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May 31, 2008

Sábado soul

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A rede

A proximidade na América do Sul entre políticos, doleiros e organizações criminosas ainda vai acabar mal, muito mal. As relações teriam sido comprovadas há um bom tempo se a CPI do Banestado tivesse seguido adiante. Conseguiram abafar as investigações, que mostrava o caminho do dinheiro sujo. O poder em excesso, no entanto, resulta em descuido; evidências que mostram as ligações estão por todos os lados. Basta costurá-las.

Diogo Mainardi, coluna publicada na edição de 04/06/2008 da Veja:

"A mulher de Olivério Medina, o representante das Farc no Brasil, foi contratada pelo governo Lula. Agora só falta arranjar um emprego para a mulher de Fernandinho Beira-Mar, outro criminoso ligado às Farc.

... Publicamente, Lula tenta se afastar da companhia das Farc. Às escondidas, seu governo dá cada vez mais sinais de irmandade com o grupo terrorista, como nesse caso da mulher de Olivério Medina. Nos computadores de Raúl Reyes, o terrorista morto pelos soldados colombianos, foi encontrada uma mensagem de Olivério Medina em que ele dizia poder contar com o apoio da "cúpula do governo" brasileiro, em particular com o ministro Celso Amorim. O papel de Olivério Medina no Brasil, de acordo com o jornal colombiano El Tiempo, era "trocar cocaína por armas e fazer o recrutamento de simpatizantes". O recrutamento de simpatizantes podia ser feito até mesmo no Ministério da Pesca. Já a troca de cocaína por armas passava por outros canais. Numa de suas mensagens sobre o tema, Olivério Medina referiu-se a um certo "Acácio", identificado como o Negro Acácio, sócio de Fernandinho Beira-Mar no narcotráfico."

Sobre Olivério Medina fala Policarpo Jr. na Veja de 16 de março de 2005.

"Em apenas uma folha e dividido em três parágrafos, esse documento informa que, no dia 13 de abril de 2002, um grupo de esquerdistas solidários com as Farc promoveu uma reunião político-festiva numa chácara nos arredores de Brasília. Na reunião, que teve a presença de cerca de trinta pessoas, durou mais de seis horas e acabou com um animado forró, o padre Olivério Medina, que atua como uma espécie de embaixador das Farc no Brasil, fez um anúncio pecuniário. Disse aos presentes que sua organização guerrilheira estava fazendo uma doação de 5 milhões de dólares para a campanha eleitoral de candidatos petistas de sua predileção. A notícia foi recebida com aplausos pela platéia. Faltavam então menos de seis meses para a eleição. Um agente da Abin, infiltrado na reunião, ouviu tudo, fez um informe a seus chefes, e assim chegou à Abin a primeira notícia de que as relações entre militantes esquerdistas, alguns deles petistas, e as Farc podem ter ultrapassado a mera simpatia ideológica e chegado ao pantanoso terreno financeiro."

O que disse o governo sobre a reportagem que mostrava a doação das Farc? Agência de notícias do Senado, 17/03/2005:

"O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Jorge Armando Félix, e o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), delegado Mauro Marcelo de Lima e Silva, garantiram à Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência que os documentos que atestariam ligações do Partido dos Trabalhadores (PT) com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), não foram produzidos pela Abin."

Como reagiram os veículos de comunicação? Agência Carta Maior, abrigada pelo UOL, em 17/03/2005:

"O que nem [o senador Arthur] Virgílio nem a Veja disseram é que, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, ele foi designado para manter contato com representantes das Farc, conforme noticiou a imprensa brasileira na época. No final de 1998, representantes da guerrilha colombiana se encontraram com vários parlamentares brasileiros, entre eles os deputados tucanos Tuga Angerami (SP) e Arthur Virgílio, secretário-geral do PSDB à época. Naquele ano, o atual líder do PSDB no Senado justificou do seguinte modo, à Folha de São Paulo, o encontro com os 'narcoguerrilheiros colombianos envolvidos com corrupção, seqüestro e morte de brasileiros': 'O Brasil tem grande importância diplomática na América Latina. Podemos ajudar a Colômbia a pôr fim aos conflitos'."

Voltando ao primeiro artigo, Fernandinho Beira-Mar tem mesmo ligação com as Farc? Folha Online, 19/03/2002:

"De acordo com o desertor, que era tesoureiro de uma das frentes das Farc, o líder rebelde Tomás Molina Caracas, o "Negro Acacio", tinha estreitos laços com Fernandinho Beira-Mar, que fornecia armas para a guerrilha em troca de cocaína.

O desertor revelou que "foi enfermeiro de Beira-Mar durante a Operação Gato Negro, quando o traficante brasileiro foi ferido (....) Fernandinho foi capturado, mas com Negro Acacio não aconteceu nada".

Ontem, Negro Acacio e Beira-Mar foram formalmente acusados pelas autoridades norte-americanas de tráfico de drogas para os Estados Unidos."

Fernandinho Beira-Mar é considerado um gênio do crime. Ele fechou acordos entre várias facções e estruturou uma organização muito bem sucedida, com milhares de tentáculos. Reuters, 23/11/2007:

"O secretário nacional de Segurança Pública, Antonio Carlos Biscaia, disse nesta sexta-feira que não há regime ou sistema prisional no Brasil capaz de impedir que o Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, continue mantendo contato com o mundo externo e comandando a sua organização criminosa de dentro da cadeia. 'Ele montou uma organização incrível e incontrolável', afirmou.

... quadrilha comandada por Beira-Mar da penitenciária de segurança máxima de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul."

Não creio que o contato de Beira-Mar com o restante do mundo seja fácil. Talvez nem seja preciso. Todos os chefes do crime estão na mesma prisão. Agência Estado, 21/05/2008:

"Os detentos do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) ficarão em salas de 14 metros quadrados, com um solário, espaço onde o preso tomará banho de sol sem sair da cela. Advogados de defesa não terão contato físico com os detentos. Eles serão separados por um vidro e vigiados por meio de câmeras. Em Campo Grande e Catanduva estão detidos os traficantes Juan Carlos Abadía, Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, Márcio dos Santos Nepomuceno, Marcinho VP, e Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco."

Alguns dos nomes acimas tiveram negócios com Fernandinho Beira-Mar, mas faltaram outros, como o Comendador Arcanjo, por exemplo, que também está em Campo Grande. Alguém lembra dele? Folha Online, 31/05/2006:

"Em depoimento à CPI dos Bingos, a cozinheira Zildete Leite dos Reis acusou hoje os ex-ministros Antonio Palocci (Fazenda), José Dirceu (Casa Civil) e o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, de freqüentarem a casa do empresário João Arcanjo Ribeiro --conhecido como comendador Arcanjo, em Mato Grosso. Ela disse ainda que chegou a ver os três saindo da casa com malas de dinheiro.

Zildete afirmou ainda que viu o empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, procurar Arcanjo para contratar um pistoleiro que iria assassinar o prefeito de Santo André Celso Daniel (PT)."

E por aqui eu fico. Até!

PS: Quem foram os homens que negaram o relatório da Abin sobre as doações das Farc? General Félix, Folha de S.Paulo, 14/11/2004.

"O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Armando Félix, é radicalmente contra a abertura dos documentos da ditadura militar (1964-1985): "Não há nada bonito ali", diz ele. Curiosamente, justifica que sua preocupação não é poupar os torturadores e sim os perseguidos e torturados.

Folha - O atual diretor da Abin, Mauro Marcelo de Lima e Silva, é a favor da permissão para escutas telefônicas. O sr. também?

Félix - Em alguns casos, seria interessante. Exemplo: chega alguém no Brasil suspeito de terrorismo. Acompanhar visualmente é possível, eventualmente vejo que está telefonando. Para quem? Falando o quê? Não sei.

Folha - O sr. entregou o cargo ao presidente e ele pediu para esperar a reforma ministerial?

Félix - Não. Ainda não me passou pela cabeça fazer um pedido de demissão. Nunca houve nenhuma razão, tenho tido todo tipo de consideração por parte do presidente e de todos os ministros. Não tenho problema de saúde na minha família, como alguns jornais andaram anunciando, não tenho nenhum tipo de problema com o diretor da Abin.
Antes de ele assumir, conversamos várias vezes. Ele sabe exatamente o papel dele, não temos nenhum tipo de contencioso. Ele não despacha diretamente com o presidente. Não despachou nenhuma vez, desde que assumiu.

Folha - E os encontros nos finais de semana?

Félix - Eles são amigos."

Mais sobre Jorge Félix na Agência da Câmara, 08/04/2008:

"Jorge Felix informou que são sigilosos os gastos com a segurança do chefe de Estado e de sua família. Em relação à manutenção das residências oficiais, ele disse que a segurança credencia e acompanha os serviços de manutenção realizados. Segundo Felix, uma lavagem de dez coletes à prova de bala é sigilosa, por exemplo, porque evidencia que dez pessoas trabalham na segurança daquela autoridade.

O general disse que não há, no entanto, lei que defina o que é sigiloso. Com relação à Agência Brasileira de Inteligência (Abin), principal órgão responsável pela segurança do Estado, Felix disse que são sigilosos os gastos com operações de inteligência, informantes, contato com serviços estrangeiros de informação, entre outros."

E quem é Mauro Marcelo?

Diogo Mainardi, na Veja de 20/02/2008:

"Em meados de 2004, o delegado Mauro Marcelo foi nomeado para chefiar a Abin, depois de ter trabalhado como guarda-costas de Lula na campanha eleitoral de 2002. A escolha de seu nome para ocupar o cargo na Abin foi feita pessoalmente pelo presidente.

De acordo com os autos do tribunal italiano, o relacionamento de Mauro Marcelo com a Telecom Italia era de perfeita intimidade. Interrogado sobre o assunto, Fabio Ghioni, especialista em computadores contratado pela empresa, declarou que o chefe da Abin era "fornecedor de Jannone no Brasil, e por este era remunerado". Ghioni referia-se a Angelo Jannone, diretor da Telecom Italia."

Mais um pouquinho: entrevista de Angelo Jannone à Janaína Leite, do Arrastão, 22/04/2008:

"ARRASTÃO - Mainardi reproduziu um trecho do interrogatório de Giuliano Tavaroli, em que ele fala sobre o apoio institucional oferecido pelo governo Lula, através do chefe da Abin, Mauro Marcelo. Tavaroli confirmou o depoimento, mas negou que a TI tenha dado 300 mil dólares a Mauro Marcelo. O senhor sabe se esse dinheiro foi pago?

JANNONE - Tavaroli afirma também que Mauro Marcelo sugeriu contratar [o detetive particular] Eloy Lacerda, e que a Eloy foram prometidos 300 mil dólares, que ele queria receber de mim. Eu não sabia de nada. quando cheguei no Brasil, sem saber de nada, mandei o Spinelli (que tinha um contrato com Bonera, meu antecessor) pagar uma parte daquele valor. Mas quando suspeitei que por trás de Eloy houvesse [o ex-chefe da Abin] Mauro Marcelo, suspendi os pagamentos (fevereiro de 2005) e, em setembro de 2005, discuti por esse motivo com Eloy Lacerda, que chegou para usar um tom ameaçador Gravei o telefonema e entreguei a gravação à magistratura [italiana].

ARRASTÃO - A gravação mostra que Eloy Lacerda entregava dinheiro da Telecom Italia para o ex-titular da Agência Brasileira de Informações, Mauro Marcelo, sem o seu conhecimento? O senhor mandaria essa gravação para o Ministério Público brasileiro?

JANNONE - Na gravação eu reclamo com Eloy por ter recebido também um telefonema de Mauro Marcelo sobre o asunto. As confirmações de minhas suspeitas foram feitas a mim por Bonera maio de 2006, durante outra conversa gravada. As gravações há muito tempo estão nas mãos dos juízes italianos, mas provavelmente eles não as escutaram."


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May 30, 2008

A Barca de Dante

De Eugène Delacroix, no "Diário":

"É preciso esconjurar, da forma que nos for possível, este diabo de vida que não sei porque é que nos foi dada e que se torna tão facilmente amarga se não opusermos ao tédio e aos aborrecimentos uma vontade de ferro. É preciso, numa palavra, agitar este corpo e este espírito que se delapidam um ao outro na estagnação e numa indolência que se confunde com um torpor. É preciso passar, necessariamente, do descanso ao trabalho - e reciprocamente: só assim estes parecerão, ao mesmo tempo, agradáveis e salutares. Um desgraçado que trabalhe sem cessar, sob o peso de tarefas inadiáveis, deve ser, sem dúvida, extremamente infeliz, mas um indivíduo que não faça mais do que divertir-se não encontrará nas suas distracções nem prazer nem tranquilidade; sente que luta contra o tédio e que este o prende pelos cabelos - como se fosse um fantasma que se colocasse sempre por detrás de cada distracção e espreitasse por cima do nosso ombro.

...Sempre pensei que havia tempo a mais. Atribuo em grande parte este sentimento ao prazer que quase sempre encontrei no próprio trabalho: os verdadeiros ou pretensos prazeres que se lhe sucediam não contrastavam talvez muito com a fadiga que me comunicava o trabalho - fadiga que a maior parte dos homens sente duramente. Não tenho dificuldade em imaginar o prazer que deve sentir nas suas horas de repouso essa multidão de homens que vemos vergados sob trabalhos desencorajadores - e não me refiro apenas aos pobres, que têm de ganhar o seu pão quotidiano, mas também aos advogados, aos funcionários, submersos pela papelada e ocupados com encargos fastidiosos ou que não lhe dizem respeito. "

No entanto, também é verdade que a maior parte desses indivíduos não têm problemas com a imaginação e vêem nas suas ocupações maquinais uma maneira como qualquer outra de ocupar o tempo. E serão tanto menos infelizes quanto mais medíocres forem. Para me consolar, termino com este último axioma: que é por ter espírito que me aborreço."

Para ver alguns quadros de Delacroix, clique aqui.

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O ataque dos clones

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Aroeira, para O Dia.

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Acabou a novela da BrT. Vem aí "A Telezona"

Se alguém tinha dúvidas de que as brigas em torno da BrOi seriam mesmo encaçapadas, deve olhar a ata das assembléias da Brasil Telecom Participações e da Brasil Telecom S/A, ocorridas ontem. Por unanimidade, os representantes de ambas as empresas encerraram os processos contra o Opportunity.

Papai Planalto mandou, os filhinhos de pensão obedeceram. Contra a força não há resistência, não é, prezados? Eu avisei, acharam que era melhor investir contra o mensageiro. Pois é. Foram traídos. Resta negociar as compensações.

No mais, agora é só o Executivo cumprir o que prometeu aos novos donos da tele, Carlos Jereissati e Sérgio Andrade, e mudar logo a lei. Rápido, hein, por que eles já estão cobrando. Basta ler os recados nos jornais dos últimos dias.

Corre, governo, corre! Olha o relho! Com esse pessoal, meus caros, vocês não tiram farinha...

PS: Até agora, acertei cerca de 85% do que escrevi em janeiro sobre as teles. Deve ser por isso, por todo esse fracasso, que saíram por aí me criticando. Humpf.

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Imposto sobre a desinformação

No comecinho de abril, falei do blog Entropicando Ciência, escrito por Shridhar Jayanthi. Reforço a dica após ler o post escrito por ele hoje, que trata de um assunto seríssimo: o jogo.

Como você sabe, a jogatina é proibida no Brasil. Só o governo, por meio das loterias, pode explorá-la. O resultado é a criação de cassinos clandestinos, a importação ilegal de máquinas, a aproximação entre os empresários que exploram o jogo e o que há de mais assustador nos meios da bandidagem.

O tema de Jayanthi são as probabilidades de ganho. Com a propriedade que só a matemática confere, ele nos conta:

"O custo pra entrar no concurso é R\$1,00. Se você jogasse toda a semana, gastaria R\$52,00 no ano. É barato para correr um risco, ainda que ínfimo, de ficar milionário! É verdade que a chance de ganhar é muito próxima de zero. É verdade que fazer um plano de vida baseado em ganhar na loteria é imbecil. Mas o custo pra entrar no concurso é tão baixo (R\$4,00 por mês apostando toda semana, menos de 1% do salário mínimo) que é fácil entender a atração pelo jogo. Atração muito bem justificada. Contanto que não comprometa a própria renda!"

Aí eu concluo diferente do autor do Entropicando _ o que não invalida a minha recomendação de leitura de seu blog, muito pelo contrário. A atração é justificada sob as lentes da psicologia, não da lógica. Isso porque a maior parte das pessoas joga com mais de um cartão. O custo sai bem maior e, ao longo de anos, deixaria boquiabertos os apostadores insistentes.

O Estado praticamente rouba esses apostadores, que jamais entenderão que aquele dinheiro voou, foi doado, não tem volta. Concordo com Camillo Benso, o conde de Cavour. No século XIX, quando o governo italiano estendeu ao restante daquele país a loteria napolitana, ele sentenciou: "é um imposto sobre a imbecilidade".

Da maneira como é explorada, sem avisos claros e constantes ao apostador sobre as suas reais chances de ganhar com o palpite, a loteria é um imposto sobre a ignorância, um imposto sobre a expectativa de uma vida melhor. É um imposto sobre o sonhar e sobre a desinformação.

(Pergunta para o leitor: poderia me dizer quanto o governo arrecadou com loterias no ano passado? Não me surpreenderia se fosse um valor próximo ao do Bolsa-Família, por exemplo. Ou maior.)

Peço a você que reflita um pouquinho sobre as escolhas de propaganda feitas por este governo e os anteriores. Por exemplo (e aí sei que vem chumbo): qual é a importância de fazer campanhas bilionárias sobre as atividades da Petrobras? A empresa é um monopólio estatal, carambolas!

Voltando ao tema do post, minha opinião é a de que a Caixa deveria gastar dinheiro imprimindo cartões da mega-sena iguais às caixas de cigarro, com o aviso em letras garrafais sobre a real chance de o apostador virar milionário. Outro modelinho traria simulações mostrando o quanto a pessoa poderia economizar ao longo de cinco anos se deixasse de apostar.

A Caixa, aliás, deveria alardear ainda mais que pessoas com carteira assinada podem receber os rendimentos do PIS todos os anos. Os mais necessitados sabem disso, a classe média não tem a menor idéia. Larga o dinheiro lá.

Por fim, uma lembrança: boa parte do pessoal que vai receber o PIS, a parcela mais pobre, sai da agência e vai direto para a loteria arriscar a sorte. Irônico, não?

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May 29, 2008

Pesca em outros mares

Caro leitor,

tenho de resolver uma série problemas longe do micro, por isso separei algumas dicas de navegação para você até a minha volta. Espero que goste.

Quem se interessa por economia deve dar um pulo no blog do economista Alexandre Schwartsman, A Mão Visível. Discussões interessantes sobre inflação e outros assuntos estão fervendo por lá.

Se a opção é por literatura, não perca os últimos posts do Filthy McNasty e d'O Farsante, ambos do A Postos.

Por fim, se você gosta mesmo é de assuntos polêmicos, como o aborto, por exemplo, vale acompanhar o que rola n'O Indivíduo _ o Igor, no Outros, fez isso. A discussão sobre blogues promovida pelo Bruno Garschagen também merece atenção.

E tem o meu querido Gravataí, claro, bagunçando o coreto da mídia no Imprensa Marrom.

Divirta-se!

Um grande abraço,
Janaína

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May 28, 2008

Fratelli

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Myrria, para "A Crítica".

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Sindicato de pelegos

Há leitores que ficam bravos comigo quando reproduzo material alheio. Quando leio uma coluna como a que o Elio Gaspari escreveu para a Folha de hoje, não resisto. Leio e estendo a crítica às demais centrais. São todas serpentes do mesmo ovo.

"ERA UMA VEZ um pelegaço chamado Joaquinzão (Joaquim dos Santos Andrade, 1926-1997). Ele presidiu o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo durante 22 anos, até 1987. Comprava e vendia greves, mas em janeiro de 1976 foi o único presidente de sindicato de metalúrgicos a protestar pela morte do operário Manuel Fiel Filho, assassinado no DOI-Codi do então 2º Exército. O sindicalismo do ABC, surgido nos anos 70, considerava-o ícone da corrupção sindical do entardecer da ditadura. Joaquinzão morreu pobre, numa modesta casa de repouso. Todos os seus sucessores, bem como os seus principais adversários, tornaram-se pessoas patrimonialmente prósperas e politicamente poderosas. (Quem quiser pode conferir: ele deixou um carro, uma pequena casa num bairro popular e um sítio.) Lula, seu jovem rival no século passado, preside hoje um contubérnio de sindicalistas com fundos estatais, corredores do Planalto e saletas do Ministério do Trabalho.

Joaquinzão vem ao caso porque ele pode ser considerado o avô do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, aliado parlamentar do Planalto. Joaquinzão entregou o Sindicato dos Metalúrgicos a Luiz Antônio de Medeiros e em dez anos seu sucessor produziu o "sindicalismo de resultados". Dele resultaram a Força Sindical, 11 condecorações civis e militares, dois mandatos de deputado federal e, atualmente, a Secretaria de Relações do Trabalho, na pasta do doutor Carlos Lupi. Assim como em 1986 houve um dia em que Medeiros e Joaquinzão tiveram uma conversa, é provável que em 1990 tenha havido outra, ao fim da qual Medeiros entregou o domínio a Paulo Pereira da Silva, que ficou com o sindicato e a Força Sindical.

Poucos devem ter sido os casos de países onde o movimento sindical passou da delegacia de ordem política à de defraudações no espaço de uma só geração. A julgar pela definição que Lula colou em Lech Walesa ("pelegão"), pode ser que tenha ocorrido algo parecido, em ponto menor, na Polônia. Paulinho da Força capturou a presidência do conselho do Fundo de Amparo ao Trabalhador, fez parcerias milionárias no BNDES, noves fora preciosas alianças eleitorais. Houve um tempo em que o PT colocou no mesmo Codefat um jovem promissor, chamava-se Delúbio Soares.

Fala-se muito no "poder das centrais sindicais". Tudo indica que, como a Caveira de Cristal do Museu Britânico, essa força é uma fraude a serviço de uma lenda. Até hoje, as centrais só conseguiram parar repartições públicas. O "poder das centrais", graças a Lula, será exercido na tunga dos salários dos trabalhadores e dos fundos dos contribuintes. Isso é que se pode chamar de sindicalismo de resultados. Avançam na patuléia e deixam os patrões em paz. Mordem a folha de salários dos trabalhadores, atravessam a rua e param os serviços médicos onde as mulheres dos operários buscam consultas para seus filhos.

Desde que a contabilidade de Paulo Pereira da Silva começou a ser estudada pela Polícia Federal percebe-se que há algo de novo na praça. Durante o collorato, a Força Sindical beliscava o patronato paulista.

Paulinho estatizou os beliscões. Podem acusá-lo de tudo, menos de ter incomodado patrão."


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May 27, 2008

Técnica Ludovico

O podcast de Diogo Mainardi está imperdível. Ri muito com o colunista da Veja, que ressuscitou uma teoria que estava por toda a parte nos anos 70: o satanismo contido nas letras das músicas e o torpor mental causado pelas canções em excesso. Show de bola.

"A música é o instrumento escolhido pelo diabo para disseminar sua mensagem. Trata-se de um fato seguro, que ninguém dotado de um pingo de critério ousaria contestar.

... O que a música produz é um estado de entorpecimento. A melodia, a harmonia, o ritmo – tudo contribui para conformar o espírito, para sedar, para emburrecer. Quem escuta música demais acaba rejeitando qualquer idéia dissonante, qualquer gesto que distoe.

... Ninguém parece ter percebido a malignidade da música. Exceto eu, os fanáticos por Deep Purple e o mulá Omar, que sabiamente proibiu todas as formas de música em seu Afeganistão talibã, uma experiência civilizadora cujo resultado jamais conheceremos, mas que poderia ter criado um novo Renascimento."

Para ler a íntegra, clique aqui.

Ele tem razão. Música é algo inebriante. Pertence às hostes de Dionísio, o precursor da demonologia cristã. Por isso mesmo, a Técnica Ludovico funciona que é uma maravilha.

Se eu pudesse não tirava mais os fones do ouvido _ pelo menos durante aqueles minutos de vertigem, quando os pensamentos somem e só o ritmo ecoa na mente. É fuga, Diogo. Disse tudo.

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Muito barulho por pouco, pouquíssimo

Daqui a um tempinho chega a avalanche de críticas, mas realmente escapa da minha compreensão o motivo pelo qual o déficit da balança comercial foi manchete dos principais jornais do país. Dirão que US$ 14 bilhões são recorde histórico e que houve uma virada brusca no saldo e que não entendo nada do assunto e blábláblá. Tudo bem. Ainda acho que é tempestade em copo d’água.

Não dá para comparar as conseqüências de fechar a balança no vermelho na situação atual com a da década de 90, quando o câmbio era administrado, e havia enorme déficit fiscal. Atualmente, o Brasil vive situação oposta: o dólar flutua livremente e há superávit primário. Naquele tempo valia o escarcéu. Hoje não, especialmente quando os números vêm acompanhados das explicações dos especialistas.

Diante da conjunção atual, citada acima, a receita infalível é cada um cuidar da respectiva praia: BC olha para a inflação, Fazenda pensa em meios de atrair investimentos que garantam a entrada de recursos (como desburocratização e desoneração tributária), o Planejamento matuta como diminuir gastos e, ao mesmo tempo, gerir melhor os recursos orçamentários. Todos juntos pensam no aperfeiçoamento dos marcos regulatórios. O Planalto negocia esses novos parâmetros com o Congresso, que não atrasa as discussões, nem as votações. O Judiciário, por sua vez, garante que tudo seja implementado e respeitado.

Na Bruzundanga, porém, a moda é sempre a confusão. A Fazenda quer interferir no câmbio inventando um “fundo soberano” ou algo que o valha. Na prática, isso funciona como alguém que deve muito (o Estado) pegar parte do dinheiro que serviria para pagar a dívida e aplicá-lo numa caderneta de juros bem baixinhos, abaixo dos juros cobrados pelo atraso. Como os credores são você e eu, eles não ligam.

O Planejamento costura meios de criar uma nova CPMF. O Planalto está dividido entre um presidente palanqueiro, uma ministra que quer ser presidente e gente que especula sobre a candidatura do presidente do BC. O Congresso fica enredado em CPIs inúteis e escândalos de corrupção. E o Judiciário se ocupa na discussão de habeas corpus para quem quer mentir.

Como você percebe, uma beleza. Todo mundo dorme com o barulho; fica difícil saber o que é preocupação justificada e o que é drama.

Sobre a imprensa, é fato que o país está crescendo. Não adianta querer entrar no túnel do tempo e alinhar-se aos que querem impedir a entrada de produtos estrangeiros na marra. As importações crescerão mesmo, é assim em todo o lugar cuja economia está em expansão. As manchetes deveriam estar por conta da criação de um ambiente econômico que atraia investimentos polpudos para equilibrar a balança _ corte de gastos governamentais e aperfeiçoamento na gestão dos recursos públicos, só para começar.

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O preço da dignidade

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O que você compra com R$ 0,50? No meu Brasil, o de classe média da zona oeste paulistana, no máximo um chiclete. No Brasil da Paraíba, contudo, uma moeda basta para adquirir poder. Seu dono pode destruir a integridade física, emocional e mental de uma pessoa.

Cinqüenta centavos é o preço cobrado para abusar sexualmente de uma criança no Vale do Mamanguape, litoral norte do Estado.

CINQÜENTA CENTAVOS.

A informação, assustadora e nauseante, é da professora de Direito Processual Penal da Universidade Federal da Paraíba Kilma Maisa Lima Gondim. Segundo ela, foram identificadas cerca de 50 rotas sexuais nas rodovias federais que cortam terras paraibanas.

"Há um mercado sexual para crianças e adolescentes que é muito forte no Brasil, vez que essa exploração é feita em rede: hotéis, motéis, restaurantes, bares, agências de modelo, taxistas", lembrou a advogada.

A promotora Ana Maria França, responsável por casos desse tipo, organizadora de marchas contra a pedofilia, acredita que "além da pobreza, desesperança, falta de estrutura familiar, analfabetismo, associados à falta de conhecimento e orientação das crianças e adolescentes, devemos também considerar que essa é uma região de passagem de BR, propício para a ocorrência desse tipo de crime."

Você conhece alguém vítima de abuso sexual na infância? Tem idéia de como a culpa, o medo, a tristeza, a vergonha afetam a vida posterior dessa pessoa? A dor de sentir que o adulto, que supostamente deveria protêge-la dos perigos, é a verdadeira ameaça? A solidão e a fuga quando ninguém acredita no que ela conta? Eu conheço e mais de uma. Por isso não sei explicar o que bate quando leio uma coisa dessas, a mistura de raiva, impotência, frustração, pena, tudo ao mesmo tempo.

Piora quando pego os jornais e vejo que o ministro da Justiça está empenhadíssimo em fazer com que os crimes praticados na época do regime militar, que terminou há mais de vinte anos, sejam punidos. Os parlamentares, por sua vez, estão preocupados com um dossiê ridículo e uma CPI mais ridícula ainda. O que está em jogo é eleição, é campanha, é dinheiro sujo. O restante, para esses cidadãos de fino trato, é imbecilidade que pode ser votada de qualquer jeito. Se precisar liberar a venda de bebidas alcóolicas nas estradas, por exemplo, eles o fazem sem pensar duas vezes.

Fácil explicar. Criança miserável que vive no fim do mundo não vota, não financia campanha, não dá manchete em grande jornal. Párias, foram entregues à própria sorte sei lá por quem _ por Deus, pelos pais, pelos pulhas que se locupletam com dinheiro público. E por nós, que aceitamos continuar comprando jornais repletos dessa lenga-lenga repugnante, que só serve para encobrir crimes muito, muito maiores.

PS: Mariana, linda, obrigada pelo toque.

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Assimetria do tempo

Olá, leitor. Ao contrário dos últimos dias, hoje acordei com uma vontade danada de escrever. Daqui a pouco volto com novos assuntos. Até lá, deixo você com um texto do João Pereira Coutinho, publicado pela Folha de S.Paulo. É bom objeto para a reflexão. Abraço!

"CREIO QUE era o jornalista H. L. Mencken quem escreveu no seu diário que a velhice era um estado irônico. Ele passara toda a juventude em busca de leitores. E quando finalmente tinha leitores, já não tinha a sua juventude.

Recordo a observação por motivos pessoais evidentes: vivo do que leio e escrevo. E não existe dia em que não recorde também um momento terrível da peça teatral de William Nicholson, "Shadowlands", em que o escritor C. S. Lewis pergunta a um colega de ofício se ele nunca sente a terrível sombra do desperdício. O outro diz que sim, baixa os olhos (envergonhado) e continua, solitariamente, a leitura. Em inglês, a palavra "waste" tem um peso e uma ressonância impossíveis de traduzir para português.

Mas a observação de Mencken (e de Lewis) pode ser alargada a qualquer profissão. Em escritórios ou fábricas, empresas ou lojas, as pessoas perdem a juventude em busca de segurança e conforto; e quando, finalmente, atingem segurança e conforto, a juventude já pertence ao passado. Velhas, cansadas. Provavelmente doentes. O pano desce."

Continua aqui.

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May 26, 2008

Vídeos interessantes

Mais um dia daqueles em que é melhor não escrever. Deixo você com dois vídeos que adorei. O primeiro, do TED (um dos melhores sites da rede na minha opinião), é uma série de reflexões feitas pelo físico Stephen Hawking sobre o Cosmos.

O segundo é um curta sobre o comportamento dos universitários nos Estados Unidos. Foi realizado por Michael Wesch com a ajuda de 200 estudantes da Universidade Estadual do Kansas.

Infelizmente, os dois estão em inglês. Não sei como fazer para colocar legendas. Alguém sabe?

Abraços!

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Confira

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Veludo

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May 25, 2008

Invasão

Oiiiii,
bom nos últimos tempos mamãe andou abusando do seu poder e dominando a área tecnológica da casinha. Como em toda opressão acontece uma revolta, eu me rebelei e não deixo mais ela acessar a net por um tempinho. Por isso hoje eu respondi os comentários e estou administrando os posts...

Galera é dureza, por isso pega leve nos comentários xD -> escrevam, mas escrevam com o meu vocabulário, coisa que gente de 14 anos entenda...

Eu também vou "tupinambar" (como a absolutista janoka diz-- COM K SIMMMM !!! -).

Aproveitem o descanso de notícias para fofocar e relaxar no domingão.

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May 24, 2008

Esterquilínio

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Novaes, para o JB.

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Go! Go! Go! Johnny!

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May 23, 2008

Mãozinha

Lauro Jardim informa:

"A Vale acaba de doar 1,4 milhão de dólares à Cruz Vermelha para as vítimas do terremoto na China. Já são 55 000 os mortos. No ano passado, a empresa já fizera o mesmo, logo após o Peru ter sido atingido por um terremoto. É o preço de ser uma empresa globalizada."

Pois é. Os super ricos e vermelhos da China recebem dinheiro da Vale no caso de tragédias da natureza. Isso está em contrato? Em sinal positivo, o Partido não brinca em serviço.

Por aqui, a Vale também deve pagar caro. É que a gente não fica sabendo, só os políticos. O desastre no Brasil é tão natural que acabou incorporado ao cotidiano.

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Do facão e outros artefatos

Minha mãe descende de índios e italianos. Meu pai vem de franceses. Isso quer dizer que eu posso rosetar carregando comigo facão, arco e flecha, zarabatana, gládio, pilum, galeus, sabre e florete?

Se for assim, aqui no A Postos teremos uma milícia e tanto.

David, do altovolta:

"Não tem problema. Só quero isonomia. Eu sou judeu. A Torá, a palavra de D'us ditada a Moisés, ordena que eu ajude a exterminar os amalequitas da face da Terra. Os amalequitas atormentaram os Filhos de Israel no deserto - o equivalente hebreu de "atirar pedra na cruz" - e tem de pagar por isso. Devo achar amalequitas. Devo matar amalequitas. É minha cultura.

Tudo bem, não sabemos exatamente quem são os descendentes dos amalequitas hoje, mas esse problema é nosso, da comunidade. Os rabinos vão decidir. Até sair o veredito, vou polindo minha Uzi, uma arma 100% kosher."

Nariz Gelado:

"Se liberaram o porte de facão como elemento cultural (?!), vou sair por aí com a Beretta que o meu bisnono ganhou do próprio Giuseppe Beretta quando estava deixando a Itália para vir se instalar na serra gaúcha.

Era 1878 e o Beretta, que já estava fazendo fama internacional vendendo rifles e pistolas para a coquista do oeste americano, previu direitinho o quadro que o bisnono encontraria no Brasil: muitos "bugres" atacando os colonos, enquanto eles abriam caminho à facão para chegar aos quase inviáveis lotes de terras que a Coroa Brasileira lhes prometera."

E você, leitor? Quais são as suas armas?

PS: Há também quem sugira que todos nós carreguemos bordunas, pois descendemos, sem exceção, dos homens das cavernas. E, se a compreensão dominante for a de que nós viemos dos ETs, podemos optar por pistolas que emitem laser ou sabres de luz.

PS2: Duro mesmo é saber que aqui em São Paulo, selva para ninguém botar defeito, a polícia só deixa eu andar com documentos e os telefones de emergência. Culpa minha, que sou aculturada, lógico.

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May 22, 2008

Incorporação da Nossa Caixa pelo BB

Sou contra. Não tem cabimento um negócio onde as duas pontas são estatais e sequer houve tomada de preços no mercado. Isso aí vai acabar (vai?) em safadeza.

Na minha modesta opinião, querem criar mais um braço para o Banco do Brasil onde serão pendurados os apanigüados, um imenso cabide de empregos. Muitas vaguinhas para suprir a necessidade de quem perderá o cargo com a virada de mandato. (O mesmo, creio, acontecerá com os gestores/consultores/atravessadores do tal fundo soberano que o Guido Mantega defende.)

O Estado brasileiro é inchado, corrupto e ineficiente. Tunga o contribuinte sem piedade para cobrir os buracos herdados das antigas administrações e os criados pela atual. Surpreendentemente, quando a gente fala de mandar em banco, tudo muda. Dedos estalados, o setor público vira guru. São os professores mundiais de lucratividade. Você não acha estranho? Eu acho.

As iniciativas do atual governo na área de crédito são excelentes para garantir a popularidade do presidente junto aos menos favorecidos, mas estão a anos-luz de garantir uma estrutura firme para a concessão de crédito no médio e no longo prazo _ está aí o Banco Popular como exemplo. O spread bancário continua a beirar o histrionismo. O BNDES, aparentemente, virou terra de ninguém. O que é que esse povo tem na cabeça?

Se eu fosse uma pessoa descuidada, diria o que estou pensando abertamente: que eles vão é fazer um bruta caixa dois para a campanha de 2010. Bem capaz, ressalte-se, que o butim seja dividido com os tucanos, esses neoliberais privatistas que, num átimo de iluminação, perceberam: é banco estadual que não pode. Federal, porém, dá para pensar. Sociedade mista, então, 100% maravilha. Sei, sei.

Governo não tem de emprestar dinheiro, nem se meter em ganhos financeiros. Tem de cuidar da Educação e da Saúde, garantindo que as pessoas tenham formação física e intelectual para disputar vagas em qualquer mercado de trabalho. Simples assim: o BB engolir a Nossa Caixa? Sou contra.


PS: Eu nem havia pensado naquilo que o Gravataí, do Imprensa Marrom, percebeu de pronto, o aumento do poder da Previ. Vale dar um pulo lá e conferir a íntegra.

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Nos tempos do Carl Sagan...

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Feriado cósmico

A primeira vez que fiquei com vontade de rever a série Cosmos foi quando descobri Hipácia de Alexandria, a mulher que ocupa um dos primeiros lugares na lista das que eu gostaria de ter sido.

A segunda veio em meados do ano passado, ao ler uma autobiografia deliciosa _ “Disturbing the Universe”, do físico e matemático Freeman Dyson.

A terceira foi ao longo desta semana, quando pesquisava sobre o Manuscrito Aleph e o Mosteiro Ortodoxo da Transfiguração.

Ora, não teve mais jeito _ procurei Cosmos na internet. Para quem sentir o mesmo comichão uma boa notícia: ela está no YouTube. Deixo você com três partes.

Bom feriado, leitor!

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May 21, 2008

Argumentos definitivos

Quase todos os dias, sugiro que dê uma olhadela nos blogs do A Postos, o portal que abriga o Arrastão. Alguns motivos, entre outros, virão a seguir.

Fabio Danesi Rossi, FDR:

"Dante ficou noivo aos doze anos. Ninguém descreveu o inferno tão bem quanto Dante."

Godoy, 8 Bits e Meio:

"No Anti-Monopoly as regras são diferentes do Banco Imobiliário [bb] normal que estamos acostumados. Os jogadores são divididos em dois grupos: “Competitors” (competidores) e “Monopolists” (monopolistas), cada um desses grupos tem regras diferentes.

O grupo “Competitors” cobra alugueis a um custo razoável, constrói assim que consegue uma propriedade, sempre coloca 5 casas em suas propriedades e ocasionalmente entram em uma “Price War” (guerra de preços). Já o grupo “Monopolists” cobra alugueis exorbitantes de seus inquilinos pobres, só começa a construir quando tem um grupo inteiro na mão, restringe a oferta colocando apenas 4 casas em suas propriedades e ocasionalmente vão para a cadeia."

César Miranda, aniversariante da noite (parabéns, querido!), no Pró Tensão:

"O poeta desperdiça poemas, do compositor brotam canções até caírem de maduras. E assim, de Deus brotou todo o universo e a humanidade, pois somos fontes que transbordam e se tornam rios desperdiçando água, para aqueles que têm sede."

Pescou? Um abraço, leitor!

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Sem porteira

José Aparecido se enganou. André Fernandes se apavorou. Erenice Guerra se evaporou.

O BNDES cuida de seus guris com cuidado biopsicossocial. O BNDES negocia nossos reais com desmazelo autista.

Serra, Alckmin e Kassab batem cabeças. Lula bate palmas. Marta relaxa e goza.

Paulo Bernardo diz que não há sobra de caixa no governo. Guido Mantega diz que vai criar um fundo para operar no mercado.

Mais vagas - "que bom!". Mais impostos - "que ruim!". Mais inflação - "que medo!".

São Longuinho, o senhor, que ajudou a recuperar os computadores da Petrobras, dê uma forcinha para que encontrem os micros com dados dos paramilitares colombianos. Todo mundo das Farc promete três pulinhos.

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Twist and shout

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Farda-justa

Li na coluna de hoje do Carlos Brickmann:

"Vitor ou Vitória

Um oficial da Marinha, comandante de um Batalhão Escolar na Escola Naval do Rio, com bons antecedentes, decidiu operar-se para mudar de sexo. Como punição, foi afastado do posto. E reivindica às autoridades da Marinha que o mantenham no posto, com a mesma patente de capitão de corveta – ou, na pior das hipóteses, que o desligamento seja amigável, talvez pela reforma. A Marinha não quis ainda se pronunciar sobre o caso.

Em casos semelhantes, as Forças Armadas brasileiras afastaram os transexuais."

Você manteria o oficial? Por qual razão?

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Os Perobas

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A charge é do Cláudio e foi publicada pelo Agora.

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ALSTOM: Pano para todas as mangas

Prometi que voltaria com o caso Alstom, eis que estou aqui. Em linhas gerais, você sabe: procuradores da Suíça investigam se a francesa Alstom, um gigante mundial na área de infra-estrutura, pagou propinas entre 1997 e 2003 a políticos brasileiros para ganhar licitações gigantescas.

A cobertura dos jornais têm sido muito bem feita em relação aos contratos da Alstom com o metrô paulistano e com a CTEEP. Hoje, por exemplo, Mario Cesar Carvalho e José Ernesto Credendio revelam na Folha de S.Paulo que o Tribunal de Contas do Estado de S.Paulo julgou irregular a compra de 12 trens feita pela CPTM, companhia que cuida do metrô local, no fim de 2005. Por aqueles dias, o tucano Geraldo Alckmin era o governador.

O negócio, fechado sem licitação, correspondeu a R$ 223 milhões. Baseou-se em um contrato de 1995. Pior: o documento havia expirado em 2000. Vale a leitura.

Também é interessante a nota escrita por Monica Bergamo, da mesma Folha. Ela informa que o procurador suíço que investiga a Alstom já havia colaborado com o promotor Sílvio Marques, que cuida do caso no Brasil. Da outra vez, o alvo eram as contas do ex-prefeito Paulo Maluf.

Da outra vez, eu disse? Talvez não. Se o Ministério Público tiver liberdade para a investigação que pretende, é possível que esquemas antigos voltem à tona. Digo isso pois a história de usar notas frias para encobrir repasses ilegais aos políticos é antiga, respingou em Maluf há 11 anos, com o escândalo da Lavanderia Monte Cristo. Revista IstoÉ de 29/10/1997.

“... Ali funciona a sede do grupo Monte Cristo, amontoado de mais de 30 empresas, quase todas de fachada, comandadas pelo empresário Samir Assad. Duas delas, a Montreal Assessoria e Consultoria e a Somartec C M & Futuros Ltda., tiveram operações com títulos públicos da Prefeitura de São Paulo registradas pela CPI do Senado e há seis meses passaram a ser investigadas. O que a PF não sabia era o tamanho da conexão que seria descoberta. No bunker da Monte Cristo os policiais encontraram farta documentação (incluindo mais de dez mil notas fiscais frias) e funcionários dispostos a contar tudo o que sabem sobre um esquema de falsificações e lavagem de dinheiro. Este esquema aponta para empreiteiras e seus costumeiros parceiros, os políticos. Apenas em 125 das notas já analisadas, o valor da falcatrua atinge R$ 17,8 milhões. A PF acredita que o escândalo pode superar os R$ 500 milhões.

Segundo os depoimentos... as notas eram completamente falsas. Não correspondiam a nenhum serviço prestado pelas empresas do grupo, não eram registradas na Secretaria da Fazenda e, embora tenham sido impressas na Izar Artes Gráficas Ltda., estampavam o nome de gráficas fantasmas no rodapé.”

Se eu fosse cobrir essa bagunça toda, daria uma olhadinha em quem eram as parceiras da Alstom à época e veria se elas podem ter repassado dinheiro por aí em nome da francesa. Ficaria de olho especialmente na corretagem e nas operações financeiras. É aí que as investigações costumam se perder _ nos meandros do mercado.

A OAS, por exemplo, no fim de 1997 mandou para Jersey (onde ficavam as supostas contas de Paulo Maluf) R$ 6,8 milhões.

Volto para a Folha de hoje:

"Segundo o jornal norte-americano 'The Wall Street Journal', uma dessas propinas, de US$ 6,8 milhões, teria sido paga para que a Alstom conseguisse um contrato de US$ 45 milhões do Metrô de São Paulo."

Pode ser apenas coincidência de valores, e provavelmente o é, mas eu começaria a investigar por aí.

Para continuar lendo, clique aqui.

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May 20, 2008

Gênesis

Hoje foi impossível continuar escrevendo os temas dos últimos dias, perdoe-me. Deixo vocês com uma animação que me encantou. Boa noite!

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May 19, 2008

A revoada da Alstom

Leitor, você viu O Estadão? Tem uma reportagem muito interessante lá.

"As investigações envolvendo a empresa de engenharia francesa Alstom, suspeita de pagar propina para vencer licitações no Brasil, como a de obras de expansão do Metrô de São Paulo, está se configurando em um novo fronte de batalha entre os dois grandes partidos políticos do País. Segundo artigo do Wall Street Journal, o PT e o PSDB vêm trocando acusações de corrupção nos meses que antecedem as eleições municipais, e o caso Alstom acabou se tornando o centro das campanhas."

"A maioria dos contratos com a Alstom - 77 de 139 - foram assinados na administração do ex-governador Geraldo Alckmin, do PSDB. No total, estima-se que a empresa francesa tenha recebido US$ 4,6 bilhões do governo do Estado. O jornal também comenta que parlamentares ligados ao PSDB, que detém a maioria na Assembléia Legislativa, rejeitaram um pedido de abertura de inquérito para investigar o caso."

Outro texto:

"A investigação começou por acaso. A Comissão Federal de Bancos da Suíça, que regula o setor financeiro, pediu que a KPMG preparasse um relatório sobre a situação do Banco Tempus, de Genebra. "Para nós, o caso já está fechado, porque o banco que estávamos avaliando não existe mais desde 2004", afirmou Alain Bichsel, da comissão de bancos. "O objetivo da investigação não era a Alstom", disse a autoridade regulatória da Suíça ao Estado. Segundo ele, porém, parte do relatório mostrou a relação do banco com a empresa francesa. Essa, portanto, teria sido a pista que levou as autoridades suíças a investigar o suposto esquema de propinas da Alstom."

Mais um

"A gigante francesa de engenharia Alstom informou nesta sexta-feira, 16, que entrou como parte civil no inquérito que apura as denúncias de que a empresa pagaria propinas para conseguir contratos na América do Sul e na Ásia. O grupo está sendo investigada na França e na Suíça. "A Alstom se juntou à investigação como parte civil dentro de um procedimento legal em andamento na Suíça e na França ao qual o nome da companhia foi associado, com relação ao possível uso indevido de ativos da empresa em detrimento da Alstom", disse a empresa, em um breve comunicado divulgado. Segundo o jornal francês Le Figaro, com isso, a Alstom terá acesso a todo o inquérito."

Você sabe que o PT quer uma CPI sobre o assunto, não é? Acho que vou começar a olhar o que tem nesse caso. Parece interessante.

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Dois para lá, dois para cá...

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Eles são bons!

Dê um pulo no Pato de Laranja, nova página que reúne vários desenhistas bacanas.

E, claro, perguntinha básica: já deu uma banda pelo A Postos hoje? Não é por nada, mas o portal está bom pacas. Tem, na minha opinião, o melhor blog de humor da rede: o Pura Goiaba, do meu amigo Ruy, fora todos os outros, como o da Nariz Gelado e os meninos d'A Torre de Marfim, meus colegas de "mundo real".

Um abraço, leitor.

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Veio criptografada?

Leitor do Paraná pergunta se considero possível que as notas sobre Celso Daniel sejam apenas recados ou, ainda, algum tipo de chantagem contra quem quer enterrar o caso de Santo André. Minha resposta _ óbvia, admito _ é que o passado indica: tudo é plausível quando o imbróglio em questão é esse.

O que tem saído por aí fala que 1) Norma Cunha, ex-mulher do juiz Rocha Mattos, seria sócia oculta da Havaí Turismo, 2) Celso Daniel teria contas no exterior que teriam sido movimentadas depois de sua morte, 3) empresários mineiros estariam metidos com os mesmos doleiros de Celso Daniel (no caso, a Havaí Turismo).

Pense comigo. De acordo com o que indica meu leitor, devo supor que para a chantagem ser bem-sucedida o doleiro em questão, na verdade, NÃO é a dona da Havaí, mas outro, certo? Vazar algo falando da sra. Kodama, segundo tal raciocínio, seria apenas um jeito de mandar um recado aos donos do dinheiro.

Muito bem, vamos lá. Nas notas anteriores, lembrei que o Ministério Público Federal denunciou dois empresários mineiros, donos da GD International, por remessas ilegais e lavagem de dinheiro. A empresa seria uma das abastecedoras da conta de Duda Mendonça, o marqueteiro do PT, no exterior.

Ora, além da GD, quem mandou dinheiro para Duda? Radial Enterprise e Deal Financial Corporation. E a quem elas pertencem? Ai a porca torce o rabo, leitor. (Olhe o diagrama feito pelo Senado.)

Segundo o Correio Braziliense de 17 de agosto de 2005, o dono da Radial e da Deal é o doleiro Sandor Paes de Figueiredo, também proprietário da Santur Câmbio e Turismo Ltda.

“Apuração da força-tarefa do Caso Banestado — missão integrada pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal para investigar remessas ilegais de dinheiro ao exterior — atribui a Sandor Figueiredo uma série de operações por meio de empresas instaladas em paraísos fiscais. Duas delas estão na rota dos valores que Duda Mendonça recebeu no exterior como pagamento pela prestação de serviços de publicidade ao PT durante a campanha eleitoral de 2002. São elas: a Deal Financial Corporation e a Radial Enterprise.

A Deal e Radial aparecem no organograma do Departamento de Recuperação de Ativos (DRCI) do Ministério da Justiça que demonstra como o dinheiro de Duda chegou ao BankBoston em Miami (EUA), onde a empresa de dele, a Dusseldorf Company, mantém conta bancária.

... Fonte do Ministério Público envolvida nas investigações revelou ao Correio Braziliense que Sandor Figueiredo realizou, por meio das empresas instaladas em paraísos fiscais, uma série de operações no MTB Bank, de Nova York — outra coincidência com transações atribuídas a Duda Mendonça. Conforme a base de dados do MTB, o publicitário e sua sócia Zilmar da Silveira teriam movimentado cerca de US$ 2 milhões entre 1998 e 2000, sempre utilizando como intermediária a Ágata, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas. Essas contas teriam recebido recursos de campanhas eleitorais, investiga a PF.”

Norma Cunha e Rocha Mattos conhecem Sandor? Em 2004, o Estadão dizia que sim:

“O relatório liga Rocha Mattos ao suposto doleiro Sandor Paes Figueiredo, dono da Suntur Turismo e Câmbio Ltda - onde a PF encontrou cópia de sentença do juiz, "absolvendo acusado de crime previsto no artigo 22 da Lei 7.492/96 (Lei do Colarinho Branco)". ‘O juiz é cliente da Suntur, com várias compras de pacotes, inclusive para o exterior.’

Para a Anaconda, Rocha Mattos ‘dá sustentação à organização através da intimidação proporcionada pelo cargo que ocupa e/ou colaborando através da prolação de decisões de interesse do grupo criminoso‘.

A Folha de S.Paulo, em dezembro de 2003, muito antes de estourar o mensalão, também acreditava na proximidade:

“O dono da empresa de câmbio Suntur, Sandor Paes de Figueiredo, foi arrolado por Norma [Cunha] como sua testemunha numa ação de ‘reconhecimento de sociedade conjugal de fato e de direito‘, aberto por ela em 3 de setembro de 2002 na Vara de Sucessão e Famílias do Foro Central da Justiça Cível de São Paulo. A ação era necessária porque Norma pretendia formalizar o seu divórcio com o juiz.

Ela requeria que a Justiça declarasse a existência de "mais ampla relação de direito" com seu ex-marido, Rocha Mattos. Nesse gênero de processo, somente pessoas muito próximas do casal são intimadas a depor.”

Até aí tudo bem, mas encontrei versões diferentes. Um mês depois da matéria do Correio Braziliense sair, em agosto de 2005, dizendo que Sandor era o dono das contas que mandaram dinheiro para Duda, a Folha de S.Paulo, em 3 de setembro de 2005, veio com outra história:

“A duas quadras da sede do Rural, outra equipe fazia buscas na empresa Radial Participações. Essa empresa teria relação com a Deal Financial Corporation. Um dos sócios da Radial Participações é o empresário João Bosco Assunção Esteves, irmão de Camilo de Lélis Assunção, um dos quatro doleiros presos em Minas no ano passado na operação Farol da Colina --que prendeu 60 doleiros em vários Estados.”

A revista Época, em fevereiro de 2008, embarcou na mesma. Olhe só:

“A rede de abastecimento da Dusseldorf envolve ainda outro "empresário" mineiro, João Bosco Assunção Esteves, operador da Radial Enterprise e da Deal Financial Corporation. Juntas, elas mandaram mais de US$ 200 mil para Duda nas Bahamas. Em depoimento à PF, Esteves disse não se lembrar das remessas para a Dusseldorf e afirmou que não conhecia nenhuma pessoa ligada a Marcos Valério. "Durante vários anos realizei operações no comércio exterior, principalmente no ramo de importações de produtos de baixo valor", declarou à PF. O esquecimento de Esteves pode ser até verdadeiro, já que por suas contas em paraísos fiscais passaram centenas de depósitos investigados pela PF. São as chamadas contas-ônibus, usadas para dificultar a identificação do beneficiário final do dinheiro expatriado ilegalmente.

Esteves é um velho conhecido no mundo das investigações sobre lavagem de dinheiro. Só em uma das mais famosas contas-ônibus operadas pelos doleiros brasileiros, a Beacon Hill, que deu origem a uma operação que prendeu cambistas e seus comparsas nos quatro cantos do país, Esteves movimentou US$ 2,7 milhões por meio de 60 transações."

Entre Rocha Mattos, Norma e Esteves não achei nada. Talvez exista, se você souber de algo avise-me e publicarei. Além disso, Esteves não deixa de ser uma possibilidade, uma vez que é empresário, mineiro e irmão de doleiro. Encaixa-se, portanto, no perfil descrito na nota publicada por Claudio Humberto no último dia 15.

Por fim, uma lembrança: Sandor e Camilo foram presos na Operação Farol da Colina, que levou vários doleiros à cadeia. Não sei se estão soltos agora. E você? Será que algum deles tinha negócios em Santo André?

Façam suas apostas. A minha? Aposto que não mexerei mais nesse assunto por um bom tempo.

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May 18, 2008

Mundo pequeno, não?

Há alguns dias, uma leitora perguntou qual era a minha opinião sobre o fato de Eliane Cantanhêde, colunista da Folha de S.Paulo, ter chamado o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, de mentiroso.

Para quem não se lembra, a acusação foi publicada no último dia 13:

"Henrique Meirelles era ligado à AP (Ação Popular, da década de 1960) e teve até alguma participação no movimento estudantil de resistência à ditadura, mas nunca foi preso e muito menos torturado. Se conhece pau-de-arara e palmatória, é de ouvir falar.

Por isso ele não teve nem tem o direito de mentir, apesar de aparentemente estar mentindo pelos cotovelos quando diz que não quer, não tem condições e não vai concorrer ao governo de Goiás em 2010. Ele me disse isso, olho no olho, em 25 de abril. Ainda bem que não escrevi. Dias depois, veio a notícia de que vai se candidatar -e até já comunicou ao chefe Lula. De duas, uma: ou Meirelles mente, ou Lula mente. Façam suas apostas.

... Não dá para entender por que Meirelles me chamou para desmentir o "indesmentível": que não desistiu de suas pretensões eleitorais, depois de trocar o admirável mundo das finanças globais justamente para enveredar pela política no Brasil. Ele explica a troca do domicílio eleitoral para Anápolis "por questões sentimentais", mas articula com líderes goianos de quase todos os partidos e gostos, à frente o mensaleiro Sandro Mabel."

Já escrevi aqui, talvez ao responder um comentário, que gosto muito da Eliane. Achei a coluna o máximo, pela coragem de enfrentamento demonstrado pela colunista. Ressalto, porém, que Meirelles conversou comigo várias vezes quando morei em Brasília. Nunca mentiu.

Fiquei imaginando um jeito de tirar a prova dos nove. Acho que encontrei. Meirelles, segundo Eliane, teria justificado a decisão de votar em Anápolis "por questões sentimentais", certo? Se eu estivesse lá pelas bandas do planalto central, minha pergunta para o presidente do BC seria se, ao dizer isso, ele se referia ao fato de ter parentes naquela cidade.

Henrique Meirelles é primo de Haroldo Duarte, presidente municipal do PDT, segundo pesquisei na internet. Haroldo é tido como uma importante liderança da esquerda e tem bom trânsito entre os petistas. Um de seus trunfos seria o filho: Glauco Diniz Duarte. Você se lembra dele?

No último dia 15, escrevi uma nota contando que o Ministério Público Federal em Belo Horizonte denunciou dois empresários, Glauco Diniz Duarte, e Alexandre Vianna de Aguilar. Donos da empresa GD International, eles foram acusados de evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Os crimes teriam sido cometidos a partir de uma conta no Florida Bank que "funcionava como autêntica conta-ônibus, uma modalidade de conta que abriga várias outras subcontas, o que permite a dissimulação da natureza, origem, localização, movimentação e propriedade dos valores movimentados".

Mais: a conta da GD mandou dinheiro para a off-shore Dusseldorf Company, empresa de Duda Mendonça. A Dusseldorf, segundo o próprio Duda disse à CPI dos Correios, foi aberta a pedido do PT. O partido pagou lá fora, com dinheiro não declarado, os serviços do publicitário (expert nesse tipo de publicidade desde que prestava serviços a Paulo Maluf), que coordenou uma série de campanhas eleitorais para candidatos petistas _ inclusive a de Luís Inácio Lula da Silva à presidência e a do prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel.

De acordo com o Ministério Público, a conta da GD também está ligada com outros réus por lavagem de dinheiro, como o Banco Rural e outros braços do grupo financeiro.

Aqui no Brasil, Glauco da GD ficou conhecido ao fechar um convênio com a prefeitura de BH em nome do Clube dos Diretores Lojistas de Belo Horizonte, em 2004, chamado "Olho Vivo". Consistia na compra de câmeras de vídeo para combate ao crime _ instaladas no centro da cidade, monitoraria os transeuntes. Os procuradores de Minas Gerais, contudo, acharam que por trás do combate ao crime poderia haver algo. Ao investigarem o "Big Brother Pão de Queijo", descobriram que: 1) as câmeras compradas vinham de contrabando; 2) o material era superfaturado; 3) a empresa que emitia notas fiscais referentes ao negócio era fantasma.

E não acaba por aí. Um pouco acima eu disse que a GD, empresa de Glauco, mandava dinheiro em nome do PT para a Düsseldorf de Duda Mendonça, por meio de uma conta no Florida Bank, não é? Pois bem. Os depósitos coincidiam com os pagamentos da prefeitura de BH ao Clube dos Diretores Lojistas (cujo diretor era Glauco), que vinha recendo notas frias para justificar a saída do dinheiro. Assim, cerca de R$ 12 milhões teriam abastecido o publicitário (e, depois, trazidos ao Brasil pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, acusado pela Procuradoria-Geral da República de esquentar recursos no caso do mensalão).

Em 2004, você sabe, a prefeitura de Belo Horizonte já estava sob o comando do petista Fernando Pimentel. A marca do político sempre foi a capacidade de diálogo. Pimentel foi um dos principais articuladores da aliança que resultou na chapa PT-PL, Lula e o então senador mineiro José Alencar, vencedora das eleições presidenciais de 2002. Desde então, Pimentel trabalha em outra aliança, aquela que oficializará um casamento que, nos bastidores, dá certo desde de 2004: PT e PSDB, Pimentel e Aécio Neves, outro entusiasta de que a política é feita com aliados, não inimigos.

E Glauco e Aécio têm algo a ver? Só se Mauríco Campos Jr., nomeado pelo governador tucano como secretário estadual de Defesa for parente do ex-prefeito de BH Maurício Campos, que é sogro de Glauco. Isso eu não sei. Se alguém aí é de Minas, pode me dizer?

No cargo, Maurício Jr. defende que os presídios sejam administrados pelo setor privado, por meio de parcerias público-privadas. Antes de assumir a função, o criminalista se ocupava em defender os diretores do Banco Rural .

Campos Jr. também advogou para Fernandinho Beira-Mar, acusado de ser a autoridade máxima do Comando Vermelho (CVV), facção criminosa que divide com o Primeiro Comando da Capital (PCC) a condição de liderança nacional em tráfico e venda de drogas, contrabando de armas e prostituição.

E por aqui eu fico, leitor. Afinal, é domingo, gosto muito da minha vida e tenho uma filhinha linda para criar. Quem sabe as grandes redações se interessam? Até mais!

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Madrugada animada


MUTO a wall-painted animation by BLU from blu on Vimeo

Mais aqui.

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May 17, 2008

Revival

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Respeito

Muito bom o editorial de hoje d'O Estadão sobre as infelizes declarações do presidente da República em relação às regras legais que regem os processos licitação. Adoraria tê-lo escrito.

Alguns trechos:

"Num discurso de improviso feito no lançamento de uma obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o presidente Lula voltou a mostrar que tem dificuldades para conviver com as leis e as instituições, quando elas contrariam seus propósitos. Falando em Salvador, na semana passada, ele investiu contra a Lei Eleitoral, afirmando que ela atrapalha suas viagens pelo País para divulgar o PAC; reclamou do rigor da Lei de Licitações que, segundo ele, dificulta a execução do cronograma de obras do governo; e criticou os órgãos encarregados de zelar pela aplicação desta lei, o Ministério Público Federal e o Tribunal de Contas da União (TCU).

O motivo da irritação de Lula está no fato de que o TCU, cumprindo sua função constitucional, fiscalizou 122 obras do PAC e constatou graves irregularidades em 29, determinando o bloqueio dos recursos orçamentários correspondentes. O TCU embasou suas decisões na Lei de Licitações, aprovada em 1993 com o objetivo de regulamentar as compras governamentais e fechar brechas que permitiam manipulação de concorrências. A lei foi aprovada pelo Congresso como resposta às denúncias de corrupção que marcaram o governo Collor.

... 'É preciso mudar para facilitar as coisas. A Lei de Licitações não pode continuar do jeito que é porque, aqui no Brasil, se parte do pressuposto de que todo mundo é ladrão', disse o presidente, esquecendo-se de que, mesmo com os rigores da Lei de Licitações, a Polícia Federal tem feito sucessivas descobertas de grossa corrupção na máquina estatal.

... O presidente Lula goza, por méritos próprios, dos mais altos índices de popularidade que já teve um governante neste país. Mas, como chefe de Estado, ele tem a obrigação de saber como as instituições funcionam e de respeitar a ordem jurídica. Foi essa lição elementar que os ministros do TCU tentaram lhe ensinar."

O ocupante do Planalto tem todo o direito, bem como legitimidade, de propor discussões sérias acerca da burocracia que, tem razão o presidente, trava o sistema. Isso é uma coisa. Usar a exposição resultante do cargo para influenciar a opinião pública a hostilizar quem lhe incomoda é outra. Para o bem do país, nós e ele devemos saber a diferença entre as duas coisas.

Leia a íntegra.

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Lei da Selva

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Ser vidente no Brasil dá pouco trabalho quando o assunto é carga tributária. Basta apostar em alta de impostos _ o Leão, na terrinha, vive faminto.

No dia 13 de março, aqui, eu disse:

"Podem escrever aí: nos próximos meses, o governo vai fazer de tudo para aprovar um novo imposto capaz de substituir a CPMF."

Rá. Hoje vejo a manchete da Folha:

"Governo prepara nova CPMF para financiar gasto da Saúde

Tributo em estudo tem alíquota menor; imposto sobre fumo também pode subir

Contribuição da Saúde seria de 0,08%; governo pretende mudar lei aprovada no Senado que destina ainda mais dinheiro para o setor"

"Os aumentos serão decididos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na reunião semanal de coordenação do governo.

"No caso da Saúde, o governo encampou uma proposta de deputados governistas. O objetivo é oferecer uma nova fonte de financiamento para a Saúde em troca da alteração do projeto de lei que regulamentou a Emenda Constitucional 29.

"O projeto foi aprovado em abril no Senado e foi para a Câmara. Estipula normas que devem elevar os recursos para a Saúde dos R$ 48,5 bilhões previstos no Orçamento deste ano para R$ 58,4 bilhões. Até 2011, os recursos extras seriam de mais de R$ 20 bilhões anuais.

... Em 2007, a arrecadação da CPMF foi de R$ 37,2 bilhões. Um tributo idêntico com alíquota de 0,08% deve render ao menos R$ 8,7 bilhões (considerado ainda o aumento de arrecadação média do governo federal este ano). Mas tal fonte de dinheiro para a Saúde evitaria que fossem vinculadas ao setor fatias cada vez maiores do Orçamento federal, tal como prevê a regulamentação da Emenda 29. Mesmo sem a receita da CPMF, a arrecadação do governo continua a crescer."

"... A Emenda 29 havia sido aprovada em 2000. Sem que fosse regulamentada, prevalecia a norma provisória que obrigava o governo federal a aplicar em Saúde a verba do ano anterior mais a variação nominal do PIB. O PIB real cresceu 5,4% em 2007; o nominal subiu 9,7%.

A lei orçamentária prevê que a receita total de impostos do governo federal em 2008 deve ser de R$ 687 bilhões. Como em 2008 seriam aplicados 8,5% da receita, a saúde receberia cerca de R$ 58,4 bilhões, contra R$ 48,5 bilhões previstos no Orçamento -R$ 9,7 bilhões a mais."

Deixe-me ver se entendi: o governo escolheu deliberadamente criar novos impostos, a despeito da arrecadação cada vez maior, para não ter de melhorar a administração dos recursos orçamentários _ esperteza, aliás, que os tucanos também usaram no governo passado.

Dirão que é um jeito de os mais ricos financiarem a saúde dos mais pobres. Pode ser. Mas, para mim, é uma transferência que não resolve o problema central _ desenvolver modelos mais eficientes de gestão e controle dos recursos públicos. Na prática, os novos impostos são uma maneira de a classe média, a mais penalizada pela sanha da Receita, financiar a incompetência dos Poderes.

Os congressistas (aí incluo os de oposição e só vou retirá-los, pedindo desculpas pelo mau pensamento, se derrubarem as novas taxas) tendem a embarcar na proposta governista. Triste. Mais uma vez o Leão vai rugir, mais uma vez os anéis serão entregues. Até aqui, aliás, eles nunca pararam nos dedinhos do povo por muito tempo.

Será destino?

PS: A charge acima é do Aroeira, foi publicada n'O Dia em fins de abril.

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May 16, 2008

Sessão da Tarde

Ontem, eu e Manu fomos ver "Speed Racer". Notei crianças com os olhos arregalados, absolutamente vidradas na tela, uma fofura. Imediatamente voltei às tardes com pipoca, cobertor e chocolate quente de Curitiba, ai que delícia!

Separei alguns filmes que me encantavam naquele tempo. Divido a seleção com você.

O Pássaro Azul

(Se quiser ver outros, clique aqui.)

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Recordar é... viver?

Hoje estou naqueles dias de pouca escrita, perdão. Fiquei lendo coisas antigas, pulando de texto em texto. Além do prefeito assassinado em 2002 de Santo André, Celso Daniel, há outra morte, anterior, bastante intrigante: a da modelo Cristiana Aparecida Ferreira, ocorrida em 2000.

A moça, lindíssima, foi encontrada nua em um flat próximo ao Palácio da Liberdade, Belo Horizonte. A Polícia Civil disse que havia se suicidado com veneno de rato. O celular de Cristiana, porém, apontou várias ligações trocadas com políticos e empresários poderosos.

A partir daí, o caso foi reaberto _ descobriram que a modelo, sobre quem restou a suspeita de ter sido garota de programa e "mula" para transporte de dinheiro ilegal, havia sido agredida e sufocada antes de morrer. O assassino teria tido o cuidado de derramar raticida em seus lábios para simular um suicídio. Seu ex-namorado, um detetive particular, será julgado pelo crime.

Um trecho da reportagem da Folha Online de 29/08/2005:

"Nas últimas semanas, o promotor Francisco Assis Santiago, que atua no caso da morte de Cristiana, ouviu a mãe e três irmãos da modelo, que confirmaram depoimentos prestados em 2002. Na ocasião, os familiares afirmaram que a modelo transportava freqüentemente malas suspeitas para São Paulo e Brasília. Um dos irmãos disse que a modelo contou a ele, certa vez, que estava com R$ 1,3 milhão em dinheiro."

Continuo aqui.

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May 15, 2008

CELSO DANIEL: Será que as redações devem prestar atenção no que acontece em BH?

Você leu o post logo abaixo, sobre a nota do Claudio Humberto relativa ao caso Celso Daniel? Pois é. Um leitor me avisou e, enquanto o médico não chama, fui dar uma olhadinha na internet. Olhem o que encontrei aqui:

"Recebida denúncia do MPF/MG contra empresários mineiros investigados no esquema do mensalão 13/5/2008 17h25

Glauco Diniz Duarte e Alexandre Vianna de Aguilar são acusados de cometer evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

A Justiça Federal em Belo Horizonte recebeu na última quinta-feira, 8 de maio, denúncia do Ministério Público Federal em Minas Gerais (MPF/MG) contra os empresários Glauco Diniz Duarte e Alexandre Vianna de Aguilar. Eles são acusados da prática dos crimes de evasão de divisas (artigo 22, parágrafo único, parte final, da Lei 7.492/96) e lavagem de dinheiro (artigo 1º, incisos V, VI e VII, da Lei nº 9.613/98).

Segundo a denúncia, os réus teriam constituído uma empresa em Pompano Beach/Florida, com o objetivo de operar com troca de cheques, câmbio de moeda estrangeira e remessa de valores. Em seguida, abriram uma conta-corrente no Bac Florida Bank em nome da mesma empresa, por meio da qual realizavam operações envolvendo recursos próprios e de terceiros sem a devida declaração à repartição brasileira competente. A conta no Florida Bank funcionava como autêntica conta-ônibus, uma modalidade de conta que abriga várias outras subcontas, o que permite a dissimulação da natureza, origem, localização, movimentação e propriedade dos valores movimentados.

O MPF sustenta que, no curso das investigações, os peritos encontraram provas de que os acusados mantiveram depósitos no exterior em valores muito acima dos limites legais, sem qualquer declaração à repartição federal competente.

Transferências para Duda Mendonça - Para o MPF, foi se valendo de tal mecanismo “que Glauco Diniz e Alexandre Vianna foram acionados para proceder à lavagem de quantias provenientes de crimes contra a administração pública e subseqüentes crimes contra o sistema financeiro nacional”, praticados pela organização criminosa descrita na inicial acusatória do já mencionado "escândalo do mensalão”.

De acordo com a denúncia, foi por meio da conta mantida no Bac Florida Bank que a off-shore Dusseldorf Company, de propriedade do publicitário Duda Mendonça, recebeu remessas como pagamento de uma dívida relativa a serviços de campanha prestados ao Partido dos Trabalhadores (PT).

A análise do material reunido no curso das investigações aponta ainda para uma extensa e contínua rede de operações travadas pela empresa dos réus com doleiros brasileiros e estrangeiros (alguns deles notoriamente envolvidos na reiterada prática de crimes contra o sistema financeiro nacional; alguns, até, já denunciados e condenados), bem como com o Grupo Financeiro Rural, para a evasão e lavagem de ativos.

Recebida a denúncia, foi instaurada a Ação Penal nº 2008.38.00.012837-8 pelo juízo da 4ª Vara da Justiça Federal em Belo Horizonte. Se condenados, os réus podem pegar mais de 15 anos de prisão."

Claro que eu fui procurar coisas sobre o assunto. Achei links interessantes no Senado, relativos à CPI dos Bingos, que mostram o seguinte:


"07/11/2005 SACEI - SERVIÇO APOIO COM. ESP. PARL. DE INQUERITO
Situação: DEPOIMENTO
Realizada a 29ª Reunião, em 19.10.2005, reunião destinada a oitiva do Sr. Nagib Fayad, empresário. Anexei a folha n.º 557, referente ao Termo de Compromisso que presta o Sr. Nagib Fayad na presente reunião.
Publicação em 30/03/2006 no DSF Página(s): 1366 - 1385 Suplemento
( Volume nº II/II Suplemento nº 48) ( Ver diário )

05/04/2006 SACEI - SERVIÇO APOIO COM. ESP. PARL. DE INQUERITO
Situação: DEPOIMENTO
Realizada a 62ª Reunião, em 09.03.2006, destinada a oitiva dos Srs. Benedito Antônio Valencise, Delegado da Seccional de Ribeirão Preto/SP e Nelma Mitsue Penasso Kodama, empresária da Havaí Câmbio e Turismo de Santo André/SP. Anexei a folha n.º 1100, no Volume V, referente ao Termo de Compromisso que presta a depoente Nelma Kodama na presente reunião.
Publicação em 09/08/2006 no DSF Página(s): 414 - 452 Suplemento
( Suplemento nº 136) ( Ver diário )

07/12/2006 SGM - SECRETARIA GERAL DA MESA
Em 8 e 9/11/2006, o Sr. Presidente do SF, Senador Renan Calheiros, encaminhou o Relatório Final nº 3, de 2006-SF, às autoridades para as quais há recomendações, conforme expedientes a seguir discriminados, juntados às fls. 3892/3911 do Volume XII: Mensagem nº 246, de 09.11.06, ao Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva Ofício SF nº 1940, de 09.11.06, à Ministra-Chefe da Casa Civil da Presidência da República, Dilma Vana Rousseff Ofício SF nº 1941, de 08.11.06, ao Presidente da Câmara dos Deputados, Deputado Aldo Rebelo Ofício SF nº 1942, de 08.11.06, ao Procurador-Geral da República, Antonio Fernando Barros e Silva de Souza Ofício SF nº 1943, de 08.11.06, ao Ministro de Estado da Fazenda, Guido Mantega Ofício SF nº 1944, de 08.11.06, ao Ministro de Estado da Justiça, Márcio Thomaz Bastos Ofício SF nº 1945, de 08.11.06, ao Presidente do TSE, Ministro Marco Aurélio Mendes de Farias Mello Ofício SF nº 1946, de 08.11.06, ao Presidente do TCU, Ministro Guilherme Palmeira Ofício SF nº 1947, de 08.11.06, ao Ministro de Estado do Trabaho e Emprego, Luiz Marinho Ofício SF nº 1948, de 08.11.06, ao Ministro de Estado da Previdência Social, Nelson Machado Ofício SF nº 1949, de 08.11.06, à Procuradora-Geral do Trabalho, Sandra Lia Simon Ofício SF nº 1950, de 08.11.06, à Governadora do Estado do Rio de Janeiro, Rosângela Garotinho Barros Assed Matheus de Oliveira Ofício SF nº 1951, de 08.11.06, ao Governador do Estado de São Paulo, Cláudio Lembo Ofício SF nº 1952, de 08.11.06, ao Prefeito da Cidade de Belo Horizonte, Fernando Damata Pimentel. "

Não entendi o critério dos escolhidos para o recebimento dos relatório, nem consegui acessar os depoimentos, pois estou correndo, entro no médico daqui a pouco. Será que alguém aí pode ajudar? Até depois!

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Sambinhas

 Noel Rosa - Com Que Roupa

 Adoniran Barbosa - Samba do Ernesto

 Velha Guarda da Portela (com Paulinho da Viola) - A Noite que Tudo Esconde

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Quer rir?

Porco Capitalista no A Postos. Adorei.

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CELSO DANIEL: Doleiros do mensalão na jogada?

Claudio Humberto de hoje:

"A conta de dois empresários mineiros denunciados pelo Ministério Público Federal – por envolvimento com um suposto caixa 2 do PT no Florida Bank – era operada pela Havaí Turismo, de Santo André (SP), que “acertava” as contas do prefeito Celso Daniel."

Assunto para lá de importante e ninguém cobre? Aí tem.

Escrevi sobre isso aqui. Leia, vale a pena. A dona da Havaí Turismo seria sócia da ex-mulher do juiz Rocha Mattos, o mesmo que acusou o desaparecimento de várias fitas com diálogos gravados sobre o caso do ex-prefeito de Santo André. Também confira aqui e aqui.

PS: Segui a dica do Roberto e encontrei uma reportagem de 2005, publicada na revista IstoÉ. "O dinheiro que pagou as dívidas de campanha com o publicitário Duda Mendonça no Exterior tem um pé fincado em escritórios de empresários, doleiros e banqueiros de Belo Horizonte. Ou seja, pode