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May 28, 2008

Sindicato de pelegos

Há leitores que ficam bravos comigo quando reproduzo material alheio. Quando leio uma coluna como a que o Elio Gaspari escreveu para a Folha de hoje, não resisto. Leio e estendo a crítica às demais centrais. São todas serpentes do mesmo ovo.

"ERA UMA VEZ um pelegaço chamado Joaquinzão (Joaquim dos Santos Andrade, 1926-1997). Ele presidiu o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo durante 22 anos, até 1987. Comprava e vendia greves, mas em janeiro de 1976 foi o único presidente de sindicato de metalúrgicos a protestar pela morte do operário Manuel Fiel Filho, assassinado no DOI-Codi do então 2º Exército. O sindicalismo do ABC, surgido nos anos 70, considerava-o ícone da corrupção sindical do entardecer da ditadura. Joaquinzão morreu pobre, numa modesta casa de repouso. Todos os seus sucessores, bem como os seus principais adversários, tornaram-se pessoas patrimonialmente prósperas e politicamente poderosas. (Quem quiser pode conferir: ele deixou um carro, uma pequena casa num bairro popular e um sítio.) Lula, seu jovem rival no século passado, preside hoje um contubérnio de sindicalistas com fundos estatais, corredores do Planalto e saletas do Ministério do Trabalho.

Joaquinzão vem ao caso porque ele pode ser considerado o avô do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, aliado parlamentar do Planalto. Joaquinzão entregou o Sindicato dos Metalúrgicos a Luiz Antônio de Medeiros e em dez anos seu sucessor produziu o "sindicalismo de resultados". Dele resultaram a Força Sindical, 11 condecorações civis e militares, dois mandatos de deputado federal e, atualmente, a Secretaria de Relações do Trabalho, na pasta do doutor Carlos Lupi. Assim como em 1986 houve um dia em que Medeiros e Joaquinzão tiveram uma conversa, é provável que em 1990 tenha havido outra, ao fim da qual Medeiros entregou o domínio a Paulo Pereira da Silva, que ficou com o sindicato e a Força Sindical.

Poucos devem ter sido os casos de países onde o movimento sindical passou da delegacia de ordem política à de defraudações no espaço de uma só geração. A julgar pela definição que Lula colou em Lech Walesa ("pelegão"), pode ser que tenha ocorrido algo parecido, em ponto menor, na Polônia. Paulinho da Força capturou a presidência do conselho do Fundo de Amparo ao Trabalhador, fez parcerias milionárias no BNDES, noves fora preciosas alianças eleitorais. Houve um tempo em que o PT colocou no mesmo Codefat um jovem promissor, chamava-se Delúbio Soares.

Fala-se muito no "poder das centrais sindicais". Tudo indica que, como a Caveira de Cristal do Museu Britânico, essa força é uma fraude a serviço de uma lenda. Até hoje, as centrais só conseguiram parar repartições públicas. O "poder das centrais", graças a Lula, será exercido na tunga dos salários dos trabalhadores e dos fundos dos contribuintes. Isso é que se pode chamar de sindicalismo de resultados. Avançam na patuléia e deixam os patrões em paz. Mordem a folha de salários dos trabalhadores, atravessam a rua e param os serviços médicos onde as mulheres dos operários buscam consultas para seus filhos.

Desde que a contabilidade de Paulo Pereira da Silva começou a ser estudada pela Polícia Federal percebe-se que há algo de novo na praça. Durante o collorato, a Força Sindical beliscava o patronato paulista.

Paulinho estatizou os beliscões. Podem acusá-lo de tudo, menos de ter incomodado patrão."


Postado por Janaína Leite às |



Comments

eu não fico bravo com as reproduções...Elio Gaspari foi brilhante!

JANAÍNA: Ainda bem, Ednan! Eu também adorei o texto. Abs!

Oi, Jana.
Será que o Reinaldo Azevedo vai elogiar o Gaspari desta vez?
Um beijo.
Bada

JANAÍNA: Não sei, Bada. Tem de perguntar para ele. Mas hoje vi um monte de coisas interessantes lá no blog do Reinaldo... ;) Bj.

Quem ler a história e/ou vir o filme sobre Hoffa, aquele sindicalista americano pertencente ao sindicato dos transportes do US, que se dizia perseguido pelo, à época, jovem procurador da república Robert Kennedy e se os nomes dos personagens forem trocados, percebe que a história contada pelo Elio Gaspari se assemelha àquela. Constatado isso, conclui-se que serão os sindicatos, todos, farinha dos mesmo saco?

JANAÍNA: Minha opinião sincera? Pouquíssimas pessoas escapam dessa engrenagem. Abração!

Janaína,

Permita-me comentar um comentário...

Nos EUA, a máfia deu um fim ao HOFFA, cujo corpo nunca foi encontrado. Essa história até virou piada.

Aqui a "máfia" e os "Hoffas" estão juntos no Poder e nós não conseguimos nos livrar nem de um nem de outro.


COP


Não sei porque o ódio que essa gente tem dos sindicatos.É claro,não vou aqui fazer papel de advogado do diabo no caso do Paulinho.Se ele errou,que pague pelo erro.

Agora,eu quero dizer que sou sindicalizado,e pago a contribuição sindical,com muito gosto,pois vejo resultados.No segmento que trabalho,que é o de vigilância,por exemplo,agora mesmo estamos num embate contra os patrões,uma vez que estes relutam a nos dar aumento,no dissídio.

Eu fico pensando:Como poderíamos nos organizar para lutar pelos nossos direitos,senão através do sindicato? Portanto,eu acho que o sr. Élio Gaspari tá por fora ao dizer que o sindicato luta por uma lenda. Aliás,seria importante saber se o próprio não é sindicalizado. Afinal,existe aí um tal de sindicato dos jornalistas,não?

Ora,me ocorreu: Será que essa gente tem tanto ódio dos sindicatos assim, porque sindicato não paga propaganda no jornal.

Eu li isso no Globo; então não é só vc que reproduz...

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