S.Paulo, o maior do país, e onde você tinha uma coluna. Ok, talvez você achasse que não era o caso de usar. Então, poderia ter avisado ao Conselho Editorial, que bobeou. Quem é que fazia parte do Conselho? Hmmm, deixe-me ver... VOCÊ! Você, Luís Nassif, era do Conselho Editorial.
Puxa! Que coisa. Você decidiu que vai acusar a si mesmo. Por essa eu não esperava, admito.
O bom é que a sua claque vai acreditar que uma repórter mandava mais que um conselheiro. O ruim? É que até a claque está envergonhada do seu "jornalismo".
Que feio! Mas sinta-se à vontade para aumentar a coleção de coisas que vou levar ao juiz. Daqui para a frente, é o que lhe resta.
Janaína
Continuo aqui.
Continue lendo " Resposta a Luís Nassif" »
Nassif,
quer dizer que você tem HÁ DIAS a informação de que 1) os papéis colocados por mim e Diogo Mainardi na internet eram verdadeiros; 2) as páginas faltantes não alteravam o sentido dos documentos e 3) aquilo nunca havia sido um relatório, nem um dossiê forjado, e sim documentos oficiais da Justiça italiana, ao contrário do que você sustenta publicamente em seu blog e no Google desde fevereiro?
E, mesmo de posse dos dados verdadeiros, calou-se, se recusando a fazer uma retratação? Nem contou para seus leitores que havia conseguido falar com Angelo Jannone, autor do depoimento que eu linkei, e alvo do mandado de prisão que Mainardi compartilhou? Ainda por cima deixou no ar aquelas coisas que escreveu _ e pediu para as pessoas espalharem _ mesmo tendo a certeza de que eram MENTIRA?
Estou sem palavras, Nassif. Sem palavras.
Janaína
PS: Jannone colocou um post em seu blog. Lá, me pede desculpas e depois afirma que documentos publicados por Leite e Mainardi foram obtidos com o Judiciário brasileiro, aos quais não foram passados pelos canais oficiais, mas por canais oficiosos. É isso que ele está dizendo, Nassif. ;-))
Amanhã, publicarei a íntegra da entrevista concedida ao Arrastão, via e-mail, por Angelo Jannone, ex-chefe de Segurança da Telecom Italia para a América Latina. Ele fala sobre o inquérito da Procuradoria de Milão que investiga práticas irregulares da operadora em vários países, inclusive no Brasil.
De acordo com Jannone, ele entregou pelo menos 15 mil documentos à Justiça de Milão e está disposto a colaborar com o Ministério Público brasileiro. Ex-carabinieri, reclama que os procuradores italianos têm privilegiado testemunhos “mentirosos” às provas documentais. Como exemplo, ele cita as declarações do detetive Marco Bernardini, ex-colaborador do time de segurança da Telecom Italia.
Jannone confirma que os documentos tornados públicos em fevereiro por mim e Diogo Mainardi, da revista Veja, fazem parte dos autos da Justiça milanesa, são autênticos e mantêm o sentido do original, mesmo com páginas a menos.
O entrevistado tem autoridade para falar sobre o assunto. Os links que eu coloquei na internet são relativos ao depoimento prestado aos procuradores italianos pelo próprio Angelo Jannone. Mainardi, por sua vez, compartilhou o mandado de prisão expedido contra... Jannone.
A afirmação do ex-chefe de segurança da Telecom Italia na região latino-americana desmonta, portanto, acusações feitas por Luís Nassif, dono da Dinheiro Vivo e blogueiro do iG, contra mim e Mainardi.
Em seu blog, no chamado dossiê Veja, Nassif e seus “comentaristas”, sustentam que os documentos revelados na internet haviam sido forjados no Brasil. E lançam a suspeita de que as páginas faltantes foram retiradas propositalmente para beneficiar o banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity.
A entrevista com Jannone fala ainda sobre a relação entre a Telecom Italia e a Abin, a suposta ligação entre Marcos Valério e Marco Bernardini, a participação de outras empresas na espionagem da cúpula do governo federal, os detalhes de pagamentos feitos pela operadora italiana no exterior a pessoas contratadas para influenciar a mídia no Brasil etc.
Não perca.
O ex-chefe de Segurança da Telecom Italia para a América Latina, Angelo Jannone, me escreveu pela segunda vez. Aqui o texto, onde ele admite que estava errado ao me acusar:
"Prezada Janaina,eu tambem eu estou feliz d’esta explicação. Varios jornalistas brasileiros me perguntaram notícias se fosse verdade o que apareceu em meu blog. A minha resposta foi que eu nao quiero entrar in uma inexplicavel disputa jornalistica brasileria, mas que o foco seria entender outro. Eu nunca recebi suas recentes correspondências (ela provavelmente escreveu a um endereço velho)
Por mea vez eu nao tive seu endereço em quanto eles me apprenderam o computador onde lhe escrevei. E verdade que do Brazil pessoas me sugeram não falar com ela como jornalista. Sua tenacidade em publicar documentos contra me, mi convenceram que eles tinham razão talvez.
Pelomeno agora ela sperimentou quanto è fácil ser uma vítima de difamação ou calúnia, exatamente como acontecido a mim. Só que eu também fui arruinado pelas calúnias. Eu tambem nao tive possibilitade de defender a minha reputaçoe, sobretudo no Brazil.
Voçe gostaria saber mais? Ta. Vamos traballando junto. Enviame pergundas e respostas sobre o caso.
Abc
Angelo Jannone"
PS: Vou mandar as perguntas, bem como publicá-las aqui. Acompanhe.
PS2: Se você quer ler em ordem o que aconteceu, melhor ir primeiro aqui, depois aqui e releia o que está acima.
Prezado Sr. Jannone,
Fiquei muito feliz com o seu comentário. Sinal de que, assim como eu, está agindo de boa fé. Explico exatamente o que ocorreu e, acredito, poderemos esclarecer todas as dúvidas sobre a honestidade de nossas atuações.
No dia 7 de abril, o leitor Tiago escreveu na parte de comentários do blog Imprensa Marrom que o senhor, Angelo Jannone, tinha uma página na Internet, onde me acusava de ter viajado à Itália bancada pelo dono do Opportunity, Daniel Dantas.
Dizia o tal Tiago:
(para continuar lendo, clique aqui.)
Continue lendo "Resposta a Angelo Jannone" »
O Arrastão está que é um agito só. Há pouco, liberei o seguinte comentário:
"Cara Janaina Leite, estou aguarandando o eu email do qual vc fala.
Mais mas eu não desejo fazer polêmico com ela ou pertencer a uma "briga" inexplicável entre jornalistas brasileiros. Eu só pretendo sinalizar que os documentos publicados pelos juízes sou a interpretação de fatos, não "Evangelho". Para isto nas democracias modernas há 3 graus de julgamento, e para isto na Itália vencio o partito do centro - direito, porque as pessoas estão cansadas de um giustizialismo superficial e de uma Justiça injusta.
Em sua entervista (do 2006), por exemplo, o Bernardini diz que eu teria lhe pedido que investigasse Ministros brasileiros. Não è verdade! Nos documentos (pasta 34, 1 ^ parte) há a evidencia d'isso: Um relatorio de Bernardini em Bastos, Lula e outros, pedido da Tavaroli e da Pirelli! Não de mim. E então porque me acusa hoje? Isto precisa desejar saber!
Os promotores e Gennari, me acusam de ter ordenado hackeragem acontecido dentro o 2003! Isto fale os peritos da mesma Procura de Milao! Eu n'aquela epoca era o Coronel in actvidade de infiltrado em narcos!
Ghioni me acusa tambem de ter ordenado hackeragem a Telefonica, Telmex e outros. Ma em outros dois declaraçoes d'ele diz que o ordem foi do Tavaroli e do Bonera. E Tavaroli confirma. Por seria melhor pergundar perque chegam a vc o Mainardi os documentas sobre de mim. Vc entende? Vc è uma jornalist indipendente?
Vamos ver.
Angelo Jannone
JANAÍNA: Opa! Como vai o sr. Tudo bem? Vou responder seu e-mail na página principal. E, sim, eu sou independente. O sr. sabe disso. Por favor, não saia daí."
Continue aí você também. Vamos juntos esclarecer os pontos do sr. Jannone, que tal?
Acho que ficará melhor para entender toda essa bagunça se você puder acompanhar em ordem. Por isso, compilei alguns links, de forma a facilitar seu entendimento. Se houver sugestões, por favor, fique à vontade.
1) MEMÓRIA
- O que eu dizia da briga dos jornalistas ANTES de ser envolvida, dois posts de novembro: Briga na imprensa e Adendo.
2) NASSIF e "O caso Janaína Leite"
- O que Nassif falou de mim.
- A matéria que escrevi para a Folha citada por Nassif (para assinantes ou aqui).
- A resposta de Janaína.
- A análise do texto de Nassif por Gravataí Merengue.
- A reação destemperada de Nassif
- O esclarecimento de Soninha
- As ponderações de Gravataí Merengue:
- As desculpas de Nassif para Soninha.
Continue lendo "DOSSIÊ VEJA: Acusações e respostas (1)" »
Continuo enumerando os links em uma ordem que facilita seu entendimento.
3) Os italianos no Arrastão
- Novembro: "Estamos aqui", Dica, Dica 2, Aviso à Praça, Listinha, Túnel do Tempo, Polido, Notícias da Itália, Notícias da Itália 2, Testemunha, Influenza, Tavaroli, Briga na imprensa, Adendo, "Antes tarde...".
- Dezembro: Negociador pleno, "Uns ganham, outros...", Calúnia, Angra, Angra 2, Ciao!, Crítica pertinente, G00db0ys, Benvenuto, O Brasil de Bismarck, Briga na imprensa 2, Diálogo, "Alô, Planalto!", "Alô, Planalto! 2", "Resposta a Luís Nassif (primeiro ataque)"
3) NASSIF e a acusação de orquestração
- O que ele disse e as conclusões do "leitor Salles".
- Os documentos italianos transformados em "relatórios".
- Minha resposta (a segunda da série que fui obrigada a fazer)ao ataque que falava sobre a orquestração.
- Os comentários no blog de Nassif que falavam da página 55 (se não me engano, um tal de Fábio). "Cadê a página 55, Janaína?"
- Minha segunda resposta a Nassif e seus leitores.
4) Para entender melhor, procurei mais material na Folha. A pesquisa foi feita a partir da expressão "advogado Marcelo Elias". Os links são apenas para os assinantes. Copiei as matérias aqui.
- O que escrevi sobre o advogado Marcelo Elias. No dia 29 de outubro de 2006, a Folha publicou uma página com informações que mandei da Itália. A página princial era "Tele quis investigar ministros, diz italiano", "Perfil: Ex-detetive colabora com promotores"; "Saiba mais: Telecom Italia entrou no Brasil com a privatização das teles"; "Outro lado: Acusados por araponga negam irregularidades"; "Outro lado: Chefe da PF nega acusação; Bastos vai investigar".
- O que a Folha publicou sobre o advogado Marcelo Elias (outros repórteres): "Luiz Francisco propõe ação contra Dantas - Promotr usa arquivo de computador cuja origem é um sócio de Luís Roberto Demarco, sócio do Opportunity"; "Procurador justifica registro digital - Luiz Francisco diz que usou letra de arquivo recebido de advogado". Ambas são de 2004 e eu ainda não trabalhava na Folha. Se você não é assinante, pode ler aqui, um pouquinho mais para baixo.
5) O podcast de Mainardi: "Mais documentos sobre a Telecom Itália", 13/02/2004.
- A coluna de Mainardi (que saiu logo em seguida do podcast): "Esperei Godot, e ele apareceu". É aí que o coluna dá o link para os documentos italianos. Para assinantes, ou aqui, depois das minhas matérias.
6) Reportagem sobre Marcelo Elias e a Telecom Itália na mídia italiana: La Repubblica (março de 2007) (Daqui a pouco procuro mais, vou almoçar)
7) E, afinal, existe ou não o CD? O Corriere della Sera, mais influente jornal italiano, relata que sim. (Daqui a pouco procuro mais, vou almoçar)
PS: Odeio mexer com esse negócio de link em html. Dá um trabalho danado esse recorta-muda-de-tela-volta-cola-outra-tela-sumiu-cadê-pega-de-novo-cola. Se estiver algo errado, avise.
Continue lendo "DOSSIÊ VEJA: Acusações e respostas (2)" »
Há alguns posts, eu disse que não tinha dinheiro, não tinha fama, não tinha medo. Agora é hora de dizer: é verdade, mas, em compensação, tenho AMIGOS. Podem ser antigos, próximos, recentes ou só virtuais. Pouco importa. Eles são os melhores e a eles, meu agradecimento e meu carinho.
Aqui, o trabalho do Gravatai Merengue, advogado, que dissecou no Imprensa Marrom todas as acusações feitas por Luís Nassif contra mim. Está dividido em primeira e segunda partes.
Gravata, o que dizer? Obrigada, mil vezes obrigada. Jamais esquecerei da ajuda voluntária e gratuita, simplesmente para evitar a propagação de uma injustiça.
A vida é extremamente generosa, às vezes.
Uma pessoa sabe quando está no rumo certo numa briga quando seus aliados são melhores que ela. É o meu caso. Lendo os comentários, ficou claro para mim que o visitante do Arrastão está longe de ter o perfil dobermann, aquele que anseia por baixarias em um debate, nem o de assentir, como vaquinha de presépio, a tudo que eu falo. Quer argumentos, provas, texto de alto nível, explicações detalhadas.
Tenho realmente muita sorte. Vocês saíram melhores que a ecomenda. Obrigada.
Peço licença, porém, para sugerir que olhem os últimos posts à luz do que direi a seguir, antes de se entregarem ao bate-rebate típico das discussões na internet. Talvez alguns continuem discordando de minha atitude, o que é justo, desde que feito com educação, mas certamente entenderão melhor as motivações dela.
Luís Nassif, o dono da Dinheiro Vivo, escreveu sobre mim três vezes ao longo de seu “dossiê Veja”, além de mencionar meu nome forma velada por outras vezes. Ontem, vários pediram que eu argumentasse contra as acusações que ele me fez. Ora, fiz isso assim que cada menção foi divulgada. Não deixei nenhum _ nenhum! _ ataque sem resposta.
E os ataques foram vários (há um resumo do ocorrido, segundo a minha versão, na parte de comentários). Antes de fazê-los, Nassif não procurou a mim e nem a Folha. O jornal certamente teria informado que eu apresentei todos os documentos internamente antes de publicar as matérias da Itália. Entrevistas, contatos e o andamento das apurações foram descritos regularmente ao meu chefe, o editor do caderno Dinheiro. Tudo por escrito, aliás.
Repare: a Folha de S.Paulo escreveu 203 reportagens negativas ao Opportunity e a Daniel Dantas no caso Kroll. O caso Telecom Italia mereceu 17 textos _ a maioria escrita por mim, é certo. Mas até uma porta é capaz de perceber que o total, o tamanho e o destaque cedido às matérias na versão impressa e on-line é insuficiente para beneficiar ou prejudicar quem quer que fosse.
Mesmo assim, Nassif continua com suas diatribes. Na visão maluca dele, antes, na Folha, eu era o elo entre Daniel Dantas e a Veja. Desde a semana passada, todavia, eu teria ampliado minha área de atuação: conecto Dantas, a Veja, os pequenos blogueiros, desembargadores, a Câmara de Vereadores de São Paulo e os arapongas italianos do mal (sim, porque agora eles também são divididos, como mutantes da Record, em dois times).
Eis que surjo então como uma espécie fita-crepe que une a imensa rede que quer governar o mundo e destruir o PT, não necessariamente nessa ordem. Daqui a pouco o Snoopy Dogg, a Stephanie de Mônaco, o presidente da Associação Internacional dos Jogadores de Bocha e o Nelson Ned aparecerão como parte importante do “esquema”.
Continue lendo "NASSIF E O BNDES - 4" »
Aos queridos que estranharam meus últimos posts, digo apenas que continuo exatamente a mesma pessoa que era há alguns dias. Aos que querem mais argumentos e menos "assuntos periféricos", peço calma. Aos que duvidam de mim, só posso dizer que seu time diminui a cada dia. Eis a versão da vereadora Soninha (PPS-SP) para o telefonema que recebeu ontem de Luís Nassif, o paladino da ética:
"Sobre o Gravataí Merengue: você me ligou ontem duas vezes para dizer que ele estava completamente enganado sobre "a moça" (que foi jornalista da Folha e está sendo acusada de ser "patrocinada pelo Dantas", é isso?). Você disse que ela é mentirosa compulsiva e outros adjetivos pesados, e que ele estava entrando em uma fria."Se tiver estômago, leia o restante aqui. Jamais encontrei Soninha, sequer voto em São Paulo, pouco sei da política local. Mas agradeço a ela por ter a coragem de enfrentar alguém que se presta a um papel tão enojante. E também ao Gravataí Merengue, do Imprensa Marrom, agradável surpresa nesse mundo virtual
E a você, Nassif, eu digo: por que é tão ameaçador com as outras pessoas, mas incapaz de ligar para mim? Nem um único telefonema, um e-mail, um recado por meio dos amigos comuns (sim, eu sei quem são eles, não se iludam). Poderia ter feito isso hoje para me cumprimentar quando, veja você!, eu falei a verdade.
Perdeu a chance. Perdeu.
PS: Nassif admitiu que errou com a Soninha e destacou não ter sido o responsável pelo afastamento de Gravataí Merengue da chefia de gabinete da vereadora. Menos mal. Pena que a humildade do empresário só chegue ao reconhecimento do que pode lhe causar problemas.
Como era de se esperar, meus textos não estão descendo redondos para algumas pessoas. Antes que os ataques venham, melhor deixar claro o que está por trás deles: Luís Nassif, outrora jornalista conhecido, é hoje muuuuuuuito mais empresário que repórter.
Primeiro, a pergunta: se você tivesse uma dívida de R$ 1,9 milhão PERDOADA por um banco estatal, você gostaria do governo?
Eu gostaria. Luís Nassif, que recebeu esse benefício, também. Mais especificamente R$ 1.901.297,34, conforme decidiu a diretoria do BNDES no dia 23 de outubro de 2007.
Continuo daqui a pouco.
Aqui vai a terceira parte das minhas considerações e explicações. Clique aqui para ler tudo.
Continue lendo "I TARANTATI - A guerra na mídia e os italianos (parte 3)" »
Pouco adianta seguir com essa história sem você lembrar o início da briga pela Brasil Telecom. Neste capítulo, você lerá um compilado de textos publicados antes por mim no Arrastão. Considero, porém, a parada estratégica.
Clique aqui para entender AS RAÍZES do caso, segunda parte do texto relativo à guerra na mídia brasileira que coloco no ar hoje.
Se você quiser ler a primeira parte, clique aqui.
Continue lendo "I TARANTATI - A guerra na mídia e os italianos (parte 2)" »
Hoje só vou dar o link e agradecer publicamente ao moço que, mesmo apoiando o dossiê Veja e só me conhecendo por meio de conversas no computador, iniciadas há menos de um mês, teve a decência de checar as informações relativas a mim antes de divulgá-las.
Gravataí, saiba que minha gratidão é imensa. Conheci algumas pessoas corajosas e justas em minha vida, mas, diante de tudo o que tem demonstrado ao longo da última semana, você realmente se destaca na lista.
Para ver a análise que o Gravataí Merengue fez do primeiro texto que Luís Nassif escreveu me acusando, no fim de fevereiro, clique aqui.
----- Original Message -----
From: Diogo Mainardi
To: Janaína Leite
Sent: Thursday, April 10, 2008 7:14 PM
Cara Janaina,
epa! Eu também quero. Eu topo abrir minhas contas e meu imposto de renda. Leio o blog todos os dias e me divirto enormemente. Posso dar um conselho? Volte para a imprensa.
Diogo
(se quiser, pode publicar)
R.: Diogo, você não imagina o quanto me deixa feliz e honrada com seu e-mail. Volte sempre. Será mais que bem-vindo. E, enquanto os auditores olham nossas contas, a gente toma um café. ;-)
Eu tentei. Vocês são testemunhas. Mas já havia avisado que minha paciência estava curta e que nada ficaria sem resposta.
De Renata Nassif, hoje, no blog de Luís Nassif:
"Meu pai certamente não a conhece. Mas, vou perguntar ao Luís - ou melhor, ele mesmo poderá responder a você, se assim entender. Eu acho que os fatos que ele apresentou continuam falando por si mesmos; acho que sua (dela) tentativa de defesa por um pouco além da contundência, mas, ainda assim, não contrariou os fatos que o Nassif apresentou. E a minha pergunta tem, sim, razão de ser. No seu blog, ela se apresenta como "consultora". Consultora de quem? Desqualificar o debatedor não é contundência, é falta de argumentos... Um abraço."
Concordo com Renata. Não gosto da estratégia de desqualificação _ embora, no momento, seja quase irresistível usá-la contra a própria Renata.
No entanto, vou me ater aos argumentos usados pela mulher e ajudante de Nassif. "Fatos que falam por si mesmos?"
Está certíssima, querida. Quando os fatos falam por si não há problemas. E eu sou repórter, não brigo com eles. Apenas relato. O ruim é quando empresários como o Nassif se metem a interpretá-los de acordo com as próprias conveniências. Mais: para reverberar suas ilações maldosas, usam uma claque de comentaristas.
A segunda interpretação possível para "fatos que falam por si" é a de pessoas flagradas no ato criminoso. Por acaso eu fui presa em flagrante aí na realidade paralela? Aqui, no mundo real, não.
Esse bate-boca virtual, porém, é cansativo e improdutivo, além de sempre sujeito a reverberações dúbias. Eu, por exemplo, descobri o comentário da Renata em outro blog, o Imprensa Marrom, em um post que nem era sobre o assunto. Alguém copiou do site original e espalhou.
Então, vamos acabar com isso logo. Coloquei o post abaixo como comentarista do Imprensa Marrom.
"Renata,
obrigada pela oportunidade. É exatamente por ela que eu estava esperando. Infelizmente, ainda não consegui um contrato de consultoria com o BNDES. E Nassif?
Você e o Nassif topam abrir TODOS os contratos que fecharam desde 2003, inclusive com órgãos governamentais, autarquias, palestras e mediações (em empresas de fundos de pensão)? E topam abrir as empresas que vocês recusaram?
O mesmo vale para os financiamentos e patrimônio, inclusive o seu, uma vez que é casada e devedora solidária.
Aí vocês concordam em fazer uma comparação pública dos nomes das empresas, proprietários e executivos dessas companhias (ou dirigentes, no caso do governo) com as colunas que o Nassif escreveu desde então?
EU TOPO!!! ABRO MEUS CONTRATOS, MEUS PARCEIROS, MEUS EMPRÉSTIMOS BANCÁRIOS E MEUS ESCRITOS.
Não tenho a mínima intenção de desqualificar seu marido. Só gostaria de saber qual a sua noção de contrariar. Pelo jeito, ela é de uma contundência ainda maior do que a minha.
Para ter certeza de que todos verão o que escrevi aqui, vou mandar o comentário também no seu blog (acho justo, uma vez que você lança dúvidas sobre mim lá) e publicar no meu.
Eu topo ainda que o Nassif escolha dois jornalistas e eu outros dois para acompanhar tudo, junto com uma auditoria.
Sem mais e na esperança de que, a partir de agora, tudo seja resolvido,
Janaína Leite"
Estou esperando.
PS: O comentário da Renata foi feito a um leitor que reclamou pelo fato de ela ter respondido "quem é esta mesmo?", quando outro perguntou sobre mim.
Bom, muito prazer, Renata. Acho que agora você me conhece.
Falei que acho brinquedo novo irresistível. Está aí o último post do blogueiro do iG Luís Nassif sobre os italianos, "O lobista de Dantas", dissecado de forma a você entender tudinho.
Meu aparte está em negrito. O original, de Nassif, tem fonte mais clara.
Divirta-se com esse trecho:
"O post-it de Mainardi: aqui mostro como o relatório que Mainardi diz ter sido enviado da Itália na verdade foi preparado no Brasil , na mesma época em que um outro site, ligado a Daniel Dantas, tinha divulgado as informações nele contidas."
Agora, em partes:
NASSIF: ... aqui mostro como o relatório que Mainardi diz...
JANAÍNA: Não é um relatório, é um mandado de prisão emitido pela Justiça Italiana. Ouça o podcast em questão, aquele em que Mainardi dizia que o documento citado no início da fala, relativo ao advogado Marcelo Elias, havia sido enviado da Itália. Outros documentos, como admitiram os próprios depoentes, vieram da Itália. E foram conferidos com Giuliano Tavaroli, o autor de um do depoimento. São esses que Nassif diz que são uma fraude. Na verdade, eles vieram da Itália, foram armazenados no Brasil e remetidos por um procurador ao Procurador-Geral da República, o que deixa muita gente de cabelo em pé.
NASSIF: ... na mesma época em que um outro site, ligado a Daniel Dantas, tinha divulgado as informações nele contidas...
JANAÍNA: Site ligado a Daniel Dantas? Como é que é? MENTIRA: o Arrastão era um blog hospedado no Blogger, o serviço GRATUITO mais conhecido no Brasil. E não é na mesma época. Eu coloquei OUTRAS informações do caso italiano ANTES da Veja. Sim, a base dos documentos era a mesma: mandado de prisão expedido pela Justiça italiana. Fonte oficial, logo, e as informações foram confirmadas com fontes ITALIANAS.
NASSIF: "E explico como funciona o esquema de repercussão de notícias, para fins jurídicos."
JANAÍNA: Só faltou explicar como funciona o esquema de repercussão do iG.
NASSIF: "Repito: esse trabalho de lobby de Mainardi ocorre exclusivamente no espaço que tem na Veja. Na GNT não consta que ele atue de maneira similar, certamente porque o canal deve impor linhas de conduta a seus contratados."
JANAÍNA: Preciso mesmo contar a diferença entre ser colunista, com liberdade total na escrita, e ser participante de um programa com uma equipe grande que, pule de dez, tem pauteiro?
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PS: Perdoe a minha dificuldade para configurar este post. Sou ruim com as coisas de html.
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Diogo Mainardi é polêmico. A Veja também. Dizem que atuamos em dobradinha há alguns anos. Bem que eu queria... Se fosse verdade, os documentos do caso Telecom Italia já estariam aqui.
O colunista descobriu o que fez a Carta Capital publicar a reportagem sobre o assunto que está na última edição da revista. Uma riqueza.
Alguns trechos:
"A imprensa paraestatal anda perdida. Algum tempo atrás, acusou-me de publicar documentos falsos sobre o inquérito da Telecom Italia. Isso mesmo: os documentos teriam sido fabricados por Daniel Dantas e veiculados por mim, mediante pagamento. Um documento em particular foi contestado pela imprensa paraestatal: o mandado de prisão de um araponga da Telecom Italia, em que eram mencionados Lula e Antonio Palocci.Carta Capital mandou um de seus jornalistas - autor do volume Lula, o Presidente dos Pobres - entrevistar o araponga da Telecom Italia. Assunto da entrevista: eu. Carta Capital é assim: podendo perguntar sobre Lula e Antonio Palocci, preferiu perguntar sobre mim. Eu só posso agradecer. Em vez de mentir a meu respeito, declarando que fabriquei o documento, o araponga da Telecom Italia reconheceu sua autenticidade, dando até o nome do indiciado que o teria remetido para mim.
... A realidade é outra. A magistratura italiana interrogou dezenas de pessoas e recolheu toneladas de documentos. Os arapongas da Telecom Italia foram presos porque recorreram a práticas ilegais para desmantelar o esquema de espionagem contratado por Daniel Dantas. Só isso. Ninguém quis beneficiá-lo."
Podem espernear, aqui e lá na Itália. Mesmo a contragosto de alguns, Ministério Público Federal e Polícia Federal já conversaram e sabem: o caso Telecom Itália vai bater daqui a pouquinho no Brasil, questão de meses. Deve ser por isso que o pessoal que NÃO quer as investigações está trombando entre si e atirando desesperadamente em qualquer alvo móvel _ mesmo que ele seja uma repórter que nem está mais na redação de um grande jornal.
Às vezes, como nos últimos dias, penso muito em voltar. Há uma grande reportagem esperando para ser escrita, aquela que contará como funcionava o esquema da Telecom Italia no Brasil e quais são os envolvidos na tramóia. E repórter que é repórter gosta é de furo, não de sugar as canelas dos poderosos de plantão.
Para ouvir o podcast de Mainardi, clique aqui.
O texto, na íntegra, está aqui mesmo, no Arrastão, um pouquinho mais para baixo.
Ontem, eu conheci o Tiago. Tiago Souza. Eu não sei se ele existe, nem se leva mesmo o nome de Tiago. Mas, se existir, eu adoraria encontrá-lo pessoalmente (se você for o Daniel Dantas, Tiago, avise com antecedência. Eu vou mais arrumadinha).
Por enquanto, peço licença ao Gravatai Merengue, para reproduzir trechos do diálogo que ocorreu ontem no Imprensa Marrom.
Com a palavra, o Tiago:
"A sua resposta mostra que vc tem a intenção de acertar, mas está defendendo a Janaína Leite sem saber o histórico e as motivações dela neste caso. Por exemplo, seria interessante vc investigar a relação da Janaína Leite com o Naji Nahas, mega-expeculador da Bolsa a serviço do Daniel Dantas.Depois, quanto aos tais depoimentos da Itália, por que o Mainardi e a Janaína toparam publicar documentos pela metade? O que havia na outra metade? E quem disse que as pessoas que falaram nesses depoimentos cheios de insinuações estavam falando a verdade? Se você "foi citado" em um depoimento na Itália, por exemplo, o que isso quer dizer? Pelo contrário, os caras que falaram na Itália estão sendo agora revelados como bandidos e que vendiam entrevistas alinhadas com o que queria o Daniel Dantas.
Manda um email lá para o procurador Fabio Napoleone, Gravata. Vai ver as decisões dos juízes. Não tem nada do que o Mainardi e a Janaína Leite insistem em demonstrar. A motivação deles é outra, não é jornalística. E vocÊ, sem querer ou não, está ajudando a alimentar essa mentira. Se você está em busca da verdade como diz, vai no detalhe dos fatos, senão fica que nem a estória do Comuniquese, há 6 anos registrado em nome da empresa que levou dinheiro do Dantas sem prestar nenhum serviço, mas aí, como diz vc e a Janaína "todo mundo sabe que a FSB é honesta" ... Vai no detalhe dos fatos e das intenções Gravata. Vc vai contribuir mais com a verdade do que ficar replicando post mal intencionado da Janaína Leite."
"Gravata. Por que vc endossa a Janaína? Como vc que ela escreve o que acha correto? Fiz uma pesquisa na Internet. Olha o que eu achei? O tal de Angelo Jannone que a Janaína usa para dizer que disse isso e aqui dos outros, também tem um blog (a Internet é mesmo demais!!!). E lá ele está falando que a Janaína viajou para a Itália paga pelo Daniel Dantas e que trabalha para ele. E agora José? Segue o link que achei:http://ilblogdiangelojannone.blogspot.com/2008/03/come-si-completa-il-circuito-mediatico.html
Vai lá vc mesmo conferir! Agora eu gostaria de saber. O que o tal Jannone fala da Janaína é verdade, ou só é verdade aquilo que ela usa do que ele diz para atacar quem não gosta do Daniel Dantas? Qual é a verdade?"
Eu adoro brinquedo novo. E o meu novo brinquedo é a desconstrução de discurso maldoso. Então, vamos lá. O que eu respondi:
"Gravata,juro que eu não quero aumentar a polêmica aqui, nem criar qualquer espécie de constrangimento. Mas vejo que as dúvidas que antes pairavam só sobre mim agora foram estendidas a você. Não quero isso de modo algum.
Há, porém, limites para a minha paciência. Tiago, se você existe mesmo, e não é uma personagem criada por pessoas que passam o dia fazendo isso, caluniando pessoas na internet, nem um adolescente que repete o que ouve por mera incapacidade de pensar sozinho, eu ficaria muito feliz em conversar com você e explicar o que quiser saber.
PRESTE ATENÇÃO: Se preferir um debate público, ok. Se quiser filmar, tudo bem. Se quiser ver a minha casa, tudo bem. Se quiser olhar meus extratos bancários, tudo bem. Se quiser ver onde minha filha estuda, tudo bem. Se quiser que eu mostre documentos e as provas que tenho de ter pedido demissão e do apoio que o jornal me prestou, eu mostro. Se quiser ir comigo até a Folha de S.Paulo e perguntar quem pagou todas as despesas das viagens que eu fiz, vamos lá.
Se esse blog é mesmo do Jannone, ele está no sal. VOU PROCESSÁ-LO NA EUROPA E ARRANCAR DELE O ÚLTIMO TOSTÃO. Até porque, meu caro, eu sempre falei com o Jannone por e-mail e por telefone. TODOS os meus contatos geraram relatórios e as minhas conversas com o Jannone foram sempre (sempre!) copiadas para a minha chefia.
Pergunto ainda: você acha mesmo que, de posse dessas informações, se elas fossem verdadeiras, o Mino Carta teria feito a matéria que fez? Não teria estampado: "Repórter entrevista italiano bancada por Dantas"? Ah, faça-me o favor! A coisa que essas pessoas mais gostariam é mostrar que existe um "sistema Dantas de comunicação". VÃO QUEBRAR A CARA, POIS NÃO EXISTE. Eu trabalhava PARA A FOLHA. E fiz um trabalho de primeira, por isso é que feri os interesses de tantas pessoas.
Não é um bando de inconseqüentes gananciosos que vai sair me difamando por aí sem ter resposta.
Vamos brincar de desconstruir o seu discurso?
Continuo aqui.
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Caro leitor,
é provável que você saiba dos ataques que sofro desde fevereiro, por parte de jornalistas contratados pelo iG, subordinados aos interesses de acionistas da Brasil Telecom que disputavam o comando da operadora até outro dia.
A irresponsabilidade e o servilismo dos que me acusam têm sido usados como combustível para internautas incautos ou mal-intencionados, que acatam as histórias da carochinha como verdades absolutas e as reproduzem por aí.
Pois bem. Até aqui, tive paciência e boa vontade com todos. As mentiras, contudo, extrapolaram o limite do ridículo, é preciso fazer algo. E eu vou fazer. Tomarei as medidas legais cabíveis contra todos os detratores. Vamos ver, diante do juiz, quem mente e macula a profissão para beneficiar terceiros. Vamos ver quem prova o que diz.
Até lá, será fogo contra fogo. Não tenho dinheiro e não tenho fama. Mas, por outro lado, não tenho medo. Por não precisar de costas quentes, uma vez que digo a verdade, posso avançar sem pensar duas vezes.
Os principais detratores têm sido Luís Nassif e Paulo Henrique Amorim, dinossauros do jornalismo, com pelo menos algumas décadas a mais na certidão de nascimento, algumas histórias a mais no currículo, muito dinheiro a mais no banco (seja lá onde ficar a conta).
A tese de ambos é que eu “trabalhei” em prol do banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity, quando fui repórter da Folha de S.Paulo. Nesse período cobri a briga que marca o setor de telecomunicações desde a privatização, em 1998. Tese tão ridícula e frágil quanto a ética dos acusadores, e aqui eu explico os motivos. Melhor ler de baixo para cima.
A Folha é o maior jornal do país e foi o veículo que, sem dúvida, mais de perto acompanhou o desenrolar do cabo-de-guerra em torno da Brasil Telecom.
Vários repórteres cuidaram do assunto, inclusive eu e a sempre competente Elvira Lobato (se alguém achou que eu entraria nesse jogo horroroso de falar mal de quem não merece, está redondamente enganado: Elvira é ótima mesmo. O fato de ela olhar a cobertura sob ângulo diferente do meu garantiu ao leitor da Folha ser agraciado com diversidade.)
Repórter, como eu já disse, não desce página de jornal para as rotatórias. O texto passa por editores. No caso desse furdunço das teles, o rigor era total. E todo mundo sabe muito bem disso. Inclusive os coroinhas de Missa Negra, supondo-se que ainda não esqueceram tudo o que diz respeito ao jornalismo que não é de negócios.
Blogueiros
No último sábado, Nassif colocou na rede novo post ancorado na realidade alternativa e bizarra criada por ele. Sem citar meu nome, mas apresentando links que chegam a mim, insistiu no que está descrito um parágrafo acima: há um “sistema Dantas” de comunicação.
De minha parte, escrevi o que está aqui, aqui e aqui.
Ontem à noite, por meio de um desses internautas, como tal Tiago, que papagaiam a mentirada dos escribas do iG, descobri que o ex-chefe de Segurança para a Telecom Italia, Angelo Jannone, copiou a técnica de Nassif: resolveu criar um blog onde diz que Daniel Dantas pagou minhas viagens. O objetivo, porém, é outro. Jannone quer mostrar para os italianos que os procuradores de Milão vazaram documentos oficiais que constam dos autos.
Ou seja, é o Brasil "exportando sua expertise" de malandragem para os italianos. Lindo. Dê uma olhada.
Agora eu explico devagar para você entender. SEI que você vai entender tudinho e bem rápido. Quer ver?
Que documento é esse do qual fala o blog italiano? O mandado de prisão de Angelo Jannone, onde existem vários testemunhos colhidos pelos procuradores italianos. O motivo é que Jannone se contradisse várias vezes durante suas conversas com os representantes da Justiça.
Que importância tem esse Jannone? É o homem que entregou o CD com as informações sobre a Kroll para a Polícia Federal brasileira em 2004. Por conta do caso Kroll, a PF invadiu o Opportunity e Daniel Dantas foi acusado, entre outras coisas, de formação de quadrilha. Enfrenta vários processos relativos ao tema.
Quem publicou os documentos? Eu e Diogo Mainardi, da Veja.
Quando? Eu, sem apresentar os papéis, só mencionando sua existência, em janeiro. Mainardi, dando link na internet para uma parte dos documentos, em fevereiro.
De quem são os testemunhos contidos nos documentos? Angelo Jannone e seus ex-companheiros de trabalho: Giuliano Tavaroli, Fabio Ghioni e Marco Bernardini, entre outros. Há várias considerações do próprio Ministério Público italiano.
E o que esses sujeitos dizem? Uma porção de coisas. Entre elas, que Daniel Dantas era um bandido; que o banqueiro, assim como dezenas de outras pessoas ligadas ao caso Kroll no Brasil e no exterior, foi espionado pela Telecom Italia; que Naji Nahas era assessor direto do então presidente mundial da tele e que recebia quantias astronômicas em dinheiro vivo; que hackers e arapongas foram contratados no Brasil para monitorar inimigos dos italianos; que tinham contato direto com a cúpula da Abin e da Polícia Federal; que lobistas brasileiros recebiam dinheiro fora do país, ou camuflados em contratos de consultorias, para influenciar jornalistas, políticos e dirigentes de fundos de pensão em favor da Telecom Italia; que um desses lobistas era Luís Roberto Demarco, o qual teria recebido US$ 1 milhão fora do país; que os pagamentos a Demarco eram feitos por meio de seu advogado, Marcelo Elias, antigo prestador de serviços dos fundos de pensão.
Pare um segundo.
Aqui vai um refresco para sua memória: Demarco é o dono da lojinha do PT, ligado à ala sindical e bancária do partido. Foi demitido do Opportunity e, desde então, quer ver Daniel Dantas pobrinho da silva. Ganhou uma ação trabalhista do banqueiro em Cayman. Trabalhou para a TIW, também inimiga de Dantas, e recebeu milhões do Citigroup depois que o banco trocou a parceria com o Opportunity para andar de mãos dadas com os fundos de pensão.
Entre outros negócios, é dono de empresas de softwares usados em call centers e da Nexxy, a mesma do CNPJ que aparece no registro da página que abriga o site de Paulo Henrique Amorim desde que ele foi mandado embora do iG. Demarco também é o autor do release que Luís Nassif copiou e assinou como seu quando colunista da Folha de S.Paulo.
Esses dois episódios foram noticiados por Diogo Mainardi, da Veja. A princípio, Amorim e Nassif negaram. Depois o discurso foi mudando. Demarco declarou publicamente que apenas “ajudava a um amigo” na história do registro. E Nassif admitiu que, sim, transcreveu um bloco inteiro de informações escritas por Demarco em uma coluna que tratava de telecomunicações. Pressa por conta do fechamento do jornal, alegou.
O que dizem Nassif e Paulo Henrique Amorim sobre os papéis divulgados por mim e Mainardi? Que são falsos, fabricados no Brasil e tornados públicos em favor de Daniel Dantas.
O que dizem Nassif e Paulo Henrique Amorim sobre mim e Mainardi? Que mentimos, não temos fontes na Itália, somos jornalistas de araque que colocam matérias inventadas em circulação, com o objetivo de favorecer Daniel Dantas em seus processos judiciais. E que falar desses papéis italianos é fazer chantagem (não dizem com quem, nem como, nem o motivo) e tentativa de influenciar os juízes. Nenhum dos dois afirma que somos bonitinhos, o que é, claramente, injustiça.
O que dizem Nassif e Paulo Henrique Amorim sobre a Folha e a Veja? Que estão em processo de decadência e abrigam profissionais com caráter duvidoso; sacripantas que trabalham em favor de poderosos, especialmente, adivinhe?, Daniel Dantas.
O que dizem Nassif e Paulo Henrique Amorim sobre as testemunhas italianas? São lobistas e mentirosos pagos por, é isso mesmo, Daniel Dantas.
O que dizem Nassif e Paulo Henrique Amorim sobre a Telecom Italia? Que há italianos e italianos, que a direção da empresa mudou e que os italianos que gostam de Dantas são maus, mas há outros bons, que não queriam nada com o banqueiro e são bacaninhas.
O que dizem Nassif e Paulo Henrique Amorim sobre Luís Demarco? Que é muito inteligente e ótima fonte. E que indica vinhos bons a preços razoáveis. E que é vítima de calúnias de pessoas que se submetem a Daniel Dantas.
Entendeu? Então está certo.
Pois bem. Voltemos aos italianos. Mais especificamente ao blog do espião italiano (juro que, quando vi, achei que era piada. Araponga blogueiro é coisa que parece inventada pelo L. F. Veríssimo.)
Ora, se Jannone me acusa de ser paga por Dantas e reclama da divulgação de seu testemunho, exatamente por reconhecer que ele é autêntico, parte do processo judicial que corre em Milão, EXPLIQUE-ME, ACUSADOR: como pode Angelo Jannone, o homem que acusou Luís Roberto Demarco de ser pago pela Telecom Italia para influenciar jornalistas, também ser pago por Daniel Dantas?
Estou esperando a resposta.
No mais, quando vi o que Jannone fez, me acusando de viajar à custa de Daniel Dantas, tomei as devidas providências: mandei um e-mail a ele perguntando quem era o dono do blog e avisei que, se ele escreveu aquelas maluquices, vou processá-lo no Brasil e na Itália. O e-mail seguiu com cópia para a direção da Folha de S.Paulo (onde estão TODOS os recibos com meus gastos de viagem, traslado, hospedagem, transporte local etc.). Também foram copiados dois procuradores de Milão responsáveis pelo caso Telecom Italia, Fabio Napoleone e Nicola Piacente.
Hoje pela manhã avisei Maria Amália Coutrim, diretora do Opportunity. O Ministério Público brasileiro também foi colocado a par do ocorrido, bem como o colunista da Veja, Diogo Mainardi, e outros jornalistas e blogueiros.
Agora é a vez de vocês saberem o ocorrido.
A partir de hoje, estou de licença do trabalho para cuidar do assunto. Serão 24 horas de dedicação, se preciso. Não vou admitir que sujem a única coisa que, com muito esforço, trabalho e entrega, amealhei em 34 anos de vida: credibilidade.
Ao contrário dos meus acusadores, não faço jornalismo de serviços. Faço Jornalismo. Assim mesmo, com “j” maiúsculo. E _ o lado bom dessa história foi redescobrir _ adoro minha profissão.
Fiquem aqui. Estou apenas começando.
Abraços,
Janaína
PS: colocarei todos os links aqui, mas tenha calma. Minha conexão é ruim.
( ) Daniel Dantas corrompeu todos os procuradores de Milão para que eles acreditem em qualquer mentira. Eles querem apenas atingir o PT.
( ) Daniel Dantas coordenou os espiões italianos que levantaram as informações do caso Kroll para que eles inventassem um escândalo que mandaria a eles próprios, espiões, para a cadeia. Eles querem apenas atingir o PT.
( ) Daniel Dantas pagou Marcos Valério. Os dois são os maiores corruptores do Brasil por conta do mensalão. Mas não há corrupção na base aliada. Inexistem corrompidos. Ninguém recebia mensalão. Eles querem apenas atingir o PT.
( ) Daniel Dantas plantava matéria nas Folhas e na Veja, que são de outros donos, por meio da obscura Janaína Leite e do raivoso Diogo Mainardi, para usar os textos em processos judiciais. Mas o Citigroup e os fundos de pensão, donos e administradores do iG, jamais se importaram com o que escrevia o paladino Luís Nassif, contratado do portal. Preferiam perder a disputa de milhões de dólares, pois amam a ética acima do dinheiro. Eles querem apenas atingir o PT.
( ) Daniel Dantas escolheu todos os entrevistados que a Carta Capital usou na matéria sobre a Telecom Itália. E Mino Carta deixou passar um texto dúbio, sem ataques explícitos ao banqueiro, só para que a real intenção do autor, escondida, fosse explicada didaticamente por outro blogueiro. Eles querem apenas atingir o PT.
( ) Daniel Dantas deve R$ 4,2 milhões ao BNDES. Conseguiu renegociar duas vezes a dívida, uma em 2003 e outra em 2007, por valores magrinhos, magrinhos. Em troca, apóia incondicionalmente o governo. Eles só... Espera aí! Nesse caso, a figura em questão não é o Daniel Dantas...
Mas é claro que você não vai acreditar em mim. Já ouviu de fonte segura que eu sou um "deles". E eles, todo mundo sabe, querem apenas atingir o PT.
Ainda bem que você é esperto.
Ao longo dos últimos meses, Luís Nassif citou meu nome diversas vezes em seu blog, de forma pouco lisonjeira, ao divulgar o chamado Dossiê Veja. Em linhas gerais, o colunista do portal iG insinuou que usei o cargo de repórter na Folha de S.Paulo para plantar notícias falsas e distorcer informações, com o objetivo de favorecer o dono do Opportunity, Daniel Dantas, em suas disputas comerciais.
De acordo com Nassif, eu, na Folha, e Diogo Mainardi, colunista da Veja, atuamos em dobradinha na empreitada.
Mentira.
Para sustentá-la, o contratado do iG colocou em dúvida a autenticidade de documentos publicados por Mainardi na Veja, relativos a um processo enfrentado pela Telecom Italia em seu país de origem. Os mesmos papéis haviam sido citados aqui, no Arrastão, tempos antes de saírem na revista.
Nassif imaginou que eu havia entregue a documentação a Mainardi. Na tentativa de transformar o delírio em fato, distorceu o que o colunista da Veja falara durante seu programa semanal de rádio na internet. Pintou a mim como uma repórter carreirista que, sem méritos, invadia a área de atuação de outros profissionais. E deu a entender que o comando da Folha degringolou de uns tempos para cá.
Os advogados da Veja pediram a Mainardi que não respondesse e que guardasse toda a munição para os tribunais. A Folha optou por ignorar os ataques do mal-agradecido. Eu, que não tenho departamento jurídico, nem a paciência de um diretor de redação, não consegui ficar quieta diante dos coprólitos oriundos da cabeça de Nassif. Escrevi. (Se quiser ler, vá ao lado esquerdo desta página e clique sobre a categoria “Resposta”.)
A bagunça acontece por conta do que ocorre na Europa: procuradores milaneses investigam um gigantesco esquema de espionagem, de venda ilegal de informações e de corrupção tocado dentro da Telecom Italia.
Ontem, para minha surpresa, o assunto foi retomado. A revista Carta Capital chegou às bancas contendo uma reportagem sobre o caso dos italianos. Entrevistou uma das testemunhas do Ministério Público de Milão. Acertadamente, falou também com um acusado que busca desqualificar o ex-patrão da testemunha (e a moça a