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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Boa discussão

Pergunta feita pelo Edge e respondida por feras de vários campos de conhecimento: pode a Ciência ajudar a resolver a crise econômica? Clique aqui e confira as respostas (em inglês).

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

O último tango patropi

Enferrujei menos do que pensava. As críticas ao tal pacote do governo federal vieram pesadas e na mesma linha do que eu escrevi nas últimas notas sobre economia.

Gustavo Patu, Folha de S.Paulo:

“Ainda que montantes e beneficiários sejam -espera-se- menores, o governo brasileiro criou uma modalidade de socorro a bancos menos transparente que o antigo Proer e potencialmente mais estatizante que os programas recém-lançados nos EUA e na Europa.

Com o uso de dinheiro do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, o governo se autoconcedeu poderes para reerguer ou assumir um banco quebrado sem revelar quanto gastou, por que gastou, como gastou ou até com quem gastou, por emergência financeira, por estratégia empresarial, por conveniência política ou por convicção ideológica.

(…) Em bom português, será empregado o dinheiro dos correntistas, poupadores e demais depositantes dos principais bancos federais. Como em vários outros momentos da história das duas instituições, a conta chegará aos contribuintes do país se as operações contribuírem para a acumulação de perdas que reduzirão os dividendos pagos ao Tesouro.

O BB, com ações em Bolsa, terá de informar ao mercado as compras de participação ou controle acionário que julgue relevantes, da forma que achar conveniente. A Caixa, nem isso.”

E, dependendo do resultado, a Caixa não tem dúvidas: retorce-e-estica para sumir com o balanço. Painel da Folha de 24/11/2007:

“Abafa 1. A divulgação do balanço trimestral da Caixa Econômica Federal, com acanhado lucro de R$ 62,5 mi (89% inferior ao de 2006) foi precedida de adiamentos sem justificativa e marcada pela ausência da presidente, Maria Fernanda Ramos Coelho, e dos principais vice-presidentes -sempre presentes quando os números são bons.

Abafa 2. Os dados ainda foram maquiados. Em vez dos números do trimestre, foi apresentado o período que vai de janeiro a setembro. Contrastando com esse resultado, o Banco do Brasil lucrou R$ 1,4 bi no terceiro trimestre.”

De volta ao presente, aí vão trechos do editorial d’O Estadão:

(…) Para prevenir danos irreversíveis, os parlamentares devem começar com a máxima urgência o exame crítico da MP e apressar sua votação. As motivações de fato, não explicitadas no texto, são fundamentais para a avaliação da proposta. Há instituições em perigo – talvez bancos pequenos ou médios? O discurso do governo sobre a solidez do sistema será exagerado? Que instituições poderão estar em grave dificuldade – talvez fundos de previdência ligados a estatais? Qualquer pergunta é pertinente.

Os parlamentares deverão investigar, com muito cuidado, por que se decidiu dispensar de licitação a venda de participação acionária em instituições financeiras públicas. Pode ser para facilitar o socorro a alguma instituição encalacrada. Ou pode ser para simplificar uma operação de outro tipo, como, por exemplo, a venda do banco paulista Nossa Caixa ao Banco do Brasil – e, de fato, o vice-presidente de Finanças do BB, Aldo Luiz Mendes, afirmou que, nesse caso específico, “a MP reduz o desafio de encontrar uma forma de pagamento em 50%”. No mínimo, seria uma forma de evitar o aborrecimento de uma contestação judicial.

(…) Convém, portanto, que os parlamentares, se estiverem dispostos a aprovar a MP 443, acrescentem a seu texto cláusulas de segurança, como, por exemplo, a obrigação dos bancos oficiais de revender as ações compradas e prazos para a retenção desses ativos. Também será preciso analisar com o máximo cuidado a criação da Caixa – Banco de Investimentos S. A., proposta no mesmo documento. Se for, como admitiu o ministro da Fazenda, um instrumento de capitalização de construtoras, será preciso pensar nas condições em que esse tipo de intervenção será aceitável. É preciso evitar o risco de simplesmente socializar perdas causadas por atos empresariais mal calculados.

Os grifos, claro, são meus. Mas você entende o motivo da escolha, não? Como diria aquele filósofo, Didi Mocó, em seu clássico A Filha do Seu Faceta: “mantegaram a Maria Schinaida e depois vão mantegá ‘ocê tumém.”

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Enquanto isso…

Lula e Protógenes, FHC e Dantas, Greenhalg e Gilberto Carvalho, PF e Abin, Gilmar e De Sanctis, MI-6 e Congresso, Reinaldo e LN… Tudo isso você acompanha querendo ou não. Mas o mundo não parou, melhor dar uma olhada.

Folha de S.Paulo:

“A operadora de telefonia Oi anunciou ontem que obteve empréstimo de R$ 4,3 bilhões do Banco do Brasil para financiar a compra da Brasil Telecom. O negócio, anunciado em abril, ainda depende de mudanças na lei para ser efetivado.

… Desse total, R$ 5,8 bilhões serão pagos pelo controle da BrT. Outros R$ 3,5 bilhões farão parte da oferta pública obrigatória para aquisição de ações ordinárias dos minoritários -o chamado ‘tag along’. Mais R$ 3 bilhões serão gastos na oferta voluntária para a compra de ações preferenciais da BrT.

… Em nota, a Oi afirmou que comprará a BrT com recursos próprios e que o empréstimo do Banco do Brasil ‘constitui-se no primeiro movimento de captação de recursos’ que, em seguida, contará com ‘emissão de notas promissórias com os bancos Santander, Bradesco e Itaú’.

… É o segundo financiamento de um banco público obtido pela Oi para a operação de compra da BrT, operação apoiada pelo governo federal sob o argumento de que o país precisaria de uma grande empresa no setor para concorrer com gigantes multinacionais como a espanhola Telefónica e a mexicana Claro. O BNDES já havia anunciado crédito de R$ 2,5 bilhões, com o objetivo específico de promover a reestruturação acionária da Oi -condição necessária para a compra da BrT.” (Roberto Machado)

Na mesma Folha:

“Sergio Ramírez é um notável escritor nicaragüense, que se tornou revolucionário, lutou com a Frente Sandinista de Libertação Nacional contra a nefanda ditadura Somoza, elegeu-se vice-presidente e, afinal, rompeu com os companheiros, horrorizado com o nível de corrupção a que se dedicaram uma vez instalados no poder.

No auge do escândalo do mensalão, ele me disse uma frase que não me sai da cabeça: ‘Se eu fosse presidente, antes da posse chamaria todos os parentes e amigos e lhes diria que, durante o meu governo, não poderiam fazer negócios. Nem negócios legais’.” (Clóvis Rossi)

Seguido de:

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou ontem a lei que cria o piso salarial dos professores da educação básica (ensino infantil a médio). A partir de 2010, os professores da rede pública terão que receber, no mínimo, R$ 950.” (Angela Pinho)

Por fim:

“NEM TODO MUNDO tem senso de humor. É como inteligência natural. Nem todo mundo é esperto. De fato, algumas pessoas são naturalmente obtusas.

Não significa que elas sejam de alguma maneira inferiores ou menos charmosas, bonitas, fortes ou bem sucedidas. Mas o fato é que os seres humanos têm diferentes talentos e diferentes capacidades. Essa é uma descoberta da vida, especialmente para os professores. Eu sei que mães relutam em aceitar esse fato com relação aos seus filhos, mas ainda assim é verdade.” (Kenneth Maxwell)

segunda-feira, 14 de julho de 2008

McMáfia

Muito bom o Milênio, exibido pela Globonews na semana passada. O entrevistado é o jornalista britânico Misha Glenny, autor de “McMáfia – Crime sem fronteiras”. Ele relata atividades criminosas em vários paises, inclusive no Brasil, que aparece na parte final do programa. Glenny destaca o aumento dos crimes cibernéticos entre os brasileiros e dá sua opinião sobre a polícia daqui:

“O sistema policial brasileiro é um desastre ambulante. Há uma proliferação entre as forças policiais, uma competição entre essas diferentes forças e, claro, há o problema da corrupção.”

sábado, 12 de julho de 2008

Enquanto isso…

Pedro Soares informa sobre Angra 3 na Folha de S.Paulo. Reproduzo aqui alguns trechos.

“Para conceder o licenciamento ambiental prévio da usina de Angra 3, o Ministério do Meio Ambiente fará exigências adicionais, como a fixação de um prazo para a construção de um depósito definitivo de resíduos nucleares.

Segundo o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente), essa foi uma das ‘condições’ introduzidas por sua gestão ao processo de licenciamento da usina, que está ‘praticamente pronto’.

‘Vamos estabelecer um prazo até a licença de operação [última fase do processo de licenciamento] para a construção de um depósito para destinação final do rejeito atômico, algo que até hoje não se resolveu.’

O país conta apenas com depósito provisório para os resíduos de Angra 1 e 2, situado no mesmo terreno em que estão as usinas e no qual será construída Angra 3. Ali, são colocados rejeitos de baixa e média intensidade -como roupas e equipamentos que entraram em contato com material radioativo.

O combustível radioativo, de alta intensidade, é guardado nas próprias usinas, em piscinas usadas também para resfriar o material.”

Assunto que vale acompanhar (clique aqui para ler o que escrevi sobre ele).

domingo, 6 de julho de 2008

A dieta dos dementes

Então o TSE decidiu restringir o uso da internet como instrumento de propaganda política. Lilian Christofoletti escreveu hoje para a Folha de S.Paulo:

“… significa que as inúmeras ferramentas da internet -como blog, e-mail, web TV, web rádio e páginas de notícias, de bate-papo, de vídeos ou comunidades virtuais- não poderão ser usadas para divulgar imagens ou opiniões que configurem apoio ou crítica a candidatos.

A vedação cria situações inusitadas. Um texto desfavorável a uma candidatura, por exemplo, pode ser publicado num jornal impresso, mas não pode ser reproduzido em um blog.

Até mesmo o internauta poderá ser multado se criar sites, blogs ou comunidades pró ou contra candidatos. O tribunal entende que quem não pode praticar um ato por meio próprio também não pode praticar por meio de terceiros.”

SOCOOOOORRO! O que dizer? Eu queria mandar bem como fez o Reinaldo Azevedo (clique aqui para ver o texto dele sobre o assunto), mas não. Acabaria mais debochada que o recomendável.

Assim, achei por bem procurar notícias menos imbecis. Que tal ciências? Ótimo. Da BBC Brasil:

“Comer grandes quantidades de alguns produtos à base de soja – entre eles o tofu- pode aumentar o risco de demência, sugere um estudo realizado na Grã-Bretanha.

… De acordo com o professor David Smith, da Universidade de Oxford, o tofu é um alimento complexo com muitos ingredientes que podem causar impacto nas células.”

É sinal do Universo. Não posso me calar, sob risco de omissão. Devem estar servindo esse negócio no cafezinho do TSE.

MINISTROS, PAREM IMEDIATAMENTE COM O CHÁ DE TOFU! TODO MUNDO PRA “REHAB”! VAMOS!

Se é que ainda dá tempo.

domingo, 6 de julho de 2008

Xadrez

Valdo Cruz, na Folha, toca em uma ferida que sangrará daqui a pouco, a briga pelos canais de TV paga. Alguns trechos:

“… De um lado, a Globo trabalha para derrubar o sistema de cotas de canais e de conteúdo nacional na TV paga tal como está proposto, sob o argumento de que ele vai tornar o serviço mais caro e afetar a qualidade da programação.

Do outro, grupos como Abril, Band e Record, apoiados pelos produtores independentes, defendem as cotas criadas pelo relator do projeto na Câmara, deputado Jorge Bittar (PT-RJ), pronto para ser votado na Comissão de Ciência, Tecnologia e Comunicação.

Esses grupos alegam que as cotas de canais e conteúdo nacional vão estimular a concorrência na TV paga brasileira, ao criar um mercado mínimo para produtoras que hoje têm dificuldades para conseguir espaço nesse setor.

Traduzindo: está em disputa o negócio de fornecimento de conteúdo nacional para a TV por assinatura, hoje dominado pela Globosat com seus canais esportivos e de notícias.

Concentração que se repete na distribuição do serviço no país: dois grupos controlam quase 80% desse mercado -Net (associação entre a Globo e o mexicano Carlos Slim) e Sky (controlada pelo grupo americano Liberty Media, com participação da Globo).

Com a entrada em peso das teles fixa no setor, a partir das mudanças na legislação atual, a estimativa é que o número de assinantes salte dos pouco mais de 5,3 milhões de hoje para 18 milhões em 2018.

Um mercado que, crescente, tende a atrair parte do bolo publicitário do setor de mídia, estimado hoje em R$ 8 bilhões anuais -90% vão para a TV aberta, concentrado na Globo.”

Que as teles entraram na briga é claro. E os outros grupos de mídia? Vejamos.

1) A Folha é sócia das Organizações Globo no jornal Valor Econômico e da Portugal Telecom no UOL.

2) A Abril vendeu a TVA para a Telefónica (numa operação que elevou a concentração de mercado no estado de São Paulo a níveis ridículos).

3) Dos grandes da imprensa sobra O Estadão, aquele sobre o qual pesam especulações de venda. Para quem mesmo? A princípio, para a Globo ou para a Abril.

Se a escolhida for a Globo, como fica a parceria no Valor? E a Agência Estado vai se fundir ao portal de notícias da Globo, o G1? E a Folha vai ficar quieta com o avanço da Globo sobre o mercado paulista? Pelo tom da reportagem do Valdo, que foi diretor da sucursal de Brasília e hoje é repórter especial, não parece.

Por fim, bom observar que alguns nomes passaram ao largo dessa primeira análise: SBT (eternamente à venda na boataria, mas eternamente feudo de Silvio Santos na prática), Brasil Telecom, Oi (ex-Telemar) e Telecom Itália, a dona da TIM.

O jogo está ficando interessantíssimo. Acho que vou começar a acompanhá-lo.

domingo, 6 de julho de 2008

BNDES, a boquinha e o Eremildo

Élio Gaspari, na Folha de hoje, avisa: começou a boca livre com a inflação. Onde? No BNDES, aquele amigo-irmão, ora bolas. Olhe só:

“O Conselho Monetário Nacional manteve a Taxa de Juros de Longo Prazo do BNDES em 6,25% ao ano. Metade do que a patuléia terá que pagar pela Selic do Banco Central. Com essa medida, os sábios da ekipekonômica reinjetaram um vírus na patologia da incipiente inflação do real. Criaram o sujeito que ganha com ela. A 6,25%, o BNDES cobra juros inferiores à taxa de inflação prevista para o ano, 6,3%.

A inflação prejudica as famílias porque as mercadorias ficam mais caras e os investimentos perdem para a desvalorização da moeda. Dói, mas é o jogo jogado.

Esse mesmo jogo fica trapaceado quando alguém entra nele sem chance de perder. Na hora em que o CMN mantém em 6,25% seus juros camaradas, os clientes da TJLP passam a ganhar para dever.

Por enquanto a trapaça é pontual e o benefício é pequeno, mas ninguém deve subestimar a audácia do governo, do BNDES e do empresariado que freqüenta esse circuito. Já houve época em que, em nome de um grande projeto industrial, o banco emprestava a uma taxa prefixada de 20%, com uma inflação de 35%. Muita gente boa botou o dinheiro no papelório e o progresso ficou para depois.”

Se ninguém reclamar, daqui a pouco a diferença para beneficiar os financiados do BNDES corresponderá a um percentual bem maior. Pode apostar.

E Gaspari vai em cima também em outro assunto importante. Nelson Jobim, que é um dos ministros mais sassaricas de Lula, saiu-se com a seguinte pérola, que o Eremildo não perdoou.

“Eremildo é um idiota e soube que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, trabalha com a possibilidade de dar uma pensão de um salário mínimo às famílias dos três jovens chacinados depois que uma tropa do Exército os entregou a bandidos do morro da Mineira.

Tudo bem. O cretino não entende porque a vida de um cidadão vale R$ 480 mensais e a Bolsa Ditadura de Lula custa algo em torno de R$ 4.800.

O idiota concluiu que morrer na democracia vale dez vezes menos do que gramar 31 dias de cadeia na ditadura.Eremildo vai a Brasília para mostrar a Jobim uma tabelinha de Bolsas Ditadura distribuídas pelo governo nos últimos anos. O cretino tem certeza de que o ministro será capaz de demonstrar que Vinicius de Moraes havia bebido quando cantou que ‘o morro não tem vez’.”

Pois é, Jobim. Levantou tão bem a bola que a cortada foi inevitável. “Medalha!”

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Investimentos

Do Estado de S.Paulo:

“Os investimentos da União chegaram a R$ 9,4 bilhões no primeiro semestre de 2008, valor recorde se comparado ao mesmo período dos últimos sete anos, segundo levantamento da ONG Contas Abertas. Grande parte dos investimentos deve-se ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

O Orçamento autorizado para este ano em investimentos também é um dos maiores desde 2001, ficando atrás apenas da dotação do ano passado, fixada em R$ 46,4 bilhões. Para 2008, cerca de R$ 40,2 bilhões estão previstos para a realização de obras e compra de equipamentos.”

A notícia é muito boa. O governo fez um ótimo trabalho na área econômica e deve mesmo aproveitar o período para investir.

Mas é preciso colocar os investimentos em perspectiva, exatamente para o que é bom não se perca. Faltam processos para acompanhar o caminho do dinheiro. Além disso, há a questão das prioridades. Também n’O Estadão:

“O Senado aprovou na noite da última quarta-feira, 3, em votação simbólica, o projeto que estabelece o piso de R$ 950 para professores da educação básica da rede pública de ensino. A proposta, agora, vai à sanção presidencial. Segundo o projeto do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), o piso salarial nacional será implantado em todo o País, de forma gradual, até 2010.

O piso de R$ 950 é uma antiga reivindicação da categoria. O valor deverá ser pago para professores com carga horária de 40 horas semanais. De acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), existem mais de 5 mil pisos salariais diferentes para a categoria, variando entre R$ 315 e R$ 1.400. Está prevista no projeto a complementação da União para os entes federados que não atingirem o valor de piso nacional.”

Novecentos e cinqüenta reais é pouco, pouquíssimo, uma vergonha. O que dizer de R$ 315? Por isso vejo com bons olhos a informação que vem a seguir:

“O Senado também aprovou na última quarta proposta de emenda constitucional (PEC) que obriga a União a destinar integralmente à Educação 18% da receita, acabando, portanto, com a chamada Desvinculação de Recursos da União (DRU) para o setor. Atualmente, com a DRU, o governo usa 20% desses 18% para o superávit primário, reduzindo os investimentos na Educação.”

terça-feira, 1 de julho de 2008

O Planalto e o dragão

O presidente da República, dono de 58% de aprovação, segundo a pesquisa CNI/Ibope, chamou de “insensível” quem classificou como eleitoreiro o reajuste de 8% nos beneficios do Bolsa Família. “Estamos dando o reajuste porque temos condições de dar, porque tem no Orçamento dinheiro para dar esse reajuste”, afirmou.

Será? O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), usado para medir a inflação, teve a alta de 6,8% no semestre. Superou a rentabilidade de todos os investimentos no País. A taxa inflacionária, aliás, é a principal preocupação dos brasileiros _ 65% dos entrevistados temem a remarcação de preços.

O medo não é apenas local. O Banco de Compensações Internacionais, também conhecido como banco central dos bancos centrais, acredita que “o mundo vive hoje a maior turbulência financeira desde a Segunda Guerra e que a união de desaceleração econômica e inflação está empurrando para um ‘ponto crítico’ a economia global”.

Ou seja, mais do que temer a própria inflação, há que se temer a expectativa que está se espalhando como gripe espanhola por todo o mundo.

O governo do Brasil, pelo que disse o presidente, parece estar imune ao pessimismo ganha espaço a cada dia e torna a crise uma profecia auto-realizável. Até aí tudo bem. O problema é a área política achar que nossa situação é boa o suficiente para criar gatilhos no pagamento de salários e benefícios.

Eles poderão significar um belo empurrão para o governo consolidar uma base de prefeitos robusta após as eleições, mas certamente haverá um efeito colateral perigosíssimo: o rombo nas contas do Estado.

O BIS, aliás, avisou aos emergentes para não ir com tanta sede ao pote e cuidar da inflação. Tendo em vista que o próprio presidente da República reconhece os feitos na área econômica como os mais bem sucedidos, não custaria um pouquinho de coerência. O Real foi uma conquista árdua e que precisa de todo o cuidado.

Para mim, o reajuste do bolsa-família é uma medida eleitoreira e perigosa. Infelizmente.

Com a palavra os economistas.