Pessoal, eu sei que essa história é cansativa. Se você preferir acompanhar por meio de áudio, fique à vontade. Clique aqui para ter o texto do podcast na íntegra.
Arquivo da Categoria ‘I TARANTATI - A guerra da mídia e os italianos’
I TARANTATI – O resumo do caso Telecom Italia (parte 5)
Funcionava assim: executivos da Telecom Italia, lá na Europa, contratavam detetives italianos, a maioria, ex-policiais ou antigos agentes do serviço secreto. Esses detetives, por sua vez, recrutavam colaboradores brasileiros.
É aí que você deve prestar atenção. Os procuradores italianos descobriram que o esquema se divide em dois, se bifurca.
Uma parte deles era formada por lobistas, cuja missão era azucrinar os inimigos da Telecom Italia, influenciando a mídia e tocando processos judiciais paralelos contra os adversários dos italianos.
O segundo tipo de colaborador identificado pelos milaneses era uma espécie de negociador. Servia como ponte entre a Telecom Itália e políticos, funcionários públicos, juízes, advogados e por aí vai. Enfim, ligava os italianos aos poderosos.
Os procuradores de Milão têm indícios de que esses colaboradores, mais sofisticados, receberam milhões de euros e pagaram propinas no Brasil.
A Justiça italiana também desconfia que parte do dinheiro distribuído nos trópicos voltou para o bolso de executivos italianos, numa operação que você e eu conhecemos como lavagem de dinheiro.
O processo que corre em Milão já tem caixas e caixas de documentos, recibos, arquivos de computador, lançamentos contábeis e testemunhos de pessoas que participavam do esquema. Esses fatos têm sido amplamente noticiados pela imprensa italiana, mas, aqui no Brasil, só eu e mais um, ou dois colegas insistimos no assunto.
“Jornalistas”, assim mesmo, entre aspas, perguntam por aí qual é o meu interesse em trazer os papéis? Ora, meu filho, o interesse é óbvio _ é um filé mignon informativo, com evidente cunho jornalístico.
Aí você pergunta: “mas trazer os papéis beneficia Daniel Dantas?” Eu respondo: e daí? Desde quando ajudar ou prejudicar alguém é critério para derrubar matéria? Só se for aí, no universo paralelo.
“Ah, não, Janaína, os papéis vão contaminar os processos movidos pela Polícia Federal e pelo Ministério Público no Brasil.” É? Por quê? Tem coisa mal investigada ali? Faltam informações? Houve manipulação de algum modo no que está sendo apresentados aos juízes? Qual é o problema, hein? Se tudo foi bem apurado, duvido que os papéis italianos contaminem alguma coisa. E se não foi, nada mais correto para quem trabalha com isenção do que acrescentar as informações que faltam.
Acho muito engraçado que esses “jornalistas” fujam de outra pergunta, muito mais importante: por que é tão grande a resistência dentro do governo para trazer os documentos da Itália ao Brasil? Esquisito, não é? Esse inquérito tem DOIS anos e até agora NADA.
Estão engavetando as coisas para impedir que Daniel Dantas seja favorecido? Tenha dó! Eu duvido. Muito mais fácil que seja para impedir que outros peixes graúdos caiam na rede.
Bom, fico por aqui, mas antes quero saber o que você acha. Deixe a sua opinião na caixa de comentários. Eu volto para conferir.
Até daqui a pouco.
I TARANTATI – O resumo do caso Telecom Italia (parte 4)
Leitores pedem para eu resumir o caso da Telecom Italia, motivo de várias acusações entre jornalistas. É difícil. São muitos os envolvidos e as histórias se cruzam ao longo de anos. Mas, eu decidi tentar. Depois você me diz se gostou do resultado.
A Telecom Itália é uma das maiores operadoras da Europa. Assim como a Telebrás, ela era uma estatal até o fim da década de 90. Desde a privatização, a companhia passou por vários donos, inclusive a toda-poderosa Pirelli, a maior empresa italiana.
No Brasil, a Telecom Italia está na telefonia celular, por meio da TIM, e até o ano passado era também uma das maiores acionistas da Brasil Telecom, operadora de telefonia fixa das regiões Centro-Oeste, Sul e Norte.
Perceba: o Brasil era, e é, estratégico para a expansão dos negócios da Telecom Italia. Por isso, os italianos foram muito agressivos ao consolidar a TIM. E, também por isso, eles brigaram com os outros sócios da Brasil Telecom pelo controle da empresa.
Hoje, eu vou tratar só de uma parte dessa bagunça, aquela que está relacionada com a Brasil Telecom.
Em 2006, o Ministério Público de Milão abriu um inquérito sobre a Telecom Italia. Os procuradores queriam investigar um esquema de espionagem e venda de informações coordenado por funcionários da operadora. Eles usavam a estrutura e o dinheiro da empresa para grampear telefones, invadir computadores e montar campanas.
No Brasil, e em outros países, os arapongas italianos espionavam os concorrentes da Telecom Itália e de quem controlava a operadora, a Pirelli. Essa prática teria acontecido, pelo menos, entre 2003 e 2005.
Naquela época, era o primeiro mandato do governo Lula, com quem a Telecom Itália e a Pirelli mantinham ótima relação. Mesmo assim, os italianos monitoravam integrantes do governo, até do primeiro escalão.
Bilhete público de JANAÍNA LEITE para LUÍS NASSIF
Nassif,
quer dizer que você tem HÁ DIAS a informação de que 1) os papéis colocados por mim e Diogo Mainardi na internet eram verdadeiros; 2) as páginas faltantes não alteravam o sentido dos documentos e 3) aquilo nunca havia sido um relatório, nem um dossiê forjado, e sim documentos oficiais da Justiça italiana, ao contrário do que você sustenta publicamente em seu blog e no Google desde fevereiro?
E, mesmo de posse dos dados verdadeiros, calou-se, se recusando a fazer uma retratação? Nem contou para seus leitores que havia conseguido falar com Angelo Jannone, autor do depoimento que eu linkei, e alvo do mandado de prisão que Mainardi compartilhou? Ainda por cima deixou no ar aquelas coisas que escreveu _ e pediu para as pessoas espalharem _ mesmo tendo a certeza de que eram MENTIRA?
Estou sem palavras, Nassif. Sem palavras.
Janaína
PS: Jannone colocou um post em seu blog. Lá, me pede desculpas e depois afirma que documentos publicados por Leite e Mainardi foram obtidos com o Judiciário brasileiro, aos quais não foram passados pelos canais oficiais, mas por canais oficiosos. É isso que ele está dizendo, Nassif.
)
I TARANTATI – A guerra na mídia e os italianos (parte 3)
Aqui vai a terceira parte das minhas considerações e explicações. Clique aqui para ler tudo.
I TARANTATI – A guerra na mídia e os italianos (parte 2)
Pouco adianta seguir com essa história sem você lembrar o início da briga pela Brasil Telecom. Neste capítulo, você lerá um compilado de textos publicados antes por mim no Arrastão. Considero, porém, a parada estratégica.
Clique aqui para entender AS RAÍZES do caso, segunda parte do texto relativo à guerra na mídia brasileira que coloco no ar hoje.
Se você quiser ler a primeira parte, clique aqui.
I TARANTATI – A Guerra na mídia e os italianos (parte 1)
Dizem que a tradição começou no sul da Itália, por volta do século XI. Jovens mordidos por tarântulas davam sinais primeiro de depressão, depois de histeria. Rasgavam suas roupas e saíam pelas ruas, gritando ofensas e rogando pragas em todos os que atravessavam seu caminho. Eram os tarantati, os envenenados.
As imprecações significavam tempos de grande turbulência para quem as ouvisse, pois essas pessoas, a partir daí, consideravam que também haviam sido atingidas pelo veneno do aracnídeo.
A maior parte das vítimas era formada por mulheres, mas havia as exceções. O único jeito de curá-los, conforme os antigos, era fazer com que o demônio causador do transtorno, alojado no veneno da aranha, fosse exorcizado.
Todos os músicos da região eram chamados para cuidar da vítima. A música só parava quando os tarantati caíssem de exaustão. Só então eles e suas vítimas estavam livres do veneno da tarântula.
A Igreja proibiu o ritual, considerado pagão. Nunca conseguiu, entretanto, acabar com ele. Dizem que ainda é possível ouvir histórias na região de Salerno e de Puglia sobre episódios de tarantati purificados pelos sons e pela dança, por meio da taranta e da pizzica.
O ritual, antes pagão, acontece nos dias consagrados a São Paulo (antes Saulo), o único santo que consegue acalmar os possuídos.
O veneno tomou conta do jornalismo brasileiro. É preciso fazer alguma coisa, antes seja comum viver como tarantati, tendo tarântulas como companheiras, vagando a esmo para retribuir a má sorte com ofensas ao primeiro que passar.
Vários leitores perguntam o que ganha o empresário Luís Nassif, blogueiro do iG, ao amontoar fatos, ilações e declarações torcidas, de forma a montar um dossiê que, analisado com calma, não resiste a cinco minutos de questionamentos.
Não sei. Adoraria saber. O que posso escrever aqui é uma dedução lógica do que pode acontecer (aliás, do que é muito provável que aconteça) caso sejam trazidos ao Brasil os documentos italianos.
Gostaria muito que hoje fosse a última vez que o assunto Nassif & Cia. aparecesse no meu blog, pois, sinceramente, o tema me dá engulhos. Muita gente já sofreu e ainda sofre por conta dele.
Reservo-me, assim, o direito de manter a página principal livre dessa patacoada. Quero usar meu espaço nobre para coisas mais relevantes do que brigar com um leviano.
No entanto, por respeito aos meus leitores e por ser testemunha de mais uma injustiça de Nassif, a acusação feita por ele de que o Gravataí Merengue, que trabalha com a vereadora Soninha, do PPS de São Paulo, foi “cooptado” por uma rede ligada ao banqueiro Daniel Dantas, decidi escrever a história da forma mais didática possível, desde o início.
É simplesmente impossível ficar quieta diante de tamanha covardia _ atacar um moço que nem jornalista é e, pior, fazê-lo por meio da chefe, só para forçar com que Gravataí perca o emprego e que os esquerdistas, inflamados por uma falsa idéia de disputa político-ideológica, garantam cobertura ao próprio Nassif.
O que vocês não entenderem, por favor, perguntem por meio dos comentários. Nada de adjetivos, apelidos ou juízos de valor. Isso vai me atrasar na moderação e tomar um tempo precioso. Ao fim, encerrarei o que tenho a dizer fazendo os esclarecimentos que julgar pertinentes e oriundos de perguntas calcadas na boa fé.
Vamos lá. Aqui está a primeira parte.







