"Rocha Mattos: ex-mulher abre o bico
Em liberdade após quatro anos de prisão por envolvimento na Operação Anaconda com o ex-marido, juiz federal João Carlos da Rocha Mattos, que está preso, Norma Cunha diz ter revelações no caso do prefeito assassinado de Santo André, Celso Daniel. A primeira: era sócia oculta da agência de câmbio e turismo Havaí, investigada na CPI dos Bingos por suposta lavagem de dinheiro das contas da prefeitura no exterior."
"Laços de família
Acusada de ser tesoureira da quadrilha de Rocha Mattos na venda de sentenças e lavagem de dinheiro, é cunhada da dona da Havaí, Neuma."
"Mistério das contas
Neuma Kodama negou na CPI conhecer o suposto 'esquema de Santo André', mas Norma teria provas de quem as movimentou e sacou."
"Mistério do morto
Seriam US$ 48 milhões para a campanha de Lula, de "caixinha ilícita", movimentados mesmo após a morte de Celso."
"Verdade ou blefe?
Promotor de Santo André, Roberto Wider desconhece a movimentação pós-morte, que a família de Celso confirma, mas Norma diz ter provas."
Vale relembrar a revista Veja de 12 de novembro de 2003, que trouxe uma reportagem sobre supostas fitas gravadas pela Polícia Federal em Santo André, logo após a morte de Celso Daniel. Elas não teriam sido anexadas ao processo, mas sido guardadas pelo juiz que cuidava do assunto: Rocha Mattos. E onde ele disse que deixou as fitas? Na casa da ex-mulher, Norma Cunha. Leia a íntegra.
Mais tarde, Rocha Mattos acusou vários integrantes do governo de atrapalhar as investigações.
A sra. Kodama foi ouvida pela CPI dos Bingos em 9 de março de 2006. Na mesma sessão, os parlamentares ouviram o delegado Valencise (aquele que foi mandado embora há dois dias) sobre o esquema de Ribeirão Preto. Para ler os depoimentos, clique aqui.
A volta da Havaí e de Kodama aos holofotes pode ajudar a esclarecer pendências deixadas no caso do mensalão: Bônus Banval, Garanhuns, o papel de vários doleiros...
É esperar para ver se dá em alguma coisa. E torcer para que não morra mais ninguém nessa história.
Nunca tive paciência para quebra-cabeças ou joguinhos de montar. Em contrapartida, posso ficar horas pesquisando, quietinha, publicações antigas. Acho divertidíssimo fuçar a internet, cruzar dados, traçar elos entre personagens de histórias que, a princípio, parecem distantes.
Há pouco, por exemplo, procurei informações sobre Rogério Buratti, o assessor que renegou as acusações de corrupção feitas por ele próprio contra Antônio Palocci em 2005, quando o último ainda era ministro da Fazenda.
A volta atrás de Buratti ocorreu em junho de 2007, mas foi divulgada apenas na semana passada. Mereceu duras críticas do delegado que cuidava do caso _ o mesmo que foi demitido ontem por "decisão administrativa" tomada pelo governo de São Paulo. Coincidência? A Secretaria de Segurança é que deveria explicar.
Não dispersemos, todavia. Encontrei coisas interessantes sobre o tema da pesquisa. Em 9 de novembro de 2005, a repórter Ana D'Ângelo publicou uma matéria no Correio Braziliense sobre o depoimento que dois assessores de Palocci, Buratti e Vladimir Poleto, dariam à CPI dos Bingos. Dê uma olhadinha nesse trecho:
"Vladimir Poleto também será questionado sobre suas relações com a empresa Tecnosistemi Brasil Ltda. Ele recebeu 35 ligações de um telefone celular registrado em nome da empresa entre abril e junho de 2003. Foram no total uma hora e 10 minutos de conversas. A Tecnosistemi está envolvida numa história nebulosa. Com falência decretada desde o final de 2003 e uma calote de R$ 100 milhões no mercado, ela constou de relatório feito pela empresa internacional de investigação Kroll revelado no ano passado. Os investigadores da Kroll afirmaram que a empresa era responsável por fazer pagamento de propinas a prefeituras paulistas para obter autorização para instalar torres de transmissão para a operadora de telefonia TIM."
Os italianos estão em todas, até eu me impressiono. Deve ser por isso que o pessoal fica tão bravo quando alguns __ eu, inclusive __ defendem que a Justiça brasileira peça ao Ministério Público de Milão os testemunhos que falam sobre os esquemas conduzidos por empresas da Itália no Brasil. Ah, e aquele CD, mencionado pelo Corriere della Sera, com o nome dos políticos locais que receberam propina italiana _ "tangenti", no original.
Não pára por aí. A matéria do Correio trazia outras informações que poderiam ser alvo de um pente-fino. Especialmente aquelas que se referem a Araçatuba, região boa, quente e rica, que vem atraindo muitos angolanos. O pessoal de Ribeirão e Araçatuba, aliás, a-do-ra Luanda. Não é, não, galerinha?
A íntegra da reportagem de Ana D'Ângelo está aqui. Para ler outras matérias daquele tempo, basta clicar.
Está marcada para hoje a eleição dos componentes das mesas das comissões da Câmara. Fique de olho.
Ontem, o PT informou que ficará com a presidência das três que, na prática, são as mais importantes: Finanças, Ciência e Tecnologia e a de Desenvolvimento Econômico.
O PMDB ficou com Defesa do Consumidor, Constituição e Justiça, Educação e Desenvolvimento Urbano. O PTB, por sua vez, ganhou a Comissão de Trabalho.
Além de garantir o comando do grupo que vai analisar a reforma tributária _ o que sempre dá um Ibope danado para seus integrantes _, o PT estará no leme da Comissão de Ciência e Tecnologia no ano em que terminam as concessões das Tvs Globo, Record, Band e SBT.
"O delegado seccional de Ribeirão Preto, Benedito Antônio Valencise, 58, foi demitido ontem por telefone. A Secretaria da Segurança Pública disse que foi decisão administrativa. Ele ganhou notoriedade ao apurar a existência de suposta máfia do lixo, que teria agido na época em que o ex-ministro Antonio Palocci era prefeito. A demissão ocorre uma semana após a divulgação de um retratação de Rogério Buratti."
DECISÃO ADMINISTRATIVA?
Que beleza o governo de São Paulo! Afinadinho com Brasília. Segue os padrões de administração traçados pelo governo federal.
Não sei quanto a você, mas eu quero saber que raio de "decisão administrativa" é essa. E que fique claro o apito tocado pelo novo delegado. O governo paulista deve a prestação dessa conta.
É cada vez mais revoltante o absoluto descaso dos ocupantes do poder, e de seus apaniguados, com o funcionamento de uma sociedade democrática. Essa gente defende uma polícia que não pode investigar, um Ministério Público que não pode acusar e jornalistas que não podem informar.
(Minto. É pior! Eles querem uma polícia que só investigue o suficiente para garantir seus próprios interesses, querem procuradores sob tutela partidário-ideológica e jornalistas virados em marionetes.)
E, sob a desculpa de que eles são "de esquerda" e que o país sofria "o mesmo" com os coronéis da política, com a ditadura, nós, que também tínhamos orgulho de ser "de esquerda", vamos deixando.
Muitas histórias deixou-nos Heródoto, inclusive a de Polícrates, rei que governou a ilha de Samos há quase dois mil e quinhentos anos.
Consta que Polícrates fazia jus ao próprio nome, cujo significado era “o que tem muitos poderes”. Extremamente rígido, cruel até, ele governou com mão de ferro. Astuto, fortaleceu seu reinado por meio de uma série de alianças. Comandou frotas portentosas e ergueu grandes obras, entre elas um aqueduto conhecido em toda a Grécia e um dos mais famosos templos de Hera.
Nada dava errado na vida do tirano. Isso chamou a atenção de um de seus aliados, Amásis, faraó do Egito. Desconfiado do excesso de sorte, ponderou ao amigo que tanta alegria era, também, um alerta _ não convinha causar inveja aos moradores do Olimpo. Para aplacar qualquer possibilidade de retaliação, palpitou, o rei de Samos devia fazer um sacrifício e ofertar aos deuses o bem que mais apreciava.
Assim fez Polícrates, lançando ao mar seu anel. Passados alguns dias, contudo, a jóia reapareceu diante do soberano durante um banquete. Tinha sido engolida por um peixe que, trazido à cozinha real pelos pescadores de Samos, transformou-se na iguaria servida ao rei.
Mais feliz que de costume, correu ao faraó para contar-lhe o ocorrido. Amásis, porém, tomou o retorno do anel como um sinal. Desfez imediatamente seu trato com o soberano grego. Nenhum homem pode contar com sorte incondicional, muito menos gabar-se dela, pois não é dado aos humanos uma vida sem desespero.
Ao que tudo indica, Amásis estava certo. Tempos depois, Polícrates morreu assassinado de forma cruel. Foi traído e empalado. Nem seu corpo inerte teve descanso, vítima de crucificação.
Não sei se o presidente Lula, o sortudo, conhece essa passagem de Heródoto, ou mesmo se gostaria de ouvi-la. Mas algo me diz que talvez um contador de histórias fosse de mais valia para o ocupante do Planalto do que o bando de puxa-sacos que o incentiva a desfilar por aí de salto alto, sem o menor pudor, sem a menor prudência.
O nome ficou perdido em algum bloco de anotações e acabou pelo tempo apagado. A fisionomia, porém, carrego na superfície da memória.
Quando a vi, estava sentada em uma espécie de balanço, a cabeça branquinha e a pele vincada, papel que o tempo dobrou e redobrou sem cuidados de belezura. Tinha a atenção voltada a um ponto só percebido por seus olhos cegos _ a vista exauriu depois de 102 anos passados ali, na aba do leito amazônico. Ribeirinha, ela, como tinham sido seus pais e como, mais tarde, foram os que saíram de suas entranhas.
Naqueles dias, estava quase sozinha. A prole havia sido espalhada pelo destino. Para garantir os cuidados que a velhice impõe sobrara uma só filha. Da janela, a moça de voz arrastada explicava brasilidades para o repórter estrangeiro. A mãe, no silêncio, se balouçava.
O motivo do encontro não era festivo. A iminência da construção de usinas no Madeira havia deflagrado visitas ao povo que morava na beira do rio. A licitação sequer tinha sido feita, mas isso não impediu que começassem a ferver grileiros na região. Ofertavam R$ 3 mil pelas casinhas de madeira, desde que o dono tivesse o certificado do terreno.
Em três dias andando pelos caminhos do rio, não encontrei quem os tivesse. Posse, ali, era coisa de boca para boca. Documentos são para aqueles cuja existência o Estado reconhece. Não era o caso da senhorinha e de sua filha. Isso não quer dizer que fossem bobas: "Eles só querem tomar o que é nosso baratinho", disse ela, olhar oco de boneca. "Eu enxergo longe, minha filha."
Dois anos depois, é certo que as usinas vão sair do papel. Não sei o que foi feito daquela mulher com aparência tão sofrida e da sua companheira. Nem sei se foi batido o martelo com o valor das indenizações para quem testemunhar a casa inundada.
Tenho esperança de que ambas não acabem como os ribeirinhos desalojados para a construção de Samuel, no rio Jari, meados dos anos 80. Muitos não receberam um tostão _ o dinheiro sumiu nos escaninhos da burocracia. Analfabetos e sem recursos, foram morar em uma vila esquecida no meio do mato. Lá, suprema ironia!, nunca chegou a luz elétrica. É um lugar suspenso entre o presente e o futuro, onde os acertos com Deus são feitos à luz dos lampiões e das estrelas que pontilham o céu da Amazônia.
Mais uma onda de ataques vinda do iG, o portal mais, hmm, como direi?, isento do país. Desta vez, o agente é Paulo Henrique Amorim.
Aparentemente, ele está uma vara comigo. Os motivos, pelo que entendi, são:
1) a desembargadora que cuida do caso Avner Shemesh levou em consideração uma matéria que escrevi na Folha , em 2006, para mandar trazer documentos dos tribunais europeus que revelam uma rede de espionagem e venda de informações coordenada pela Telecom Itália;
2) uma fonte minha, Rodrigo Andrade, afirmou em juízo que eu passei informações sobre o empresário Luís Roberto Demarco.
Minhas considerações:
- No processo Avner Shemesh, o Ministério Público tenta provar que Luís Demarco e Paulo Henrique Amorim foram grampeados pelo israelense Avner Shemesh a mando de Daniel Dantas à época do caso Kroll. Demarco é assistente da acusação.
- Eu e Diogo Mainardi, colunista da Veja, escrevemos sobre os documentos da Itália. Mainardi, inclusive, colocou os papéis na internet. Até agora, quase 5 mil pessoas baixaram o que foi divulgado.
- Isso desencadeou uma reação violenta. A estratégia, antiga, é a de atingir o mensageiro para desqualificar a mensagem.
- E o que contêm esses documentos para incomodar tanto a turma do iG? Várias são as hipóteses. No caso Shemesh, creio que é porque testemunhas afirmaram ao Ministério Público de Milão que Demarco recebia dinheiro não declarado da Telecom Itália, tinha contato direto com a equipe que praticava as ilegalidades e chegou a indicar um hacker para os colegas italianos.
- As testemunhas também afirmam que a Kroll e Demarco foram espionados pela Telecom Italia. A operadora duvidava da fidelidade do empresário na briga pela BrT. Acreditava que ele poderia estar trabalhando, também, para os fundos de pensão (os donos do iG).
- TROCANDO EM MIÚDOS, os papéis vindos da Europa podem interferir diretamente no caso Shemesh. Lançam a possibilidade de que os grampos plantados pelo israelense, se existiram, tenham sido feitos por ordem da Telecom Italia. Isso contraria, aparentemente, os interesses de Paulo Henrique Amorim e de Luís Demarco, que há anos movem uma batalha pessoal contra o banqueiro Daniel Dantas.
(Imagine o piti que esse povo vai ter ao descobrir que Diogo Mainardi já mandou provas ao Procurador-Geral da República, atestando que o teor do material divulgado na internet foi checado com Giuliano Tavaroli, o ex-capo mundial do serviço de espionagem da Telecom Italia...)
- Segundo Paulo Henrique Amorim, Rodrigo Andrade disse que sou fonte dele. Ah, é? E o que eu teria falado sobre Demarco? Eu não sei. O caso corre sob segredo de Justiça. Mas, se me explicarem o que é, digo se é verdade ou não.
- Quando uma testemunha cita meu nome em um processo, Paulo Henrique lança dúvidas sobre minha honestidade e acha que é uma história de interesse nacional. Quando uma testemunha italiana cita o nome de Demarco e do ex-chefe da Abin, ele acha que isso nada prova e que a divulgação do depoimento é uma armação. Uma lógica bisonha.
Por fim, Paulo Henrique Amorim lança a hipótese de que eu ande sobre as águas (!). Não ando. Mas também não sou nenhuma nefelibata: sei exatamente o que está acontecendo. Fiz meu trabalho direito, além dos dossiês entregues pelos lobistas. Isso feriu _ e continua ferindo _ os interesses financeiros e a imagem de muita gente. Agora eles querem retaliação e, para tanto, insistem em manipular seus leitores com a história do Davi contra Golias.
Golias, meus caros, são os fundos de pensão. E eles pagam o salário do pessoal do iG, não o meu.
A virulência dos ataques contra mim é explicada pelas perdas que esse pessoal poderá sofrer com a venda da BrT à Telemar. Se isso acontecer, para desespero dos franco-atiradores, Dantas vai ganhar um dinheirão em um negócio escandaloso. E de quem vem esse tutu? Dos amigos de Paulo Henrique e Demarco. Os serviços de lobistas para interferir na linha de cobertura da imprensa, por outro lado, tornam-se desnecessários. É compreensível que estejam roendo a quina da mesa de ódio.
Fica a pergunta: esses ataques podem até animar meia dúzia, mas será que os novos donos vão querer por perto colaboradores tão espalhafatosos? Afinal, enquanto todo mundo na República tenta abafar os papéis da Itália, o pessoal do iG, mesmo que por motivos tortos, coloca o assunto em evidência.
Ir atrás de notícias sobre PC Farias é garantia de muitas e muitas horas na internet. Uma história puxa a outra e a gente acaba tropeçando em informações deveras interessantes.
As que estão abaixo, por exemplo, foram tiradas do blog Celso Daniel:
"Celso Daniel, falecido: no paraíso
Ao abrir o inventário, Bruno Daniel, irmão do prefeito assassinado de Santo André (SP), Celso Daniel, descobriu a existência de contas bancárias em paraísos fiscais, mas com o detalhe particularmente petista: o falecido assinou cheques depois de morto. Bruno, exilado em Paris temendo pela sua vida, receberá dia 4 o passaporte de refugiado político e planeja uma entrevista coletiva explicando a razão do asilo."
COMO ASSIM? Uma notícia importante dessas era para ser, no mínimo, chamada de capa de jornal! Vão esperar o Bruno Daniel também ser assassinado?
É mesmo um absurdo.
Outra página imperdível que resvala em PC Farias é a que traz uma extraordinária reportagem sobre a morte de Toninho, o prefeito de Campinas. O texto é de Marina Amaral, escrito para a Caros Amigos. Aí vão alguns trechos:
"... O então futuro prefeito [Toninho] fez mais: em novembro de 1999, entregou um dossiê à CPI do Narcotráfico, em Brasília, sobre Zini e Almeida Jr., suspeitos de ligações com o crime organizado.
A passagem da CPI do Narcotráfico por Campinas, uma semana depois, conferiu à cidade mais industrializada do interior de São Paulo e um dos principais pólos tecnológicos do país o triste título de centro logístico e financeiro do crime organizado: do tráfico de drogas ao roubo de cargas, passando pela lavagem de dinheiro, Campinas é também a terceira maior praça bancária do país...
E as suspeitas de Toninho seriam confirmadas: Zini foi indiciado por lavagem de dinheiro, receptação de cargas roubadas e sonegação fiscal. Nas contas do Guarani, presidido por ele durante onze anos (até junho de 1999), foram encontrados depósitos do esquema PC Farias e os deputados comprovaram a ligação do ex-cartola com o empresário William Sozza, braço campineiro de uma superquadrilha com conexões no Maranhão, Acre e Alagoas, liderada pelo deputado cassado Hildebrando Paschoal, Augusto César Farias – o irmão de PC indiciado por seu assassinato – e o então deputado estadual maranhense José Gerardo de Abreu.
...A hipótese de o crime estar relacionado às atitudes de Toninho como fiscal da cidade antes de ser eleito e depois, como prefeito, também nunca foi investigada. Nenhum dos muitos empresários que tiveram interesses prejudicados – em alguns casos, em milhões de reais por contratos rompidos ou obras embargadas – foi nem sequer convocado a depor. Nem mesmo aqueles acusados de participar do crime organizado, apesar da atuação suspeita de policiais de Campinas denunciados pelo mesmo motivo."
Celso Daniel, Toninho, PC _ três grandes mistérios. Quem sabe um dia a gente descubra o que realmente aconteceu com esses homens que perderam a vida, ao que tudo indica, por conta da zona cinzenta onde política e o dinheiro sujo se encontram.
Meus amigos costumam dizer que, de tempos em tempos, fico obcecada por alguma coisa. Eu acho que é exagero. Mas, se fosse verdade, afirmaria que minha nova compulsão é o PC Farias.
Há dias pesquiso o fascinante esquema de achaque, corrupção, venda de favores e lavagem de dinheiro capitaneado pelo tesoureiro de Collor na década de 90. E, ao que tudo indica, compartilhado por muitos, muitos outros.
Num desses momentos de surto investigativo, decidi ler novamente o relatório final da CPI que abriu as atividades de PC, em 1992.
Se o critério para definir um clássico é o fato de ser atemporal, o texto chegou lá _ parece redigido há menos de uma hora. Por exemplo:
"...Em torno do presidente da República organizaram-se amigos e colaboradores de campanha que passaram a ser identificados como autores de um script cujo enredo era importante não ignorar, mesmo a elevado custo financeiro e moral."
Qualquer um poderia ter escrito isso ao falar do desrespeito à lei na criação da "telezona", não é, não? Até porque alguns dos financiadores continuam os mesmos.
E não pára por aí. Olhe o caso do Orçamento:
"... É preciso tornar claro que, em torno desse processo [orçamentário], concentram-se maciços interesses empresariais, corporativos, regionais e setoriais de toda a espécie, devido ao volume de recursos que nele são mobilizados."
"... No ciclo orçamentário podemos identificar os momentos em que grupos de interesse têm a oportunidade de interferir na destinação dos recursos públicos, em especial nas etapas relativas às leis orçamentárias anuais."
Passado? Nada! Rubens Valente, na Folha de hoje, informa que a comissão de Orçamento criou uma série de mecanismos para, disfarçadamente, engordar a verba que vai irrigar suas bases eleitorais. A malandragem custará R$ 534 milhões a mais _ saídos, você sabe, do bolso da plebe.
Aliás, foi durante a CPI do PC que os parlamentares identificaram que o ciclo orçamentário, ao lado do financiamento de campanhas eleitorais, era um dos fatores que mais estimulavam a corrupção. Pouca coisa mudou, como você pode notar.
Talvez a diferença mais evidente seja a de que os jovens não pintam mais o rosto para protestar. De tanto marretarem sua esperança de criar um país de honestos, o exército dos "cara-pintadas" acabou transformado em uma legião de cabisbaixos.
Reportagem de hoje, escrita por Cris Barbieri, na Folha de S.Paulo:
"A Parmalat Brasil, controlada pelo fundo Laep Investments, pediu a abertura de dois inquéritos policiais para esclarecimento de atos praticados por empresas coligadas à antiga Parmalat, que estariam prejudicando a nova gestão.
Segundo a Parmalat Brasil, Carital Brasil e Zircônia Participações, que faziam parte do confuso emaranhado societário da antiga Parmalat, agiram para prejudicar sua recuperação judicial.
Procurado pela Folha, Francisco Mungioli, presidente da Carital, afirmou, por meio de sua secretária, ter sido orientado por advogados a não se pronunciar. Carlos Padeti, presidente da Zircônia, não respondeu a pedidos de entrevista."
"...A primeira vez que os nomes Carital e Wishaw Trading apareceram no noticiário foi em 2004, durante os inquéritos de apuração do escândalo que levou à quebra da Parmalat.
Segundo o jornal "La Repubblica", ao ser questionado por um promotor italiano sobre onde estaria o dinheiro desviado da Parmalat Spa, um dos principais contadores da empresa, Gianfranco Bocchi, respondeu: "Não sei onde foi parar o dinheiro que vocês estão procurando. Mas, se me permitem, posso dar duas pistas interessantes. Investiguem duas subsidiárias do grupo: a Carital do Brasil e a Wishaw. Não sei os detalhes, mas é certo que um saco de dinheiro terminou ali".
De lá para cá, Ministério Público, Receita Federal e outras autoridades no Brasil e na Itália passaram a rastrear as operações das empresas, criadas em 1999, com as primeiras dificuldades da Parmalat. Acusações e processos passaram a envolvê-las das mais variadas formas."
Estranho é jornalista que prefere ver o Ministério Público sem investigar denúncias de corrupção e fraude. Estranho é deixarem de repercutir e avançar nas apurações da coluna mais lida da maior revista do país. Estranho é o Executivo calar sobre o fato de que gente próxima ao presidente da República está sob suspeita de tudo quando é tipo. Estranho é a oposição que se faz de cega e louca. Estranho é um Legislativo comandado por empreiteiras. Estranho é banqueiro alardear um monte de denúncias e depois se fazer de paisagem. Estranho é considerar calúnia a fofoca sobre contas no exterior que não se pode provar falsas. Estranho é fechar negócio fora da lei com a benção do Estado. Estranho é fundo de pensão de estatal se meter em tanta roubada. Estranho é a quantidade de falências fraudulentas que deixam um monte de gente desempregada e os credores na mão. Estranho é juiz que comanda rede de corrupção junto com sócio advogado. Estranho é lobista alugar suíte presidencial de hotel de luxo para contar dinheiro. Estranho é fatiar o mercado de telecomunicações entre meia dúzia. Estranho é grampo telefônico ter virado commoditie. Estranho é a Abin ser acusada de colaborar com a arapongagem particular e não se explicar. Estranho é a PF ter tantas facções quanto o pessoal do crime. Estranho é sindicalista que não pode falar em voz alta. Estranho é igreja usar gente simples para coagir pessoas. Estranho é aceitar os maleiros, os mensaleiros, os picaretas, os coronéis e os intelectuais que não pensam. Estranho é político cassado comprar avião. Estranho é dissimular, enganar e manipular os que se apóiam em uma ideologia partidário-ideológica, supostamente baseada em companheirismo e igualdade, fazendo com que virem zumbis predispostos a acreditar em qualquer coisa. Estranho é o Celso Daniel, é o Toninho de Campinas, é o PC Farias. Estranho é o pacto de silêncio.
Ou, talvez, não. A história dos italianos deve ser maior do que eu imaginava. Só isso justifica preocupação tamanha entre a infantaria daqueles que estão empoleirados no poder.
Avisaram-me que falta a página 55 do documento que postei ontem.
A princípio, confesso, a queixa soou como implicância para desviar a atenção do restante. Engano meu.
A dita página, descobri, é o vórtice, o ponto de Bauhütte de qualquer texto. Olhem só:
- se a minha Bíblia viesse sem a 55, eu teria perdido o Gênesis 7, 8 e 9. Ou seja, metade do dilúvio, a baixa das águas e o sacrifício de Noé;
- teria ignorado que Kafka tinha medo de não conseguir explicar ao pai as tentativas de casamento;*
- passaria em brancas nuvens que Julius Clarence, durante as duas últimas semanas, visitara fazendas e medira a altura de pés de soja;*
- não descobriria que Bigode se tornou o conselheiro secreto de Tistu.*
Você entendeu o espírito da coisa. Fiquei profundamente convencida da necessidade de divulgar a página 55 do depoimento de Angelo Jannone, o araponga italiano.
Só há um probleminha _ eu não a tenho. Se tivesse, ela estaria entre a 54 e a 56, ué.
PAUSA PARA OS FANIQUITOS - “Ela não tem! Ela não tem!” - FIM DA PAUSA.
É, não tenho. Mas disponibilizei todas as outras.
E em nenhum momento eu disse que o documento estava na internet fazia tempo, e sim que seu teor já tinha sido noticiado.
----- Aliás, vamos deixar duas coisas bem claras aqui: quem me acusa de manipulação e de esconder os documentos são exatamente os que NÃO querem que os papéis sejam divulgados.
Esse tipo de distorção de sentido pode dar certo por algum tempo e junto a alguns, mas não cola na Justiça. É por isso que há tanta gritaria: para convencer a todos da falta de importância do processo italiano e caracterizar, assim, que só os “maus” juízes querem ler o material, assim como os "maus" jornalistas querem apurar esse assunto. -----
Na falta da 55, que eu não sei o que tem, nem nunca soube, pois nunca a vi, os interessados podem atacar Daniel Dantas, o diabólico made in Brazil, com as acusções contidas na página 60, onde Jannone diz que a Brasil Telecom, então administrada por fundos geridos pelo banqueiro, trambicava com a Alcatel.
Se o interesse é ter acesso ao conteúdo total da mensagem, os gritalhufos podem FAZER alguma coisa, como, por exemplo, encaminhar um abaixo-assinado ao Ministério Público para que solicite formalmente os documentos à Justiça milanesa. Na íntegra, claro, que é para garantir que a 55 não fuja.
Os mais ousados podem pedir os papéis diretamente a fabio.napoleone@giustizia.it, o procurador linha-dura que cuida do assunto na Itália. Acho que ele não vai mandar assim, sem mais nem menos, mas a tentativa é de graça.
Na hipótese de a Procuradoria-Geral da República agir de maneira firme e levar a história adiante, creio que virão para o Brasil pelo menos umas cinco ou seis pilhas de documentos, hoje trancadas em uma estante de vidro na sala de Napoleone.
Quem for coordenar o abaixo-assinado, por favor, não esqueça de pedir ao procurador o CD com o nome dos políticos que recebiam propina da Telecom Italia. (Aliás, é aí que está o ponto nevrálgico de todos esses ataques, não é?)
Era recomendável, porém, que o pedido fosse efetuado rapidão, antes que alguém suma com a 55 do inquérito original e o CD vire fumaça.
Agora, se o interesse for atacar de forma irracional os mensageiros _ veículos e jornalistas _ aí não há o que fazer. Podem sapatear como espanholas, mas sozinhos.
Enquanto isso, vou esmiuçar todos os meus livros para descobrir as pérolas escondidas nesses dois números gordinhos e cabalísticos: 55.
O primeiro que peguei é “O Velho Senado”, onde mora uma crônica escrita por Machado de Assis em 1° de novembro de 1861.
Olhem que trecho interessante:
“O que há de vir, há de vir, dizem muitos ministros, que, além de acharem o sistema cômodo, por amor da indolência própria, querem também por a culpa dos maus acontecimentos nas costas da entidade invisível e misteriosa, a que atribuem tudo.”
Mas, pensando bem, uma brasa mesmo é a página 78:
“Relevem o estilo e as idéias; a minha dor de cabeça não dá para mais.”
* Os livros citados são, respectivamente, "Carta ao Pai", "Os Mercadores da Noite" e "O Menino do Dedo Verde".
Mais um capítulo da novela das teles. Obra, é claro, de Luís Nassif.
Minhas considerações:
1) Sobre a última coluna do Diogo Mainardi, onde o nome do presidente da República aparece citado no Tribunal de Milão em depoimentos relativos a uma investigação que envolve tráfico de influência, corrupção e espionagem: o documento disponibilizado na internet não foi entregue nem digitalizado por mim, embora eu tivesse conhecimento dos papéis. Todos os leitores do meu blog tinham, aliás. Escrevi sobre o assunto.
2) É fácil descobrir se o documento foi manipulado e o motivo da dupla numeração das páginas. Basta pedir a íntegra à Justiça italiana. Talvez o Ministério Público brasileiro já tenha feito isso, uma vez que está de posse dos papéis.
3) Na minha avaliação, a história da Telecom Italia é importante, assim como foi a da Kroll, e merece ser publicada. A briga entre os jornalistas também.
4) Esses papéis não foram tornados públicos sem terem sido checados. Giuliano Tavaroli, o homem que comandava a espionagem da Telecom Italia no mundo e responsável pela equipe que desmantelou a rede adversária, da Kroll, confirmou o teor do documento. Tavaroli _ perguntem a ele _ não é fã do capetão Daniel Dantas. Seus "g00db0ys" editaram o CD com informações que serviram à Polícia Federal no caso Kroll, que quase mandou o banqueiro em cana.
5) Não me lembro de Mainardi ter dito que o documento recebido dos italianos seja o que está citado acima, a ordem de prisão de um dos diretores da Telecom Italia, Angelo Jannone. Para mim, fica claro que ele se referia no podcast sobre o pedido de pagamento do advogado Marcelo Elias à Telecom Italia, com os dados sobre sua conta bancária. Ouça até o fim e decida você mesmo.
5) Não sei o motivo pelo qual a página 97 saiu estranha. Alguns levantam a hipótese de que tenha sido obra de Daniel Dantas, o Lúcifer tupiniquim. Se foi, o belzebu anda ruim de serviço: na página 32, Dantas é acusado de praticar corrupção judiciária.
6) Admiti ter como fonte Rodrigo ANDRADE. E admiti que Luís Roberto Demarco também o era. Pode parecer estranho para alguns, mas admito que, como jornalista, tenho fontes.
7) Tem mais um monte de documentos na rede. São as 135 páginas do documento que faltavam. Correspondem ao interrogatório de Angelo Jannone, o chefe da segurança da Telecom Italia para a América Latina. É notícia velha, amigos, velha. Mainardi fala disso desde 2006, como vocês podem ver. Mas espero que se divirtam:
7) Vocês podem estranhar que o caso Telecom Italia seja importante para tão poucos jornalistas. Eu também estranho. Se descobrirem o motivo, me contem.
No mais, obrigada pelas visitas. Hospitalidade é o lema da casa.
Notícia que está na página eletrônica da revista Época:
"O ex-deputado Roberto Jefferson ajuizou nesta terça-feira (19) sua defesa prévia no processo do mensalão e indicou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como sua testemunha número um. Jefferson apresentou um rol de testemunhas com 33 nomes. A lista, encabeçada por Lula, inclui o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, além de nomes de candidatos à sucessão presidencial de 2010: o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o deputado federal Ciro Gomes."
Testemunha, que eu saiba, não pode mentir. Nem tem a prerrogativa de se abster.
Depois da febre amarela, o Brasil verá um novo surto: o da amnésia.
Estava um calor sertanejo na tarde de 1° de janeiro de 2003, quando o presidente Lula tomou posse. Meus pés, duas batatas, depois de onze horas perseguindo declarações de políticos, empresários e celebridades. Tinha conversado com várias pessoas, mas ainda faltava aquela que, para mim, era a mais importante: Fidel Castro.
Rumei para o hotel carregando os amigos que tinham viajado de São Paulo e do Rio especialmente para a ocasião. Também na avaliação deles Fidel seria o ponto alto da festa. O mesmo aparentavam pensar Letícia Sabatella e Ângelo Antônio, ambos sentadinhos no saguão do Naoum, junto a um batalhão de repórteres.
Eis que, após um bom tempo de espera, surge Fidel. Uma figura enorme, altiva, carisma embalado em uniforme verde-oliva. Estava cercado de seguranças que mais pareciam montanhas humanas. Acena para nós e segue para o carro.
- "¡El comandante, la prensa por favor!"
Fidel pára, gira e avança em nossa direção, longas respostas engatadas sem tomar fôlego, o ritmo da fala semelhante ao das metralhadoras empunhadas pelos revolucionários.
Ao fim, minha cara-de-pau costumeira: peço uma exclusiva. Ele diz que não pode, eu insisto, ele diz que não dá, sai andando. De repente, pára. Volta e, com a mão no meu ombro, Fidel abre um sorriso:
- “És una gran reportera.”
E vai-se embora.
Eu, em choque, senti os olhos ficarem cheios d'água. Um dos mitos do século XX havia me elogiado. Sabatella, do meu lado, se emocionou comigo. Uma cena para Dom Cappio nenhum botar defeito.
Menos de três meses depois, chego na redação e abro os jornais. "Cuba é a maior prisão de jornalistas do mundo", acusa o Le Monde, reproduzindo manifesto de um grupo de intelectuais radicados na França. Vários dissidentes haviam sido presos e executados após julgamento sumário.
Chorei de novo, desta vez sozinha. Aqueles minutos com Fidel tinham sido (e continuem sendo) um dos momentos inesquecíveis da minha vida profissional. Mas senti vergonha por ter compactuado, mesmo que por instantes, com uma ditadura.
Mais que uma disputa de idéias e vaidades em torno de temas comerciais e de denúncias, os debates recentes entre jornalistas refletem profundas mudanças na comunicação do país.
Colunas virtuais e blogs ganham importância a cada dia. Na minha avaliação, isso é ótimo. Os brasileiros podem eleger representantes de suas correntes de pensamento, tornando-os amplificadores eletrônicos de suas próprias opiniões. Os efeitos multiplicadores e de identificação são tremendos.
Por isso, a importância das teles e do que acontece com elas. Essas companhias são as grandes vedetes de uma revolução ainda maior, que vai transformar conteúdo e forma de comunicação. Essa revolução tem sinônimo: poder.
A hipótese de um governo _ ainda mais um governo com índices acachapantes de popularidade _ usar a máquina para favorecer A ou B, atropelando a concorrência leal, está além da prevaricação. Figura como escolha deliberada por um futuro empobrecido.
Creio que estou me repetindo. Desnecessário. Como disse alguém de quem gosto muito: “há vezes em que o tempo esclarece mais do que os esforços”.
Eis que Luís Nassif cita meu nome na briga das teles. Compreendo. Dissecado página a página, o documento publicado por Diogo Mainardi, da Veja, é mesmo um petardo. Era previsível uma reação.
Seguem algumas considerações:
1) Cobri o caso das teles para a Folha de S.Paulo entre 2005 e 2007. Meu cargo era o de repórter e, como tal, meus textos eram submetidos a várias pessoas antes de irem para a página. Como Nassif bem sabe, apenas colunistas têm a prerrogativa de escrever o que dá na telha e só receberem críticas depois da publicação.
2) Logo, se eu, como insinua o colunista, participasse de uma "orquestração" a favor de Daniel Dantas, teria de fazê-lo mancomunada com o jornal _ o mesmo em que Nassif trabalhava. É uma tese ridícula.
3) Nassif sustenta que as matérias escritas por mim serviram para Dantas mover sua guerra jurídica. Seguindo a mesma lógica, cabe a pergunta: as colunas que Nassif escreve têm servido para embasar os advogados de Luís Roberto Demarco, dos fundos de pensão e da Telecom Itália?
4) Nassif diz que meu nome foi citado na Justiça por Rodrigo Andrade, ex-funcionário do Opportunity. Sim, Andrade foi minha fonte, como tantos outros. Luís Roberto Demarco também costumava ser. Mas eu nunca copiei parte de releases dele.
5) Nassif tem medo de os processos serem "contaminados" com os tais documentos da Itália. Teme ainda que a Justiça faça bagunça na hora de separar o joio do trigo. Eu não tenho receio, pois não sou parte interessada nos autos e acredito que juízes têm discernimento suficiente para desvendar a história.
6) Óbvio que não gosto de ver meu nome no meio dessa balbúrdia, mas não vou mudar minha opinião: é bom para o leitor saber o que acontece nos bastidores.
7) Pedi demissão da Folha, que me convidou para ficar por lá. Espero que o jornal não leve anos para confirmar.
Por fim, fico triste que Nassif faça tão mau juízo de mim. Eu costumo ler as colunas dele, inclusive as antigas. Lembro de uma onde previa que o iG teria um triste destino:
"... Além disso, a fonte de recursos do iG secou, e, para seus acionistas, cada dia de vida nunca é mais, é sempre menos. Nesse quadro, a prioridade máxima acaba sendo a de se livrar dos prejuízos futuros, não a de se ressarcir dos investimentos passados....
... O iG, infelizmente, já é uma página virada."
Pois é. O iG não morreu, tanto que Nassif hoje trabalha lá. A fonte também não secou, aparentemente, pois consta que o empresário ganha um bom dinheiro. Merece. Seu gosto musical é impecável.
Eu, quando estava na Folha, nunca pude bancar minhas previsões. Não era colunista. O mais perto que cheguei de vaticínos foram entrevistas com pessoas afirmando que o governo queria entregar a BrT para a Telemar. Ah, e as reportagens nas quais informava sobre o caso da Itália, dizendo que ele iria cair como uma bomba no Brasil. Veja você.
1) o atual governo, com a condescendência do presidente da República, usou a máquina estatal para favorecer a Telecom Italia na disputa pela Brasil Telecom?
2) a Abin colaborava de alguma maneira nos grampos ilegais e na hackeragem encomendada pela Telecom Italia?
3) depois de eliminados os italianos do jogo, é a vez de os acionistas da Oi (ex-Telemar) ganharem um cafuné do Planalto?
4) o Estado de Direito é absolutamente ilusório e estamos vivendo sob um regime monárquico, onde o rei pode tudo?
5) os jornais vão continuar fazendo de conta que a lesão do Ronaldinho é a notícia mais importante vinda de Milão?
Diogo Mainardi, mais uma vez, fez sozinho o trabalho que o batalhão midiático finge não existir. Como diz uma amiga, o colunista "mandou pirão" na história da Telecom Italia.
"Eu sei que o caso da Telecom Italia é uma pauleira. Eu sei que há uma série de interesses empresariais em jogo. Mas alguns fatos precisam ser esclarecidos. O primeiro e mais urgente é o seguinte: o nome do presidente da República foi citado nos autos de um tribunal italiano. Ninguém pode fazer de conta que isso é uma bobagem.
Acompanhei o inquérito contra a Telecom Italia por dois anos. Esperando Lula. E, como Godot, ele nunca aparecia. Na semana passada, recebi uma cópia de um despacho emitido no finzinho de 2007 pelo Ministério Público italiano. Na página 33, pode-se ler um trecho do interrogatório de 5 de maio de 2007 de Giuliano Tavaroli, um dos diretores da empresa. Ele declarou:
'Sendo um homem do presidente Lula, (Mauro) Marcelo, depois de assumir o cargo no serviço secreto, nos garantiu seu apoio institucional, uma vez que (Daniel) Dantas era um inimigo do presidente Lula'."
Não há mais desculpas para que deixem de investigar a história. Mainardi colocou o documento na internet. Clique para ler (em italiano).
Os papéis são um mimo. A história de Lula, a mais importante, aparece entre várias outras que escrevi no blog. Se quiser rever, dê um pulo aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
- Mamãe, você não vai responder? - Não. - Está errada. Devia responder. - Não. - Então me explica o motivo. - Ninguém citou meu nome. - Tentaram deixar a senhora mal do mesmo jeito. - Ué, trabalho de jornalista é isso aí. O resultado fica lá para quem quiser ver. Eu já critiquei muita gente, é a vez de falarem de mim. O jornal achou que estava bom o bastante para publicar e isso fala por si. Não é a primeira nem última vez que isso acontecerá. - Tudo bem.
Cinco minutos depois:
- Eu respondia. - Respondia o que, sabichona? - Que acusam a senhora de levantar para uns só porque não se abaixa para outros.
Vejo que o filme sobre a vida de Edith Piaf saiu-se bem na festa do Bafta. Muito bom. Cá entre nós, estou torcendo para que Marion Cotillard leve o Oscar de melhor atriz.
"Não se apresse em perdoar. A misericórdia também corrompe."
Outra frase muito boa do Nelson Rodrigues.
Podem me chamar de pessimista, mas creio que resume justinha, sem nenhum centímetro de folga, a matéria que acabo de ler na página on-line da Veja:
"...Está em estudo nos Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente uma medida que, se aprovada, vai permitir que empresas e agricultores fiquem com metade das fazendas desmatadas, caso aceitem recuperar e repor a floresta da outra metade. Voltarão ainda a ter status legal, e, portanto, direito ao crédito agrícola oficial. Uma vez adotada a proposta, o governo vai legalizar em torno de 220.000 quilômetros quadrados de Amazônia desmatada. Trata-se de uma área correspondente à soma dos estados do Paraná e Sergipe."
Vira e mexe alguém pergunta o motivo de tamanha atenção às teles. A resposta é simples: inexiste monotonia no setor. Para um repórter, mesmo aposentado, é divertidíssimo.
Agora mesmo, por exemplo, a Telefônica acaba de livrar o Planalto do peso da interferência na compra da BrT pela Oi.
Segundo O Globo, a Abrafix, associação que representa as concessionárias de telefonia fixa, entregou um documento à Anatel solicitando a revisão do PGO, o Plano Geral de Outorgas.
O pedido, na prática, funciona como um sinal verde para a Anatel iniciar o processo que culminará com mudanças nas regras das telecomunicações.
Vale um aparte. A Abrafix é composta pela Telefônica, pela Oi e pela BrT, além das pequenas, CTBC (Triângulo Mineiro) e Sercomtel (interior do Paraná).
De maneira que, daqui a alguns meses, quando o PGO tiver sido alterado e/ou o presidente tiver assinado um decreto beneficiando seus financiadores de campanha, nem vai parecer que o governo se movimentou na rabeira do capital privado.
É uma espécie de “Extreme Makeover” comercial, e muito bem feito.
O único problema pode ser a dificuldade de convencer o povão de que o Brasil precisa de uma tele nacional. Afinal, se até para tirar a "telezona" do papel tiveram de recorrer aos gringos...
Nós, brasileiros, adoramos ouvir que somos criativos. Mentira. Somos enfadonhos e quadradinhos, tão previsíveis quanto fila em agência bancária, quanto atraso de noiva, quanto rebolado em baile funk. Ainda mais quando se trata de conseguir dinheiro para recuperar empresas em apuros. Quer ver?
Em 20 de dezembro, escrevi um post falando sobre a Gradiente. Mal das pernas, a empresa dependia de um investidor que a capitalizasse em R$ 70 milhões. O responsável pelo plano é o presidente da Gradiente, Nelson Bastos _ com passagens pela Parmalat, pela Brasil Ferrovias e pela Varig.
"[Bastos] tem ótimo trânsito entre os tucanos", lembrei. "O dono da Gradiente, Eugênio Staub, por sua vez, era muito bem visto no PT. Devem encontrar um investidor mais rápido do que se imagina."
Quase um mês depois, em 18 de janeiro, escrevi que Lula tinha recebido Staub. Segundo o empresário, ele não tinha ido pedir ajuda ao presidente. "Sei não. Acho que começou o movimento dos 'também quero'", disse eu.
Hoje, na Folha, sai a nota de Mônica Bergamo: "Fundos de pensão, alguns ligados a estatais, negociam para injetar R$ 100 milhões na Gradiente, do empresário Eugenio Staub. As conversas estão sendo conduzidas por Nelson Bastos, presidente executivo da empresa. Uma das condições para a operação é que Staub se afaste da condução dos negócios. A Gradiente não comenta."
Ou seja, mais uma vez os fundos de pensão _ aqueles que nunca sofrem interferência governamental _ injetarão dinheiro em negócio falido.
O estranho é que, entre o Natal e o Carnaval, o socorro teria aumentado de R$ 70 milhões para R$ 100 milhões.
Mas, pensando bem, isso também não é nenhuma surpresa. É?
Tenho convivido um bocado com estrangeiros, por força do trabalho e de amizades recentes. É sempre um desafio tentar explicar a lógica “sui generis” que impera na terrinha.
Há pouco, por exemplo, uma amiga européia, que não conhece o Brasil, perguntou sobre o Carnaval. Tentei fazer um resumo da festa, mas acabei derrapando ao contar o caso da Ângela Bismarck. (Para quem não sabe, Ângela é aquela moça que fez mais de 40 operações plásticas para ficar parecida com a Barbie. Na última segunda-feira, transformada em japonesa, ela informou que pretende fazer mais uma: restauração da virgindade.)
- Por que ela quer voltar a ser virgem? - Não tenho a menor idéia. Talvez por conta do casamento próximo. - Ah, o noivo não sabe direito quem ela é? - Sabe, claro. Provavelmente o único. É o cirurgião plástico dela. - É ele que vai fazer a próxima operação? - Sim, sim. - Mas para que tanto trabalho? O cara não é o noivo? - Boa pergunta. Não tenho resposta. - E onde será o casamento? - No sambódromo. - E como é que você sabe de tudo isso? - Vi no programa do Nelson Rubens. - Quem?
Explicar a importância do Nelson Rubens na formação da psique brasileira é demais até para mim. Desviei a conversa para a Europa. Minha amiga conta que uma emissora de TV está produzindo um programa sobre a Tecnosistemi. (Para quem não sabe, é aquela empresa que faliu de maneira espetacular aqui no Brasil e que, em companhia de outras empresas italianas, é suspeita de pagar propinas a políticos e funcionários públicos brasileiros.)
- Pena que o Ministério Público está fazendo jogo duro. A produção está sofrendo. - Pelo menos os procuradores daí se interessam pelo próprio trabalho, pedem documentos e testemunhos. É alguma coisa. - E a mídia brasileira? - Só um colunista está empenhado em apurar de verdade o caso dos italianos. - E os demais? - Fazem ouvidos moucos. Estão em plena guerra. - Ah, é? Qual o motivo? - Credibilidade. Todos querem mostrar que são imparciais. - E são? - Não. - Por que não?
Suspirei. Mais fácil explicar o jornalismo do Nelson Rubens. Sorte que o “El País” me salvou. Minha amiga tinha lido um artigo que saiu ontem no diário espanhol. “El fantasma de la corrupción vuelve a planear sobre el Gobierno de Brasil”, dizia o texto, explicando o escândalo dos cartões de crédito cedidos pelo governo aos ministros e assessores do Planalto.
- Vocês dão um cartão de crédito para as pessoas no governo usarem indiscriminadamente? - Não deveria ser assim. O objetivo do cartão foi deturpado. - Verdade que os gastos aumentaram 800% nos últimos anos? - Infelizmente. - A filha do presidente foi mesmo beneficiada? - Os seguranças dela gastaram 55 mil reais em coisas sem sentido. Dá uns 20 mil euros. Mas isso não é nada; o outro filho recebeu investimentos de pelo menos 5 milhões de reais. - NO CARTÃO DE CRÉDITO? - Não, na telefonia. - Hein? - Difícil explicar. - E não vão fazer nada? - O governo quer uma investigação no Congresso no caso dos cartões. - O governo? - É. Ele faz a convocação e depois controla a comissão de parlamentares. O estrago é menor. Também vão proibir a divulgação dos gastos. - Que absurdo! E o outro filho? - Aí não vão fazer nada. Talvez um decreto para beneficiar a empresa que o ajudou. - HEIN?
Pronto. Cravei a certeza: fugir do Nelson foi uma péssima estratégia. Dou uma de louca varrida.
- Sabe a Ângela Bismarck? Ela ficou famosa depois ter desfilado usando só um esparadrapo cirúrgico, pintado de bandeira do Brasil, como tapa-sexo.
É a vez da minha amiga suspirar. Com voz de profunda simpatia, daquelas que a gente só dedica às viúvas que amavam, ela me libera do interrogatório:
- Não precisa falar mais nada. Acho que entendi como alguns enxergam seu país.
Em uma de suas últimas edições, a revista New Yorker desceu o cacete em Sarkozy. O motivo foi o excesso de testosterona e o mundanismo do político _ reprovados em pesquisas de opinião, inclusive.
Ontem o presidente Bling-Bling oficializou seu relacionamento com Carla Bruni, a moça bonita que está aí em cima.
Eu, brasileira e fã da cantora, quero mais é que dê certo. Mesmo que a patuléia francesa e o autor da letra duvidem. :)
Os três maiores jornais do país _ Folha, Estadão e O Globo _ condenaram em seus editoriais a criação da "telezona". Foram educados. Podiam ter escrito em tom menos pastel e sabem disso. Mas tiveram a coragem de falar. É alguma coisa.
Reinaldo Azevedo, Janio de Freitas, Elio Gaspari, Demétrio Magnoli, Ethevaldo Siqueira e vários outros colunistas, das mais diferentes correntes de pensamento e pelos mais variados motivos, também marcaram posição. Um alívio ver que ainda há gente que acredita nas instituições democráticas.
Sem o engajamento da TV Globo e da revista Veja, contudo, é inútil. A mídia escrita e a on-line não têm poder de fogo suficiente para influenciar a opinião pública a ponto atrapalhar a bandalheira.
Longe das redações, minha análise continua a mesma de há algumas semanas: a operação sai. O Estado de Direito será atropelado pela "Lei Telezoca".
Claro que os fundos estão tentando sabotar a operação, o que é uma pena. Seus representantes deveriam lutar de forma direta, altiva, e provar que não estão lá só porque foram apadrinhados. Não o farão. Importam-se, isso sim, com cargos.
O Opportunity, por sua vez, tinha munição para colocar obstáculos maiores, travar a negociação e provar que estava certo ao dizer que o governo estava do lado dos financiadores de campanha. Não o fará. Importa-se, isso sim, com o dinheiro.
O único jeito de acenderem o amarelo nas negociações é se alguém atingir a imagem do presidente da República, que hoje está com os índices de aprovação bons o suficiente para agir de maneira serelepe. Lula tem motivos para ficar de olho nos amigos. O fogo que vem de perto deixa queimaduras muito piores e há 40 chamas crepitando bem pertinho do Planalto. Ou melhor, 39. A de Silvio Pereira foi apagada.
Claro que o presidente é infinitamente mais esperto que eu e sabe disso tudo do avesso para o direito. Deve ter pensado em como aplacar o desconforto dos sindicalistas de ar condicionado. Como, por exemplo, alimentá-los com mais cargos e mais poder, silenciando circunstâncias que, às claras, impediriam tais concessões.
O mais irônico é que a isso darão o nome de "governança corporativa". Quando leio acerca do tema nos jornais, sinto um misto de tristeza, indignação e ironia. Qual é essa transparência, a dos fundos de pensão? Aquela onde o conselho deliberativo é eleito na mesma chapa do conselho fiscal e onde todas as denúncias são engavetadas? Aquela em que só chega à diretoria quem é preposto de político? Aquela onde ninguém pode defender os interesses dos associados diretamente? Aquela onde todo mundo faz acordo de silêncio com os concorrentes, os mesmos que são chamados de corruptos para quem quiser ouvir, para ganhar eleição interna?
Ah, Brasil, como é difícil escapar à herança que nos deixaram. Antes nobres sem nobreza, hoje capitalistas sem capital, sindicalistas sem representados, leis sem efeito, Estado sem povo.
E tenho dito.
PS: Ontem, o Teletime elaborou uma série de perguntas mais que pertinentes sobre a tal fusão entre a Oi (ex-Telemar) e a Brasil Telecom. Vale a leitura.
Nada foi assinado, mas o pessoal da BrOi já marcou um golaço: conseguiu inculcar a idéia de "supertele" na cabeça dos jornalistas. Ganharam publicidade gratuita.
Discuti o assunto com a pessoa mais divertida que conheço. Ela rebatizaria a coisa de "telelula". Acha que assim, direto e reto, a alcunha se espalharia mais que catapora.
Eu, que nasci com a sina torta de distribuir uma pitada de cábula na vida alheia, penso que "telezona" seria melhor. Atende a critérios de tamanho, condições legais e repercussão na mídia.
Diogo Mainardi voltou. Que bom. Falei antes e repito: ele tem feito um trabalho de primeira no caso dos italianos.
Reproduzo abaixo alguns trechos da coluna de Mainardi que saíram na atual edição da Veja. Espero que os jornais não se façam de cegos mais uma vez.
"No Natal de 2005, recebi documentos sobre um pagamento de 3,25 milhões de reais da Telecom Italia a Naji Nahas. Tudo ali era suspeito. Um: o pagamento fora efetuado em dinheiro vivo. Dois: o carro-forte entregara o dinheiro na sede da Telecom Italia, em vez de entregá-lo diretamente a Naji Nahas. Três: Naji Nahas faturara 263.000 reais a mais do que o previsto em seu contrato de consultoria.
... No Natal de 2007, ocorreu uma reviravolta. Recebi de presente mais um documento. Ele consta do inquérito da magistratura milanesa contra a Telecom Italia e confirma integralmente o que VEJA publicou dois anos atrás. Trata-se de um depoimento de Marco Girardi, diretor financeiro da Telecom Italia no Brasil, realizado no dia 11 de novembro passado. Ele confessou o seguinte:
• Giorgio Della Seta, aquele das denúncias "absurdas, fantasiosas e sórdidas", amigo de Lula e de Marta Suplicy, mandou-o preparar um pacote com 1,3 milhão de dólares em dinheiro vivo.
• Um carro-forte fez a entrega de 3,25 milhões de reais na sede da Telecom Italia. Ali mesmo, um cambista trocou os reais por dólares.
• Os dólares foram entregues a Ludgero Pattaro, assessor direto de Giorgio Della Seta. Ele acondicionou o dinheiro em pacotes de diferentes valores, enfiou-o numa maleta e dirigiu-se ao hotel Renaissance, repassando-o a algumas pessoas que Marco Girardi nunca vira.
... Até 2006, a Telecom Italia foi a grande aliada do lulismo na batalha pelo espólio da Brasil Telecom. Um espólio que está para ser cedido à Telemar, por meio de um decreto presidencial. Ludgero Pattaro, o homem da maleta cheia de dólares, é candidato a uma das vagas no conselho consultivo da Anatel, que analisará o negócio. Absurdo? Fantasioso? Sórdido? Sim, tudo isso."