
Amorim, no Correio do Povo.
Quando as instituições são vilipendiadas por quem deveria delas tomar conta, quando as leis são desprezadas para favorecer os apanigüados do poder, quando jornalistas fecham propositalmente os olhos para desmandos dos representantes públicos, quando pessoas esclarecidas preferem trocar ofensas a debater informações, quando apenas branco e preto sobrevivem como matizes ideológicas válidas… a democracia é solapada. O resultado, acredite, pode ser muito pior do que a gente imagina.
Do UOL, que reproduziu informações publicadas hoje no Estadão:
“A cúpula do crime organizado quer ter representação política. Depois de entrar no tráfico internacional de drogas, o Primeiro Comando da Capital (PCC) quer se aproximar dos partidos políticos e financiar campanhas eleitorais. Seus líderes consideram que a ‘família’ pode garantir muitos votos aos seus escolhidos e têm capacidade de mobilização em 10 Estados. “Muitos partidos políticos não têm essa força”, afirmou Daniel Vinícius Canônico, o Cego, porta-voz do líder máximo da organização, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.… Em seguida, Carambola e Canônico questionam o advogado sobre qual candidato a prefeito de São Paulo a facção deveria apoiar. Wesley conta quem são os pré-candidatos de partidos como DEM, PSDB e PT. Nesse trecho, a interceptação do diálogo ficou truncada. Aparentemente, os criminosos discutem como se aproximar dos partidos, doando dinheiro aos tesoureiros para financiar campanhas – há quem desconfie que a facção estaria pensando em se apossar do dinheiro das doações dadas aos partidos.”
Para a íntegra, clique aqui.
“… O moralizador e o homem moral são figuras diferentes, se não opostas. 1) O homem moral se impõe padrões de conduta e tenta respeitá-los; 2) O moralizador quer impor ferozmente aos outros os padrões que ele não consegue respeitar.”
Paulo Henrique Amorim tem desancado vários jornalistas, inclusive eu, acusando esses profissionais de servirem aos interesses do banqueiro Daniel Dantas na briga pelas teles.
Quando PHA estava contratado pelo iG era fácil saber o motivo dos ataques. O portal é um braço da Brasil Telecom, controlada pelos fundos de pensão e pelo Citigroup. Os dois disputavam com Dantas o controle da operadora e, para sustentar suas teses nos tribunais, usaram os jornalistas da casa, pagos a peso de ouro, para desqualificar qualquer notícia ou veículo considerados prejudiciais a seus interesses. O próprio PHA, aliás, reconheceu em seu blog ter sido contratado pela sua notória capacidade de “vigiar” Dantas.
Curiosamente, a perspectiva de um acordo entre Citi, os fundos e o dono do Opportunity esmaeceu as tintas dos ataques patrocinados pelo iG. Façam uma pesquisa e verão o que digo.
Parece lógico supor que as diatribes, bem como os jornalistas que tinham a tarefa de promovê-las, deixaram de ser ajuda. Tornaram-se empecilho. Também é razoável deduzir que alguns dos detratores, por motivos que nada têm a ver com o jornalismo, se renderam aos novos tempos. Outros, também por várias razões, não aceitaram as alterações no jogo.
Deve ter sido o caso de PHA, que perdeu o emprego de forma estrepitante. Poucas horas depois, ele montou um novo site para continuar atirando. A metralhadora giratória, agora, é disparada também contra alguns dos ex-empregadores, além de assessores, empresários e o que mais vier pela frente. Até colegas que foram extremamente leais a ele, PHA, no passado entraram na mira.
O motivo declarado por PHA para seu comportamento belicoso foi que Dantas grampeou sua mulher e sua filha. Portanto, ele faz qualquer coisa, até pacto com o diabo, para pegá-lo.
Ora, se Dantas fez mesmo o que PHA fala, o ódio é compreensível. Fácil entender a gana de fazer com que o banqueiro seja mortificado publicamente, que empobreça, que vá preso, que pague pelo crime de alguma forma.
Só não dá para chamar isso de jornalismo. Muito menos se aproveitar da boa fé dos leitores, ou da propensão que alguns internautas têm de usar a rede como campo de guerra, para atacar os jornalistas que não têm raiva de “a”, ou de “b”, e fazem seu trabalho sem a intenção de destruir a vida dos outros.
Segundo PHA, a obstinação em acabar com Dantas nada tem a ver com dinheiro, associações ou amizades. O ódio, contudo, é capaz de turvar a visão sobre os elos que cultiva.
Deixo vocês com Diogo Mainardi, na Veja desta semana:
“…Os jornalistas que foram afastados da grande imprensa procuraram se reciclar na internet. Eles cancelaram o passado e se apresentaram como promotores de um jornalismo independente e transparente, trombeteando a internet como o caminho para o futuro. Na realidade, o que ocorreu foi o contrário: eles retomaram algumas das práticas mais antigas e mais imundas do jornalismo, como a chantagem, a mentira, a propaganda do poder e a matéria paga.O internauta bocó, da risada enlatada e da claque, certamente é mais propenso a ser ludibriado pela imprensa marrom instalada na internet. Por sorte, os instrumentos para policiar esse tipo de jornalismo encontram-se na própria internet. Posso mostrar como isso acontece, citando um caso menor, muito menor.
Recentemente, Paulo Henrique Amorim foi demitido do iG. No dia seguinte, ele abriu um blog com seu nome. Um leitor sugeriu que eu desse uma espiada no registro do blog. Descobri que seu servidor era a Nexxia. A Nexxia pertence a Luiz Roberto Demarco, aquele da Lojinha do PT, o comércio on-line dos produtos licenciados pelo partido para arrecadar fundos eleitorais: bonés, camisetas, broches, relógios. Fiz um podcast sobre o assunto. Paulo Henrique Amorim me chamou de mentiroso, mas imediatamente tratou de mudar o servidor.
… Fui escarafunchar o novo registro do blog de Paulo Henrique Amorim… Nesse jogo de propriedades cruzadas, Paulo Henrique Amorim tem o domínio da Nexxy (empresa de Demarco) e a Nexxy tem o domínio de Paulo Henrique Amorim.
… Tanto o blog de Paulo Henrique Amorim quanto o domínio da Nexxy foram registrados com o mesmo documento: 003.534.337/0001-77. Uma rápida consulta no site da Receita Federal permite dizer que esse é o número de CNPJ da Nexxy. Paulo Henrique Amorim escondeu o homem da Lojinha do PT, mas ele continua lá, dando as cartas. Pelo menos até o momento em que redijo este artigo.”
E agora? Como fica?
PHA é apenas um da turba de acusadores. E os outros? Provavelmente continuarão se escorando no “bom jornalismo”, no mito de Davi contra Golias, para justificar seus ataques. Especialmente quando seus contratos nababescos acabarem, ou forem rescindidos _ o que acontecerá, mais dia ou menos dia.
A verdade, porém, é que essas pessoas estão a serviço do ódio. Um tipo de ódio lucrativo e, por isso mesmo, cuidadosamente alimentado com fatos ou com falácias.

A charge é do Amarildo e foi publicada na Gazeta Online.
Guilherme Barros, colunista da Folha, cravou hoje: os sócios da Brasil Telecom entraram em acordo para vender a operadora para a Oi (ex-Telemar). Os papéis serão firmados na próxima semana.
Nasce a BrOi _ ou Telezona, alcunha que considero mais adequada, levados em consideração fatores como as dificuldades entre os acionistas, o tamanho da companhia que resultará da fusão e que o negócio, contra a lei, só foi fechado porque o Planalto atuou em benefício de empresários que financiaram sua campanha.
Como disse antes, começa aí uma nova guerra, talvez até mais sangrenta. De um lado ficam no ringue os fundos de pensão e a ala sindical do PT. De outro, La Fonte (Carlos Jereissati), Andrade Gutierrez (Sérgio Andrade) e assessores próximos ao presidente Lula.
Meu palpite é que você já pode sentir o pulso dessa história nas páginas dos jornais. Como vazou o dossiê pega-tucano que respinga na ministra Dilma Roussef, grande patrocinadora do acordo? E a volta ao noticiário da Bancoop, que pega mal para os petistas bancários, cuja ligação com os fundos de pensão é estreita, tem dedo de quem?
Fogo amigo, caro. E ainda vai sapecar muita gente.
Detalhes de como o acordo será colocado no papel estão na coluna Radar, do Lauro Jardim.
Quem quiser ver os comentários precisa clicar em “preview”. Aí aparece uma página cinza _ é lá, mais para baixo, que eles estão saindo. Se nada mais der errado, até segunda-feira o problema estará resolvido, ok?
PS: Talvez demore mais, pessoal. A Cris, do Feira Livre, que cuida da página para mim, está doente e só volta ao batente daqui a tempinho.
A notícia de hoje que me deixou encafifada nada tem com a Telezona ou o vazamento das contas de Fernando Henrique Cardoso, cobertura que ocupa boa parte dos cadernos de política. (Aliás, a discussão sobre a existência do dossiê é bizantina _ até os pombos que ficam em frente ao Planalto sabem como é o modus operandi do atual governo.) A informação intrigante refere-se ao território amazônico e saiu na Folha em forma de notinha:
“MP ALTERA LEGISLAÇÃO FUNDIÁRIA NA AMAZÔNIAAssinada ontem pelo presidente Lula, a décima medida provisória deste ano amplia de 500 hectares para até 1.500 hectares as propriedades fundiárias na Amazônia Legal passíveis de regularização sem a necessidade de licitação. A dispensa abrange áreas de até 15 módulos fiscais. De acordo com o diretor de Ordenamento da Estrutura Fundiária do Incra, Roberto Kiel, a MP poderá legalizar cerca de 90% dos posseiros da região.”
O Estadão tocou no assunto ontem, mas também foi econômico nas explicações do que a medida representa, a quem beneficia e a quem desagrada.
“Eu recomendo o blog de Paulo Henrique Amorim. Mas é preciso saber ler direito.” O autor da frase? Diogo Mainardi, colunista da Veja, em seu podcast da semana.
Para ouvir, clique aqui. Se preferir a íntegra do texto, a página é outra.
A análise de Mainardi é um vendaval. Nenhum dos citados fica em pé ao fim. E ele fala de todos, ou quase todos, os envolvidos na bagunça da Telezona.
Pode gravar aí que virão atrás de Mainardi. Como diria Nelson Rodrigues, na intenção de chupar-lhe a carótida como se fosse um morango.