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quinta-feira, 1 de maio de 2008

Nassif e o BNDES – 9

Só para dizer que me avisaram sobre novos posts no blog http://bndesnassif.blogspot.com/

Fui lá conferir. Barbaridade.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Luís Demarco: Janaína terá de provar o que diz em juízo

Aqui, a resposta enviada pelo sr. Luís Roberto Demarco às afirmações feitas por mim ontem, bem como a publicação dos e-mails que dele recebi.

“Sem prejuízo das ações Criminais e Cíveis contra as difamações, calúnias e injúrias propaladas pela senhora Janaína Leite no seu blog de internet, venho a público esclarecer o que se segue:

1) Nunca visitei a senhora Janaína Leite em uma redação de jornal ou revista que ela tenha trabalhado.

2) Não tive conversas com a senhora Janaína Leite a respeito do senhor Rodrigo Andrade, personagem sem nenhuma importância para mim.

3) Desafio a senhora Janaína Leite a apresentar o nome de um jornalista que apresente hora e local confirmando que me recebeu em sua redação com qualquer material a respeito desse personagem.

4) O senhor Rodrigo Andrade também testemunhou para Daniel Dantas perante a Grande Corte das Ilhas Cayman em 2002. O Juiz o sentenciou como mentiroso e desqualificou o seu depoimento. A sentença é definitiva e confirmada pela Suprema Corte Inglesa.

5) A senhora Janaína Leite não apresentará no seu blog qualquer email meu para ela a respeito de Rodrigo Andrade, simplesmente porque esse email não existe.

6) A senhora Janaína Leite será convocada para demonstrar em juízo a autenticidade dos emails que publicou, atribuídos a mim, alguns dos quais ela nem aparece como parte.

7) Ainda que autêntica, a publicação de qualquer correspondência privada, senão crime, certamente é uma descortesia pessoal e uma clara demonstração da pior prática do jornalismo, com a quebra do sigilo e da confiança de suas fontes jornalísticas.”

PS: Sem problemas. É só dizer onde e quando eu tenho de falar com o juiz. Sobre a descortesia… Depois de todo o ocorrido, Demarco, você só pode estar de brincadeira.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

SEGUNDO bilhete público de JANAÍNA LEITE para LUÍS NASSIF

Luís Nassif,

Pela SEGUNDA VEZ você tinha uma informação do AUTOR DA DECLARAÇÃO me inocentando de suas diatribes e a ignorou só para manter a versão tresloucada de que eu servia aos interesses de Daniel Dantas quando trabalhava na Folha de S.Paulo.

Você ESCONDEU o comentário de Rodrigo Andrade, enviado ONTEM para seu blog. Você ESCONDEU a entrevista que fez com Angelo Jannone, ex-chefe de segurança da Telecom Italia para a América Latina e um dos investigados pelo Ministério Público de Milão. Só revelou a conversa entre vocês depois de eu ter informado aos MEUS leitores que você havia procurado o italiano.

Rodrigo Andrade falou a verdade. Eu disse a ele que Luís Demarco andara pelas redações distribuindo material contra ele, Rodrigo, e contra todos do Opportunity. Todos os repórteres que cobriam o setor sabem disso.

E por que eu decidi contar? Simples. Como iria acreditar em um seqüestrador, coisa da qual Demarco acusava Andrade? Trilhei o caminho correto: confrontei a versão de Demarco, rica em detalhes, com a de Andrade. Faria isso mil vezes, assim como qualquer repórter correto. Agi bem e você, por motivos que escapam à lógica, quis transformar minha ação em algo sujo e comprometedor.

No mais, Nassif, eu conheci Rodrigo Andrade em 2006 _ ele já tinha saído do Opportunity e foi minha fonte em outros assuntos, em NADA relacionados com a telefonia. Naquele mesmo ano, Andrade e eu deixamos de nos falar regularmente, depois que citei o nome dele em outra matéria.

Só mantive isso comigo até agora porque, ao contrário de você, acredito no direito ao sigilo da fonte. Apuro fatos, Nassif. Você patrulha jornalistas. Essa é uma de nossas diferenças, além de tantas outras, tão óbvias que até você, com sua mente rocambolesca, é capaz de entender de primeira.

Mas que fique registrado: por DUAS VEZES você teve acesso a informações corretas e, mesmo assim, escolheu continuar sua campanha difamatória.

Para mim, você é o que há de pior como exemplo de falta de ética pessoal e jornalística

Janaína Leite

PS: Li mais uma vez a nota de Andrade. Cinco linhas. Cinco erros de Nassif. Impressionante.

PS2: Exemplos de material fornecidos aos repórteres pelo sr. Demarco. Creio que não há quebra de sigilo nisso, uma vez que configuram evidências de que falo a verdade e que não fui eu a trazer o assunto à baila, mas Nassif.

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terça-feira, 22 de abril de 2008

Para LUÍS NASSIF – Bilhete e resposta ao dossiê Veja

Nassif,

quer dizer que você tem HÁ DIAS a informação de que 1) os papéis colocados por mim e Diogo Mainardi na internet eram verdadeiros; 2) as páginas faltantes não alteravam o sentido dos documentos e 3) aquilo nunca havia sido um relatório, nem um dossiê forjado, e sim documentos oficiais da Justiça italiana, ao contrário do que você sustenta publicamente em seu blog e no Google desde fevereiro?

E, mesmo de posse dos dados verdadeiros, calou-se, se recusando a fazer uma retratação? Nem contou para seus leitores que havia conseguido falar com Angelo Jannone, autor do depoimento que eu linkei, e alvo do mandado de prisão que Mainardi compartilhou? Ainda por cima deixou no ar aquelas coisas que escreveu _ e pediu para as pessoas espalharem _ mesmo tendo a certeza de que eram MENTIRA?

Estou sem palavras, Nassif. Sem palavras.

Janaína

PS: Jannone colocou um post em seu blog. Lá, me pede desculpas e depois afirma que documentos publicados por Leite e Mainardi foram obtidos com o Judiciário brasileiro, aos quais não foram passados pelos canais oficiais, mas por canais oficiosos. É isso que ele está dizendo, Nassif. ;-) )

Para ler a resposta às últimas diatribes de Nassif, contidas no tal dossiê Veja, clique aqui.

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terça-feira, 22 de abril de 2008

ANGELO JANNONE – Entrevista organizada

Entrevistei o ex-chefe de Segurança para a América Latina da Telecom Italia, Angelo Jannone, um dos investigados no inquérito movido pelo Ministério Público de Milão. A conversa está dividida em três textos.

Clique para ler na ordem:

ANGELO JANNONE: “Documentos que estão na internet são autênticos e Nassif me procurou” (parte 1)

ANGELO JANNONE: “Pirelli mandou espionar Thomaz Bastos; Lula aparece em relatório da Justiça Italiana” (parte 2)

ANGELO JANNONE: “Chefe da Abin em 2005 recebia dinheiro da Telecom Italia; há informações sobre Marcos Valério no inquérito de Milão” (parte 3)

Clique aqui para acompanhar quem é quem entre os citados.

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terça-feira, 22 de abril de 2008

JANNONE: “Chefe da Abin em 2005 recebia dinheiro da Telecom Italia; há informações sobre Marcos Valério no inquérito de Milão” (parte 3)

Aqui, a segunda parte da entrevista de Angelo Jannone, ex-chefe de Segurança para a América Latina da Telecom Italia, ao Arrastão. Para entender um pouco melhor o assunto, dê uma olhada nas matérias que estão abaixo do ponto 7 neste post.

ARRASTÃO – Mainardi reproduziu um trecho do interrogatório de Giuliano Tavaroli, em que ele fala sobre o apoio institucional oferecido pelo governo Lula, através do chefe da Abin, Mauro Marcelo. Tavaroli confirmou o depoimento, mas negou que a TI tenha dado 300 mil dólares a Mauro Marcelo. O senhor sabe se esse dinheiro foi pago?

JANNONE – Tavaroli afirma também que Mauro Marcelo sugeriu contratar [o detetive particular] Eloy Lacerda, e que a Eloy foram prometidos 300 mil dólares, que ele queria receber de mim. Eu não sabia de nada. quando cheguei no Brasil, sem saber de nada, mandei o Spinelli (que tinha um contrato com Bonera, meu antecessor) pagar uma parte daquele valor. Mas quando suspeitei que por trás de Eloy houvesse [o ex-chefe da Abin] Mauro Marcelo, suspendi os pagamentos (fevereiro de 2005) e, em setembro de 2005, discuti por esse motivo com Eloy Lacerda, que chegou para usar um tom ameaçador Gravei o telefonema e entreguei a gravação à magistratura [italiana].

ARRASTÃO – A gravação mostra que Eloy Lacerda entregava dinheiro da Telecom Italia para o ex-titular da Agência Brasileira de Informações, Mauro Marcelo, sem o seu conhecimento? O senhor mandaria essa gravação para o Ministério Público brasileiro?

JANNONE – Na gravação eu reclamo com Eloy por ter recebido também um telefonema de Mauro Marcelo sobre o asunto. As confirmações de minhas suspeitas foram feitas a mim por Bonera maio de 2006, durante outra conversa gravada. As gravações há muito tempo estão nas mãos dos juízes italianos, mas provavelmente eles não as escutaram.

ARRASTÃO – Segundo Giuliano Tavaroli, Marco Bonera, seu antecessor, levou uma mala com 300 mil dólares a Brasília, para o pagamento de propina a políticos brasileiros. Quem recebeu esse dinheiro?

JANNONE – Creio que essa história seja de 2003. Eu ainda não trabalhava na Telecom Italia, mas ouvi falar sobre ela.

ARRASTÃO – Fale sobre Marco Bernardini. O senhor diz que ele mentiu envolvendo seu nome. Quais foram as mentiras? E por que ele fez isso?

JANNONE - A lista de mentiras e contradições de Bernardini é interminável. Eu deveria escrever um romance. Por exemplo, quando disse que Marcelo Elias era pago para distribuir propina. É falso! Ele e Marcelo Elias assinaram um contrato de US$ 495 mil. É o valor exato do orçamento detalhadíssimo dos advogados de Londres que serviam a Luís Demarco no caso do Privy Council, que me foi passado pelo [ex-diretor da Telecom Italia no Brasil Marco] Patuano e que eu entreguei ao Ministério Público. Bernardini reteve metade daquele valor, suscitando os protestos de Demarco, sobre o qual já falei. Esse é apenas um exemplo. Entreguei [aos procuradores de Milão] as gravações que desmentem Bernardini.

ARRASTÃO – Qual é a ligação entre Marco Bernardini e o publicitário Marcos Valério, que ficou conhecido nas investigações do mensalão? Como o senhor soube disso? Como nós, brasileiros, conseguiríamos comprovar tal ligação?

JANNONE – Não sei a natureza desse relacionamento, sei apenas que o advogado de Bernardini contou ao Ministério Público que encontrou Marcos Valério no Brasil. Está escrito no interrogatório de 10 de outubro de 2007. Qual o sentido disso?

ARRASTÃO – A revista Carta Capital, há algumas semanas, trouxe uma reportagem que fala desse assunto. Há, inclusive, uma entrevista com o senhor. Por isso, eu gostaria de entender melhor.

JANNONE – Simples: o advogado Vincenzo Carosi tem relações de negócio com Bernardini. A [testemunha Luciane] Araújo é o amiga do advogado Carosi antes de [se relacionar com] Bernardini. O advogado Carosi é o amigo de Marcos Valério e de seus advogados e freqüentemente viaja ao Brasil. Tudo isto está nos documentos do processo, so é preciso saber ler. Agora Luciane Araújo afirma que os advogados de Valério e Carosi trabalharam junto no caso de Telecom. Se isso é verdade, muitas coisas pode ser entendida. Eu não sou maquiavélico, nem malicioso, mas sou capaz de levantar provas, aguardar se for preciso, e ler documentos para julgar. Esse sempre foi meu trabalho.

ARRASTÃO – O senhor está disposto a confirmar suas declarações ao Arrastão para o Ministério Público e a polícia brasileiros, se for preciso?

JANNONE – Certamente. Até mesmo porque tudo o que declarei está acompanhado de provas. O problema é que os magistrados italianos nunca leram ou ouviram as provas que lhes entreguei, e elas são muitíssimas. Isso é o que não entendo. Espero que a justiça brasileira possa ser mais escrupulosa do que a italiana.

ARRASTÃO – Há poucas semanas, o senhor lançou dúvidas sobre mim em seu site e chegou a me comparar com o Pinóquio. O que fez com que mudasse de idéia e me concedesse a entrevista?

JANNONE – Você se ofendeu? Perdoe-me. É que eu não lembrava da troca de e-mails [entre nós] ocorrida em 2007.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Resposta a Luís Nassif

É “isso” que você tem contra mim, Luís Nassif?

“Janaína Leite, provavelmente valendo-se da falta de filtros de seu jornal.”

Vamos refrescar sua memória: o jornal era a Folha de S.Paulo, o maior do país, e onde você tinha uma coluna. Ok, talvez você achasse que não era o caso de usar. Então, poderia ter avisado ao Conselho Editorial, que bobeou. Quem é que fazia parte do Conselho? Hmmm, deixe-me ver… VOCÊ! Você, Luís Nassif, era do Conselho Editorial.

Puxa! Que coisa. Você decidiu que vai acusar a si mesmo. Por essa eu não esperava, admito.

O bom é que a sua claque vai acreditar que uma repórter mandava mais que um conselheiro. O ruim? É que até a claque está envergonhada do seu “jornalismo”.

Que feio! Mas sinta-se à vontade para aumentar a coleção de coisas que vou levar ao juiz. Daqui para a frente, é o que lhe resta.

Janaína

Continuo aqui.

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domingo, 20 de abril de 2008

JANNONE: Documentos italianos são autênticos; íntegra da entrevista amanhã no Arrastão

Amanhã, publicarei a íntegra da entrevista concedida ao Arrastão, via e-mail, por Angelo Jannone, ex-chefe de Segurança da Telecom Italia para a América Latina. Ele fala sobre o inquérito da Procuradoria de Milão que investiga práticas irregulares da operadora em vários países, inclusive no Brasil.

De acordo com Jannone, ele entregou pelo menos 15 mil documentos à Justiça de Milão e está disposto a colaborar com o Ministério Público brasileiro. Ex-carabinieri, reclama que os procuradores italianos têm privilegiado testemunhos “mentirosos” às provas documentais. Como exemplo, ele cita as declarações do detetive Marco Bernardini, ex-colaborador do time de segurança da Telecom Italia.

Jannone confirma que os documentos tornados públicos em fevereiro por mim e Diogo Mainardi, da revista Veja, fazem parte dos autos da Justiça milanesa, são autênticos e mantêm o sentido do original, mesmo com páginas a menos.

O entrevistado tem autoridade para falar sobre o assunto. Os links que eu coloquei na internet são relativos ao depoimento prestado aos procuradores italianos pelo próprio Angelo Jannone. Mainardi, por sua vez, compartilhou o mandado de prisão expedido contra… Jannone.

A afirmação do ex-chefe de segurança da Telecom Italia na região latino-americana desmonta, portanto, acusações feitas por Luís Nassif, dono da Dinheiro Vivo e blogueiro do iG, contra mim e Mainardi.

Em seu blog, no chamado dossiê Veja, Nassif e seus “comentaristas”, sustentam que os documentos revelados na internet haviam sido forjados no Brasil. E lançam a suspeita de que as páginas faltantes foram retiradas propositalmente para beneficiar o banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity.

A entrevista com Jannone fala ainda sobre a relação entre a Telecom Italia e a Abin, a suposta ligação entre Marcos Valério e Marco Bernardini, a participação de outras empresas na espionagem da cúpula do governo federal, os detalhes de pagamentos feitos pela operadora italiana no exterior a pessoas contratadas para influenciar a mídia no Brasil etc.

Não perca.

sábado, 19 de abril de 2008

JANNONE: “Você gostaria de saber mais?”

O ex-chefe de Segurança da Telecom Italia para a América Latina, Angelo Jannone, me escreveu pela segunda vez. Aqui o texto, onde ele admite que estava errado ao me acusar:

“Prezada Janaina,

eu tambem eu estou feliz d’esta explicação. Varios jornalistas brasileiros me perguntaram notícias se fosse verdade o que apareceu em meu blog. A minha resposta foi que eu nao quiero entrar in uma inexplicavel disputa jornalistica brasileria, mas que o foco seria entender outro. Eu nunca recebi suas recentes correspondências (ela provavelmente escreveu a um endereço velho)

Por mea vez eu nao tive seu endereço em quanto eles me apprenderam o computador onde lhe escrevei. E verdade que do Brazil pessoas me sugeram não falar com ela como jornalista. Sua tenacidade em publicar documentos contra me, mi convenceram que eles tinham razão talvez.

Pelomeno agora ela sperimentou quanto è fácil ser uma vítima de difamação ou calúnia, exatamente como acontecido a mim. Só que eu também fui arruinado pelas calúnias. Eu tambem nao tive possibilitade de defender a minha reputaçoe, sobretudo no Brazil.

Voçe gostaria saber mais? Ta. Vamos traballando junto. Enviame pergundas e respostas sobre o caso.

Abc

Angelo Jannone”

PS: Vou mandar as perguntas, bem como publicá-las aqui. Acompanhe.

PS2: Se você quer ler em ordem o que aconteceu, melhor ir primeiro aqui, depois aqui e releia o que está acima.

sábado, 19 de abril de 2008

NASSIF E O BNDES – 6

A assessoria do BNDES entrou em contato comigo. Disse que precisava de mais tempo para levantar todos os dados que pedi. Concordei em esperar.

Meus leitores entenderam, inclusive aqueles que questionaram a divulgação da dívida de R$ 4,2 milhões da Dinheiro Vivo com o BNDES.

A claque de Nassif, como sempre, atazana. Mas, apesar de tudo, são leitores. Merecem explicação. Assim, decidi aclarar, praticamente desenhar, minha principal dúvida em relação aos termos públicos da renegociação.

O BNDES, segundo o artigo 23 da Lei 4.595/64, é considerado “o principal instrumento da política de investimentos do governo federal”.

Ou seja, o banco é uma instituição pública, que aplica recursos públicos. Sendo assim, o mínimo esperado é que a concessão ou a renegociação dos créditos obedeça a rígidos critérios de solvência do tomador e de recuperação de créditos, por meio de garantias apresentadas em contrato por quem emprestou o dinheiro.

De acordo com as regras de garantia para a concessão de crédito apresentadas na página eletrônica do BNDES, um tomador com as características da Dinheiro Vivo, a empresa de Nassif, precisa apresentar garantias equivalentes a 130% do valor da operação.

1) POR QUE ESSAS GARANTIAS NÃO ESTÃO EXPRESSAS NO CONTRATO DE RENEGOCIAÇÃO?

O BNDES aceita dois tipos de garantias, reais e pessoais. O segundo caso é o de Nassif e sua mulher, ambos apresentados como avalistas do empréstimo.

De modo que os dois deveriam apresentar um patrimônio igual ou superior a 130% da dívida e assumirem a condição de “principal devedor”, para facilitar ao banco a execução das garantias em caso de inadimplência.

Ou seja, Nassif e sua esposa teriam de comprovar a existência de um patrimônio igual ou maior do R$ 5,5 milhões para cobrir tais condições (patrimônio mais compatível com o de um jornalista ou de um empresário? Decida).

2) NASSIF JÁ HAVIA SE PROVADO UM MAU PAGADOR, POIS A RENEGOCIAÇÃO DE 2007 ERA A SEGUNDA EM QUATRO ANOS. QUAL FOI O CRITÉRIO USADO PELO BNDES PARA DISPENSAR AS GARANTIAS REAIS E ACEITAR QUE ELE PRÓPRIO FOSSE O GARANTIDOR DA DÍVIDA?

3) POR QUE NÃO É LISTADO NO CONTRATO DE RENEGOCIAÇÃO O PATRIMÔNIO DE NASSIF QUE SERVE COMO GARANTIA À DÍVIDA?

4) SUPONDO-SE QUE TAL PATRIMÔNIO TENHA SIDO LISTADO EM CONTRATOS ANTERIORES, O BNDES TOMOU O CUIDADO DE RECALCULAR OS VALORES?

5) CASO NASSIF FAÇA O QUE JÁ FEZ E DEIXE DE PAGAR A DÍVIDA, COMO O BNDES VAI EXECUTÁ-LO, SE NÃO LISTOU AS GARANTIAS NO CONTRATO DE RENEGOCIAÇÃO?

O BNDES tem, sim, a prerrogativa de dispensar a apresentação de garantias. Mas, nesse caso, precisa justificar por escrito e anexar aos processos o motivo pelo qual aquele tomador é encarado pelo banco como um caso excepcional (sim, excepcional, você leu direito).

6) NASSIF É UM CASO EXCEPCIONAL? POR QUÊ?

7) EM CASO AFIRMATIVO, POR QUE O BANCO NÃO ANEXOU A JUSTIFICATIVA PARA O TRATAMENTO DIFERENCIADO (PRAZO ESTENDIDO, PRINCIPAL DEVIDO MENOR, VALOR DO PERDÃO CONDICIONAL MAIOR E A FALTA DE GARANTIAS DETALHADAS) NOS TERMOS DA RENEGOCIAÇÃO?

Espero a resposta.

Ademais, o próprio Nassif parece concordar comigo. Em artigo publicado no blog do empresário em 21 de janeiro deste ano, ele diz:

“Dada a escassez de recursos para aumento do patrimônio de referência e o volume de operações, deveria o BNDES aclarar para debate público quais são suas prioridades na concessão dos financiamentos?”

Defendo que sim.

Agora, por favor, me dêem licença. Tenho mais a fazer do que tentar convencer alguns nefelibatas que dinheiro público é público e não do governo, cujo papel é tão somente o de administrador.