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April 17, 2008

DOSSIÊ VEJA: Acusações e respostas (1)

Acho que ficará melhor para entender toda essa bagunça se você puder acompanhar em ordem. Por isso, compilei alguns links, de forma a facilitar seu entendimento. Se houver sugestões, por favor, fique à vontade.

1) MEMÓRIA

- O que eu dizia da briga dos jornalistas ANTES de ser envolvida, dois posts de novembro: Briga na imprensa e Adendo.


2) NASSIF e "O caso Janaína Leite"
- O que Nassif falou de mim.
- A matéria que escrevi para a Folha citada por Nassif (para assinantes ou aqui).
- A resposta de Janaína.
- A análise do texto de Nassif por Gravataí Merengue.
- A reação destemperada de Nassif
- O esclarecimento de Soninha
- As ponderações de Gravataí Merengue:
- As desculpas de Nassif para Soninha.

"Polícia italiana prende 20 ligados à Telecom Italia
Caso envolve escutas ilegais e pode reverberar no Brasil

JANAÍNA LEITE
DA REPORTAGEM LOCAL

Em meio a um polêmico processo de reestruturação e a embates com o governo italiano, a Telecom Italia teve de enfrentar ontem mais um desgaste: a prisão de 20 pessoas -entre empregados da operadora, funcionários públicos e policiais-, supostos participantes de uma rede de espionagem ilegal com uso de escutas ilegais. A telefônica nega participação em qualquer irregularidade.

Entre os presos estão o chefe de segurança da Pirelli, uma das controladoras da tele, e o ex-chefe de segurança da operadora.

Segundo a Folha apurou junto a pessoas que colaboram nas investigações italianas, não está descartada a possibilidade de ramificações do caso acabarem no Brasil, onde a Telecom Italia participa de duas operadoras: a fixa Brasil Telecom e a móvel TIM Brasil.

No ano de 2004, a Telecom Italia e integrantes do governo foram alvo de investigações (com escutas ilegais) da empresa Kroll, contratada pela Brasil Telecom -então administrada pelo grupo Opportunity, de Daniel Dantas.
As prisões ocorridas ontem na Itália, segundo a Folha apurou, podem mostrar que houve contra-espionagem.

Três grandes dúvidas ficam em aberto sobre as implicações da ação do Ministério Público italiano, que teria encontrado ligações de organizações que serviram a pagamentos de propinas no "Laziogate" -escândalo de compra de políticos envolvendo empresas privadas- com os implicados na suposta rede de espionagem italiana.

A primeira é se ela vai apressar a venda de ativos da Telecom Italia, hipótese aventada desde que a companhia anunciou sua reestruturação, no início da semana passada.

A segunda é quem deu ordem para as escutas ilegais e para detetives particulares seguirem adversários empresariais da telecom. Se o nome apontado for o de Marco Tronchetti Provera, que deixou a presidência do grupo na semana passada, o escândalo pode atingir grandes proporções na Europa.

Provera é desafeto do primeiro-ministro italiano, Romano Prodi. Na semana passada, o anúncio feito por Provera da reestruturação da Telecom Italia desagradou Prodi e acabou levando o executivo a se afastar da presidência do

Conselho da operadora.

Provera, até 2005, era alinhado no Brasil com os fundos de pensão de estatais, seus sócios na Brasil Telecom. A operadora vive um intenso conflito entre seus acionistas controladores: Telecom Italia, fundos de pensão, o americano Citigroup e o grupo Opportunity.

Pelas mãos do megaespeculador Naji Nahas, Provera tornou-se parceiro do Opportunity. O caso Kroll já tinha estourado na imprensa e Dantas, assim como seus colaboradores, haviam sido indiciados pela Polícia Federal por causa das escutas ilegais.

A terceira e última questão é se algo muda na venda dos braços nacionais da Telecom Italia. O anúncio da mudança de controle da TIM Brasil deve acontecer até meados de outubro. a disputa estão Brasil Telecom, Telemar, Claro, China Telecom e a britânica Vodafone. Já a venda da fatia italiana na BrT é mais enrolada -embora mais urgente.

Reestruturação

As prisões ocorrem em meio a negociações entre o sucessor de Provera, Guido Rossi, com as autoridades italianas sobre o modelo de reestruturação da tele. O plano de Provera desagradou ao governo Prodi, de centro-esquerda. O premiê teme que estrangeiros comprem a empresa."

Postado por Janaína Leite às |



Comments

Tirando o fato da Justiça Italiana estar investigando o fato, a questão da fusão OI/Telemar x Brasil Telecom parecem um verdadeiro GRENAL depois da pancadria. Na verdade, Janaína, o que se vê nesse caso é simplesmente o torcem a favor e contra a fusão. Esquecem-se de ver o que os "russos" estão achando. "Russos" somos nós (embora more em SP) que serão atingidos/beneficiados pela nova empresa. Nenhum dos lados faz questão alguma de explicar o que ganharemos/perderemos com isso. Ninguém me explica o fato de eu não poder escolher qual operadora de telefonia fixa quero usar. Ninguém explica porque temos que aguentar serviços tão caros e ruins. Pergunte a quem precisa do suporte técnico do Speedy. Ou quando você descobre que o plano assindo por ti não faz mais parte dos planos existentes pela Operadora.

JANAÍNA: Nem me fale! Minha conexão está caindo a toda hora, um problema. Obrigada, Darcio.

Janaína,

Todos os links que dão no seu antigo blog (blogspot) não estão funcionando. Li tudo, mas faltam só esses links específicos. Como posso acessá-los?
Bom, a pergunta agora é sobre um dos seus posts do começo do ano:

Oi, Mariana. Quais são os links? Vc tentou digitar a palavra aí no sistema de busca?


Alô, Planalto! - 2

Restam algumas perguntas:

1) o atual governo, com a condescendência do presidente da República, usou a máquina estatal para favorecer a Telecom Italia na disputa pela Brasil Telecom? - Indagação minha: oficialmente não, mas informalmente sim. Assim como a monarquia tucana anterior também usou todos os instrumentos possíveis. A questão é que não dá pra falar do governo lula, jornalisticamente falando, sem citar que o mesmo acontececia em outros governos. É o jogo da realidade. Por isso, apontar só um lado sempre parece que vc está serviço de alguém. O Lula no poder age como todos, salvo raríssimas exceçoes.

JANAÍNA: Entendo sua preocupação e, quando está no contexto, faço isso sem problema algum. Não sou tucana. Alguns exemplos estão nos comentários do post dos universitários, ou da charge com o Lula e o FHC. Há ainda um tema de post aqui: http://arrastao.apostos.com/2008/03/reeleicao.html. Mas o jornalismo é feito do presente e a questão, ali, era a criação da BrOi. E, o mais importante, meu blog é, visivelmente, um noticiário comentado e editorializado. Muito diferente de escrever um texto para jornalão.

2) a Abin colaborava de alguma maneira nos grampos ilegais e na hackeragem encomendada pela Telecom Italia?

Segundo vários depoimentos na Itália, havia uma colaboração estreita. Isso foi alvo de notícias italianas, como esta aqui, do Corriere della Sera, que é a Folha deles: http://archiviostorico.corriere.it/2006/dicembre/20/uomo_Telecom_Brasile_tangenti_sexy_co_9_061220019.shtml. Por isso eu defendo que o Ministério Público traga os papéis para o Brasil.

3) depois de eliminados os italianos do jogo, é a vez de os acionistas da Oi (ex-Telemar) ganharem um cafuné do Planalto? Comentário meu: a questão da Game Corp não pode ser vista somente pelo prisma de favorecimento ao filho do presidente. Conheço pessoas que acompanharam de perto o caso. Ajudou e muito o Lulinha estar no meio da empresa na hora de tomar a decisão de investir. Mas, dentro do mundo da convergência digital, conteúdo é tudo o que as teles terão a oferecer. E a Game Corp era sim empresa do ramo. Fazia parte da estratégia da Oi terceirizar empresas geradoras de conteúdo.

Querida, não me referi ao caso Gamecorpo, mas à compra da Brasil Telecom. Em nenhum país normal do mundo as pessoas fazem negócios e depois mudam a lei, especialmente se os maiores beneficiados forem grandes doadores do governo. Que mudassem a lei antes. O problema é que, daí, poderiam aparecer outros concorrentes...

4) o Estado de Direito é absolutamente ilusório e estamos vivendo sob um regime monárquico, onde o rei pode tudo? Comentário meu: a monarquia não é de agora. O rei sempre pôde tudo. Vc sabe muito bem que todos os ex-presidentes, sem exceção, usaram de seu poder para beneficiar e influenciar o mercado de acordo com interesses políticos, pessoais e até mesmo ideológicos.

Infelizmente, você tem razão. O resultado é que o desapreço pela democracia e pela honestidade na esfera pública sofreu desgaste paulatino e cumulativo, chegando ao auge agora, na minha opinião. Ou você acha certo que um ministro de Estado diga que não vai ao Congresso pq tem mais o que fazer? Que um partido admita que usou "recursos não contabilizados" e ninguém faça nada? Eu não consigo achar. E a lógica dos "outros fizeram, ué!" para mim é nociva. Então eu posso fazer um dossiê vazio, sem documentos, só usando datas e maldade da minha cabeça para "pegar o Nassif", só pq ele fez isso comigo? Vontade dá, mas insisto em permanecer firme e afastada dessa tentação.

5) os jornais vão continuar fazendo de conta que a lesão do Ronaldinho é a notícia mais importante vinda de Milão?

Comentário: não sei. o fato é que cobrir um lado signfica cobrir o outro. e nessa guerra, me parece que o Paulo Henrique Amorim está certo. Se vamos falar de Dantas, vamos falar de tucanos, de Serra, de privatização. Aí, a lambança vai ser grande e, como vc mesma disse, a forças se anulam. Por que o Mainardi, ou vc mesma, não vao buscar a verdadeira história de Dantas/Governo Fernando Henrique/A Parte do PT que se aliou a Dantas/Mensalão?

Ora, pq isso o Paulo Henrique e o Nassif fazem, ué! hahahha. Falando sério: quem é que faz o contrário nesse caso das teles? Eu e o Mainardi. Mas ele é colunista. Cadê os repórteres? Pode olhar a cobertura, Mariana. O caso Kroll foi exaustivamente noticiado. Pq ninguém pode falar nos italianos? Pq essa patrulha? Minhas matérias da Folha estão no banco de dados, pertencem ao jornal, ou eu traria todas para cá, pois tenho orgulho delas. Se vc for assinante da Folha, fique à vontade. Pegue os textos e explico cada dúvida que você tiver.

Lembre-se: um jornal é feito de equipe, o que eu não faço o outro faz. E é assim que a Folha e todos os grandes jornais funcionam.

Essa, enquanto leitora, é a grande matéria que está faltando: contar o processo direitinho, como se estivéssemos analisando um capítulo da História.

Concordo. Por isso pensei em fazer essa série mais didática. Mas essa grande matéria é grande mesmo. Alguém terá de se habilitar a escrever um livro. Eu, que já estou quase entojando de pizza de rocambole, não. :-))

abs
Mariana

Abs, querida.

Só para cumprimentar o foco crítico-lamento do Dárcio (os usuários não são lembrados).

Ah, não posso ser seu BNDES (tem muita indagação sem resposta). Talvez um BNDES como banco nacional dos enamorados solidário.

JANAÍNA: Terpandro, eu estava falando só dos comentários. :-))

O que tenho oferecido é muito pouco, só uma palavra de afeto, só. O crédito é muito limitado (aqui não tem BC, tem apenas o coração) e não usa a escala do escambo, exclusivamente a sentimental. Não admite dispensa condicionada, perdão por via oblíqua, exige presença continuada. Então, prevalece o perfil de um tímido-admirador (navegar é preciso - também viver).


Nada além (ah, aproveite e ouça - relembre - de MLago, com o Quarteto em Cy, o primeiro; lindo) de uma ilusão! Grato por reconhecer esse esforço para sugerir Paz, sobretudo ao seu momento (decerto transitório) de sofrer (quem não sofre, passa pela estrada sem caminhar entre as urzes e os cardos, termina sem um viver).

Essa música é bonita mesmo.


Doce jornalista, Não é possível abordar outros pontos emblemáticos (a Selva de florestas, a selva de delitos - invasões e etc, a selva de decisões sob influência de fatores exógenos, oprimindo o Povo)? Entendi o aspecto positivo da alusão, um tipo "salvador-conselheiro" (fineza notar que o BNDES tem muita coisa inacessível ao ser comum, ao homem das ruas - é um campo de números matemáticos elevados e seu admirador tem dificuldades enormes para apreender).

Ainda bem que você entendeu...

Felicidade (no singular; não é a toada carioca, é do Lupicínio, menos propaganda e mais encanto - em Joanna está esplendora a canção). Byeee!

Até mais!

E o G00dB0y?

Como a sra. explica?

Ateh hj n disse uma linha sobre isso. Coincidência?

JANAÍNA: Oi, devoto. Tudo bem? Claro que não é coincidência, é apuração. Eu escrevi sobre o assunto sim, em seguida ao que o Nassif falou. Leia: http://arrastao.apostos.com/2008/02/resposta_2.html. Fabio Ghioni, o Sombra Divina, também deu uma entrevista interessante para a L'Espresso, revista italiana, de 20 ou 21 de dezembro. Estou sem tempo para procurar, mas fique à vontade. Abs.

Oi Janaína,

Muiiiiito obrigada pelas respostas e atenção. Um exemplo do link que não funciona é este:
http://arrastao.apostos.com/2008/02/resposta.html
No íten 6, a palavra "opinião" leva para uma página blogspot aonde não tem nada.

JANAÍNA: Meu anjo, você tem razão. Deve ter acontecido alguma coisa. Mas o trecho fala isso:

"6) Óbvio que não gosto de ver meu nome no meio dessa balbúrdia, mas não vou mudar minha opinião: é bom para o leitor saber o que acontece nos bastidores."

- o link para opinião é esse: http://arrastao.apostos.com/2007/11/briga_na_imprensa.html

Bom, vamos lá:

1) É verdade que o jornalismo é feito do presente. Mas o que pode parecer "duvidoso" talvez seja que a sua pauta esteja sempre ligada a apenas um braço do universo que é o caso das Teles e suas jogadas sujas. Eu sei que os focos são resultados de pistas e fatos e que quando algo bom aparece, o reporter vai até o fim. E talvez caiba ao editor, para efeito de contextualização, levantar pautas com casos parecidos, sem que isso signifique banalização do presente, mas um elemento a mais na memória do leitor, para que este possa julgar melhor. Enfim, acho que estou viajando na maionese, pois não entendo tchongas de procedimentos jornalísticos. E se cada vez que uma notícia fosse publicada, o contexto macro tivesse que ser abordado, os jornais seriam gigantescos. Mas falta honestidade editorial sim, na maioria dos veículos. O seu blog é blog, vc faz o que quiser né.

JANAÍNA: Oi, Mariana! Demorou, mas eu voltei. A pergunta é muito cabível, pois deve ser uma dúvida comum entre as pessoas: “essa menina invocou nos italianos, nas teles, no Dantas?” Invoquei, sim, é verdade. “Hein?” É, invoquei, reconheço numa boa.

Concentrei boa parte do meu tempo e esforço nas pautas relativas ao tema. E fiz isso pq. Foi um negócio muito lucrativo para mim, embora os custos, garanto a você, também. “Então ela ganhou alguma coisa!” Claro! Eu não sou louca (vá lá, só um pouquinho) de gastar três anos da minha vida com um foco tão direcionado, pelo menos de 2006 para cá, sem ter ganho, ora bolas. Consegui domínio de um assunto complicado a ponto de explicá-lo de um jeito que boa parte das pessoas entende. Isso é ouro para qualquer jornalista, pois significa que o leitor do seu texto voltará. Aliás, mesmo aqui no blog, isso é muito bacana: quem vem uma vez, costuma aparecer de novo. Meu índice de leitores sem retorno é baixíssimo.

Mas ligar isso a dinheiro sujo, orquestrações, acordos escusos com fontes ou com outros jornalistas, nada tem a ver com a realidade. Caso contrário, você acha que eu compraria uma briga desse tamanho? Se o caso é tão desimportante, pq. tamanha atenção a ele? Tem algo estranho aí.

Mariana, há um mundo que eu, particularmente, considero fascinante no jornalismo econômico: o universo dos grandes investimentos de longo prazo, que engloba fundos de pensão e infra-estrutura. Quando você cobre isso, cobre tudo: mercado financeiro, políticas macroeconômica e previdenciária, empresas, sindicatos, investimentos estrangeiros, pagamento de benefícios... Tudo. A gente sai do impacto da mão-de-obra na construção civil e bate na Via Campesina organizando protestos contra empreiteiras. Depois vê essas empreiteiras financiando as campanhas e os políticos obedecendo a elas. O pedreiro lá do começo é afetado.
Assim, os fundos e os grandes projetos de infra são a força motriz de toda a ciranda econômica.

Por incrível que pareça, poucos jornalistas brasileiros dão a eles a importância devida. Por isso, quem entende tem o passe valorizado.

“Mas e as teles?” Ah, as teles são uma ponta super empolgante de tudo isso, pois COMUNICAÇÃO é PODER. E a nossa geração é testemunha de um deslocamento de um poder concentrado por décadas nas mesmas mãos. Até aqui, televisão e rádio tiveram papel de destaque (tanto que a maioria dos políticos é dono de retransmissoras). Como fica o jogo do poder com a entrada das teles, do cabo, do 3G nesse cenário?

Bom, já deu para perceber que eu sou, sim, apaixonada pelo tema, não é? Não vou me estender mais, ou vira um tratado. Se você quiser continuar, nos falamos por e-mail, ok?

Quanto a escrever sempre a mesma coisa, quero destacar outro ponto. É ingenuidade ou má fé achar que alguém como Daniel Dantas paga para ser protegido por um repórter (subordinado, portanto) desconhecido do grande público - “quem é esta mesmo?” Se fosse o caso, melhor ele investir em algo de retorno e influência, não é?

Muito mais provável é que os jornalistas que negociam seus textos cobrem para NÃO estampar o nome de alguém, pois quando um sujeito vende a pauta e escreve, isso se torna muito evidente: ele passa a atacar sem motivo, a inventar realidades paralelas, a torcer declarações... Acaba sendo pego, pq colocar um cabresto na realidade tem um custo. Por isso, minha dica é para que as pessoas olhem com método e calma quem os jornalistas NUNCA CITAM, mesmo quando o assunto pega fogo em torno desses sujeitos. Mas tem de ser jornalistas com autonomia sobre o texto final, os menos graduados ganham, no máximo, jabás (presentinhos das fontes, como entradas pra shows, vinhos etc.).

Eu sei que vc não se referiu ao caso do Lulinha. Mas o meu raciocínio é parecido. Sim, a lei está sendo mudada para que uma empresa do mesmo setor e mesmo mercado possa comprar a outra. Mas além de interesses empresariais específicos que se aliam a figuras do poder que precisam patrocinar seus projetos políticos, há também um interesse estratégico de haver uma companhia com controle brasileiro para enfrentar grandes concorrentes, todos em mãos de grupos empresariais estrangeiros, que podem ser ou não tão nocivos quanto os nossos. Isso é conversa mole de quem está armando essa fusão? Pode ser. E que esteja na mão de grupos nacionais também não significa benefícios a mais para a patuléia, obviamente. Mas o fato é que eu vejo a situação tentando entender as várias razões e visões. A questão aqui não é adular o nacionalismo, mas ver que existe uma disputa de mercado geopolítica nesta questão.

JANAÍNA: Bom, aí eu penso um pouquinho diferente. Acho que o governo (não só o atual, mas outros, no passado) confundem propositalmente três conceitos 1) interesse estratégico 2) empresa nacional 3) Brasil. Interessa a mim, Janaína, ser dona da companhia de petróleo? Não. Eu nunca vi a cor dos dividendos, você viu? O que me interessa é que a gasolina seja barata, que a empresa gere empregos, que respeite o meio ambiente, que suas ações ajudem a fomentar o mercado de capitais. Esse é o meu interesse estratégico, como cidadã: tornar o lugar onde moro melhor. O interesse estratégico do governo (e de seus apaziguados) é outro: dominar o mundo, fechar alianças políticas entre nações e blocos, ter controle sobre cargos e indicações, escolher fornecedores e prestadores de serviços. (Em alguns casos, até usar para caixa dois, lavagem de dinheiro e financiamento de campanha.)

Dou um exemplo. A Vale compra a XPTO 123 na Transilvânia _ ótimo para a Vale, interessante para o governo, de pouca valia para os brasileiros. Os postos de trabalho não são aqui! Felizes devem ficar os que moram na terra dos vampiros, pois eles verão sua economia em alta.

O que a gente precisa é ATRAIR capital novo de fora, de longo prazo, criar um sistema regulatório e legal confiável, de forma a manter esse dinheiro e, ao mesmo tempo, permanecer com o controle sobre suas ações. E eu não acho que deva se resumir aí, não. Precisamos atrair capital intelectual também. Mas isso é outra história... :-))

4) Eu acabei me acostumando com a banalização da falta de ética. Em 2005, eu queria morrer. Pois sabia que não era mérito exclusivo do Governo Lula a corrupção, mas me dizia que uma vez descoberto, a corda tem que roer. Do contrário, as instituições perdem seu valor. Mas hoje, te confesso, muito pelo fato de todos os players serem absolutamente iguais nos procedimentos, eu não me incomodo mais com a banalização. Me acostumei. É triste, mas me acostumei.

JANAÍNA: Eu não me acostumo, e isso já me fez passar os piores perrengues possíveis, creia. E me revolta especialmente pessoas que colocam uma ideologia social acima dos valores fundamentais que norteiam a vida dela no trato com o próximo. Quer dizer que pra ser de esquerda, ser alguém identificado com as forças do bem e da transformação, preciso ser lobotomizada? Não posso esquecer que até há alguns anos eu achava a corrupção o câncer da sociedade, que eu queria o impeachment, que eu achava ridícula essa troca de partidos ou essa esquizofrenia das alianças regionais continuar?

“Eu sabia, eu sabia! Ela é direitosa!” Uma ova! Perguntem se apoio ditadores de direita. Nunca. Cortem os benefícios aos aposentados rurais e eu vou para a rua protestar. Minha realidade permitiu ver, inclusive dentro de casa, a diferença que aqueles 300, 400 reais fazem para quem foi bóia-fria. “Mas isso ferra a previdência!” Duas ovas! O que acaba com a previdência é a má gestão dos recursos, são as fraudes, as aposentadorias milionárias, a falta de fiscalização dos negócios fechados pelos fundos de pensão estatais e por aí vai. (Ih, ficou enorme!)


5) kkkkkkkkkkkkkkkkk. Sim, já ia me esquecendo PHA e Nassif já estão contando o outro lado. Mas o fato é que queria ler uma "matéria", uma "série", sobre o tema. Pelo fato de serem blogs, os dois também contam a partir da sua linha editorial. Então, um dos motivos que me fizeram levar vc bem a sério, foi justamente a maneira didática como vc explicou tudo. Até hoje eu não conseguia entender direito esse babado. E agora me deu vontade de saber mais. Queria saber de onde surgiu o Dantas, como foi que ele cavou tanto espaço entre os Tucanos (ACM?), com qual ala do PT ele veio a se aliar depois, a briga entre as facções do PT (Gushiken x Dirceu), a irrigação para o Mensalão, etc.

JANAÍNA: Eu vou tentar explicar, mas é um negócio tão grande, um jogo tão de poderosos, que muita coisa escapa até pra mim. Não tem jeito: precisa ler todo mundo, principalmente as opiniões contrárias e cruzar vários relatos. Caso contrário, acabarão manipulando você.

O Daniel Dantas (e aqui eu me arrisco às bordoadas dos nassifitos e nassifetes, que vão dizer: “é verdade, ela é funcionária do Lex Luthor!”) é só uma ponta aparente de esquema que permeia TUDO e para o qual contribuíram, e continuam contribuindo, a maioria dos empresários brasileiros. Por algum motivo, ele virou o bode preferido da moçada: “tem problema? Leva o Dantas para a sala. Enquanto a gente fica aqui no quarto terminando de contar as notas“. Nada disso. Eu quero ver quem está contando, inclusive o bode, se ele costuma circular pelo quarto. E saber quanto é, de onde veio e para onde vai.

Uma vez alguém me perguntou: por que você não escreve mais contra o Dantas, aí verão que você não é subordinada aos interesses dele. Alto lá! Eu NÃO sou. Pq eu preciso mostrar alguma coisa? Tem algo errado, e bem errado, com essa lógica. Pq vou me empenhar para estragar a credibilidade de alguém, mesmo alguém que não é ligado a mim, para garantir minha tranqüilidade? Nem aqui e nem na China. Minhas matérias têm como objetivo informar (e formar, no sentido de incentivar o leitor a buscar outras informações sobre o assunto, inclusive contrárias ao que eu apurei), não deformar os meus valores.

E posso te dizer uma coisa, mesmo que me provem no futuro que vc tinha ou tem algo a ver com o Daniel Dantas, as suas matérias sempre são bem construídas, jornalisticamente falando. E acho que é por isso que o Gravata tomou parte pra te defender. Entenda, não quero te ofender. É só uma constatação. Vc fez o seu trabalho e fez bem feito.

Não sou santa, não sou inocente. Faço parte de grupos de interesse dentro do meu micro-universo, mas mesmo dentro dos grupos, eu tento ao máximo ser coerente e, principalmente, evito ser cara-de-pau.

Querida, esse tipo de elogio é o que eu procuro. Também não sou santa. Pelo contrário, há muitos momentos em que sou peste mesmo. Tenho as minhas convicções e, de uma forma ou de outra, elas irão transparecer no meu texto, pois ele é escrito também a partir de filtros pessoais. Mas daí a manipular premeditada mente, a enganar, a inventar, a fraudar é um abismo enorme. Eu não estou disposta a pular e acabar esborrachada.

Bom, pra terminar, tem um leitor no blog do Gravata, Fábio Carvalho, que insiste em dizer que suas matérias prejudicaram sim a tal Juíza, pois mesmo que noticiar a denúncia fosse um fato que não pudesse deixar de ser relatado, a maneira como a coisa foi escrita ajudou a difamar a magistrada. Ele diz ainda que a matéria da sucursal do rio da Folha era diferente. Você pode explicar um pouco este episódio?

JANAÍNA: Mariana, eu dificilmente me engano com as pessoas. Você é uma querida. A história da juíza é a resposta 4 na categoria respostas e motivou uma análise do Gravataí. Só não coloco o link agora pq estou correndo. Bj.

JANAÍNA 2: Vc entendeu a história da juíza?

mais uma vez, obrigada

Eu é que agradeço a chance e a leitura. Bj.

Mariana

JANAÍNA

Janaína, você escreveu: "A Vale compra a XPTO 123 na Transilvânia _ ótimo para a Vale, interessante para o governo, de pouca valia para os brasileiros. Os postos de trabalho não são aqui! Felizes devem ficar os que moram na terra dos vampiros, pois eles verão sua economia em alta."

Discordo. Veja um país "pequeno" como a Holanda, que é um dos principais parceiros comerciais do Brasil, com suas multinacionais (Shell, Unilever, Philips, ABN) instaladas pelo mundo inteiro remetendo lucros pra lá.

O Brasil precisa ter sim suas multinacionais, Vale, Gerdau, etc.

JANAÍNA: Oi, JC. Talvez eu não tenha me expressado de forma tão clara. Lógico que o Brasil precisa ter multinacionais, só que elas não precisam necessariamente ser estatais. Nenhuma das duas que você citou, por exemplo, é. Um abraço e volte sempre. Até!

Janaína!
Nossa conversa virou até post, que coisa mais chique!!!! Agora que o Jannone apareceu, vc vai ter coisas mais importantes do que me responder. Mas quando puder, vou adorar ler suas respostas. E não tiver tempo, tudo bem. Já valeu como foi!
Bom, fiz minha lição de casa direitinho e fui lá no Convesa Afiada ler absolutamente TUDO que o PHA escreveu sobre o tema. Entendi mais um tantão de coisas. Ele usa bastante um pessoal do Teletime, que eu tentei assinar, mas precisa pagar...e que me parece ser uma fonte muito interessante sobre o assunto Teles.
Minha cabeça está cheia, portanto não deu pra eu rever a história da Juíza, mas tem um lance sobre as datas que o Gravata levanta e o fato de vc ter relatado uma denúncia sem dar um grande destaque ao fato da possibilidade imensa dela ser infundada? É essa a questão do leitor Fábio?

De tudo o que li ontem com PHA, entendi bem mais o assunto. Mas me pergunto uma coisa: PHA alega que o PIG (não concordo, mas pra efeito de argumento, é sinônimo de veículos com maior audiência, de todas as esferas) está sendo usado por Dantas para divulgar que a BrOI é uma transação que o Governo apóia. Que Dantas pode vir a tomar o controle da BrOI no futuro, seja através de contrato de gaveta, seja através da anulação do processo em NY, via acordo entre as partes. Afinal, quais partes do Governo são a favor da empreitada e quais não são, ao seu ver?
Se Gushiken está do lado da OI, e agora Dantas também parece estar, significa que há, finalmente, consenso entre antigos inimigos? E o Dirceu? Ele estava do lado do Dantas na briga contra o Gushiken? Agora está costurando acordo entre Slim e Dantas (tese de PHA) para uma futura venda da BrOI? Vc, pela experiência no assunto, acha que há mesmo uma nova aliança entre Dantas, Jereissati e Andrade? Ou é doideira do PHA?
De onde vem essa raiva toda do PHA contra Dantas, seria por que a Kroll espionou a ele e seus entes queridos? (Se fosse comigo, ia ficar muito brava).

Enfim, a tese de gerar uma grande tele brasileira, na verdade, seria louvável se de fato seus dirigentes voltassem sua administração para os interesses da patuléia. Mas isso, no capitalismo real, acaba sendo uma ilusão. O que vai valer sempre é uma administração voltada pra maximizar lucros. O papel das agências reguladoras, no caso, é o instrumento capitalista encontrado para fazer com que concessionárias públicas atendam, no limite do possível, aos interesses dos consumidores.

De qualquer maneira, eu acredito em micro - revoluções que "contaminam" e vão se alastrando. Portanto, acredito que administradores dotados de novos valores podem fazer a diferença. Mas isso é outro papo.

Uma última indagação e me desculpe se vou te colocar na parede: você concorda com a maneira como o Mainardi ataca figuras sem antes pesar alguns dados ou se aprofundar no tema? Tirando a questão da Telecom Italia, vc acha que ele possui o mesmo rigor jornalístico que vc?

Te perguto isso porque, afora as questões ideológicas dele, que muitas vezes me parecem infantis (mesmo entendendo o seu escopo de pensamento) e que transbordam em seu texto e afastam (atraem também) muitos leitores, eu acho que há uma certa leviandade no que ele escreve. Por que leviandade? Porque da mesma maneira que vc acha que só destacar Dantas como o vilão da província é, ao mesmo tempo, uma hipocrisia e uma forma de mascarar personagens e todo um sistema sujo por detrás, eu acho que o Mainardi também faz o mesmo com outros assuntos, se valendo de bodes expiatórios e temas polêmicos, atirando contra pessoas, sem apontar realmente qual é o cerne da situação.
É esquisito falar que o Lulismo é o grande problema do Brasil quando se trabalha em uma revista que nem sempre respeita os mínimos valores (até morais) do jornalismo, e isso é um grande problema no Brasil . Pra poder criticar ele precisa ser coerente. Usando um ditado e não quero desrespeitar o Mainardi (espero que ele entenda), é muito louco o sujo falar do mal lavado.
Afinal, não importa se o Mainardi concorda ou não com os procedimentos da revista, o fato é que ele age como se "os fins justificassem os meios", que é justamente uma das grandes questões distorcidas da esquerda.

Me desculpe estar falando isso com vc, deveria falar pra ele, mas não tenho esse canal e o fato de ter aberto um diálogo com vc, me abriu esta possibilidade de aprofundar os temas.

grande abraço e muito, mas muito obrigada pela conversa

mari

Esse mundo 'internautico' é muito doido procurando um blog que comentasse sobre a participaçao da Dilma Rousseff acabei caindo no da Lúcia hippolito, acabei clicando nesses blogspots em links, etc. quando vejo to no blog do Luis nassif , de cara uma teoria conspiratória cabeluda, para entender (Sera que alguem entende ?) acabei indo ler blogs dos mainards e etc da veja como nao leio veja, não consegui entender nda tbem, esse mainard é simplista foi de boa, sem problemas. O outro la do chapéu começou a complicar, para desenovelar procurei, minha ultima esperança, Google (janaina leite).
Bom não acabou nao esclarecendo nda tbem.Mas uma coisa vou falar, essa Mariana me deixou impressionado, tem um nível superior de inteligência e muito jeitosa pra perguntar as coisas, deve ser jornalista e das boas. PARABÉNS.
bom outra coisa que aprendi foi que esse pessoal que detona o lulinha e sua PTralha, são todos consciente ou inconscientes, neoliberais, defendem o estado minimo. Mas cai no mesmos erros que eles tanto criticam e abonimam nos outros...SAO INCOERENTES!
... O que me interessa é que a gasolina seja barata (copiado ai de cima). Como pode isso se essa turma é a primeira a gritar que o des governo esta segurando o preço dos combustível, que assim as ações da Petr4 não sobe, etc e tal. vai entender?

Obs. Gostaria de Saber afinal quem eh o mocinho ou o bandido dessa historia?
(estou falando do Dantas e essa bagunça toda)

Obs 2. Já perdi muito dinheiro com tncp4, na epoca eu achava que pessoas do PSDB estava sacaneando com ele, mas mesmo assim eu pensava( ah, o citybank nao vai deixar sacanear com ele) o Dantas vai fazer essa mer..cadoria da a volta por cima, e eu vou ficar rico, comprava mais açoes de tncp4, tmcp3...Dai do nada o Citybank começa a detonar ele, etc e tal....(nessa epoca ja tinha altas historias de complos e jornalistas infiltrados com escutas, telefonicas, etc...bom se nao epoca nao consegui entender nda, acha que agora que nao vai dar mesmo.

:)

Jana, estava de férias na BA e não tive a oportunidade de acompanhar essa história. Estou me atualizando agora...e só queria deixar registrado que te conheço bem e sei da sua ética total e imparcialidade nas reportagens feitas para o jornal. Pelo visto, o final da novela foi feliz, já que, além das provocações e calúnias terem sidos desmentidas em vários lugares ainda angariou vários novos admiradores.
Sua transparencia, e profissionalismo sempre mostrarão a verdade !
qdo tiver um tempo, me liga.
abraços

JANAÍNA: Ju, estou verde de vontade de falar com vocês. O mês foi punk, depois conto tudo. Te ligo amanhã, ok? Beijoca.

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