Arquivo de fevereiro de 2008

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Havaí e Santo André

Da coluna de hoje do Claudio Humberto:

“Rocha Mattos: ex-mulher abre o bico

Em liberdade após quatro anos de prisão por envolvimento na Operação Anaconda com o ex-marido, juiz federal João Carlos da Rocha Mattos, que está preso, Norma Cunha diz ter revelações no caso do prefeito assassinado de Santo André, Celso Daniel. A primeira: era sócia oculta da agência de câmbio e turismo Havaí, investigada na CPI dos Bingos por suposta lavagem de dinheiro das contas da prefeitura no exterior.”

“Laços de família

Acusada de ser tesoureira da quadrilha de Rocha Mattos na venda de sentenças e lavagem de dinheiro, é cunhada da dona da Havaí, Neuma.”

“Mistério das contas

Neuma Kodama negou na CPI conhecer o suposto ‘esquema de Santo André’, mas Norma teria provas de quem as movimentou e sacou.”

“Mistério do morto

Seriam US$ 48 milhões para a campanha de Lula, de “caixinha ilícita”, movimentados mesmo após a morte de Celso.”

“Verdade ou blefe?

Promotor de Santo André, Roberto Wider desconhece a movimentação pós-morte, que a família de Celso confirma, mas Norma diz ter provas.”

Vale relembrar a revista Veja de 12 de novembro de 2003, que trouxe uma reportagem sobre supostas fitas gravadas pela Polícia Federal em Santo André, logo após a morte de Celso Daniel. Elas não teriam sido anexadas ao processo, mas sido guardadas pelo juiz que cuidava do assunto: Rocha Mattos. E onde ele disse que deixou as fitas? Na casa da ex-mulher, Norma Cunha. Leia a íntegra.

Mais tarde, Rocha Mattos acusou vários integrantes do governo de atrapalhar as investigações.

A sra. Kodama foi ouvida pela CPI dos Bingos em 9 de março de 2006. Na mesma sessão, os parlamentares ouviram o delegado Valencise (aquele que foi mandado embora há dois dias) sobre o esquema de Ribeirão Preto. Para ler os depoimentos, clique aqui.

A volta da Havaí e de Kodama aos holofotes pode ajudar a esclarecer pendências deixadas no caso do mensalão: Bônus Banval, Garanhuns, o papel de vários doleiros…

É esperar para ver se dá em alguma coisa. E torcer para que não morra mais ninguém nessa história.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Passatempo

Nunca tive paciência para quebra-cabeças ou joguinhos de montar. Em contrapartida, posso ficar horas pesquisando, quietinha, publicações antigas. Acho divertidíssimo fuçar a internet, cruzar dados, traçar elos entre personagens de histórias que, a princípio, parecem distantes.

Há pouco, por exemplo, procurei informações sobre Rogério Buratti, o assessor que renegou as acusações de corrupção feitas por ele próprio contra Antônio Palocci em 2005, quando o último ainda era ministro da Fazenda.

A volta atrás de Buratti ocorreu em junho de 2007, mas foi divulgada apenas na semana passada. Mereceu duras críticas do delegado que cuidava do caso _ o mesmo que foi demitido ontem por “decisão administrativa” tomada pelo governo de São Paulo. Coincidência? A Secretaria de Segurança é que deveria explicar.

Não dispersemos, todavia. Encontrei coisas interessantes sobre o tema da pesquisa. Em 9 de novembro de 2005, a repórter Ana D’Ângelo publicou uma matéria no Correio Braziliense sobre o depoimento que dois assessores de Palocci, Buratti e Vladimir Poleto, dariam à CPI dos Bingos. Dê uma olhadinha nesse trecho:

Vladimir Poleto também será questionado sobre suas relações com a empresa Tecnosistemi Brasil Ltda. Ele recebeu 35 ligações de um telefone celular registrado em nome da empresa entre abril e junho de 2003. Foram no total uma hora e 10 minutos de conversas. A Tecnosistemi está envolvida numa história nebulosa. Com falência decretada desde o final de 2003 e uma calote de R$ 100 milhões no mercado, ela constou de relatório feito pela empresa internacional de investigação Kroll revelado no ano passado. Os investigadores da Kroll afirmaram que a empresa era responsável por fazer pagamento de propinas a prefeituras paulistas para obter autorização para instalar torres de transmissão para a operadora de telefonia TIM.

Os italianos estão em todas, até eu me impressiono. Deve ser por isso que o pessoal fica tão bravo quando alguns __ eu, inclusive __ defendem que a Justiça brasileira peça ao Ministério Público de Milão os testemunhos que falam sobre os esquemas conduzidos por empresas da Itália no Brasil. Ah, e aquele CD, mencionado pelo Corriere della Sera, com o nome dos políticos locais que receberam propina italiana _ “tangenti”, no original.

Não pára por aí. A matéria do Correio trazia outras informações que poderiam ser alvo de um pente-fino. Especialmente aquelas que se referem a Araçatuba, região boa, quente e rica, que vem atraindo muitos angolanos. O pessoal de Ribeirão e Araçatuba, aliás, a-do-ra Luanda. Não é, não, galerinha?

A íntegra da reportagem de Ana D’Ângelo está aqui. Para ler outras matérias daquele tempo, basta clicar.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Intervalo

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Comissões

Está marcada para hoje a eleição dos componentes das mesas das comissões da Câmara. Fique de olho.

Ontem, o PT informou que ficará com a presidência das três que, na prática, são as mais importantes: Finanças, Ciência e Tecnologia e a de Desenvolvimento Econômico.

O PMDB ficou com Defesa do Consumidor, Constituição e Justiça, Educação e Desenvolvimento Urbano. O PTB, por sua vez, ganhou a Comissão de Trabalho.

Além de garantir o comando do grupo que vai analisar a reforma tributária _ o que sempre dá um Ibope danado para seus integrantes _, o PT estará no leme da Comissão de Ciência e Tecnologia no ano em que terminam as concessões das Tvs Globo, Record, Band e SBT.

Não é pouca coisa.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Quem explica?

Leio na Folha de hoje:

“O delegado seccional de Ribeirão Preto, Benedito Antônio Valencise, 58, foi demitido ontem por telefone. A Secretaria da Segurança Pública disse que foi decisão administrativa. Ele ganhou notoriedade ao apurar a existência de suposta máfia do lixo, que teria agido na época em que o ex-ministro Antonio Palocci era prefeito. A demissão ocorre uma semana após a divulgação de um retratação de Rogério Buratti.”

DECISÃO ADMINISTRATIVA?

Que beleza o governo de São Paulo! Afinadinho com Brasília. Segue os padrões de administração traçados pelo governo federal.

Não sei quanto a você, mas eu quero saber que raio de “decisão administrativa” é essa. E que fique claro o apito tocado pelo novo delegado. O governo paulista deve a prestação dessa conta.

É cada vez mais revoltante o absoluto descaso dos ocupantes do poder, e de seus apaniguados, com o funcionamento de uma sociedade democrática. Essa gente defende uma polícia que não pode investigar, um Ministério Público que não pode acusar e jornalistas que não podem informar.

(Minto. É pior! Eles querem uma polícia que só investigue o suficiente para garantir seus próprios interesses, querem procuradores sob tutela partidário-ideológica e jornalistas virados em marionetes.)

E, sob a desculpa de que eles são “de esquerda” e que o país sofria “o mesmo” com os coronéis da política, com a ditadura, nós, que também tínhamos orgulho de ser “de esquerda”, vamos deixando.

Isso ainda vai acabar mal. Muito mal.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

O anel de Polícrates e o scarpin de Lula

Muitas histórias deixou-nos Heródoto, inclusive a de Polícrates, rei que governou a ilha de Samos há quase dois mil e quinhentos anos.

Consta que Polícrates fazia jus ao próprio nome, cujo significado era “o que tem muitos poderes”. Extremamente rígido, cruel até, ele governou com mão de ferro. Astuto, fortaleceu seu reinado por meio de uma série de alianças. Comandou frotas portentosas e ergueu grandes obras, entre elas um aqueduto conhecido em toda a Grécia e um dos mais famosos templos de Hera.

Nada dava errado na vida do tirano. Isso chamou a atenção de um de seus aliados, Amásis, faraó do Egito. Desconfiado do excesso de sorte, ponderou ao amigo que tanta alegria era, também, um alerta _ não convinha causar inveja aos moradores do Olimpo. Para aplacar qualquer possibilidade de retaliação, palpitou, o rei de Samos devia fazer um sacrifício e ofertar aos deuses o bem que mais apreciava.

Assim fez Polícrates, lançando ao mar seu anel. Passados alguns dias, contudo, a jóia reapareceu diante do soberano durante um banquete. Tinha sido engolida por um peixe que, trazido à cozinha real pelos pescadores de Samos, transformou-se na iguaria servida ao rei.

Mais feliz que de costume, correu ao faraó para contar-lhe o ocorrido. Amásis, porém, tomou o retorno do anel como um sinal. Desfez imediatamente seu trato com o soberano grego. Nenhum homem pode contar com sorte incondicional, muito menos gabar-se dela, pois não é dado aos humanos uma vida sem desespero.

Ao que tudo indica, Amásis estava certo. Tempos depois, Polícrates morreu assassinado de forma cruel. Foi traído e empalado. Nem seu corpo inerte teve descanso, vítima de crucificação.

Não sei se o presidente Lula, o sortudo, conhece essa passagem de Heródoto, ou mesmo se gostaria de ouvi-la. Mas algo me diz que talvez um contador de histórias fosse de mais valia para o ocupante do Planalto do que o bando de puxa-sacos que o incentiva a desfilar por aí de salto alto, sem o menor pudor, sem a menor prudência.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Senhorinha

O nome ficou perdido em algum bloco de anotações e acabou pelo tempo apagado. A fisionomia, porém, carrego na superfície da memória.

Quando a vi, estava sentada em uma espécie de balanço, a cabeça branquinha e a pele vincada, papel que o tempo dobrou e redobrou sem cuidados de belezura. Tinha a atenção voltada a um ponto só percebido por seus olhos cegos _ a vista exauriu depois de 102 anos passados ali, na aba do leito amazônico. Ribeirinha, ela, como tinham sido seus pais e como, mais tarde, foram os que saíram de suas entranhas.

Naqueles dias, estava quase sozinha. A prole havia sido espalhada pelo destino. Para garantir os cuidados que a velhice impõe sobrara uma só filha. Da janela, a moça de voz arrastada explicava brasilidades para o repórter estrangeiro. A mãe, no silêncio, se balouçava.

O motivo do encontro não era festivo. A iminência da construção de usinas no Madeira havia deflagrado visitas ao povo que morava na beira do rio. A licitação sequer tinha sido feita, mas isso não impediu que começassem a ferver grileiros na região. Ofertavam R$ 3 mil pelas casinhas de madeira, desde que o dono tivesse o certificado do terreno.

Em três dias andando pelos caminhos do rio, não encontrei quem os tivesse. Posse, ali, era coisa de boca para boca. Documentos são para aqueles cuja existência o Estado reconhece. Não era o caso da senhorinha e de sua filha. Isso não quer dizer que fossem bobas: “Eles só querem tomar o que é nosso baratinho”, disse ela, olhar oco de boneca. “Eu enxergo longe, minha filha.”

Dois anos depois, é certo que as usinas vão sair do papel. Não sei o que foi feito daquela mulher com aparência tão sofrida e da sua companheira. Nem sei se foi batido o martelo com o valor das indenizações para quem testemunhar a casa inundada.

Tenho esperança de que ambas não acabem como os ribeirinhos desalojados para a construção de Samuel, no rio Jari, meados dos anos 80. Muitos não receberam um tostão _ o dinheiro sumiu nos escaninhos da burocracia. Analfabetos e sem recursos, foram morar em uma vila esquecida no meio do mato. Lá, suprema ironia!, nunca chegou a luz elétrica. É um lugar suspenso entre o presente e o futuro, onde os acertos com Deus são feitos à luz dos lampiões e das estrelas que pontilham o céu da Amazônia.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Para desanuviar

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Resposta – 3

Mais uma onda de ataques vinda do iG, o portal mais, hmm, como direi?, isento do país. Desta vez, o agente é Paulo Henrique Amorim.

Aparentemente, ele está uma vara comigo. Os motivos, pelo que entendi, são:

1) a desembargadora que cuida do caso Avner Shemesh levou em consideração uma matéria que escrevi na Folha , em 2006, para mandar trazer documentos dos tribunais europeus que revelam uma rede de espionagem e venda de informações coordenada pela Telecom Itália;

2) uma fonte minha, Rodrigo Andrade, afirmou em juízo que eu passei informações sobre o empresário Luís Roberto Demarco.

Minhas considerações:

- No processo Avner Shemesh, o Ministério Público tenta provar que Luís Demarco e Paulo Henrique Amorim foram grampeados pelo israelense Avner Shemesh a mando de Daniel Dantas à época do caso Kroll. Demarco é assistente da acusação.

- Eu e Diogo Mainardi, colunista da Veja, escrevemos sobre os documentos da Itália. Mainardi, inclusive, colocou os papéis na internet. Até agora, quase 5 mil pessoas baixaram o que foi divulgado.

- Isso desencadeou uma reação violenta. A estratégia, antiga, é a de atingir o mensageiro para desqualificar a mensagem.

- E o que contêm esses documentos para incomodar tanto a turma do iG? Várias são as hipóteses. No caso Shemesh, creio que é porque testemunhas afirmaram ao Ministério Público de Milão que Demarco recebia dinheiro não declarado da Telecom Itália, tinha contato direto com a equipe que praticava as ilegalidades e chegou a indicar um hacker para os colegas italianos.

- As testemunhas também afirmam que a Kroll e Demarco foram espionados pela Telecom Italia. A operadora duvidava da fidelidade do empresário na briga pela BrT. Acreditava que ele poderia estar trabalhando, também, para os fundos de pensão (os donos do iG).

- TROCANDO EM MIÚDOS, os papéis vindos da Europa podem interferir diretamente no caso Shemesh. Lançam a possibilidade de que os grampos plantados pelo israelense, se existiram, tenham sido feitos por ordem da Telecom Italia. Isso contraria, aparentemente, os interesses de Paulo Henrique Amorim e de Luís Demarco, que há anos movem uma batalha pessoal contra o banqueiro Daniel Dantas.

(Imagine o piti que esse povo vai ter ao descobrir que Diogo Mainardi já mandou provas ao Procurador-Geral da República, atestando que o teor do material divulgado na internet foi checado com Giuliano Tavaroli, o ex-capo mundial do serviço de espionagem da Telecom Italia…)

- Segundo Paulo Henrique Amorim, Rodrigo Andrade disse que sou fonte dele. Ah, é? E o que eu teria falado sobre Demarco? Eu não sei. O caso corre sob segredo de Justiça. Mas, se me explicarem o que é, digo se é verdade ou não.

- Quando uma testemunha cita meu nome em um processo, Paulo Henrique lança dúvidas sobre minha honestidade e acha que é uma história de interesse nacional. Quando uma testemunha italiana cita o nome de Demarco e do ex-chefe da Abin, ele acha que isso nada prova e que a divulgação do depoimento é uma armação. Uma lógica bisonha.

Por fim, Paulo Henrique Amorim lança a hipótese de que eu ande sobre as águas (!). Não ando. Mas também não sou nenhuma nefelibata: sei exatamente o que está acontecendo. Fiz meu trabalho direito, além dos dossiês entregues pelos lobistas. Isso feriu _ e continua ferindo _ os interesses financeiros e a imagem de muita gente. Agora eles querem retaliação e, para tanto, insistem em manipular seus leitores com a história do Davi contra Golias.

Golias, meus caros, são os fundos de pensão. E eles pagam o salário do pessoal do iG, não o meu.

A virulência dos ataques contra mim é explicada pelas perdas que esse pessoal poderá sofrer com a venda da BrT à Telemar. Se isso acontecer, para desespero dos franco-atiradores, Dantas vai ganhar um dinheirão em um negócio escandaloso. E de quem vem esse tutu? Dos amigos de Paulo Henrique e Demarco. Os serviços de lobistas para interferir na linha de cobertura da imprensa, por outro lado, tornam-se desnecessários. É compreensível que estejam roendo a quina da mesa de ódio.

Fica a pergunta: esses ataques podem até animar meia dúzia, mas será que os novos donos vão querer por perto colaboradores tão espalhafatosos? Afinal, enquanto todo mundo na República tenta abafar os papéis da Itália, o pessoal do iG, mesmo que por motivos tortos, coloca o assunto em evidência.

Só dá para agradecer.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Os três fantasmas

Ir atrás de notícias sobre PC Farias é garantia de muitas e muitas horas na internet. Uma história puxa a outra e a gente acaba tropeçando em informações deveras interessantes.

As que estão abaixo, por exemplo, foram tiradas do blog Celso Daniel:

“Celso Daniel, falecido: no paraíso

Ao abrir o inventário, Bruno Daniel, irmão do prefeito assassinado de Santo André (SP), Celso Daniel, descobriu a existência de contas bancárias em paraísos fiscais, mas com o detalhe particularmente petista: o falecido assinou cheques depois de morto. Bruno, exilado em Paris temendo pela sua vida, receberá dia 4 o passaporte de refugiado político e planeja uma entrevista coletiva explicando a razão do asilo.”

COMO ASSIM? Uma notícia importante dessas era para ser, no mínimo, chamada de capa de jornal! Vão esperar o Bruno Daniel também ser assassinado?

É mesmo um absurdo.

Outra página imperdível que resvala em PC Farias é a que traz uma extraordinária reportagem sobre a morte de Toninho, o prefeito de Campinas. O texto é de Marina Amaral, escrito para a Caros Amigos. Aí vão alguns trechos:

“… O então futuro prefeito [Toninho] fez mais: em novembro de 1999, entregou um dossiê à CPI do Narcotráfico, em Brasília, sobre Zini e Almeida Jr., suspeitos de ligações com o crime organizado.

A passagem da CPI do Narcotráfico por Campinas, uma semana depois, conferiu à cidade mais industrializada do interior de São Paulo e um dos principais pólos tecnológicos do país o triste título de centro logístico e financeiro do crime organizado: do tráfico de drogas ao roubo de cargas, passando pela lavagem de dinheiro, Campinas é também a terceira maior praça bancária do país…

E as suspeitas de Toninho seriam confirmadas: Zini foi indiciado por lavagem de dinheiro, receptação de cargas roubadas e sonegação fiscal. Nas contas do Guarani, presidido por ele durante onze anos (até junho de 1999), foram encontrados depósitos do esquema PC Farias e os deputados comprovaram a ligação do ex-cartola com o empresário William Sozza, braço campineiro de uma superquadrilha com conexões no Maranhão, Acre e Alagoas, liderada pelo deputado cassado Hildebrando Paschoal, Augusto César Farias – o irmão de PC indiciado por seu assassinato – e o então deputado estadual maranhense José Gerardo de Abreu.

…A hipótese de o crime estar relacionado às atitudes de Toninho como fiscal da cidade antes de ser eleito e depois, como prefeito, também nunca foi investigada. Nenhum dos muitos empresários que tiveram interesses prejudicados – em alguns casos, em milhões de reais por contratos rompidos ou obras embargadas – foi nem sequer convocado a depor. Nem mesmo aqueles acusados de participar do crime organizado, apesar da atuação suspeita de policiais de Campinas denunciados pelo mesmo motivo.”

Celso Daniel, Toninho, PC _ três grandes mistérios. Quem sabe um dia a gente descubra o que realmente aconteceu com esses homens que perderam a vida, ao que tudo indica, por conta da zona cinzenta onde política e o dinheiro sujo se encontram.