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June 26, 2008

Van Gogh

"Etten, 12 de novembro de 1881.
Mas precisamente porque o amor é tão forte, nós geralmente não somos fortes durante a nossa juventude (quero dizer 17, 18, 20 anos) para conseguir segurar firme nosso leme.

Veja, as paixões são as velas dos barquinhos.

E alguém com 20 anos abandona-se inteiramente a seus sentimentos, apanha vento demais nas águas e seu barco faz água -- e naufraga -- a não ser que ele se recupere.

Alguém que em compensação iça em seu mastro a vela Ambição e singra direto pela vida, sem acidentes, sem sobressaltos, até que -- até que enfim, enfim aparecem circunstâncias que o fazem observar: não tenho velas o bastante, e diz então: daria tudo o que tenho por um metro quadrado de vela a mais e não tenho. Ele se desespera.

Ah! mas então ele reconsidera e imagina poder utilizar uma outra força; ele pensa na vela até então guardada no porão. E é esta vela que o salva.

A vela 'Amor' deve salvá-lo, e se ele não a içar, ele não chegará nunca."

Vincent Van Gogh, em "Cartas a Théo".

Postado por Janaína Leite às |



Comments

SER JOVEM E APAIXONADO...TENHO SAUDADES DAS DUAS COISAS!

BOCCATO
PS: MAS A MINHA HARLEY SEMPRE AJUDA NESTAS HORAS...VRUMMMMMMM!

JANAÍNA: Ah, mas a Harley é uma paixão atemporal, não? Você me fez rir muito agora, Paulo. Abração!

Os mais geniais são sempre os mais atormentados, não é? Que coisa. Deve ser o tal "temperamento artístico" mesmo.
Beijinho

JANAÍNA: É verdade. Lembrei de Modigliani agora, que eu também adoro. No caso do Van Gogh, a simbiose dele com o irmão resultou em vidas incompletas para ambos. É uma linda (e triste) história de qualquer forma. Beijo, linda!

Ah, mas quem é gênio é gênio MESMO - escrevendo ou pintando.

JANAÍNA: As cartas de Van Gogh são maravilhosas. O compilado é um dos meus livros prediletos. Em uma delas, quando ele conta ao irmão que está apaixonado pela prima, ele pondera sobre as condições do amor. O Charlie Kaufman usou algo parecido em "Adaptação" na hora em que os gêmeos interpretados pelo Nicholas Cage estão perdidos no pântano.

"Donald Kaufman: I loved Sarah, Charles. It was mine, that love. I owned it. Even Sarah didn't have the right to take it away. I can love whoever I want.
Charlie Kaufman: But she thought you were pathetic.
Donald Kaufman: That was her business, not mine. You are what you love, not what loves you. That's what I decided a long time ago."

Eu adoro esse diálogo. Beijão!

Triste verdade...quando nos lembramos tardiamente da vela esquecida no porão.

JANAÍNA: Se deu tempo de lembrar, Dora, ainda é possível içá-la. Sou, como Van Gogh, do partido dos (maluquinhos) otimistas. Um beijo grande, querida!

Maravilhosa esta carta pinçada entre as 750 (acho eu) ainda mais brindada com absinto!

JANAÍNA: Bom que você gostou. Tenho umas cinco preferidas entre as tantas, a de Etten é uma delas. E o filme é muito bem feitinho, não é? Grande abraço.

O ruim é acordar sem vela, sem vento, sem barco, sem água, e longe dos 17, 18, 20 anos...

JANAÍNA: Aí é fechar os olhos e sonhar de novo... :-) Beijo, querido.

Tô pra comentar faz tempo, mas só agora consegui: eta link bom pro Vincent esse q vc deixou, da Folha. Aliás, comprei meu exemplar das cartas agora! Da LP&M, edição revisada, quase 500 páginas - 15 contos! Beijo e, as usual, obrigado.

JANAÍNA: Oi, querido. Eu também achei esse link bacanérrimo, página super bem editada. Depois me conta se você gostou do livro. Um beijo grande.

pode-se ser velho e apaixonado
a paixão tem idade?
espero a resposta

JANAÍNA: Não só pode como deve, ora! Tem algo mais gostoso do que estar apaixonado? :-D Abraços.

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