Arquivo de maio de 2009
A Conversão do Diabo
“Quem não ama o bem?
Uma vez, um diabo já entrado em anos, e a quem tinham apelidado, no inferno, de Narigudo, sentiu, inesperadamente, certa inclinação à virtude. Entregara-se na sua mocidade, como todos os diabos, a insignificantes proezas diabólicas, mas, com a idade, tornara-se razoável, um tanto cansado de seu ofÃcio. Embora gozasse de ótima saúde, os excessos juvenis quebrantaram-lhe um pouco as forças e ele já não sentia entusiasmo algum pelas tolices da mocidade. Cada vez sentia mais acentuada propensão para a ordem (virtude muito comum entre os diabos); dotado de espÃrito firme e esclarecido, embora um tanto metafÃsico, gostava de filosofar. Acabou por perder a fé na perfeição do inferno e nos costumes diabólicos. Enfadava-se principalmente nos dias festivos, quando não tinha nenhuma tarefa a desempenhar e não sabia como matar o tempo, tanto mais que era celibatário.
Para lutar contra essa situação que tanto lhe perturbava o espÃrito, entregou-se ao trabalho, mudando várias vezes de ofÃcio. Instalou-se, finalmente, como diabo tentador – para muito tempo e de maneira definitiva – numa igrejinha católica da Florença. Ali, segundo suas próprias palavras, saboreou pela primeira vez o repouso do espÃrito. Ali principiou, igualmente, sua conversão.”
Para ler mais um trecho do conto de Andreiev, uma delÃcia, clique aqui.







