17 de fevereiro de 2008

Resposta

Eis que Luís Nassif cita meu nome na briga das teles. Compreendo. Dissecado página a página, o documento publicado por Diogo Mainardi, da Veja, é mesmo um petardo. Era previsível uma reação.

Seguem algumas considerações:

1) Cobri o caso das teles para a Folha de S.Paulo entre 2005 e 2007. Meu cargo era o de repórter e, como tal, meus textos eram submetidos a várias pessoas antes de irem para a página. Como Nassif bem sabe, apenas colunistas têm a prerrogativa de escrever o que dá na telha e só receberem críticas depois da publicação.

2) Logo, se eu, como insinua o colunista, participasse de uma “orquestração” a favor de Daniel Dantas, teria de fazê-lo mancomunada com o jornal _ o mesmo em que Nassif trabalhava. É uma tese ridícula.

3) Nassif sustenta que as matérias escritas por mim serviram para Dantas mover sua guerra jurídica. Seguindo a mesma lógica, cabe a pergunta: as colunas que Nassif escreve têm servido para embasar os advogados de Luís Roberto Demarco, dos fundos de pensão e da Telecom Itália?

4) Nassif diz que meu nome foi citado na Justiça por Rodrigo Andrade, ex-funcionário do Opportunity. Sim, Andrade foi minha fonte, como tantos outros. Luís Roberto Demarco também costumava ser. Mas eu nunca copiei parte de releases dele.

5) Nassif tem medo de os processos serem “contaminados” com os tais documentos da Itália. Teme ainda que a Justiça faça bagunça na hora de separar o joio do trigo. Eu não tenho receio, pois não sou parte interessada nos autos e acredito que juízes têm discernimento suficiente para desvendar a história.

6) Óbvio que não gosto de ver meu nome no meio dessa balbúrdia, mas não vou mudar minha opinião: é bom para o leitor saber o que acontece nos bastidores.

7) Pedi demissão da Folha, que me convidou para ficar por lá. Espero que o jornal não leve anos para confirmar.

Por fim, fico triste que Nassif faça tão mau juízo de mim. Eu costumo ler as colunas dele, inclusive as antigas. Lembro de uma onde previa que o iG teria um triste destino:

“… Além disso, a fonte de recursos do iG secou, e, para seus acionistas, cada dia de vida nunca é mais, é sempre menos. Nesse quadro, a prioridade máxima acaba sendo a de se livrar dos prejuízos futuros, não a de se ressarcir dos investimentos passados….

… O iG, infelizmente, já é uma página virada.”

Pois é. O iG não morreu, tanto que Nassif hoje trabalha lá. A fonte também não secou, aparentemente, pois consta que o empresário ganha um bom dinheiro. Merece. Seu gosto musical é impecável.

Eu, quando estava na Folha, nunca pude bancar minhas previsões. Não era colunista. O mais perto que cheguei de vaticínos foram entrevistas com pessoas afirmando que o governo queria entregar a BrT para a Telemar. Ah, e as reportagens nas quais informava sobre o caso da Itália, dizendo que ele iria cair como uma bomba no Brasil. Veja você.

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