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July 01, 2008

O Planalto e o dragão

O presidente da República, dono de 58% de aprovação, segundo a pesquisa CNI/Ibope, chamou de "insensível" quem classificou como eleitoreiro o reajuste de 8% nos beneficios do Bolsa Família. "Estamos dando o reajuste porque temos condições de dar, porque tem no Orçamento dinheiro para dar esse reajuste", afirmou.

Será? O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), usado para medir a inflação, teve a alta de 6,8% no semestre. Superou a rentabilidade de todos os investimentos no País. A taxa inflacionária, aliás, é a principal preocupação dos brasileiros _ 65% dos entrevistados temem a remarcação de preços.

O medo não é apenas local. O Banco de Compensações Internacionais, também conhecido como banco central dos bancos centrais, acredita que "o mundo vive hoje a maior turbulência financeira desde a Segunda Guerra e que a união de desaceleração econômica e inflação está empurrando para um 'ponto crítico' a economia global".

Ou seja, mais do que temer a própria inflação, há que se temer a expectativa que está se espalhando como gripe espanhola por todo o mundo.

O governo do Brasil, pelo que disse o presidente, parece estar imune ao pessimismo ganha espaço a cada dia e torna a crise uma profecia auto-realizável. Até aí tudo bem. O problema é a área política achar que nossa situação é boa o suficiente para criar gatilhos no pagamento de salários e benefícios.

Eles poderão significar um belo empurrão para o governo consolidar uma base de prefeitos robusta após as eleições, mas certamente haverá um efeito colateral perigosíssimo: o rombo nas contas do Estado.

O BIS, aliás, avisou aos emergentes para não ir com tanta sede ao pote e cuidar da inflação. Tendo em vista que o próprio presidente da República reconhece os feitos na área econômica como os mais bem sucedidos, não custaria um pouquinho de coerência. O Real foi uma conquista árdua e que precisa de todo o cuidado.

Para mim, o reajuste do bolsa-família é uma medida eleitoreira e perigosa. Infelizmente.

Com a palavra os economistas.

Postado por Janaína Leite às |



Comments

Se o governo tem condições, então por que não reajusta o valor das aposentadorias cujo valor real diminui a cada ano? Com a diferença de que os aposentados pagaram pelo que recebem. Se o Lula não tem objetivos eleitoreiros então por que ele quer estender o bolsa família para jovens de 16 anos?

JANAÍNA: O pior, Ben, é que na minha opinião é um objetivo eleitoreiro, míope e que pode nos causar grandes problemas... Abraços.

Não há por que duvidar, até este momento, da responsabilidade fiscal do governo. Em relação ao período presidencial anterior, houve um aumento expressivo do superavit fiscal, passando de 3% do PIB para 4,25 nos primeiros 4 anos e agora 3,8%( na comunidade européia o superavit se situa no patamar de 2%). Por outro lado, foram feitos acordos salariais com todas as categorias do funcionalismo público federal para os próximos 3 anos, excluindo-se portanto a indexação. Aparentemente o perigo da nflação deve vir do mercado especulativo (commodities) e, diferentemente de outros tempos, estaremos ombro a ombro com os demais países no mundo na luta contra a inflação.

JANAÍNA: Muito boas as suas ponderações, Sérgio. O risco das commodities é o iminente, concordo. Mas você acha que não há risco no médio prazo de desequilíbrio nas contas? Parece a mim que vivemos um momento favorável para a atração de investimento estrangeiro, mas falta a consolidação de inúmeros fatores, como marcos regulatórios, para garantir a permanência desse dinheiro por algo além de algumas temporadas? E se houver mesmo recessão pesada nos EUA? Abração.

Vamos memorizar este índice -- 8%. Vou me lembrar dele quando, no dissídio coletivo, os bancos federais liberarem um reajuste menor para nós, bancários, a despeito das "condições de dar" citadas pelo chefe do Executivo.
Ocorre que alguns são maioria votante, outros são só a classe média, que pode -- e precisa -- ser sacrificada. Alguém tem que pagar o preço, afinal...

JANAÍNA: É que a gente tem o coração grande e o bolso fundo, Filipe. Além de ser uma parcelinha espremida entre os endinheirados e os sem-tostão. Abraços.

A inflação - IPCA - deve ficar abaixo dos 8%. Porém, há que se considerar que o BF cobre principalmente os mais pobres e é utilizado principalmente para alimentação. No setor alimentar a inflação pegou mais (até porque ela é, atualmente, um dos itens que mais tem puxado a alta dos preços) - na casa dos 10%.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u361710.shtml

Ou seja, o reajuste do BF foi até abaixo da inflação experimentada pelo beneficiários.

[]s,

Roberto Takata

JANAÍNA: Você foi na veia, Roberto. As pessoas que recebem o BF certamente são as que mais sentem os efeitos da taxa inflacionária. Não seria melhor, portanto, prevenir que a espiral ganhe força por meio de "compensações"? Abração.

Oi, Janaina,

Foi o dilema - deixar os beneficiários terem sua renda erodida ou recompô-la sob ameaça de retroalimentar (com e sem trocadilhos) o momento inflacionário?

Do meu ponto de vista, seria cruel deixar os pobres à míngua.

O governo tentou uma espécie de meio-termo - não fez a reposição total: foi de 8% frente à inflação de dois dígitos. (Além de sinalizar com aperto fiscal.)

A se conferir o resultado.

[]s,

Roberto Takata

JANAÍNA: É verdade. Temos de esperar. O principal agora é ver o efeito das novas medidas, anunciadas hoje, Abraço.

Vamos acabar com o bolsa familia, nos nao precisamos dessas compensaçoes. com a palavra quem precisa do bolsa familia.

JANAÍNA: Sei que faz diferença, já discuti isso aqui no blog ( http://arrastao.apostos.com/2008/03/assistencialismo_corrupcao_e_i.html ). Abraço.

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