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terça-feira, 25 de novembro de 2008

TV

Foi lançado ontem em São Paulo o livro “TV digital no Brasil”, escrito por um dos jornalistas mais competentes da área de teles, Renato Cruz. Um trechinho da resenha publicada por Ethevaldo Siqueira n’O Estado:

“A conclusão central do trabalho mostra claramente que a escolha padrão japonês (ISDB) de televisão digital já estava definida muito antes da análise e da comparação com seus competidores – os padrões norte-americano (ATSC) e europeu (DVB). Como no caso da mudança do Plano Geral de Outorgas para permitir a compra da Brasil Telecom pela Oi, o governo agiu sem nenhuma isenção na escolha dos padrões de TV digital.”

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Enquanto isso…

Lula e Protógenes, FHC e Dantas, Greenhalg e Gilberto Carvalho, PF e Abin, Gilmar e De Sanctis, MI-6 e Congresso, Reinaldo e LN… Tudo isso você acompanha querendo ou não. Mas o mundo não parou, melhor dar uma olhada.

Folha de S.Paulo:

“A operadora de telefonia Oi anunciou ontem que obteve empréstimo de R$ 4,3 bilhões do Banco do Brasil para financiar a compra da Brasil Telecom. O negócio, anunciado em abril, ainda depende de mudanças na lei para ser efetivado.

… Desse total, R$ 5,8 bilhões serão pagos pelo controle da BrT. Outros R$ 3,5 bilhões farão parte da oferta pública obrigatória para aquisição de ações ordinárias dos minoritários -o chamado ‘tag along’. Mais R$ 3 bilhões serão gastos na oferta voluntária para a compra de ações preferenciais da BrT.

… Em nota, a Oi afirmou que comprará a BrT com recursos próprios e que o empréstimo do Banco do Brasil ‘constitui-se no primeiro movimento de captação de recursos’ que, em seguida, contará com ‘emissão de notas promissórias com os bancos Santander, Bradesco e Itaú’.

… É o segundo financiamento de um banco público obtido pela Oi para a operação de compra da BrT, operação apoiada pelo governo federal sob o argumento de que o país precisaria de uma grande empresa no setor para concorrer com gigantes multinacionais como a espanhola Telefónica e a mexicana Claro. O BNDES já havia anunciado crédito de R$ 2,5 bilhões, com o objetivo específico de promover a reestruturação acionária da Oi -condição necessária para a compra da BrT.” (Roberto Machado)

Na mesma Folha:

“Sergio Ramírez é um notável escritor nicaragüense, que se tornou revolucionário, lutou com a Frente Sandinista de Libertação Nacional contra a nefanda ditadura Somoza, elegeu-se vice-presidente e, afinal, rompeu com os companheiros, horrorizado com o nível de corrupção a que se dedicaram uma vez instalados no poder.

No auge do escândalo do mensalão, ele me disse uma frase que não me sai da cabeça: ‘Se eu fosse presidente, antes da posse chamaria todos os parentes e amigos e lhes diria que, durante o meu governo, não poderiam fazer negócios. Nem negócios legais’.” (Clóvis Rossi)

Seguido de:

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou ontem a lei que cria o piso salarial dos professores da educação básica (ensino infantil a médio). A partir de 2010, os professores da rede pública terão que receber, no mínimo, R$ 950.” (Angela Pinho)

Por fim:

“NEM TODO MUNDO tem senso de humor. É como inteligência natural. Nem todo mundo é esperto. De fato, algumas pessoas são naturalmente obtusas.

Não significa que elas sejam de alguma maneira inferiores ou menos charmosas, bonitas, fortes ou bem sucedidas. Mas o fato é que os seres humanos têm diferentes talentos e diferentes capacidades. Essa é uma descoberta da vida, especialmente para os professores. Eu sei que mães relutam em aceitar esse fato com relação aos seus filhos, mas ainda assim é verdade.” (Kenneth Maxwell)

segunda-feira, 14 de julho de 2008

A letra escarlate

Desde que estourou o escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Dantas, na semana passada, recebi alguns comentários escritos por pessoas dignas de uma educação da realeza. Coisas bonitas, na linha de “sua carreira acabou” e “encontro você no inferno”.

Isso mexe comigo, claro. E muito. Esta noite, por exemplo, sonhei que estava na Inglaterra de 1637 e havia sido condenada ao pelourinho por falar contra o governo e publicar, sem permissão, material dissidente. De repente, no meio do sonho, a acusação mudava: por conta de fazer mapa astral e de ler o tarô, vinham com dedo em riste acusando-me de posar de oráculo e de fazer previsões em benefício próprio. A expiação passava pela fogueira. A acusação era que, travestida de parteira, apelava para artes da bruxaria e sedução para dominar as pessoas. Por fim, o cenário mudava e eu era do serviço secreto. Como falava com certa facilidade com pessoas importantes, em qualquer horário e sobre qualquer assunto, até aconselhando se fosse o caso, minha sentença era a cadeira elétrica.

O problema é que, quando acordei, vi que não era sonho. Realmente fui colocada em um pelourinho eletrônico depois de escrever reportagens que feriram os interesses do governo. Eu realmente faço o mapa astral de todo mundo que me dá na telha, até de atores de Hollywood. A quantidade de gente, inclusive fontes, que fiz perguntar o horário de nascimento para a mãe é incomensurável. E eu realmente nunca fui uma pessoa formal _ brinco, aconselho, fofoco e dano a filosofar com qualquer um que tenha a bondade de falar comigo e de me tratar com atenção.

Esse jeito despachado já garantiu (e certamente continuará garantindo) umas boas vergonhas, mas também garante que eu tenha a capacidade de me colocar no lugar do outro e atue de forma desarmada. Também trouxe amigos maravilhosos, a quem eu decepciono com mais freqüência do que gostaria, embora se divirtam com meu jeito tresloucado, e boas propostas de emprego, algumas das quais recusei por achar que eram incompatíveis com a minha liberdade. Outras eu aceitei, como aquela da consultoria, feita por um estrangeiro com quem acabei namorando e de quem hoje sou amiga.

Certamente há quem critique o meu jeito, especialmente aqueles que têm a pretensão de ser a palmatória do mundo. Mas uma coisa eles devem admitir: não sou venal e minha paciência com joguinhos às escuras é mínima. (O céu explica, meu ascendente é Áries.)

Sendo assim, leitor, aqui vai o que você realmente precisa saber: a aparição dos jornalistas nessa história de Daniel Dantas não é gratuita. O fato de alguns nomes de jornalistas antes acusados, como o meu, terem sumido subitamente da listagem também não. Há um jogo pesado de recados nos bastidores (não só entre as partes aparentes, governo e Opportunity) e você, desavisado, acha que isso é notícia.

Minha dúvida é se a polícia está envolvida propositalmente no leva-e-traz ou se está sendo usada. Se grampos vazarem de forma descontextualizada e truncada por aí, saberemos.

No mais, chegou a hora de eu dizer o que acho da história toda ocorrida na semana passada. Daniel Dantas não deveria ter sido libertado pela segunda vez por Gilmar Mendes, pois a atitude do ministro realmente foi uma afronta ao Judiciário. O fato de a Globo cobrir a prisão do banqueiro não foi “espetaculosidade” coisíssima nenhuma, foi um furaço. E, principalmente, Dantas não tinha nada que dar sinal verde para seus emissários conversarem com delegados fora da delegacia, nem se valer de gente como Luiz Eduardo Greenhalg e Roberto Teixeira, credo.

(Dizem que Dantas é o maior corruptor do Brasil. Acho que é o pior, isso sim, porque sempre descobrem o que ele faz. Os maiores, e melhores, estão agindo com foto em coluna social.)

Por outro lado, que mal tem o advogado perguntar para a repórter que noticiou a história onde está o processo? Eu teria tido essa mesma idéia, é mais inteligente do que mandar um batalhão de pessoas para vagar nos tribunais do país inteiro. E que mal tem a repórter, questionada sobre seu trabalho, informar o número do processo? Por acaso vivemos em uma ditadura, onde as pessoas não podem constituir advogados para defender seus interesses?

Por fim, essa história de israelense espião e do Opportunity Fund rola há anos, desde que explodiu o caso Kroll. Por que, raios, representantes do fundo não chamam uma coletiva para explicar isso direito? Contem a história tintim por tintim. Mas não. Ficam aí tentando essas técnicas subreptícias, como levar delegado pra comer picanha. Dá no que dá. Jogam nas sombras igualzinho aos adversários.

A BrOi é um escândalo e todo mundo sabe disso. Mas ela significa apascentar o cumprimento da promessa de campanha e, na minha opinião, o primeiro passo para que a Portugal Telecom aumente sua relevância como player. Quem ganha com ela? E quem perde com ela? E com toda a história da prisão de Dantas, quem ganha e quem perde?

O que há no processo de Nova York contra o governo? E quem mais aparece nos autos? O que há no processo da Itália contra o governo? E quem mais está nos papéis de Milão? O acordo da BrOi está sendo fechado às pressas para impedir que esses documentos, os americanos e os de Milão, vazem por aqui?

O que há no relatório da Polícia Federal, fato específico e não genérico, no uso de empresas de prateleira apontadas no relatório? Quanto foi que o Opportunity perdeu com essa história e para onde foi o dinheiro? Há gente ligando para os investidores do banco e provocando fuga de recursos?

E, principalmente, o bilhete encontrado na casa de Dantas com o timbre do Waldorf Astoria era um lembrete de que há documentos em Nova York relativos a um encontro do presidente da República com representantes do Citigroup naquele hotel, em 23 de junho de 2004, fato noticiado por mim e Leila Suwwan na Folha de S.Paulo em 12 de maio de 2005, numa reportagem que jornalistas submissos ao governo tentam de todo o modo desacreditar?

Enfim, há pano para a manga. Polícia Federal, Ministério Público e Justiça deveriam olhar para esse tipo de coisa e não ficarem servindo de fontes para garotos de recado de chantagistas.

Pronto, amigos. Podem me mandar para o pelourinho, para a fogueira, para a cadeira elétrica. Revelem minhas conversas, distorçam o contexto, plantem provas, costurem a letra escarlate no meu peito. A minha carreira, como vocês bem observaram, acabou. Vocês só não contavam que meus valores são diferentes dos seus. A gente se encontra no inferno.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Satiagraha

O banqueiro Daniel Dantas está em maus lençóis, a se julgar pela reportagem veiculada há pouco pelo Jornal Nacional (clique aqui para assistir). O grande problema, na minha opinião, não são as acusações do Ministério Público sobre as supostas atividades ilegais do Opportunity Fund, motivo principal da Operação Satiagraha, mas a informação de que colaboradores próximos de Dantas tentaram subornar delegados da Polícia Federal.

Por que digo isso? Porque as operações ainda estão sendo investigadas. O trabalho do Ministério Público e da Polícia é esse mesmo. Mas vai ser difícil contradizer as imagens que mostram os encontros dos colaboradores de Dantas com os delegados, bem como explicar por qual razão um desses sujeitos, que, de acordo com os delegados, oferecia a propina, tinha mais de um milhão de reais em dinheiro vivo dentro de casa.

Se a história da tentativa de suborno for comprovada, Dantas escolheu o caminho errado e pagará caro pelo erro de ter achado que dinheiro resolve tudo. Não resolve. Às vezes, como agora, complica.

Um dos pontos pelo qual não escrevi antes sobre o assunto foi entender a gênese da ação que resultou na prisão de Dantas e várias pessoas ligadas a ele hoje pela manhã, no Rio de Janeiro. Também queria saber quem eram os encarregados pelas prisões. Pois bem, a permissão veio do juiz Fausto de Santis, da 6ª Vara Federal de São Paulo, entende do riscado. Foi ele o responsável pela prisão de outro banqueiro, Edemar Cid Ferreira, do Banco Santos, aquele dono da casa onde os banheiros tinham torneiras de ouro. É sério e pouco dado a espetáculos. Esse é um ponto importante.

Outro ponto que me parecia importante ver esclarecido é se a Operação Satiagraha tinha algo com a Operação Chacal, aquela do caso Kroll, deflagrada em 2004. Isso porque o disco rígido do Banco Opportunity foi apreendido naquela operação, cujo fato gerador da ação é questionado em juízo. O Ministério Público Federal de São Paulo esclareceu que não é. Mesmo assim, eu gostaria de entender um pouco melhor como eles tiveram acesso ao disco rígido do banco (quem cuidava do outro processo, o primeiro, relativo aos acontecimentos de 2004, permitiu? Se não, como isso aconteceu, uma vez que o primeiro processo estava na segunda instância? Leitores advogados, ajudem-me).

Ah, outra coisa: qual é a participação de Luiz Eduardo Greenhalg nessa história? Por que o Ministério Público pediu sua prisão? E por que o juiz a rejeitou? Falo de fatos específicos, não esse blablabá genérico que vi até agora.

Por fim, chamou minha atenção o fato de que uma das testemunhas de acusação arrolada pela Procuradoria-Geral da República no processo do Supremo Tribunal Federal, Lúcio Bolonha Funaro, teve ordem de prisão no âmbito da Satiagraha. Você lembra-se dele? Lúcio era dono de uma empresa chamada Garanhuns e estaria, segundo desconfiava a CPI dos Correios, por trás das operações da corretora Bônus Banval, também investigada naquela época sob a suspeita de ter esquentado recursos do mensalão. Afinal, Funaro foi preso ou é um dos foragidos?

E Naji Nahas? Pelo jeito abastecia Celso Pitta, que caiu de pára-quedas na história. Eu gostaria de saber quais são as empresas onde ele e Dantas são sócios. Essa história também é novidade pra mim. Até onde eu sabia, Nahas trabalhava para a Telecom Italia, que era aliada dos fundos de pensão até o começo de 2005. Ora, se as investigações começaram em 2004, tem gente dos fundos envolvida?

Vamos esperar. Os jornais prometem vir recheados amanhã.

PS: O release oficial do Ministério Público está aqui.

PS2: Querem tanto vincular o Diogo Mainardi ao Daniel Dantas que se esquecem de um pequeno detalhe, a realidade. Ouça ou leia o podcast do moço e conclua você mesmo.

domingo, 6 de julho de 2008

Xadrez

Valdo Cruz, na Folha, toca em uma ferida que sangrará daqui a pouco, a briga pelos canais de TV paga. Alguns trechos:

“… De um lado, a Globo trabalha para derrubar o sistema de cotas de canais e de conteúdo nacional na TV paga tal como está proposto, sob o argumento de que ele vai tornar o serviço mais caro e afetar a qualidade da programação.

Do outro, grupos como Abril, Band e Record, apoiados pelos produtores independentes, defendem as cotas criadas pelo relator do projeto na Câmara, deputado Jorge Bittar (PT-RJ), pronto para ser votado na Comissão de Ciência, Tecnologia e Comunicação.

Esses grupos alegam que as cotas de canais e conteúdo nacional vão estimular a concorrência na TV paga brasileira, ao criar um mercado mínimo para produtoras que hoje têm dificuldades para conseguir espaço nesse setor.

Traduzindo: está em disputa o negócio de fornecimento de conteúdo nacional para a TV por assinatura, hoje dominado pela Globosat com seus canais esportivos e de notícias.

Concentração que se repete na distribuição do serviço no país: dois grupos controlam quase 80% desse mercado -Net (associação entre a Globo e o mexicano Carlos Slim) e Sky (controlada pelo grupo americano Liberty Media, com participação da Globo).

Com a entrada em peso das teles fixa no setor, a partir das mudanças na legislação atual, a estimativa é que o número de assinantes salte dos pouco mais de 5,3 milhões de hoje para 18 milhões em 2018.

Um mercado que, crescente, tende a atrair parte do bolo publicitário do setor de mídia, estimado hoje em R$ 8 bilhões anuais -90% vão para a TV aberta, concentrado na Globo.”

Que as teles entraram na briga é claro. E os outros grupos de mídia? Vejamos.

1) A Folha é sócia das Organizações Globo no jornal Valor Econômico e da Portugal Telecom no UOL.

2) A Abril vendeu a TVA para a Telefónica (numa operação que elevou a concentração de mercado no estado de São Paulo a níveis ridículos).

3) Dos grandes da imprensa sobra O Estadão, aquele sobre o qual pesam especulações de venda. Para quem mesmo? A princípio, para a Globo ou para a Abril.

Se a escolhida for a Globo, como fica a parceria no Valor? E a Agência Estado vai se fundir ao portal de notícias da Globo, o G1? E a Folha vai ficar quieta com o avanço da Globo sobre o mercado paulista? Pelo tom da reportagem do Valdo, que foi diretor da sucursal de Brasília e hoje é repórter especial, não parece.

Por fim, bom observar que alguns nomes passaram ao largo dessa primeira análise: SBT (eternamente à venda na boataria, mas eternamente feudo de Silvio Santos na prática), Brasil Telecom, Oi (ex-Telemar) e Telecom Itália, a dona da TIM.

O jogo está ficando interessantíssimo. Acho que vou começar a acompanhá-lo.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Acabou a novela da BrT. Vem aí “A Telezona”

Se alguém tinha dúvidas de que as brigas em torno da BrOi seriam mesmo encaçapadas, deve olhar a ata das assembléias da Brasil Telecom Participações e da Brasil Telecom S/A, ocorridas ontem. Por unanimidade, os representantes de ambas as empresas encerraram os processos contra o Opportunity.

Papai Planalto mandou, os filhinhos de pensão obedeceram. Contra a força não há resistência, não é, prezados? Eu avisei, acharam que era melhor investir contra o mensageiro. Pois é. Foram traídos. Resta negociar as compensações.

No mais, agora é só o Executivo cumprir o que prometeu aos novos donos da tele, Carlos Jereissati e Sérgio Andrade, e mudar logo a lei. Rápido, hein, por que eles já estão cobrando. Basta ler os recados nos jornais dos últimos dias.

Corre, governo, corre! Olha o relho! Com esse pessoal, meus caros, vocês não tiram farinha…

PS: Até agora, acertei cerca de 85% do que escrevi em janeiro sobre as teles. Deve ser por isso, por todo esse fracasso, que saíram por aí me criticando. Humpf.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Tchau, cafezinho!

Vinte e três currículos enviados por executivos da Brasil Telecom, vendida recentemente à Oi (ex-Telemar), para os concorrentes. E todo mundo no mercado, que tem o tamanho de uma ervilha Jurema, sabendo. Não façam isso, rapazes. Calma é fundamental.

Caso contrário, o que acontece é um bando de pessoas que trabalha com vocês na cafeteria, rindo e fazendo trocadilhos do tipo: “quando a Oi chegar, para eles é Tchau”.

Para os faladeiros, cujo respeito pelos colegas passou longe, o aviso: jornalista tem fontes. E a probabilidade que ela esteja bem do seu ladinho, a menos de 50 centímetros de distância, é enorme.

Além disso, moço, ninguém garante que a vaga de quem fofoca é 100% certa. Vai por mim.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Rossi: Na maioria dos casos, porém, estou com ele

Se discordo do artigo publicado hoje por Clóvis Rossi, sobre o grau de investimento, confesso que gostaria de ter assinado o texto dele que saiu ontem na Folha. Vale a íntegra:

Política virou negócio

SÃO PAULO – Eduardo Zaplana, terceiro homem na hierarquia do conservador Partido Popular espanhol, anunciou anteontem que deixa seu posto de deputado para trabalhar na Telefónica (com acento agudo porque é a da Espanha, não a do Brasil). Informa a respeito o jornal “El País”: “O presidente da Telefónica, César Alierta, contratou Zaplana por seus contatos com o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, o que pode facilitar os negócios da operadora nesse país”.

Saiu assim, como se fosse absolutamente normal que um importante líder político se torne ariete de negócios, usando seus contatos no meio conservador europeu. Uma espécie de multinacional da desfaçatez, no pressuposto óbvio de que o novo governo conservador italiano será suscetível ao charme de um ilustre conservador espanhol.

O pior é que é, sim, normal. Ou torna-se crescentemente normal, no mundo todo, que os políticos usem seus cargos e/ou prestígio para negócios. Ou, mais exatamente, para finalidades privadas em vez de o bem público (confesso que fico até envergonhado de falar em bem público nesse contexto; mais que ingênuo, me sinto um cretino).

Nem preciso falar do Brasil. No fundo, no fundo, a mais recente operação da Polícia Federal, que pegou deputados e funcionários públicos beneficiando-se de contatos para levar comissão em negócios com o BNDES, revela a mesma gênese do caso Zaplana, ainda que haja possíveis ilegalidades naquele e não neste.

Não é à toa que, na Itália, um livro recente trate o mundo político como “casta”, um clubão a serviço dele próprio. Como diz Tito Boeri, colunista de “La Stampa”, “a política se tornou mais que nunca auto-referente. O fato é que os políticos italianos não só custam muito, mas rendem muito pouco“.

Você aí diria alguma coisa diferente dos políticos brasileiros?”

Há exatamente um ano, escrevi que a aproximação da espanhola Telefónica e da Telecom Italia passaria pelos meandros da política européia. Errei nos prazos (vai demorar bem mais de seis meses para que os nacos sejam distribuídos), mas a direção era por ali. No fim das contas, prepostos dos políticos acabarão encampando parte das duas companhias e, no futuro, sem entraves institucionais, elas irão se unir e formar uma gigante européia.

Isso terá conseqüências diretas para o mercado sul-americano. Mas, aí é outra história.

Para ler a íntegra das minhas reportagens antigas, clique aqui.

(mais…)

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Análise organizada – BrOi

Para ler a análise “Telezona, a síntese do Brasil” na íntegra, clique aqui.

Aqui estão as partes de modo organizado:

- Primeira

- Segunda

- Terceira

- Quarta

- Quinta

- Sexta

(mais…)

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Telezona, a síntese do Brasil (parte 6 – última)

Para encerrar, mais alguns números e considerações. Até aqui, claro, você pescou: no Brasil, é possível ser empresário sem ligações com os governantes de plantão. Mas, para conseguir atuar em uma área de concessão pública, é recomendável ter bons amigos entre os poderosos. Agora, se o caso é fechar um negócio ilegal envolvendo concessionárias… Aí é bom conhecer os políticos, se dar bem com várias facções e partidos, ceder a prepostos alguns lugares no conselho das empresas e, muito provavelmente, doar um bom dinheiro para campanhas eleitorais.

Antes das ponderações, contudo, os números da “supertele” (como é fácil criar uma impressão positiva, sem desembolsar um tostão em publicidade!).

Li em todos os jornais que a La Fonte e a Andrade terão, juntas 38,68% da Telemar Participações _ empresa que não é negociada em bolsa e está acima, em uma árvore socitária complicada, da operadora. Quase 40%… Dá até para entender facilmente os R$ 2,4 bilhões vindos do BNDES.

Mas, como eu disse, há informações numéricas que são como cebolas. A Telemar Participações está acima da Tele Norte Participações, que manda na Telemar Norte Leste (TMAR), a operadora. E, fazendo os cálculos, somando-se inclusive a participação direta de Jereissati e Andrade, descobre-se que a parte relativa a ambos corresponde a… 5,89%.

Os dois terão praticamente 6%, talvez um pouco menos, da Telezona, mas nela mandarão. A operadora nascerá um tantinho endividada. O risco estará mais com o mercado, creio, uma vez que são os investidores os donos de boa parte das ações da operadora.

Outros, bem mais inteligentes que eu, perceberam antes. As ações com direito a voto da TNL Part., da controladora da Oi, despencaram hoje 10,6%. E os papéis preferenciais caíram 9,7%. Avalio _ e isso é apenas minha avaliação _ que o movimento demonstra que o mercado não acreditou na história de uma governança corporativa aperfeiçoada para a Telezona.

Provavelmente, os operadores lembraram de casos recentes, como, por exemplo, o de Marco Tronchetti Provera, da Pirelli. Ele controlava a Telecom Italia por meio de uma empresa acima dela na árvore societária. Para financiar a empresa em que estavam suas ações, o empresário permitiu que a dívida da Telecom Itália (onde só tinha 3% do total) explodisse.

Enquanto o governo italiano era amigo de Provera, não houve problema. Quando, entretanto, Romano Prodi, que detestava o presidente da Pirelli, assumiu o cargo de primeiro-ministro, a situação virou. Em pouco tempo, a procuradoria italiana varria as atividades da Telecom Itália e os bancos cobravam as dívidas.

Resultado: Provera perdeu a companhia para a espanhola Telefónica. Os espanhóis que adquiriram o controle da Telecom Italia no ano passado em parceria com instituições financeiras.

“O que você quer dizer com isso, Janaína?” Que, na minha opinião, a Telezona continuará dependendo das relações de seus comandantes com a política. O acordo de acionistas não saiu mas, para descompensar o bloco de controle, basta que UM feche com o grupo contrário. Assim, a composição ainda é crucial para que Jereissati e Andrade fiquem à dianteira da tele.

“E a administração?” Espero que seja boa. O primeiro ponto a ser olhado com cuidado é o quanto os empresários querem essa companhia para aperfeiçoar as atividades da operadora por aqui ou como um braço mecânico para expandir suas outras atividades lá fora.

Se for o segundo caso, o dinheiro público financiou ambições privadas que, embora nacionais, são de pouca valia para nós, os brasileiros. E daqui a pouquinho, um estrangeiro, como a Portugal Telecom, por exemplo, comprará a controladora Telezona _ pagando muito mais pelas ações dos manda-chuvas (Jereissati, Andrade e o fundo de pensão da Telemar, o Atlantis) do que para os demais sócios (os fundos de pensão do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, da Petrobras e da BNDESPar).

Claro, o dinheiro público está nos últimos. Meio Fellini, eu sei. Mas, é só um detalhe, não é?

E la nave va.