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June 03, 2008

Baixou Mussolini em Berlusconi

A Itália é o Brasil europeu. Só dá gente populista, corrupta e néscia no poder. A última moda vinda da Bota é uma temeridade. Do JC Online:

"O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, concedeu aos prefeitos de Roma, Milão e Nápoles, as três maiores cidades da Itália, poderes extraordinários para resolver o que chamou de "emergência cigana", segundo o jornal espanhol El Pais. Desde que foi eleito em abril, Berlusconi vem endurecendo a política contra imigrantes, especialmente os romas (ciganos), vistos com desconfiança por muitos italianos. O ministro do Interior, Alfredo Mantovano, chegou acusar os romas de estarem ligados a roubos, assaltos e raptos.

A aprovação dos poderes especiais, publicada no sábado na Gazeta Oficial italiana, prevê uma verba inicial de € 3 milhões (US$ 4 6 milhões) para que os prefeitos "realoquem ou expulsem" as comunidades ciganas das regiões do Lácio, da Lombardia e da Campânia.

...No sábado, em entrevista ao jornal Il Tempo, Mantovano não poupou acusações à etnia. "Como demonstram os números e a realidade sociológica, os romas são uma etnia ligada a certos tipos de crimes, como roubos, assaltos e até raptos", acusou o ministro, do partido de extrema direita Aliança Nacional."

Socorro! Baixou o espírito de Mussolini em Berlusconi! Camisa-de-força para Mantovano já!

Dinheiro público para expulsar pessoas das cidades por conta de sua ascendência? Vimos o mesmo no século passado e o resultado foi a Segunda Guerra Mundial. Italianos, façam alguma coisa!

Racismo é uma ótima desculpa para as autoridades deixarem de cumprir sua obrigação de patrulhar, prender e condenar quem desrespeita a lei. Lembre-se que a Itália, como o Brasil, é um país onde o crime organizado estendeu os tentáculos para o governo, uma associação que rende excelentes lucros para os corruptos. Por que não colocam na cadeia o pessoal da Parmalat, por exemplo? O julgamento é uma espécie de seriado ruim, está no ar faz anos e não dá em nada.

Perguntei a um amigo de origem italiana o que pensa sobre o caso. A análise foi bastante lúcida:

"Berlusconi se aproveita do clima de xenofobia que se espalhou pelo país. Tal clima não é imotivado: os estrangeiros cometem boa parte dos crimes. A esquerda preferiu ignorar o assunto, fazendo-se de boa moça, como sempre e se deu mal. O crime tem de ser combatido frontalmente. A xenofobia só brota porque o governo não faz o que deve ser feito: impor a ordem."

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Postado por Janaína Leite às |



Comments

Bem, Janaina, eu não quero colocar mais lenha nessa fogueira, até porque eu também sou contra qualquer tipo de racismo e acho que o que o Berlusconi faz é um crime e uma idiotice - se bem que, pelo que sei da Itália, acho que não vai dar em nada.

Mas é preciso também admitir que ciganos e direitistas (se é que o Berlusconi merece essa classificação, pois eu acho que ele não tem ideologia nenhuma, como o Maluf) têm uma rixa antiga desde o século XVIII. Desde o tempo de Adam Smith. Senão, vejamos:

Although nobody knows exactly when he was born, his birth was registered on 5 June 1723, so assuming he was registered a couple of days after the birth, today would be his 283rd birthday ! Shortly before adam smith was born, his father died, leaving just the mother raise him, but throughout Smith's life, he remained committed to his widowed mother, and never married. At around the age of four, he was kidnapped by a band of Gypsies, however he was quickly rescued by his uncle and returned to his mother - other than this, Smith's early life was rather normal!

http://www.online-literature.com/adam_smith/

Como se vê, há muitos anos que os ciganos e os direitistas vivem em guerra uns com os outros.

JANAÍNA: Oi, Jorge. Que bacana você por aqui, obrigada pelo comentário. Você tem toda a razão, os ciganos são tidos como a escória da Europa há muito. No caso da Itália ainda há a força da Igreja, que nunca viu os zíngaros com bons olhos. Aliás, também não querendo colocar mais lenha e já colocando, o preconceito é uma via de mão dupla... :-) Grande abraço!

Qual o espanto Janaina? Falo como neta de oriundi. O italiano é um dos povos mais preconceituosos do mundo. Na minha opinião, ganham dos norte-americanos. Sabia que eles dizem que de Roma para baixo é tudo África?

JANAÍNA: Eu sei, meu avô era terrível... Você acha que isso é resquício do Império Romano? Beijo.

PREZDA.TÁ TUDO ERRADO NO QUE FOI DITO AÍ..É MISFCIL FALAR EM XENOFOBIA DO QUECOMPREENDER 15 ANOS DE ADMS. DE ESQUERDA A FRENTE DA PEF. DE ROMA !

MEU EMAIL:
Pxxxxxx@xxxxx.COM.BR

CASO QUEIRA ME SURTAR...

FORTE ABAÇO

PAULO BOCCATO

JANAÍNA: Oi, Paulo! Tudo bem? Vamos conversar, sim, claro! Abração.

Janaina,
com relação à Itália, dê uma olhadinha neste link...
http://tcc.itc.it/people/rocchi/fun/europe.html

JANAÍNA: Obrigada, Horacio. Muito, muito engraçado. Abs.

O problema é que este Napoleão de hospício da Itália quer deportar ou recusar a residência de cidadãos comunitários, sejam os históricos, sejam os novos, como podem ser os Romas. Isso vai em contra a todos os tratados da União Européia. Acho que isso não passa de um factóide. Picaretas por picaretas, os italianos já são mais que suficientes.

JANAÍNA: Tomara que seja apenas factóide, Reginaldo. Considero um precedente perigoso. Você chama atenção para um ponto importante: como isso fica em relação aos demais países da União Européia? Abraços!

Li isso agora de noite. Me lembrou esse seu post.
Fico imaginando este grupo de evangélicos tomados pela certeza, pelo fervor, de que estavam ali para derrotar demônios, tudo em nome de Jesus Cristo. Eles se sentem ofendidos pelo culto da umbanda e partem para uma ação, aos seus olhos, redentora e purificadora. E os que sofreram o ataque vão recrudescer o preconceito contra os agressores; vão espalhar para seus amigos, vão ajudar a fazer crescer a noção de que "evangélicos", em geral, "são inflexíveis e gostam de impor sua fé".

Rótulos são complicados, generalizações também. Mas são atos e acontecimentos como este que vão preenchendo o universo dos estereótipos, construindo "impressões" que norteiam julgamentos por parte dos sub-grupos sociais.

A maneira como os ciganos são vistos, a maneira como os judeus eram percebidos no começo do século, a maneira como os evangélicos são vistos no Brasil e a maneira como estes últimos rotulam aqueles que não compartilham de sua religião...

No fim, é uma incapacidade de gerir as diferenças que acaba provocando tragédias, guerras, perseguições. E tudo, na maioria das vezes, em nome de uma boa causa. Se Jesus tivesse que ganhar royalties pelo uso de seu nome, ele seria um multibilionário universal.

Por que temos tanto problema com o que é diferente?

RELIGIÃO

Evangélicos são acusados de quebrar centro de umbanda
DENISE MENCHEN
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, NO RIO

Quatro integrantes da igreja evangélica Nova Geração de Jesus Cristo foram presos, acusados de invadir ontem à noite um centro de umbanda no Catete, zona sul do Rio de Janeiro, e quebrar cerca de 30 imagens religiosas, prateleiras e um ventilador. O caso foi registrado na 9ª DP (Catete).
Segundo uma das dirigentes do Centro Espírita Cruz de Oxalá, a advogada Cristina Maria Costa Moreira, 45, cerca de 50 pessoas aguardavam em fila a abertura do atendimento ao público, às 19h, quando Alessandro Brás Cabral dos Santos, Afonso Henrique Alves Lobato, Raimundo Nonato e uma jovem identificada apenas como Dominique chegaram ao local. De acordo com Moreira, eles ofenderam os presentes e forçaram a entrada na casa.
"Eles chegaram dizendo que queriam ver onde estava o demônio e foram direto para o terreiro", conta Celso Quadros, 52, outro dirigente do centro espírita. "Quebraram tudo, inclusive imagens que temos há 40 anos."
A advogada Sílvia Santana, 33, que estava na fila, disse que os evangélicos disseram estar agindo "em nome de Jesus" e acusaram os presentes de "adorar o demônio".
Policiais foram chamados ao local e levaram os invasores. Até o fechamento desta edição, os acusados ainda prestavam depoimento e não havia informação sobre seus advogados. Segundo o advogado que representa o centro de umbanda, Márcio Melo de Almeida, eles serão indiciados sob acusação de danos materiais e ultraje a culto.

JANAÍNA: Esse tipo de coisa é assustadora, Mariana. Não importa se o sujeito é católico, evangélico, umbandista, judeu, espírita, muçulmano etc. Intolerância é o maior perigo que o homem enfrenta. Todas as vezes que dela sai perdendo, os resultados são catastróficos. Um grande beijo, querida, e obrigada pela sua opinião. Ela é muito importante para mim.

Oi, Mariana!

Choques entre culturas e mesmo dentro de culturas são complicados mesmo.

A tentativa de muitos filósofos, desde o fim da Idade Média até "quase contemporâneos" como John Rawls, foi em parte um esforço de constituir a política como uma esfera pública, racional - portanto, supostamente, universal - e autônoma em que as diferenças pudessem ser articuladas e dirimidas. "Autônoma", aqui, em relação às peculiaridades culturais, entre as quais está a religião.

O tema foi abordado de diferentes maneiras. Peguemos um filósofo mais polêmico e que não costuma ser associado à questão: Marx.

Marx preocupou-se com as formas como a diferença poderia ser produzida dentro das sociedades modernas e industrializadas que então emergiam: o Estado racional, burocrático e laico (burguês), embora fosse um progresso, também representava, a seu ver, um atraso na medida em que cindia a sociedade entre burgueses e proletários, por exemplo. A falha da sociedade capitalista em gerir tal diferença resultaria, então, na luta de classes - uma maneira conflituosa de "dirimir as divergências". Risos.

O alienado marxista é resultado da incapacidade das sociedades capitalistas de gerir as diferenças: ele é o cúmulo da diferença, ele é um outro de si mesmo!!! Risos.

Ainda acredito na política como forma de administrar tais diferenças. Penso que os fenômenos totalitários do século XX foram tentativas de suprimir a esfera pública e negar a política.

No plano pessoal, eu não sei gerir diferenças. Sou péssima no que se chama de "solução pacífica de conflitos". Risos. Eu parto para briga.

Dou um exemplo: costumo passar por uma praça, quando vou trabalhar, em que há usualmente pessoas fumando maconha. Jovens desarmados, nada aparentemente grave. Eles lá, com sua cantoria e seus apetrechos culturais.

Depois de algum tempo de passar pelo lugar, desci da sandália e briguei feio com o bando, um bate-boca horrível.

Eu não respeitei as diferenças. Por quê?

Porque tenho convicções arraigadas que me tornam teimosa e inflexível, o que potencializa o risco de conflito. Já não tenho simpatia por usuários de drogas; se eles formam seu grupo e ainda ocupam parte de uma praça por que costumo passar, eu fico ensandecida.

É um ato de intolerância?

É.

Eu sei gerir? Não!! Risos.

Meus debates com o pessoal da "marcha da maconha" costumam durar uns 5 e-mails. Dali em diante já estou furiosa.

Intolerância pura. Não consigo, por exemplo, ser cordial a ponto de dizer: "Respeito sua opinião e seu direito de usar..., mas infelizmente tenho de discordar..."

Eu - adoro essa expressão - "parto para a ignorância". Hahaha.

Pessoas como eu, por exemplo, são parte da razão pela qual o mundo é como é: cheio de intolerância e incapacidade de admitir a diferença.

Com o tempo, aprende-se a simplesmente ignorar, o que é também uma falha na tentativa de administrar as diferenças. Eu, por exemplo, não tenho a frieza e a cordialidade necessárias para responder, por exemplo, aos comentários do Paulo. Risos. Por isso, fico calada: é ruim? É, são seres humanos que não se comunicam. Tem como ser diferente?

Abrasileirando-me: viiiiixe, não sei. ;-)

Guilty as not charged. ;-)

Beijoca.

JANAÍNA: Minha segunda huna preferida! Smack!

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