
E aÃ, justo quando eu tinha certeza que a internet tinha perdido quase toda a graça, Cynthia Garda cria o Blogjob. Pode anotar: será leitura obrigatória para muita gente.
Leio no Congresso em Foco:
“Segundo o IBPT, os brasileiros pagam em média R$ 800 de tributos por segundo, R$ 50 mil por minuto, R$ 3 milhões por hora, R$ 51 milhões por dia e R$ 2,2 bilhões por mês.”
A reportagem, escrita por Eduardo Militão, informa ainda que “apenas nos primeiro cinco dias de janeiro foram arrecadados R$ 16 bilhões em impostos, contribuições e taxas”, mesmo sem a CPMF. Em 2008, o recolhimento bateu R$ 1,06 trilhão.
Não sei você, mas de vez em quando eu penso a sério em desobediência civil.
Enferrujei menos do que pensava. As crÃticas ao tal pacote do governo federal vieram pesadas e na mesma linha do que eu escrevi nas últimas notas sobre economia.
Gustavo Patu, Folha de S.Paulo:
“Ainda que montantes e beneficiários sejam -espera-se- menores, o governo brasileiro criou uma modalidade de socorro a bancos menos transparente que o antigo Proer e potencialmente mais estatizante que os programas recém-lançados nos EUA e na Europa.Com o uso de dinheiro do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, o governo se autoconcedeu poderes para reerguer ou assumir um banco quebrado sem revelar quanto gastou, por que gastou, como gastou ou até com quem gastou, por emergência financeira, por estratégia empresarial, por conveniência polÃtica ou por convicção ideológica.
(…) Em bom português, será empregado o dinheiro dos correntistas, poupadores e demais depositantes dos principais bancos federais. Como em vários outros momentos da história das duas instituições, a conta chegará aos contribuintes do paÃs se as operações contribuÃrem para a acumulação de perdas que reduzirão os dividendos pagos ao Tesouro.
O BB, com ações em Bolsa, terá de informar ao mercado as compras de participação ou controle acionário que julgue relevantes, da forma que achar conveniente. A Caixa, nem isso.”
E, dependendo do resultado, a Caixa não tem dúvidas: retorce-e-estica para sumir com o balanço. Painel da Folha de 24/11/2007:
“Abafa 1. A divulgação do balanço trimestral da Caixa Econômica Federal, com acanhado lucro de R$ 62,5 mi (89% inferior ao de 2006) foi precedida de adiamentos sem justificativa e marcada pela ausência da presidente, Maria Fernanda Ramos Coelho, e dos principais vice-presidentes -sempre presentes quando os números são bons.Abafa 2. Os dados ainda foram maquiados. Em vez dos números do trimestre, foi apresentado o perÃodo que vai de janeiro a setembro. Contrastando com esse resultado, o Banco do Brasil lucrou R$ 1,4 bi no terceiro trimestre.”
De volta ao presente, aà vão trechos do editorial d’O Estadão:
(…) Para prevenir danos irreversÃveis, os parlamentares devem começar com a máxima urgência o exame crÃtico da MP e apressar sua votação. As motivações de fato, não explicitadas no texto, são fundamentais para a avaliação da proposta. Há instituições em perigo – talvez bancos pequenos ou médios? O discurso do governo sobre a solidez do sistema será exagerado? Que instituições poderão estar em grave dificuldade – talvez fundos de previdência ligados a estatais? Qualquer pergunta é pertinente.Os parlamentares deverão investigar, com muito cuidado, por que se decidiu dispensar de licitação a venda de participação acionária em instituições financeiras públicas. Pode ser para facilitar o socorro a alguma instituição encalacrada. Ou pode ser para simplificar uma operação de outro tipo, como, por exemplo, a venda do banco paulista Nossa Caixa ao Banco do Brasil – e, de fato, o vice-presidente de Finanças do BB, Aldo Luiz Mendes, afirmou que, nesse caso especÃfico, “a MP reduz o desafio de encontrar uma forma de pagamento em 50%”. No mÃnimo, seria uma forma de evitar o aborrecimento de uma contestação judicial.
(…) Convém, portanto, que os parlamentares, se estiverem dispostos a aprovar a MP 443, acrescentem a seu texto cláusulas de segurança, como, por exemplo, a obrigação dos bancos oficiais de revender as ações compradas e prazos para a retenção desses ativos. Também será preciso analisar com o máximo cuidado a criação da Caixa – Banco de Investimentos S. A., proposta no mesmo documento. Se for, como admitiu o ministro da Fazenda, um instrumento de capitalização de construtoras, será preciso pensar nas condições em que esse tipo de intervenção será aceitável. É preciso evitar o risco de simplesmente socializar perdas causadas por atos empresariais mal calculados.“
Os grifos, claro, são meus. Mas você entende o motivo da escolha, não? Como diria aquele filósofo, Didi Mocó, em seu clássico A Filha do Seu Faceta: “mantegaram a Maria Schinaida e depois vão mantegá ‘ocê tumém.”
Há alguns dias, eu escrevi que, sob a desculpa da crise internacional, os Henry Paulson de subúrbio sairiam do armário e, como de costume, era provável que isso resultasse em algo muito louco, tipicamente patropi _ a tal jabuticaba com DNA de cagalheta. Pois bem. O governo publicou hoje medida provisória autorizando o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a estatizarem instituições com dificuldades.
“De acordo com a medida, os dois bancos federais poderão comprar participações em instituições financeiras, públicas ou privadas, sediadas no Brasil, incluindo empresas dos ramos securitário, previdenciário e de capitalização, entre outras. Além disso, o negócio poderá ser realizado sem qualquer licitação para isso.A MP 443 autoriza ainda a criação da empresa Caixa – Banco de Investimentos S.A., sociedade por ações, subsidiária integral da Caixa Econômica Federal, com a finalidade de explorar atividades de banco de investimento.
A última determinação da medida, que entra em vigor já nesta quarta, é que o Banco Central poderá realizar operações de swap (contratos que trocam os rendimentos em juros pela oscilação da moeda estrangeira) de moedas com bancos centrais de outros paÃses, nos limites e condições fixados pelo Conselho Monetário Nacional.”
Estou fora da reportagem e das conversas com economistas. Portanto, talvez fale a seguir uma enorme besteira. Mas, para mim, essa tal MP é o jeitinho petista de colocar no colo do BB e da Caixa bancos do naipe do Besc e da Nossa Caixa. Voltemos a 8 de junho, quando Sheila D’Amorim publicou a seguinte matéria na Folha de S.Paulo:
“Se conseguir concretizar a compra dos quatro bancos estaduais já anunciada (Santa Catarina, PiauÃ, BrasÃlia e São Paulo), o Banco do Brasil crescerá o equivalente ao tamanho do Santander/Banespa, agregando R$ 39,217 bilhões em depósitos aos R$ 188,282 bilhões que tinha no final de 2007.(…) Por isso, o clima nos bastidores do BB é de quem se prepara para um guerra. Segundo a Folha apurou, os executivos do banco acreditam que o maior interesse dos seus concorrentes, especificamente o Bradesco e o Itaú, na Nossa Caixa é estabelecer uma “barreira de entrada” ao banco federal.
(…) A estratégia do BB de avançar sobre os bancos estaduais que sobraram depois do saneamento feito no governo passado foi desencadeada depois de alertas de especialistas sobre as dificuldades que essas instituições poderão ter para se manter no mercado, num cenário de redução da taxa de juros.
O fim da era de hiperinflação e a queda dos juros obrigaram os bancos a buscar outros nichos, e isso vem se acentuando dia após dia. Como são menores, mais limitados em produtos e têm alto custo de pessoal, os bancos estaduais se tornaram uma fonte de preocupação.”
A crise era todo esse auê em junho, leitor? Nada! Aproveitaram as turbulências no mercado financeiro como desculpa para fazer o anúncio. Ou seja, TAPETÃO!
O BB e a Caixa compram o que querem SEM LICITAÇÃO segundo a MP. Pergunto: quem vai estipular os preços, se o mercado está fora da jogada? A Nossa Caixa, por exemplo, tenta ser vendida há tempos e não há um cristão que se disponha a comprar _ menos, claro, o governo federal, pois o faz com o dinheiro do contribuinte.
Isso tudo sem contar que essa dinheirama vai acabar servindo para financiamento ilÃcito de campanha. Sou contra banco público comprar banco público. É ridÃculo.
Agora preste atenção na outra pegadinha: a MP serve para que o governo adquira também “empresas do ramo securitário, previdenciário e de capitalização”. Aà tem. (Em julho, pelo que lembro, falavam da “abertura do mercado de resseguros”. Bela abertura.)
Sobre a parte da construção civil, questiono: o quanto as medidas têm a ver com Angra 3 e a Andrade Gutierrez, com Rafael Correa no pé da Odebrecht, com os compromissos dos polÃticos que ocupam o poder com as empreiteiras, suas grandes financiadoras?
Por fim, na minha avaliação, para cobrir a verdeira intenção sob o manto dignificante de uma crise internacional, e não deixá-la agasalhada pela colcha de retalhos dos interesses polÃtico-econômicos de meia dúzia, tascaram um swap cambial lá no meio. A idéia é que o povo pense: “se o governo dos Estados Unidos teve de salvar os de lá, por que o governo brasileiro não pode salvar os daqui? Ele só estará fazendo o mesmo que os desenvolvidos”. Bobagem. Os daqui vivem capengando há anos e anos e anos. E a ajuda já estava programada.
Ressalto outra vez: minha análise pode ser rasteira, apressada e pessimista. Ótimo se for o caso. O que não dá é para fazer jornalismo esquizofrênico, tipo os do que aceitam discurso panglossiano ombreado por MPs esquipáticas como se fossem belezinhas complementares.
Com a palavra, os especialistas.
Se você gosta de história, filosofia, teologia ou ciência, dê um pulo no site da revista New Yorker e leia o artigo “The Forbidden World”. O texto, em inglês, é sobre Giordano Bruno, padre italiano condenado à fogueira pela Inquisição no século XVI.
Entre outras coisas, Bruno dizia que habitamos um dos infinitos mundos e que as estrelas têm diferentes grandezas e não são fixas. Suas idéias, consideradas heréticas, influenciaram Galileu e Espinosa, por exemplo.
Concordo com João Pereira Coutinho. Ele escreve hoje, na Folha de S.Paulo, sobre voto obrigatório:
“Só uma vida examinada vale a pena ser vivida? Os gregos, pela boca platônica (na “Apologia”), acreditavam que sim. Mas os gregos acreditavam em mais: acreditavam que a vida pública era marca suprema da excelência. Os homens podem ocupar-se dos seus assuntos pessoais e privados. Mas a recusa em votar, em discursar, em interessar-se pelos assuntos da cidade, revelava não apenas egoÃsmo ou ignorância. Essa recusa cobria o abstencionista com um manto de imoralidade e infâmia. Os gregos, aliás, tinham uma palavra bem expressiva para essas tribos: ‘idiotai’. Não é difÃcil imaginar a evolução da palavra nos tempos futuros.Foi o cristianismo que quebrou esse “absolutismo democrático” ao introduzir um espaço Ãntimo, pessoal, intransmissÃvel, palco da minha consciência. A Deus o que é de Deus, a César o que é de César. Ou, por outras palavras, um ser humano não se define, apenas, pela vontade em participar nos destinos da cidade terrestre. Existe uma relação fundamental, e talvez superior, com os mandamentos da cidade celeste. Involuntariamente, o cristianismo promovia a liberdade individual ao apresentar aos homens não apenas um caminho, mas dois: o caminho público e o caminho privado.
… Pessoalmente, creio que a verdadeira legitimidade de qualquer eleito só existe quando o voto foi uma opção pessoal do eleitor, não uma exigência do sistema. A autonomia valoriza o ato. Mas também valoriza, como Kant relembra, as conseqüências do ato.
Os gregos admiravam a vida pública sobre qualquer outra. E reservavam o rótulo de ‘idiotas’ para quem discordava. Não é grave, leitores, não é grave. Ontem, como hoje, melhor ser ‘idiota’ do que escravo.”
Lula e Protógenes, FHC e Dantas, Greenhalg e Gilberto Carvalho, PF e Abin, Gilmar e De Sanctis, MI-6 e Congresso, Reinaldo e LN… Tudo isso você acompanha querendo ou não. Mas o mundo não parou, melhor dar uma olhada.
Folha de S.Paulo:
“A operadora de telefonia Oi anunciou ontem que obteve empréstimo de R$ 4,3 bilhões do Banco do Brasil para financiar a compra da Brasil Telecom. O negócio, anunciado em abril, ainda depende de mudanças na lei para ser efetivado.… Desse total, R$ 5,8 bilhões serão pagos pelo controle da BrT. Outros R$ 3,5 bilhões farão parte da oferta pública obrigatória para aquisição de ações ordinárias dos minoritários -o chamado ‘tag along’. Mais R$ 3 bilhões serão gastos na oferta voluntária para a compra de ações preferenciais da BrT.
… Em nota, a Oi afirmou que comprará a BrT com recursos próprios e que o empréstimo do Banco do Brasil ‘constitui-se no primeiro movimento de captação de recursos’ que, em seguida, contará com ‘emissão de notas promissórias com os bancos Santander, Bradesco e Itaú’.
… É o segundo financiamento de um banco público obtido pela Oi para a operação de compra da BrT, operação apoiada pelo governo federal sob o argumento de que o paÃs precisaria de uma grande empresa no setor para concorrer com gigantes multinacionais como a espanhola Telefónica e a mexicana Claro. O BNDES já havia anunciado crédito de R$ 2,5 bilhões, com o objetivo especÃfico de promover a reestruturação acionária da Oi -condição necessária para a compra da BrT.” (Roberto Machado)
Na mesma Folha:
“Sergio RamÃrez é um notável escritor nicaragüense, que se tornou revolucionário, lutou com a Frente Sandinista de Libertação Nacional contra a nefanda ditadura Somoza, elegeu-se vice-presidente e, afinal, rompeu com os companheiros, horrorizado com o nÃvel de corrupção a que se dedicaram uma vez instalados no poder.No auge do escândalo do mensalão, ele me disse uma frase que não me sai da cabeça: ‘Se eu fosse presidente, antes da posse chamaria todos os parentes e amigos e lhes diria que, durante o meu governo, não poderiam fazer negócios. Nem negócios legais’.” (Clóvis Rossi)
Seguido de:
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou ontem a lei que cria o piso salarial dos professores da educação básica (ensino infantil a médio). A partir de 2010, os professores da rede pública terão que receber, no mÃnimo, R$ 950.” (Angela Pinho)
Por fim:
“NEM TODO MUNDO tem senso de humor. É como inteligência natural. Nem todo mundo é esperto. De fato, algumas pessoas são naturalmente obtusas.Não significa que elas sejam de alguma maneira inferiores ou menos charmosas, bonitas, fortes ou bem sucedidas. Mas o fato é que os seres humanos têm diferentes talentos e diferentes capacidades. Essa é uma descoberta da vida, especialmente para os professores. Eu sei que mães relutam em aceitar esse fato com relação aos seus filhos, mas ainda assim é verdade.” (Kenneth Maxwell)
Desculpem o sumiço. Ontem, minha filha chegou de viagem depois de duas semanas. Como toda huna, ela adora seriadinhos de TV, especialmente aqueles do tipo Law & Order, CSI etc. Confesso que também gosto (menos do CSI Miami, onde os cadáveres e os investigadores partilham das mesmas cores anos 80).
Tem uma coisa, porém que sempre me encafifa: por que as pessoas que morrem nunca deixam dicas mais óbvias para o pessoal que terá de procurar sua causa mortis?
Eu, por exemplo, teria uns dez itens de coisas escritas n’algum canto, tipo a lista do NUNCA. Mais ou menos assim:
1) Nunca me mataria. Tenho uma filha linda, que já deu sentido a ela. Portanto, estou por aqui fazendo hora. Mas jamais, nunca mesmo, faria sofrer as pessoas à minha volta.
2) Se me encontrassem asfixiada nunca seria por gostar de sexo com travesseiro na cara. Marcas de tortura de qualquer gênero deveriam ser encaradas como isso mesmo: tortura. Eu nunca apanharia por vontade própria.
3) Eu não uso drogas. Nunca morreria de overdose. Se acontecesse, teria sido induzida ou forçada.
4) Não ando em quebradas. Se encontrassem meu corpo muito distante do perÃmetro onde moro, pode saber: alguém fez aquilo.
5) Não tenho dinheiro, nem carro. Morrer num tiroteio no ponto de ônibus até que é provável, bem como ser atropelada etc. Mas é outro risco que não corro, pois minha disposição é mÃnima. No momento, nunca morreria disso também.
6) Adoro pedir comida pelo telefone. Mas estou na casa da minha mãe e ela não deixa. Veneno, então, nunca seria algo natural. E, como aos 35 o corpo ainda não precisa se preocupar com doenças crônicas do coração, o médico deveria pensar nessa hipótese se dissessem que foi um ataque cardÃaco.
7) Afogamento é algo impossÃvel de acontecer num apartamento com o banheiro tão apertado. Nunca seria plausÃvel.
Brigas passionais também estão descartadas. Nunca. Moro com minha mãe e minha filha _ as duas pessoas mais importantes da minha vida. Posso ficar brava de vez em quando, ser linha dura e tal, mas nenhum mal seria feito por mim para elas e vice-versa.
9) Há a zarabatana de curare, mas meus vizinhos de Pinheiros nunca teriam o hábito de usá-las. Se bem que, depois de tanto CSI, me sinto pouco inclinada a abrir a janela.
10) Sobra o incêndio, esse sim, plausÃvel. Afinal, quem brinca com o fogo sai queimado, não? Mas eu não começaria. Eu nunca começo.
E agora, leitor, você já sabe disso. Tomei muito do seu tempo, vou ali liberar os comentários e depois terminar meu frila. Ontem, a página estava dando problemas. Espero que hoje esteja tudo ok.
Beijos,Jana
E lá vem o Nassif descendo a ladeira com a tamanca na mão. Justo. Eu reproduzi a coluna na qual Mainardi ouviu de Otavio Frias Filho que ele é achacador, hora do revide.
O que está no relatório da PF:

Pois bem. Aà vem Nassif e diz que eu era “informante” de Daniel Dantas. Bom, deixa eu ver se entendi: a super espiã aqui falava para o Dantas sobre notÃcias publicadas na internet sobre… Daniel Dantas. Claro, é o raciocÃnio lógico mais perfeito que existe. Supor que eu pudesse ter lido a notÃcia do Ucho e ligado para perguntar o que era aquilo é inimaginável. Que coisa.
Outra da PF é o diálogo mantido entre JanaÃna (sim, é óbvio que sou eu) com Daniel Dantas. Olhe como Nassif publicou o diálogo:

Olhe como é o diálogo na Ãntegra:

Pois bem. Eu tinha uma tese sobre a BrOi, a de que o modelo da operação levaria alguns sócios a ficarem com uma participação pequena, mas controladora. Para financiar esse controle eles teriam de endividar a operadora, a exemplo do que ocorreu com a gestão de Tronchetti Provera na Itália. Isso é errado? Eu deveria escrever sem checar? Não sei os motivos pelos quais a PF sabia que aà eu era JanaÃna e nas outras conversas não, uma vez que ela identificou o telefone no nome da minha mãe (sim, meus amigos, minha mãe apareceu no relatório).
Continuo. Outro trecho do relatório, página 157 (numeração manuscrita). Lá aparece um diálogo datado de 18/02/2008 entre Daniel Dantas e MNI. Fiquei pensando no que que isso quer dizer? Mulher Não Identificada? Vou ficar com Moça Não Identificada, é mais bonitinho. Se bem que, a partir de agora, você saberá que a MNI sou eu.
O resumo do diálogo analisado pelo agente da PF está aqui e aqui eu o explico frase a frase. Mas primeiro contextualizo. Um dia antes, 17 de fevereiro, houve o primeiro ataque a mim por parte de LuÃs Nassif, na palhaçada do tal “Dossiê Veja”. Eu dei minha resposta.
(Colocaria link para o Nassif, se ele não tivesse limpado seu histórico.)
No dia seguinte, DD me ligou. Estava preocupado comigo, pois sabia serem injustas as acusações de que eu tinha usado meu cargo de repórter na Folha de S.Paulo para favorecê-lo. Seu conselho, como alguém mais experiente e que entendia dessa história, era que eu ignorasse os ataques de Nassif, pois havia algo estranho na motivação daquele dossiê, algo que ele não sabia dizer o que era, mas que não parecia bom, uma vez que estavam mirando em alguém como eu. E ponderou que ele próprio, DD, considerava a hipótese de que o dossiê estivesse ligado a interesses comerciais e, portanto, era uma briga que não valia a pena. Outro argumento usado por ele era o de que Diogo Mainardi, da Veja, tinha apoio institucional para entrar numa batalha desse porte, poderia pagar advogados. Eu, que tinha pedido demissão da Folha, não. Dantas me alertou ainda que seus inimigos fariam qualquer coisa caso se sentissem acuados e que ele já tinha sofrido muito pois seus adversários tinham a simpatia do Estado, ao contrário dele. Disse ainda que a guerra tinha ficado tão terrÃvel que mesmo alguns de seus inimigos, os quais não tinham limites, não sabiam exatamente contra o que brigavam. O assunto já estaria nas mãos dos procuradores (Mainardi havia informado na coluna que mandara os papéis).
Eu disse a DD o seguinte: que não tinha o menor interesse de ficar brigando com alguém mais conhecido que eu. Por mim tudo tinha acabado, apenas respondi os ataques injustos que recebi (num tom bem educado até, como você pode ver aqui). Mas deixei claro que eu não tinha o que temer, pois nunca vendi matéria nenhuma, nem inventei nada, e portanto iria responder quantas vezes viessem para cima de mim. E, se não me engano, falei algo na linha de que o assunto das teles estava pegando fogo (por conta da criação da BrOi), ao que ele respondeu que eu deveria parar de insistir com o assunto da Telecom Itália (alvo das crÃticas de Nassif), mas que isso não implicava parar de escrever, eu podia falar sobre os assuntos que quisesse, Telemar, o que fosse.
Ora, eu sabia disso. Tanto que já vinha escrevendo contra a operação e continuei a fazê-lo.
Fiquei me perguntando os motivos pelos quais a PF teria se interessado por essa conversa. Simples, leitor. Naquele mesmo dia, eu escrevi à noite que o tempo esclarecia mais que os esforços, como havia me dito alguém de quem gosto muito, e que eu acataria o conselho. Sacou?
Sinceramente, quantas pessoas me falaram que eu não deveria brigar com LuÃs Nassif? TODAS. TODAS. Inclusive minha mãe, que hoje eu vejo estampada num relatório policial. Perdão, querida. A culpa é minha. Eu deveria ter ouvido você. E Dantas também.
Continuando o melô do Claudinho e Buchecha da PF (“quero te encontrar!”), outra parte onde a mamãe, coitadinha, aparece no relatório:

Olhe nos meus arquivos (é, para o bem ou para o mal eu não apaguei nenhum dos meus textos). No dia 10 de abril, depois de a mulher de Nassif ter lançado dúvidas sobre mim, eu havia escrito um post desafiando Nassif a abrir seus clientes, contas, tudo, com direito ao acompanhamento de auditores e jornalistas. Está aqui, basta você conferir.
Recebi e retornei vários telefonemas aquele dia. Pelo jeito um deles foi para Daniel Dantas, com quem tive o diálogo acima: tudo isso era uma palhaçada – quantas vezes vou ter de repetir? -, e que ele mais do que ninguém sabia disso. Pois bem.
Mas agora eu entendi o segundo recado do que está aÃ: insinuam que minha mãe é minha laranja. Pois bem. Então aà vai o segundo desafio: VAMOS ABRIR A CONTA DA MINHA MÃE TAMBÉM? Inclusive os investimentos? Podem procurar bens em nome de toda a minha famÃlia e detodos os meus amigos. Nada encontrarão. Eu não tenho nada, nem eles, coitados.
Só tem uma coisa, PF. Eu quero ver a da famÃlia do Nassif. Ah, e pedir um favorzinho também. Será que vocês poderiam vazar a ligação em que Rodrigo Andrade me conta que avisou Nassif que não tinha dito coisÃssima nenhuma para o juiz que eu era informante dele e que Nassif não tinha publicado? Nessa ligação, eu peço para Andrade me mandar o print screen. Veja você mesmo, clique aqui.
Afinal, a PF é para todo mundo. Não é?
Eis não ter sido preciso muito. A Ãntegra do relatório da PolÃcia Federal, escrita no âmbito da Operação Satiagraha, foi divulgada no site Consultor JurÃdico por Claudio Tognolli, clique aqui.
A parte que fala sobre a mÃdia está aqui.
Vou ler tudo o que está ali e converso com você depois. A princÃpio, numa leitura rápida, vi que há pelo menos um diálogo meu ali reproduzido. Quem achar outras citações, por favor, avise-me.