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May 31, 2008

A rede

A proximidade na América do Sul entre políticos, doleiros e organizações criminosas ainda vai acabar mal, muito mal. As relações teriam sido comprovadas há um bom tempo se a CPI do Banestado tivesse seguido adiante. Conseguiram abafar as investigações, que mostrava o caminho do dinheiro sujo. O poder em excesso, no entanto, resulta em descuido; evidências que mostram as ligações estão por todos os lados. Basta costurá-las.

Diogo Mainardi, coluna publicada na edição de 04/06/2008 da Veja:

"A mulher de Olivério Medina, o representante das Farc no Brasil, foi contratada pelo governo Lula. Agora só falta arranjar um emprego para a mulher de Fernandinho Beira-Mar, outro criminoso ligado às Farc.

... Publicamente, Lula tenta se afastar da companhia das Farc. Às escondidas, seu governo dá cada vez mais sinais de irmandade com o grupo terrorista, como nesse caso da mulher de Olivério Medina. Nos computadores de Raúl Reyes, o terrorista morto pelos soldados colombianos, foi encontrada uma mensagem de Olivério Medina em que ele dizia poder contar com o apoio da "cúpula do governo" brasileiro, em particular com o ministro Celso Amorim. O papel de Olivério Medina no Brasil, de acordo com o jornal colombiano El Tiempo, era "trocar cocaína por armas e fazer o recrutamento de simpatizantes". O recrutamento de simpatizantes podia ser feito até mesmo no Ministério da Pesca. Já a troca de cocaína por armas passava por outros canais. Numa de suas mensagens sobre o tema, Olivério Medina referiu-se a um certo "Acácio", identificado como o Negro Acácio, sócio de Fernandinho Beira-Mar no narcotráfico."

Sobre Olivério Medina fala Policarpo Jr. na Veja de 16 de março de 2005.

"Em apenas uma folha e dividido em três parágrafos, esse documento informa que, no dia 13 de abril de 2002, um grupo de esquerdistas solidários com as Farc promoveu uma reunião político-festiva numa chácara nos arredores de Brasília. Na reunião, que teve a presença de cerca de trinta pessoas, durou mais de seis horas e acabou com um animado forró, o padre Olivério Medina, que atua como uma espécie de embaixador das Farc no Brasil, fez um anúncio pecuniário. Disse aos presentes que sua organização guerrilheira estava fazendo uma doação de 5 milhões de dólares para a campanha eleitoral de candidatos petistas de sua predileção. A notícia foi recebida com aplausos pela platéia. Faltavam então menos de seis meses para a eleição. Um agente da Abin, infiltrado na reunião, ouviu tudo, fez um informe a seus chefes, e assim chegou à Abin a primeira notícia de que as relações entre militantes esquerdistas, alguns deles petistas, e as Farc podem ter ultrapassado a mera simpatia ideológica e chegado ao pantanoso terreno financeiro."

O que disse o governo sobre a reportagem que mostrava a doação das Farc? Agência de notícias do Senado, 17/03/2005:

"O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Jorge Armando Félix, e o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), delegado Mauro Marcelo de Lima e Silva, garantiram à Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência que os documentos que atestariam ligações do Partido dos Trabalhadores (PT) com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), não foram produzidos pela Abin."

Como reagiram os veículos de comunicação? Agência Carta Maior, abrigada pelo UOL, em 17/03/2005:

"O que nem [o senador Arthur] Virgílio nem a Veja disseram é que, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, ele foi designado para manter contato com representantes das Farc, conforme noticiou a imprensa brasileira na época. No final de 1998, representantes da guerrilha colombiana se encontraram com vários parlamentares brasileiros, entre eles os deputados tucanos Tuga Angerami (SP) e Arthur Virgílio, secretário-geral do PSDB à época. Naquele ano, o atual líder do PSDB no Senado justificou do seguinte modo, à Folha de São Paulo, o encontro com os 'narcoguerrilheiros colombianos envolvidos com corrupção, seqüestro e morte de brasileiros': 'O Brasil tem grande importância diplomática na América Latina. Podemos ajudar a Colômbia a pôr fim aos conflitos'."

Voltando ao primeiro artigo, Fernandinho Beira-Mar tem mesmo ligação com as Farc? Folha Online, 19/03/2002:

"De acordo com o desertor, que era tesoureiro de uma das frentes das Farc, o líder rebelde Tomás Molina Caracas, o "Negro Acacio", tinha estreitos laços com Fernandinho Beira-Mar, que fornecia armas para a guerrilha em troca de cocaína.

O desertor revelou que "foi enfermeiro de Beira-Mar durante a Operação Gato Negro, quando o traficante brasileiro foi ferido (....) Fernandinho foi capturado, mas com Negro Acacio não aconteceu nada".

Ontem, Negro Acacio e Beira-Mar foram formalmente acusados pelas autoridades norte-americanas de tráfico de drogas para os Estados Unidos."

Fernandinho Beira-Mar é considerado um gênio do crime. Ele fechou acordos entre várias facções e estruturou uma organização muito bem sucedida, com milhares de tentáculos. Reuters, 23/11/2007:

"O secretário nacional de Segurança Pública, Antonio Carlos Biscaia, disse nesta sexta-feira que não há regime ou sistema prisional no Brasil capaz de impedir que o Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, continue mantendo contato com o mundo externo e comandando a sua organização criminosa de dentro da cadeia. 'Ele montou uma organização incrível e incontrolável', afirmou.

... quadrilha comandada por Beira-Mar da penitenciária de segurança máxima de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul."

Não creio que o contato de Beira-Mar com o restante do mundo seja fácil. Talvez nem seja preciso. Todos os chefes do crime estão na mesma prisão. Agência Estado, 21/05/2008:

"Os detentos do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) ficarão em salas de 14 metros quadrados, com um solário, espaço onde o preso tomará banho de sol sem sair da cela. Advogados de defesa não terão contato físico com os detentos. Eles serão separados por um vidro e vigiados por meio de câmeras. Em Campo Grande e Catanduva estão detidos os traficantes Juan Carlos Abadía, Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, Márcio dos Santos Nepomuceno, Marcinho VP, e Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco."

Alguns dos nomes acimas tiveram negócios com Fernandinho Beira-Mar, mas faltaram outros, como o Comendador Arcanjo, por exemplo, que também está em Campo Grande. Alguém lembra dele? Folha Online, 31/05/2006:

"Em depoimento à CPI dos Bingos, a cozinheira Zildete Leite dos Reis acusou hoje os ex-ministros Antonio Palocci (Fazenda), José Dirceu (Casa Civil) e o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, de freqüentarem a casa do empresário João Arcanjo Ribeiro --conhecido como comendador Arcanjo, em Mato Grosso. Ela disse ainda que chegou a ver os três saindo da casa com malas de dinheiro.

Zildete afirmou ainda que viu o empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, procurar Arcanjo para contratar um pistoleiro que iria assassinar o prefeito de Santo André Celso Daniel (PT)."

E por aqui eu fico. Até!

PS: Quem foram os homens que negaram o relatório da Abin sobre as doações das Farc? General Félix, Folha de S.Paulo, 14/11/2004.

"O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Armando Félix, é radicalmente contra a abertura dos documentos da ditadura militar (1964-1985): "Não há nada bonito ali", diz ele. Curiosamente, justifica que sua preocupação não é poupar os torturadores e sim os perseguidos e torturados.

Folha - O atual diretor da Abin, Mauro Marcelo de Lima e Silva, é a favor da permissão para escutas telefônicas. O sr. também?

Félix - Em alguns casos, seria interessante. Exemplo: chega alguém no Brasil suspeito de terrorismo. Acompanhar visualmente é possível, eventualmente vejo que está telefonando. Para quem? Falando o quê? Não sei.

Folha - O sr. entregou o cargo ao presidente e ele pediu para esperar a reforma ministerial?

Félix - Não. Ainda não me passou pela cabeça fazer um pedido de demissão. Nunca houve nenhuma razão, tenho tido todo tipo de consideração por parte do presidente e de todos os ministros. Não tenho problema de saúde na minha família, como alguns jornais andaram anunciando, não tenho nenhum tipo de problema com o diretor da Abin.
Antes de ele assumir, conversamos várias vezes. Ele sabe exatamente o papel dele, não temos nenhum tipo de contencioso. Ele não despacha diretamente com o presidente. Não despachou nenhuma vez, desde que assumiu.

Folha - E os encontros nos finais de semana?

Félix - Eles são amigos."

Mais sobre Jorge Félix na Agência da Câmara, 08/04/2008:

"Jorge Felix informou que são sigilosos os gastos com a segurança do chefe de Estado e de sua família. Em relação à manutenção das residências oficiais, ele disse que a segurança credencia e acompanha os serviços de manutenção realizados. Segundo Felix, uma lavagem de dez coletes à prova de bala é sigilosa, por exemplo, porque evidencia que dez pessoas trabalham na segurança daquela autoridade.

O general disse que não há, no entanto, lei que defina o que é sigiloso. Com relação à Agência Brasileira de Inteligência (Abin), principal órgão responsável pela segurança do Estado, Felix disse que são sigilosos os gastos com operações de inteligência, informantes, contato com serviços estrangeiros de informação, entre outros."

E quem é Mauro Marcelo?

Diogo Mainardi, na Veja de 20/02/2008:

"Em meados de 2004, o delegado Mauro Marcelo foi nomeado para chefiar a Abin, depois de ter trabalhado como guarda-costas de Lula na campanha eleitoral de 2002. A escolha de seu nome para ocupar o cargo na Abin foi feita pessoalmente pelo presidente.

De acordo com os autos do tribunal italiano, o relacionamento de Mauro Marcelo com a Telecom Italia era de perfeita intimidade. Interrogado sobre o assunto, Fabio Ghioni, especialista em computadores contratado pela empresa, declarou que o chefe da Abin era "fornecedor de Jannone no Brasil, e por este era remunerado". Ghioni referia-se a Angelo Jannone, diretor da Telecom Italia."

Mais um pouquinho: entrevista de Angelo Jannone à Janaína Leite, do Arrastão, 22/04/2008:

"ARRASTÃO - Mainardi reproduziu um trecho do interrogatório de Giuliano Tavaroli, em que ele fala sobre o apoio institucional oferecido pelo governo Lula, através do chefe da Abin, Mauro Marcelo. Tavaroli confirmou o depoimento, mas negou que a TI tenha dado 300 mil dólares a Mauro Marcelo. O senhor sabe se esse dinheiro foi pago?

JANNONE - Tavaroli afirma também que Mauro Marcelo sugeriu contratar [o detetive particular] Eloy Lacerda, e que a Eloy foram prometidos 300 mil dólares, que ele queria receber de mim. Eu não sabia de nada. quando cheguei no Brasil, sem saber de nada, mandei o Spinelli (que tinha um contrato com Bonera, meu antecessor) pagar uma parte daquele valor. Mas quando suspeitei que por trás de Eloy houvesse [o ex-chefe da Abin] Mauro Marcelo, suspendi os pagamentos (fevereiro de 2005) e, em setembro de 2005, discuti por esse motivo com Eloy Lacerda, que chegou para usar um tom ameaçador Gravei o telefonema e entreguei a gravação à magistratura [italiana].

ARRASTÃO - A gravação mostra que Eloy Lacerda entregava dinheiro da Telecom Italia para o ex-titular da Agência Brasileira de Informações, Mauro Marcelo, sem o seu conhecimento? O senhor mandaria essa gravação para o Ministério Público brasileiro?

JANNONE - Na gravação eu reclamo com Eloy por ter recebido também um telefonema de Mauro Marcelo sobre o asunto. As confirmações de minhas suspeitas foram feitas a mim por Bonera maio de 2006, durante outra conversa gravada. As gravações há muito tempo estão nas mãos dos juízes italianos, mas provavelmente eles não as escutaram."


Postado por Janaína Leite às |



Comments

Quando será Janaina, que tudo isso ficará em pratos limpos? Creio que nunca. Que podridão, que sujeira, que bandidagem. E pelo visto, continua de vento em popa.

JANAÍNA: A mídia se divide entre os que não estão nem aí, os que acham tudo isso uma grande balela da direita e os que temem acabar como o Tim Lopes. Dá para culpar alguém pelo receio, tendo em vista a impunidade reinante no país? Um beijo grande, Ramiza.

Lembra quem era o relator da CPI do Banestado? Jose Mentor. Sabe qual banco ele poupou no relatorio? O banco Rural. Sabe qual foi o preco? 120 mil reais depositados na conta dele e que o banco atendesse os interesses do PT .O PT fez o banco Rural de refem e o usou para fazer essa lambanca do mensalao.

Em vez de um país capitalista, o Brasil é um pântano, Janaína. Um pântano fétido. Resultante do excesso de estado.

O roteiro é bem conhecido: agora vão virar a cara, fingir que não é com eles, desqualificar as fontes... Tudo na espera do próximo escândalo, que nunca demora a chegar. Dá vontade de chorar de tristeza.

Janaína, com toda a gritaria contra uma "invenção" da Veja quando da publicação da matéria em 2005, a revista deixou claro no texto que não havia comprovação das denúncias, feitas dois anos pelo deputado alberto fraga na câmara- portanto, públicas - e candidamente esquecidas por toda a imprensa - inclusive a própria Veja - durane esses dois anos de lua-de-mel com Nosso Guia.

Janaína, com relação à sua resposta para a Ramiza, minha opinião. Dá para culpar alguém pelo receio? Sim, dá. Quando se assume uma profissão e se deseja praticá-la bem, assume-se riscos que elas trazem. Isso acontece com todas as profissões. O meu conselho àqueles que estão com medo é que mudem de profissão. Para aqueles desonestos intelectuais não há conselho possível, porque vergonha na cara vem do berço.

Até quando notícias tão graves quanto esta última do Mainardi ficarão legadas ao ostracismo?

Até quando, Meu Deus?:

Veja, Mainardi, Policarpo,Virgilio. Cade FHC e o danado do tio Rei?

JANAÍNA: Tem razão, faltaram. Oportunidade, porém, não faltará. Abs.

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