Arquivo de abril de 2008

terça-feira, 29 de abril de 2008

NASSIF e o BNDES – 7

Informei no último dia 19 que o BNDES havia pedido um prazo para esclarecer minhas dúvidas sobre o acordo fechado no ano passado pelo banco com a empresa de Luís Nassif, a Dinheiro Vivo. O acordo prevê o perdão condicional de R$ 1,9 milhão dos R$ 4,2 milhões devidos, sem a apresentação de garantias reais.

Ontem, o BNDES mandou a resposta. Continuo com muitas dúvidas. Por isso, mandarei uma nova série de perguntas para a instituição. Além das perguntas, vou anexar um link demolidor enviado a mim por um leitor: http://bndesnassif.blogspot.com/

Manterei você em dia com o assunto. Se quiser ler aqui um pouco do que há no blog citado acima, fique à vontade.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Estímulo aos anticorpos

novaesjb.jpg

Novaes, para o JB.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Análise organizada – BrOi

Para ler a análise “Telezona, a síntese do Brasil” na íntegra, clique aqui.

Aqui estão as partes de modo organizado:

- Primeira

- Segunda

- Terceira

- Quarta

- Quinta

- Sexta

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Telezona, a síntese do Brasil (parte 6 – última)

Para encerrar, mais alguns números e considerações. Até aqui, claro, você pescou: no Brasil, é possível ser empresário sem ligações com os governantes de plantão. Mas, para conseguir atuar em uma área de concessão pública, é recomendável ter bons amigos entre os poderosos. Agora, se o caso é fechar um negócio ilegal envolvendo concessionárias… Aí é bom conhecer os políticos, se dar bem com várias facções e partidos, ceder a prepostos alguns lugares no conselho das empresas e, muito provavelmente, doar um bom dinheiro para campanhas eleitorais.

Antes das ponderações, contudo, os números da “supertele” (como é fácil criar uma impressão positiva, sem desembolsar um tostão em publicidade!).

Li em todos os jornais que a La Fonte e a Andrade terão, juntas 38,68% da Telemar Participações _ empresa que não é negociada em bolsa e está acima, em uma árvore socitária complicada, da operadora. Quase 40%… Dá até para entender facilmente os R$ 2,4 bilhões vindos do BNDES.

Mas, como eu disse, há informações numéricas que são como cebolas. A Telemar Participações está acima da Tele Norte Participações, que manda na Telemar Norte Leste (TMAR), a operadora. E, fazendo os cálculos, somando-se inclusive a participação direta de Jereissati e Andrade, descobre-se que a parte relativa a ambos corresponde a… 5,89%.

Os dois terão praticamente 6%, talvez um pouco menos, da Telezona, mas nela mandarão. A operadora nascerá um tantinho endividada. O risco estará mais com o mercado, creio, uma vez que são os investidores os donos de boa parte das ações da operadora.

Outros, bem mais inteligentes que eu, perceberam antes. As ações com direito a voto da TNL Part., da controladora da Oi, despencaram hoje 10,6%. E os papéis preferenciais caíram 9,7%. Avalio _ e isso é apenas minha avaliação _ que o movimento demonstra que o mercado não acreditou na história de uma governança corporativa aperfeiçoada para a Telezona.

Provavelmente, os operadores lembraram de casos recentes, como, por exemplo, o de Marco Tronchetti Provera, da Pirelli. Ele controlava a Telecom Italia por meio de uma empresa acima dela na árvore societária. Para financiar a empresa em que estavam suas ações, o empresário permitiu que a dívida da Telecom Itália (onde só tinha 3% do total) explodisse.

Enquanto o governo italiano era amigo de Provera, não houve problema. Quando, entretanto, Romano Prodi, que detestava o presidente da Pirelli, assumiu o cargo de primeiro-ministro, a situação virou. Em pouco tempo, a procuradoria italiana varria as atividades da Telecom Itália e os bancos cobravam as dívidas.

Resultado: Provera perdeu a companhia para a espanhola Telefónica. Os espanhóis que adquiriram o controle da Telecom Italia no ano passado em parceria com instituições financeiras.

“O que você quer dizer com isso, Janaína?” Que, na minha opinião, a Telezona continuará dependendo das relações de seus comandantes com a política. O acordo de acionistas não saiu mas, para descompensar o bloco de controle, basta que UM feche com o grupo contrário. Assim, a composição ainda é crucial para que Jereissati e Andrade fiquem à dianteira da tele.

“E a administração?” Espero que seja boa. O primeiro ponto a ser olhado com cuidado é o quanto os empresários querem essa companhia para aperfeiçoar as atividades da operadora por aqui ou como um braço mecânico para expandir suas outras atividades lá fora.

Se for o segundo caso, o dinheiro público financiou ambições privadas que, embora nacionais, são de pouca valia para nós, os brasileiros. E daqui a pouquinho, um estrangeiro, como a Portugal Telecom, por exemplo, comprará a controladora Telezona _ pagando muito mais pelas ações dos manda-chuvas (Jereissati, Andrade e o fundo de pensão da Telemar, o Atlantis) do que para os demais sócios (os fundos de pensão do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, da Petrobras e da BNDESPar).

Claro, o dinheiro público está nos últimos. Meio Fellini, eu sei. Mas, é só um detalhe, não é?

E la nave va.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Impossíveis

Ei, você já deu uma volta hoje pelo A Postos?

Morri de rir há pouco com o Godoy, do 8 Bits e Meio. E, mesmo com atraso, é uma pena se você deixar o Chá das Cinco que o Rodrigo de Lemos serve por ali.

Não é por nada, não, mas o condomínio só melhora. Muitas (e sensacionais) surpresas para breve. Nós, que já estamos impossíveis, teremos ainda mais agito. Aguarde!

 Queen – We Will Rock You

Passeie um pouquinho na vizinhança. Enquanto isso, escrevo o último post sobre a Telezona, ok?

Até daqui a pouco!

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Telezona, a síntese do Brasil (parte 5)

Números enganam bem menos que as palavras, por isso admiro quem tem familiaridade com eles. Mas, às vezes, a informação que chega por meio de algarismos é como uma cebola _ quando picada, traz lágrimas aos olhos. Aqui, na quinta e penúltima parte da análise sobre a compra da Brasil Telecom pela Telemar, você entenderá o motivo pelo qual digo isso.

A criação da Telemar, como descrito antes, permitiu a união de empresários locais com representantes dos fundos de pensão ligados à ala sindical do PT. O tempo mostraria, porém, que as ambições dos dois grupos para o futuro eram diferentes.

A idéia dos petistas era fazer com a Telemar, no longo prazo, algo semelhante ao que ocorreu na Vale do Rio Doce: os fundos de pensão manteriam o poder, ao lado de um forte sócio privado (o Bradesco, no caso da mineradora; a Andrade Gutierrez, no caso da operadora).

Andrade, por sua vez, enxergou uma ótima oportunidade de unir forças em dois setores da infra-estrutura: a construção civil e as telecomunicações. Sua pretensão era (e é) criar uma plataforma conjunta, atraente o bastante para a exportação. O mesmo pensou Jereissati, acostumado a negócios imobiliários e comerciais.

Mas, antes que o descompasso entre os dois e os petistas ficasse evidente, o que só ocorreu nos últimos meses, a parceria rendeu. Os fundos de pensão puderam deixar a administração da Telemar nas mãos dos amigos e concentraram suas forças em recuperar o comando da Brasil Telecom. Em troca, colocaram muito dinheiro nas empresas dos sócios privados. Escrevi uma reportagem em 2005 sobre isso.

“Fundos injetaram R$ 950 milhões na La Fonte; valor é 86% do aporte da empresa na Telemar (desde 1998); Polícia Federal investiga se fundos bancaram sócios privados da tele.”

Nunca ouvi nada sobre o resultado desse inquérito. Você ouviu?

Seja como for, Andrade e Jereissati são dois ases dos negócios. Se, por um lado, o dinheiro dos fundos entrava, por outro, eles se tornaram grandes financiadores de campanha.

“Um dos principais acionistas privados da Oi e maior interessado na compra da Brasil Telecom, o grupo Andrade Gutierrez foi também o maior financiador do PT em 2006, ano com o último dado disponível.A construtora mineira doou R$ 6,4 milhões para o partido -dinheiro usado sobretudo para financiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de outras campanhas petistas….Além da doação ao partido, a Andrade Gutierrez doou R$ 1,52 milhão diretamente para a campanha de Lula em 2006.Para que a Oi possa comprar a BrT, é preciso um decreto presidencial mudando a legislação. O governo apóia a venda da BrT.”

O trecho acima consta de reportagem escrita por Leonardo Souza e Fábio Zanini, da sucursal de Brasília da Folha de S.Paulo, em 13 de janeiro deste ano.

A melhor e mais ousada jogada da dupla, contudo, não foi na Telemar, embora muita gente ache que a compra a Gamecorp, empresa do filho do presidente da República, por R$ 5,2 milhões em 2004, um mês depois de ela ser constituída, tenha ajudado.

Para mim, a tacada de mestre dos dois foi deixar a Telecom Italia, o Opportunity, os fundos e o Citigroup se engalfinharem pela Brasil Telecom. Quando todos os adversários estavam sujos, ensangüentados, enfraquecidos e com fama de malvados… Clap! Um único sopapo na orelha. Nenhum dos briguentos ficou de pé.

PS: A íntegra de todas as reportagens citadas estão aqui, um pouquinho mais para baixo.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Ícaro?

De acordo com a Folha Online, a pesquisa CNT/Sensus identificou 50,4% dos entrevistados em abril favoráveis a um terceiro mandato para Lula, que nunca teve aprovação melhor.

O que eu acho?

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Jorge Braga, para o jornal goiano O Popular, há alguns dias.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Sozinho? Sem problemas, amigo.

 Billy Idol – Dancing With Myself

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Telezona, a síntese do Brasil (parte 4)

Então você, até aqui, guardou as principais informações do cenário em volta da privatização das teles: em 1998, a economia mundial sofrera vários abalos e havia sinais de outros a caminho; a política monetária brasileira tinha um alto custo e sinalizava implosão (o que realmente aconteceu no começo de 1999); o acordo com o PFL, balizador das duas candidaturas de Fernando Henrique Cardoso, fora subitamente enfraquecido; o PSDB desenvolvimentista havia crescido em importância e o PT vira uma chance para si no racha da base aliada.

(Creio que é melhor ir direto para o leilão, ou levarei meses escrevendo antes de opinar sobre a compra da Brasil Telecom pela Oi-Telemar, motivo dessa análise toda. Depois, se você quiser, deixe um comentário ou mande um e-mail. Se houver demanda, retomo o assunto, ok?)

No resumo, basta saber que o dono do Opportunity, Daniel Dantas, era visto como alguém com bom trânsito no PFL e, por conseqüência, com o próprio FHC.

A esperança dos tucanos alinhados com os pefelistas era que, ao fim do leilão, Telecom Italia/Bradesco/Globo ficassem com a região de São Paulo; a espanhola Telefónica com o Centro-Oeste e o Sul (onde já atuavam) e o grupo Citigroup/ fundos/Opportunity levassem a Telemar.

Como dizem no futebol, faltou combinar com os russos.

O dono da La Fonte, Carlos Jereissati, era velho conhecido dos fundos de pensão, de quem era sócio no setor imobiliário. E Sérgio Andrade, como bom mineiro e excelente empreiteiro, se relacionava bem com todo mundo. Viram a oportunidade bater à porta com a exclusão de pessoas ligadas ao PT na montagem dos grandes consórcios.

Dias antes do leilão, Jereissati e Andrade, apoiados pelos fundos de pensão e pela ala desenvolvimentista tucana do Banco do Brasil, montaram um consórcio. Para compensar a falta de uma operadora internacional no grupo, adotaram o discurso nacionalista.

Alguns integrantes dos fundos, por sua vez, se aproximaram da Telecom Italia. E os tucanos do Banco do Brasil cevaram a relação com os espanhóis. Encontros secretos às vésperas da operação de venda para cá, desistências para lá… Sabe-se lá como, no dia do leilão, tudo saiu ao avesso.

Os espanhóis apresentaram um lance altíssimo por São Paulo e retiraram a oferta pela Tele Centro-Sul. Resultado: a segunda maior oferta pela futura região da Brasil Telecom, a do grupo Citi/fundos/Opportunity, venceu a rodada (ágio de 6,15%). Assim, foram automaticamente obrigados a sair da disputa pela Telemar. Quem ficou por lá? O consórcio engendrado por Jereissati e Andrade. Arremataram a empresa por 1% de ágio sobre o lance mínimo (você leu certo, é UM por cento mesmo).

Naquele dia mesmo, os compradores da Telemar anunciaram que usariam dinheiro emprestado do BNDES para quitar metade dos R$ 1,4 bilhão que teria de ser pago à vista pela operadora.

Dia 29 de julho de 1998. As 12 empresas do sistema Telebrás foram privatizadas por R$ 22,058 bilhões. Ao fim do leilão, que durou quatro horas e quatro minutos, o ágio médio chegou a 63,74% _ muito acima dos 17% esperados pelo governo e pelos mercados.

Do lado de fora da Bolsa de Valores do Rio, milhares de policiais e militantes de esquerda, contrários à privatização, se enfrentavam. Cerca de 300 pessoas foram presas e mais de 30 acabaram no hospital.

Como de costume, acredito, o chão-de-fábrica que estapeava os policiais e tomava bordoadas na cabeça não sabia que, lá onde o martelo fora batido, os representantes graduados do PT se cumprimentavam felizes. Por conta de manobras muito bem pensadas, o resultado do leilão calcinara o acordo entre FHC e o PFL, impulsionara os tucanos desenvolvimentistas e consolidara uma aliança muito proveitosa para os petistas com o grupo que comprou a Telemar. Melhor, impossível.

PS: O Valor de hoje veio com uma matéria muito boa para rememorar o leilão, escrita por Talita Moreira. Para ler, clique aqui.

domingo, 27 de abril de 2008

Telezona, a síntese do Brasil (parte 3)

Vamos sair um pouquinho da política e olhar a quantas andava a economia em 1998. O Plano Real, um sucesso, responsável pelo fim da inflação, ainda estava em fase de consolidação. Para tanto, a equipe econômica optara por manter a taxa de câmbio administrada. (Como bem lembrou o Carl, em seu comentário, o regime adotado foi o de “flutuação suja”.)

Mesmo quem entende patavinas de ciência econômica percebe que essa relação é ilusória. Como a moeda do país mais poderoso do mundo pode valer (mais ou menos) o mesmo que outra, a de uma nação de terceiro mundo? Impossível, a não ser de forma artificial.

A administração da taxa de câmbio, assim, exigia um esforço hercúleo. A relação entre a dívida brasileira e o PIB sofria forte degeneração, as reservas eram insuficientes, o funcionalismo amargava sem reajustes (não é de se admirar que o PT tenha feito um rapa nos votos dos servidores públicos), as contas externas viviam em desequilíbrio. Por outro lado, era possível saber quanto valeria o salário no fim do mês, algo impossível antes do Real.

Outro aspecto bagunçava ainda mais o coreto da economia nacional: sucessivas crises ocorridas no exterior. Esses abalos implicavam mudanças bruscas no fluxo de capital internacional, criando um ambiente propício para os especuladores apostarem contra determinadas moedas. Primeiro foi a crise do México, depois a da Ásia e, em meados de 1998, formava-se a nuvem negra que viria a ser confirmada como a crise da Rússia.

Também é fácil entender, portanto, que a época estava longe de ser a ideal para atrair capital de longo prazo. Os investidores viam o Brasil com cautela, devido ao histórico complicado da economia, à prática da corrupção típica dos países latino-americanos e às imensas lacunas e contradições do sistema regulatório.

Mesmo assim, a princípio, alguns estrangeiros mostraram interesse nos consórcios que disputariam as empresas resultantes da cisão da Telebrás. Entre eles, Citigroup, Bell South, MCI e Sprint; Telefónica de Espanha, a canadense TIW, Telecom Italia, Portugal Telecom, France Telecom.

Nem todos ficariam até o fim. O capital anglo-saxão, principalmente, não gostou do que viu por aqui. A maioria deu no pé antes de se meter em confusão.

PS: Agora vou almoçar mesmo. Na volta, continuo.

PS2: Fazia tanto tempo que eu não saía de casa e conversava com meus amigos… Perdi a noção das horas, perdão. (21h40)