Esse maravilhoso "monstro" sagrado que é/foi/será Clarice Lispector é/foi/será sempre "out of this world", exatamente como nesta entrevista. A dificuldadade que ela tem em se expressar é a mesma dificuldade que ele tem em escrever seus livros que, a meu ver, foram extraídos a fórceps. E é exatamente esse mistério que é/foi/será Clarice. Ela é um pouco cada um de nós e, ao mesmo tempo, especialmente diferente de cada um de nós. Ela é um pouco de nossa dificuldade de expressarmos as coisas da alma, as coisas essenciais. Clarice é tão comum e ao mesmo tempo tão intrínseca. A expressão corporal com que ela se apresenta nessa entrevista nos dá noção do tamanho do incômodo que ela teve em dá-la. Como se estivesse num tribunal, ela se apresenta, na entrevista, como querendo se revelar inocente por tanta genialidade. Nem ela consegue se explicar. Tantas vezes que leio Clarice, tantas vezes ela me revela algo novo. Fiquei comovida ao ler essa entrevista. E, finalmente, parafraseando Clarice, ela é "indizível". Paz pra vc, Janaína e obrigada pelo vídeo. Abraço
JANAÍNA: Oi, AB. Lindo o seu comentário, resumiu o que senti ao ver a entrevista. Abração.
“Mas agora sei de algo horrível: sei o que é precisar, precisar, precisar. E é um precisar novo, num plano que só posso chamar de neutro e terrível. É um precisar sem nenhuma piedade pelo meu precisar e sem piedade pelo precisar da barata. Estava sentada, quieta, suando, exatamente como agora — e vejo que há alguma coisa mais séria e mais fatal e mais núcleo do que tudo o que eu costumava chamar por nomes. Eu, que chamava de amor a minha esperança de amor.” Linda Clarice! (É, vai ver que Pênia era mesmo mãe de Eros). Um beijo transparente, sem cifras, para você Janaína.
JANAÍNA: Todos os beijos são bem-vindos, inclusive esses assim, sem eira nem beira. E é lindo o trecho que você escolheu. Ando há semanas com "Água Viva" na cabeça: "Tenho que interromper pq - eu não disse? eu não disse que um dia ia me acontecer uma coisa? Pois aconteceu agora mesmo."
Comments
...está faltando a seleção de músicas que sabes muito bem fazer... mas com muita energia da boa!
JANAÍNA: É verdade. Vou compilar umas musiquinhas. Abração!
Posted by: Jorge | August 25, 2008 08:33 PM
...depressiva por isso 1920-1977!
JANAÍNA: Eu gosto tanto dela... :-D Abs.
Posted by: Jorge | August 25, 2008 09:54 PM
Janaína,
Esse maravilhoso "monstro" sagrado que é/foi/será Clarice Lispector é/foi/será sempre "out of this world", exatamente como nesta entrevista. A dificuldadade que ela tem em se expressar é a mesma dificuldade que ele tem em escrever seus livros que, a meu ver, foram extraídos a fórceps. E é exatamente esse mistério que é/foi/será Clarice. Ela é um pouco cada um de nós e, ao mesmo tempo, especialmente diferente de cada um de nós. Ela é um pouco de nossa dificuldade de expressarmos as coisas da alma, as coisas essenciais. Clarice é tão comum e ao mesmo tempo tão intrínseca. A expressão corporal com que ela se apresenta nessa entrevista nos dá noção do tamanho do incômodo que ela teve em dá-la. Como se estivesse num tribunal, ela se apresenta, na entrevista, como querendo se revelar inocente por tanta genialidade. Nem ela consegue se explicar. Tantas vezes que leio Clarice, tantas vezes ela me revela algo novo. Fiquei comovida ao ler essa entrevista. E, finalmente, parafraseando Clarice, ela é "indizível". Paz pra vc, Janaína e obrigada pelo vídeo. Abraço
JANAÍNA: Oi, AB. Lindo o seu comentário, resumiu o que senti ao ver a entrevista. Abração.
Posted by: abferreira | August 26, 2008 08:23 PM
“Mas agora sei de algo horrível: sei o que é precisar, precisar, precisar. E é um precisar novo, num plano que só posso chamar de neutro e terrível. É um precisar sem nenhuma piedade pelo meu precisar e sem piedade pelo precisar da barata. Estava sentada, quieta, suando, exatamente como agora — e vejo que há alguma coisa mais séria e mais fatal e mais núcleo do que tudo o que eu costumava chamar por nomes. Eu, que chamava de amor a minha esperança de amor.” Linda Clarice! (É, vai ver que Pênia era mesmo mãe de Eros). Um beijo transparente, sem cifras, para você Janaína.
JANAÍNA: Todos os beijos são bem-vindos, inclusive esses assim, sem eira nem beira. E é lindo o trecho que você escolheu. Ando há semanas com "Água Viva" na cabeça: "Tenho que interromper pq - eu não disse? eu não disse que um dia ia me acontecer uma coisa? Pois aconteceu agora mesmo."
Posted by: Alexandre | August 26, 2008 10:11 PM