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Amorim, no Correio do Povo.
Quando as instituições são vilipendiadas por quem deveria delas tomar conta, quando as leis são desprezadas para favorecer os apanigüados do poder, quando jornalistas fecham propositalmente os olhos para desmandos dos representantes públicos, quando pessoas esclarecidas preferem trocar ofensas a debater informações, quando apenas branco e preto sobrevivem como matizes ideológicas válidas... a democracia é solapada. O resultado, acredite, pode ser muito pior do que a gente imagina.
Do UOL, que reproduziu informações publicadas hoje no Estadão:
"A cúpula do crime organizado quer ter representação política. Depois de entrar no tráfico internacional de drogas, o Primeiro Comando da Capital (PCC) quer se aproximar dos partidos políticos e financiar campanhas eleitorais. Seus líderes consideram que a 'família' pode garantir muitos votos aos seus escolhidos e têm capacidade de mobilização em 10 Estados. "Muitos partidos políticos não têm essa força", afirmou Daniel Vinícius Canônico, o Cego, porta-voz do líder máximo da organização, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.... Em seguida, Carambola e Canônico questionam o advogado sobre qual candidato a prefeito de São Paulo a facção deveria apoiar. Wesley conta quem são os pré-candidatos de partidos como DEM, PSDB e PT. Nesse trecho, a interceptação do diálogo ficou truncada. Aparentemente, os criminosos discutem como se aproximar dos partidos, doando dinheiro aos tesoureiros para financiar campanhas - há quem desconfie que a facção estaria pensando em se apossar do dinheiro das doações dadas aos partidos."
"... O moralizador e o homem moral são figuras diferentes, se não opostas. 1) O homem moral se impõe padrões de conduta e tenta respeitá-los; 2) O moralizador quer impor ferozmente aos outros os padrões que ele não consegue respeitar."
Paulo Henrique Amorim tem desancado vários jornalistas, inclusive eu, acusando esses profissionais de servirem aos interesses do banqueiro Daniel Dantas na briga pelas teles.
Quando PHA estava contratado pelo iG era fácil saber o motivo dos ataques. O portal é um braço da Brasil Telecom, controlada pelos fundos de pensão e pelo Citigroup. Os dois disputavam com Dantas o controle da operadora e, para sustentar suas teses nos tribunais, usaram os jornalistas da casa, pagos a peso de ouro, para desqualificar qualquer notícia ou veículo considerados prejudiciais a seus interesses. O próprio PHA, aliás, reconheceu em seu blog ter sido contratado pela sua notória capacidade de "vigiar" Dantas.
Curiosamente, a perspectiva de um acordo entre Citi, os fundos e o dono do Opportunity esmaeceu as tintas dos ataques patrocinados pelo iG. Façam uma pesquisa e verão o que digo.
Parece lógico supor que as diatribes, bem como os jornalistas que tinham a tarefa de promovê-las, deixaram de ser ajuda. Tornaram-se empecilho. Também é razoável deduzir que alguns dos detratores, por motivos que nada têm a ver com o jornalismo, se renderam aos novos tempos. Outros, também por várias razões, não aceitaram as alterações no jogo.
Deve ter sido o caso de PHA, que perdeu o emprego de forma estrepitante. Poucas horas depois, ele montou um novo site para continuar atirando. A metralhadora giratória, agora, é disparada também contra alguns dos ex-empregadores, além de assessores, empresários e o que mais vier pela frente. Até colegas que foram extremamente leais a ele, PHA, no passado entraram na mira.
O motivo declarado por PHA para seu comportamento belicoso foi que Dantas grampeou sua mulher e sua filha. Portanto, ele faz qualquer coisa, até pacto com o diabo, para pegá-lo.
Ora, se Dantas fez mesmo o que PHA fala, o ódio é compreensível. Fácil entender a gana de fazer com que o banqueiro seja mortificado publicamente, que empobreça, que vá preso, que pague pelo crime de alguma forma.
Só não dá para chamar isso de jornalismo. Muito menos se aproveitar da boa fé dos leitores, ou da propensão que alguns internautas têm de usar a rede como campo de guerra, para atacar os jornalistas que não têm raiva de "a", ou de "b", e fazem seu trabalho sem a intenção de destruir a vida dos outros.
Segundo PHA, a obstinação em acabar com Dantas nada tem a ver com dinheiro, associações ou amizades. O ódio, contudo, é capaz de turvar a visão sobre os elos que cultiva.
Deixo vocês com Diogo Mainardi, na Veja desta semana:
"...Os jornalistas que foram afastados da grande imprensa procuraram se reciclar na internet. Eles cancelaram o passado e se apresentaram como promotores de um jornalismo independente e transparente, trombeteando a internet como o caminho para o futuro. Na realidade, o que ocorreu foi o contrário: eles retomaram algumas das práticas mais antigas e mais imundas do jornalismo, como a chantagem, a mentira, a propaganda do poder e a matéria paga.O internauta bocó, da risada enlatada e da claque, certamente é mais propenso a ser ludibriado pela imprensa marrom instalada na internet. Por sorte, os instrumentos para policiar esse tipo de jornalismo encontram-se na própria internet. Posso mostrar como isso acontece, citando um caso menor, muito menor.
Recentemente, Paulo Henrique Amorim foi demitido do iG. No dia seguinte, ele abriu um blog com seu nome. Um leitor sugeriu que eu desse uma espiada no registro do blog. Descobri que seu servidor era a Nexxia. A Nexxia pertence a Luiz Roberto Demarco, aquele da Lojinha do PT, o comércio on-line dos produtos licenciados pelo partido para arrecadar fundos eleitorais: bonés, camisetas, broches, relógios. Fiz um podcast sobre o assunto. Paulo Henrique Amorim me chamou de mentiroso, mas imediatamente tratou de mudar o servidor.
... Fui escarafunchar o novo registro do blog de Paulo Henrique Amorim... Nesse jogo de propriedades cruzadas, Paulo Henrique Amorim tem o domínio da Nexxy (empresa de Demarco) e a Nexxy tem o domínio de Paulo Henrique Amorim.
... Tanto o blog de Paulo Henrique Amorim quanto o domínio da Nexxy foram registrados com o mesmo documento: 003.534.337/0001-77. Uma rápida consulta no site da Receita Federal permite dizer que esse é o número de CNPJ da Nexxy. Paulo Henrique Amorim escondeu o homem da Lojinha do PT, mas ele continua lá, dando as cartas. Pelo menos até o momento em que redijo este artigo."
E agora? Como fica?
PHA é apenas um da turba de acusadores. E os outros? Provavelmente continuarão se escorando no "bom jornalismo", no mito de Davi contra Golias, para justificar seus ataques. Especialmente quando seus contratos nababescos acabarem, ou forem rescindidos _ o que acontecerá, mais dia ou menos dia.
A verdade, porém, é que essas pessoas estão a serviço do ódio. Um tipo de ódio lucrativo e, por isso mesmo, cuidadosamente alimentado com fatos ou com falácias.

Guilherme Barros, colunista da Folha, cravou hoje: os sócios da Brasil Telecom entraram em acordo para vender a operadora para a Oi (ex-Telemar). Os papéis serão firmados na próxima semana.
Nasce a BrOi _ ou Telezona, alcunha que considero mais adequada, levados em consideração fatores como as dificuldades entre os acionistas, o tamanho da companhia que resultará da fusão e que o negócio, contra a lei, só foi fechado porque o Planalto atuou em benefício de empresários que financiaram sua campanha.
Como disse antes, começa aí uma nova guerra, talvez até mais sangrenta. De um lado ficam no ringue os fundos de pensão e a ala sindical do PT. De outro, La Fonte (Carlos Jereissati), Andrade Gutierrez (Sérgio Andrade) e assessores próximos ao presidente Lula.
Meu palpite é que você já pode sentir o pulso dessa história nas páginas dos jornais. Como vazou o dossiê pega-tucano que respinga na ministra Dilma Roussef, grande patrocinadora do acordo? E a volta ao noticiário da Bancoop, que pega mal para os petistas bancários, cuja ligação com os fundos de pensão é estreita, tem dedo de quem?
Fogo amigo, caro. E ainda vai sapecar muita gente.
Detalhes de como o acordo será colocado no papel estão na coluna Radar, do Lauro Jardim.
Quem quiser ver os comentários precisa clicar em "preview". Aí aparece uma página cinza _ é lá, mais para baixo, que eles estão saindo. Se nada mais der errado, até segunda-feira o problema estará resolvido, ok?
PS: Talvez demore mais, pessoal. A Cris, do Feira Livre, que cuida da página para mim, está doente e só volta ao batente daqui a tempinho.
A notícia de hoje que me deixou encafifada nada tem com a Telezona ou o vazamento das contas de Fernando Henrique Cardoso, cobertura que ocupa boa parte dos cadernos de política. (Aliás, a discussão sobre a existência do dossiê é bizantina _ até os pombos que ficam em frente ao Planalto sabem como é o modus operandi do atual governo.) A informação intrigante refere-se ao território amazônico e saiu na Folha em forma de notinha:
"MP ALTERA LEGISLAÇÃO FUNDIÁRIA NA AMAZÔNIAAssinada ontem pelo presidente Lula, a décima medida provisória deste ano amplia de 500 hectares para até 1.500 hectares as propriedades fundiárias na Amazônia Legal passíveis de regularização sem a necessidade de licitação. A dispensa abrange áreas de até 15 módulos fiscais. De acordo com o diretor de Ordenamento da Estrutura Fundiária do Incra, Roberto Kiel, a MP poderá legalizar cerca de 90% dos posseiros da região."
O Estadão tocou no assunto ontem, mas também foi econômico nas explicações do que a medida representa, a quem beneficia e a quem desagrada.
"Eu recomendo o blog de Paulo Henrique Amorim. Mas é preciso saber ler direito." O autor da frase? Diogo Mainardi, colunista da Veja, em seu podcast da semana.
Para ouvir, clique aqui. Se preferir a íntegra do texto, a página é outra.
A análise de Mainardi é um vendaval. Nenhum dos citados fica em pé ao fim. E ele fala de todos, ou quase todos, os envolvidos na bagunça da Telezona.
Pode gravar aí que virão atrás de Mainardi. Como diria Nelson Rodrigues, na intenção de chupar-lhe a carótida como se fosse um morango.
Patti Smith feat Michael Stipe - Be My Baby

John Steele foi o amante predileto de Lana Turner na primavera/verão de 1957. Mandava flores, comprava jóias e fazia boa figura quando jogava as chaves de seu Lincoln Continental aos manobristas das boates de L.A.
Demorou algum tempo para que a loura fatal descobrisse que o príncipe era, na verdade, o gângster Johnny Stompanato. Quando aconteceu, Lana já tinha se tornado dependente da virilidade do amante.
Muitas surras, porres e escândalos depois, ela levantou os olhos do chão para encarar o rosto triste da adolescente que enterrara uma faca nas costelas do mafioso. Sem a filha de 14 anos, Cheryl, a diva jamais teria deixado de questionar a identidade daquele homem.
Talvez porque gostasse dele.

Fingir-se de louco foi a saída que o calabrês Tommaso Campanella encontrou para evitar a fogueira. Para tanto, ele ria naturalmente durante as sessões de tortura. Talvez pensasse nos primeiros contornos da Cidade do Sol, lugar onde não existem homossexuais e as mulheres são partilhadas entre todos.
Sem ter idéia dos escritos que daí resultariam, a Inquisição permitiu que o dominicano passasse 27 anos enclausurado. Viu a liberdade em 1626. Mandado para Roma, Tommaso percebeu que gostava mesmo é dos ares mais cínicos e refinados da França.

Ottis Toole e Henry Lee Lucas formavam uma dupla que aterrorizou o interior dos Estados Unidos no fim da década de 70. Muito amigos, eram compatíveis em quase tudo que compunha sua rotina _ roubar, espancar, estuprar, matar. Desentendiam-se, entretanto, na hora do churrasco.
Enquanto Ottis estavalava os beiços ao empalar suas vítimas, antevendo se fartar com o cadáver, assado por inteiro, como um leitão, Henry fazia cara de nojo. Problemas com o canibalismo? Nada. Da carne até que o rapaz gostava. O que não lhe apetecia era o molho.
Frenesi em torno da Telezona. Várias notinhas saíram nos jornais de hoje. Os noticiários on-line também ferveram. Segundo o ucho.info, o negócio será anunciado amanhã.
Isso eu não sei, mas é provável que divulguem ainda nesta quarta-feira o resultado da consulta pública sobre a alteração na lei que rege as teles. Em caso positivo, razoável supor que a Oi (ex-Telemar) torne pública uma oferta formal e detalhada pela Brasil Telecom.
Tal anúncio, na prática, será apenas o começo de um filme que vai se desenrolar aos solavancos, marcado por tentativas de sabotagem. Por que eu digo isso? Porque nenhum dos sócios da Brasil Telecom quer deixar a administração da companhia, ora. Estão saindo ou encolhendo suas participações a contragosto, só para satisfazer a vontade do governo federal.
O Planalto pode até impor sua decisão no curto prazo. Convém, entretanto, que durma à moda dos crocodilos, com olhos abertos e pronto para o bote. A ala sindical do PT nunca bate de frente _ joga duro e baixo quando lhe convém. E ela virá como um raio se pressentir um meio capaz de reverter a operação e, por conseqüência, fincar os dois pés no comando da BrT.
- Eu acho essa operação um escândalo, posto que está sendo fechada à revelia da lei para beneficiar meia dúzia. Só para constar. -
Leio na página do Claudio Humberto que o PSOL questionou as regras do leilão da Cesp no Supremo Tribunal Federal. O argumento é que a venda, marcada para daqui a dois dias, vai prejudicar a Companhia de Energia Elétrica do Paraná (leia-se o PTemedebista Roberto Requião) e as Centrais Elétricas de Minas Gerais (leia-se o PTucano Aécio Neves) de participar da disputa.
Dá vontade de acender uma vela para que o Infinito ilumine um pouquinho essa gente. Ora, se a intenção é privatizar a Cesp, não há sentido em permitir que empresas públicas possam comprá-la. Óbvio.
A lei paulista é mais que correta. Se estivesse na minha mão, ela seria ainda mais apertada: não poderiam participar da concorrência estatais de nenhuma esfera, nem os fundos de pensão ligados a elas. Além disso, o BNDES só poderia financiar uma parcela menor do investimento total. No máximo, uns 15%, 20%. Para coroar meu modelo de venda, os interessados teriam de provar que, após a compra, manteriam índices aceitáveis de alavancagem, bem como declarar a estrutura societária e de comando que entraria em vigor após a aquisição.
Iria demorar mais para vender? É quase certo que sim. Mas, ao final, o processo poderia ser chamado de privatização com "p" maiúsculo. Acabaria de forma bem diferente da trambicagem com a qual a gente se acostumou, onde estatais viram estatóides porque os investidores entram só com nome e o dinheiro sai mesmo é do governo.
PS: Um dia depois, o leilão micou. Não apareceram compradores. Eu acho que é melhor não vender do que fazer nas canelas ou privatização de mentirinha. Leia aqui notícia sobre o assunto.
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Se a maledicência tivesse nome próprio, é muito provável que fosse o da jornalista que aterrorizou meio mundo na era de ouro de Hollywood: Louella Parsons.
Dona de constituição atarracada, língua ferina, imune às súplicas de terceiros e ao próprio remorso, especial gosto pelo exercício do poder, Louella reunia as características necessárias para se tornar a mais influente colunista de fofocas dos Estados Unidos. Muitos, porém, creditam o sucesso da moça a algo que ultrapassava seu estilo de rapina _ a proteção incondicional do magnata William Randolph Hearst, para quem Louella trabalhou ao longo de quase toda a vida.
A forte ligação entre patrão e empregada, segundo essa versão, teria começado em 1924, durante a festa de 42 anos do diretor, produtor e roteirista Thomas Ince. Foi, de fato, uma celebração especial. O homenageado não sobreviveu muito tempo a ela.
A dita festa aconteceu em um dos iates de Hearst, o Oneida. A história oficial é que Ince ficou indisposto no navio, desembarcou e morreu antes de chegar a Hollywood. Há, no entanto, relatos oficiosos. O principal deles conta que o aniversariante levou um tiro de Hearst na cabeça. O milionário, enciumado diante de um rela-rela entre a amante Marion Davies e Charles Chaplin, teria confundido Ince com o humorista e atirado no convidado de honra por engano.
De acordo com essa narrativa, Hearst comprou o silêncio da viúva por cinco milhões de dólares. O de Louella, até então uma jornalista inexpressiva, teria saído mais barato: cadeira vitalícia nas organizações de Hearst, com total autonomia para destruir reputações. Menos, claro, a de Marion Davies.
Nunca puderam comprovar nenhuma das teses, pois Ince foi cremado logo depois do anúncio de sua morte. Chaplin _ assim como os demais convidados _ disse que nada viu, nada sabia e nada lembrava. A viúva sumiu. Louella viveu um progresso vertiginoso e se tornou a "Paganini da Bobagem". Hearst amou Marion até o fim de seus dias e inspirou a personagem principal daquele que é tido pela maioria dos críticos como o melhor filme de Hollywood, "Cidadão Kane", de Orson Welles. A palavra "Rosebud", indispensável à trama, era uma referência ao modo carinhoso com que Hearst apelidou parte da anatomia de Marion, segundo Gore Vidal.
Não resisto a um exercício de possibilidades: e se, alguns anos depois do ocorrido em alto-mar, Hearst tivesse demitido Louella? Será que a colunista, indignada com a rejeição, revelaria novos detalhes do que viu no Oneida? E, supondo que assim agisse, será que a fala remodelada seria o bastante para mudar o caso Ince? Algum promotor acreditaria nela ou pensaria que está liberando parte das informações para chantagear o antigo chefe? Os leitores ficariam do seu lado? Outros convidados também adaptariam seus relatos?
Especulações bobas, eu sei. Mas divertem à beça, fala a verdade.
Sensacional a dica do altovolta e eu, depois de conferir, endosso: você não pode perder o documentário "Please, Vote for Me". Realizado no ano passado pela rede inglesa BBC, ele faz parte da série Inside China.
O filme mostra crianças de oito anos que concorrem ao cargo de monitor em uma escola do ensino fundamental na cidade de Wuham. As manobras, arquitetadas pelos pais, são impressionantes.
Aqui vai a primeira parte.
Quando a edição da Folha de S.Paulo vem como a de hoje, salta aos olhos os motivos pelos quais o jornal é o maior do país. O primeiro caderno está recheado de boas matérias, ainda mais para uma segunda-feira precedida de feriado.
Dê uma olhada em alguns trechos:
- Daniel Bergamasco, correspondente em Nova York, entrevista Gay Talese:
"FOLHA - O que mudou no moralismo americano entre "A Mulher do Próximo" e o escândalo sexual do governador Eliot Spitzer? TALESE - O moralismo não mudou. A mídia mudou.FOLHA - De que forma?
TALESE - Quando escrevi "A Mulher do Próximo", a mídia não discutia tanto infidelidade, não transformava a vida privada das pessoas em colunas de notícias. John Kennedy foi presidente dos Estados Unidos e teve muitos casos, mas ninguém escrevia sobre sua vida sexual. Havia rumores, mas isso nunca foi conhecido, como foi com Bill Clinton, ou agora, com o governador de Nova York, ou com o senador [Larry] Craig, o homossexual [que renunciou após assediar um homem em banheiro de aeroporto, em 2007]. Na França, quando François Mitterrand foi presidente, não havia discussão sobre seu filho ilegítimo. Mas a mídia americana publica hoje sobre qualquer coisa.FOLHA - Os eleitores levam em conta o comportamento sexual do candidato?
TALESE - Não acho que faz diferença nenhuma desde que não se relacione com seu trabalho. John Kennedy foi um presidente muito bom e tinha amantes. Bob Kennedy, seu irmão, tinha amantes. Eram casados e tinham amantes. Lyndon Johnson tinha amantes. Eisenhower. Todos nossos bons presidentes tinham amantes. O presidente Richard Nixon não tinha amantes e foi um presidente ruim. Esse cara, George W. Bush, é um presidente ruim. E não tem amantes. Entende? Bill Clinton foi muito bom e teve. Os piores presidentes são os que não tiveram amantes. Nixon foi o pior de todos os tempos. E Bush é o segundo pior. Se Bush tivesse amantes, talvez não estaria matando tanta gente no Iraque e tendo essa politica de destruir a vida de tanta gente."
Continuo aqui.
Foram habilitados os comentários?
PS: Parece que sim, mas só por conta da Nariz Gelado . Obrigada, querida! Anyway, devo ter feito alguma coisa errada, pois os textos liberados aparecem só na página "preview" dos novos comentários. Amanhã tento dar um jeito, ok? Ótima noite para você.
Aproveite o feriado para conhecer o Palavra de Pantera, blog da curitibana Zoe de Camaris. Além de literatura, a moça entende um bocado de tarô e mitologia .
Clóvis Rossi é uma lenda no meio jornalístico. Hoje, na Folha, ele mostra mais uma vez os motivos para tanto. Assina uma ótima coluna chamada "Desconfiar. Sempre."
Alguns trechos do texto:
"Já foi quase tudo dito sobre a Guerra do Iraque, cinco anos após a invasão. Só faltou, acho, uma palavrinha sobre jornalismo, afinal, o único assunto de que entendo algo, menos do que gostaria e deveria, mas algo.O jornalismo norte-americano cometeu, cinco anos atrás, o pecado mortal de aceitar acriticamente a informação de que havia armas de destruição em massa no Iraque de Saddam Hussein. Tampouco me pareceu suficientemente enfático em estabelecer a diferença entre a delinqüência da Al Qaeda e a delinqüência de Saddam Hussein.
... Do meu ponto de vista, fica uma lição que empiricamente já havia aprendido: o jornalismo deve desconfiar sempre do governo, de qualquer governo. Mesmo que ele se enrole na bandeira, como foi o caso nos EUA, e tente estabelecer que pátria e governo são a mesma coisa. Nunca são."
Aroeira, para o fluminense "O Dia".

Jean, para a Folha de S.Paulo.

Frank, para o catarinense "A Notícia"

Andam em bandos, com os tênis imundos, as calças caindo e o rosto cheio de espinhas. Parece que engoliram um megafone; a voz sempre sai muitos decibéis acima dos sons produzidos pelo restante da humanidade. Eles me tratam como “tia” e fazem bagunça por onde passam. Eu os chamo de "hunos" e faço sanduíches em quantidade industrial.
O grupo decidiu se empenhar no trabalho de Biologia. Em duplas, cruzava informações genéticas para criar um bebê fictício. Resultados foram comparados ao fim com expressão de tristeza _ as “crianças” não estavam saindo lá muito bonitas.
Uma das garotas, balançando os brincos enormes, perguntou para o sósia do McLovin:
- E o nome do nosso filho?
- Só tem um que combina com ele.
- Qual?
- “What-A-Hell”...
Dias depois, as gargalhadas adolescentes ainda ecoam pela casa. A mais deliciosa veio da mocinha que morou um tempo na minha barriga e que, desde então, ilumina meus dias sem fazer um pingo de esforço.
Pessoal, estou tentando habilitar os comentários. Vamos ver se dá certo. Cruzem os dedinhos.
PS: Não consegui. Segunda pedirei ajuda a quem entende.

Em 1734, as ruas de Londres eram vielas sombrias, recobertas por urina, sangue, entranhas de animais e toda a sorte de coisas nojentas que você puder imaginar. A maioria dos transeuntes, porém, mal percebia o horror. Sem emprego, cambaleava em meio aos excrementos com a consciência turvada pela ingestão do gim de banheira _ uma bebida clandestina, muitas vezes comercializada ainda quente, que misturava ácido sulfúrico, aguardente, açúcar, água de cal, água de rosas, óleo de amêndoa, óleo de terebentina e sal de tártaro, entre outros químicos igualmente saudáveis para o fígado.
Judith Dufour era um desses pobres diabos. Sem um pence no bolso, deixou a filhinha de dois anos temporariamente em um orfanato. Lá, a pequena tomou banho, comeu e ganhou roupas. Mas, apesar dos cuidados, não sobreviveu ao raiar do dia. Foi assassinada pela mãe.
Assim que a tirou da instituição, Judith estrangulou a menina. Despiu o corpinho inerte e o abandonou ali, no meio da rua. O dinheiro obtido com a venda das peças serviu para que a mulher comprasse uma garrafa de gim e um naco de pão mofado, dieta típica dos viciados de então.
O episódio causou profunda revolta entre os ingleses. Marcou o início de uma ofensiva do governo contra os destilados proibidos, as chamadas “bebidas loucas“. A luta contra o gim, no entanto, só foi vencida pela geração seguinte.
Lembrei dessa história mórbida quando vi o noticiário desta semana repleto de mães torturando crianças e enfermeiras surrando velhinhos. Infelizmente, parece que a nossa capacidade de indignação está em ponto morto, distante do que aconteceu em Londres séculos atrás.
A banalização da violência e a descrença na Justiça criaram uma sociedade de autistas, incapaz de se mobilizar mesmo diante de um garotinho arrastado vivo pelo asfalto ou de pessoas gritando dentro de ônibus incendiados por marginais. Nem a exposição dos assassinos, em outras épocas tida como execração pública do mais alto grau, surte efeito. Virou mais uma imagem entre milhares; quando muito, assegura três minutos de solitária comoção.
É assustador pensar o que será preciso acontecer para que os brasileiros saiam dessa letargia e reformulem seus valores, suas prioridades e suas exigências, como os ingleses fizeram há quase 300 anos. Dinheiro para investir em segurança e educação há. Falta mostrar que a sociedade é capaz de se organizar e que está farta do que vê.
P.S.: Judith e seu descaso com o próprio bebê foram imortalizados em “Gin Lane”, gravura feita em 1751 pelo pintor William Hogarth. A ilustração do início do post é um detalhe da obra.
Desconfio que seja chocarrice para distrair a audiência. Mas, se realmente quiser acabar com a possibilidade de um segundo mandato, o Planalto terá meu apoio.
Da Folha:
"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do PT, Ricardo Berzoini, pretendem articular o final da reeleição no próximo ano. Segundo a Folha apurou, Lula deu aval a Berzoini para retomar negociações com os tucanos e preparar o terreno político para um acordo que possa ser colocado na praça após as eleições.Em conversas reservadas, Lula voltou a rejeitar a hipótese do terceiro mandato, tese novamente aventada pelo deputado petista Devanir Ribeiro em discurso no Congresso.
... O presidente condicionava seu apoio ao final da reeleição a um acordo com o PSDB. Berzoini relatou ao presidente que petistas e tucanos voltaram a conversar sobre o tema e que há clima para tentar votar essa proposta."
Fácil explicar minha opinião: a realidade de hoje estimula as pretensões de corruptos e de gente que imagina ficar albergada no poder. Ou acaba a possibilidade de um segundo mandato, ou é preciso fazer a reforma política andar. Como nada indica que a segunda hipótese é viável no curto prazo, fico com a primeira. Seis anos de gestão sem direito a repeteco estaria de bom tamanho.
Os primeiros mandatos de FHC e de Lula terminaram de forma melancólica no que diz respeito à honestidade exatamente por conta do agarramento de ambos com a cadeira presidencial. Beneficiários da malandragem correligionária, os dois fizeram vista grossa para as maracutaias que garantiram dinheiro para suas respectivas campanhas.
A complacência diminui quando o candidato é outro. Prova é que em 2003, o uso da máquina administrativa na arrecadação foi visivelmente menor do que o ocorrido quatro anos antes. Provavelmente, Fernando Henrique ponderou que a relação entre custo e benefício era pouco vantajosa para ele próprio.
Se o Brasil tiver um pouco de sorte, Lula agirá do mesmo jeito. A personalidade do presidente _ acostumada ao "venha a nós", pouco afeita ao "vosso reino" _ indica que a chance de o padrão tucano ser replicado é considerável.
Ao longo dos últimos anos o Estado foi aparelhado sem piedade. Antes restritos a um círculo de pessoas que tinham a confiança dos caciques, os coletores que abastecem o caixa dois dos partidos multiplicaram-se. Andam por aí com a desenvoltura de piolhos refestelados em boa cabeleira.
O fim da reeleição, é sabido, não resolverá todos os problemas num segundo. Mas qualquer iniciativa que sirva para melhorar o cenário atual, desolador, é bem-vinda.
Arrastão conseguiu imagens exclusivas dos bastidores da negociação que cria a Telezona.
Como você pode conferir, as portas do entendimento continuam fechadas a despeito da torcida vinda de Brasília. O clima é nervoso e imprevisível. Alguns protagonistas não querem esvaziar as cartucheiras _ temem acabar feridos mais adiante por outros atores. A hipótese de coadjuvantes rebelados fazerem um estrago também é levada em consideração.
Se continuar nesse ritmo, de engrena-e-emperra sem aviso prévio, as gravações podem se arrastar pela temporada de 2008. Ninguém arrisca uma data para a estréia, mas acho que dá tempo de ir comprar a pipoca e manter o celular ligado sem atrapalhar a audiência.
Cinco anos de guerra no Iraque. Milhares de crianças crescem com ódio dos Estados Unidos e dos países do Ocidente. De todos os especiais que encontrei hoje sobre o assunto, o vídeo do jornal The Guardian é o que mais chamou minha atenção. Clique aqui para assistir (em inglês).
Frank Sinatra - Something stupid (with Nancy Sinatra)

Já se vão 508 anos desde que Pero Vaz de Caminha descreveu a El-Rey o encontro de sua expedição com os homens da nova terra, aquele grupo pardo, de cabelos tosquiados, que não fazia caso de encobrir suas vergonhas. “Parece-me gente de tal inocência que, se nós entendêssemos a sua fala e eles a nossa, seriam logo cristãos, visto que não têm nem entendem crença alguma, segundo as aparências”, maravilhou-se.
Conforme o português imaginou, os brancos levaram pouco tempo para influenciar os costumes dos nativos. Caminha errou, todavia, quanto aos resultados _ as mudanças pouco tiveram com os mandamentos do Cristo.
Hoje, depois de séculos de genocídio e humilhação, parcela significativa dos que sobraram tornou-se viciada e não raro atua como "mula" no tráfico de cocaína. Ou contrabandeia pedras preciosas, animais e plantas nativas. Ou derruba árvores para as madeireiras da região amazônica. Ou está na comissão de frente da invasão ilegal de terras.
A raiz de todo esse mal, na minha opinião, está na insistência do Estado em tratar os indígenas como se não fossem cidadãos legítimos, com direitos e responsabilidades. No Brasil, eles são equiparados a crianças e a incapacitados mentais. Só os três estão livres de responder juridicamente por seus atos, sob o argumento de que não têm ciência do que fazem.
Para continuar lendo, clique aqui.
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O vendaval de hoje no mercado financeiro não deixa dúvidas: vem crise, e das grandes, por aí. Mas, conversando com quem entende de ganhar dinheiro, fica claro que há uma série de análises precipitadas ocupando centimetragem dos jornais. É muito pouco provável que as turbulências extrapolem o perde-e-ganha das corretoras e sacudam as prateleiras dos secos e molhados _ onde nós, mortais, sentimos a temperatura da economia.
O que me permite arriscar o palpite é a presteza com que os bancos centrais dos países desenvolvidos estão se mexendo, em especial o dos Estados Unidos. Já deixaram claro que atuarão de maneira firme e que a crise terá os danos contidos. Claro que Wall Street, que há tempos vinha se esbaldando em lucros fictícios, sofrerá uma ressaca. Os setor de construção civil também. Mas era impossível armarem a festa e depois não dançarem.
Em contrapartida, os exportadores americanos estão nas nuvens. Com dólar barato, aumenta a demanda externa pelos produtos do país. E tudo isso sem mexer no mercado interno, pois a moeda americana só derreteu na comparação com outras moedas. As pessoas continuam adquirindo com US$ 100 dólares o mesmo que levavam para casa na semana passada. Inexiste nos EUA remarcação sistemática de preços.
Moeda barata sem inflação é o sonho de qualquer economia.
Um empresário europeu arca, hoje, com custos de mão-de-obra muito acima de seu congênere americano. Os brasileiros estão na mesma situação desfavorável. O real anabolizado torna menos atraentes nossas mercadorias. Exemplo é a Embraer, que divulgou balanço do ano passado nesta tarde. O lucro cresceu só 5,7% na comparação entre 2007 e 2006. No mesmo período, a receita engordou 42,5%. Motivo? Juros e dólar, disseram.
Acredito que é difícil mercados emergentes atraírem o dinheiro de estrangeiros para o longo prazo (menos os petrodólares do Oriente Médio. Mas aí é outro caso: excedente para diversificar portfólio, não gente que está realocando aplicações). Provavelmente, os investidores que fogem do prejuízo migrarão seus recursos para as companhias exportadoras dos Estados Unidos mesmo.
A verdade é que, apesar das taxas de juros escalafobéticas e dos analistas incondicionalmente pró-governo, os países em desenvolvimento ainda não oferecem segurança institucional suficiente para receber investimentos maciços. Infelizmente.
Ando doente e, por conta do tratamento, meio quietinha e reclusa. Uma chatice para alguém espevitada, admito. Mas também é uma excelente oportunidade para vislumbrar que ganhei da vida bem mais do que mereço.
Obrigada por todos os telefonemas, e-mails, MSNs, SMS, flores, abraços e gentilezas. Daqui a pouco a gente se encontra, ok? Amo vocês.
No mais, aproveitem que estão na internet para conhecer o Enzimas Virtuais. A autora é a Daniela Macedo, amiga querida desde os tempos da faculdade. No ano passado, ela enfrentou uma barra bem mais pesada que a minha. Resolveu contar a história com aquela pitada de humor característica dos grandes corações.
Muito interessante o artigo escrito por James Surowiecki e publicado hoje pela New Yorker. No texto, o autor lembra a explosão dos pequenos empréstimos ocorrida nos últimos anos em países ricos, mas observa que a idéia de investidores endinheirados financiarem pequenos empreendedores do terceiro mundo está longe de significar real estímulo às economias em desenvolvimento.
O primeiro entrave é que a maioria dos microempresários não cria vagas de trabalho para terceiros, condição essencial para impulsionar qualquer mercado. E nem todo mundo nasceu para ser patrão de si mesmo. Apenas 14% dos americanos têm, ou estão tentando ter, seu próprio negócio, afirma a New Yorker. No Peru, esse índice sobe para 40% _ "não porque os peruanos sejam mais empreendedores, e sim porque não têm outras opções".
Além disso, como as taxas de juros são altas e o valor do financiamento é mirrado, muitos dos credores usam o que conseguem para outros fins (como pagar a escola dos filhos, por exemplo).
O artigo defende que países pobres não precisam criar novas empresas pequeninas, mas incentivar a expansão das companhias de médio porte. Relativamente raras nos países em desenvolvimento, elas são responsáveis por cerca de 60% dos postos de trabalho em economias melhor sucedidas.
Concordo em gênero e número.
Se você lê em inglês, pode conferir a íntegra do texto da New Yorker aqui.
Também vale passar na página da Kiva, organização citada no artigo que agrupa pessoas que precisam de dinheiro para investir. Lá você encontrará a história, entre tantas outras, de Ahmad Laham, pai de duas crianças e dono de uma pequena lavanderia no sul do Líbano. Ahmad precisava de US$ 500. Também poderá conhecer quem empresta, como Jennifer, estudante canadense que mora na cidade Fredericton. Questionada sobre os motivos pelos quais concede crédito, ela responde: "É tão divertido! E agora estou viciada... "
... com um beijinho.
Enquanto isso, no encontro da OEA...

A charge é do Aroeira e foi publicada no jornal "O Dia".
É de domínio público a facilidade com que os políticos brasileiros lançam ao mar suas desavenças. Isso fica ainda mais explícito em Minas Gerais, onde é comum ouvir: "oposição quem faz são os de fora".
Da Folha de hoje:
"O grupo do prefeito Fernando Pimentel (PT) venceu anteontem, em Belo Horizonte, o primeiro round da disputa interna do partido para as eleições municipais deste ano.Em reunião na capital mineira, os aliados do ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, saíram derrotados após nem sequer ser votada a proposta de retardar, em pelo menos 15 dias, a escolha dos delegados e da posterior votação sobre a aliança com o PSDB do governador Aécio Neves.
... A proposta de Pimentel e do governador tucano é de um nome neutro, do PSB, liderando a chapa. Ambos trabalham nos bastidores para que o candidato seja o secretário de Desenvolvimento Econômico de Aécio, Márcio Lacerda."
Favas contadas. Desde o começo do ano, os jornais têm dado espaço para a aproximação entre o tucano Aécio Neves, governador do Estado, e o petista Fernando Pimentel, prefeito de Belo Horizonte. Fazem a manobra com o apoio da população: 76% da população de BH acreditam que PSDB e PT lucrarão com o pacto, segundo O Tempo.
Não é de agora, entretanto, que Aécio Neves trabalha para se unir aos petistas. Achei uma matéria que escrevi há quase quatro anos, durante um frila no JB, quando ainda morava em Brasília.
"Aécio, matreiro, voltou-se aos companheiros no passeio: - É muito mais gostoso fazer política quando não tem eleição e o adversário não está por perto - constatou."
Pelo jeito, o dicionário do governador aceita tranqüilamente "gostoso" como sinônimo de "cômodo" e de "seguro".
Não me surpreende em nada a junção PT e PSDB, em Belo Horizonte ou em qualquer outro lugar do país. Quem acompanha a zona cinzenta entre política e economia sabe que ambos vivem um affair tumultuado _ o que não significa deixar de lado o pragmatismo e o alinhamento quando transações importantes estão sobre a mesa. Seguem a máxima de Rockfeller: "uma amizade fundada em negócios é melhor que um negócio fundado em amizade".
A banda de Minas só tem o mérito de ser a primeira a sair do armário.
PS: Não deu outra, a moda vai pegar mesmo. Acabo de ler (atrasada) o que saiu no blog do Josias. "PSDB e PT firmaram em Salvador (BA) uma aliança informal para as eleições municipais de 2008. O tucano Antônio Imbassahy vai à disputa como um dos candidatos que têm a simpatia do governador petista Jaques Wagner."
Eles provavelmente enganarão você. O americano Kurt Wenner e o inglês Julian Beever são mestres na arte da anamorfose, técnica de pintura com traços distorcidos, o que permite a ilusão tridimensional.
Wenner, autor da pintura abaixo, trabalhou na Nasa. Aqui você acessa o portfólio do artista.

Beever desenhou a Coca. Outras pinturas dele estão neste link.

... iria separar um tempinho para conhecer o Pothead Blues.

Você tem acompanhado a polêmica em torno dos processos movidos pela Universal do Reino de Deus em várias cidades contra a repórter Elvira Lobato, da Folha de S.Paulo. Desde dezembro, quando foi publicada a matéria responsável pela irritação do Bispo Macedo, várias entidades e nomes de peso alinharam-se, acertadamente, à jornalista.
O entendimento dos defensores de Elvira foi o de que, ao desencadear uma série de ações simultâneas em pontos diferentes do país, a igreja litiga de má fé e cria uma situação de constrangimento que coloca em risco a liberdade de expressão.
Repare que, embora impetradas do Oiapoque ao Chuí, o objeto das ações era um só. Assim, pergunto: e se Elvira for condenada em mais de um lugar, ela terá de cumprir diversas penas pelo mesmo crime? Isso é ilegal, não é? É. Non Bis in Idem, diz a lei.
Todos de acordo? Ótimo.
Pois há alguém que você conhece encarcerado sob as exatas condições que descrevi acima: Antônio de Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona, empresário conhecido como “o doleiro do PT”.
Sigo aqui.
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Da Agência Estado:
"MITROVICA, Kosovo - Centenas de sérvios invadiram nesta sexta-feira, 14, um tribunal da Organização das Nações Unidas (ONU) no norte de Kosovo, assumindo o controle do local e desfraldando uma bandeira sérvia no lugar de uma das Nações Unidas."
Falei sobre o assunto há alguns dias. As dicas continuam valendo. Tudo indica que a temperatura no Kosovo subirá ao longo dos próximos meses.

Os olhos de muitos buscarão amanhã o auditório Paganini, na cidade de Parma, Itália. Começa a série de audiências preliminares do julgamento dos envolvidos na falência fraudulenta da Parmalat. Mais de 50 pessoas foram acusadas pelos promotores italianos. (Os números publicados pela mídia italiana são divergentes.)
A concordata da Parmalat, maior indústria de laticínios do país e uma gigante mundial do setor, significou a maior bancarrota da história européia. Cálculos atualizados mostram pelo menos 14 bilhões de euros, de euros!, sumiram dos cofres da empresa.
De acordo com o jornal La Stampa, um dos mais importantes da Itália, o caso abarca 5 milhões de ações, 500 mil páginas de investigação, processos relativos a cinco empresas, 35 mil testemunhos.
Estarão no banco dos réus, entre vários outros capos da Parmalat, Calisto Tanzi (ex-presidente do grupo) e Fausto Tonna (ex-diretor financeiro).
Aos brasileiros muito interessa a condução do julgamento. Em 2004, Tonna afirmou aos procuradores italianos que a Parmalat pagava subornos no Brasil, além de contribuir de forma ilegal para financiar campanhas políticas.
“As operações na América do Sul e China foram supervalorizadas e que suspeitava que dirigentes dessas duas regiões fizessem caixa dois (mantivessem contas escondidas)”, informou a BBC Brasil, à época. Tonna implicou uma série de executivos que atuavam nas duas regiões.
Continuo aqui.
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Foi show o crescimento de 5,4% em 2007, anunciado ontem pelo governo. Ultrapassou todas as expectativas. Melhor: tudo indica que a economia vai ficar ainda mais robusta neste ano. A expansão não deve ser inferior a 4%.
A economia é, de longe, onde a equipe de Lula saiu-se melhor. Quem não reconhece isso está de implicância. Eles contaram com um cenário externo favorável, sim. Mas de nada adiantaria se as decisões tomadas pelo PT fossem menos austeras, corretas e equilibradas.
Claro que nem tudo são flores. Há alguns pontos a serem corrigidos, antes que se transformem em um problemão mais à frente. O principal deles, na minha avaliação, é a carga tributária, cada vez mais extorsiva.
A página da Veja traz a seguinte informação:
"De acordo com cálculo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), a carga tributária brasileira voltou a bater recorde no ano passado: os contribuintes pagaram o equivalente a 36,08% do PIB, de 2,6 trilhões de reais. No total, o gasto com impostos chegou a 923,24 bilhões de reais."
É bastante coisa. E, até agora, não há nenhuma iniciativa firme do governo para adequar os gastos públicos à realidade, o que permitiria um corte nos impostos estratosféricos.
Ainda a Veja:
"Aprovado na noite de quarta-feira, o Orçamento Geral da União mantém a carga tributária e os gastos federais em patamares iguais – ou até maiores – do que os de 2007, ano da extinção da CPMF. Foi previsto um montante de 1,423 trilhão de reais para 2008, um acréscimo de 9 bilhões ao valor inicialmente proposto pelo governo. Os números mostram que, em vez do cataclisma monetário alardeado pelo governo, o fim do imposto só fez frear, ao menos por enquanto, a expansão acelerada das obras e despesas sociais do segundo mandato de Lula."
I rest my case. E podem escrever aí: nos próximos meses, o governo vai fazer de tudo para aprovar um novo imposto capaz de substituir a CPMF. Ainda mais agora, que a base legislativa está animada por ter dado uma fubecada na oposição. Ninguém desiste de R$ 40 bilhões assim, facilmente _ muito menos o Estado brasileiro, glutão como é.
Do Valor:
"Na sua segunda incursão no mercado de capitais em menos de um ano, a Redecard vendeu ações ordinárias (ON, com direito a voto) pertencentes ao Citibank a um valor inferior ao da sua oferta pública inicial (IPO, em inglês). Os papéis saíram a R$ 26,00 com deságio de 1,07% sobre a cotação média de ontem na Bovespa. A operação pode movimentar R$ 1,216 bilhão se exercida integralmente a cláusula de "gree shoe", que pode ampliar a captação em 15%.... A decisão do Citi de prosseguir com a operação em pleno revés justifica-se pela própria necessidade da instituição de fazer caixa para cobrir as perdas recentes com o 'subprime'... Na máxima, em novembro, Redecard ON bateu os R$ 37,52."
Meu comentário? É muitíssimo bem feito para o Citi.
Talvez a instituição se saísse um pouco melhor e não tivesse de amargar um tombo atrás do outro, caso os executivos do Citi estivessem mais preocupados em ganhar dinheiro para seus acionistas do que em usar as empresas onde investem para patrocinar caluniadores, com o simples objetivo de camuflar informações pouco lisonjeiras sobre o banco, contidas em processos judiciais tocados no exterior.
Depois de Fábio Luís, o "Lulinha", é a vez de os holofotes incidirem sobre outro filho do presidente da República: Marcos Lula. Forma-se uma dinastia em São Bernardo. Tá bom ou quer mais?
Da coluna da Mônica Bergamo:
"'Quero ser prefeito'Filho do primeiro casamento de Marisa Letícia e assumido pelo presidente Lula, o psicólogo Marcos Cláudio Lula da Silva, 37, faz, na internet, sua campanha para vereador em São Bernardo do Campo. Marcos, que tem blog, fotolog, três perfis no Orkut e é tema da comunidade "Marcos Lula - O Pré-Candidato", falou à coluna:
FOLHA - Por que vai usar o nome Marcos Lula na campanha? É porque o Fábio [Luiz, outro filho de Lula] já adotou o "Lulinha"?
MARCOS LULA - É verdade [risos]. Mas é assim que todo mundo já me conhece no PT, no bairro, na cidade.FOLHA - E se o mensalão for lembrado na campanha?
MARCOS LULA - Vou pedir para a pessoa provar se ficar inventando mentiras. Vamos para a Justiça ou coisa assim. E, se atacarem o presidente, o governo que prove que não é verdade. Mas não vou ficar entrando em briga deles."
Clique aqui para continuar.
A batalha entre Colômbia, Equador e Venezuela continua nas páginas dos jornais europeus. A enviada especial do diário espanhol El País a Bogotá, Maite Rico, escreveu uma reportagem bombástica sobre o apoio logístico e financeiro às Farc por parte dos presidentes Rafael Corrêa e Hugo Chávez. O texto, publicado ontem, provocou uma mensagem de protesto do embaixador venezuelano na Espanha.
A cobertura de Rico ocupou três páginas da edição impressa do El País, segundo a amiga que me avisou sobre a matéria. A chamada de capa, em tradução livre, dizia que o norte do Equador se converteu em um santuário das Farc. Segundo fontes militares do Equador, existiriam pelo menos oito acampamentos estáveis da organização em terras equatorianas. As autoridades locais fechariam os olhos em troca de propina.
A jornalista espanhola obteve ainda testemunhos de ex-guerrilheiros e dados encontrados nos computadores de Raúl Reyes, o número dois das Farc, morto no Equador durante uma operação do exército colombiano.
Hoje, o El País torna pública uma carta do embaixador da Venezuela Alfredo Toro Hardy. Ele protestou contra as informações apuradas por Rico. De acordo com o diplomata, Chávez não apóia as Farc mais que a França, a Espanha e a Suíça. Sublinhou ainda que ninguém garante a autenticidade do material contido no laptop de Reyes.
A perícia do material, continua o El País, agora em texto da agência Efe, será feita pela Interpol a partir de hoje.
Enquanto isso, a Folha evidencia as dissonâncias entre o presidente dos Estados Unidos, George Bush, e o presidente Lula no caso da Venezuela. O primeiro acusa Hugo Chávez de adotar um "comportamento provocativo", além de promover uma "visão hostil e antimericana" na América do Sul. O brasileiro, por seu turno, "telefonou ontem para Chávez e elogiou sua atitude contemporizadora na reunião que selou a paz entre a Colômbia e o Equador, sexta-feira passada, na República Dominicana" .
A mulher que inventou a alteração contínua das freqüências de rádio para neutralizar bombas alemãs teleguiadas _ tecnologia que, mais tarde, permitiu a criação do celular. A modelo estampada na embalagem do CorelDraw. A moça que protagonizou o primeiro nu da história do cinema. A esposa de um fabricante de armas. A lady austríaca que sofria do complexo de Electra. A beleza que inspirou Walt Disney nos traços da Branca de Neve.
O que elas têm em comum? Tudo. São a mesma pessoa _ Hedwig Eva Maria Kiesler, ou Hedy Lamarr, uma das estrelas mais fascinantes de Hollywood.
Passei muitas tardes com Hedy quando era menina, comendo pipoca e chorando pelo coitadinho do Victor Mature, açoitado pelo escárnio filisteu depois de perder os cabelos. Mesmo com pena dele, porém, tudo o que eu queria era ser linda e misteriosa como uma Dalila do Cecil B. DeMille.
Nunca consegui, claro. Mas, anos depois, soube que Hedy não considerava a tarefa tão difícil. “Qualquer garota pode ser glamourosa. Tudo que você precisa fazer é ficar imóvel e parecer estúpida”, disse ela.
Será?
Agora dê um pulo no vizinho. ;)
Não foi por falta de aviso. MST e Via Campesina invadiram ontem uma série de usinas, inclusive a área onde será construída a hidrelétrica do Madeira. Estive por lá em 2006. As manifestações têm tudo para sair de controle e acabar em moldes parecidos aos de Eldorado dos Carajás.
Sou absolutamente contra qualquer forma de negociação com pessoas que desrespeitam as leis, que fique claro. Mas a análise das invasões precisa ir um pouco além do óbvio.
Boa parte dos casos que vi na Amazônia mostrou que o Estado foi o primeiro a chutar a ordem institucional. Ávido para beneficiar as empreiteiras, o governo desapropriou quantidades enormes de terra, muitas vezes sem pagar um tostão, e jogou os antigos donos para viver à margem da sociedade. A luz elétrica que chega ao restante do Brasil não é sequer compartilhada com as pessoas que perderam suas casas.
Dirão: "Isso é passado". Uma ova! Nada do que testemunhei me leva a crer que será diferente desta vez. Aqueles grotões são terra perdida, onde impera a ordem dos mais fortes _ políticos locais, grileiros, contrabandistas e pistoleiros. Essa gente acaba se associando, direta ou indiretamente, com os tocadores das obras.
Os defensores incondicionais do concreto argumentam que a construção dá empregos e estimula a economia local. Sim, é verdade. Vagas temporárias, na maior parcela. E a ciranda financeira gira com força só para quem já tem dinheiro. Uma beleza.
A lógica de faroeste inclui um Ministério Público sob constante ameaça e uma Justiça amordaçada. O povo, humilde e desabrigado, tratado como lixo por quem deveria reconhecer seus direitos, vê como única alternativa acreditar em organizações que vão à luta, como o MST e a Via Campesina. São quadrilhas? São. Mas estão por lá. Nós não estamos.
É inútil lançar perdigotos e imprecações sobre os líderes camponeses sem reconhecer que há um vácuo gigantesco do Estado na região amazônica e no interior do Brasil. Aliás, a lacuna não é deixada só por ele. Qual é o grande jornal que tem uma equipe fixa de jornalistas experientes e renomados para acompanhar o que acontece na selva? Que eu me lembre, nenhum.
Por isso, achei muito boa a notícia do site Amazônia.org:
“O fundo de pensão Petros, dos funcionários da Petrobras, afirmou que só participará do Consórcio Madeira Energia caso sejam atendidos seus princípios de ‘responsabilidade socioambiental, econômico e jurídico‘.”
Se os fundos de pensão das estatais _ os verdadeiros manda-chuvas do capitalismo brasileiro, únicos com caixa suficiente para investir em obras de infra-estrutura _ jogarem pesado, fizerem exigências e buscarem garantias, Madeira poderá sair do papel de um jeito diferente do que ocorreu com Samuel, por exemplo. Tomara.
_________
Para ler outra opinião, vá ao site d’O Estado de S.Paulo, que tratou do assunto em editorial.
Clique para ver outro texto relativo ao tema no Arrastão.
Se você é assinante da Folha, pode dar uma olhada aqui, aqui, aqui e aqui. São as matérias relativas ao Madeira que fiz para o jornal em 2006, antes de o projeto ter sido licitado.

Leio no site Última Instância:
"João Carlos da Rocha Mattos não é mais juiz federal. A presidente do TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região, desembargadora federal Marli Ferreira, determinou nesta terça-feira (11/2) a perda do cargo do magistrado.Com a decisão, Rocha Mattos passa a ser um condenado comum, perdendo a condição de preso especial, devendo ser encaminhado a um presídio comum, assim que a SAP (Secretaria de Administração Penitenciária) do Estado for notificada."
Rocha Mattos vai cortar um dobrado no presídio comum _ se é que fica vivo muito tempo por lá. O ex-juiz, preso por vender sentenças, sabe um bocado sobre Celso Daniel.
A decisão de mandar Rocha Mattos para o meio dos criminosos comuns acontece dias depois de a ex-mulher do juiz, Norma Cunha, ter afirmado que tinha revelações a fazer sobre o caso do prefeito de Santo André, assassinado em 2002. Sete pessoas ligadas ao caso apareceram mortas desde que o corpo do político foi encontrado.
Norma teria provas de que foram movimentados US$ 48 milhões em nome de Celso, depois do assassinato, para financiamento de campanhas do PT. Escrevi sobre o assunto aqui
A notícia foi publicada na coluna de Claudio Humberto, 29 de fevereiro. Os advogados de Norma negaram que ela tivesse dito o que estava lá. Até agora, porém, não houve nenhuma retratação. (Na minha opinião, a história era quente. Ninguém brincaria com um negócio desses.)
A mesma informação estaria com a família de Celso Daniel. Amanhã, aliás, é a data marcada para o alto comissariado da ONU entregar um passaporte especial a Bruno Daniel, irmão do prefeito. Com o outro irmão, João Francisco, Bruno pediu asilo político à França. Eles teriam sido ameaçados após insistir que o governo abafou as investigações para evitar desgastes políticos.
Conclua você mesmo.
Fazia algum tempo que eu não olhava as notícias da minha terra. Mancada. Há sempre coisas grandiosas acontecendo nas bandas paranaenses. Hoje, por exemplo, as araucárias estão em polvorosa por conta das eleições... do Paraguai.
Em audiência pública na Assembléia Legislativa, o secretário paranaense de Comunicação Social, Airton Pisseti, admitiu que viajou onze vezes para o Paraguai nos últimos tempos. E o que ele foi fazer lá? Coordenar a campanha do candidato da oposição, Fernando Lugo. A eleição está marcada para 20 de abril.
Pisseti explicou que partiu com a benção do governador Roberto Requião, mas pagou as despesas do próprio bolso.
“Fiz as viagens com recursos próprios. Todo meu trabalho no Paraguai é voluntário e de cunho pessoal”, declarou o secretário, que não parece tão dedicado aos paranaenses. Nove escapulidas, entre 11, implicaram faltas no trabalho. Dezoito dias úteis perdidos.
Sigo por aqui.
Continue lendo "Paraná, um agito só" »
Liga a amiga com quem eu não conversava há algumas semanas.
- Puxa, esse último texto me deu um alívio... Estava com medo que você tivesse virado de direita, hahaha... - Quem disse que não virei? - Ah, pára! Eu te conheço há anos. Nunca vi alguém tão mãe dos pobres. - É sério, flor. Tenho andado com um pessoalzinho radical. Entra no Arrastão daqui a pouco que eu te mostro."
Língua de Trapo - Samba Enredo da TFP
Às vezes, é muito divertido sacanear as pessoas. ;-)
Há alguns dias, recebi o e-mail de um leitor chamado Paulo. Espero que seja o primeiro de muitos. De forma elegante e articulada, embora firme, ele discordou de um post meu sobre os programas assistenciais do governo. Segundo disse, as críticas ao Bolsa-Família eram injustificadas e possuíam conteúdo político-partidário.
Em seu texto, o leitor defendeu que os beneficiários não ficam acomodados por conta dos repasses, os quais podem significar o início de um círculo virtuoso para a economia. Por fim, lembrava que um dos grandes méritos do Bolsa-Família é o de assegurar o êxito do processo de inclusão escolar.
Obrigada mais uma vez pelo e-mail, Paulo.
Ao contrário do que vários pensam, sou favorável a um programa de transferência de renda para as classes menos favorecidas. O fosso da desigualdade é profundo demais para saltá-lo sem ajuda. Também considero Keynes fascinante, até por sua trajetória pessoal, e concordo que a inclusão no mercado de consumo contribui para uma nova concepção de cidadania.
Continuo aqui.
Continue lendo "Assistencialismo, corrupção e imprensa" »
O Estado de S.Paulo repercute matéria sobre o Bolsa-Família publicada na edição de ontem. Alguns trechos do texto publicado nesta segunda-feira, escrito por Lisandra Paraguassú:
"Os dados que mostram um aumento do abandono escolar em municípios com alto atendimento do Bolsa-Família, como mostrou o Estado em reportagem publicada ontem , são vistos pelo governo com reserva. Tanto representantes do Ministério do Desenvolvimento Social quanto do Ministério da Educação (MEC) acreditam que o programa ainda é responsável por levar as crianças até a escola. A evasão, afirmam, acontece justamente quando o programa deixa de atendê-las, aos 15 anos.'No programa há um claro efeito fixador na escola. Esse menino sai aos 15 anos, mas estaria saindo aos 10. O que precisamos agora é pensar uma política para atender depois dos 15 anos', avalia a secretária de Educação Básica do Ministério da Educação, Maria do Pilar Almeida e Silva.
... Já o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), criador do Bolsa-Escola - programa que deu origem ao Bolsa-Família - diz que o fato de transformar o Bolsa-Escola em Bolsa-Família pode ter tirado das famílias pobres a idéia da importância de os filhos estudarem."
A íntegra da reportagem está aqui.
Para terminar bem a noite, ou começar bem o dia.
Nariz Gelado informa que Ciro Gomes virou uma espécie de xarope de Pemberton para os políticos. Reúne elogios do PT ao DEM, o que pode garantir ao ex-ministro da Integração uma vaga abençoada na corrida presidencial de 2010.
Pudera. Como todo mundo sabe, Ciro é um caramelinho de pessoa. Nada mais justo e previsível que fosse transformado em unanimidade.
Outro ponto a favor de Ciro é a grande experiência político-partidária: foi Arena no tempo dos militares, PMDB na reabertura democrática, PSDB no primeiro governo de Fernando Henrique, PPS na eleição de 1998, PSB para compor com Lula em 2002. (Até onde alcança minha memória, continua lá. Mas é bom ficar de olho.)
Ciro é lembrado ainda pelas frases sábias _ como, por exemplo, "as pessoas que defendem isso [o separatismo] têm um desvio homossexual". Compartilha com Paulinho da Força, seu vice na campanha presidencial de 2002, o gosto pela imprensa.
Espanta-me que, com toda essa empatia, esse savoir vivre, essa retórica impecável, os fãs não tenham pedido a Ciro que, antes de concorrer ao Planalto, medie os recentes conflitos sul-americanos. Imaginou uma conversa animada entre ele, Hugo Chávez e Rafael Corrêa?
Para o grupo ficar perfeito, bastaria chamar também o analista de Bagé e o megalômano de Carazinho.
Continue lendo "As tietes do diplomata" »
Continuo em marcha lenta. Deixo vocês com o melhor, na minha opinião, publicado hoje na terrinha.
D'O Globo:
"Uma pesquisa sobre valores do brasileiro, realizada pela agência Nova S/B em parceria com o Ibope, mostra que um em cada quatro brasileiros (ou 26%) admite a tortura. Eles dizem que, se fossem um policial combatendo o crime, torturariam suspeitos. A pesquisa revela ainda preconceitos de raça e orientação sexual: 33% disseram que se afastariam de um amigo se descobrissem que ele é homossexual."
D'O Estadão:
"...O conflito colombiano é uma questão regional há anos - embora o Itamaraty assim não o considerasse. Afeta o Brasil, por exemplo, desde que narcoguerrilheiros mataram soldados brasileiros no Rio Traíra. Diz respeito ao Brasil, também, desde que Fernandinho Beira-Mar estabeleceu com as Farc uma linha direta de abastecimento de cocaína entre a Colômbia e o Rio de Janeiro.Mas é preciso ver o que o chanceler entende por solução continental para o problema. A nosso ver, só existe uma: o isolamento completo das Farc e o apoio de todos os países da região ao esforço do governo colombiano para a sua eliminação."
"O abandono escolar cresceu onde é maior a presença do Bolsa-Família. Embora manter crianças na escola seja uma das metas do programa, dos 200 municípios mais atendidos pelo programa, 91 registraram aumento do abandono e 37 mantiveram o nível anterior ao início do pagamento dos benefícios. Em 64% dessas cidades, portanto, a situação piorou ou se manteve. Os números levam em conta abandonos da 1ª à 8ª série entre 2002 (ano anterior à implantação do programa) e 2005 (último ano com dados disponíveis)."
Da Folha
- Clóvis Rossi:
"... A América Latina está saindo da era do realismo mágico, tão bem narrado por Gabriel García Márquez, para cair na farsa. Ficam esses valentões de palácio a berrar contra o imperialismo, mas:1) Correa não mudou a dolarização introduzida por um de seus antecessores, o que é ceder parte da soberania equatoriana ao império;
2) Chávez continua vendendo a maior fatia de seu petróleo para os Estados Unidos, segundo ele responsável por todos os males do planeta ou além dele. Cães que ladram para a Lua são até engraçadinhos. Governantes que o fazem são ridículos."
- Elio Gaspari:
"Nosso Guia é o pai dos pobres e a mãe da banca. Em 2007, o lucro de 101 instituições financeiras nacionais chegou a R$ 45,4 bilhões, ou US$ 26 bilhões. Essa cifra é maior que o PIB de 121 das 230 nações do mundo. Se a banca brasileira fosse um país, seu lucro ficaria abaixo da Jordânia e acima do Paraguai. (Essa comparação baseia-se na Paridade do Poder de Compra.)"
"... A intimidade, tão necessária para a vida social quanto a massa dos corpos para a mecânica celeste, pode estar com os dias contados. É o que sugere um artigo científico recente sobre seu último reduto, o cérebro. A contagem regressiva será longa, e parece confortador prever que não chegará a zero antes de a maioria de nós morrer.O trabalho foi publicado eletronicamente na quinta-feira no periódico científico britânico "Nature". Uma equipe liderada por Jack Gallant, da Universidade da Califórnia em Berkeley, abriu a caixa-preta do córtex visual -área do cérebro dedicada a processar informação proveniente das nossas retinas tão fatigadas.
... Sonhos, delírios e fantasias nunca mais estariam a salvo. O convívio social se tornaria um inferno de transparência, em que sentiríamos saudades das chamas e caldeirões ferventes. Se todas as imagens que passam por nossas cabeça vissem a luz do dia..."
Guerrilheiros, presidentes, urânio, partidos, eleição americana, espionagem, italianos, petrodólares, corrupção, financiamento de campanha, dossiês, calúnias...
Hoje está uma noite tão bonita que, sinceramente, tudo isso me parece uma chatice sem fim. Muito melhor um pouquinho de Billy Wilder, não é, não?
A gente se vê depois. Durma bem.
O presidente do Equador, Rafael Corrêa, chamou de "mentiras" as acusações feitas por Álvaro Uribe. Disse que era problema dos colombianos as Farc terem saído de seu território e pediu a condenação pelos demais países latino-americanos da iniciativa da Colômbia que resultou na morte de Raúl Reyes.
Pior. Corrêa afirmou que Uribe localizou Reyes durante um telefonema em que eram combinados detalhes para que as Farc libertassem Ingrid Betancourt. E garantiu que não apóia os guerrilheiros.
Uma nova informação, aliás, teria chegado ao encontro do Grupo do Rio, que acontece em Santo Domingo: Reyes não foi o único líder das Farc morto durante a ação da Colômbia em território equatoriano.
Até onde vi, Uribe queria responder. Quem fala enquanto escrevo, porém, é Daniel Ortega, presidente da Nicarágua (pró-Equador).
Brasil, Venezuela e Argentina ainda não se pronunciaram. Estão numa tremenda saia-justa. Pelo andar da carruagem, Uribe não vai deixar escapar ninguém que condene a Colômbia de maneira unilateral. E como, aparentemente, outros presidentes receberam dinheiro das Farc...
Eu não acredito em Corrêa, mas é melhor você decidir por si mesmo. Fique ligado no El Tiempo.
PS: Mais tarde fiquei sabendo que o outro guerrilheiro morto sobre o qual falavam em Santo Domingo era Iván Ríos. Ele foi assassinado por seu próprio segurança e não por militares do governo colombiano.
Álvaro Uribe faz, neste momento, acusações gravíssimas ao presidente do Equador. Segundo ele, foram encontradas cartas no computador apreendido das Farc mostrando que Rafael Corrêa e seus ministros apoiavam os terroristas, que teriam contribuído em sua campanha eleitoral. Hugo Chávez também não escapa das denúncias do presidente da Colômbia.
Chavez e Corrêa, disse Uribe, agem pelas costas da Colômbia. Segundo o presidente colombiano, o Equador não foi avisado da operação que resultou na morte do número dois da Farc, Raúl Reyes, porque o governo de Corrêa iria sabotar a operação. Mesmo assim, desculpou-se novamente pela invasão do território equatoriano e garantiu que indenizará qualquer dano causado durante o ataque às Farc.
Uribe também cobra apoio dos demais integrantes do Grupo do Rio para combater as ações criminosas das Farc.
Ri-dí-cu-la a situação do Brasil, apontado pela mídia como o mais importante negociador na crise entre os países vizinhos. Lula amarelou e não foi ao encontro. Mandou Celso Amorim, cuja expressão é de pura preocupação, em seu lugar.
Não adianta fugir. A situação chegou ao extremo e o Brasil não pode se omitir, nem apostar na parcialidade pró-Farc. O resto do mundo está de olho. Dificilmente haverá espaço, de agora em diante, para irresponsabilidade disfarçada de esquerdismo.
É fácil entender o motivo pelo qual a maioria dos brasileiros simplesmente ignora a corrupção e as incongruências ideológicas do atual governo. Dê uma olhada no Valor de hoje, matéria de Denise Neumann:
"Nos últimos cinco anos, as classes C, D e E acumularam uma renda extra de R$ 118 bilhões para o consumo. Esse valor é superior àquele incorporado, no mesmo período, pelas classes A e B, que ficou em R$ 75 bilhões, segundo cálculos da Data Popular, uma empresa especializada no consumidor de baixa renda. Os cálculos (diferentes dos feitos pela MB Consultores) estão baseados na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) feita pelo Instituto Brasileiro Geografia e Estatística (IBGE), explica Renato Meirelles, sócio da agência de publicidade Avenida Brasil e do Data Popular. Por estas estimativas, as classes C, D e E possuem, hoje, uma renda total de R$ 550 bilhões.Para Meirelles, três pilares têm sustentado o aumento do consumo popular: o aumento da oferta de crédito, o reajuste do salário mínimo acima da inflação e os programas de distribuição de renda, especialmente o Bolsa Família.
... A pesquisa do Data Popular considera, pra a estimativa da renda, uma parcela da população maior do que a contemplada nos dados da MB Associados, pois ao incluir a classe C, considera famílias com renda média até R$ 3,8 mil."
Não houve tempo suficiente para que a inclusão no consumo tenha reflexos nas exigências sociais dessas pessoas. A própria natureza dos benefícios reforça a idéia de favor governamental e não de mérito. O Estado-provedor ainda é mais reverenciado que o Estado-eficiente.
É torcer _ e trabalhar _ para que o fim da inflação, a retomada da experiência democrática e a próprio incremento na capacidade de consumo sejam consolidados com o passar dos anos, transformando-se em uma concepção de cidadania menos servil, menos dependente, menos avoada.
Nada como um dia atrás do outro. Clóvis Rossi, na Folha de hoje, confirma o que venho dizendo aqui há tempos:
"A Telefónica da Espanha não faz objeção à mudança nas regras da telefonia no Brasil para permitir o surgimento do que chama de "campeão nacional", resultante da compra da Brasil Telecom pela Oi (ex-Telemar).... Traduzindo: a Telefónica quer poder vender os combinados de voz (telefone fixo e celular), TV e internet de banda larga, o que hoje lhe é vetado por ser uma empresa estrangeira.
... Suas operações no Brasil, embora concentradas no Estado de São Paulo, dão-lhe 22% de um mercado de R$ 90 bilhões e perspectivas "espetaculares", no dizer de César Alierta, o presidente da companhia, na mesma rodada de perguntas e respostas com investidores.
Se acabar fechando a compra da parte da Portugal Telecom na Vivo (o braço da Telefônica para celulares), sua fatia no bolo no Brasil subirá para 30%."
Eram favas contadas. A Telefônica já tinha dado todos os sinais de aprovar a operação.
Se as mudanças que os espanhóis querem forem aprovadas, e tudo indica que serão, a briga no setor de telecomunicações vai ficar ainda mais animada: Telefônica versus Globo/Net.
A Globo, aliás, não deve estar nada contente com o governo. No último dia 3, a Folha publicou uma reportagem de Daniel Castro mostrando que os investimentos em publicidade do governo federal na Record deram um salto de 150,3% de 2003, quando Lula assumiu a presidência, a 2007
"Em segundo lugar, aparece a Band, com aumento de 128,6%, bem à frente da Globo, que cresceu 58,7% sob Lula, Rede TV! (41%) e SBT (37,1%)."
Fica, portanto, a pergunta: para compensar a Globo, o governo vai deixar Carlos Slim comprar a parte da emissora brasileira na Net? Eu acho que vai. Até porque o lobista do mexicano é danado de bom: José Dirceu.
Esse filme ainda terá muitas reviravoltas. Vá buscar sua pipoca.
Obrigada, meu anjo. A poesia é linda.

A charge é do Ique e foi publicada pelo Jornal do Brasil.
Brasil e França estão fazendo um papelão nessa história das Farc. Milícias autônomas, sejam elas de esquerda ou de direita, são uma ameça séria à democracia e uma conexão certa para o tráfico de drogas e de armas. Dinheiro é o nome desse jogo _ não ideologia, como querem fazer parecer esses assassinos.
Além disso, é história para boi dormir que as Farc iriam libert