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terça-feira, 15 de julho de 2008

Virei melô do Claudinho e Buchecha

E lá vem o Nassif descendo a ladeira com a tamanca na mão. Justo. Eu reproduzi a coluna na qual Mainardi ouviu de Otavio Frias Filho que ele é achacador, hora do revide.

O que está no relatório da PF:

PF Janaina 01.jpg

Pois bem. Aí vem Nassif e diz que eu era “informante” de Daniel Dantas. Bom, deixa eu ver se entendi: a super espiã aqui falava para o Dantas sobre notícias publicadas na internet sobre… Daniel Dantas. Claro, é o raciocínio lógico mais perfeito que existe. Supor que eu pudesse ter lido a notícia do Ucho e ligado para perguntar o que era aquilo é inimaginável. Que coisa.

Outra da PF é o diálogo mantido entre Janaína (sim, é óbvio que sou eu) com Daniel Dantas. Olhe como Nassif publicou o diálogo:

PF Janaina 02.jpg

Olhe como é o diálogo na íntegra:

160_161_manus.jpg

Pois bem. Eu tinha uma tese sobre a BrOi, a de que o modelo da operação levaria alguns sócios a ficarem com uma participação pequena, mas controladora. Para financiar esse controle eles teriam de endividar a operadora, a exemplo do que ocorreu com a gestão de Tronchetti Provera na Itália. Isso é errado? Eu deveria escrever sem checar? Não sei os motivos pelos quais a PF sabia que aí eu era Janaína e nas outras conversas não, uma vez que ela identificou o telefone no nome da minha mãe (sim, meus amigos, minha mãe apareceu no relatório).

Continuo. Outro trecho do relatório, página 157 (numeração manuscrita). Lá aparece um diálogo datado de 18/02/2008 entre Daniel Dantas e MNI. Fiquei pensando no que que isso quer dizer? Mulher Não Identificada? Vou ficar com Moça Não Identificada, é mais bonitinho. Se bem que, a partir de agora, você saberá que a MNI sou eu.

O resumo do diálogo analisado pelo agente da PF está aqui e aqui eu o explico frase a frase. Mas primeiro contextualizo. Um dia antes, 17 de fevereiro, houve o primeiro ataque a mim por parte de Luís Nassif, na palhaçada do tal “Dossiê Veja”. Eu dei minha resposta.

(Colocaria link para o Nassif, se ele não tivesse limpado seu histórico.)

No dia seguinte, DD me ligou. Estava preocupado comigo, pois sabia serem injustas as acusações de que eu tinha usado meu cargo de repórter na Folha de S.Paulo para favorecê-lo. Seu conselho, como alguém mais experiente e que entendia dessa história, era que eu ignorasse os ataques de Nassif, pois havia algo estranho na motivação daquele dossiê, algo que ele não sabia dizer o que era, mas que não parecia bom, uma vez que estavam mirando em alguém como eu. E ponderou que ele próprio, DD, considerava a hipótese de que o dossiê estivesse ligado a interesses comerciais e, portanto, era uma briga que não valia a pena. Outro argumento usado por ele era o de que Diogo Mainardi, da Veja, tinha apoio institucional para entrar numa batalha desse porte, poderia pagar advogados. Eu, que tinha pedido demissão da Folha, não. Dantas me alertou ainda que seus inimigos fariam qualquer coisa caso se sentissem acuados e que ele já tinha sofrido muito pois seus adversários tinham a simpatia do Estado, ao contrário dele. Disse ainda que a guerra tinha ficado tão terrível que mesmo alguns de seus inimigos, os quais não tinham limites, não sabiam exatamente contra o que brigavam. O assunto já estaria nas mãos dos procuradores (Mainardi havia informado na coluna que mandara os papéis).

Eu disse a DD o seguinte: que não tinha o menor interesse de ficar brigando com alguém mais conhecido que eu. Por mim tudo tinha acabado, apenas respondi os ataques injustos que recebi (num tom bem educado até, como você pode ver aqui). Mas deixei claro que eu não tinha o que temer, pois nunca vendi matéria nenhuma, nem inventei nada, e portanto iria responder quantas vezes viessem para cima de mim. E, se não me engano, falei algo na linha de que o assunto das teles estava pegando fogo (por conta da criação da BrOi), ao que ele respondeu que eu deveria parar de insistir com o assunto da Telecom Itália (alvo das críticas de Nassif), mas que isso não implicava parar de escrever, eu podia falar sobre os assuntos que quisesse, Telemar, o que fosse.

Ora, eu sabia disso. Tanto que já vinha escrevendo contra a operação e continuei a fazê-lo.

Fiquei me perguntando os motivos pelos quais a PF teria se interessado por essa conversa. Simples, leitor. Naquele mesmo dia, eu escrevi à noite que o tempo esclarecia mais que os esforços, como havia me dito alguém de quem gosto muito, e que eu acataria o conselho. Sacou?

Sinceramente, quantas pessoas me falaram que eu não deveria brigar com Luís Nassif? TODAS. TODAS. Inclusive minha mãe, que hoje eu vejo estampada num relatório policial. Perdão, querida. A culpa é minha. Eu deveria ter ouvido você. E Dantas também.

Continuando o melô do Claudinho e Buchecha da PF (“quero te encontrar!”), outra parte onde a mamãe, coitadinha, aparece no relatório:

janaina3.jpg

Olhe nos meus arquivos (é, para o bem ou para o mal eu não apaguei nenhum dos meus textos). No dia 10 de abril, depois de a mulher de Nassif ter lançado dúvidas sobre mim, eu havia escrito um post desafiando Nassif a abrir seus clientes, contas, tudo, com direito ao acompanhamento de auditores e jornalistas. Está aqui, basta você conferir.

Recebi e retornei vários telefonemas aquele dia. Pelo jeito um deles foi para Daniel Dantas, com quem tive o diálogo acima: tudo isso era uma palhaçada – quantas vezes vou ter de repetir? -, e que ele mais do que ninguém sabia disso. Pois bem.

Mas agora eu entendi o segundo recado do que está aí: insinuam que minha mãe é minha laranja. Pois bem. Então aí vai o segundo desafio: VAMOS ABRIR A CONTA DA MINHA MÃE TAMBÉM? Inclusive os investimentos? Podem procurar bens em nome de toda a minha família e detodos os meus amigos. Nada encontrarão. Eu não tenho nada, nem eles, coitados.

Só tem uma coisa, PF. Eu quero ver a da família do Nassif. Ah, e pedir um favorzinho também. Será que vocês poderiam vazar a ligação em que Rodrigo Andrade me conta que avisou Nassif que não tinha dito coisíssima nenhuma para o juiz que eu era informante dele e que Nassif não tinha publicado? Nessa ligação, eu peço para Andrade me mandar o print screen. Veja você mesmo, clique aqui.

Afinal, a PF é para todo mundo. Não é?

sábado, 12 de julho de 2008

MAINARDI: Suspeita de achaque levou Nassif a sair da Folha

Eis a coluna que Diogo Mainardi, da Veja, escreveu para a última edição da revista:

“Eu sou lobista de Daniel Dantas. É o que diz o blogueiro Luis Nassif. Como foi que eu ajudei Daniel Dantas? Acusando-o de ter financiado Lula. E também acusando Naji Nahas de ter financiado Lula. O fato de eu ter publicado uma série de documentos judiciais sobre Naji Nahas e a Telecom Italia me incrimina, segundo Luis Nassif. Entende-se: em meu lugar, ele teria picotado e obedientemente engolido esses documentos, que denunciam as ilegalidades cometidas pela empresa e pelo governo. Quem patrocina o site de Luis Nassif? A Telecom Italia. Quem impediu que ele falisse e perdesse até as cuecas? O BNDES.

Eu já ridicularizei Luis Nassif três anos atrás, demonstrando que ele reproduziu integralmente em sua coluna a nota de um lobista ligado a Luiz Gushiken. Ele foi demitido da Folha de S.Paulo pouco tempo depois, por causa de um fato ainda mais nauseabundo: a suspeita de ter usado seus artigos no jornal para achacar o governo de Geraldo Alckmin. Em 2004, Luis Nassif convidou o secretário Saulo de Castro para um fórum de debates organizado por sua empresa, Dinheiro Vivo. O detalhe sórdido era o seguinte: para o secretário poder participar do evento, o governo paulista teria de desembolsar 50.000 reais. Saulo de Castro negou o pedido.

Em 2005, Luis Nassif voltou à carga, cobrando uma tarifa ligeiramente mais modesta, de 35.000 reais. A assessora de Saulo de Castro mandou um e-mail para o chefe com este comentário: “Não é à toa que a empresa se chama Dinheiro Vivo”. Saulo de Castro negou o pedido mais uma vez. Luis Nassif decidiu retaliar. Em sua coluna, passou a atacar sistematicamente o governo Alckmin, em particular o secretário Saulo de Castro. Quando o diretor da Folha de S.Paulo, Otavio Frias Filho, foi informado das suspeitas em torno de Luis Nassif, demitiu-o imediatamente. Nesta semana, falei sobre o episódio com Otavio Frias Filho. Ele confirmou.

Com a carreira no jornalismo arruinada, Luis Nassif refugiou-se na internet, onde seu passado era desconhecido, como o de Mengele em Bertioga. O bando de Luiz Gushiken arranjou-lhe uma sinecura no iG. Enquanto fazia um blog para meia dúzia de leitores, ele era obrigado a escapar de seus credores no BNDES, que queriam penhorar seus carros e apartamentos para tentar recuperar uma parte do rombo de 4 milhões de reais da Dinheiro Vivo. No fim de 2007, depois de um misterioso encontro com a diretoria do BNDES, ele conseguiu fechar um acordo judicial altamente lesivo para o banco, que lhe garantiu os seguintes mimos: o abatimento de 1 milhão de reais de sua dívida, o prazo de dez anos para saldá-la, a retirada de todas as garantias para o pagamento do empréstimo e a dispensa de uma multa de 300.000 reais. Algumas semanas depois, ele retribuiu a generosidade estatal usando o único método que conhece: uma campanha de mentiras descaradas contra mim e contra VEJA, tidos como inimigos do governo.

Luis Nassif é um banana. Ninguém dá bola para ele. Por isso mesmo, minha idéia era persegui-lo apenas judicialmente. De fato, estou processando o iG. Tenho uma tonelada de mensagens, documentos e testemunhas que desmoralizam toda a imundície publicada em seu blog. Mas suas calúnias ganharam outro peso depois que Daniel Dantas e Naji Nahas foram presos. Claramente, o pessoal que o emprega está preocupado com o rumo que esse inquérito pode tomar. Há um empenho para impedir que os dois sejam associados a Lula, como eu sempre fiz. Quando Daniel Dantas e Naji Nahas foram presos, eu comemorei. Luis Nassif deve ter pensado em todos os documentos que terá de picotar e engolir. E em todos os patrocinadores que poderá ganhar.”

Só não concordo com a parte que diz “ninguém dá bola para ele”. Infelizmente, há pessoas que ficam cegas pela ideologia ou aquelas que não imaginam o que se passa realmente nos bastidores da notícia. É por respeito aos últimos que reproduzo a coluna, pois Mainardi não precisa ser incensado. Tem méritos próprios e no episódio lamentável do “dossiê Veja”, que envolveu meu nome e criou uma série de constrangimentos para minha vida profissional, Mainardi tem a verdade a seu lado.

Por isso mesmo, a retaliação em forma de fatos distorcidos e ataques aleatórios chegará logo. Mais uma vez, será desmentida. É guerra, leitor. Você vai se divertir. Eu, nem tanto. Preferia continuar dedicando atenção a “Kafka à Beira-Mar”. Pensando bem, todavia, eu o farei _ de um jeito ou de outro.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Os jornalistas e os leões

Cesar Tralli no JN:

“Em outra folha manuscrita apreendida na residência de Daniel Valente Dantas, com timbre do Hotel The Waldorf Astoria, pode-se ler a anotação: ‘Usar o assunto da polícia p/produzir notícia e influenciar na Justiça (fls. 05/06), concluindo a autoridade policial seu raciocínio no sentido de que estaria confirmada “a produção de factóides pela quadrilha com vistas a manipular a imprensa, a fim de gerar notícias favoráveis à organização criminosa, tudo para abastecer com argumentos as inumeráveis manobras jurídicas de seus advogados’, mormente porque no curso da investigação havia sido comprovado que o investigado manteve pessoalmente e por meio de outras pessoas de sua organização contatos com vários jornalistas, ocasiões nas quais são discutidos o teor das matérias a serem publicadas na imprensa’ (fl. 06).”

Reinaldo Azevedo confirmou que há inquéritos contra jornalistas. Muito bem. Se os policiais acharam indícios de venda de reportagens mentirosas, feitas de má fé e com o único objetivo de atrapalhar a Justiça, devem mesmo entender melhor o assunto, principalmente como é que o veículo concorda em publicar a reportagem enviesada. É dever deles investigar, chamar para testemunhar, esclarecer, recomendar o processo se for o caso. O jornalista que for chamado vai e explica o que lhe for perguntado. É chato? É. Mas é o preço de viver em sociedade.

Se a investigação for séria, os policiais terão cuidado para não macular o nome de ninguém e de separar o trigo do joio _ se o joio existir.

Isso, claro, é muito diferente de execrar publicamente jornalistas que tenham divulgado documentos verdadeiros que prejudiquem os interesses dos inimigos do banqueiro e/ou do governo, ou aqueles que mantinham contato regular com assessores e o próprio Dantas.

Duvido, porém, que o time que está no comando das investigações ou a Justiça tenham interesse nisso. Por que o fariam? Para beneficiar os inimigos do banqueiro? Para ganhar holofotes que permitissem seu fortalecimento na briga interna da PF? Para abafar o inquérito da Itália? Até aqui não vi indício de que é essa a força que move esse pessoal. Espero estar certa.

Claro que há uma torcida organizada (alguns por ideologia, outros por interesse, outros ainda por gostar de ver o circo pegar fogo) para que a policia vaze grampos, imagens etc. Ela fará isso? A conferir.

Por fim, acho estranho que Daniel Dantas, apontado como o cérebro de uma organização criminosa tão potente que consegue os juros do FED com antecedência, tenha guardado um bilhete limítrofe desses, bem como uma planilha de contribuição de campanhas em sua própria casa. Ainda mais sabendo que seria preso a qualquer momento, como acusa a própria polícia! Mas essa é outra história e, a exemplo do que ocorre no caso dos jornalistas, teremos de esperar.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Baixou Mussolini em Berlusconi

A Itália é o Brasil europeu. Só dá gente populista, corrupta e néscia no poder. A última moda vinda da Bota é uma temeridade. Do JC Online:

“O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, concedeu aos prefeitos de Roma, Milão e Nápoles, as três maiores cidades da Itália, poderes extraordinários para resolver o que chamou de “emergência cigana”, segundo o jornal espanhol El Pais. Desde que foi eleito em abril, Berlusconi vem endurecendo a política contra imigrantes, especialmente os romas (ciganos), vistos com desconfiança por muitos italianos. O ministro do Interior, Alfredo Mantovano, chegou acusar os romas de estarem ligados a roubos, assaltos e raptos.

A aprovação dos poderes especiais, publicada no sábado na Gazeta Oficial italiana, prevê uma verba inicial de € 3 milhões (US$ 4 6 milhões) para que os prefeitos “realoquem ou expulsem” as comunidades ciganas das regiões do Lácio, da Lombardia e da Campânia.

…No sábado, em entrevista ao jornal Il Tempo, Mantovano não poupou acusações à etnia. “Como demonstram os números e a realidade sociológica, os romas são uma etnia ligada a certos tipos de crimes, como roubos, assaltos e até raptos”, acusou o ministro, do partido de extrema direita Aliança Nacional.”

Socorro! Baixou o espírito de Mussolini em Berlusconi! Camisa-de-força para Mantovano já!

Dinheiro público para expulsar pessoas das cidades por conta de sua ascendência? Vimos o mesmo no século passado e o resultado foi a Segunda Guerra Mundial. Italianos, façam alguma coisa!

Racismo é uma ótima desculpa para as autoridades deixarem de cumprir sua obrigação de patrulhar, prender e condenar quem desrespeita a lei. Lembre-se que a Itália, como o Brasil, é um país onde o crime organizado estendeu os tentáculos para o governo, uma associação que rende excelentes lucros para os corruptos. Por que não colocam na cadeia o pessoal da Parmalat, por exemplo? O julgamento é uma espécie de seriado ruim, está no ar faz anos e não dá em nada.

Perguntei a um amigo de origem italiana o que pensa sobre o caso. A análise foi bastante lúcida:

“Berlusconi se aproveita do clima de xenofobia que se espalhou pelo país. Tal clima não é imotivado: os estrangeiros cometem boa parte dos crimes. A esquerda preferiu ignorar o assunto, fazendo-se de boa moça, como sempre e se deu mal. O crime tem de ser combatido frontalmente. A xenofobia só brota porque o governo não faz o que deve ser feito: impor a ordem.”

Precisa dizer algo mais?

terça-feira, 29 de abril de 2008

NASSIF e o BNDES – 8

Luís Nassif colocou uma nota do BNDES em seu blog há pouco, reiterando que não foi favorecido pelo banco ao “renegociar” sua dívida com a instituição em 2007. Leia aqui.

Eu não banco a informação do BNDES, muito pelo contrário. As explicações, na minha opinião, são insatisfatórias. Ainda bem para Nassif que ele as obteve no mesmo dia de seu pedido. Para mim, a instituição demorou dez dias até enviar suas ponderações. Mas, tendo em vista tudo o que acontece nesse caso, está em linha com o comportamento do BNDES.

TODAS as perguntas e TODAS as respostas publicadas por Nassif são referentes a casos de renegociação da dívida, o que NÃO se aplica ao próprio Nassif. O BNDES perdoou condicionalmente _ até o Hoauiss entende “dispensa” como perdão _ R$ 1,9 milhão da dívida total de R$ 4,2 milhões do empresário durante ACORDO JUDICIAL. E o fez SEM A APRESENTAÇÃO DE GARANTIAS REAIS.

Em NENHUM processo que corre no Tribunal de Justiça de São Paulo foram encontrados acordos em tais condições.

Não tinha a intenção de revelar minha conversa com o BNDES antes de receber o segundo lote de respostas. Mas, diante da nota de Nassif, acho por bem fazê-lo. Devo isso ao leitor do Arrastão.

1) O acordo com Nassif é normal e obedece aos procedimentos usuais do banco. Eu perguntei por que, nesse caso, nenhum outro acordo do tipo pode ser encontrado em andamento, pelo menos no TJ paulistano, o maior do país. Não obtive resposta.

2) O contrato de Nassif foi fechado em 1997, no âmbito de um programa de “inovação tecnólogica”. Esse programa dispensava a apresentação das garantias. Eu perguntei que tipo de “inovação tecnológica” uma AGÊNCIA DE NOTÍCIAS pode apresentar? Não obtive resposta.

3) Segundo o BNDES, a lógica da dispensa da garantia dentro do programa de “inovação” é que “uma agência de notícias conta com o patrimônio da credibilidade”. Perguntei, então, se a garantia era apenas o próprio nome de Nassif e como é possível medir esse tipo de credibilidade. Não obtive resposta.

4) Ainda sobre a apresentação de garantias, perguntei: se um contrato foi fechado em bases ruins para o BNDES no passado, a equipe atual, sendo formada por servidores públicos, teria obrigação de tentar melhorar as condições para o banco. Não obtive resposta.

4) Seguindo a linha acima, perguntei no que o BNDES se baseou para o perdão ocorrido no acordo judicial e a dispensa de garantias, tendo em vista que há outros processos no TJ de São Paulo mostrando que Nassif é notório mau pagador (só em um dos autos, reclamação movida por uma editora, a dívida cobrada do empresário é de R$ 2 milhões). Não obtive resposta.

5) O BNDES disse que há detalhamentos sobre o caso que não pode me dar, pois trata-se de sigilo bancário. Perguntei desde quando processo judicial público tem sigilo bancário. Não obtive resposta.

6) Para explicar o sigilo, o BNDES citou como exemplo o meu banco e hipotéticos empréstimos pessoais que eu pudesse ter feito. Perguntei se um banco público de fomento, com juros subsidiados e funcionários pagos com o dinheiro público, inclusive o meu, obedece às mesmas regras de uma instituição financeira privada em créditos com pessoas físicas. Não obtive resposta.

7) Não perguntei ontem, mas pergunto agora: quem vai se responsabilizar pelas informações sustentadas pelo BNDES? Luciano Coutinho? Espero obter resposta.

Por fim, vá ler o link que me mandaram e que enviei para o BNDES hoje pela manhã (http://bndesnassif.blogspot.com/)Eu quero explicações para todos os pontos listados por mim e os que constam daquele blog. E ponto final.

sábado, 26 de abril de 2008

Dantas, o onipresente

Leio que a Polícia Federal quer mandar para a cadeia cerca de 20 pessoas, por supostas operações ilegais no mercado financeiro identificadas na quebra de sigilo do disco rígido do Banco Opportunity, em poder dos policiais desde a Operação Chacal, deflagrada em 2004 a partir do caso Kroll.

A íntegra, para assinantes, está aqui. Acompanhe trechos aqui:

“Personagem crucial no processo de aquisição da Brasil Telecom pela Oi, o banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity, e seus principais sócios e executivos são alvo de uma outra investigação da Polícia Federal que começou com base na quebra de sigilo do computador central do banco apreendido pelos policiais federais em setembro de 2004.

Segundo a equipe de policiais que trabalha no caso, a existência de fortes indícios de crimes financeiros poderia levar à prisão pelo menos 20 pessoas, cumprimento de mandados de busca e apreensão de documentos e bens em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Pará, além de procedimentos de cooperação de órgão policiais internacionais em três países: Estados Unidos, Itália e França.

Além de Dantas, os principais alvos da investigação da PF são o sócio dele Carlos Rodemburg, sua irmã e também parceira de negócios, Verônica Dantas, além do empresário e especulador Naji Nahas.

… Desde meados de 2007, o inquérito que investiga Dantas e seus comandados está sob a presidência do delegado da PF Protógenes Queiroz, o mesmo que investigou e prendeu o hoje deputado Paulo Maluf e o contrabandista Law Kim Chong.

Houve uma análise estratégica para conduzir a investigação. Dantas tem muitos informantes no meio de telecomunicações, até por já ter contratado espiões particulares que usam prática ortodoxas, a exemplo da Kroll, segundo acusa o Ministério Público Federal, e ser acionista da Brasil Telecom e também da Telemar. A opção foi grampear o fluxo de e-mails que circulam pelo servidor central do banco Opportunity.

A troca de correspondência revelou as ligações de Dantas com Naji Nahas, inclusive o acesso a dados privilegiados do mercado financeiro, de acordo com a investigação. Segundo a PF, por conta do nível de dados que o grupo demonstra dominar, configura-se o acesso a informações privilegiadas em primeira mão (“inside information”), o que, pelas leis brasileiras, poderia ser enquadrado como crime contra o sistema financeiro.”

Lá vou eu comprar briga de novo. Era muito fácil ficar quieta, surfar na onda boa do blog e deixar de comentar qualquer coisa que se relacione com Daniel Dantas, o banqueiro mais polêmico do país. Mas, se eu gostasse das coisas fáceis, teria escolhido outro ramo do jornalismo. E, provavelmente, você não estaria aqui lendo o que escrevo.

Considero mais que plausível a idéia de que Dantas tenha feito jogadas no mercado financeiro que mereçam a atenção da polícia. Tomara que investiguem mesmo e, se encontrarem provas verdadeiras, não mequetrefes como o CD vindo da Itália, tomem as devidas providências.

Isso posto, acho muito, muito estranha essa tentativa de ligar Naji Nahas SOMENTE ao banqueiro. Para quem precisa de “memoriol”, Nahas era o negociador da Telecom Italia, de quem recebeu o equivalente a milhões de euros. E ele não negociou só com Dantas, mas com os fundos de pensão e o Citigroup.

Além disso, Nahas é tão prestigiado no governo Lula que até viajou na caravana do presidente da República que aportou em Beirute, dezembro de 2006, e discretamente faz lobby para a Vale do Rio Doce, companhia controlada pelos fundos de pensão estatais e pelo Bradesco, interessada em parceiros e investimentos no Oriente Médio.

Nahas também é muito ligado aos marqueteiros tucanos, alguns dos quais foram responsáveis por repasses de publicidade da Telecom Italia no estado de São Paulo.

Pois bem. Há cerca de uma, duas semanas, repórteres que trabalham em perfis de inimigos de Dantas conversaram com algumas pessoas que conheço. Avisaram, à ocasião, que o banqueiro iria preso nos próximos dias. A Folha de hoje confirma. Dantas é, no Brasil, o único futuro presididário que recebe a notícia antes pela imprensa, sempre. Bom mesmo junto a uma das facções da PF, todavia, é ser inimigo do banqueiro. Aí é possível saber da ordem antes mesmo dos jornalistas.

O que estou querendo dizer? Não, caro, o que estou DIZENDO. Mandar recado é coisa de gente que tem culpa no cartório. Eu posso, e falo, o que penso diretamente: se o trabalho da PF é sério, parabéns. Mas, se os policiais agem querendo unir Nahas SÓ a Dantas para EVITAR que tragam os papéis da Itália, além de apresentar uma desculpa para a farra dos grampos nos e-mails e telefones, aí tem. Muitos perceberão, pois essa tática foi tão usada nos últimos anos que, agora, acabará dando errado.

“Por que o governo faria isso, Janaína?” Explico, claro. O esquema dos italianos vai além da Telecom Italia, pega subsidárias de outras empresas italianas com filial no Brasil, como a Parmalat, Tecnosistemi e a Cirio (Bombril). Para limpar o caixa das filiais, remetendo o dinheiro em forma de pagamentos fictícios ao Uruguai e outros paraísos fiscais, executivos dessas empresas pagaram montanhas de dinheiro em propinas para que políticos, policiais, juízes e servidores públicos fechassem os olhos da fiscalização.

O “cala-boca” foi pago desde o fim da década de 90, ou seja, pega tucanos e petistas da base, especialmente prefeitos. E eu desconfio que, em ano eleitoral, qualquer abalo desses pese toneladas contra a reputação dos candidatos. Melhor fazer um escarcéu, como o do caso Kroll, e impedir que rode todo mundo.

Agora, diga: se você fosse escolher um bode para colocar na sala, quem melhor do que Daniel Dantas? O homem foi transformado no mal supremo, numa espécie de avesso do teflon _ qualquer coisa negativa gruda no banqueiro.

De novo, sublinho que sim, é bem possível que Dantas tenha praticado crimes financeiros. Se isso ficar provado, parabéns para a Polícia Federal. Mas, na minha opinião, a hipótese mais provável é que, mais uma vez, esteja em curso uma ação que é mais para confundir do que para clarear as maracutaias da alta roda.PS: Se estiverem me grampeando, por favor, conversem com o José Dirceu para que ele peça ao Slim para melhorar a conexão de internet para laptop e a de celular. Aqui em Pinheiros está uma droga. Obrigada, policiais! Eu sei que a maioria está em Brasília, sob o cuidado da Brasil Telecom, mas não custa nada tentar, não é?

sexta-feira, 25 de abril de 2008

PODCAST: “I TARANTATI – O resumo do caso Telecom Italia”

Pessoal, eu sei que essa história é cansativa. Se você preferir acompanhar por meio de áudio, fique à vontade. Clique aqui para ter o texto do podcast na íntegra.

 Janaína Leite – I TARANTI – O resumo do caso Telecom Italia

sexta-feira, 25 de abril de 2008

I TARANTATI – O resumo do caso Telecom Italia (parte 5)

Funcionava assim: executivos da Telecom Italia, lá na Europa, contratavam detetives italianos, a maioria, ex-policiais ou antigos agentes do serviço secreto. Esses detetives, por sua vez, recrutavam colaboradores brasileiros.

É aí que você deve prestar atenção. Os procuradores italianos descobriram que o esquema se divide em dois, se bifurca.

Uma parte deles era formada por lobistas, cuja missão era azucrinar os inimigos da Telecom Italia, influenciando a mídia e tocando processos judiciais paralelos contra os adversários dos italianos.

O segundo tipo de colaborador identificado pelos milaneses era uma espécie de negociador. Servia como ponte entre a Telecom Itália e políticos, funcionários públicos, juízes, advogados e por aí vai. Enfim, ligava os italianos aos poderosos.

Os procuradores de Milão têm indícios de que esses colaboradores, mais sofisticados, receberam milhões de euros e pagaram propinas no Brasil.

A Justiça italiana também desconfia que parte do dinheiro distribuído nos trópicos voltou para o bolso de executivos italianos, numa operação que você e eu conhecemos como lavagem de dinheiro.

O processo que corre em Milão já tem caixas e caixas de documentos, recibos, arquivos de computador, lançamentos contábeis e testemunhos de pessoas que participavam do esquema. Esses fatos têm sido amplamente noticiados pela imprensa italiana, mas, aqui no Brasil, só eu e mais um, ou dois colegas insistimos no assunto.

“Jornalistas”, assim mesmo, entre aspas, perguntam por aí qual é o meu interesse em trazer os papéis? Ora, meu filho, o interesse é óbvio _ é um filé mignon informativo, com evidente cunho jornalístico.

Aí você pergunta: “mas trazer os papéis beneficia Daniel Dantas?” Eu respondo: e daí? Desde quando ajudar ou prejudicar alguém é critério para derrubar matéria? Só se for aí, no universo paralelo.

“Ah, não, Janaína, os papéis vão contaminar os processos movidos pela Polícia Federal e pelo Ministério Público no Brasil.” É? Por quê? Tem coisa mal investigada ali? Faltam informações? Houve manipulação de algum modo no que está sendo apresentados aos juízes? Qual é o problema, hein? Se tudo foi bem apurado, duvido que os papéis italianos contaminem alguma coisa. E se não foi, nada mais correto para quem trabalha com isenção do que acrescentar as informações que faltam.

Acho muito engraçado que esses “jornalistas” fujam de outra pergunta, muito mais importante: por que é tão grande a resistência dentro do governo para trazer os documentos da Itália ao Brasil? Esquisito, não é? Esse inquérito tem DOIS anos e até agora NADA.

Estão engavetando as coisas para impedir que Daniel Dantas seja favorecido? Tenha dó! Eu duvido. Muito mais fácil que seja para impedir que outros peixes graúdos caiam na rede.

Bom, fico por aqui, mas antes quero saber o que você acha. Deixe a sua opinião na caixa de comentários. Eu volto para conferir.

Até daqui a pouco.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Terceira?

Luís Nassif sustenta, em seu blog, que Rodrigo Andrade não mandou o comentário ontem, como afirma no texto escrito para mim.

Andrade acaba de falar comigo. “Mandei ontem para o blog de Nassif, sim, e não foi publicado. Acredito que ele recebeu meu comentário e o cortou, pois, hoje, por volta do meio-dia, Nassif arrumou meu sobrenome no texto do Dossiê Veja, trocando de Rodrigo Azevedo para Rodrigo Andrade. Nesta tarde, repeti a postagem: depois de colocar o comentário no Arrastão, mandei de novo para Nassif.”

Creio que devem existir meios para comprovar quem fala a verdade, como registros no computador. Por motivos óbvios, até que me provem o contrário, acredito em Andrade.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Amigos e guarda-costas

Hoje, Reinaldo Azevedo disse que lê o Arrastão. Diogo Mainardi, em seu podcast semanal, recomendou meu blog. Os acessos diários dos dois colunistas da Veja, sozinhos ou somados, vão à estratosfera. Fácil entender. Mesmo quando discordo deles, minha opinião é que ambos são donos dos melhores textos da imprensa atual.

Em outro extremo ideológico, Idelber Avelar, do Biscoito Fino, mostrou coerência e honestidade ao explicar suas crenças, reafirmar seu alinhamento com a esquerda e fechar a caixa de comentários para evitar o linchamento moral de quem quer que seja. Pessoas de valor assumem o que pensam e, mesmo no meio dessa balbúrdia, vejo como mostra de coragem de Idelber a adequação de seu discurso ao que ele considera justo.

Só posso agradecer publicamente e deixar claro meu respeito pelos três.

Disse antes e repito: a mim interessa cativar leitores, não formar seguidores. A polêmica que cerca meu nome será superada _ eu confio na Justiça e na inteligência das pessoas _, e daqui a pouco o espetáculo terá de ser um texto bem escrito, uma análise interessante, uma provocação bem colocada.

Espero que você, que gosta de mim ou que me considera a Mata Hari da Bruzundanga, esteja por aqui para acompanhar essa futura etapa, muito mais afeita ao que sou e ao que defendo. Espero, sinceramente, que essa fase venha logo. Mas, enquanto me derem motivo para brigar, enfrentarei o que for preciso e do meu jeito.

Bem, volto a Mainardi. Aqui, um trecho das revelações contidas em seu podcast semanal, no programa “O Guarda-Costas de Lula” (para ouvir, clique aqui.)

“As principais testemunhas do processo contra a Telecom Italia declararam em juízo que, no mesmo período em que era chefe da Abin, Mauro Marcelo oferecia seus préstimos à empresa. O pagamento de 300 mil dólares, segundo essas mesmas testemunhas, seria realizado por meio do detetive Eloy Lacerda, parceiro de Mauro Marcelo.

Um dos executivos da Telecom Italia, Angelo Jannone, declarou à promotoria que se opunha à idéia de pagar um membro do governo brasileiro, tanto que, a certa altura, decidiu bloquear os pagamentos. Para comprovar esses fatos, ele apresentou uma série de documentos ao Ministério Público italiano. Num deles, o lobista Luiz Roberto Demarco teria se lamentado num e-mail nos seguintes termos:

Sinto que corruptos como Eloy ou Mauro Marcelo são tratados com mais respeito e mais atenção (do que eu).Jannone apresentou também um telefonema gravado com o parceiro de Mauro Marcelo, que teria reivindicado um aumento no contrato de 300 mil dólares com o seguinte argumento:

Quando eu relatei a ele (Mauro Marcelo) a última conversa que tivemos, ele me pediu para ver se havia um jeito de melhorar um pouquinho, porque já se passou muito tempo, né?”

Para ler a íntegra do texto de Mainardi, vá para este link.