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Luís Nassif colocou uma nota do BNDES em seu blog há pouco, reiterando que não foi favorecido pelo banco ao "renegociar" sua dívida com a instituição em 2007. Leia aqui.
Eu não banco a informação do BNDES, muito pelo contrário. As explicações, na minha opinião, são insatisfatórias. Ainda bem para Nassif que ele as obteve no mesmo dia de seu pedido. Para mim, a instituição demorou dez dias até enviar suas ponderações. Mas, tendo em vista tudo o que acontece nesse caso, está em linha com o comportamento do BNDES.
TODAS as perguntas e TODAS as respostas publicadas por Nassif são referentes a casos de renegociação da dívida, o que NÃO se aplica ao próprio Nassif. O BNDES perdoou condicionalmente _ até o Hoauiss entende "dispensa" como perdão _ R$ 1,9 milhão da dívida total de R$ 4,2 milhões do empresário durante ACORDO JUDICIAL. E o fez SEM A APRESENTAÇÃO DE GARANTIAS REAIS.
Em NENHUM processo que corre no Tribunal de Justiça de São Paulo foram encontrados acordos em tais condições.
Não tinha a intenção de revelar minha conversa com o BNDES antes de receber o segundo lote de respostas. Mas, diante da nota de Nassif, acho por bem fazê-lo. Devo isso ao leitor do Arrastão.
1) O acordo com Nassif é normal e obedece aos procedimentos usuais do banco. Eu perguntei por que, nesse caso, nenhum outro acordo do tipo pode ser encontrado em andamento, pelo menos no TJ paulistano, o maior do país. Não obtive resposta.2) O contrato de Nassif foi fechado em 1997, no âmbito de um programa de "inovação tecnólogica". Esse programa dispensava a apresentação das garantias. Eu perguntei que tipo de "inovação tecnológica" uma AGÊNCIA DE NOTÍCIAS pode apresentar? Não obtive resposta.
3) Segundo o BNDES, a lógica da dispensa da garantia dentro do programa de "inovação" é que "uma agência de notícias conta com o patrimônio da credibilidade". Perguntei, então, se a garantia era apenas o próprio nome de Nassif e como é possível medir esse tipo de credibilidade. Não obtive resposta.
4) Ainda sobre a apresentação de garantias, perguntei: se um contrato foi fechado em bases ruins para o BNDES no passado, a equipe atual, sendo formada por servidores públicos, teria obrigação de tentar melhorar as condições para o banco. Não obtive resposta.
4) Seguindo a linha acima, perguntei no que o BNDES se baseou para o perdão ocorrido no acordo judicial e a dispensa de garantias, tendo em vista que há outros processos no TJ de São Paulo mostrando que Nassif é notório mau pagador (só em um dos autos, reclamação movida por uma editora, a dívida cobrada do empresário é de R$ 2 milhões). Não obtive resposta.
5) O BNDES disse que há detalhamentos sobre o caso que não pode me dar, pois trata-se de sigilo bancário. Perguntei desde quando processo judicial público tem sigilo bancário. Não obtive resposta.
6) Para explicar o sigilo, o BNDES citou como exemplo o meu banco e hipotéticos empréstimos pessoais que eu pudesse ter feito. Perguntei se um banco público de fomento, com juros subsidiados e funcionários pagos com o dinheiro público, inclusive o meu, obedece às mesmas regras de uma instituição financeira privada em créditos com pessoas físicas. Não obtive resposta.
7) Não perguntei ontem, mas pergunto agora: quem vai se responsabilizar pelas informações sustentadas pelo BNDES? Luciano Coutinho? Espero obter resposta.
Por fim, vá ler o link que me mandaram e que enviei para o BNDES hoje pela manhã (http://bndesnassif.blogspot.com/)
Eu quero explicações para todos os pontos listados por mim e os que constam daquele blog. E ponto final.
Comments
Tenho acompanhado a sua disposição em esclarecer sua posição e perseguir a afirmação de sua verdade, com muita elegância, inclusive. Mas, sinceramente, estranhei a postagem deste blog apócrifo...
JANAÍNA: Não fui eu que escrevi, Inaiara, pode ficar tranqüila. Postei pq as perguntas me pareceram bastante pertinentes, em linha com o que eu já havia questionado. Além disso, as pessoas não se sentem confortáveis para bater de frente com Nassif. Veja o caso do Gravataí, por exemplo. Ele ligou para a chefe do menino e pediu a cabeça dele _ mais de uma vez. A moça foi muito correta, mas vive em um ambiente muito difícil. É chato ficar aturando reclamações extraordinárias.
No mais, se o problema é ser apócrifo, eu assumo aquelas colocações todas, embora não tenham sido redigidas por mim. Nassif assume os telefonemas e as difamações que perpetra às costas dos outros? Abs, Janaína.
Posted by: Inaiara | April 29, 2008 12:59 PM
Você tem toda razão, Janaina.
Mas ainda fica no ar a história do papel do Mainardi nisso tudo. É notório o ódio que LN nutre pelo escritor, algo doentio.
Mainardi denunciou a confusão que LN fazia entre ser jornalista e empresário, algo que ele não esquece. No mais, o escritor atingiu rapidamente uma posição de destaque enquanto LN decaia assustadoramente, o que pode ajudar a explicar o ódio maníaco que LN sente pelo Mainardi.
Além disso, Mainardi escreve muito bem, e LN é pobríssimo nesse aspecto. Mas deixando isso de lado, a pergunta é porque os ataques ao Mainardi (que criticou o BNDES) e a revista onde ele trabalha começaram após este ACORDO JURIDICO tão favoravel com o banco?
A isto, só Nassif pode responder, mas não responde.
Posted by: Douglas | April 29, 2008 01:26 PM
O BNDES vai precisar contratar pessoal extra. Já são três escândalos em uma semana: o caso das Prefeituras, a grana da BrT+Oi e agora essa bucha.
Eu acho que o BNDES é um banco que fomenta a cizânia, a discórdia e a pancadaria. Isso sim.
Posted by: Gravatai Merengue | April 29, 2008 01:39 PM
Por fim, vá ler o link que me mandaram e que enviei para o BNDES hoje pela manhã (http://bndesnassif.blogspot.com/)
Tambem recebi esse link do xxxxxx !
JANAÍNA: É mesmo? Que coisa. Menino corajoso, tendo em vista que ligam para pedir a cabeça dele dia sim, dia não. Pessoal muito ético, como se vê.
Posted by: Paulo | April 29, 2008 01:45 PM
Porque essa sua vontade de mostrar que o Nassif é desonesto ? A série sobre a Veja te incomoda porque? Alguma razão, que nós não sabemos ? Teria alguma coisa a ver com as acusações que lhe são feitas, as mesmas aliás que são feitas ao Mainardi ? Eu gostaria de ter uma confirmação, o negócio é mesmo isto, ou existem outras razões. Identifique-as, por favor.
JANAÍNA: Talvez a série sobre a Veja me incomode pq tem meu nome colocado, injustamente e sem provas lá. Pq toda a vez que digitam meu nome no Google aparecem coisas horríveis, escritas por incautos ou por pessoas de má fé, que propagam o que aquele sr. diz. Pq tive prejuízos de imagem, de credibilidade e de atuação profissional por uma irresponsabilidade de terceiros. Além disso, pq EU paguei para que fizessem isso comigo _ o dinheiro do BNDES é público, lembre-se. Motivos suficientes, não? Abs.
Posted by: psvl | April 29, 2008 02:25 PM
Teste.
Escrevi um comentário, cliquei em preview, vi o comentário e quando tentei enviar atraves de 'post', acusou um erro. Algo como um 'erro de autorização' (???) se bem me lembro.
Vou fazer este 'teste', enviando direto.
JANAÍNA: Chegou!
Posted by: Edison | April 29, 2008 03:01 PM
Esse blog é quase um documento! A cronologia é a melhor coisa, bem explicativa.
JANAÍNA: Cortei um pedacinho, você me perdoa? Abs!
Posted by: Flavio Dessandre | April 29, 2008 03:14 PM
Publica td....suas perguntas e as respostas....
Como c fez com os emails do xxxxxxx....
Posted by: Devoto | April 29, 2008 03:15 PM
Cara Janaína.
Estou me tornando assíduo. Voltando ao seu blog. Sei que seus leitores têm crescido e se mantido fiéis e entendo a razão. Parabéns.
Quanto à nota do Nassif, eu a li, acessando o link que está disponível aqui. É uma piada. E seria risível se não fosse a cara-de-pau de quem escreve e o insulto à inteligência, ainda que mediana, de quem lê. Descontado o blá-blá-blá pseudo-técnico, em essência, a troca de mensagens com o BNDES é algo como o que se segue:
1-) Não é verdade que no norte da América do Sul há uma imensa floresta?
Res.: Sim, é verdade.
2-) Não é verdade que a região em que se situa a imensa floresta localizada no norte da América do Sul já foi, eventualmente, cognominada 'o pulmão do mundo'?
Res.: Sim, é verdade.
3-) Não é verdade que na região em que se situa a imensa floresta no norte da América do Sul, que já foi eventualmente cognominada o 'pulmão do mundo', chove abundantemente, o que é uma caracteristica de seu eco-sistema?
Res.: Sim, é verdade.
Pronto, aí está. Esta demonstrado de forma cristalina que chove torrencial e abundantemente sobre o Deserto do Saara, que se situa também na região norte do continente.
É uma piada de mau gosto. Uma argumentação digna do trêfego Prefeito Peppone, o prefeito comunista adversário de Don Camillo.
Não posso deixar de ficar ansioso pelo próximo ato da pantomima que êles perpetram para saber até onde vai a cara-de-pau e o insulto a que já me referi.
Só aguardando - se realmente vierem - as respostas às questões que você enviou ao BNDES.
Fica-se, a cada dia, com certeza de que esse pessoal pratica e viabiliza a velha máxima getulista: "Para os amigos, benesses. Para os inimigos, a Lei". Só que temperada pelo deboche.
Um grande abraço.
Edison.
PS. Pena que não possa enviar uma música que estou ouvindo no momento. Iria alivar o peso deste post. "Cheek to Cheek", do LP "Hollywood In Rhythm"-1959, de Ray Conniff, ainda novidade, e longe da fase 'brega'...rs
Posted by: Edison | April 29, 2008 04:09 PM
dá-lhe Janaína!! mostre a estes chapa branca com se faz jornalismo..
Posted by: ricardo | April 29, 2008 04:42 PM
O Nassif agora está que nem o Lula. Qualquer denúncia é logo desqualificada como uma tentativa barata de ataque. Continue assim, sem brigar com os fatos.
Posted by: Pedro Daltro | April 29, 2008 05:48 PM
Postei um comentário lá ,e não foi publicado.Só perguntei se era Verdade...
Posted by: Sueli-Porto Alegre | April 29, 2008 07:37 PM
Parabéns pelo blog, Janaína.
Deixei esse comentário lá no Nassif. Três outros foram enviados no dia de hoje e nenhum publicado.
Vamos ver se esse sai...
"Epa! Continuo censurado...
E eu só queria saber o seguinte: o Nassif disse que "Já tinha explicado duas vezes aqui esse refinanciamento [...]".
Depois, disse que "a Parcela A corresponde ao saldo devedor, devidamente corrigido pelos juros do contrato. A Parcela B aos custos da inadimplência (juros de mora e multa). As duas parcelas entram no contrato. Se o cliente pagar totalmente a Parcela A, automaticamente é quitada a Parcela B. Se o cliente inadimplir novamente, é executado – e na execução entram as duas parcelas."
Ora, como ele mesmo reconheceu nas duas respostas abaixo, houve execução judicial.
Custava, então, dar o verdadeiro nome às coisas? Não há um "refinanciamento". Este, se houve, também não foi pago. Houve execução e, nesta, renúncia à multa e aos juros. Resta saber quem autorizou isso, pois como tais parcelas (que compõe o tal "subcrédito B") decorrem de LEI, não é usual que se possa renunciar a isso, sem mais nem menos, como se fora uma "estratégia de gestão" do banco...
Gostaria desses esclarecimentos, por favor.
Posted by: carlos (epa!) | April 29, 2008 10:06 PM
São muitos comentários. Muita animação. Sofrimento. Decepção. Enfim, é a trilha jornalística. Queria que a sua pessoa permitisse - expressamente - uma pergunta bem simples e bem objetiva. Talvez o blog tenha oferecido, mas no torvelinho das controversas a percepção deste leitor deixou passar algo relevante. A pergunta será feita como sucedâneo de uma primeira explicação: o procedimento na Itália tramita em segredo de justiça - justitia secretus? Após a informação, virá a ligeira indagação. Fique atenta: depois do Ministério Público defender a correção da demarcação contínua - algo nessa direção - na Raposa do Sol, segundo circula a nota de parecer favorável do Procurador Geral da República, será possível perguntar algo sobre Justiça neste País? Esta indagação segunda é só uma "pitada de sal" no campo da omissão-acomodação dos serviços essenciais à Justiça. Bem, à espera do ser ou não ser segredo de justiça.
Posted by: Terpandro | April 29, 2008 11:10 PM
Tenho certeza, Janaína, que sua coragem em trazer à luz esses eventos contribuem para quem quer ver o jornalismo brasileiro cada vez mais independente e vigilante.
Aliás, estes são adjetivos que antigos auto-entitulados "arautos da moralidade" arvoravam a si próprios em épocas passadas, mas cujo peleguismo mais pusilânime e rastejante aflorou assim que o operário companheiro chegou ao poder com a ajuda da construção do mito e da blindagem em diversos setores da sociedade (inclusive no jornalismo), obra lenta e eficaz feita justamente por esses pelegos.
A sua luta, Janaína, pode parecer um resgate da honra pessoal na aparência, mas na essência é a mesma luta daqueles que sonham com um Brasil civilizado, livre e institucionalmente forte. Parabéns.
Posted by: Tomé | April 30, 2008 02:04 AM
Cara Janaína, não sei se o BNDES segue este mesmo procedimento, mas veja como os Bancos de Desenvolvimento estaduais têm uma legislação específica para operações junto ao mercado, inclusive com um forte engessamento na questão de garantias:
RESOLUCAO 394, de 3/11/73
Art. 20. As operações de crédito devem ser asseguradas,
isolada ou cumulativamente, por:
I - garantias reais;
II - alienação fiduciária em garantia;
III - aval;
IV - fiança;
V - vinculação de recursos, como reserva irrevogável de
formas de pagamento, provenientes de cobrança de impostos, taxas,
sobretaxas, rendas ou contribuições de qualquer espécie;
VI - outras garantias, a título excepcional, mediante
prévia autorização do Banco Central.
§ 1º Na constituição das garantias reais, o seu valor deve
corresponder, no mínimo, a 125% (cento e vinte e cinco por cento) do
valor do financiamento.
§ 2º Se a garantia real for insuficiente para a cobertura
do valor total da operação à data da assinatura do contrato, pode-se
admitir seu aumento progressivo na vigência deste, desde que ao curso
da execução do empreendimento seja mantido o percentual mínimo de
125% (cento e vinte e cinco por cento).
§ 3º Ocorrendo a hipótese de a segurança da operação
repousar, exclusivamente, nas garantias previstas nos incisos III e
IV deste artigo, deve-se observar o seguinte:
a) só se admite fiança ou aval de pessoa física ou jurídica
cuja situação econômico-financeira e patrimonial lhe confira grau de
notória solvência;
b) quando o garantidor não for instituição financeira, a
assistência do banco não deve exceder a 60% (sessenta por cento) do
investimento total.
Posted by: PoPa | April 30, 2008 07:46 AM
Pq n publica meus comentários nem meu pedido pelas perguntas e respostas completas do banco....como c fez com o xxxx e com o xxxx?
JANAÍNA: Pq eu já publiquei, caro! Ontem. Olhe lá nos comentários. Abs.
Posted by: devoto | April 30, 2008 10:25 AM
Força Jana! Vc está fazendo um grande trabalho.
Posted by: João | April 30, 2008 11:13 AM
Cara Janaína. Já me tornando um pouco chato, fiquei pensando sobre as declarações do presidente do BNDES sobre a operação BROI:
1.O Banco está reduzindo sua participação (BNDESPAR) nas companhias.
2.Está colocando uma grana preta na operação.
3.Os recursos emprestados são do FAT e deveriam servir para geração de emprego e renda. Esta operação está tendo esta preocupação? Ou será que a tal "racionalização" ainda não vai colocar alguns empregados para a rua?
4.Parece que o BNDES está é financiando sua saída da empresa...
JANAÍNA: PoPa, se todos fossem chatos como você, o mundo seria uma beleza. Comentários como os seus são mais que bem-vindos. Abs!
Posted by: PoPa | April 30, 2008 11:34 AM
A paladina da verdade e da justiça...que EXIGE a verdade, exige respostas. Clap!Clap!Clap!
Parece que depois de provar 15 "doces minutos de importância no jornalismo", não tens parada.
Encontre pautas, escreva sua matérias, informe seus leitores. Faça o que você, como jornalista, sabe de melhor fazer.
Quer a sensação de honra lavada? Tá feito. Leia seu blog, deleite-se com o apoio. E siga em frente.
Do outro lado, já não falam mais de você. Por mais que você provoque, o centro das atenções já não é a ilustre jornalista Janaína Leite. Bola pra frente, moça.
Let it go.
JANAÍNA: É, não falam. Aliás, não falam de mim e de mais ninguém do dossiê fajuto. Mas ainda não se retrataram, meu nome continua no Google. Sem isso, enquanto eu tiver matérias sobre eles para fazer, vou fazer. Querendo você, ou não.
Ao contrário do que você pensa, Abdera, não é?, os 15 minutos de fama estão longe de me mover, embora eles sejam, sim, uma delícia. Especialmente quando eu vejo o quanto incomodam alguns, como agora. Abs.
Posted by: Abdera Panyakos | April 30, 2008 02:24 PM
Janaina.
Pode apostar que esse ou essa Abdera, é um dos seguidores do LN, eles agem dessa forma, desqualificam, ofendem e depois se fazem de vítimas, como não se tem argumentos, pedem o fim da brincadeira, simples assim, quanto a reputação alheia? ha! não tem importância, já que eles não ligam para esses detalhes.
Posted by: GODOI | April 30, 2008 03:41 PM
Entuam pq n posta as perguntas?
Posted by: devoto | May 5, 2008 01:20 PM