Mais uma onda de ataques vinda do iG, o portal mais, hmm, como direi?, isento do país. Desta vez, o agente é Paulo Henrique Amorim.
Aparentemente, ele está uma vara comigo. Os motivos, pelo que entendi, são:
1) a desembargadora que cuida do caso Avner Shemesh levou em consideração uma matéria que escrevi na Folha , em 2006, para mandar trazer documentos dos tribunais europeus que revelam uma rede de espionagem e venda de informações coordenada pela Telecom Itália;
2) uma fonte minha, Rodrigo Andrade, afirmou em juízo que eu passei informações sobre o empresário Luís Roberto Demarco.
Minhas considerações:
- No processo Avner Shemesh, o Ministério Público tenta provar que Luís Demarco e Paulo Henrique Amorim foram grampeados pelo israelense Avner Shemesh a mando de Daniel Dantas à época do caso Kroll. Demarco é assistente da acusação.
- Eu e Diogo Mainardi, colunista da Veja, escrevemos sobre os documentos da Itália. Mainardi, inclusive, colocou os papéis na internet. Até agora, quase 5 mil pessoas baixaram o que foi divulgado.
- Isso desencadeou uma reação violenta. A estratégia, antiga, é a de atingir o mensageiro para desqualificar a mensagem.
- E o que contêm esses documentos para incomodar tanto a turma do iG? Várias são as hipóteses. No caso Shemesh, creio que é porque testemunhas afirmaram ao Ministério Público de Milão que Demarco recebia dinheiro não declarado da Telecom Itália, tinha contato direto com a equipe que praticava as ilegalidades e chegou a indicar um hacker para os colegas italianos.
- As testemunhas também afirmam que a Kroll e Demarco foram espionados pela Telecom Italia. A operadora duvidava da fidelidade do empresário na briga pela BrT. Acreditava que ele poderia estar trabalhando, também, para os fundos de pensão (os donos do iG).
- TROCANDO EM MIÚDOS, os papéis vindos da Europa podem interferir diretamente no caso Shemesh. Lançam a possibilidade de que os grampos plantados pelo israelense, se existiram, tenham sido feitos por ordem da Telecom Italia. Isso contraria, aparentemente, os interesses de Paulo Henrique Amorim e de Luís Demarco, que há anos movem uma batalha pessoal contra o banqueiro Daniel Dantas.
(Imagine o piti que esse povo vai ter ao descobrir que Diogo Mainardi já mandou provas ao Procurador-Geral da República, atestando que o teor do material divulgado na internet foi checado com Giuliano Tavaroli, o ex-capo mundial do serviço de espionagem da Telecom Italia…)
- Segundo Paulo Henrique Amorim, Rodrigo Andrade disse que sou fonte dele. Ah, é? E o que eu teria falado sobre Demarco? Eu não sei. O caso corre sob segredo de Justiça. Mas, se me explicarem o que é, digo se é verdade ou não.
- Quando uma testemunha cita meu nome em um processo, Paulo Henrique lança dúvidas sobre minha honestidade e acha que é uma história de interesse nacional. Quando uma testemunha italiana cita o nome de Demarco e do ex-chefe da Abin, ele acha que isso nada prova e que a divulgação do depoimento é uma armação. Uma lógica bisonha.
Por fim, Paulo Henrique Amorim lança a hipótese de que eu ande sobre as águas (!). Não ando. Mas também não sou nenhuma nefelibata: sei exatamente o que está acontecendo. Fiz meu trabalho direito, além dos dossiês entregues pelos lobistas. Isso feriu _ e continua ferindo _ os interesses financeiros e a imagem de muita gente. Agora eles querem retaliação e, para tanto, insistem em manipular seus leitores com a história do Davi contra Golias.
Golias, meus caros, são os fundos de pensão. E eles pagam o salário do pessoal do iG, não o meu.
A virulência dos ataques contra mim é explicada pelas perdas que esse pessoal poderá sofrer com a venda da BrT à Telemar. Se isso acontecer, para desespero dos franco-atiradores, Dantas vai ganhar um dinheirão em um negócio escandaloso. E de quem vem esse tutu? Dos amigos de Paulo Henrique e Demarco. Os serviços de lobistas para interferir na linha de cobertura da imprensa, por outro lado, tornam-se desnecessários. É compreensível que estejam roendo a quina da mesa de ódio.
Fica a pergunta: esses ataques podem até animar meia dúzia, mas será que os novos donos vão querer por perto colaboradores tão espalhafatosos? Afinal, enquanto todo mundo na República tenta abafar os papéis da Itália, o pessoal do iG, mesmo que por motivos tortos, coloca o assunto em evidência.
Só dá para agradecer.