Arquivo da Categoria ‘Opinião’
Dica
Demétrio Magnoli, uma das vozes mais bacanas do paÃs, lança novo livro em 2 de setembro, à s 19 horas, na Livraria Saraiva do Shopping Iguatemi.

Falsários
Muito bom o artigo da economista Eliana Cardoso publicado hoje pelo Estadão. Alguns trechos:
“O subprime foi um gigantesco esquema de Ponzi – fraude em que, como na corrente da felicidade, ganha quem joga, até que a pirâmide invertida venha abaixo. Enquanto a bolha imobiliária americana cresceu, credores emitiram hipotecas ao deus-dará, bancos as empacotaram com emissão de tÃtulos, que gestores de recursos compraram com dinheiro emprestado, contabilizando lucros não realizados. Fortunas se criaram e se perderam, mil vezes maiores que os US$ 50 milhões que Van Meegeren ganhou falsificando quadros de Vermeer e vendendo-os a museus na Holanda e a nazistas durante a 2ª Guerra Mundial. Frank Wynne conta essa história em Eu Fui Vermeer.(…) Beny Parnes observa: ‘Os agentes financeiros sabiam o que faziam. Ou quase todos. Com certeza não faltava consciência de seus próprios atos aos empacotadores de hipotecas e aos bancos que colocavam esses pacotes em suas carteiras de investimento. Os compradores dos ativos suspeitavam do que estava acontecendo. Mas o desejo de altos rendimentos gerava a crença em hipóteses bobas sobre risco e o incentivo para entrar no negócio e comprar o Vermeer de Meegeren.’ Como dizia Maquiavel, ‘quem trapaceia sempre encontra quem se deixa trapacear, porque os homens cedem prontamente a desejos momentâneos’.
(..) No Brasil, duvide de quem lhe promete um PIB crescendo a 4% em 2009. Mas desconfie dos alarmistas também. Parte do pessimismo deriva do sentimento de perda produzido por prejuÃzos financeiros volumosos, lembrou Oswaldo Assis, sócio do Banco Pactual, em seminário na USP na semana passada. Vale lembrar que o mercado financeiro no Brasil apresenta caracterÃsticas muito diferentes das do mercado americano: compulsório alto, crédito imobiliário pequeno, securitização e alavancagem baixas. As operações de balcão não registradas são pequenas. Não há mercado de CDS, as seguradoras são rentáveis. Em resposta à redução do nÃvel de atividade o Banco Central pode cortar a Selic, mesmo que a inflação não fique no centro da meta.”
Eu acrescentaria que você também deve levantar uma sobrancelha para quem alardeia que pode mexer nas atribuições do Banco Central. Até aqui, as tensões na equipe econômica foram as que menos prejuÃzos causaram ao governo (em outras áreas, como a infra-estrutura, o cenário parece desenhado por Goya).
Aumentar deliberadamente a temperatura entre BC e Fazenda seria uma inconseqüência sem tamanho. Para não dizer burrice, mesmo.
O último tango patropi
Enferrujei menos do que pensava. As crÃticas ao tal pacote do governo federal vieram pesadas e na mesma linha do que eu escrevi nas últimas notas sobre economia.
Gustavo Patu, Folha de S.Paulo:
“Ainda que montantes e beneficiários sejam -espera-se- menores, o governo brasileiro criou uma modalidade de socorro a bancos menos transparente que o antigo Proer e potencialmente mais estatizante que os programas recém-lançados nos EUA e na Europa.Com o uso de dinheiro do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, o governo se autoconcedeu poderes para reerguer ou assumir um banco quebrado sem revelar quanto gastou, por que gastou, como gastou ou até com quem gastou, por emergência financeira, por estratégia empresarial, por conveniência polÃtica ou por convicção ideológica.
(…) Em bom português, será empregado o dinheiro dos correntistas, poupadores e demais depositantes dos principais bancos federais. Como em vários outros momentos da história das duas instituições, a conta chegará aos contribuintes do paÃs se as operações contribuÃrem para a acumulação de perdas que reduzirão os dividendos pagos ao Tesouro.
O BB, com ações em Bolsa, terá de informar ao mercado as compras de participação ou controle acionário que julgue relevantes, da forma que achar conveniente. A Caixa, nem isso.”
E, dependendo do resultado, a Caixa não tem dúvidas: retorce-e-estica para sumir com o balanço. Painel da Folha de 24/11/2007:
“Abafa 1. A divulgação do balanço trimestral da Caixa Econômica Federal, com acanhado lucro de R$ 62,5 mi (89% inferior ao de 2006) foi precedida de adiamentos sem justificativa e marcada pela ausência da presidente, Maria Fernanda Ramos Coelho, e dos principais vice-presidentes -sempre presentes quando os números são bons.Abafa 2. Os dados ainda foram maquiados. Em vez dos números do trimestre, foi apresentado o perÃodo que vai de janeiro a setembro. Contrastando com esse resultado, o Banco do Brasil lucrou R$ 1,4 bi no terceiro trimestre.”
De volta ao presente, aà vão trechos do editorial d’O Estadão:
(…) Para prevenir danos irreversÃveis, os parlamentares devem começar com a máxima urgência o exame crÃtico da MP e apressar sua votação. As motivações de fato, não explicitadas no texto, são fundamentais para a avaliação da proposta. Há instituições em perigo – talvez bancos pequenos ou médios? O discurso do governo sobre a solidez do sistema será exagerado? Que instituições poderão estar em grave dificuldade – talvez fundos de previdência ligados a estatais? Qualquer pergunta é pertinente.Os parlamentares deverão investigar, com muito cuidado, por que se decidiu dispensar de licitação a venda de participação acionária em instituições financeiras públicas. Pode ser para facilitar o socorro a alguma instituição encalacrada. Ou pode ser para simplificar uma operação de outro tipo, como, por exemplo, a venda do banco paulista Nossa Caixa ao Banco do Brasil – e, de fato, o vice-presidente de Finanças do BB, Aldo Luiz Mendes, afirmou que, nesse caso especÃfico, “a MP reduz o desafio de encontrar uma forma de pagamento em 50%”. No mÃnimo, seria uma forma de evitar o aborrecimento de uma contestação judicial.
(…) Convém, portanto, que os parlamentares, se estiverem dispostos a aprovar a MP 443, acrescentem a seu texto cláusulas de segurança, como, por exemplo, a obrigação dos bancos oficiais de revender as ações compradas e prazos para a retenção desses ativos. Também será preciso analisar com o máximo cuidado a criação da Caixa – Banco de Investimentos S. A., proposta no mesmo documento. Se for, como admitiu o ministro da Fazenda, um instrumento de capitalização de construtoras, será preciso pensar nas condições em que esse tipo de intervenção será aceitável. É preciso evitar o risco de simplesmente socializar perdas causadas por atos empresariais mal calculados.“
Os grifos, claro, são meus. Mas você entende o motivo da escolha, não? Como diria aquele filósofo, Didi Mocó, em seu clássico A Filha do Seu Faceta: “mantegaram a Maria Schinaida e depois vão mantegá ‘ocê tumém.”
É tapetão, juiz?
Há alguns dias, eu escrevi que, sob a desculpa da crise internacional, os Henry Paulson de subúrbio sairiam do armário e, como de costume, era provável que isso resultasse em algo muito louco, tipicamente patropi _ a tal jabuticaba com DNA de cagalheta. Pois bem. O governo publicou hoje medida provisória autorizando o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a estatizarem instituições com dificuldades.
“De acordo com a medida, os dois bancos federais poderão comprar participações em instituições financeiras, públicas ou privadas, sediadas no Brasil, incluindo empresas dos ramos securitário, previdenciário e de capitalização, entre outras. Além disso, o negócio poderá ser realizado sem qualquer licitação para isso.A MP 443 autoriza ainda a criação da empresa Caixa – Banco de Investimentos S.A., sociedade por ações, subsidiária integral da Caixa Econômica Federal, com a finalidade de explorar atividades de banco de investimento.
A última determinação da medida, que entra em vigor já nesta quarta, é que o Banco Central poderá realizar operações de swap (contratos que trocam os rendimentos em juros pela oscilação da moeda estrangeira) de moedas com bancos centrais de outros paÃses, nos limites e condições fixados pelo Conselho Monetário Nacional.”
Estou fora da reportagem e das conversas com economistas. Portanto, talvez fale a seguir uma enorme besteira. Mas, para mim, essa tal MP é o jeitinho petista de colocar no colo do BB e da Caixa bancos do naipe do Besc e da Nossa Caixa. Voltemos a 8 de junho, quando Sheila D’Amorim publicou a seguinte matéria na Folha de S.Paulo:
“Se conseguir concretizar a compra dos quatro bancos estaduais já anunciada (Santa Catarina, PiauÃ, BrasÃlia e São Paulo), o Banco do Brasil crescerá o equivalente ao tamanho do Santander/Banespa, agregando R$ 39,217 bilhões em depósitos aos R$ 188,282 bilhões que tinha no final de 2007.(…) Por isso, o clima nos bastidores do BB é de quem se prepara para um guerra. Segundo a Folha apurou, os executivos do banco acreditam que o maior interesse dos seus concorrentes, especificamente o Bradesco e o Itaú, na Nossa Caixa é estabelecer uma “barreira de entrada” ao banco federal.
(…) A estratégia do BB de avançar sobre os bancos estaduais que sobraram depois do saneamento feito no governo passado foi desencadeada depois de alertas de especialistas sobre as dificuldades que essas instituições poderão ter para se manter no mercado, num cenário de redução da taxa de juros.
O fim da era de hiperinflação e a queda dos juros obrigaram os bancos a buscar outros nichos, e isso vem se acentuando dia após dia. Como são menores, mais limitados em produtos e têm alto custo de pessoal, os bancos estaduais se tornaram uma fonte de preocupação.”
A crise era todo esse auê em junho, leitor? Nada! Aproveitaram as turbulências no mercado financeiro como desculpa para fazer o anúncio. Ou seja, TAPETÃO!
O BB e a Caixa compram o que querem SEM LICITAÇÃO segundo a MP. Pergunto: quem vai estipular os preços, se o mercado está fora da jogada? A Nossa Caixa, por exemplo, tenta ser vendida há tempos e não há um cristão que se disponha a comprar _ menos, claro, o governo federal, pois o faz com o dinheiro do contribuinte.
Isso tudo sem contar que essa dinheirama vai acabar servindo para financiamento ilÃcito de campanha. Sou contra banco público comprar banco público. É ridÃculo.
Agora preste atenção na outra pegadinha: a MP serve para que o governo adquira também “empresas do ramo securitário, previdenciário e de capitalização”. Aà tem. (Em julho, pelo que lembro, falavam da “abertura do mercado de resseguros”. Bela abertura.)
Sobre a parte da construção civil, questiono: o quanto as medidas têm a ver com Angra 3 e a Andrade Gutierrez, com Rafael Correa no pé da Odebrecht, com os compromissos dos polÃticos que ocupam o poder com as empreiteiras, suas grandes financiadoras?
Por fim, na minha avaliação, para cobrir a verdeira intenção sob o manto dignificante de uma crise internacional, e não deixá-la agasalhada pela colcha de retalhos dos interesses polÃtico-econômicos de meia dúzia, tascaram um swap cambial lá no meio. A idéia é que o povo pense: “se o governo dos Estados Unidos teve de salvar os de lá, por que o governo brasileiro não pode salvar os daqui? Ele só estará fazendo o mesmo que os desenvolvidos”. Bobagem. Os daqui vivem capengando há anos e anos e anos. E a ajuda já estava programada.
Ressalto outra vez: minha análise pode ser rasteira, apressada e pessimista. Ótimo se for o caso. O que não dá é para fazer jornalismo esquizofrênico, tipo os do que aceitam discurso panglossiano ombreado por MPs esquipáticas como se fossem belezinhas complementares.
Com a palavra, os especialistas.
Os mais iguais
Os jornais revelam dias parmenÃdicos. Melhor ler algo atemporal, como “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell.
“Um porco caminhava sobre as duas patas traseiras.Sim, era Garganta. Um tanto desajeitado devido à falta de prática em manter seu volume naquela posição, mas em perfeito equilÃbrio, passeava pelo pátio. Momentos depois, saiu pela porta da casa uma comprida coluna de porcos, todos caminhando sobre as patas de trás. Uns melhor que os outros, um ou dois até meio desequilibrados e dando a impressão de que apreciariam o apoio de uma bengala, mas todos fizeram a volta ao pátio bastante bem. Finalmente houve um alarido dos cachorros, ouviu-se o cocoricó esganiçado do garnisé e emergiu Napoleão, majestosamente, desempenado, largando olhares arrogantes para os lados, com os cachorros brincando à sua volta.
Trazia nas mãos um chicote.
Houve um silêncio mortal. Surpresos, aterrorizados, uns junto aos outros, os bichos olhavam a fila de porcos marchar lentamente em redor do pátio. Pareceu-lhes enxergar o mundo de cabeça para baixo. Então veio um momento em que, passado o choque e a despeito de tudo – a despeito do terror dos cachorros e do hábito, arraigado após tantos anos, de nunca se queixarem, nunca criticarem, pouco importava o que sucedesse -, poderiam lançar uma palavra de protesto. Porém, exatamente nesse instante, como se obedecessem a um sinal combinado, as ovelhas. em unÃssono, estrondaram num espetacular balido:
- Quatro pernas bom, duas pernas melhor! Quatro pernas bom, duas pernas melhor! Quatro pernas bom, duas pernas melhor!
Baliram durante cinco minutos sem cessar. E, quando se calaram, fora-se a oportunidade da palavra de protesto, pois os porcos já haviam voltado para dentro da casa. Benjamim sentiu um focinho esfregar-lhe o ombro. Era Quitéria. Seus olhos pareciam mais encobertos que nunca. Sem dizer palavra, ela o puxou delicadamente pela crina, levando-o até o fundo do grande celeiro, onde estavam escritos os Sete Mandamentos. Durante um ou dois minutos ficaram olhando a parede alcatroada com o grande letreiro branco.
Minha vista está falhando – disse ela finalmente. – Mesmo quando eu era moça não conseguia ler o que estava escrito aÃ. Mas parece-me agora que parede está meio diferente. Os Sete Mandamentos são os mesmos de sempre, Benjamim?
Pela primeira vez, Benjamim consentiu em quebrar sua norma, e leu para ela o que estava escrito na parede. Nada havia, agora, senão um único Mandamento dizendo:
TODOS OS ANIMAIS SÃO IGUAIS
MAS ALGUNS ANIMAIS SÃO MAIS
IGUAIS DO QUE OS OUTROS
Depois disso, não foi de estranhar que, no dia seguinte, os porcos que supervisionavam o trabalho da granja andassem com chicotes nas patas. Nem estranharam ao saber que os porcos haviam comprado um aparelho de rádio, que estavam tratando da instalação de um telefone e da assinatura de jornais e revistas.”
Para ler o livro inteiro, aqui.
Enquanto isso…
Lula e Protógenes, FHC e Dantas, Greenhalg e Gilberto Carvalho, PF e Abin, Gilmar e De Sanctis, MI-6 e Congresso, Reinaldo e LN… Tudo isso você acompanha querendo ou não. Mas o mundo não parou, melhor dar uma olhada.
Folha de S.Paulo:
“A operadora de telefonia Oi anunciou ontem que obteve empréstimo de R$ 4,3 bilhões do Banco do Brasil para financiar a compra da Brasil Telecom. O negócio, anunciado em abril, ainda depende de mudanças na lei para ser efetivado.… Desse total, R$ 5,8 bilhões serão pagos pelo controle da BrT. Outros R$ 3,5 bilhões farão parte da oferta pública obrigatória para aquisição de ações ordinárias dos minoritários -o chamado ‘tag along’. Mais R$ 3 bilhões serão gastos na oferta voluntária para a compra de ações preferenciais da BrT.
… Em nota, a Oi afirmou que comprará a BrT com recursos próprios e que o empréstimo do Banco do Brasil ‘constitui-se no primeiro movimento de captação de recursos’ que, em seguida, contará com ‘emissão de notas promissórias com os bancos Santander, Bradesco e Itaú’.
… É o segundo financiamento de um banco público obtido pela Oi para a operação de compra da BrT, operação apoiada pelo governo federal sob o argumento de que o paÃs precisaria de uma grande empresa no setor para concorrer com gigantes multinacionais como a espanhola Telefónica e a mexicana Claro. O BNDES já havia anunciado crédito de R$ 2,5 bilhões, com o objetivo especÃfico de promover a reestruturação acionária da Oi -condição necessária para a compra da BrT.” (Roberto Machado)
Na mesma Folha:
“Sergio RamÃrez é um notável escritor nicaragüense, que se tornou revolucionário, lutou com a Frente Sandinista de Libertação Nacional contra a nefanda ditadura Somoza, elegeu-se vice-presidente e, afinal, rompeu com os companheiros, horrorizado com o nÃvel de corrupção a que se dedicaram uma vez instalados no poder.No auge do escândalo do mensalão, ele me disse uma frase que não me sai da cabeça: ‘Se eu fosse presidente, antes da posse chamaria todos os parentes e amigos e lhes diria que, durante o meu governo, não poderiam fazer negócios. Nem negócios legais’.” (Clóvis Rossi)
Seguido de:
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou ontem a lei que cria o piso salarial dos professores da educação básica (ensino infantil a médio). A partir de 2010, os professores da rede pública terão que receber, no mÃnimo, R$ 950.” (Angela Pinho)
Por fim:
“NEM TODO MUNDO tem senso de humor. É como inteligência natural. Nem todo mundo é esperto. De fato, algumas pessoas são naturalmente obtusas.Não significa que elas sejam de alguma maneira inferiores ou menos charmosas, bonitas, fortes ou bem sucedidas. Mas o fato é que os seres humanos têm diferentes talentos e diferentes capacidades. Essa é uma descoberta da vida, especialmente para os professores. Eu sei que mães relutam em aceitar esse fato com relação aos seus filhos, mas ainda assim é verdade.” (Kenneth Maxwell)
Nunca
Desculpem o sumiço. Ontem, minha filha chegou de viagem depois de duas semanas. Como toda huna, ela adora seriadinhos de TV, especialmente aqueles do tipo Law & Order, CSI etc. Confesso que também gosto (menos do CSI Miami, onde os cadáveres e os investigadores partilham das mesmas cores anos 80).
Tem uma coisa, porém que sempre me encafifa: por que as pessoas que morrem nunca deixam dicas mais óbvias para o pessoal que terá de procurar sua causa mortis?
Eu, por exemplo, teria uns dez itens de coisas escritas n’algum canto, tipo a lista do NUNCA. Mais ou menos assim:
1) Nunca me mataria. Tenho uma filha linda, que já deu sentido a ela. Portanto, estou por aqui fazendo hora. Mas jamais, nunca mesmo, faria sofrer as pessoas à minha volta.
2) Se me encontrassem asfixiada nunca seria por gostar de sexo com travesseiro na cara. Marcas de tortura de qualquer gênero deveriam ser encaradas como isso mesmo: tortura. Eu nunca apanharia por vontade própria.
3) Eu não uso drogas. Nunca morreria de overdose. Se acontecesse, teria sido induzida ou forçada.
4) Não ando em quebradas. Se encontrassem meu corpo muito distante do perÃmetro onde moro, pode saber: alguém fez aquilo.
5) Não tenho dinheiro, nem carro. Morrer num tiroteio no ponto de ônibus até que é provável, bem como ser atropelada etc. Mas é outro risco que não corro, pois minha disposição é mÃnima. No momento, nunca morreria disso também.
6) Adoro pedir comida pelo telefone. Mas estou na casa da minha mãe e ela não deixa. Veneno, então, nunca seria algo natural. E, como aos 35 o corpo ainda não precisa se preocupar com doenças crônicas do coração, o médico deveria pensar nessa hipótese se dissessem que foi um ataque cardÃaco.
7) Afogamento é algo impossÃvel de acontecer num apartamento com o banheiro tão apertado. Nunca seria plausÃvel.
Brigas passionais também estão descartadas. Nunca. Moro com minha mãe e minha filha _ as duas pessoas mais importantes da minha vida. Posso ficar brava de vez em quando, ser linha dura e tal, mas nenhum mal seria feito por mim para elas e vice-versa.
9) Há a zarabatana de curare, mas meus vizinhos de Pinheiros nunca teriam o hábito de usá-las. Se bem que, depois de tanto CSI, me sinto pouco inclinada a abrir a janela.
10) Sobra o incêndio, esse sim, plausÃvel. Afinal, quem brinca com o fogo sai queimado, não? Mas eu não começaria. Eu nunca começo.
E agora, leitor, você já sabe disso. Tomei muito do seu tempo, vou ali liberar os comentários e depois terminar meu frila. Ontem, a página estava dando problemas. Espero que hoje esteja tudo ok.
Beijos,Jana







