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April 30, 2008

Grau de investimento

Quando a economia vai bem, muito difícil a popularidade seguir em mão contrária. Críticas, mesmo as válidas, perdem-se no vazio. O presidente está blindado.

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Conheça a página do Manga.

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Os desinformados

A dupla é sempre a última a saber das informações essenciais. Ambos se dão conta delas apenas quando o vazamento acontece.

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Esta é a primeira de duas charges do Cassio Manga . Todas são antigas, mas creio que ninguém diria se eu não contasse.

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Ai, que medo! Brrr...

Estou para situações esquisitas como os pára-raios para as descargas elétricas, admito. Como daquela vez, em 2004. Cheguei do trabalho morrendo de fome, trêmula, açoitada pelo vento típico do começo de noite. Rumei direto para a geladeira, mente vazia enquanto a mão levava algo à boca. De repente, um arrepio na nuca _ havia mais alguém ali, logo atrás de mim.

“Donaaaa...”, disse uma voz fininha, quase infantil, meio sussurrada.

Girei nos calcanhares e dei com um espectro. Longos cabelos brancos, olhos fixos no meu rosto, expressão ansiosa de quem deseja ir para a luz. Não tive dúvidas: dei um berro e saí correndo. Era só o que faltava, uma Carrie, ainda mais desbotada do que a Sissy Spacek, na minha cozinha!

Demorou alguns segundos até que me desse conta da maluquice. O “fantasma” era apenas a diarista, albina e cabeluda, que ainda não tinha ido embora. No sibilo e na brancura, coitadinha, iluminada apenas pela lâmpada tísica da geladeira, a moça tornou-se, involuntariamente, a própria mensageira do além.

Donde você pode deduzir que em nada me surpreende uma situação miqueira, como, por exemplo, a última: ser a destinatária de “ameassas” escritas por um sujeito intitulado "Kyler".

Meu filho, vá estudar! Pare de perder tempo com esse tipo de coisa boboca, ou falarei com a sua mãe. Está na cara que, em matéria de assassinato, meu anjo, você só entende de um: o da ortografia.

Além disso, quem, como eu, já viu uma albina descabelada bancando a estátua no lusco-fusco, acredite, cria um poder de resistência gigantesco. Humpf.

É cada uma...

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Vizinho novo

Nós, do APostos, temos o prazer de informar a você que um dos melhores blogs da rede, o FDR, do Fabio Danesi Rossi, veio para o nosso portal.

Aproveite o passeio para dar um pulo na página de um dos síndicos, o Márcio Guilherme. Adorei o post que ele acaba de colocar.

Até!

PS.: Sabe o que é o mais bacana? Daqui a pouco tem mais...

 Rockapella - Stand By Me (a capella)

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PACMen - 2

Brasileiro, dizem, é muito criativo _ menos no que diz respeito a empreiteiras, doações eleitorais e contratação de obras. Das 20 construtoras que mais receberam dinheiro do PAC desde o ano passado, só UMA está fora da lista das financiadoras de campanha, informa o site Contas Abertas.

“No total, 19 delas receberam R$ 2,5 bilhões diretamente da União para tocar obras do PAC desde o ano passado... O levantamento não inclui obras pagas com recursos de empresas estatais, estados e prefeituras.

Entre as maiores doadoras de campanhas políticas, estão as construtoras OAS, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa. As duas últimas não estão entre as 20 mais contempladas pelo PAC. No entanto, juntas, as empreiteiras foram responsáveis por R$ 6,7 milhões encaminhados apenas à campanha de reeleição do presidente Lula. Entre o período de 2007 e o primeiro trimestre de 2008, as construtoras receberam do PAC, respectivamente, R$ 124,8 milhões, R$ 28,5 milhões e R$ 22,4 milhões.”

Interessante mesmo, todavia, são as informações do Contas Abertas sobre a que está em primeiro lugar na lista do PAC, a Delta.

“A Delta Construções, especializada em obras públicas, foi a maior beneficiada pelo PAC desde o lançamento do pacote econômico. Foram destinados a empresa um total de R$ 336,2 milhões referente à restauração de rodovias federais, conservação preventiva e rotineira ou adequação e recuperação de trechos em 21 estados brasileiros.

Nas eleições municipais de 2004, a construtora doou o equivalente a R$ 1,7 milhão a candidatos a prefeituras e a câmaras municipais. A maior quantia desembolsada pela empreiteira foi destinada ao Comitê Financeiro Municipal do PT de São Paulo, R$ 415 mil. Também foram contemplados com quantias em dinheiro, através de doações, comitês do PMDB, PSC, PSDB e PL (atual PR). Já no ano de 2006, a empresa não aparece na lista do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de doadores para campanhas partidárias.

No final de 2005, especulou-se que a construtora Delta teria apresentado um documento com informações falsas para participar da licitação pública da Linha Verde, em Minas Gerais, considerada o maior conjunto de obras viárias em Belo Horizonte e região metropolitana nas últimas décadas. No entanto, a assessoria de imprensa da construtora é enfática ao afirmar que a empresa não produziu documentos falsos para participar da licitação.”

A situação descrita aí em cima é um vexame. Alguém precisa dar explicações sobre o assunto. A chance está aí, ministra Dilma Rousseff, como eu disse no começo de abril. Basta que parem de adiar a audiência requerida pelo senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) à Comissão de Infra-Estrutura do Senado.

Escrevi sobre o tema no dia 4 de abril. Clique aqui para ler.

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PODCAST: "Reeleição custa caro, amigo"

Para a íntegra, clique aqui.

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April 29, 2008

Valeu!

 Elvis Presley - A Little Less Conversation


Todos a postos e... BUM! O limite da banda estourou devido ao número de acessos.

Obrigada por participar da festa do condomínio. Nós, os vizinhos, agradecemos.

Um grande beijo,

Janaína

PS: E olhe que as visitas aumentaram ANTES das grandes novidades... Aguarde!

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Sempre...

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NASSIF e o BNDES - 8

Luís Nassif colocou uma nota do BNDES em seu blog há pouco, reiterando que não foi favorecido pelo banco ao "renegociar" sua dívida com a instituição em 2007. Leia aqui.

Eu não banco a informação do BNDES, muito pelo contrário. As explicações, na minha opinião, são insatisfatórias. Ainda bem para Nassif que ele as obteve no mesmo dia de seu pedido. Para mim, a instituição demorou dez dias até enviar suas ponderações. Mas, tendo em vista tudo o que acontece nesse caso, está em linha com o comportamento do BNDES.

TODAS as perguntas e TODAS as respostas publicadas por Nassif são referentes a casos de renegociação da dívida, o que NÃO se aplica ao próprio Nassif. O BNDES perdoou condicionalmente _ até o Hoauiss entende "dispensa" como perdão _ R$ 1,9 milhão da dívida total de R$ 4,2 milhões do empresário durante ACORDO JUDICIAL. E o fez SEM A APRESENTAÇÃO DE GARANTIAS REAIS.

Em NENHUM processo que corre no Tribunal de Justiça de São Paulo foram encontrados acordos em tais condições.

Não tinha a intenção de revelar minha conversa com o BNDES antes de receber o segundo lote de respostas. Mas, diante da nota de Nassif, acho por bem fazê-lo. Devo isso ao leitor do Arrastão.

1) O acordo com Nassif é normal e obedece aos procedimentos usuais do banco. Eu perguntei por que, nesse caso, nenhum outro acordo do tipo pode ser encontrado em andamento, pelo menos no TJ paulistano, o maior do país. Não obtive resposta.

2) O contrato de Nassif foi fechado em 1997, no âmbito de um programa de "inovação tecnólogica". Esse programa dispensava a apresentação das garantias. Eu perguntei que tipo de "inovação tecnológica" uma AGÊNCIA DE NOTÍCIAS pode apresentar? Não obtive resposta.

3) Segundo o BNDES, a lógica da dispensa da garantia dentro do programa de "inovação" é que "uma agência de notícias conta com o patrimônio da credibilidade". Perguntei, então, se a garantia era apenas o próprio nome de Nassif e como é possível medir esse tipo de credibilidade. Não obtive resposta.

4) Ainda sobre a apresentação de garantias, perguntei: se um contrato foi fechado em bases ruins para o BNDES no passado, a equipe atual, sendo formada por servidores públicos, teria obrigação de tentar melhorar as condições para o banco. Não obtive resposta.

4) Seguindo a linha acima, perguntei no que o BNDES se baseou para o perdão ocorrido no acordo judicial e a dispensa de garantias, tendo em vista que há outros processos no TJ de São Paulo mostrando que Nassif é notório mau pagador (só em um dos autos, reclamação movida por uma editora, a dívida cobrada do empresário é de R$ 2 milhões). Não obtive resposta.

5) O BNDES disse que há detalhamentos sobre o caso que não pode me dar, pois trata-se de sigilo bancário. Perguntei desde quando processo judicial público tem sigilo bancário. Não obtive resposta.

6) Para explicar o sigilo, o BNDES citou como exemplo o meu banco e hipotéticos empréstimos pessoais que eu pudesse ter feito. Perguntei se um banco público de fomento, com juros subsidiados e funcionários pagos com o dinheiro público, inclusive o meu, obedece às mesmas regras de uma instituição financeira privada em créditos com pessoas físicas. Não obtive resposta.

7) Não perguntei ontem, mas pergunto agora: quem vai se responsabilizar pelas informações sustentadas pelo BNDES? Luciano Coutinho? Espero obter resposta.

Por fim, vá ler o link que me mandaram e que enviei para o BNDES hoje pela manhã (http://bndesnassif.blogspot.com/)
Eu quero explicações para todos os pontos listados por mim e os que constam daquele blog. E ponto final.

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"Play it once, Sam"

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NASSIF e o BNDES - 7

Informei no último dia 19 que o BNDES havia pedido um prazo para esclarecer minhas dúvidas sobre o acordo fechado no ano passado pelo banco com a empresa de Luís Nassif, a Dinheiro Vivo. O acordo prevê o perdão condicional de R$ 1,9 milhão dos R$ 4,2 milhões devidos, sem a apresentação de garantias reais.

Ontem, o BNDES mandou a resposta. Continuo com muitas dúvidas. Por isso, mandarei uma nova série de perguntas para a instituição. Além das perguntas, vou anexar um link demolidor enviado a mim por um leitor: http://bndesnassif.blogspot.com/

Manterei você em dia com o assunto. Se quiser ler aqui um pouco do que há no blog citado acima, fique à vontade.

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Estímulo aos anticorpos

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Novaes, para o JB.

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April 28, 2008

Análise organizada - BrOi

Para ler a análise "Telezona, a síntese do Brasil" na íntegra, clique aqui.

Aqui estão as partes de modo organizado:

- Primeira
- Segunda
- Terceira
- Quarta
- Quinta
- Sexta

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Telezona, a síntese do Brasil (parte 6 - última)

Para encerrar, mais alguns números e considerações. Até aqui, claro, você pescou: no Brasil, é possível ser empresário sem ligações com os governantes de plantão. Mas, para conseguir atuar em uma área de concessão pública, é recomendável ter bons amigos entre os poderosos. Agora, se o caso é fechar um negócio ilegal envolvendo concessionárias... Aí é bom conhecer os políticos, se dar bem com várias facções e partidos, ceder a prepostos alguns lugares no conselho das empresas e, muito provavelmente, doar um bom dinheiro para campanhas eleitorais.

Antes das ponderações, contudo, os números da “supertele” (como é fácil criar uma impressão positiva, sem desembolsar um tostão em publicidade!).

Li em todos os jornais que a La Fonte e a Andrade terão, juntas 38,68% da Telemar Participações _ empresa que não é negociada em bolsa e está acima, em uma árvore socitária complicada, da operadora. Quase 40%... Dá até para entender facilmente os R$ 2,4 bilhões vindos do BNDES.

Mas, como eu disse, há informações numéricas que são como cebolas. A Telemar Participações está acima da Tele Norte Participações, que manda na Telemar Norte Leste (TMAR), a operadora. E, fazendo os cálculos, somando-se inclusive a participação direta de Jereissati e Andrade, descobre-se que a parte relativa a ambos corresponde a... 5,89%.

Os dois terão praticamente 6%, talvez um pouco menos, da Telezona, mas nela mandarão. A operadora nascerá um tantinho endividada. O risco estará mais com o mercado, creio, uma vez que são os investidores os donos de boa parte das ações da operadora.

Outros, bem mais inteligentes que eu, perceberam antes. As ações com direito a voto da TNL Part., da controladora da Oi, despencaram hoje 10,6%. E os papéis preferenciais caíram 9,7%. Avalio _ e isso é apenas minha avaliação _ que o movimento demonstra que o mercado não acreditou na história de uma governança corporativa aperfeiçoada para a Telezona.

Provavelmente, os operadores lembraram de casos recentes, como, por exemplo, o de Marco Tronchetti Provera, da Pirelli. Ele controlava a Telecom Italia por meio de uma empresa acima dela na árvore societária. Para financiar a empresa em que estavam suas ações, o empresário permitiu que a dívida da Telecom Itália (onde só tinha 3% do total) explodisse.

Enquanto o governo italiano era amigo de Provera, não houve problema. Quando, entretanto, Romano Prodi, que detestava o presidente da Pirelli, assumiu o cargo de primeiro-ministro, a situação virou. Em pouco tempo, a procuradoria italiana varria as atividades da Telecom Itália e os bancos cobravam as dívidas.

Resultado: Provera perdeu a companhia para a espanhola Telefónica. Os espanhóis que adquiriram o controle da Telecom Italia no ano passado em parceria com instituições financeiras.

“O que você quer dizer com isso, Janaína?” Que, na minha opinião, a Telezona continuará dependendo das relações de seus comandantes com a política. O acordo de acionistas não saiu mas, para descompensar o bloco de controle, basta que UM feche com o grupo contrário. Assim, a composição ainda é crucial para que Jereissati e Andrade fiquem à dianteira da tele.

“E a administração?” Espero que seja boa. O primeiro ponto a ser olhado com cuidado é o quanto os empresários querem essa companhia para aperfeiçoar as atividades da operadora por aqui ou como um braço mecânico para expandir suas outras atividades lá fora.

Se for o segundo caso, o dinheiro público financiou ambições privadas que, embora nacionais, são de pouca valia para nós, os brasileiros. E daqui a pouquinho, um estrangeiro, como a Portugal Telecom, por exemplo, comprará a controladora Telezona _ pagando muito mais pelas ações dos manda-chuvas (Jereissati, Andrade e o fundo de pensão da Telemar, o Atlantis) do que para os demais sócios (os fundos de pensão do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, da Petrobras e da BNDESPar).

Claro, o dinheiro público está nos últimos. Meio Fellini, eu sei. Mas, é só um detalhe, não é?

E la nave va.

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Impossíveis

Ei, você já deu uma volta hoje pelo A Postos?

Morri de rir há pouco com o Godoy, do 8 Bits e Meio. E, mesmo com atraso, é uma pena se você deixar o Chá das Cinco que o Rodrigo de Lemos serve por ali.

Não é por nada, não, mas o condomínio só melhora. Muitas (e sensacionais) surpresas para breve. Nós, que já estamos impossíveis, teremos ainda mais agito. Aguarde!

 Queen - We Will Rock You

Passeie um pouquinho na vizinhança. Enquanto isso, escrevo o último post sobre a Telezona, ok?

Até daqui a pouco!

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Telezona, a síntese do Brasil (parte 5)

Números enganam bem menos que as palavras, por isso admiro quem tem familiaridade com eles. Mas, às vezes, a informação que chega por meio de algarismos é como uma cebola _ quando picada, traz lágrimas aos olhos. Aqui, na quinta e penúltima parte da análise sobre a compra da Brasil Telecom pela Telemar, você entenderá o motivo pelo qual digo isso.

A criação da Telemar, como descrito antes, permitiu a união de empresários locais com representantes dos fundos de pensão ligados à ala sindical do PT. O tempo mostraria, porém, que as ambições dos dois grupos para o futuro eram diferentes.

A idéia dos petistas era fazer com a Telemar, no longo prazo, algo semelhante ao que ocorreu na Vale do Rio Doce: os fundos de pensão manteriam o poder, ao lado de um forte sócio privado (o Bradesco, no caso da mineradora; a Andrade Gutierrez, no caso da operadora).

Andrade, por sua vez, enxergou uma ótima oportunidade de unir forças em dois setores da infra-estrutura: a construção civil e as telecomunicações. Sua pretensão era (e é) criar uma plataforma conjunta, atraente o bastante para a exportação. O mesmo pensou Jereissati, acostumado a negócios imobiliários e comerciais.

Mas, antes que o descompasso entre os dois e os petistas ficasse evidente, o que só ocorreu nos últimos meses, a parceria rendeu. Os fundos de pensão puderam deixar a administração da Telemar nas mãos dos amigos e concentraram suas forças em recuperar o comando da Brasil Telecom. Em troca, colocaram muito dinheiro nas empresas dos sócios privados. Escrevi uma reportagem em 2005 sobre isso.

“Fundos injetaram R$ 950 milhões na La Fonte; valor é 86% do aporte da empresa na Telemar (desde 1998); Polícia Federal investiga se fundos bancaram sócios privados da tele.”

Nunca ouvi nada sobre o resultado desse inquérito. Você ouviu?

Seja como for, Andrade e Jereissati são dois ases dos negócios. Se, por um lado, o dinheiro dos fundos entrava, por outro, eles se tornaram grandes financiadores de campanha.

“Um dos principais acionistas privados da Oi e maior interessado na compra da Brasil Telecom, o grupo Andrade Gutierrez foi também o maior financiador do PT em 2006, ano com o último dado disponível. A construtora mineira doou R$ 6,4 milhões para o partido -dinheiro usado sobretudo para financiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de outras campanhas petistas. ...Além da doação ao partido, a Andrade Gutierrez doou R$ 1,52 milhão diretamente para a campanha de Lula em 2006. Para que a Oi possa comprar a BrT, é preciso um decreto presidencial mudando a legislação. O governo apóia a venda da BrT.”

O trecho acima consta de reportagem escrita por Leonardo Souza e Fábio Zanini, da sucursal de Brasília da Folha de S.Paulo, em 13 de janeiro deste ano.

A melhor e mais ousada jogada da dupla, contudo, não foi na Telemar, embora muita gente ache que a compra a Gamecorp, empresa do filho do presidente da República, por R$ 5,2 milhões em 2004, um mês depois de ela ser constituída, tenha ajudado.

Para mim, a tacada de mestre dos dois foi deixar a Telecom Italia, o Opportunity, os fundos e o Citigroup se engalfinharem pela Brasil Telecom. Quando todos os adversários estavam sujos, ensangüentados, enfraquecidos e com fama de malvados... Clap! Um único sopapo na orelha. Nenhum dos briguentos ficou de pé.

PS: A íntegra de todas as reportagens citadas estão aqui, um pouquinho mais para baixo.

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Ícaro?

De acordo com a Folha Online, a pesquisa CNT/Sensus identificou 50,4% dos entrevistados em abril favoráveis a um terceiro mandato para Lula, que nunca teve aprovação melhor.

O que eu acho?

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Jorge Braga, para o jornal goiano O Popular, há alguns dias.

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Sozinho? Sem problemas, amigo.

 Billy Idol - Dancing With Myself

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Telezona, a síntese do Brasil (parte 4)

Então você, até aqui, guardou as principais informações do cenário em volta da privatização das teles: em 1998, a economia mundial sofrera vários abalos e havia sinais de outros a caminho; a política monetária brasileira tinha um alto custo e sinalizava implosão (o que realmente aconteceu no começo de 1999); o acordo com o PFL, balizador das duas candidaturas de Fernando Henrique Cardoso, fora subitamente enfraquecido; o PSDB desenvolvimentista havia crescido em importância e o PT vira uma chance para si no racha da base aliada.

(Creio que é melhor ir direto para o leilão, ou levarei meses escrevendo antes de opinar sobre a compra da Brasil Telecom pela Oi-Telemar, motivo dessa análise toda. Depois, se você quiser, deixe um comentário ou mande um e-mail. Se houver demanda, retomo o assunto, ok?)

No resumo, basta saber que o dono do Opportunity, Daniel Dantas, era visto como alguém com bom trânsito no PFL e, por conseqüência, com o próprio FHC.

A esperança dos tucanos alinhados com os pefelistas era que, ao fim do leilão, Telecom Italia/Bradesco/Globo ficassem com a região de São Paulo; a espanhola Telefónica com o Centro-Oeste e o Sul (onde já atuavam) e o grupo Citigroup/ fundos/Opportunity levassem a Telemar.

Como dizem no futebol, faltou combinar com os russos.

O dono da La Fonte, Carlos Jereissati, era velho conhecido dos fundos de pensão, de quem era sócio no setor imobiliário. E Sérgio Andrade, como bom mineiro e excelente empreiteiro, se relacionava bem com todo mundo. Viram a oportunidade bater à porta com a exclusão de pessoas ligadas ao PT na montagem dos grandes consórcios.

Dias antes do leilão, Jereissati e Andrade, apoiados pelos fundos de pensão e pela ala desenvolvimentista tucana do Banco do Brasil, montaram um consórcio. Para compensar a falta de uma operadora internacional no grupo, adotaram o discurso nacionalista.

Alguns integrantes dos fundos, por sua vez, se aproximaram da Telecom Italia. E os tucanos do Banco do Brasil cevaram a relação com os espanhóis. Encontros secretos às vésperas da operação de venda para cá, desistências para lá... Sabe-se lá como, no dia do leilão, tudo saiu ao avesso.

Os espanhóis apresentaram um lance altíssimo por São Paulo e retiraram a oferta pela Tele Centro-Sul. Resultado: a segunda maior oferta pela futura região da Brasil Telecom, a do grupo Citi/fundos/Opportunity, venceu a rodada (ágio de 6,15%). Assim, foram automaticamente obrigados a sair da disputa pela Telemar. Quem ficou por lá? O consórcio engendrado por Jereissati e Andrade. Arremataram a empresa por 1% de ágio sobre o lance mínimo (você leu certo, é UM por cento mesmo).

Naquele dia mesmo, os compradores da Telemar anunciaram que usariam dinheiro emprestado do BNDES para quitar metade dos R$ 1,4 bilhão que teria de ser pago à vista pela operadora.

Dia 29 de julho de 1998. As 12 empresas do sistema Telebrás foram privatizadas por R$ 22,058 bilhões. Ao fim do leilão, que durou quatro horas e quatro minutos, o ágio médio chegou a 63,74% _ muito acima dos 17% esperados pelo governo e pelos mercados.

Do lado de fora da Bolsa de Valores do Rio, milhares de policiais e militantes de esquerda, contrários à privatização, se enfrentavam. Cerca de 300 pessoas foram presas e mais de 30 acabaram no hospital.

Como de costume, acredito, o chão-de-fábrica que estapeava os policiais e tomava bordoadas na cabeça não sabia que, lá onde o martelo fora batido, os representantes graduados do PT se cumprimentavam felizes. Por conta de manobras muito bem pensadas, o resultado do leilão calcinara o acordo entre FHC e o PFL, impulsionara os tucanos desenvolvimentistas e consolidara uma aliança muito proveitosa para os petistas com o grupo que comprou a Telemar. Melhor, impossível.


PS: O Valor de hoje veio com uma matéria muito boa para rememorar o leilão, escrita por Talita Moreira. Para ler, clique aqui.

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April 27, 2008

Telezona, a síntese do Brasil (parte 3)

Vamos sair um pouquinho da política e olhar a quantas andava a economia em 1998. O Plano Real, um sucesso, responsável pelo fim da inflação, ainda estava em fase de consolidação. Para tanto, a equipe econômica optara por manter a taxa de câmbio administrada. (Como bem lembrou o Carl, em seu comentário, o regime adotado foi o de "flutuação suja".)

Mesmo quem entende patavinas de ciência econômica percebe que essa relação é ilusória. Como a moeda do país mais poderoso do mundo pode valer (mais ou menos) o mesmo que outra, a de uma nação de terceiro mundo? Impossível, a não ser de forma artificial.

A administração da taxa de câmbio, assim, exigia um esforço hercúleo. A relação entre a dívida brasileira e o PIB sofria forte degeneração, as reservas eram insuficientes, o funcionalismo amargava sem reajustes (não é de se admirar que o PT tenha feito um rapa nos votos dos servidores públicos), as contas externas viviam em desequilíbrio. Por outro lado, era possível saber quanto valeria o salário no fim do mês, algo impossível antes do Real.

Outro aspecto bagunçava ainda mais o coreto da economia nacional: sucessivas crises ocorridas no exterior. Esses abalos implicavam mudanças bruscas no fluxo de capital internacional, criando um ambiente propício para os especuladores apostarem contra determinadas moedas. Primeiro foi a crise do México, depois a da Ásia e, em meados de 1998, formava-se a nuvem negra que viria a ser confirmada como a crise da Rússia.

Também é fácil entender, portanto, que a época estava longe de ser a ideal para atrair capital de longo prazo. Os investidores viam o Brasil com cautela, devido ao histórico complicado da economia, à prática da corrupção típica dos países latino-americanos e às imensas lacunas e contradições do sistema regulatório.

Mesmo assim, a princípio, alguns estrangeiros mostraram interesse nos consórcios que disputariam as empresas resultantes da cisão da Telebrás. Entre eles, Citigroup, Bell South, MCI e Sprint; Telefónica de Espanha, a canadense TIW, Telecom Italia, Portugal Telecom, France Telecom.

Nem todos ficariam até o fim. O capital anglo-saxão, principalmente, não gostou do que viu por aqui. A maioria deu no pé antes de se meter em confusão.

PS: Agora vou almoçar mesmo. Na volta, continuo.

PS2: Fazia tanto tempo que eu não saía de casa e conversava com meus amigos... Perdi a noção das horas, perdão. (21h40)

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Telezona, a síntese do Brasil (parte 2)

Como você sabe, no Brasil existem "esquinas políticas", instâncias onde os interesses menores e imediatos permitem maior interação entre determinados partidos.

Em 1998, PFL e PSDB jogavam em dobradinha no Congresso e na agenda econômica. Também estavam reunidos no Ministério da Previdência, onde o PFL dava as cartas, inclusive na Secretaria de Previdência Complementar (responsável pela fiscalização dos fundos de pensão).

Com a morte de Sérgio Motta, o Ministério das Comunicações foi para o PSDB desenvolvimentista, também titular do BNDES e dono da maior parte das cadeiras importantes no Banco do Brasil.

O PT, em contrapartida, aparecia em má situação, sozinho em um cenário onde todos os demais tinham aliados. A campanha sistemática do partido contra a privatização havia fracassado, percebida como discurso anacrônico, retrógrado. Por conta das manifestações (o MST chegou a invadir o BNDES), seus militantes corriam o risco de receberem, mais uma vez, o rótulo de intransigentes _ imagem que atrapalhara muito a legenda na eleição perdida para Collor (1989) e as duas derrotatas para FHC (1994 e 1998).

Onde o PT era poderoso? No Sindicato dos Bancários (o que o tornava um player importante para o Banco do Brasil, e na Previ, o gigantesco fundo de pensão do BB). Nada no banco ou na entidade de previdência passava sem um acordo com os petistas, pois parte das vagas de comando, no segundo caso, era obtida por voto dos bancários. Mesmo assim, a força do Estado era esmagadora _ a maioria dos acertos era fechada em bases ruins para os trabalhadores.

A influência sindical também permitia certa influência do PT na Caixa Econômica Federal e seu respectivo fundo de pensão, a Funcef, bem como na Petrobras e na Petros, instituição previdenciária da petrolífera.

Quando o assunto é bilhão, esses três fundos são os que interessam: Previ (o maior da América Latina), Petros e Funcef. Juntos, eles detêm cerca de 70% dos ativos do sistema brasileiro de previdência complementar. São os gigantes dos investimentos de longo prazo. Praticamente TUDO na economia passa por eles, inclusive no mercado de capitais.

Justiça seja feita _ se a governança corporativa dos fundos de pensão é falha hoje, naquele tempo era uma piada. Diversos negócios mal explicados resultavam em prejuízos para as fundações. Rendiam dinheiro só para os tucanos-pefelês; os petistas se descabelavam com as sobras. Corriam ao Ministério Público com freqüência para fazer denúncias sérias, fundamentadas, que _ DEZ ANOS DEPOIS _ deram em zero de punição. Por que será? Deixo para outra ocasião.

O PSDB desenvolvimentista, matreiro, decidiu jogar em duplicidade. Uma parte (Ministério das Comunicações e BNDES) continuaria alinhada ao PFL e ao acordo azeitado por FHC. Outra, a do Banco do Brasil, iria compor com o PT, de olho mais no futuro presidente do que naquele que ocupava o posto naquele momento. Fosse qual fosse o resultado, os tucanos sairiam ganhando. Pelo menos, era o que eles pensavam.

E o Planalto? Aí eu só posso dizer para você o que eu acho: a eleição de 2002 pouco interessava a ele, que tinha garantido dois mandatos. Fazer um sucessor que não fosse Luís Eduardo era indiferente para Fernando Henrique Cardoso. Fechou os olhos e mandou seguir.

PS: Vou sair para almoçar. Retomo mais para o fim do dia, ok?

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Telezona, a síntese do Brasil (parte 1)

A privatização da Telebrás, que resultou na divisão do sistema em várias empresas arrematadas por grupos estrangeiros e nacionais, completará dez anos no próximo 29 de julho. Jamais esquecerei aquele dia. O salto da bota quebrado que me fez passar o leilão descalça, o burburinho da redação, a comemoração no fim da noite por um trabalho de equipe perfeito.

De lá para cá, mudei bastante. Envelheci, aprendi e me tornei capaz de pensar nas conseqüências de minhas ações no longo prazo. O Brasil? Muito menos, creio. A politicagem e os interesses de campanha seguem ganhando a queda-de-braço com o desenvolvimento.

Para entender minha linha de raciocínio, convido você a um passeio no túnel do tempo.

A privatização das teles foi idealizada por Sérgio Motta, ministro das Comunicações e um dos mais influentes tucanos no primeiro mandato do governo Fernando Henrique Cardoso. Outro grande aliado de FHC era Luís Eduardo Magalhães, então presidente da Câmara, filho do senador Antônio Carlos Magalhães e um dos expoentes do PFL.

Motta, o trator, e Luís Eduardo, o conciliador, foram indispensáveis para as costuras políticas que permitiram o fim do monopólio estatal nas telecomunicações. Por isso, o governo sofreu um golpe pesado quando ambos morreram subitamente, poucos meses antes do leilão, em decorrência de problemas de saúde.

O desaparecimento dos dois principais articuladores políticos de Fernando Henrique colocaram a base aliada em polvorosa. Havia um acordo implícito para o PFL apoiar os tucanos na eleição de 1994 _ ao fim de oito anos, o sucessor de FHC na chapa composta seria um pefelista. O nome natural era o de Luís Eduardo, estimado pelo presidente, capaz de mobilizar os políticos nordestinos e, assim, promover a alternância de poder entre o sul e o norte.

Dentro do governo, o acordo era visto com bons olhos pela equipe econômica, capitaneada pelo então ministro da Fazenda, Pedro Malan, mas causava urticária na ala tucana conhecida como "desenvolvimentista", cuja pretensão era a de apresentar um candidato próprio, o recém-empossado ministro da Saúde, José Serra.

Sem Motta para conter os desenvolvimentistas e Luís Eduardo para manter acesa a chama do acordo fechado com o PFL em 1994, a política ficou de pernas para o ar. A equipe econômica, espécie de fiadora do pacto, estava desgastada pelas seguidas crises econômicas internacionais e pelo alto custo da manutenção do câmbio administrado.

Resultado: os desenvolvimentistas vislumbraram uma brecha para lançar a semente da candidatura de um tucano desenvolvimentista em 2002. O PFL passou a desconfiar dos aliados. E o PT, oposição ferrenha, completamente abafado no primeiro mandato de FH, revoltado com o tratamento que recebia do "intelectual", viu uma chance de crescer com o desbalanceamento dos adversários.

TODOS precisavam fazer caixa para a campanha (menos FHC, que já tinha garantido dois mandatos).

Foi assim que o jogo começou.

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Domingão

Bom dia! Leitores pediram para que eu fizesse uma análise da BrOi. Enquanto escrevo, aproveitem os Platters. Volto daqui a pouco.

 The Platters - Only You

 The Platters - Smoke Gets In Your Eye

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April 26, 2008

Os hunos - 3

valderrama.jpg

Sábado ou domingo, invariavelmente, os hunos arranjam algum programa. O mais comum deles é perturbar a irmã Clementina até que ela, às lágrimas de desespero, quase amaldiçoando os votos, ceda a quadra do colégio para o vôlei da turma.

Às vezes, porém, a irmã Clementina escapa. (Desconfio que se tranque na sacristia ou se esconda atrás do órgão da capela. Como diabinhos que são, os hunos jamais entram na igreja sem o belisco cristão de alguma tia-avó para incentivá-los.)

Foi o que aconteceu hoje. Nós, os pais, somos escalados para substituir a boa freira. De sorte que começa o diálogo bizantino, passível de acabar somente na manhã da segunda-feira, quando voltam as aulas.

Costumava me perder nele, mil e uma explicações pedagógicas-cabeção. Até que descobri uma técnica muito melhor. Basta escolher uma palavra _ “sim”, “não” ou “talvez” _ e usá-la para responder a série de perguntas.

- Mamãe, posso ir no shopping?
- Não.
- Por que não?
- Não.
- Mas todo mundo vai!
- Não.
- Mamãe, por favor, por favor, por favor...
- Não.
- Que droga, você só me regula!
- Não.
- Então posso ir?
- Não.

É o melhor jeito para acertar, vai por mim. A conversa acaba em segundos.

Na maioria das vezes, entretanto, sou bacana. Concordo em levar alguns dos integrantes da tribo ao cinema ou a uma exposição. É, invariavelmente, experiência antropológica que marca a retina, algo como dançar com os índios do Alto Xingu ou observar um concurso de miss entre as mulheres de Tonga.

Da última vez, por exemplo, um menino magrelinho, cara de icterícia e cabelo da Diana Ross na época disco, veio me cumprimentar:

- Oi, gata.

Eu, fascinada com as molas, digo, melenas do guri, “como elas podiam crescer para cima e para os lados?”, me perdi.

- Hein? Ah, desculpa. Eu sou a tia Jana, a mãe da Manu.

“Ele poderia ser aquele Globbetrotter, o Gizmo. Será que guarda coisas aí dentro?”

- Mãe? Pô, parece irmã. Aí, tia, beleza? Sou o Maradona.

“Parece com alguém... A Marge Simpson tridimensional, talvez.”

- Valderrama, é? Muito prazer, filhinho.

Só deixei o transe quando ouvi o berro desesperado:

- MÃÃÃÃÃÃÃÃÃE!

Tarde demais.

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Ei, psiu!

Visitou hoje a página A Postos? Tem, por exemplo, as moças bonitas do Antônio Fernando Borges e o nosso vizinho mais apaixonado, o Peerre, do Los Olvidados. Divirta-se.

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Tarde linda!

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Dantas, o onipresente

Leio que a Polícia Federal quer mandar para a cadeia cerca de 20 pessoas, por supostas operações ilegais no mercado financeiro identificadas na quebra de sigilo do disco rígido do Banco Opportunity, em poder dos policiais desde a Operação Chacal, deflagrada em 2004 a partir do caso Kroll.

A íntegra, para assinantes, está aqui. Acompanhe trechos aqui:

"Personagem crucial no processo de aquisição da Brasil Telecom pela Oi, o banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity, e seus principais sócios e executivos são alvo de uma outra investigação da Polícia Federal que começou com base na quebra de sigilo do computador central do banco apreendido pelos policiais federais em setembro de 2004.

Segundo a equipe de policiais que trabalha no caso, a existência de fortes indícios de crimes financeiros poderia levar à prisão pelo menos 20 pessoas, cumprimento de mandados de busca e apreensão de documentos e bens em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Pará, além de procedimentos de cooperação de órgão policiais internacionais em três países: Estados Unidos, Itália e França.

Além de Dantas, os principais alvos da investigação da PF são o sócio dele Carlos Rodemburg, sua irmã e também parceira de negócios, Verônica Dantas, além do empresário e especulador Naji Nahas.

... Desde meados de 2007, o inquérito que investiga Dantas e seus comandados está sob a presidência do delegado da PF Protógenes Queiroz, o mesmo que investigou e prendeu o hoje deputado Paulo Maluf e o contrabandista Law Kim Chong.

Houve uma análise estratégica para conduzir a investigação. Dantas tem muitos informantes no meio de telecomunicações, até por já ter contratado espiões particulares que usam prática ortodoxas, a exemplo da Kroll, segundo acusa o Ministério Público Federal, e ser acionista da Brasil Telecom e também da Telemar. A opção foi grampear o fluxo de e-mails que circulam pelo servidor central do banco Opportunity.

A troca de correspondência revelou as ligações de Dantas com Naji Nahas, inclusive o acesso a dados privilegiados do mercado financeiro, de acordo com a investigação. Segundo a PF, por conta do nível de dados que o grupo demonstra dominar, configura-se o acesso a informações privilegiadas em primeira mão ("inside information"), o que, pelas leis brasileiras, poderia ser enquadrado como crime contra o sistema financeiro."

Lá vou eu comprar briga de novo. Era muito fácil ficar quieta, surfar na onda boa do blog e deixar de comentar qualquer coisa que se relacione com Daniel Dantas, o banqueiro mais polêmico do país. Mas, se eu gostasse das coisas fáceis, teria escolhido outro ramo do jornalismo. E, provavelmente, você não estaria aqui lendo o que escrevo.

Considero mais que plausível a idéia de que Dantas tenha feito jogadas no mercado financeiro que mereçam a atenção da polícia. Tomara que investiguem mesmo e, se encontrarem provas verdadeiras, não mequetrefes como o CD vindo da Itália, tomem as devidas providências.

Isso posto, acho muito, muito estranha essa tentativa de ligar Naji Nahas SOMENTE ao banqueiro. Para quem precisa de "memoriol", Nahas era o negociador da Telecom Italia, de quem recebeu o equivalente a milhões de euros. E ele não negociou só com Dantas, mas com os fundos de pensão e o Citigroup.

Além disso, Nahas é tão prestigiado no governo Lula que até viajou na caravana do presidente da República que aportou em Beirute, dezembro de 2006, e discretamente faz lobby para a Vale do Rio Doce, companhia controlada pelos fundos de pensão estatais e pelo Bradesco, interessada em parceiros e investimentos no Oriente Médio.

Nahas também é muito ligado aos marqueteiros tucanos, alguns dos quais foram responsáveis por repasses de publicidade da Telecom Italia no estado de São Paulo.

Pois bem. Há cerca de uma, duas semanas, repórteres que trabalham em perfis de inimigos de Dantas conversaram com algumas pessoas que conheço. Avisaram, à ocasião, que o banqueiro iria preso nos próximos dias. A Folha de hoje confirma. Dantas é, no Brasil, o único futuro presididário que recebe a notícia antes pela imprensa, sempre. Bom mesmo junto a uma das facções da PF, todavia, é ser inimigo do banqueiro. Aí é possível saber da ordem antes mesmo dos jornalistas.

O que estou querendo dizer? Não, caro, o que estou DIZENDO. Mandar recado é coisa de gente que tem culpa no cartório. Eu posso, e falo, o que penso diretamente: se o trabalho da PF é sério, parabéns. Mas, se os policiais agem querendo unir Nahas SÓ a Dantas para EVITAR que tragam os papéis da Itália, além de apresentar uma desculpa para a farra dos grampos nos e-mails e telefones, aí tem. Muitos perceberão, pois essa tática foi tão usada nos últimos anos que, agora, acabará dando errado.

"Por que o governo faria isso, Janaína?" Explico, claro. O esquema dos italianos vai além da Telecom Italia, pega subsidárias de outras empresas italianas com filial no Brasil, como a Parmalat, Tecnosistemi e a Cirio (Bombril). Para limpar o caixa das filiais, remetendo o dinheiro em forma de pagamentos fictícios ao Uruguai e outros paraísos fiscais, executivos dessas empresas pagaram montanhas de dinheiro em propinas para que políticos, policiais, juízes e servidores públicos fechassem os olhos da fiscalização.

O "cala-boca" foi pago desde o fim da década de 90, ou seja, pega tucanos e petistas da base, especialmente prefeitos. E eu desconfio que, em ano eleitoral, qualquer abalo desses pese toneladas contra a reputação dos candidatos. Melhor fazer um escarcéu, como o do caso Kroll, e impedir que rode todo mundo.

Agora, diga: se você fosse escolher um bode para colocar na sala, quem melhor do que Daniel Dantas? O homem foi transformado no mal supremo, numa espécie de avesso do teflon _ qualquer coisa negativa gruda no banqueiro.

De novo, sublinho que sim, é bem possível que Dantas tenha praticado crimes financeiros. Se isso ficar provado, parabéns para a Polícia Federal. Mas, na minha opinião, a hipótese mais provável é que, mais uma vez, esteja em curso uma ação que é mais para confundir do que para clarear as maracutaias da alta roda.

PS: Se estiverem me grampeando, por favor, conversem com o José Dirceu para que ele peça ao Slim para melhorar a conexão de internet para laptop e a de celular. Aqui em Pinheiros está uma droga. Obrigada, policiais! Eu sei que a maioria está em Brasília, sob o cuidado da Brasil Telecom, mas não custa nada tentar, não é?

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Panorâmica da política

Clóvis Rossi, para mim, é simplesmente o melhor. O artigo que escreve hoje para a Folha de S.Paulo mostra as razões. Ele consegue misturar opinião, informação e memória em doses precisas.

Não resisto e deixo vocês com a íntegra:

"Perguntas, só por perguntar

SÃO PAULO - O PSDB nasceu, a rigor, para que seus caciques paulistas (Fernando Henrique Cardoso, Mario Covas, José Serra, Franco Montoro, para citar só os principais) se livrassem da inconveniência de chamar de companheiro a Orestes Quércia.

Agora, o cacique tucano José Serra não vê mais inconveniente em chamar Quércia de companheiro, tanto que foi o articulador, nas sombras, do acordo para que o PMDB, a marca fantasia do quercismo em São Paulo, apoiasse Gilberto Kassab, que, aliás, é do DEM, cujas lideranças mais antigas sempre estiveram na margem oposta à dos líderes que viriam a ser tucanos, até a campanha de 1994. Lembra-se? Eu me lembro.

A pergunta seguinte inevitável é: mudou Quércia? Mudaram os tucanos? Ou são mesmo todos farinha do mesmo saco?

Agora, perguntas para o PT. Diz nota da Executiva, ao vetar o acordo do prefeito de Belo Horizonte (MG), Fernando Pimentel, com o governador tucano Aécio Neves, que "os diretórios nacional e estadual do PT consideram o governo Aécio Neves uma administração comprometida com políticas frontalmente distintas daquelas que compõem nosso ideário e o nosso programa de governo".

Beleza. Podemos todos, então, deduzir que Quércia, sim, é compatível com o PT, já que o partido, em São Paulo, buscou ansiosamente coligar-se com ele? Que Fernando Collor é compatível com o PT, aliados que são no Senado? Que Paulo Maluf é compatível com o PT, posto que faz parte da base de sustentação do governo Lula?

Aliás, se fosse para levar a ferro e fogo a nota do PT, o governo Lula também é incompatível com o partido, porque a política econômica é comandada por Henrique Meirelles, eleito pelo mesmo PSDB de Aécio Neves, por sua vez incompatível com o "ideário" petista.

É tudo tão ridículo."

É mesmo, Clóvis. Dá até vontade de soltar um riso triste.

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Bom dia!

Enquanto leio os jornais e escrevo sobre uma ou duas idéias, deixo você com um dos vídeos favoritos das mocinhas lá de casa. ;)

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April 25, 2008

PODCAST: "I TARANTATI - O resumo do caso Telecom Italia"

Pessoal, eu sei que essa história é cansativa. Se você preferir acompanhar por meio de áudio, fique à vontade. Clique aqui para ter o texto do podcast na íntegra.

 Janaína Leite - I TARANTI - O resumo do caso Telecom Italia

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I TARANTATI - O resumo do caso Telecom Italia (parte 5)

Funcionava assim: executivos da Telecom Italia, lá na Europa, contratavam detetives italianos, a maioria, ex-policiais ou antigos agentes do serviço secreto. Esses detetives, por sua vez, recrutavam colaboradores brasileiros.

É aí que você deve prestar atenção. Os procuradores italianos descobriram que o esquema se divide em dois, se bifurca.

Uma parte deles era formada por lobistas, cuja missão era azucrinar os inimigos da Telecom Italia, influenciando a mídia e tocando processos judiciais paralelos contra os adversários dos italianos.

O segundo tipo de colaborador identificado pelos milaneses era uma espécie de negociador. Servia como ponte entre a Telecom Itália e políticos, funcionários públicos, juízes, advogados e por aí vai. Enfim, ligava os italianos aos poderosos.

Os procuradores de Milão têm indícios de que esses colaboradores, mais sofisticados, receberam milhões de euros e pagaram propinas no Brasil.

A Justiça italiana também desconfia que parte do dinheiro distribuído nos trópicos voltou para o bolso de executivos italianos, numa operação que você e eu conhecemos como lavagem de dinheiro.

O processo que corre em Milão já tem caixas e caixas de documentos, recibos, arquivos de computador, lançamentos contábeis e testemunhos de pessoas que participavam do esquema. Esses fatos têm sido amplamente noticiados pela imprensa italiana, mas, aqui no Brasil, só eu e mais um, ou dois colegas insistimos no assunto.

“Jornalistas”, assim mesmo, entre aspas, perguntam por aí qual é o meu interesse em trazer os papéis? Ora, meu filho, o interesse é óbvio _ é um filé mignon informativo, com evidente cunho jornalístico.

Aí você pergunta: "mas trazer os papéis beneficia Daniel Dantas?" Eu respondo: e daí? Desde quando ajudar ou prejudicar alguém é critério para derrubar matéria? Só se for aí, no universo paralelo.

"Ah, não, Janaína, os papéis vão contaminar os processos movidos pela Polícia Federal e pelo Ministério Público no Brasil." É? Por quê? Tem coisa mal investigada ali? Faltam informações? Houve manipulação de algum modo no que está sendo apresentados aos juízes? Qual é o problema, hein? Se tudo foi bem apurado, duvido que os papéis italianos contaminem alguma coisa. E se não foi, nada mais correto para quem trabalha com isenção do que acrescentar as informações que faltam.

Acho muito engraçado que esses “jornalistas” fujam de outra pergunta, muito mais importante: por que é tão grande a resistência dentro do governo para trazer os documentos da Itália ao Brasil? Esquisito, não é? Esse inquérito tem DOIS anos e até agora NADA.

Estão engavetando as coisas para impedir que Daniel Dantas seja favorecido? Tenha dó! Eu duvido. Muito mais fácil que seja para impedir que outros peixes graúdos caiam na rede.

Bom, fico por aqui, mas antes quero saber o que você acha. Deixe a sua opinião na caixa de comentários. Eu volto para conferir.

Até daqui a pouco.

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I TARANTATI - O resumo do caso Telecom Italia (parte 4)

Leitores pedem para eu resumir o caso da Telecom Italia, motivo de várias acusações entre jornalistas. É difícil. São muitos os envolvidos e as histórias se cruzam ao longo de anos. Mas, eu decidi tentar. Depois você me diz se gostou do resultado.

A Telecom Itália é uma das maiores operadoras da Europa. Assim como a Telebrás, ela era uma estatal até o fim da década de 90. Desde a privatização, a companhia passou por vários donos, inclusive a toda-poderosa Pirelli, a maior empresa italiana.

No Brasil, a Telecom Italia está na telefonia celular, por meio da TIM, e até o ano passado era também uma das maiores acionistas da Brasil Telecom, operadora de telefonia fixa das regiões Centro-Oeste, Sul e Norte.

Perceba: o Brasil era, e é, estratégico para a expansão dos negócios da Telecom Italia. Por isso, os italianos foram muito agressivos ao consolidar a TIM. E, também por isso, eles brigaram com os outros sócios da Brasil Telecom pelo controle da empresa.

Hoje, eu vou tratar só de uma parte dessa bagunça, aquela que está relacionada com a Brasil Telecom.

Em 2006, o Ministério Público de Milão abriu um inquérito sobre a Telecom Italia. Os procuradores queriam investigar um esquema de espionagem e venda de informações coordenado por funcionários da operadora. Eles usavam a estrutura e o dinheiro da empresa para grampear telefones, invadir computadores e montar campanas.

No Brasil, e em outros países, os arapongas italianos espionavam os concorrentes da Telecom Itália e de quem controlava a operadora, a Pirelli. Essa prática teria acontecido, pelo menos, entre 2003 e 2005.

Naquela época, era o primeiro mandato do governo Lula, com quem a Telecom Itália e a Pirelli mantinham ótima relação. Mesmo assim, os italianos monitoravam integrantes do governo, até do primeiro escalão.

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TELEZONA: Tudo assinado. O negócio saiu.

Volto daqui a pouco.

JANAÍNA: Voltei.

O acordo que permite aos sócios privados da Oi, a antiga Telemar, se tornarem donos da Brasil Telecom foi assinado há pouco no Rio de Janeiro. Nasce a BrOi, que eu chamo de Telezona, porque além de gigantesca, a nova empresa está sendo criada à revelia da lei.

O mais constrangedor é que a ilegalidade é, como sempre foi, abençoada pelo governo. A desculpa é a criação de uma supertele nacional. Mas não é preciso ser muito esperto para perceber que agradar grandes financiadores de campanha também pesou na balança do Planalto.

A compra resulta que Carlos Jereissati, dono da La Fonte, e Sérgio Andrade, da construtora Andrade Gutierrez, foram coroados os reizinhos das telecomunicações brasileiras. Também significa que o dono do Opportuntiy, Daniel Dantas, ficará pelo menos R$ 1 bilhão mais rico. Depois os caras-de-pau dizem que eu favoreço o banqueiro. Ridículos.

Em linhas gerais: Banco do Brasil e subsidiárias, GP, Citigroup e Opportunity deixam o setor de telefonia. O BNDES paga boa parte da conta, mas diminui a participação. Também encolhem os fundos de pensão ligados às estatais. La Fonte e Andrade Gutierrez se deram bem. Muito bem.

Agora é esperar e ver como o governo vai lidar com a imposição de metas. É o mínimo que pode fazer antes de essa "operação tropical" acabar sacramentada _ o que só acontecerá com a mudança da legislação.

PS: Para saber mais, dê um pulo na Folha Online. Eles fizeram um ótimo infográfico.

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Estou aqui...

... inventando uma nova moda para o Arrastão. Daqui a pouquinho eu trarei novidades. Abraço!

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April 24, 2008

Médico

Escapei ontem, por conta da bagunça em torno do Rodrigo Andrade, mas hoje não tem jeito. Volto daqui a pouco, ok? Cuide-se aí.

PS: Quase nove da noite. Cheguei. Tem muito (muito!) comentário para liberar. Volto em meia hora.

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Só para deixar claro...

... que aqui todo mundo tem memória...

AUTO_aroeira2.jpg

... e aguarda esclarecimentos.

A charge é do Aroeira, um mestre, para o Jornal do Sul.

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Arrastão

Há dois meses, uma amiga maravilhosa, a Bibi, falou comigo consternada. No auge da selvageria dos caluniadores, ela, corajosa, visitou a página repleta de mentiras sobre mim. Ficou deprimida, particularmente triste ao ler um dos integrantes da claque _ algo do tipo "estou até com pena da menina (Janaína), o blog dela está às moscas".

- Você tem certeza do que está fazendo, Jana? Sozinha, sem cobertura...
- Tenho.

Eu estava certa. Ontem, o contador do site mostrou quase 8.000 acessos. O índice de retorno dos leitores, desde o início, supera 80%. A quantidade de links em outros blogs aumenta de forma exponencial. A página do A Postos registrou recorde histórico.

Mais importante de tudo: VOCÊ, leitor, está aqui. Muito, muito obrigada.

Vou continuar jogando a rede. Por favor, me ajude a puxá-la. É arrastão. Nunca, jamais se viu tanto peixe assim.

 Judy Garland - Get Happy

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Condomínio

Você já deu uma espiada no que o pessoal do A Postos anda fazendo?

Minha dica de hoje é que confira o texto impecável (e o gosto musical delicioso) do Filthy McNasty. O post sobre Mingus e Terry é imperdível.

Depois, visite o Diacrônico. A capacidade de síntese do Mauro ainda me mata de inveja.

Até daqui a pouco!

PS: Mudei a construção da frase por sugestão do Ruy, o meu gentleman preferido.

Continue lendo "Condomínio" »

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Equação de quinto grau

Há algumas semanas, visitei o antigamente. Recebi uma carta manuscrita, selada, trazida pelo homem dos Correios. Veio repleta da benção das tias e de páginas soltas, resquício dos meus diários de menina, encontradas por elas em alguma gaveta ou caixa empoeiradas.

Minha capacidade mnemônica é imprevisível. Portanto, ver que lembrava da ocasião em que quase todos os escritos foram ao papel deixou-me alegre; os traços se apresentavam como há dois dias, não duas décadas.

Apenas uma das folhas sumira da mente. Justo aquela, corações flechados, mil e uma voltas de letra gorduchinha. Dei consciência: era documento, não bobagem, um registro de próprio punho da minha primeira paixão. Há quanto tempo eu não ouvia falar do mocinho brilhante e impetuoso que ignorou minha existência todos os dias da sua curta vida?

Eu o conheci pelo gosto em comum por Alexandre Dumas, autor cujas aventuras rivalizavam com as de seus personagens, todos companhias inseparáveis por aqueles dias. Foi amor à primeira vista. Infinita admiração, que me acompanha até hoje, pelas pessoas que brincam com os números, com o exato, com a falta de adjetivos repleta de propriedades. Diziam que “a loucura da matemática” o dominava. A mim, encanta.

Évariste de Galois, pai da álgebra moderna, autor da Teoria dos Grupos, republicano francês, passional e incompreendido, morreu assassinado em um duelo aos vinte anos, 1832. O motivo da luta atendia por Stéphanie-Félice Poterine du Motel, noiva de um exímio atirador. Toda a capacidade lógica de Galois foi insuficiente para blindá-lo diante do desejo.

Galois passou a noite anterior do duelo em branco, escrevendo freneticamente. Sabia que a morte era iminente e, desperdício!, ainda tinha muitas idéias a compartilhar. “Não tenho tempo, não tenho tempo!”, escreveu o insone, rascunho das equações e das cartas aos amigos entremeados por menções a “Stéphanie”, a “une femme”.

Não sei bem por que fiquei com vontade de contar a você esta história. Talvez a dignidade de herói capa-e-espada ainda me impressione. Ou, talvez, a reverência tenha permanecido até hoje, quase 200 anos depois do duelo, posto que vários problemas lançados por Galois continuam insolúveis.

Mas, provavelmente, a razão é lembrar a mim e a quem lê o Arrastão que, à luz do tempo, a opção pelo embate, tanto faz se movido pelo amor ou pelo ódio, parece um enorme desperdício. Fugir da briga, porém, é para os fracos. E as minhas paixões, pelo menos as verdadeiras e constantes, desde sempre andaram na mão contrária do medo. Vida sem intensidade, sem honra e sem propósito está longe de ser vida.

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Luís Demarco: Janaína terá de provar o que diz em juízo

Aqui, a resposta enviada pelo sr. Luís Roberto Demarco às afirmações feitas por mim ontem, bem como a publicação dos e-mails que dele recebi.

"Sem prejuízo das ações Criminais e Cíveis contra as difamações, calúnias e injúrias propaladas pela senhora Janaína Leite no seu blog de internet, venho a público esclarecer o que se segue:

1) Nunca visitei a senhora Janaína Leite em uma redação de jornal ou revista que ela tenha trabalhado.

2) Não tive conversas com a senhora Janaína Leite a respeito do senhor Rodrigo Andrade, personagem sem nenhuma importância para mim.

3) Desafio a senhora Janaína Leite a apresentar o nome de um jornalista que apresente hora e local confirmando que me recebeu em sua redação com qualquer material a respeito desse personagem.

4) O senhor Rodrigo Andrade também testemunhou para Daniel Dantas perante a Grande Corte das Ilhas Cayman em 2002. O Juiz o sentenciou como mentiroso e desqualificou o seu depoimento. A sentença é definitiva e confirmada pela Suprema Corte Inglesa.

5) A senhora Janaína Leite não apresentará no seu blog qualquer email meu para ela a respeito de Rodrigo Andrade, simplesmente porque esse email não existe.

6) A senhora Janaína Leite será convocada para demonstrar em juízo a autenticidade dos emails que publicou, atribuídos a mim, alguns dos quais ela nem aparece como parte.

7) Ainda que autêntica, a publicação de qualquer correspondência privada, senão crime, certamente é uma descortesia pessoal e uma clara demonstração da pior prática do jornalismo, com a quebra do sigilo e da confiança de suas fontes jornalísticas."

PS: Sem problemas. É só dizer onde e quando eu tenho de falar com o juiz. Sobre a descortesia... Depois de todo o ocorrido, Demarco, você só pode estar de brincadeira.

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April 23, 2008

Boa noite!

Aqui, liberando os comentários, lembrei dessa música. Durma bem e até amanhã.

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Terceira?

Luís Nassif sustenta, em seu blog, que Rodrigo Andrade não mandou o comentário ontem, como afirma no texto escrito para mim.

Andrade acaba de falar comigo. "Mandei ontem para o blog de Nassif, sim, e não foi publicado. Acredito que ele recebeu meu comentário e o cortou, pois, hoje, por volta do meio-dia, Nassif arrumou meu sobrenome no texto do Dossiê Veja, trocando de Rodrigo Azevedo para Rodrigo Andrade. Nesta tarde, repeti a postagem: depois de colocar o comentário no Arrastão, mandei de novo para Nassif."

Creio que devem existir meios para comprovar quem fala a verdade, como registros no computador. Por motivos óbvios, até que me provem o contrário, acredito em Andrade.

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SEGUNDO bilhete público de JANAÍNA LEITE para LUÍS NASSIF

Luís Nassif,

Pela SEGUNDA VEZ você tinha uma informação do AUTOR DA DECLARAÇÃO me inocentando de suas diatribes e a ignorou só para manter a versão tresloucada de que eu servia aos interesses de Daniel Dantas quando trabalhava na Folha de S.Paulo.

Você ESCONDEU o comentário de Rodrigo Andrade, enviado ONTEM para seu blog. Você ESCONDEU a entrevista que fez com Angelo Jannone, ex-chefe de segurança da Telecom Italia para a América Latina e um dos investigados pelo Ministério Público de Milão. Só revelou a conversa entre vocês depois de eu ter informado aos MEUS leitores que você havia procurado o italiano.

Rodrigo Andrade falou a verdade. Eu disse a ele que Luís Demarco andara pelas redações distribuindo material contra ele, Rodrigo, e contra todos do Opportunity. Todos os repórteres que cobriam o setor sabem disso.

E por que eu decidi contar? Simples. Como iria acreditar em um seqüestrador, coisa da qual Demarco acusava Andrade? Trilhei o caminho correto: confrontei a versão de Demarco, rica em detalhes, com a de Andrade. Faria isso mil vezes, assim como qualquer repórter correto. Agi bem e você, por motivos que escapam à lógica, quis transformar minha ação em algo sujo e comprometedor.

No mais, Nassif, eu conheci Rodrigo Andrade em 2006 _ ele já tinha saído do Opportunity e foi minha fonte em outros assuntos, em NADA relacionados com a telefonia. Naquele mesmo ano, Andrade e eu deixamos de nos falar regularmente, depois que citei o nome dele em outra matéria.

Só mantive isso comigo até agora porque, ao contrário de você, acredito no direito ao sigilo da fonte. Apuro fatos, Nassif. Você patrulha jornalistas. Essa é uma de nossas diferenças, além de tantas outras, tão óbvias que até você, com sua mente rocambolesca, é capaz de entender de primeira.

Mas que fique registrado: por DUAS VEZES você teve acesso a informações corretas e, mesmo assim, escolheu continuar sua campanha difamatória.

Para mim, você é o que há de pior como exemplo de falta de ética pessoal e jornalística

Janaína Leite

PS: Li mais uma vez a nota de Andrade. Cinco linhas. Cinco erros de Nassif. Impressionante.

PS2: Exemplos de material fornecidos aos repórteres pelo sr. Demarco. Creio que não há quebra de sigilo nisso, uma vez que configuram evidências de que falo a verdade e que não fui eu a trazer o assunto à baila, mas Nassif.

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RODRIGO ANDRADE: NUNCA DISSE QUE JANAÍNA LEITE ME MANTINHA INFORMADO

Por enquanto, só reproduzo o texto que recebi. Daqui a pouco comento.

"Prezada Janaina,

Anexo abaixo, para seu conhecimento, cópia de comentário que enviei ao blog do jornalista Luiz Nassif ontem à tarde:

"Prezado Sr. Nassif,

Jornalistas devem primar pelo respeito aos fatos.
Em seu blog o sr. escreveu:

'Este ano, o Ministério Público e a Polícia Federal convocaram o executivo Rodrigo Bhering Azevedo, que trabalha para o Opportunity. Pressionado, Azevedo admitiu que Janaína o mantinha informado sobre as fontes que alimentavam o jornal de matérias contrárias ao Opportunity. Essas informações constam do inquérito."

Nada mais incorreto. Vejamos:

i. Nem o Ministério Público nem a Policia Federal me convocaram para qualqer coisa. Compareci, como testemunha de Daniel Dantas, a uma vara de justiça para dar meu depoimento;

ii. meu nome não é Rodrigo Bhering Azevedo, mas Rodrigo Bhering Andrade;

iii. não trabalho no Opportunity desde 31 de outubro de 2005;

iv. em meu testemunho apenas relatei à corte que a jornalista Janaina Leite havia me contado que o sr. Luiz Roberto Demarco de Almeida comparecera a redações de jornais com supostos emails trocados entre eu e pessoa que desconheço, tentando provar que eu havia arquitetado e executado um sequestro de outra pessoa que também desconheço, seguindo ordens de Daniel Dantas

v. nunca afirmei, em juízo ou fora dele, que a jornalista Janaina Leite teria me mantido informado sobre qualquer assunto.

Certo que as incorreções decorrem de informações erradas passadas por terceiros, tenho a certeza que, em nome da verdade, o sr. fará as devidas correções em seu blog. Afinal, como o sr. afirmou, o que digo está comprovado nos autos.

Rodrigo Andrade"

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Além da superfície

Há pouco, ocorreu a mim que seria um desperdício, com tantos leitores inteligentes, manter a discussão sobre os procedimentos jornalísticos restrita ao aparente, ao curto prazo.

No dia 9 de abril, escrevi um post intitulado "Madrugadeira" (clique aqui para ler a íntegra). Lancei algumas perguntas que me parecem relevantes para o atual cenário. O debate, porém, acabou ofuscado pelo bate-boca. Vamos retomá-lo?

Reproduzo aqui um trecho do que aquele post contém:

"... Esse é um dos maiores entraves ao desenvolvimento da sociedade brasileira: a fulanização dos acertos, a fulanização dos problemas. É uma visão míope que nos impede de adotar valores consistentes e de aperfeiçoar nossa identidade comum.

Em outras palavras, mais pragmáticas e diretas, é preciso pensar NOS FATORES QUE PERMITEM E INCENTIVAM ao jornalismo de resultados campear frajola.

Será que reportagens devem continuar instruindo processos judiciais? Será que o nome do magistrado, ou do representante do Ministério Público deve ser citado em matérias relativas a processos onde ainda não foi emitida uma sentença? Será que é lícito publicar um texto sobre assunto polêmico sem informar todo e qualquer dado sobre o jornalista que o escreveu que possa ser relevante para o leitor perceber o filtro usado para desenhar o painel ali apresentado? Será que está na hora de assumir que a mídia é um negócio e que os resultados interferem, de uma maneira ou de outra, na linha do material que será publicado, o que fatalmente levaria à necessidade de também informar o receptor, de forma clara, o que o jornal ganha se acontecer isso ou aquilo no caso em questão? Notícia deve vir com bula, como remédio?

Será que está na hora de entendermos que a imparcialidade plena é, de fato, impossível de ser atingida e que os repórteres são seres humanos, não encarnações de Salomão, nem personagens de quadrinhos disfarçadas? Será que, tendo em vista a pergunta anterior, devemos aceitar que a função de apresentar os dois lados de uma disputa é do veículo, pessoa jurídica perfeita, e não do repórter, pessoa física vincada de limitações?

Listei só algumas entre milhares de indagações possíveis. Não cabe a mim dar a resposta. Mas, como cidadã, sou simpática a pelo menos uma dessas soluções: a última. Só que ela implica aumento do número de profissionais nas redações em tempos de cortes e ajustes."

E a sua opinião, qual é? Conto com ela. Abraço!

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Rock'n'Roll Babes

Estarei fora boa parte do dia. Se você, como eu, está cansado de terremotos, recomendo que dê uma passadinha nos blogs do A Postos: o condomínio é repleto de vizinhos bacanas.

Hoje, por exemplo, destaco o Pura Goiaba, do meu amigo Ruy _ um gentleman, dono de humor afiadíssimo, e responsável pelo convite que me trouxe ao portal.

 James Brown - I Feel Good

Caso você tenha guardado paciência para dossiês e afins, indico o trabalho de primeira que o Gravatai Merengue fez para o Imprensa Marrom: "O Dossiê Collor - Caso LN". Impressionante.

 Elvis Presley - Hound dog

Volto à noitinha e, se tudo der certo, com um capítulo novo do "I Tarantati", ok?

Até mais!

 Jerry Lee Lewis - Great Balls of fire

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April 22, 2008

Psiu, paulistano!

Você sentiu o chão tremer ou foi impressão minha? Quatro pessoas já disseram sim. Estou em Pinheiros.

PS: Acabo de ver a confirmação na TV. O tremor atingiu toda a capital por volta das 21 horas. Os telefones dos bombeiros estão congestionados, mas até agora não há notícia de pessoas feridas ou mortas. Era só o que faltava: terremoto de verdade, além do virtual...

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Amigos e guarda-costas

Hoje, Reinaldo Azevedo disse que lê o Arrastão. Diogo Mainardi, em seu podcast semanal, recomendou meu blog. Os acessos diários dos dois colunistas da Veja, sozinhos ou somados, vão à estratosfera. Fácil entender. Mesmo quando discordo deles, minha opinião é que ambos são donos dos melhores textos da imprensa atual.

Em outro extremo ideológico, Idelber Avelar, do Biscoito Fino, mostrou coerência e honestidade ao explicar suas crenças, reafirmar seu alinhamento com a esquerda e fechar a caixa de comentários para evitar o linchamento moral de quem quer que seja. Pessoas de valor assumem o que pensam e, mesmo no meio dessa balbúrdia, vejo como mostra de coragem de Idelber a adequação de seu discurso ao que ele considera justo.

Só posso agradecer publicamente e deixar claro meu respeito pelos três.

Disse antes e repito: a mim interessa cativar leitores, não formar seguidores. A polêmica que cerca meu nome será superada _ eu confio na Justiça e na inteligência das pessoas _, e daqui a pouco o espetáculo terá de ser um texto bem escrito, uma análise interessante, uma provocação bem colocada.

Espero que você, que gosta de mim ou que me considera a Mata Hari da Bruzundanga, esteja por aqui para acompanhar essa futura etapa, muito mais afeita ao que sou e ao que defendo. Espero, sinceramente, que essa fase venha logo. Mas, enquanto me derem motivo para brigar, enfrentarei o que for preciso e do meu jeito.

Bem, volto a Mainardi. Aqui, um trecho das revelações contidas em seu podcast semanal, no programa "O Guarda-Costas de Lula" (para ouvir, clique aqui.)

"As principais testemunhas do processo contra a Telecom Italia declararam em juízo que, no mesmo período em que era chefe da Abin, Mauro Marcelo oferecia seus préstimos à empresa. O pagamento de 300 mil dólares, segundo essas mesmas testemunhas, seria realizado por meio do detetive Eloy Lacerda, parceiro de Mauro Marcelo.

Um dos executivos da Telecom Italia, Angelo Jannone, declarou à promotoria que se opunha à idéia de pagar um membro do governo brasileiro, tanto que, a certa altura, decidiu bloquear os pagamentos. Para comprovar esses fatos, ele apresentou uma série de documentos ao Ministério Público italiano. Num deles, o lobista Luiz Roberto Demarco teria se lamentado num e-mail nos seguintes termos:

Sinto que corruptos como Eloy ou Mauro Marcelo são tratados com mais respeito e mais atenção (do que eu).
Jannone apresentou também um telefonema gravado com o parceiro de Mauro Marcelo, que teria reivindicado um aumento no contrato de 300 mil dólares com o seguinte argumento:

Quando eu relatei a ele (Mauro Marcelo) a última conversa que tivemos, ele me pediu para ver se havia um jeito de melhorar um pouquinho, porque já se passou muito tempo, né?"


Para ler a íntegra do texto de Mainardi, vá para este link.

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De olho

Muitos comentários. Vou liberar todos e só depois responder, ok? Fique por aqui.

 The Police - Every Breath You Take

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Leite. Janaína Leite.

Sou naturalmente bem-humorada. Mas ultimamente tenho rido mais que de costume.

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Para LUÍS NASSIF - Bilhete e resposta ao dossiê Veja

Nassif,

quer dizer que você tem HÁ DIAS a informação de que 1) os papéis colocados por mim e Diogo Mainardi na internet eram verdadeiros; 2) as páginas faltantes não alteravam o sentido dos documentos e 3) aquilo nunca havia sido um relatório, nem um dossiê forjado, e sim documentos oficiais da Justiça italiana, ao contrário do que você sustenta publicamente em seu blog e no Google desde fevereiro?

E, mesmo de posse dos dados verdadeiros, calou-se, se recusando a fazer uma retratação? Nem contou para seus leitores que havia conseguido falar com Angelo Jannone, autor do depoimento que eu linkei, e alvo do mandado de prisão que Mainardi compartilhou? Ainda por cima deixou no ar aquelas coisas que escreveu _ e pediu para as pessoas espalharem _ mesmo tendo a certeza de que eram MENTIRA?

Estou sem palavras, Nassif. Sem palavras.

Janaína

PS: Jannone colocou um post em seu blog. Lá, me pede desculpas e depois afirma que documentos publicados por Leite e Mainardi foram obtidos com o Judiciário brasileiro, aos quais não foram passados pelos canais oficiais, mas por canais oficiosos. É isso que ele está dizendo, Nassif. ;-))

Para ler a resposta às últimas diatribes de Nassif, contidas no tal dossiê Veja, clique aqui.

Continue lendo "Para LUÍS NASSIF - Bilhete e resposta ao dossiê Veja" »

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ANGELO JANNONE - Entrevista organizada

Entrevistei o ex-chefe de Segurança para a América Latina da Telecom Italia, Angelo Jannone, um dos investigados no inquérito movido pelo Ministério Público de Milão. A conversa está dividida em três textos.

Clique para ler na ordem:

ANGELO JANNONE: "Documentos que estão na internet são autênticos e Nassif me procurou" (parte 1)

ANGELO JANNONE: "Pirelli mandou espionar Thomaz Bastos; Lula aparece em relatório da Justiça Italiana" (parte 2)

ANGELO JANNONE: "Chefe da Abin em 2005 recebia dinheiro da Telecom Italia; há informações sobre Marcos Valério no inquérito de Milão" (parte 3)

Clique aqui para acompanhar quem é quem entre os citados.

Continue lendo "ANGELO JANNONE - Entrevista organizada" »

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JANNONE: "Chefe da Abin em 2005 recebia dinheiro da Telecom Italia; há informações sobre Marcos Valério no inquérito de Milão" (parte 3)

Aqui, a segunda parte da entrevista de Angelo Jannone, ex-chefe de Segurança para a América Latina da Telecom Italia, ao Arrastão. Para entender um pouco melhor o assunto, dê uma olhada nas matérias que estão abaixo do ponto 7 neste post.

ARRASTÃO - Mainardi reproduziu um trecho do interrogatório de Giuliano Tavaroli, em que ele fala sobre o apoio institucional oferecido pelo governo Lula, através do chefe da Abin, Mauro Marcelo. Tavaroli confirmou o depoimento, mas negou que a TI tenha dado 300 mil dólares a Mauro Marcelo. O senhor sabe se esse dinheiro foi pago?
JANNONE -
Tavaroli afirma também que Mauro Marcelo sugeriu contratar [o detetive particular] Eloy Lacerda, e que a Eloy foram prometidos 300 mil dólares, que ele queria receber de mim. Eu não sabia de nada. quando cheguei no Brasil, sem saber de nada, mandei o Spinelli (que tinha um contrato com Bonera, meu antecessor) pagar uma parte daquele valor. Mas quando suspeitei que por trás de Eloy houvesse [o ex-chefe da Abin] Mauro Marcelo, suspendi os pagamentos (fevereiro de 2005) e, em setembro de 2005, discuti por esse motivo com Eloy Lacerda, que chegou para usar um tom ameaçador Gravei o telefonema e entreguei a gravação à magistratura [italiana].

ARRASTÃO - A gravação mostra que Eloy Lacerda entregava dinheiro da Telecom Italia para o ex-titular da Agência Brasileira de Informações, Mauro Marcelo, sem o seu conhecimento? O senhor mandaria essa gravação para o Ministério Público brasileiro?
JANNONE -
Na gravação eu reclamo com Eloy por ter recebido também um telefonema de Mauro Marcelo sobre o asunto. As confirmações de minhas suspeitas foram feitas a mim por Bonera maio de 2006, durante outra conversa gravada. As gravações há muito tempo estão nas mãos dos juízes italianos, mas provavelmente eles não as escutaram.

ARRASTÃO - Segundo Giuliano Tavaroli, Marco Bonera, seu antecessor, levou uma mala com 300 mil dólares a Brasília, para o pagamento de propina a políticos brasileiros. Quem recebeu esse dinheiro?
JANNONE -
Creio que essa história seja de 2003. Eu ainda não trabalhava na Telecom Italia, mas ouvi falar sobre ela.

ARRASTÃO - Fale sobre Marco Bernardini. O senhor diz que ele mentiu envolvendo seu nome. Quais foram as mentiras? E por que ele fez isso?
JANNONE -
A lista de mentiras e contradições de Bernardini é interminável. Eu deveria escrever um romance. Por exemplo, quando disse que Marcelo Elias era pago para distribuir propina. É falso! Ele e Marcelo Elias assinaram um contrato de US$ 495 mil. É o valor exato do orçamento detalhadíssimo dos advogados de Londres que serviam a Luís Demarco no caso do Privy Council, que me foi passado pelo [ex-diretor da Telecom Italia no Brasil Marco] Patuano e que eu entreguei ao Ministério Público. Bernardini reteve metade daquele valor, suscitando os protestos de Demarco, sobre o qual já falei. Esse é apenas um exemplo. Entreguei [aos procuradores de Milão] as gravações que desmentem Bernardini.

ARRASTÃO - Qual é a ligação entre Marco Bernardini e o publicitário Marcos Valério, que ficou conhecido nas investigações do mensalão? Como o senhor soube disso? Como nós, brasileiros, conseguiríamos comprovar tal ligação?
JANNONE -
Não sei a natureza desse relacionamento, sei apenas que o advogado de Bernardini contou ao Ministério Público que encontrou Marcos Valério no Brasil. Está escrito no interrogatório de 10 de outubro de 2007. Qual o sentido disso?

ARRASTÃO - A revista Carta Capital, há algumas semanas, trouxe uma reportagem que fala desse assunto. Há, inclusive, uma entrevista com o senhor. Por isso, eu gostaria de entender melhor.
JANNONE -
Simples: o advogado Vincenzo Carosi tem relações de negócio com Bernardini. A [testemunha Luciane] Araújo é o amiga do advogado Carosi antes de [se relacionar com] Bernardini. O advogado Carosi é o amigo de Marcos Valério e de seus advogados e freqüentemente viaja ao Brasil. Tudo isto está nos documentos do processo, so é preciso saber ler. Agora Luciane Araújo afirma que os advogados de Valério e Carosi trabalharam junto no caso de Telecom. Se isso é verdade, muitas coisas pode ser entendida. Eu não sou maquiavélico, nem malicioso, mas sou capaz de levantar provas, aguardar se for preciso, e ler documentos para julgar. Esse sempre foi meu trabalho.

ARRASTÃO - O senhor está disposto a confirmar suas declarações ao Arrastão para o Ministério Público e a polícia brasileiros, se for preciso?
JANNONE -
Certamente. Até mesmo porque tudo o que declarei está acompanhado de provas. O problema é que os magistrados italianos nunca leram ou ouviram as provas que lhes entreguei, e elas são muitíssimas. Isso é o que não entendo. Espero que a justiça brasileira possa ser mais escrupulosa do que a italiana.

ARRASTÃO - Há poucas semanas, o senhor lançou dúvidas sobre mim em seu site e chegou a me comparar com o Pinóquio. O que fez com que mudasse de idéia e me concedesse a entrevista?
JANNONE - Você se ofendeu? Perdoe-me. É que eu não lembrava da troca de e-mails [entre nós] ocorrida em 2007.

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JANNONE: "Pirelli mandou espionar Thomaz Bastos; Lula aparece em autos da Justiça Italiana" (parte 2)

Aqui, a segunda parte da entre