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June 04, 2008

É bomba

Políticos do meu Brasil, esfreguem as mãozinhas e gargalhem à vontade. Vem aí o Bolsa-Empreiteira.

Da Folha de S.Paulo:

"O ministro Edison Lobão (Minas e Energia) disse à Folha que o governo "vai construir mais quatro usinas nucleares no Nordeste e no Sul do país", além de retomar as obras de Angra 3 ainda neste ano.

Segundo Lobão, já há uma predefinição do governo pela construção das novas usinas nucleares e muito provavelmente "serão duas no Nordeste e duas no Sul". "Estamos na fase final do processo de estudos para definir detalhes, como a localização das novas usinas", revelou o ministro, que defende a energia nuclear como fonte segura para o país."

O pessoal da Andrade Gutierrez, que já andava feliz com o governo por ter conseguido comprar a Brasil Telecom com dinheiro do BNDES, mesmo sem a lei permitir a aquisição, deve estar impossível. Mais uma vez Lobão:

"Quanto à retomada das obras de Angra 3, o ministro avalia que dentro de 'dois a três meses' o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) concederá a licença para o reinício da construção.

Angra 3 deve entrar em operação em 2013, com investimentos de R$ 7,2 bilhões e potência para gerar 1.350 megawatts. As obras, paralisadas há mais de 20 anos, serão tocadas pela construtora Andrade Gutierrez, vencedora da licitação ainda no governo militar."

O contrato-matusalém é o maior escândalo na história das licitações brasileiras e ninguém fala nada. No lugar de fazer um novo edital, o governo decidiu renegociar o documento antigo. Teria pesado o fato de o dono da empresa ser amigo do presidente da República e um dos maiores financiadores de campanha do país?

Imagine a correção monetária em cima de todos os governos e planos econômicos que sucederam os militares. Pense também nos detalhes legais que foram alterados desde que o tal contrato foi firmado. Fácil pescar que não houve discussão pública suficiente sobre o assunto, mas tudo bem.

Janaína, você é contra a energia nuclear? Não. Nem contra, nem a favor. A exemplo da história das cotas universitárias, esse é um assunto sobre o qual tenho dificuldade de formar opinião. Sempre acho que faltam informações para decidir de forma justa.

O que estou dizendo aqui é apenas o óbvio: esse contrato é dinheiro que não acaba mais _ R$ 7,2 bilhões. Dois terços de tal valor será empregado na importação de mão-de-obra, máquinário e serviços.

As outras empreiteiras jamais deixarão a Andrade abocanhar tudo sozinha. Devem estar com tudo arranjadíssimo, pois os russos não bobeiam.

É aí que está o perigo.

Boa parte das maracutaias de financiamento de campanha feitas no Brasil passa pelas obras públicas. A ganhadora da concorrência contrata subempreiteiras, que superfaturam serviços usando uma rede de emissores de notas falsas. Ao mesmo tempo, "perdem" dinheiro no mercado financeiro por meio da corretora "x", enquanto outras empresas de fachada ganham na corretora "y". Os recursos são enviados para paraísos fiscais e de lá espalham-se em contas no exterior. É o esquema da Alstom e de parte do mensalão, por exemplo.

Uma lástima. Mas eu não sou político e sequer trabalho como repórter. Minha perspectiva tem pouca importância. Cobre o seu jornal ou a sua revista para que faça uma matéria decente sobre o assunto.

Postado por Janaína Leite às |



Comments

Oi Janaína, adorei seu "cantinho". Muitas discussões interessantes.

Contrato desde o período militar? Caramba

Eu acho, no entanto, que a compra da BrT pela Telemar foi legal. Isso dá pelo fato que não foi a Telemar que comprou, e sim o CreditSuisse. É claro que o CS fez um acordo com a Telemar, para que quando a lei de outorga fosse derrubada ela pudesse ter a BrT. Deve ter mesmo um interesse político aí no meio que eu não vejo, mas como era meio que certo a derrubada da lei e os preços da Brt estavam se deslocando muito depois que todo mundo ficou sabendo(o que pode causar um prejuizo grande). Acho que não tem muito problema, agora o papel no BNDES aí é outros quinhentos, isso rende um discussão bemmmmm longa.

Abs!

JANAÍNA: Oi, Pedro. Tudo bem? Seja bem-vindo ao Arrastão. Pois é, o pessoal da Telemar é muito bom de negócios, está aí algo que nunca questionei. A saída do Credit foi bem pensada. De qualquer forma, acho errado o governo abençoar uma transação desse tipo sem a mudança na lei. Sobre o BNDES... Bom, acho que ainda haverá muito pano nessa manga. Abs!

Tirando o seu corpinho fora, Jana? Não, vamos cobrar você, sim! E processá-la, ainda por cima! Aquele amigo italiano lá com quem você se consultou e que, em toda sua lucidez, acabou colocando o peso da xenofobia nos ombros da esquerda fraternal e humanista? Era o Diogo!

Parem de tramar contra o Brasil!!!!

Por que vocês não gostam do governo popular? Todo mundo gosta.

Só ver as pesquisas, ó.

P.S.: O "ó" é a corrupção da visão, que só existe no português, alguém me corrija? Eu sempre fiquei espantada com esse aspecto do português: "olha" virou "ó", até o olhar foi corrompido. Daí que ninguém saiba de nada, ninguém veja nada, e tudo mais.

Ah, não, estou caindo de novo na teia dos golpistas. Preciso sair, não serei mais um inseto a ser diluído nos interstícios estomacais dos aracnídeos que querem envenar o governo operário. Não serei este inseto! Aceito ser qualquer outro, não este.

Sim, Jana, UDENISTA, sim, e mais, eu não completei, um "udenista ressentido", o que é muuuuuuuuito pior em termos taxonômicos.

Mas eu visito vocês dois na cadeia, com toda minha beleza. E levo umas lembrancinhas típicas da Ucrânia (ou seja, nada). Risos.

JANAÍNA: Ok, a "udenista ressentida" entende seu ponto de vista. Porém, discordo num ponto: na cadeia, vou querer a minha pessânka! :-D

Querem mesmo destruir toda a fauna e flora deste pais...

JANAÍNA: Pois é... Um grande abraço para você, Bira.

oi Janaina.

Vi uma entrevista do Washington Novaes afiramndo que não há necessidade de uma 3º usina.

e o pior,Washington disse que o governo não trata fazer o lixo tóxico mas, pretende fazer um leilão entre os municípios e ao ganhador em vez de batatas, o lixo tóxico e todo o problema.

abs

JANAÍNA: A discussão sobre a necessidade da usina é muito complexa, acompanho com interesse o assunto. Mas era inegável a necessidade de uma revisão do contrato, fechado em mil-e-novecentos-e-adão-e-eva. Estamos no Brasil, porém. E abaixo do Equador não existe pecado _ ou, melhor, não existe punição para quem apronta. Todo mundo faz o que quer. Abraços.

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