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Encontrei o excelente artigo reproduzido abaixo, intitulado "Cidade mafiosa" e escrito pelo ex-capitão do Bope Rodrigo Pimentel, roteirista do filme "Tropa de Elite", no blog de Mauro Ventura.
"Na cidade mafiosa, jornalistas são barbaramente torturados por integrantes de milícia no mesmo mês em que uma bomba é lançada contra uma delegacia de polícia em uma típica ação terrorista. Em ambos os crimes, as investigações chegam à Assembléia Legislativa. No primeiro caso, um dos acusados de comandar a sessão de espancamento, segundo a própria polícia, seria integrante do gabinete do vice-presidente da casa; no segundo caso o mandante seria um deputado do partido do atual prefeito.Na cidade mafiosa, a Polícia Civil, agora despolitizada, descobre que na casa onde 50% dos representantes respondem a processos criminais que vão de homicídios até formação de quadrilha, se conectam os crimes praticados nas ruas.
Nessa mesma cidade, 40 deputados, agora jurisconsultos, contrariando parecer dos procuradores federais, alegando inconstitucionalidade da prisão, resolvem soltar o ex-chefe de polícia e colega deputado.
Deputados, ingênuos ou mesmos coniventes, entendem que imunidade parlamentar não se aplica apenas a crimes de opinião, típica do mandato, mas à formação de quadrilha armada e ao enriquecimento ilícito.
De repente, em uma tarde comum na cidade mafiosa, um deputado do partido do governo vai ao plenário defender as milícias. Ora, afinal, é a mesma cidade em que concessões de linhas de ônibus municipais não são licitadas há 30 anos, facilitando o surgimento de transportes ilegais, principal fonte de renda das milícias.
Na cidade mafiosa, aos olhos de todos, policiais militares em motocicletas abordam e extorquem motoristas com IPVA atrasado, após consultar as placas, não nos rádios da corporação mas em aparelhos Nextel.
Na cidade mafiosa, um grupo abnegado e corajoso de delegados, procuradores e jornalistas tenta, timidamente, há mais de seis anos, através de colunas, denúncias e pronunciamentos, acordar seus companheiros para a grande organização criminosa que surge no Estado.
Nessa cidade, a Polícia Federal prendeu mais policiais civis e militares que as corregedorias destas duas polícias juntas. É mesma cidade em que a Polícia Federal também prendeu seus integrantes e indiciou delegados e agentes. Nessa cidade, agora também, a Polícia Civil prende e indicia vereadores e deputados, algo até então inimaginável na cidade mafiosa.
Os ingênuos deputados não acordaram que a premissa básica para existência do crime organizado é a simbiose com o poder estatal e isso já foi alcançado não pelo tráfico de drogas, mas pelos caças-níqueis, pelas milícias, pelas vans piratas e pela máfia dos combustíveis - aliás muito em breve os deputados estarão votando também pela liberdade de colegas representantes destas máfias.
Na cidade mafiosa, o secretário de Segurança Pública, o primeiro nos últimos dez anos com credibilidade necessária para estar à frente da função, continua insistindo nas ações de enfrentamento para desestabilizar o tráfico e apreender armas.
Cada vez mais mortes nas favelas não traduzem tranqüilidade ou paz, nem para os moradores dos morros, nem aos moradores do asfalto.
Em breve perceberá o secretário de Segurança Pública que, na cidade mafiosa, as ações nas casas legislativas são mais urgentes, eficazes e necessárias que as operações nas favelas.
Por último, na cidade mafiosa, um senador, candidato a prefeito, determina que o Exército ocupe uma favela contrariando diretrizes do comando da força e violando a Constituição Federal."
Comments
POBRE RIO...NAO TEM CULPA DE NADA !
A CIDADE QUE DORMIU CAPITAL DA REPUBLICA E QUE ACORDOU APENAS COM O STATUS DE 'BALNEARIO' , DEVE EM BOA PARTE SUA DECADENCIA A DOIS FATORES...
1-) NOSSAS 'OTORIDADES' QUE SEMPRE FAZEM O QUE BEM ENTENDEM SEM SOPESAR OS EFEITOS FUTUROS DE SEUS ATOS (E AÍ JUSCELINO ?)...E...
...2-) AO UMA CERTA CARICATURA DE SI MESMO , DADO O 'CARIOQUISMO',
RIBOMBADO E AMPLIFICADO ENQUANTO 'CULTURA' POR UMA ONIPRESENTE E ONIPOTENTE REDE 'GROBO' AFORA OS CHICO DA VIDA E SUA EXALTAÇÃO AO 'MACUNAÍMA DE FRENTE PRO-MAR-MALANDRO-DO MORRO'...!
O RIO DEVERIA TER CONTINUADO COM O STATUS DE CAPITAL POLÍTICA DO BRASIL (BRASÍLIA DEVERIA SER CAPITAL ADMINISTRATIVA APENAS)
E A INFLUENCIA DA GLOBO E DA CLASSE ARTISTICA (MAJORITARIMENTE DE LÁ) NO DEVERIA TER ESTE PODER DE 'IMPERIALIZAR' INTERNAMENTE O BRASIL COMO UM TODO !!
POBRE RIO !!
POBRE BRASIL !!!
Posted by: PAULO BOCCATO | June 20, 2008 04:47 PM
O que fizeram com o Rio de Janeiro foi um verdadeiro crime. Tiraram a burocracia federal, e não colocaram nada no lugar. Resultado, desemprego, pobreza e favelas, 21 anos de ditadura, politicos corruptos já que devido a distancia ninguém vai lá reclamar.
JANAÍNA: Nossa Romeu, pensamos do mesmo jeito. Um grande abraço.
Posted by: romeu radaic | June 20, 2008 07:08 PM
...girando pela internet...também muito bom artigo...
Luís Mauro Ferreira Gomes
Em 17 de junho de 2008
O ataque cerrado às Forças Armadas brasileiras continua cada vez mais intenso.
Desta feita, o instrumento usado foi assassinato de três jovens depois de terem sido presos por militares e, inexplicavelmente, entregues, pelos coatores, a traficantes de uma facção rival.
Imediatamente, várias autoridades passaram a dar declarações preconceituosas, com o objetivo de debitar ao Exército, como instituição, a responsabilidade pelo crime, cujos autores, ao contrário do que normalmente ocorre, já foram identificados e presos.
Para o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, o Exército tornou-se "um protagonista nocivo, na tragédia de horrores imposta aos moradores". Que a tragédia foi um horror, nem era preciso dizer, mas ver nocividade no Exército seria como considerar a OAB nociva, porque alguns advogados transportam droga para traficantes ou transmitem sentenças de morte geradas dentro dos presídios, para os criminosos que as executarão do lado de fora.
As manifestações de indignação quase histéricas, cuidadosamente encenadas por alguns, não se justificam, pois os culpados serão, inevitavelmente, condenados.
E o serão, justamente, por serem militares. Dissemos "justamente", porque os militares não adotam a lógica do presidente e de seus seguidores, para os quais o aparelho repressor do Estado serve, apenas, para constranger adversários políticos.
Os aliados são sempre intocáveis. Onde estarão, agora, os "mensaleiros"; os "cuequeiros"; os "sanguessugas"; os mafiosos da saúde; os "aloprados"; os usuários dos cartões de crédito ditos corporativos; os autores do dossiê da Casa Civil; os traficantes de influência da venda irregular da VARIG; os assassinos dos prefeitos do PT, vitimados em meio à queima de arquivos, nos escândalos de desvio de dinheiro público; os ministros; os parentes e os amigos do presidente?
Como se vê, nenhum desses casos envolvia militares. A impunidade só vigora nos meios castrenses, quando imposta pela Justiça, contaminada pelos "defensores dos direitos humanos", mais interessados em quebrar a espinha dorsal das Forças Armadas, demolindo-lhes os princípios basilares da Hierarquia e da Disciplina.
Ninguém verá a "tropa de choque" do Exército ser chamada para "blindar" criminosos. Esta será preservada para usos mais nobres, quando tal se fizer necessário.
A Força Terrestre sempre procurou evitar o seu emprego em operações de Garantia da Lei e da Ordem, sem o cumprimento de todos os ritos legais.
O que, então, estaria o Exército fazendo no Morro da Providencia?
Infelizmente, o presidente envolveu, indevidamente, os militares, coagindo-os, como Comandante Supremo das Forças Armadas, a participar de um projeto de cunho político-partidário, para favorecer o seu candidato à prefeitura do Rio de Janeiro.
Assim, a indignação presidencial com o envolvimento de militares no crime, só se explicaria pelo desgaste que isso possa ter causado ao seu candidato.
Em verdade, o presidente deve estar exultante.
A exposição da sua política indigenista antinacional e criminosa deflagrou um intenso esforço para desacreditar o Exército, utilizando-se, inclusive, do recurso à baixaria, com a exploração, nos meios de comunicação, das declarações de militares homossexuais desajustados. Um presente desses deve tê-lo deixado muito feliz.
O presidente "indignado" mandou, então, o ministro da defesa acompanhar as investigações. Ressuscitado, agora, depois do grande silêncio obsequioso a que se viu condenado, quando foi confrontado pelo Alto-Comando do Exército em decorrência de suas bravatas iniciais, o ministro não nos parece, mercê do seu passado, a melhor pessoa para acompanhar qualquer investigação.
E ele não perdeu tempo. Tratou, logo, de tirar proveito da situação, ao augurar, em busca de mais quinze minutos de fama, uma reação forte, da sociedade, e radical, da Justiça, contra o nosso Exército. Novamente, a avaliação do ministro foi equivocada. Reação forte da sociedade, quando houver, será contra esse governo desastroso.
Contra as Forças Armadas, somente as manifestações orquestradas pelos inimigos tradicionais e já conhecidos, para os quais tudo vale, desde que seja para destruí-las.
O Exército Brasileiro é instituição permanente e continuará respeitado por todos, muito depois que os nossos maus governantes tenham sido varridos da História.
Até o ministro Tarso Genro saiu do limbo e voltou a "deitar falação".
A contaminação ideológica é tanta, que ninguém fala dos traficantes do Morro da Mineira, os verdadeiros assassinos dos rapazes, nem do absurdo de existirem, na cidade, com a tolerância do Estado, áreas controladas por essa ou por aquela facção criminosa. O Ministro da Justiça, tão diligente contra os rizicultores, também silenciou sobre isso. Só interessa ferir, de morte, o Exército. Mais uma vez, fracassarão.
Mas a responsabilidade do presidente vai muito além do que já foi dito.
Com os baixos soldos, as graves restrições orçamentárias e o desprestígio que têm sido impostos às Forças Armadas, a seleção de pessoal ficou muito prejudicada. O recrutamento de militares nas áreas controladas por traficantes e a sensação de impunidade generalizada, sem dúvida, contribuíram para essa barbárie.
Por tudo isso, é o presidente quem menos tem o direito de se indignar. Ele é a principal fonte de todos os nossos problemas e, portanto, também, da nossa indignação, esta, sim muito justa.
Para agravar a situação, recentemente, o Tribunal Superior Eleitoral sucumbiu à lógica dos criminosos e perdeu a chance de resgatar parte da moralidade nacional.
Alguns ministros parecem haver-se esquecido de que a aplicação do Direito se rege por princípios e por regras, para se concentrarem, exclusivamente, nestas últimas.
É incompreensível que quatro deles tenham preferido permitir que maus cidadãos se aproveitem de suas próprias ações dolosas e torpes para conseguirem imunidades, que lhes garantam continuar a praticar seus crimes livremente.
No Brasil, há regras demais e princípios de menos. Vivemos em um caos jurídico, onde os bons são oprimidos e os maus têm toda a proteção do Estado.
Isso decorre da anomia intencional que a ditadura petista nos impõe, para desestruturar o Estado de direito, em benefício de seu projeto despótico de poder.
Por que alguém se sentiria obrigado a respeitar as Leis, se, todos os dias, os ministros e o próprio presidente as violentam, sem qualquer pudor, e debocham de toda a Nação, negando, cinicamente, todas as evidências das atividades ilícitas que cometem às escâncaras? Tudo, tranqüilamente, sem que nada se faça para impedi-los.
Todas as regras têm seus limites e somente devem servir para proteger quem, também, as cumpra.
O Estado de direito tem o dever de usar todos os meios à sua disposição, para proteger-se de todos os que o ameaçam, inclusive de ministros e presidentes.
O autor é Coronel-Aviador reformado.
JANAÍNA: O artigo é muito bom mesmo, Jorge. É injusto atribuírem a violência unicamente ao Exército. Parece a mim óbvio que, em um ambiente de extrema injustiça e banditismo que está se perpetrando como "natural" em todos o âmbitos da nossa sociedade, alguns sejam contaminados onde quer que estejam. É triste e lamentável o episódio em questão. Espero que os culpados sejam devidamente punidos. Mas tratar as Forças Armadas com os mesmos óculos de 1964 é ingenuidade. Ou, pior, malandragem das grandes. Abração.
Posted by: Jorge | June 21, 2008 01:27 PM
Janaína...cadê meu comentário?????
JANAÍNA: Oi, Mastropiero. Qual comentário? Eu liberei todos os que chegaram. Você se importaria de mandar novamente, por favor? Abs.
Posted by: Mastropiero | June 21, 2008 08:26 PM
Roma não foi amada porque era Roma, mas tornou-se Roma porque era amada.
Ora bolas, quem elegeu os mafiosos? Em quase todas as análises, há uma grande parcimônia em admitir que se uma cidade é mafiosa seus cidadãos são responsáveis por isso. Ainda mais em um regime democrático.
Ninguém, no Rio de Janeiro "descola" carteira de estudante para pagar meia-entrada? As filas são respeitadas? Onde nasceu a exaltação do malandro na cultura brasileira? Então...A diferença entre o malandro e o mafioso é apenas de grau: esses últimos têm coragem de pegar em armas.
JANAÍNA: Olá, Alfredo. Sua observação dá pano para a manga, talvez a relação não seja assim, tão direta. De qualquer forma, a tolerância com o "jeitinho" e com o desrespeito às regras (sejam elas escritas ou apenas de boa convivência) está moldando uma sociedade de indivíduos que agem conforme a exceção, de acordo com sua própria conveniência, e não com o bem comum. O resultado é que caminhamos para a inviabilidade. Abraços!
Posted by: Alfredo Franch | June 22, 2008 07:07 PM