Arquivo de maio de 2008
Sábado soul
A rede
A proximidade na América do Sul entre polÃticos, doleiros e organizações criminosas ainda vai acabar mal, muito mal. As relações teriam sido comprovadas há um bom tempo se a CPI do Banestado tivesse seguido adiante. Conseguiram abafar as investigações, que mostrava o caminho do dinheiro sujo. O poder em excesso, no entanto, resulta em descuido; evidências que mostram as ligações estão por todos os lados. Basta costurá-las.
Diogo Mainardi, coluna publicada na edição de 04/06/2008 da Veja:
“A mulher de Olivério Medina, o representante das Farc no Brasil, foi contratada pelo governo Lula. Agora só falta arranjar um emprego para a mulher de Fernandinho Beira-Mar, outro criminoso ligado à s Farc.… Publicamente, Lula tenta se afastar da companhia das Farc. Às escondidas, seu governo dá cada vez mais sinais de irmandade com o grupo terrorista, como nesse caso da mulher de Olivério Medina. Nos computadores de Raúl Reyes, o terrorista morto pelos soldados colombianos, foi encontrada uma mensagem de Olivério Medina em que ele dizia poder contar com o apoio da “cúpula do governo” brasileiro, em particular com o ministro Celso Amorim. O papel de Olivério Medina no Brasil, de acordo com o jornal colombiano El Tiempo, era “trocar cocaÃna por armas e fazer o recrutamento de simpatizantes”. O recrutamento de simpatizantes podia ser feito até mesmo no Ministério da Pesca. Já a troca de cocaÃna por armas passava por outros canais. Numa de suas mensagens sobre o tema, Olivério Medina referiu-se a um certo “Acácio”, identificado como o Negro Acácio, sócio de Fernandinho Beira-Mar no narcotráfico.”
Sobre Olivério Medina fala Policarpo Jr. na Veja de 16 de março de 2005.
“Em apenas uma folha e dividido em três parágrafos, esse documento informa que, no dia 13 de abril de 2002, um grupo de esquerdistas solidários com as Farc promoveu uma reunião polÃtico-festiva numa chácara nos arredores de BrasÃlia. Na reunião, que teve a presença de cerca de trinta pessoas, durou mais de seis horas e acabou com um animado forró, o padre Olivério Medina, que atua como uma espécie de embaixador das Farc no Brasil, fez um anúncio pecuniário. Disse aos presentes que sua organização guerrilheira estava fazendo uma doação de 5 milhões de dólares para a campanha eleitoral de candidatos petistas de sua predileção. A notÃcia foi recebida com aplausos pela platéia. Faltavam então menos de seis meses para a eleição. Um agente da Abin, infiltrado na reunião, ouviu tudo, fez um informe a seus chefes, e assim chegou à Abin a primeira notÃcia de que as relações entre militantes esquerdistas, alguns deles petistas, e as Farc podem ter ultrapassado a mera simpatia ideológica e chegado ao pantanoso terreno financeiro.”
O que disse o governo sobre a reportagem que mostrava a doação das Farc? Agência de notÃcias do Senado, 17/03/2005:
“O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Jorge Armando Félix, e o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), delegado Mauro Marcelo de Lima e Silva, garantiram à Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência que os documentos que atestariam ligações do Partido dos Trabalhadores (PT) com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), não foram produzidos pela Abin.”
Como reagiram os veÃculos de comunicação? Agência Carta Maior, abrigada pelo UOL, em 17/03/2005:
“O que nem [o senador Arthur] VirgÃlio nem a Veja disseram é que, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, ele foi designado para manter contato com representantes das Farc, conforme noticiou a imprensa brasileira na época. No final de 1998, representantes da guerrilha colombiana se encontraram com vários parlamentares brasileiros, entre eles os deputados tucanos Tuga Angerami (SP) e Arthur VirgÃlio, secretário-geral do PSDB à época. Naquele ano, o atual lÃder do PSDB no Senado justificou do seguinte modo, à Folha de São Paulo, o encontro com os ‘narcoguerrilheiros colombianos envolvidos com corrupção, seqüestro e morte de brasileiros’: ‘O Brasil tem grande importância diplomática na América Latina. Podemos ajudar a Colômbia a pôr fim aos conflitos’.”
Voltando ao primeiro artigo, Fernandinho Beira-Mar tem mesmo ligação com as Farc? Folha Online, 19/03/2002:
“De acordo com o desertor, que era tesoureiro de uma das frentes das Farc, o lÃder rebelde Tomás Molina Caracas, o “Negro Acacio”, tinha estreitos laços com Fernandinho Beira-Mar, que fornecia armas para a guerrilha em troca de cocaÃna.O desertor revelou que “foi enfermeiro de Beira-Mar durante a Operação Gato Negro, quando o traficante brasileiro foi ferido (….) Fernandinho foi capturado, mas com Negro Acacio não aconteceu nada”.
Ontem, Negro Acacio e Beira-Mar foram formalmente acusados pelas autoridades norte-americanas de tráfico de drogas para os Estados Unidos.”
Fernandinho Beira-Mar é considerado um gênio do crime. Ele fechou acordos entre várias facções e estruturou uma organização muito bem sucedida, com milhares de tentáculos. Reuters, 23/11/2007:
“O secretário nacional de Segurança Pública, Antonio Carlos Biscaia, disse nesta sexta-feira que não há regime ou sistema prisional no Brasil capaz de impedir que o Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, continue mantendo contato com o mundo externo e comandando a sua organização criminosa de dentro da cadeia. ‘Ele montou uma organização incrÃvel e incontrolável’, afirmou.… quadrilha comandada por Beira-Mar da penitenciária de segurança máxima de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul.”
Não creio que o contato de Beira-Mar com o restante do mundo seja fácil. Talvez nem seja preciso. Todos os chefes do crime estão na mesma prisão. Agência Estado, 21/05/2008:
“Os detentos do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) ficarão em salas de 14 metros quadrados, com um solário, espaço onde o preso tomará banho de sol sem sair da cela. Advogados de defesa não terão contato fÃsico com os detentos. Eles serão separados por um vidro e vigiados por meio de câmeras. Em Campo Grande e Catanduva estão detidos os traficantes Juan Carlos AbadÃa, Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, Márcio dos Santos Nepomuceno, Marcinho VP, e Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco.”
Alguns dos nomes acimas tiveram negócios com Fernandinho Beira-Mar, mas faltaram outros, como o Comendador Arcanjo, por exemplo, que também está em Campo Grande. Alguém lembra dele? Folha Online, 31/05/2006:
“Em depoimento à CPI dos Bingos, a cozinheira Zildete Leite dos Reis acusou hoje os ex-ministros Antonio Palocci (Fazenda), José Dirceu (Casa Civil) e o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, de freqüentarem a casa do empresário João Arcanjo Ribeiro –conhecido como comendador Arcanjo, em Mato Grosso. Ela disse ainda que chegou a ver os três saindo da casa com malas de dinheiro.Zildete afirmou ainda que viu o empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, procurar Arcanjo para contratar um pistoleiro que iria assassinar o prefeito de Santo André Celso Daniel (PT).”
E por aqui eu fico. Até!
PS: Quem foram os homens que negaram o relatório da Abin sobre as doações das Farc? General Félix, Folha de S.Paulo, 14/11/2004.
“O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Armando Félix, é radicalmente contra a abertura dos documentos da ditadura militar (1964-1985): “Não há nada bonito ali”, diz ele. Curiosamente, justifica que sua preocupação não é poupar os torturadores e sim os perseguidos e torturados.Folha – O atual diretor da Abin, Mauro Marcelo de Lima e Silva, é a favor da permissão para escutas telefônicas. O sr. também?
Félix – Em alguns casos, seria interessante. Exemplo: chega alguém no Brasil suspeito de terrorismo. Acompanhar visualmente é possÃvel, eventualmente vejo que está telefonando. Para quem? Falando o quê? Não sei.
Folha – O sr. entregou o cargo ao presidente e ele pediu para esperar a reforma ministerial?
Félix – Não. Ainda não me passou pela cabeça fazer um pedido de demissão. Nunca houve nenhuma razão, tenho tido todo tipo de consideração por parte do presidente e de todos os ministros. Não tenho problema de saúde na minha famÃlia, como alguns jornais andaram anunciando, não tenho nenhum tipo de problema com o diretor da Abin.
Antes de ele assumir, conversamos várias vezes. Ele sabe exatamente o papel dele, não temos nenhum tipo de contencioso. Ele não despacha diretamente com o presidente. Não despachou nenhuma vez, desde que assumiu.
Folha – E os encontros nos finais de semana?
Félix – Eles são amigos.”
Mais sobre Jorge Félix na Agência da Câmara, 08/04/2008:
“Jorge Felix informou que são sigilosos os gastos com a segurança do chefe de Estado e de sua famÃlia. Em relação à manutenção das residências oficiais, ele disse que a segurança credencia e acompanha os serviços de manutenção realizados. Segundo Felix, uma lavagem de dez coletes à prova de bala é sigilosa, por exemplo, porque evidencia que dez pessoas trabalham na segurança daquela autoridade.O general disse que não há, no entanto, lei que defina o que é sigiloso. Com relação à Agência Brasileira de Inteligência (Abin), principal órgão responsável pela segurança do Estado, Felix disse que são sigilosos os gastos com operações de inteligência, informantes, contato com serviços estrangeiros de informação, entre outros.”
E quem é Mauro Marcelo?
Diogo Mainardi, na Veja de 20/02/2008:
“Em meados de 2004, o delegado Mauro Marcelo foi nomeado para chefiar a Abin, depois de ter trabalhado como guarda-costas de Lula na campanha eleitoral de 2002. A escolha de seu nome para ocupar o cargo na Abin foi feita pessoalmente pelo presidente.De acordo com os autos do tribunal italiano, o relacionamento de Mauro Marcelo com a Telecom Italia era de perfeita intimidade. Interrogado sobre o assunto, Fabio Ghioni, especialista em computadores contratado pela empresa, declarou que o chefe da Abin era “fornecedor de Jannone no Brasil, e por este era remunerado”. Ghioni referia-se a Angelo Jannone, diretor da Telecom Italia.”
Mais um pouquinho: entrevista de Angelo Jannone à JanaÃna Leite, do Arrastão, 22/04/2008:
“ARRASTÃO – Mainardi reproduziu um trecho do interrogatório de Giuliano Tavaroli, em que ele fala sobre o apoio institucional oferecido pelo governo Lula, através do chefe da Abin, Mauro Marcelo. Tavaroli confirmou o depoimento, mas negou que a TI tenha dado 300 mil dólares a Mauro Marcelo. O senhor sabe se esse dinheiro foi pago?JANNONE – Tavaroli afirma também que Mauro Marcelo sugeriu contratar [o detetive particular] Eloy Lacerda, e que a Eloy foram prometidos 300 mil dólares, que ele queria receber de mim. Eu não sabia de nada. quando cheguei no Brasil, sem saber de nada, mandei o Spinelli (que tinha um contrato com Bonera, meu antecessor) pagar uma parte daquele valor. Mas quando suspeitei que por trás de Eloy houvesse [o ex-chefe da Abin] Mauro Marcelo, suspendi os pagamentos (fevereiro de 2005) e, em setembro de 2005, discuti por esse motivo com Eloy Lacerda, que chegou para usar um tom ameaçador Gravei o telefonema e entreguei a gravação à magistratura [italiana].
ARRASTÃO – A gravação mostra que Eloy Lacerda entregava dinheiro da Telecom Italia para o ex-titular da Agência Brasileira de Informações, Mauro Marcelo, sem o seu conhecimento? O senhor mandaria essa gravação para o Ministério Público brasileiro?
JANNONE – Na gravação eu reclamo com Eloy por ter recebido também um telefonema de Mauro Marcelo sobre o asunto. As confirmações de minhas suspeitas foram feitas a mim por Bonera maio de 2006, durante outra conversa gravada. As gravações há muito tempo estão nas mãos dos juÃzes italianos, mas provavelmente eles não as escutaram.”
A Barca de Dante
De Eugène Delacroix, no “Diário”:
“É preciso esconjurar, da forma que nos for possÃvel, este diabo de vida que não sei porque é que nos foi dada e que se torna tão facilmente amarga se não opusermos ao tédio e aos aborrecimentos uma vontade de ferro. É preciso, numa palavra, agitar este corpo e este espÃrito que se delapidam um ao outro na estagnação e numa indolência que se confunde com um torpor. É preciso passar, necessariamente, do descanso ao trabalho – e reciprocamente: só assim estes parecerão, ao mesmo tempo, agradáveis e salutares. Um desgraçado que trabalhe sem cessar, sob o peso de tarefas inadiáveis, deve ser, sem dúvida, extremamente infeliz, mas um indivÃduo que não faça mais do que divertir-se não encontrará nas suas distracções nem prazer nem tranquilidade; sente que luta contra o tédio e que este o prende pelos cabelos – como se fosse um fantasma que se colocasse sempre por detrás de cada distracção e espreitasse por cima do nosso ombro.…Sempre pensei que havia tempo a mais. Atribuo em grande parte este sentimento ao prazer que quase sempre encontrei no próprio trabalho: os verdadeiros ou pretensos prazeres que se lhe sucediam não contrastavam talvez muito com a fadiga que me comunicava o trabalho – fadiga que a maior parte dos homens sente duramente. Não tenho dificuldade em imaginar o prazer que deve sentir nas suas horas de repouso essa multidão de homens que vemos vergados sob trabalhos desencorajadores – e não me refiro apenas aos pobres, que têm de ganhar o seu pão quotidiano, mas também aos advogados, aos funcionários, submersos pela papelada e ocupados com encargos fastidiosos ou que não lhe dizem respeito. ”
No entanto, também é verdade que a maior parte desses indivÃduos não têm problemas com a imaginação e vêem nas suas ocupações maquinais uma maneira como qualquer outra de ocupar o tempo. E serão tanto menos infelizes quanto mais medÃocres forem. Para me consolar, termino com este último axioma: que é por ter espÃrito que me aborreço.”
Para ver alguns quadros de Delacroix, clique aqui.
Acabou a novela da BrT. Vem aà “A Telezona”
Se alguém tinha dúvidas de que as brigas em torno da BrOi seriam mesmo encaçapadas, deve olhar a ata das assembléias da Brasil Telecom Participações e da Brasil Telecom S/A, ocorridas ontem. Por unanimidade, os representantes de ambas as empresas encerraram os processos contra o Opportunity.
Papai Planalto mandou, os filhinhos de pensão obedeceram. Contra a força não há resistência, não é, prezados? Eu avisei, acharam que era melhor investir contra o mensageiro. Pois é. Foram traÃdos. Resta negociar as compensações.
No mais, agora é só o Executivo cumprir o que prometeu aos novos donos da tele, Carlos Jereissati e Sérgio Andrade, e mudar logo a lei. Rápido, hein, por que eles já estão cobrando. Basta ler os recados nos jornais dos últimos dias.
Corre, governo, corre! Olha o relho! Com esse pessoal, meus caros, vocês não tiram farinha…
PS: Até agora, acertei cerca de 85% do que escrevi em janeiro sobre as teles. Deve ser por isso, por todo esse fracasso, que saÃram por aà me criticando. Humpf.
Imposto sobre a desinformação
No comecinho de abril, falei do blog Entropicando Ciência, escrito por Shridhar Jayanthi. Reforço a dica após ler o post escrito por ele hoje, que trata de um assunto serÃssimo: o jogo.
Como você sabe, a jogatina é proibida no Brasil. Só o governo, por meio das loterias, pode explorá-la. O resultado é a criação de cassinos clandestinos, a importação ilegal de máquinas, a aproximação entre os empresários que exploram o jogo e o que há de mais assustador nos meios da bandidagem.
O tema de Jayanthi são as probabilidades de ganho. Com a propriedade que só a matemática confere, ele nos conta:
“O custo pra entrar no concurso é R\$1,00. Se você jogasse toda a semana, gastaria R\$52,00 no ano. É barato para correr um risco, ainda que Ãnfimo, de ficar milionário! É verdade que a chance de ganhar é muito próxima de zero. É verdade que fazer um plano de vida baseado em ganhar na loteria é imbecil. Mas o custo pra entrar no concurso é tão baixo (R\$4,00 por mês apostando toda semana, menos de 1% do salário mÃnimo) que é fácil entender a atração pelo jogo. Atração muito bem justificada. Contanto que não comprometa a própria renda!”
Aà eu concluo diferente do autor do Entropicando _ o que não invalida a minha recomendação de leitura de seu blog, muito pelo contrário. A atração é justificada sob as lentes da psicologia, não da lógica. Isso porque a maior parte das pessoas joga com mais de um cartão. O custo sai bem maior e, ao longo de anos, deixaria boquiabertos os apostadores insistentes.
O Estado praticamente rouba esses apostadores, que jamais entenderão que aquele dinheiro voou, foi doado, não tem volta. Concordo com Camillo Benso, o conde de Cavour. No século XIX, quando o governo italiano estendeu ao restante daquele paÃs a loteria napolitana, ele sentenciou: “é um imposto sobre a imbecilidade”.
Da maneira como é explorada, sem avisos claros e constantes ao apostador sobre as suas reais chances de ganhar com o palpite, a loteria é um imposto sobre a ignorância, um imposto sobre a expectativa de uma vida melhor. É um imposto sobre o sonhar e sobre a desinformação.
(Pergunta para o leitor: poderia me dizer quanto o governo arrecadou com loterias no ano passado? Não me surpreenderia se fosse um valor próximo ao do Bolsa-FamÃlia, por exemplo. Ou maior.)
Peço a você que reflita um pouquinho sobre as escolhas de propaganda feitas por este governo e os anteriores. Por exemplo (e aà sei que vem chumbo): qual é a importância de fazer campanhas bilionárias sobre as atividades da Petrobras? A empresa é um monopólio estatal, carambolas!
Voltando ao tema do post, minha opinião é a de que a Caixa deveria gastar dinheiro imprimindo cartões da mega-sena iguais às caixas de cigarro, com o aviso em letras garrafais sobre a real chance de o apostador virar milionário. Outro modelinho traria simulações mostrando o quanto a pessoa poderia economizar ao longo de cinco anos se deixasse de apostar.
A Caixa, aliás, deveria alardear ainda mais que pessoas com carteira assinada podem receber os rendimentos do PIS todos os anos. Os mais necessitados sabem disso, a classe média não tem a menor idéia. Larga o dinheiro lá.
Por fim, uma lembrança: boa parte do pessoal que vai receber o PIS, a parcela mais pobre, sai da agência e vai direto para a loteria arriscar a sorte. Irônico, não?
Pesca em outros mares
Caro leitor,
tenho de resolver uma série problemas longe do micro, por isso separei algumas dicas de navegação para você até a minha volta. Espero que goste.
Quem se interessa por economia deve dar um pulo no blog do economista Alexandre Schwartsman, A Mão VisÃvel. Discussões interessantes sobre inflação e outros assuntos estão fervendo por lá.
Se a opção é por literatura, não perca os últimos posts do Filthy McNasty e d’O Farsante, ambos do A Postos.
Por fim, se você gosta mesmo é de assuntos polêmicos, como o aborto, por exemplo, vale acompanhar o que rola n’O IndivÃduo _ o Igor, no Outros, fez isso. A discussão sobre blogues promovida pelo Bruno Garschagen também merece atenção.
E tem o meu querido GravataÃ, claro, bagunçando o coreto da mÃdia no Imprensa Marrom.
Divirta-se!
Um grande abraço,
JanaÃna
Sindicato de pelegos
Há leitores que ficam bravos comigo quando reproduzo material alheio. Quando leio uma coluna como a que o Elio Gaspari escreveu para a Folha de hoje, não resisto. Leio e estendo a crÃtica à s demais centrais. São todas serpentes do mesmo ovo.
“ERA UMA VEZ um pelegaço chamado Joaquinzão (Joaquim dos Santos Andrade, 1926-1997). Ele presidiu o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo durante 22 anos, até 1987. Comprava e vendia greves, mas em janeiro de 1976 foi o único presidente de sindicato de metalúrgicos a protestar pela morte do operário Manuel Fiel Filho, assassinado no DOI-Codi do então 2º Exército. O sindicalismo do ABC, surgido nos anos 70, considerava-o Ãcone da corrupção sindical do entardecer da ditadura. Joaquinzão morreu pobre, numa modesta casa de repouso. Todos os seus sucessores, bem como os seus principais adversários, tornaram-se pessoas patrimonialmente prósperas e politicamente poderosas. (Quem quiser pode conferir: ele deixou um carro, uma pequena casa num bairro popular e um sÃtio.) Lula, seu jovem rival no século passado, preside hoje um contubérnio de sindicalistas com fundos estatais, corredores do Planalto e saletas do Ministério do Trabalho.Joaquinzão vem ao caso porque ele pode ser considerado o avô do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, aliado parlamentar do Planalto. Joaquinzão entregou o Sindicato dos Metalúrgicos a Luiz Antônio de Medeiros e em dez anos seu sucessor produziu o “sindicalismo de resultados”. Dele resultaram a Força Sindical, 11 condecorações civis e militares, dois mandatos de deputado federal e, atualmente, a Secretaria de Relações do Trabalho, na pasta do doutor Carlos Lupi. Assim como em 1986 houve um dia em que Medeiros e Joaquinzão tiveram uma conversa, é provável que em 1990 tenha havido outra, ao fim da qual Medeiros entregou o domÃnio a Paulo Pereira da Silva, que ficou com o sindicato e a Força Sindical.
Poucos devem ter sido os casos de paÃses onde o movimento sindical passou da delegacia de ordem polÃtica à de defraudações no espaço de uma só geração. A julgar pela definição que Lula colou em Lech Walesa (“pelegão”), pode ser que tenha ocorrido algo parecido, em ponto menor, na Polônia. Paulinho da Força capturou a presidência do conselho do Fundo de Amparo ao Trabalhador, fez parcerias milionárias no BNDES, noves fora preciosas alianças eleitorais. Houve um tempo em que o PT colocou no mesmo Codefat um jovem promissor, chamava-se Delúbio Soares.
Fala-se muito no “poder das centrais sindicais”. Tudo indica que, como a Caveira de Cristal do Museu Britânico, essa força é uma fraude a serviço de uma lenda. Até hoje, as centrais só conseguiram parar repartições públicas. O “poder das centrais”, graças a Lula, será exercido na tunga dos salários dos trabalhadores e dos fundos dos contribuintes. Isso é que se pode chamar de sindicalismo de resultados. Avançam na patuléia e deixam os patrões em paz. Mordem a folha de salários dos trabalhadores, atravessam a rua e param os serviços médicos onde as mulheres dos operários buscam consultas para seus filhos.
Desde que a contabilidade de Paulo Pereira da Silva começou a ser estudada pela PolÃcia Federal percebe-se que há algo de novo na praça. Durante o collorato, a Força Sindical beliscava o patronato paulista.
Paulinho estatizou os beliscões. Podem acusá-lo de tudo, menos de ter incomodado patrão.”
Técnica Ludovico
O podcast de Diogo Mainardi está imperdÃvel. Ri muito com o colunista da Veja, que ressuscitou uma teoria que estava por toda a parte nos anos 70: o satanismo contido nas letras das músicas e o torpor mental causado pelas canções em excesso. Show de bola.
“A música é o instrumento escolhido pelo diabo para disseminar sua mensagem. Trata-se de um fato seguro, que ninguém dotado de um pingo de critério ousaria contestar.… O que a música produz é um estado de entorpecimento. A melodia, a harmonia, o ritmo – tudo contribui para conformar o espÃrito, para sedar, para emburrecer. Quem escuta música demais acaba rejeitando qualquer idéia dissonante, qualquer gesto que distoe.
… Ninguém parece ter percebido a malignidade da música. Exceto eu, os fanáticos por Deep Purple e o mulá Omar, que sabiamente proibiu todas as formas de música em seu Afeganistão talibã, uma experiência civilizadora cujo resultado jamais conheceremos, mas que poderia ter criado um novo Renascimento.”
Para ler a Ãntegra, clique aqui.
Ele tem razão. Música é algo inebriante. Pertence à s hostes de DionÃsio, o precursor da demonologia cristã. Por isso mesmo, a Técnica Ludovico funciona que é uma maravilha.
Se eu pudesse não tirava mais os fones do ouvido _ pelo menos durante aqueles minutos de vertigem, quando os pensamentos somem e só o ritmo ecoa na mente. É fuga, Diogo. Disse tudo.











