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O presidente da República, dono de 58% de aprovação, segundo a pesquisa CNI/Ibope, chamou de "insensível" quem classificou como eleitoreiro o reajuste de 8% nos beneficios do Bolsa Família. "Estamos dando o reajuste porque temos condições de dar, porque tem no Orçamento dinheiro para dar esse reajuste", afirmou.
Será? O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), usado para medir a inflação, teve a alta de 6,8% no semestre. Superou a rentabilidade de todos os investimentos no País. A taxa inflacionária, aliás, é a principal preocupação dos brasileiros _ 65% dos entrevistados temem a remarcação de preços.
O medo não é apenas local. O Banco de Compensações Internacionais, também conhecido como banco central dos bancos centrais, acredita que "o mundo vive hoje a maior turbulência financeira desde a Segunda Guerra e que a união de desaceleração econômica e inflação está empurrando para um 'ponto crítico' a economia global".
Ou seja, mais do que temer a própria inflação, há que se temer a expectativa que está se espalhando como gripe espanhola por todo o mundo.
O governo do Brasil, pelo que disse o presidente, parece estar imune ao pessimismo ganha espaço a cada dia e torna a crise uma profecia auto-realizável. Até aí tudo bem. O problema é a área política achar que nossa situação é boa o suficiente para criar gatilhos no pagamento de salários e benefícios.
Eles poderão significar um belo empurrão para o governo consolidar uma base de prefeitos robusta após as eleições, mas certamente haverá um efeito colateral perigosíssimo: o rombo nas contas do Estado.
O BIS, aliás, avisou aos emergentes para não ir com tanta sede ao pote e cuidar da inflação. Tendo em vista que o próprio presidente da República reconhece os feitos na área econômica como os mais bem sucedidos, não custaria um pouquinho de coerência. O Real foi uma conquista árdua e que precisa de todo o cuidado.
Para mim, o reajuste do bolsa-família é uma medida eleitoreira e perigosa. Infelizmente.
Com a palavra os economistas.
Comments
Se o governo tem condições, então por que não reajusta o valor das aposentadorias cujo valor real diminui a cada ano? Com a diferença de que os aposentados pagaram pelo que recebem. Se o Lula não tem objetivos eleitoreiros então por que ele quer estender o bolsa família para jovens de 16 anos?
JANAÍNA: O pior, Ben, é que na minha opinião é um objetivo eleitoreiro, míope e que pode nos causar grandes problemas... Abraços.
Posted by: Ben | July 1, 2008 07:07 AM
Não há por que duvidar, até este momento, da responsabilidade fiscal do governo. Em relação ao período presidencial anterior, houve um aumento expressivo do superavit fiscal, passando de 3% do PIB para 4,25 nos primeiros 4 anos e agora 3,8%( na comunidade européia o superavit se situa no patamar de 2%). Por outro lado, foram feitos acordos salariais com todas as categorias do funcionalismo público federal para os próximos 3 anos, excluindo-se portanto a indexação. Aparentemente o perigo da nflação deve vir do mercado especulativo (commodities) e, diferentemente de outros tempos, estaremos ombro a ombro com os demais países no mundo na luta contra a inflação.
JANAÍNA: Muito boas as suas ponderações, Sérgio. O risco das commodities é o iminente, concordo. Mas você acha que não há risco no médio prazo de desequilíbrio nas contas? Parece a mim que vivemos um momento favorável para a atração de investimento estrangeiro, mas falta a consolidação de inúmeros fatores, como marcos regulatórios, para garantir a permanência desse dinheiro por algo além de algumas temporadas? E se houver mesmo recessão pesada nos EUA? Abração.
Posted by: Sérgio Cintra | July 1, 2008 08:46 AM
Vamos memorizar este índice -- 8%. Vou me lembrar dele quando, no dissídio coletivo, os bancos federais liberarem um reajuste menor para nós, bancários, a despeito das "condições de dar" citadas pelo chefe do Executivo.
Ocorre que alguns são maioria votante, outros são só a classe média, que pode -- e precisa -- ser sacrificada. Alguém tem que pagar o preço, afinal...
JANAÍNA: É que a gente tem o coração grande e o bolso fundo, Filipe. Além de ser uma parcelinha espremida entre os endinheirados e os sem-tostão. Abraços.
Posted by: Filipe TBD | July 1, 2008 02:51 PM
A inflação - IPCA - deve ficar abaixo dos 8%. Porém, há que se considerar que o BF cobre principalmente os mais pobres e é utilizado principalmente para alimentação. No setor alimentar a inflação pegou mais (até porque ela é, atualmente, um dos itens que mais tem puxado a alta dos preços) - na casa dos 10%.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u361710.shtml
Ou seja, o reajuste do BF foi até abaixo da inflação experimentada pelo beneficiários.
[]s,
Roberto Takata
JANAÍNA: Você foi na veia, Roberto. As pessoas que recebem o BF certamente são as que mais sentem os efeitos da taxa inflacionária. Não seria melhor, portanto, prevenir que a espiral ganhe força por meio de "compensações"? Abração.
Posted by: Roberto Takata | July 1, 2008 10:41 PM
Oi, Janaina,
Foi o dilema - deixar os beneficiários terem sua renda erodida ou recompô-la sob ameaça de retroalimentar (com e sem trocadilhos) o momento inflacionário?
Do meu ponto de vista, seria cruel deixar os pobres à míngua.
O governo tentou uma espécie de meio-termo - não fez a reposição total: foi de 8% frente à inflação de dois dígitos. (Além de sinalizar com aperto fiscal.)
A se conferir o resultado.
[]s,
Roberto Takata
JANAÍNA: É verdade. Temos de esperar. O principal agora é ver o efeito das novas medidas, anunciadas hoje, Abraço.
Posted by: Roberto Takata | July 2, 2008 01:45 AM
Vamos acabar com o bolsa familia, nos nao precisamos dessas compensaçoes. com a palavra quem precisa do bolsa familia.
JANAÍNA: Sei que faz diferença, já discuti isso aqui no blog ( http://arrastao.apostos.com/2008/03/assistencialismo_corrupcao_e_i.html ). Abraço.
Posted by: marcelo | July 2, 2008 05:05 PM