A dica é do Johnny: o Mixwit acabou, mas nem por isso você fica sem as seleções musicais. Dê um pulo no MyFlashFetish.
Arquivo de dezembro de 2008
Boa discussão
Pergunta feita pelo Edge e respondida por feras de vários campos de conhecimento: pode a Ciência ajudar a resolver a crise econômica? Clique aqui e confira as respostas (em inglês).
;)
Um Natal muito bacaninha e que, em 2009, você consiga rir de todas as coisas absurdas que a vida colocar em seu caminho.
Memórias
A história é comprida e cumprida, por isso encurto: a gente só sabe o que é depois que vira. Foi assim com a minha mãe, com a mãe de minha mãe, com a mãe da mãe de minha mãe e com a avó delas tudo. E foi assim comigo também, embora só recentemente, porque tem pessoas que demoram a aceitar individualidades.
Nasci segunda, no dia errado e numa hora inconveniente. Um olho verde, outro azul, duas mãos esquerdas, pé sem curva e cabelo de taturana. De modo e forma que você entende se digo que me guardaram por duas estações dentro da cesta de costura. Só saí de lá quando cerzida à touca, às luvas e aos sapatos corretivos.
Dos detalhes daquele primeiro encontro familiar sei pouco, apenas que providenciaram chá de ninho de passarinho na mamadeira. Era para curar bronquite, e curou, mas desde então vôo. Basta usar camisola.
O primeiro a perceber laço tão esquisito com o céu foi o padre China. Por conta disso, quase não me batiza.
- A menina não tem raiz, é desfincada da terra. Foi chocada num ovo, claramente!
Precisou Santa Terezinha, com as mãos cheias de rosas, descer do altar e interceder por mim. Caso contrário, pagã, arriscava moleira aberta até hoje.
Por uma questão de justiça, é bom assinalar de vermelho que o padre China não era mau. Conforme me explicou mais tarde o Frère Jacques, outro da congregação, o colega era sem traquejo porque tinha sido ensinado a agir como o maior comunista da paróquia _ achava perigoso lidar com gente que dormia fora da prateleira.
O padre China, com o tempo, tornou-se convidado de honra das minhas bonecas. No chá que elas promoviam todo fim de tarde, ele até levava hóstia não consagrada para servir de quitute. As anfitriãs suspiravam com a delicadeza.
Em troca, as bonequinhas apresentaram o padre ao senhor Pedro Álvares Cabral e à bruxa da casa de doces. Juntos, os três discutiam animadamente sobre as variações do canibalismo. O Boi Amarelinho, outro que não perdia os encontros, arrepiava de mugido _ fazia o sinal da cruz repetidamente antes de discursar sobre as vantagens de ser herbívoro.
Eu, de minha parte, gostava mesmo era de brincar com o Menino Jesus, sempre divertido e milagreiro.
Era uma vida boa.
(Para Fefê, a linda da titia. Smack!)
Herança
Lá nos mil e quinhentos acontecia em terras brasileiras o mesmo de hoje. Eduardo Bueno, em “A Coroa, a Cruz e a Espada”, relata:
“Quando os pregões de arrematação das empreitadas se encerravam, o nome do vencedor, anunciado com alguma solenidade pelo porteiro da Câmara, raramente causava surpresa. Os empreiteiros loteavam as obras entre si, combinando os lances antecipadamente, muitas vezes em conluio com o leiloeiro, e superfaturando o custo das obras.”
O Padre Manuel da Nóbrega, líder jesuíta, considerava a “terra tão estragada que é necessário levantar alicerces de novo”.
“(…) porque a gente dessa terra é fraca em entender e de má criação e há muito habituada em grandes maldades e gente de menor qualidade (…)”
Perspectiva

A charge é do Rico e foi publicada no Vale Paraibano.











