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Valdo Cruz, na Folha, toca em uma ferida que sangrará daqui a pouco, a briga pelos canais de TV paga. Alguns trechos:
"... De um lado, a Globo trabalha para derrubar o sistema de cotas de canais e de conteúdo nacional na TV paga tal como está proposto, sob o argumento de que ele vai tornar o serviço mais caro e afetar a qualidade da programação.Do outro, grupos como Abril, Band e Record, apoiados pelos produtores independentes, defendem as cotas criadas pelo relator do projeto na Câmara, deputado Jorge Bittar (PT-RJ), pronto para ser votado na Comissão de Ciência, Tecnologia e Comunicação.
Esses grupos alegam que as cotas de canais e conteúdo nacional vão estimular a concorrência na TV paga brasileira, ao criar um mercado mínimo para produtoras que hoje têm dificuldades para conseguir espaço nesse setor.
Traduzindo: está em disputa o negócio de fornecimento de conteúdo nacional para a TV por assinatura, hoje dominado pela Globosat com seus canais esportivos e de notícias.
Concentração que se repete na distribuição do serviço no país: dois grupos controlam quase 80% desse mercado -Net (associação entre a Globo e o mexicano Carlos Slim) e Sky (controlada pelo grupo americano Liberty Media, com participação da Globo).
Com a entrada em peso das teles fixa no setor, a partir das mudanças na legislação atual, a estimativa é que o número de assinantes salte dos pouco mais de 5,3 milhões de hoje para 18 milhões em 2018.
Um mercado que, crescente, tende a atrair parte do bolo publicitário do setor de mídia, estimado hoje em R$ 8 bilhões anuais -90% vão para a TV aberta, concentrado na Globo."
Que as teles entraram na briga é claro. E os outros grupos de mídia? Vejamos.
1) A Folha é sócia das Organizações Globo no jornal Valor Econômico e da Portugal Telecom no UOL.
2) A Abril vendeu a TVA para a Telefónica (numa operação que elevou a concentração de mercado no estado de São Paulo a níveis ridículos).
3) Dos grandes da imprensa sobra O Estadão, aquele sobre o qual pesam especulações de venda. Para quem mesmo? A princípio, para a Globo ou para a Abril.
Se a escolhida for a Globo, como fica a parceria no Valor? E a Agência Estado vai se fundir ao portal de notícias da Globo, o G1? E a Folha vai ficar quieta com o avanço da Globo sobre o mercado paulista? Pelo tom da reportagem do Valdo, que foi diretor da sucursal de Brasília e hoje é repórter especial, não parece.
Por fim, bom observar que alguns nomes passaram ao largo dessa primeira análise: SBT (eternamente à venda na boataria, mas eternamente feudo de Silvio Santos na prática), Brasil Telecom, Oi (ex-Telemar) e Telecom Itália, a dona da TIM.
O jogo está ficando interessantíssimo. Acho que vou começar a acompanhá-lo.
Comments
A Abril vai apoiar o sitema de cotas? Isso vai totalente de encontro à ideologia da revista Veja. Se houver contaminação na revista, será no minimo exótico vê-la defendendo esse projeto.
JANAÍNA: Cotas universitárias não são o mesmo que cotas de empresa, vai saber... Esse é daqueles que episódios onde a observação depende de paciência. Abração, Gabriel.
Posted by: Gabriel | July 6, 2008 08:07 PM
Não, eu estava falando das cotas para produção nacional. A Veja geralmente se posiciona contra essas medidas, porque são interferencia na liberdade de mercado, e tal.
JANAÍNA: Dizem que evoluir é mudar de opinião... :) Mas eu estou palpitando sem nunca ter trabalhado por lá. Talvez seja apenas impressão. Abraços.
Posted by: Gabriel | July 6, 2008 11:10 PM
Sou totalmente contra essas cotas. Virou palhaçada. Eu quero cota também ora bolas. Ser artista no Brasil virou profissão sem risco.
Quando a produção é boa ela consegue mercado.
Eu pago (caro) pela TV a Cabo justamente para me ver livre dessas porcarias.
JANAÍNA: Também acho sem pé nem cabeça e aviltante. É mais uma da série "brasileiro precisa da muletinha do governo". Muito irritante. Abraço.
Posted by: Pablo Vilarnovo | July 7, 2008 04:39 PM
Muito boa a perspectiva que o texto da folha nos dá. Só reforça a impressão de que esta resolução que quer obrigar a exibição de mais produções nacionais, provavelmente irá nivelar o mercado por baixo.
É certo que o bolo vai ficar melhor dividido, mas quem perde -- além da globo -- é o consumidor. Ficando obrigado a assistir uma programação pior.
Acho que estão apenas maquiando uma tentativa de divisão do bolo publicitário com um nacionalismo boboca, fingindo que vão melhorar o conteúdo das produções nacionais, investir na cultura brasileira e etc...
Se as produções nacionais não tem como se sustentar sem a ajuda do governo, deveriam rever seus próprios métodos ao invés de nos forçar o que acham que temos que assistir.
JANAÍNA: Faço minhas as suas palavras. Abração, Conselheiro.
Posted by: Conselheiro Acácio | July 7, 2008 06:05 PM
O Estadão vai ser vendido mesmo, então?
JANAÍNA: Ainda não sei de nenhum desfecho, Adriano. Abraço.
Posted by: Adriano | July 8, 2008 10:39 AM