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January 30, 2008

Prediletas

Deu vontade de ouvir música bonita.

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Estamos indo bem

O índice de eficiência dos meus assessores esotéricos está pra lá de satisfatório. A julgar pela leitura da Folha de hoje, em menos de 20 dias eles acertaram parte importante das previsões que fizeram.

Diz o colunista Guilherme Barros: "O negócio sofreu fortes resistências dos fundos de pensão de estatais que participam do controle das duas teles (Previ, Funcef e Petros). Queriam continuar a ter influência na nova empresa. Após longas negociações, os fundos conseguiram ampliar seu poder na nova tele e avalizaram o negócio, embora ainda existam pontos pendentes... Entre os fundos, a Previ deve ter mais assentos no novo conselho de administração."

Diziam os videntes: "1) A Previ vai brigar até o fim pela pulverização (o que é o certo) e contará com a ajuda das semanais, já que os jornais estão tímidos. 2) A venda sai em forma de compra e venda, não importa o quanto esperneiem. 3) Mas, antes de capitular, a Previ forçará um acordo que, apesar de não ser nem de longe tão bom para ela quanto a venda das ações em mercado, garantirá a manutenção das boquinhas na nova megatele."

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Cúmplices

No dia 10 de janeiro eu escrevi:

"Não venham com essa história para boi dormir de que a mudança nas regras é única e exclusivamente para atender aos interesses da Oi e da Brasil Telecom. Se fosse, as outras teles já estariam fazendo um escarcéu."

Ontem, 29, segundo a Folha, o Hélio Costa confirmou:

"É importante não só para o governo, mas para o país ter uma tele nacional. Principalmente porque a mexida que vai se fazer no PGO [Plano Geral de Outorgas] vai dar também maior flexibilidade para algumas empresas já existentes no país... Automaticamente permite a solução do problema da Net, da Telefônica, da Embratel e do problema da TIM também, quem sabe?"

Mas cuidado com a leitura apressada. O fato de estarem todas juntas só mostra como ninguém acredita nos marcos regulatórios brasileiros. Na telefonia patropi, como está se vendo agora, as decisões são tomadas atrás da cortina e a única lei respeitada de verdade é a do compadrio. Os russos combinam tudinho.

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January 29, 2008

Malandragens

Fechar uma transação ilegal com o apoio do governo não é o único exemplo de como funcionam as coisas no Brasil. Há alguns dias, por exemplo, me contaram a última dos madeireiros na região amazônica: estão contratando índios para derrubar as árvores, pois a lei não permite que a eles sejam imputados crimes.

Também ouvi que, no Rio e em São Paulo, empresários meio fracos de conduta têm registrado suas empresas em áreas perigosas, controladas pelo tráfico. O objetivo é impedir a entrega de notificações judiciais ou evitar a chegada de fiscais do Estado.

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Samba, suor e cerveja

Então coube ao ministro das Comunicações a tarefa de oficializar a intenção da Oi e da Brasil Telecom de "uma recomposição societária".

Certamente a informação não foi tornada pública agora, às vésperas de Carnaval, sem motivo. O resquício de indignação política dos brasileiros desaparece por completo na folia. Ninguém estará nem aí para possíveis críticas.

Como dizia aquela marchinha, "ouro do bolso da gente não sai/somos da crise, se ela vier/bananas para quem quiser".

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January 28, 2008

21

Há movimentação demais em torno da Vale e de Roger Agnelli nas últimas semanas. Aí tem. Eu não me surpreenderia se alguém dos fundos de pensão, controladores da mineradora, viesse a integrar a diretoria da empresa em breve.

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Loteamento

Em dezembro, eu coloquei aqui uma notinha perguntando o que Jader Barbalho andava fazendo. A resposta veio hoje no site Amazonia.org:

"A estatal Eletronorte, com orçamento de aproximadamente R$ 5,5 bilhões, será provavelmente entregue pelo governo Lula ao grupo do dep. Jader Barbalho (PMDB-PA). Observadores da política energética estão preocupados pela indicação a presidente de um homem de confiança de Jader e tido como símbolo de corrupção em governos de diferentes cores políticas. Trata-se de Lívio Rodrigues de Assis, atual diretor do DETRAN no Pará.

Lívio Rodrigues de Assis teve um papel importante no governo federal na presidência de Itamar Franco, quando foi chamado pelo então ministro Eliseu Padilha a dirigir as concessões das operações rodoviárias. Em sua gestão explodiu o escândalo do então DNER - hoje DNIT- e teve de ser demitido pelo ministro, numa tentativa deste de ser poupado das denúncias. Mas conseguiu se manter em cargos públicos até hoje. De acordo com fontes do site amazonia, a operação já tem a chancela da ministra chefe da Casa Civil, Dilma Roussef.

Jader há tempo reclamava por não ter recebido cargos de peso suficiente em troca do decisivo apoio para a governadora Ana Júlia (PT) nas eleições de 2006. Ele poderá ter acesso à Eletronorte graças ao fato que o sen. José Sarney (PMDP-AP), que tradicionalmente controla a estatal, receberá a holding do grupo elétrico, a Eletrobras, que tem orçamento de quase R$ 15 bilhões. O ex presidente já está deslocando sua antiga equipe da Eletronorte para a Eletrobras, incluindo o diretor financeiro Astrogildo Quental."

Pois é.

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January 25, 2008

Pérolas

Sensacional a coleção de vídeos que Edson Sardinha, do Congresso em Foco, fez. Um estímulo à memória política e às risadas.

Entre os vários que estão lá: o resumo do primeiro debate entre os candidatos à presidência em 1989, a propaganda eleitoral de Silvio Santos, Maluf ensinando os políticos a "maquiar a realidade".

O meu preferido é o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) fazendo um reboliço na Comissão de Constituição e Justiça ao dar uma de rapper.

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Brincando de Deus

Vivemos tempos incríveis. Um time de 17 pesquisadores do Instituto Craig Venter sintetizou um genoma em laboratório. É o segundo passo, entre três, para criar uma forma de vida artificial.

Há uma matéria pequena na Folha (um absurdo, diante de tanta patacoada impressa em outras editorias!).

Aqueles que quiserem saber mais sobre o assunto podem dar uma lida no release do Instituto, em inglês, aqui.

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Susto

Leio na Folha que "o PMDB está dividido quanto ao possível ingresso de Edison Lobão Filho (MA) no partido".

O PMDB dividido? Como assim?

Sinto-me estupefata.

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January 24, 2008

Provedores

Reportagem de Elvira Lobato, na Folha, informa que os provedores temem que as teles dominem o mercado. É para temer mesmo. A figura do provedor, de acordo com o novo cenário, é absolutamente anacrônica. Olhem os balancetes.

Alguns provedores, como o IG (ligado à Brasil Telecom) e o Terra (da Telefônica) estão em situação um pouco mais confortável.

O UOL, do Grupo Folha, pertence também à Portugal Telecom, sócia dos espanhóis na Vivo. Garante posição apenas se os portugueses comprarem a metade da Telefônica na celular. Ou se fechar nova parceria.

Com a BrOi, por exemplo.

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Melhor do Dia

Demétrio Magnoli, n'O Estadão e n'O Globo. Perfeito no conteúdo e na forma. Aí vão dois trechos:


"Como o Brasil não é a Nicarágua, a piñata de Lula depende da fabricação de um artefato ideológico nacionalista. Aristóteles dos Santos, sindicalista petista que ocupa o cargo de ouvidor da Anatel, divulgou um relatório "técnico" no qual aplaude a hipótese de instituição de uma grande empresa nacional de telecomunicações capaz de competir com os grupos internacionais do setor. Encarregado de zelar pelos interesses dos usuários e pelas regras de concessão, o ouvidor avaliza um negócio cuja legalidade depende da mudança nas regras destinadas a proteger a concorrência, que é um interesse público. Samuel Johnson (1709-1784) classificou o patriotismo como "o refúgio derradeiro dos canalhas". Enquanto evolui o bloco carnavalesco do álibi patriótico, Carlos Jereissati e Sérgio Andrade entoam o Hino Nacional diante do altar dos juros subsidiados do BNDES."

"A novidade encontra-se na natureza orgânica do processo. A corrupção da nova elite precisa de um lastro doutrinário, que funciona como solda entre as camarilhas dirigentes e uma base nem sempre passiva de militantes e simpatizantes. O movimento não exclui lucrativas operações pessoais, nem está isento de fricções internas."

Eduardo Graeff, na Folha, também bateu.

Mas, pelo andar da carruagem, as críticas vieram tarde demais. Ontem à noite a AE Broadcast informou que tinha começado o descruzamento acionário na árvore societária da Oi (ex-Telemar). Não é preciso ser muito esperto para intuir que se trata de uma operação casada com a aquisição da Brasil Telecom.

Até aqui tudo previsível: mais gente no bonde das críticas e o negócio sendo arrematado de qualquer maneira.

É torcer para que as cláusulas de pesquisa e investimento sejam bem amarradas.

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January 23, 2008

Tempos modernos 2

O marasmo na terrinha continua. Nos Estados Unidos, porém, ganham força as críticas sobre os danos ao jornalismo trazidos pelo corte indiscriminado de custos, a falta de investimentos e a aversão às notícias que demandem maior profundidade na apuração.

Desta vez foi James E. O’Shea, até há pouco editor do Los Angeles Times, uma das mais importantes publicações americanas.

Clique aqui para ler a matéria do New York Times, em inglês, sobre o assunto.

Há menos de um mês, as constatações negativas vieram de Paul Steiger, então diretor do Wall Street Journal (leia mais aqui).

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January 22, 2008

Boa sorte, Intelig!

Leio no blog do Renato Cruz que a participação da Intelig no mercado de telefonia só faz cair. Passou de 21% em 2003 para 1,89% em 2007. Está tísica, precisando de investimentos e de um plano estratégico.

A Intelig acaba de ser comprada pela empresa Docas Investimentos, de Nelson Tanure, o mesmo dono da Gazeta Mercantil e do JB.

Só tenho duas coisas a dizer. A primeira é que torço para que o estilo Tanure _ salários atrasados, pouco caso com algo que não seja o fluxo de caixa imediato e demissões em massa para compensar a má gestão _ tenha mudado. Ou que não seja estendido às teles.

A segunda é que só vejo um jeito de ganharem dinheiro no curto prazo com a Intelig: sonegar impostos, cuja incidência é pesada no setor. Justo agora que o governo precisa de uma forcinha na arrecadação...

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Banco(s) de réus

Começou hoje em Milão o julgamento dos bancos internacionais envolvidos na quebra da Parmalat (Morgan Stanley, UBS, Deutsche, Citigroup e Bank of America). Nove executivos são acusados de agiotagem, segundo agências de notícias italianas.

Segundo os procuradores que acompanham o caso, "é a primeira vez que instituições financeiras que manipularam o mercado" serão julgadas na Itália.

Vale acompanhar.

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January 21, 2008

MMX

O Valor Online informa que "a Anglo American pretende investir US$ 16 bilhões no Brasil nos próximos dez anos para que a produção de minério de ferro da empresa no país atinja 100 milhões de toneladas anuais".

A projeção é possível, imagino, por conta da compra da MMX.

Sei não, mas parece que no Carnaval de 2008 compensa mais ser Eike do que Luma. Vamos ver se tem coleira na jogada.

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Nonsense

Quando a gente pensa que é impossível arranjarem mais uma maneira de administrar mal o dinheiro público, eis que o governo se supera. Da repórter Luciana Nunes Leal, n'O Estadão:

"Anunciado como grande novidade do primeiro governo Luiz Inácio Lula da Silva, o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) passa por um período de ostracismo e questionamento de suas funções, mas não recua na luta por mais recursos. A proposta orçamentária do órgão para 2008 prevê R$ 2,6 milhões em gastos. Se for aprovado pelo Congresso, esse orçamento vai superar em R$ 1,1 milhão (73%) o do ano passado, que foi de R$ 1,5 milhão - R$ 1,2 milhão foi efetivamente gasto."

Não sei quanto a você, mas eu fiquei uma arara. Todo esse dinheiro para abastecer um Conselho cujas sugestões só são acatadas quando coincidentes com as idéias do próprio governo. A ampliação do Conselho Monetário Nacional, por exemplo. Os conselheiros falam sobre isso desde 2003. Ninguém dá a menor pelota. Está no texto d'o Estado, inclusive.

A secretária do CDES não concorda comigo. Ela explicou para O Estadão que o motivo para o incremento de caixa "é que o Brasil assumiu a presidência da Associação Internacional de Conselhos, que reúne grupos de aconselhamento de presidentes de 70 países".

Na minha avaliação, isso significa que não basta ser irrelevante em território nacional, é preciso ir além. Quanta megalomania, humpf.

"Com nove lugares vagos, o conselho tem hoje 81 representantes da sociedade: 10 mulheres e 71 homens. Em 2007, passou por sua maior mudança, com a renovação de cerca de 70% dos integrantes... Os conselheiros não recebem pagamento pela função, mas ganham passagens e diárias do governo para participar das reuniões de trabalho. Segundo Esther, alguns empresários dispensam a ajuda de custo e suas empresas arcam com esses gastos. No ano passado, o governo gastou R$ 614.570,45 com passagens, diárias e publicação de documentos. Entre os 81 conselheiros que não pertencem ao governo, 31 são representantes do empresariado e do setor financeiro e 16 são sindicalistas. Os demais integram ONGs, pastorais, grupos religiosos ou são professores, estudantes, profissionais liberais, intelectuais e políticos."

Êpa, êpa, êpa! Se o governo gastou R$ 614,6 mil no ano passado com a parte mais importante do Conselho, as reuniões dos Conselheiros, o que justifica um orçamento mais de quatro vezes acima desse valor para 2008?

Tem gato nessa tuba. Alguma coisa está errada com o Cabidão, digo, o Conselhão.

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G00db0ys

Há alguns dias, o ombudsman da Folha reclamou da cobertura relativa ao processo judicial enfrentado pela Telecom Italia em seu país de origem. Pois bem. Aí vai uma dica que pode render boa matéria: a Procuradoria de Milão, que cuida do assunto, descobriu que a Telecom Italia escondeu contas suíças de altos dirigentes da empresa. As contas tinham sido encontradas pela Kroll.

Ah, você não está entendendo nada? Eu explico.

A Brasil Telecom (BrT, operadora das regiões Norte, Centro-Oeste e Sul) é uma espécie de dama medieval. Desde que foi criada, em 1998, com o leilão da Telebrás, há um monte de gente brigando por ela. Seus quatro principais sócios na época em que essa história começou eram fundos de pensão ligados a estatais, Citigroup, Opportunity e Telecom Italia. A administração da BrT cabia aos fundos geridos pelo Opportunity .

No dia 20 de dezembro de 2002, a pedido da Brasil Telecom, a Kroll abriu um novo caso. A partir daquela data, a maior agência de investigação do mundo iria se ocupar em coletar provas de que uma das acionistas da operadora, a Telecom Italia, atuava contra os interesses da empresa brasileira. Era o início do chamado “projeto Tóquio”, uma saga policial onde a realidade é capaz de fazer qualquer roteirista de Hollywood verde de inveja.

Na Kroll, a investigação ficou a cargo de um certo Richard Bastin, embora por pouco tempo. Meses depois ele foi contratado pela própria Telecom Italia. A troca de empregos _ e, ao que tudo indica, a entrega de parte dos dados obtidos pela investigação _ desencadeou uma fortíssima reação dos italianos, a “operação K”.

Por conta delas, hackers que trabalhavam na área de segurança da Telecom Italia invadiram computadores da Kroll e roubaram as informações que ainda não tinham. Depois as gravaram em um CD, entregue à Polícia Federal brasileira como se tivesse sido obtido de forma anônima.

(A PF brasileira já estava investigando a Kroll, por conta do caso Parmalat. Juntou tudo e prendeu meio mundo em julho de 2004. O furdunço ganhou ampla cobertura da mídia e tornou-se conhecido como "caso Kroll". Ainda rola na Justiça daqui.)

Acontece que esses hackers, cujos nomes de guerra são um show à parte, como “Sombra Divina” e “G00db0y”, participavam de um esquema de coleta e venda ilegal de informações, um mercado negro do grampo telefônico e eletrônico descoberto em 2006 pelos procuradores de Milão.

Ao longo do tempo, por conta dessa investigação e de outras, a Justiça italiana encontrou indícios da existência de uma rede que maquinava falências fraudulentas no Brasil. Essa rede abarcaria pessoas ligadas à Telecom Italia e sua fornecedora Tecnosistemi, além da Parmalat e da Cirio (Bombril).

A Kroll, muito antes dos procuradores italianos, tinha levantado dados sobre as triangulações. E, de quebra, descobriu contas bancárias na Suíça de dois importantes executivos da Telecom Italia. Por lá teria passado dinheiro da venda da operadora brasileira CRT.

Ambos, aliás, continuam trabalhando na operadora italiana. Um deles, segundo o depoimento de uma testemunha, negou a existência da conta.

Depois de entregar o CD manipulado à PF brasileira, os italianos tentaram fazer algo semelhante com a polícia italiana, “os carabinieri”. Lá o golpe não deu certo.

Outra coisa interessante que os procuradores de Milão descobriram é que a decisão de sumir com as informações contou com o aval, entre outros, de um executivo da Telecom Italia chamado Adamo Bove. Pena que não podem perguntar nada para ele: o rapaz suicidou-se em circunstâncias estranhíssimas quando estava começando a colaborar com o Ministério Público, passando outras informações para os procuradores. A família do morto não acredita que ele se jogou do viaduto.

Claro que alguns vão dizer (como parece que já fizeram com o ombudsman da Folha): “essas informações são todas falsas”. Ah, é? Peguem o documento onde a Procuradoria de Milão explica os motivos pelos quais mandou prender Angelo Jannone, ex-chefe da Segurança para a América Latina da Telecom Italia. Há vários depoimentos dizendo a mesma coisa.

"Imagina, isso é chute". Se quiserem saber a opinião dos homens da Lei de Milão, procurem na página 261, rá.

Claro que quem tiver paciência de ler tudo vai encontrar muito, muito mais. O pessoal de lá e a turma com quem eles se metiam eram “tutti buona genti”, "g00db0ys".

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January 18, 2008

Tangled Up in Brazil

Está para chegar às prateleiras o livro “O Brasil dos Correspondentes”, histórias dos bastidores do poder e da cultura contadas por jornalistas estrangeiros que atuam por aqui.

Enquanto a versão em português não vem, é possível sentir o gostinho. Há um texto em inglês escrito por Bill Hinchberger, onde aparece todo mundo: Lula, FHC, Delfim, Jorge Amado, Niemeyer, Roberto Marinho, ACM, Palocci...

Um trecho onde ele fala sobre corrupção: "quando o futebol for saneado, o resto virá naturalmente. A questão 'quem matou Celso Daniel?' parecerá de repente mais interessante que 'quem matou Taís?'.

Quem quiser ler mais pode clicar aqui.

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Fila

Vejo no Radar, de Lauro Jardim, que "Eugênio Staub esteve ontem com Lula. Mas desmente que tenha ido pedir ajuda para a Gradiente, que vive a pior crise de sua história".

Sei não. Acho que começou o movimento dos "também quero".

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Chamem o...

Claro que você, inteligente que é, percebeu: tem gente no vão da escada fazendo confusão e tentando jogar água fria na compra da Brasil Telecom pela Oi sem bater de frente com o governo.

Nada contra falarem mal da operação, muito pelo contrário. Ela está sendo tramada sem o respaldo da lei e na medida para favorecer financiadores de campanha. O problema é a forma escolhida para brigar. Subreptícia, furtiva, dissimulada. Um engulho.

Explico-me. O governo rachou. O Planalto quer a venda nos moldes acordados com Carlos Jereissati e Sérgio Andrade, mas os fundos não. Como, porém, a cúpula das fundações é de gente indicada pelo próprio governo, bater de frente significaria perder o cargo. E isso, meu amigo, nenhum deles está disposto a fazer.

Muito melhor usar a imprensa amiga para mandar recados e influenciar a opinião pública, mesmo que isso signifique colocar a lógica no torno. O máximo que se pode chegar nos beliscos é esculhambar o Luciano Coutinho, presidente do BNDES. Como se ele tivesse autonomia para decidir sobre um aporte de bilhões e bilhões, rá! Faz-me rir.

E a eleição, súbita e unânime, de Carlos Jereissati e de Sérgio Andrade como os belzebus da ocasião, os juruparis recém-descobertos? Durante anos eles foram apontados pelos dirigentes das fundações como sócios ideais na Oi, tanto que as fundações nem pediam que botassem a mão no bolso para engordar os próprios investimentos. Mais: as entidades de previdência se afastaram do comando da Oi. Deixaram para Jereissati e Andrade a tarefa de tocá-la.

Desde o leilão da Telebrás, os fundos, em especial a Previ, fecharam com Jereissati. Deviam achar que, ao final da guerra contra Daniel Dantas, compartilhariam com ele a megatele. Tsk, tsk, tsk. Não contavam com a astúcia do próprio presidente da República, que sabe do potencial fratricida dos sindicalistas e tem ótimas relações com Andrade.

Também não deviam contar que Jereissati virasse as costas para os amigos. Como você sabe, os administradores da Previ, o fundo de pensão do Banco do Brasil, são ligados à ala do PT sindical, que anda sob a canga do Sindicato dos Bancários de São Paulo. É uma facção poderosa, com grande ascendência sobre o partido. Mas não tão poderosa quanto Lula.

Aí é que eu fico louca da vida: por que não vêm a público falar que não obedecerão ordem tão esdrúxula do Planalto? Por que ficam dizendo que a operação renderá mais que pulverizar as ações?

Ok, suponhamos que seja assim. O mercado despencou nos últimos dias e blábláblá. Por que não fazem um leilão público, então? Por que não escutam o lance de outros possíveis compradores? Se o negócio é tão bom, certamente eles existem. Por que a lei não é mudada ANTES de um compromisso de venda assinado?

A explicação só pode ser uma. Se não é pra ficar nas nossas mãos, as mãos sindicais, melhor não irritar a chefia. E melhor que não fique explícita a intenção de sabotagem.

É simples resolver. Lançam mais essa fatura na conta do Opportunity, que foi transformado em uma espécie de ímã para problemas. Começam a criar empecilhos para a negociação, fazendo propostas que Dantas não vai aceitar. Travam tudo, mas sem ônus. Não discutem à toa, não reclamam.

E o Dantas, Janaína? Ah, esse é um caso à parte. Poderia aproveitar e brigar, mas não vai. Durante anos ele disse que o governo queria favorecer Jereissati e Andrade. Agora faz de conta que nada aconteceu, pois vai ganhar um dinheirão e colocar fim às contendas judiciais, que ocupam 90% do tempo do banqueiro atualmente. É o pragmatismo elevado à enésima. Uma decepção.

Quer saber, presidente? Chame o Ricardo Sérgio. Ele, sim, é eficiente de verdade. Já resolveu as coisas para Jereissati e Andrade uma vez, há dez anos. Garanto que o faria de novo. Se bem que, daquela vez, os fundos estavam no balaio...

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Os Presentes

Ouça que música linda. A intérprete se chama Eliana Printes. Enquanto você escuta, eu escrevo um novo post.

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January 16, 2008

Análise rápida

Alguém aí ouviu falar de uma hipótese sobre os meios de comunicação chamada "espiral do silêncio"? Ela é relativamente simples. Indivíduos que têm opiniões contrárias às da maioria tendem a se manter em silêncio, por absoluto pavor do julgamento alheio.

Pois muito bem. Os editoriais e colunas publicados hoje funcionarão como sinal verde para muita gente que queria, mas não tinha coragem, de criticar a compra da Brasil Telecom pela Oi. Acredito que, a partir de agora, a coisa vai ganhar ares de cruzada, principalmente na internet.

Sinto dizer que, na minha opinião, de pouco adiantará. O problema é outra tese, bem mais prosaica, mas de acerto inconteste: as pessoas enjoam de ver e ouvir o mesmo assunto ser martelado pela mídia; passam a ignorar o noticiário, por mais que o assunto seja importante. Foi o que ocorreu, por exemplo, com o mensalão e o buraco do metrô em São Paulo.

Toda a indignação será gasta antecipadamente com essa onda de "assinou-não-assinou-estão-assinando-a-droga-do-contrato". Restará pouquíssima audiência com disposição de permanecer atenta ao escândalo de hoje daqui a alguns meses, quando a "Lei Telezoca" sair do forno do Planalto. "O Brasil é isso aí mesmo", dirão. "Não adianta reclamar."

Claro que, à ocasião, os acertos no Congresso também terão sido equacionados. O barco da BrOi _ que já nasce um troll entre os anunciantes _ acabará empurrado pela brisa, em plena bonança.

Há que se dar a mão a palmatória. Esses caras são muito, muito bons no que fazem: manipular opinião pública, governo, parlamentares e o que mais surgir pela frente.

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Underworld

Lobão ficou machucado, mas sagrou-se vencedor. Até agora.

Se o quase-ministro for esperto, colocará os pêlos de molho _ o PT não vai desistir tão fácil. E é difícil manter família, amigos e passado em quarentena.

Esse filme, meus amigos, terá parte dois. Podem apostar.

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Crítica pertinente

A iniciativa da Folha de manter um ombudsman e de tornar pública essa coluna para os seus leitores é louvável. Rouca de tanto repetir, estendo a crítica aos outros jornais, sites e revistas: pintam-se todos de bege quando o assunto é apurar as denúncias existentes na Itália.

"Teles e negligência

A leitura da coluna de Janio de Freitas e das reportagens em Dinheiro sobre a possível compra da Brasil Telecom pela Oi (Telemar), no domingo, reforçam a impressão de negligência na recusa --a essa altura, a palavra é esta: recus-- do jornal em não apurar em processo judicial na Itália informações sobre a disputa empresarial no setor de telecomunicações no Brasil.

Não sei se os depoimentos e documentos são honestos e autênticos, não tenho a mais remota idéia sobre que parte do confronto tem mais ou menos razão.

O que não se entende é a Folha ignorar que há muita informação a conhecer.

Ainda mais porque elas dizem respeito à participação do Estado, no caso o governo federal e fundos das estatais, em um rolo de difícil compreensão para não iniciados. "

Clique aqui para ler até o fim.

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"Quid pro quo" ou quiprocó. Você decide.

Fica cada vez mais divertido.

A reboque de Reinaldo Azevedo, vieram hoje os editoriais d'O Globo e do Teletime, além da coluna de Clóvis Rossi. Seu colega da Folha, Janio de Freitas , já tinha batido no domingo, mesmo dia em que Paulo Henrique Amorim e Luís Nassif começaram com suas críticas. Mino Carta também destilou ironia.

Eu, sem imaginação que sou, continuo com o que já dizia desde a semana passada (dê uma olhada nos posts anteriores):

1) a operação é um escândalo, feita para beneficiar gente que financiou a campanha do atual governo;

2) fundos de pensão e Daniel Dantas, que poderiam aproveitar a ocasião para fazer uma grita, passaram zíper na boca.

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January 15, 2008

Telezoca FM

Os sócios da Oi e da Brasil Telecom oferecem essa música para você, leitor, na esperança de fazê-lo entender como é o estado de espírito de quem é comboiado pelo governo.

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Discurso alinhado

Mais uma da série perguntar não ofende: o ouvidor da Anatel, Aristóteles dos Santos, que apresentou ontem um relatório defendendo a criação de uma "empresa nacional" na área de telecomunicações, é o mesmo que foi recebido pelo presidente Lula no último dia 11?

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January 14, 2008

Reunião de Bacana

Eis que, no meio da fervura BrOi, a Telecom Italia virou notícia no pé de página. Não por muito tempo: estão por aqui o presidente da empresa, Gabriele Galateri, e o CEO da operadora italiana, Franco Bernabé. A notícia é do jornal Il Messaggero.

"A missão é precisa: compreender, a partir dos rígidos compromissos fixados pela Anatel, quais sinergias podem ser implementadas com os sócios espanhóis no Brasil", diz o texto.

Ou seja, como eu afirmei antes, espanhóis, mexicanos e italianos estão dedicados ao mutismo porque a "Lei Telezoca" servirá a manobras empresariais de todos. Hoje, a Telefónica não pode dar pitaco na TIM _ oficialmente, digo.

Os italianos, aliás, são os grandes perdedores nessa história de compra. Durante anos eles brigaram ao lado dos fundos de pensão pelo comando da Brasil Telecom. Mas, diante de uma carreira de denúncias sobre os métodos heterodoxos usados na disputa, venderam as ações muito abaixo do preço de mercado. Deixaram de embolsar rios de dinheiro, como disse em dezembro. Mais precisamente US$ 500 milhões, segundo o Il Sole 24 Ore.

Ou não. Talvez perder aí tenha sido o pedágio que os italianos pagaram para que o Brasil reconhecesse a compra de seu controle pela Telefónica. Os espanhóis foram mestres: levaram a TIM e os italianos ainda ajudaram a quitar a fatura.

Não são apenas os representantes da TIM que virão olhar o samba das teles de pertinho. Segundo Guilherme Barros, colunista da Folha, "Vikram Pandit, novo presidente mundial do Citibank, desembarca no Brasil até o fim do mês para conhecer as instalações brasileiras do banco. Como eu também falei aqui, "ao contrário do que acontece nos EUA, a perspectiva é exibir, no Brasil, lucros gordos, de centenas de milhões de dólares".

É bom que sejam lucros com muita gordura trans, uma vez que o Citi abriu mão de exercer o acordo "put". Esse contrato, que previa a venda das ações do banco na Brasil Telecom aos fundos de pensão, daria ao bancão muito mais dinheiro que a venda da operadora para a Oi ou que a oferta em mercado.

Se os americanos não querem o que é seu, nós, brasileirinhos com tacape, não somos ninguém para criticar. Eles sempre souberam que a "put" era feita com pó de mico. Ademais, sinceridade, um prejuízo a mais ou a menos não deverá fazer diferença para o Citi, cuja previsão de vermelho é a de US$ 24 bilhões, de acordo com a Reuters. Se bater o arrependimento, daqui a algum tempo eles colocam algumas dessas cabeças coroadas na lista dos 17 mil que serão demitidos e acaba tudo lançado no débito e crédito.

Mas, voltando ao que interessa, Lauro Jardim, da Veja, informa que o megaempresário Carlos Slim também vai dar um pulinho no Distrito Federal. Será que Don Carlos vai visitar José Dirceu e suas novas melenas?

Aliás, providencial esse negócio do cabelo. Como bem lembrou uma amiga muito perspicaz, até há pouco era Dirceu o homem apontado como o articulador da compra da Brasil Telecom pela Oi.

Só faltou a Portugal Telecom. Esses, todavia, nem precisam mandar gente para cá. Além do próprio Slim, acionista da PT (é da PT, e não do PT, hein?), está cheio de brasileiro louquinho para defender os interesses dos nossos descobridores, ó, pá!

Vai acabar ficando toda essa galera para o Carnaval. Imaginou os gringos no Bloco dos Sujos cantando "olha a cabeleira do Zezé..." e "ei, você aí, me dá um dinheiro aí..."?

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CQD

Reinaldo Azevedo, da Veja, traz a análise dessa história das teles. Sem meias palavras, nem meias verdades.

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Brasileiros

A revista Brasileiros deste mês traz uma entrevista feita por Ricardo Kotscho com o presidente da República. Não é nenhuma maravilha, mas vale a leitura. Um trecho em especial chamou a minha atenção: aquele em que o presidente diz que companheiros fizeram coisas que o partido sempre condenou.

"Eu penso que é preciso avaliar corretamente o que deu errado na política. Alguns companheiros meteram os pés pelas mãos, fizeram tudo aquilo que o PT sempre combateu ao longo da vida. Afinal de contas, foi para isso que criamos o PT, para moralizar a política brasileira."

É uma admissão da existência do mensalão?

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Ah, tá...

Agora entendi. A virada no tom do noticiário serve para forçar a negociação da fatia dos fundos na nova operadora. Ou seja, a briga agora é nas entranhas do governo: fundações versus BNDES.

Do Radar:

"No detalhamento final do acerto entre Oi/Telemar e Brasil Telecom, um dos pontos discutidos nesta semana é a participação final dos fundos de pensão na nova megaempresa. O que está na mesa é a posibilidade dessa participação passar de 12% do capital total para 20%. E esse avanço seria sobre a fatia de quem? Do BNDES e das seguradoras do Banco do Brasil, que venderiam seus respectivos quinhões para a Previ e companhia."

Para mim, a saída do BB já está acertada. Quanto ao BNDES, o buraco é mais ao solo. O banco vai colocar dinheiro ali. Por que diminuiria a participação? A explicação vai ter de ser boa, ainda mais que o Planalto, supostamente, quer a permanência do banco. A justificativa é que ele serve de anteparo para investidas de companhias estrangeiras.

Dêem uma olhada no Jornal do Commercio. Reportagem escrita por Cesar Faccioli diz que "a Portugal Telecom é o sujeito oculto das preocupações de setores do Governo federal quanto à união da Oi (ex-Telemar) e da Brasil Telecom resultar numa desnacionalização...Potencial financiador da operação e acionista das duas empresas, o BNDES trabalha para que o negócio não seja fechado em bases que acentuem esse risco."

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Pulga

Todo mundo decidiu, de repente, ficar contra a compra da BrT pela Oi. Mas isso só no domingo, cinco dias após a notícia da operação ter sido divulgada.

Por que será, hein?

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January 13, 2008

Legend of 1900

Ennio Morricone para embalar o fim de semana.

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January 12, 2008

Atenção!

Não se engane quando ler por aí que o pessoal vai colocar a mão no bolso para concretizar a venda das teles. Existem vários jeitos de o governo financiar a operação. Um, direto, é emprestar dinheiro via bancos oficiais a juros companheiros. O segundo, menos explícito, é fazer com que os fundos ligados a estatais abram mão de seus ganhos em favor dos compradores. Outro, ainda menos óbvio, está na capitalização, prevista em letras miúdas nos contratos, de um dos galhos da árvore societária.

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January 11, 2008

Sugestão

Para beneficiar Assis Chateaubriand, então o grande manda-chuvas da mídia local, Getúlio Vargas assinou uma lei que ficou conhecida como "Teresoca".

O governo Lula nem vai precisar de imaginação para nomear a mudança das regras que permitirão a união da Oi e da BrT. Quando sair do forno, podem chamá-la de "Lei Telezoca".

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Desabafo

Chega. Meu amigo sabe que tentei, mas é um absurdo essa história de usarem as pessoas para mandarem recado. Vão lamber pedra pome.

Essa operação é um ESCÂNDALO. Dois sócios privados da Oi, aparentemente porque pingam dinheiro no caixa de campanha, usaram os fundos de pensão, a Telecom Italia e o Citigroup para brigarem por eles. Os três gastaram montanhas de dinheiro para varrerem do mapa o Opportunity, que agora faz cara de paisagem porque vai ser beneficiado com o fim das brigas.

Os fundos, os italianos e o Citi foram soldadinhos de brinquedo. O espólio da guerra, porém, vai para o rei e seus amigos _ exatamente como era de se esperar em um país de favores e favorecidos.

E que amigões, puxa vida! Um cuida de influenciar a mídia e outro dá um trato nos políticos. Quer melhor?

Não é só PT, aliás. É PT, PSDB e quem mais quiser aderir à Omertà. Grandes negócios, como se sabe, são "cosa nostra".

Para quem não lembra ou acha que estou exagerando, aí vai uma matéria da qual os jornais de São Paulo e do Rio correram: "Fundos financiaram sócios sem dinheiro", escrita por Ana D'Ângelo, d'O Estado de Minas, em 2003.

CADÊ os fundos de pensão, os paladinos da moralidade, que não vêm a público espernear contra esse absurdo? Até a porta por onde passa um analista de investimentos sabe que a pulverização renderia mais dinheiro e transparência para as fundações.

Estão lá, negociando os caraminguás. Que feio, que feio, que feio!

No fim, só mais uma pergunta: se uma lei me incomoda, o que eu preciso fazer para que o governo a mude? Não vale dizer que eu preciso gravar conversa alheia. Isso eu acho muita falta de educação.

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Que será, será!

Provando minha disposição em ser boazinha e não falar mais que é errado fazer compras a granel com dinheiro público.

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Salamandra

Atendendo ao pedido do meu amigo para não me meter em confusão, inauguro a fase "não-ligo-para-o-terrível-mundinho-dos-negócios". Do UOL Bichos:

"Cientistas do Museu de História Natural de Londres encontraram 11 novas espécies animais e vegetais em uma reserva florestal na Costa Rica.

As espécies incluem três tipos de salamandras e estavam entre as cerca de 5.000 plantas e animais registrados pelos cientistas durante três expedições à América Central."

Tenho pavor de lagartixas, mas salamandras são coisas diferentes. Os antigos, inclusive sábios como Aristóteles, acreditavam que ela era capaz de resistir ao fogo. Dependendo da ocasião, até o apagava com o próprio corpo.

Agora sim, dirão, eu escrevi uma coisa suuuper interessante e que não melindra ninguém. Uma florzinha.

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Questão de imagem


Aí vem um amigo que fala para eu mudar de assunto, pois não fica bem atrelar tanto meu nome aos problemas das teles, e o mundo é bem maior que tudo isso, e essas notas vão parecer pegação no pé, e eu não ganho nada com isso, veja bem.


Sinceramente não vejo assunto mais interessante no momento do que o melancólico fim do processo de privatização. Mas, como a pessoa em questão gosta sinceramente de mim e sempre pareceu querer o meu bem, estou pensando seriamente em acatar o conselho e escrever sobre outras coisas.


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Amazônia

Vale acompanhar a história da licitação das madeireiras. Dê uma olhada no UOL:

"Oito concessionárias encabeçadas, na maioria, por madeireiras entraram na disputa pela Concessão Florestal da Floresta Nacional Jamari, em Rondônia. Uma área de 96 mil hectares de floresta é a primeira da Amazônia a ser licitada com amparo da Lei de Gestão das Florestas Públicas, que concede a empresas privadas o direito de exploração de áreas da floresta amazônica por períodos de até 40 anos. A área licitada da Jamari equivale, por exemplo, a mais de duas áreas da cidade de Curitiba, no Paraná (ou 53.333 campos de futebol).

Criada pelo governo Lula com a finalidade de evitar a grilagem de terras da Amazônia e promover um desenvolvimento sustentável da floresta, a lei permite que concessionárias explorem áreas - pré-determinadas pelo Ibama como "áreas de manejo" -, extraiam produtos da terra e comercializem. As empresas vencedoras também podem explorar a região com serviços, como o ecoturismo, mas sempre obedecendo a regras de preservação da floresta, além de normas para atualização de preços de produtos e serviços explorados."

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Pragmatismo

Vai ser um arreganhar de dentes até que a fusão entre as teles seja concretizada. Mas ela acontecerá de um jeito ou de outro.

A turminha está em guerra e o reflexo disso, como sempre, será visto na mídia. Depois todo mundo se entende, pois os jornais não poderão ficar contra um anunciante tão vistoso quanto a nova super tele.

É aquela história do Woody Allen em "Annie Hall". O sujeito vai ao psiquiatra e diz: "Doutor, o meu irmão é maluco; ele pensa que é uma galinha." O médico devolve: "Bem, e por que você não o interna?" E a resposta vem na hora: "Porque eu preciso dos ovos".

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Vaticínios

Todo começo de ano eu tenho um surto esotérico. Rendo-me às predições de astrólogos, tarólogos, numerólogos, pais-de-santo e de qualquer vidente que tenha a chancela da revista Nova.

Depois dos temas mais importantes, de cunho pessoal, claro que surgem as questões profissionais. Como eu não faço mais parte das redações e não posso perguntar para as fontes, descarreguei a frustração inquirindo os adivinhos sobre toda essa bagunça das teles.

Abaixo vai um compilado do que foi dito pelos meus assessores para assuntos do além. Daqui a algum tempo a gente confere. ;)

1) A Previ vai brigar até o fim pela pulverização (o que é o certo) e contará com a ajuda das semanais, já que os jornais estão tímidos.

2) A venda sai em forma de compra e venda, não importa o quanto esperneiem;

3) Mas, antes de capitular, a Previ forçará um acordo que, apesar de não ser nem de longe tão bom para ela quanto a venda das ações em mercado, garantirá a manutenção das boquinhas na nova megatele;

3) A composição entre Sérgio Andrade e Carlos Jereissati não vai durar por muito tempo. Experimente colocar dois carnívoros famintos, com tendências canibais, no mesmo cercadinho e veja o que acontece.

4) O IG, portal de internet da Brasil Telecom, vai ganhar uma força tremenda e mexer com o mercado das notícias no Brasil;

5) Os negócios de Andrade Gutierrez no setor de construção ficarão sob o atento monitoramento dos concorrentes. Já ganhou nas teles, ganhar nas obras vai ficar mais difícil.

6) O BNDES, só para variar, vai bancar tudo e virar minoritário até sumir. Ou banca tudo e nem fica.

7) Daniel Dantas vai compor e as brigas em torno do passado vão arrefecer. Perde o Brasil.

8) Carlos Slim, se quiser, compra o restante da Net. Ninguém mexe com a Telefônica por algum tempo.

9) A nova tele não poderá ser chamada de estatal. Só de estatóide.

10) Alguém vai publicar uma charge sobre nacionalismo e a nova lei onde o presidente da República diz em voz alta: "Se é para o bem de poucos e felicidade geral via doações, diga ao povo que assino".

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Calote

Da Agência Estado:

"Uma empresa telefônica cortou uma escuta internacional do FBI depois que a agência federal deixou de pagar sua conta em dia, de acordo com uma auditoria do governo norte-americano divulgada na quinta-feira.

A auditoria, conduzida pelo inspetor geral do Departamento da Justiça, disse que o FBI é culpado de mau uso do dinheiro utilizado em investigações clandestinas, e que essas práticas tornam a agência vulnerável a roubos e problemas no pagamento de faturas."

Que coisa. O FBI deveria se mirar na Abin, cujo dinheiro para as escutas, ao que tudo indica, continua garantido. ;-)

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O seu, o meu, o nosso

Para levar a cabo grandes negócios, como a compra da Brasil Telecom, os empresários vão precisar de dinheiro do BNDES.

E o BNDES vai precisar de dinheiro do Tesouro.

E o Tesouro, lipoaspirado sem os recursos da CPMF, vai precisar que você coloque a mão no seu bolsinho e entregue para o governo.

Sacou? Não? Eles sacaram. Ou vão sacar.

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O dinheiro do BNDES

O melhor artigo do dia foi trazido pelo Valor Econômico, assinado por Claudia Safatle. Em linhas gerais, o texto diz que o BNDES vai precisar de dinheiro do Tesouro para emprestar dinheiro a juros mais baixos que o de mercado.

Alguns trechos:

"O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vive um sério problema estrutural e a medida provisória 414, publicada no "Diário Oficial" na segunda-feira, é apenas uma meia-sola para financiar a expansão do crédito da instituição este ano. O banco dispõe de R$ 50 bilhões e alega ter uma demanda de R$ 80 bilhões a R$ 90 bilhões de financiamentos este ano. A MP foi editada para que o governo possa suprir pelo menos em parte esse buraco de cerca de R$ 30 bilhões.

Na verdade, ela autoriza o Tesouro Nacional a conceder crédito de até R$ 12,5 bilhões ao BNDES, coberto pelo superávit financeiro, em condições financeiras e contratuais a serem ainda definidas pelo Ministério da Fazenda.

... O problema, porém, transcende o alcance da MP. Em poucas palavras, o fato é que minguou o "funding" barato para o banco emprestar a juros subsidiados, na medida em que os recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) estão se exaurindo.

... No governo, porém, as coisas são mais complicadas. O que prevalece é o desejo do Executivo de patrocinar negócios a juros subsidiados para o setor privado, seja por visão doutrinária ou por vontade de manter o controle político do Estado sobre determinados setores da economia, apesar de todo o potencial de aumento da captação de recursos, por parte das companhias privadas, no mercado de capitais.

Sacar contra o superávit primário para aumentar a carteira de empréstimos do BNDES não afeta as contas primárias do governo federal, que é o que ocorreria no caso de o Tesouro Nacional optar por capitalizar o banco. Significa, contudo, gastar uma poupança que já foi feita para reduzir a dívida pública como proporção do PIB. Esse modelo não é novo. Foi usado também em 2007 para capitalizar a Caixa Econômica Federal, numa operação de R$ 5,2 bilhões do Tesouro para a CEF poder aumentar os financiamentos à projetos de saneamento.

...Num momento de desaceleração da economia mundial, com o conseqüente aumento dos riscos para a política monetária doméstica, a melhor resposta que o governo poderia dar seria um reforço da sustentabilidade fiscal, e não o contrário."

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January 10, 2008

Trilha do dia

Foram quase dez anos de mães vilipendiadas por maledicentes, mas tudo indica que a marcha está prestes a acabar.

Resta saber como ficará a partilha do Conselho da nova super tele, já que todo mundo quer embarcar...

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Gamecorp

Lauro Jardim, da Veja, fez um golaço, está de parabéns. Conseguiu o furo pelo qual todo mundo, inclusive eu, lutamos por anos: quem compra a Brasil Telecom e como acaba a mais encarniçada disputa societária do país.

Já a fonte que passou a notícia para ele, eu não sei. O objetivo, claramente, era o de melar a transação. Ninguém interessado em levar a compra adiante avisaria antes da assinatura do contrato que a Anatel trabalha a reboque de interesses privados e que eles estão pouco se lixando para as regras atuais, pois sabem que podem influenciar o governo.

E vem mais chumbo por aí. A Folha escreveu de forma macia, mas o Reinaldo Azevedo já desceu a caneta. Olhem só o que ele colocou no blog hoje:

"Há umas duas ou três coisas que vocês precisam saber a respeito — ou das quais devem se lembrar, não é?- Um dos donos da Telemar é Sérgio Andrade, da empreiteira Andrade Gutierrez, como informa Jardim. É amigo pessoal de Lula, o grande entusiasta da operação.- O outro, como está claro acima, é Carlos Jereissati, do Grupo La Fonte. A Telemar é aquela empresa que injetou R$ 15 milhões na Gamecorp, a empresa de Fábio Luís da Silva, o Lulinha.- Mas isso não tem nada de espantoso. O que espanta mesmo é que, HOJE, a operação é ilegal.

... Acontece, meninos, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o amigo de Sérgio Andrade e pai de Lulinha, já se comprometeu a mudar o decreto. Sim, com todas as letras, teremos um ato de ofício do presidente da República que vai beneficiar uma empresa: vai se mudar um decreto para permitir uma operação comercial em particular."

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Pingo no i

Não venham com essa história para boi dormir de que a mudança nas regras é única e exclusivamente para atender aos interesses da Oi e da Brasil Telecom. Se fosse, as outras teles já estariam fazendo um escarcéu.

Estão caladinhas porque todas apostaram nessa alteração. Façam uma pesquisa dos negócios pendentes na Anatel e vocês vão descobrir que a lei atual é letra morta há tempos.

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Eu queria saber

Aí vão algumas sugestões de explicações que, a benefício do leitor, deveriam constar dos próximos textos sobre a união das teles.

- Quem ganha e quem perde com o modelo compra e venda; quem ganha e quem perde com a pulverização; qual é o tipo de transação defendida pelo dono do jornal que cuida do assunto e seus motivos para tanto.

- Por que, "afogado em dívidas", o Citi prefere descartar a melhor opção que teria para levantar dinheiro, o exercício da put? Ou por que prefere vender sua parte por um valor menor do que conseguiria na pulverização das ações?

- Por que o papel de Sérgio Andrade é tão preponderante? Qual foi o argumento que ele usou para "convencer" a Previ? (Conheço Sérgio Rosa. Duvido que ele tenha sido "convencido". Ele vai brigar até o fim pela pulverização.)

- Por que as matérias olham só para o Sérgio Andrade? Qual é a posição de Carlos Jereissati nesse tabuleiro?

- Como ficam o Banco do Brasil e o BNDES se a venda sair do papel? O BB sai da Telemar ou fica? O BNDES vai bancar e se tornar sócio minoritário?

- Como fica o Opportunity? Sai dos dois empreendimentos? Por quanto? E as brigas judiciais, serão encerradas?

- Quem está tentando jogar no colo da ministra Dilma Roussef o ônus da operação, agora que criaram empecilhos para que ela seja concretizada?

- Quanto os fundos de pensão já injetaram na Telemar desde a privatização? Por quais meios? Eles financiaram os sócios privados?

- Alguma das empresas compradoras é financiadora de campanha?

- Então Citi, fundos, Opportunity, Telecom Itália montaram o baile, mas quem vai dançar com a debutante são outros?

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Vendida

Eis que Guilherme Barros e Elvira Lobato, da Folha de S.Paulo, confirmam a venda anunciada ontem pela Veja.

"Os controladores da Oi (ex-Telemar) acertaram o preço de compra da Brasil Telecom (BrT) por R$ 4,8 bilhões, segundo a Folha apurou junto a um dos envolvidos nas negociações. Para a concretização da compra ou fusão entre duas das maiores empresas de telefonia do país, ainda é preciso mudar a legislação do setor. O governo apóia o negócio."

A reportagem fala de Carlos Jereissati, mas enfatiza a atuação de Sérgio Andrade:

"No início, havia resistências por parte de Sérgio Rosa, presidente da Previ (fundo de pensão do Banco do Brasil), que tem uma importante participação tanto na Oi quanto na BrT. Rosa defendia uma venda pulverizada das ações da BrT. Andrade acabou convencendo a Previ do negócio. O Citigroup, que também tem uma participação importante na BrT, não impôs resistências. Afogado em problemas com a crise financeira nos EUA, o Citi quer vender sua parte na BrT.

Andrade teve como avalistas da operação o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Andrade é um dos empresários mais próximos de Lula. Os dois se conhecem desde a época em que Lula perdeu a eleição para Fernando Collor de Mello (1989), quando Andrade lhe deu apoio."

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January 09, 2008

Vendida! Será?

Se for verdade é um furaço do Lauro Jardim, colunista da Veja:

"Depois de dois meses de negociações, o grupo Telemar/Oi fechou na segunda-feira à noite a compra da Brasil Telecom. Vai pagar 4,8 bilhões de reais pelo controle da empresa. A nova super operadora terá dois controladores: Andrade Gutierrez, do empresário Sérgio Andrade, e La Fonte, de Carlos Jereissati. O BNDES vai financiar parte do negócio. A GP, uma das atuais controladoras da Telemar, sai da empresa. E o Citi deixa a BrT."

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Sai ou não sai?

A guerra das versões sobre a união da Brasil Telecom e da Oi (ex-Telemar) está a todo vapor.

O que diz o Teletime, site especializado: "As negociações entre acionistas da Oi e os controladores da Brasil Telecom para uma eventual fusão estão em curso, e uma nova rodada de conversas acontece nesta quarta, 9, no Rio de Janeiro. Mas, ao contrário do tom que tem sido dado em algumas notícias sobre o tema, não existe nem uma grande pressão do governo para que isso aconteça nem é um negócio iminente. Segundo fontes qualificadas que acompanham o processo, a chance de uma eventual fusão entre as duas empresas dar certo é equivalente à chance do negócio não sair, dada a complexidade das variáveis envolvidas. "

O que diz o Valor Econômico: "A Brasil Telecom (BrT) está pronta para apresentar ao mercado uma proposta de pulverização de suas ações, mas antes disso a operadora poderá se tornar alvo de uma oferta de aquisição pela Oi (ex-Telemar). As conversas entre os acionistas das empresas - que há meses discutem a possibilidade de uma fusão - voltaram a esquentar exatamente por causa dos preparativos para a reestruturação societária da BrT. Existem algumas alternativas na mesa. Entre as mais prováveis, está uma oferta da Telemar Norte Leste (empresa operacional da Oi) pela Solpart, holding por meio da qual fundos de pensão e Citigroup controlam a Brasil Telecom. Se as discussões não evoluírem, a BrT deverá anunciar muito em breve uma série de medidas que culminam na conversão de suas ações preferenciais em ordinárias."

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Estrangeiros

Como disse abaixo, o Brasil está bombando. Com a palavra a BBC Brasil, no UOL:

"O Brasil é o segundo país onde o investimento estrangeiro direto mais cresceu em 2007, segundo estimativa divulgada nesta terça-feira pela Unctad, órgão das Nações Unidas para o desenvolvimento.

O volume líquido de investimento direto recebido pelo Brasil deve dobrar (alta de 99,3%) em relação a 2006 e chegar a US$ 37,4 bilhões. A previsão é diferente da avaliação do Banco Central, segundo a qual o volume total do ano deve chegar a US$ 35 bilhões."

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January 08, 2008

Coisa louca

Estamos em alta com os estrangeiros. Os investidores cobraram mais barato para injetar dinheiro na Petrobras do que no Citi, o maior banco do mundo. Bacana, não é?

Aquisição ou pulverização no rolo da Oi e da BrT, tanto faz. Deve ter gente no Citi brasileiro fazendo qualquer negócio para ajudar a mandar dinheiro para a matriz.

(Pensando bem, não "qualquer negócio". A "put", como todo mundo sabe, é absolutamente para inglês, digo, americano ver.)

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No rastro

Em tempos de holofotes sobre o Orçamento, vale o alerta para a proposta que altera a Lei de Responsabilidade Fiscal. A mudança visa estabelecer metas sociais no mesmo patamar das metas fiscais.

As modificações constam de um relatório assinado pela deputada Luíza Erundina (PSB-SP). O texto, apoiado por 56 entidades, inclusive o Inesc, foi aprovado pela Comissão de Legislação Participativa da Câmara. Agora será analisado pelas comissões temáticas.

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Atire a primeira pedra

No início do primeiro governo Lula, o Ministério da Previdência tomou a ótima iniciativa de abrir o nome das empresas que mais deviam ao INSS. A atitude irritou grandes inadimplentes e criou uma saia-justa.

Como resolveram? Da forma costumeira: sumiram com a lista.

A imprensa nunca reclamou, embora doze entre dez analistas apontem o rombo previdenciário como o grande vilão das contas públicas.

Brasil brasileiro, sabe como é. Terra do homem cordial.

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Googlenol

O Relatório Reservado informa que, até o fim de maio, os donos do Google deverão criar um escritório em São Paulo. O objetivo é fechar negócios na área de biocombustível.

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Infográfico


Podem falar o que quiserem. Os infos da Folha são imbatíveis. Pegue sua lupa e confira.

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Direta

Cadê a CVM, hein? Toda essa alta das teles, há dias, sem explicação oficial das empresas? Que coisa...

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Cifrada

O recado dos fundos de pensão não era para os protetores que estão no governo, mas aos que saíram e, mesmo assim, querem agradar à custa dos atuais administradores das fundações.

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January 07, 2008

Semanais em revista

Se a IstoÉ estiver certa, fica mais fácil entender os recados que os fundos de pensão mandaram na semana passada aos sócios privados da Oi.

Primeiro, foi vacina. Caso a união acontença na forma de compra e venda, o ônus ficará por conta do Planalto e não das entidades de previdência. Elas já deixaram claro que sua preferência, alinhada com a do mercado, é pelo modelo de pulverização das ações.

Segundo, foi aviso. La Fonte e Andrade Gutierrez terão de pagar além do que queriam pela aquisição, pois ela beneficiará mais a ambos que aos outros sócios _ o que, no fim das contas, não é nenhuma ópera, uma vez que o dinheiro para a operação, provavelmente, virá do BNDES.

Terceiro, foi cobrança. Os fundos de pensão exigem ajuda dos protetores que ainda estão no governo. (Mas, a se julgar que a nota da IstoÉ tenha fundamento, parece que não vai adiantar muito. Aparentemente é impossível arranjar um interlocutor mais poderoso que o de Carlos Jereissati e o de Sérgio Andrade.)

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Semanais 2

A Época não foi a única que veio com o assunto. Da revista IstoÉ:

"A Oi acaba de formalizar uma oferta para a compra da Brasil Telecom. Há mais de um ano que o mercado espera pela fusão das companhias - só não se sabia quem compraria quem, nem por quanto. Na véspera do Natal, o grupo controlador da Oi, formado pela Lafont, de Carlos Jereissati, e pela Andrade Gutierrez, fez uma oferta irrecusável pelo controle da BrT, hoje com a Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil, e com o Citibank. A Oi paga o dobro do valor de face por cerca de 35% das ações da BrT (é mais do que o suficiente para mandar em tudo). Em 27 de dezembro, Sérgio Rosa, presidente da Previ, se encontrou com a turma de Jereissati. Rosa empacou. Exigiu 10% a mais por conta de lucros futuros. Jereissati não entendeu a razão de tal exigência e reclamou com o presidente Lula."

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Semanais

Segundo notinha publicada na revista Época desta semana, a prioridade do governo em 2008 é a união da Oi (ex-Telemar) com a Brasil Telecom. A nova empresa nasceria com "quase 60% dos assinantes de telefonia fixa e 44% do mercado nacional de banda larga".

Mas há, segundo o texto, três dificuldades a serem enfrentadas:

1) a Anatel mudar a lei (o que já estaria combinado);
2) enfrentar o desgaste com a volta do escândalo da Gamecorp ao noticiário;
3) evitar que a junção seja caracterizada como reestatização, uma vez que a operação permitiria ao governo deter mais da metade das ações.

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Lógica

Eis o enunciado da pergunta do ano feita pelo Edge:

"Quando pensar muda sua mente, isso é filosofia.
Quando Deus muda sua mente, isso é fé.
Quando fatos mudam sua mente, isso é ciência."

Quando você conta sobre todas essas coisas e não muda nada, isso é jornalismo. :-P

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January 06, 2008

Coerência e carisma

Em setembro de 2002, um ano depois do atentado às Torres Gêmeas, eu estava em Nova York a trabalho. Tive a oportunidade de fazer algumas perguntas a Rudolph Giuliani, ex-prefeito da cidade e hoje um dos candidatos à presidência dos Estados Unidos.

A discussão por aqueles dias era se um novo pacote seria necessário para a recuperação da mais famosa capital americana, cujas finanças ainda estavam ressentidas por conta da tragédia.

A idéia da ajuda extra era defendida pela senadora democrata Hillary Clinton (também na briga pela presidência). Políticos de outros estados, especialmente os republicanos, torciam o nariz para a iniciativa. Consideravam que os nova-iorquinos tinham recebido dinheiro suficiente dos compatriotas. Precisavam, isso sim, cortar gastos e aumentar impostos para refazer o caixa.

"O que vem primeiro para o senhor, Nova York ou o Partido Republicano?", perguntei a Giuliani. Ele riu da provocação e pensou por uns segundos antes de devolver: "É a favor da minha cidade? Estou nessa."

Lembrei do episódio por conta de um ótimo texto publicado pela New Yorker. A reportagem, intitulada "Velhos hábitos", assinada por Elizabeth Kolbert, faz uma análise dos meios usados por Giuliani na corrida presidencial e discorre sobre os problemas que ele enfrenta para adequar seu discurso à realidade.

"Nas campanhas anteriores, o objetivo dele [Giuliani] era persuadir os nova-iorquinos a votar em um republicano; desta vez, é persuadir os republicanos a votar em um nova-iorquino", sintetiza a revista.

Foi impossível não me perguntar se Rudy Giuliani manteria hoje o que disse há alguns anos. Creio que não, apesar do aviso feito pela New Yorker: em épocas normais, jogar ao mar o que foi defendido anteriormente resultaria, quase que com certeza, no fim da candidatura.

Em épocas normais e com candidatos normais, acrescento. Giuliani faz parte daquele time de pessoas que exala carisma sem fazer um pingo de esforço. As pessoas prestam menos atenção ao que ele fala do que ao entusiasmo que provoca. Dos políticos que conheço, só vi a audiência curvar-se assim diante de outros dois: Lula e Fidel.

"Você acaba de entrevistar o futuro presidente dos Estados Unidos, mocinha", disse para mim o presidente de uma grande companhia aérea americana, quando Giuliani se afastou.

Será?

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Para ver e ouvir

Quem acompanha a campanha eleitoral americana e entende inglês deve ficar de olho na série Candidates@Google, disponível aqui.

Aqueles que preferem outros assuntos ganham com os vídeos AtGoogleTalks. Na lista de palestrantes há muita gente interessante, como o economista Paul Krugman e o lingüista Steven Pinker. As exposições, aliás, seguem a mesma linha encontrada no TED.

Também há convidados interessantes no ThoughtCast. Dentre os programas, idealizados como entrevistas radiofônicas, gostei particularmente dos realizados com o filósofo Kwame Anthony Appiah e com o editor Doc Searls.

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Amy

Ok, ela é muito esquisitinha. Mas a voz, convenhamos, é maravilhosa.

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January 04, 2008

Límpido e claro

Estava aqui lendo reportagens antigas, lá de 2005, época em que as denúncias sobre o mensalão explodiram, e achei uma que fala sobre a auditoria que o Banco do Brasil determinou para analisar os procedimentos da Cobra, subsidiária do banco que atua na área de tecnologia.

Estamos em 2008 e ninguém nunca ouviu falar da conclusão dessa auditoria.

A Cobra passou por sérias dificuldades financeiras e foi ressuscitada em 2002, depois de o governo FHC não ter conseguido privatizá-la. Mas a empresa ganhou força mesmo depois de 2003, quando o atual governo assumiu. Dois anos depois era suspeita de ter servido para engordar o caixa dois de partidos políticos. Por conta do episódio, caíram o presidente da Cobra e o diretor do Banco do Brasil que cuidava da área.

O que se sabe é apenas que o lucro líquido da Cobra passou de R$ 22,8 milhões em 2002 para um prejuízo de R$ 57,3 milhões em 2005. Mesmo assim, segundo a Info Online, "uma parte generosa do orçamento de tecnologia do Banco do Brasil - um dos maiores do país, da ordem de 1,2 bilhão de reais em 2006 - é cativa da Cobra. Dois de cada 3 reais que a prestadora de serviços fatura saem de seu controlador".

E a transparência da gestão, como fica? Pergunte ao Banco do Brasil. Ele deve conseguir explicar que fim deu a tal auditoria e os números desconjuntados aí de cima.

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Enquanto isso...

"O empresário Marcos Valério de Souza não precisará cumprir pena por sonegação fiscal. Em 2003, ele foi condenado a 2 anos e 11 meses de reclusão por crimes contra a ordem tributária. No entanto, o ministro Hamilton Carvalhido, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), extinguiu a punição porque o empresário pagou integralmente as parcelas tributárias não-recolhidas inicialmente, de acordo com informações divulgadas hoje (4) pela assessoria do tribunal."

O trecho acima é de reportagem veiculada pela Agência Brasil.

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Vai render 2

"José Dirceu comia o segundo pedaço de cupim quando, sem que percebesse, um homem loiro e jovem se aproximou e pôs a mão no seu ombro. Talvez porque imaginasse se tratar de um conhecido, o ex-ministro sorriu quando o homem se inclinou, como que para cochichar no seu ouvido. Com o rosto quase colado ao de Dirceu, no entanto, o desconhecido gritou: 'Seu safado! Safado! Sa-fa-do!"

Revista Piauí de janeiro, já nas bancas.

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Vai render

Só tem uma palavra para definir a reportagem "O consultor José Dirceu", escrita por Daniela Pinheiro e publicada pela revista Piauí: imperdível. O ex-ministro já veio a público para desmentir. É só o começo de uma novela que deve se desenrolar por vários dias.

Aí vão alguns trechos:

"Não sou consultor dele [Carlos Slim, o dono da Telmex] no Brasil... temos um acerto informal de buscar negócios em outros países da América Latina."

"... se eu não tivesse sido cassado pela Câmara, voltaria aclamado, aplaudido, ovacionado. Seria facilmente eleito presidente do PT... Estando fora do governo, o Lula teria que me oferecer alguma coisa, uma embaixada, a presidência de uma estatal... Se eu ainda tivesse a petulância de me candidatar à presidência da República, era capaz até de ser eleito."

"[Antônio Palocci] é o melhor deputado do Congresso."

"[A construção da sede do PT em Porto Alegre] foi feita só com dinheiro do caixa dois. Era com mala de dinheiro."

"O pobre do Delúbio [Soares] tinha de ir aos empresários conseguir doações [para o PT]. Aí, estoura o mensalão e esse pessoal vem dizer que o Delúbio era o homem da mala. O que não dizem é que a mala era para eles."

"Ninguém segura esses senadores, não. Eles fazem tudo por uma rádio."

"Eu morro louco sem hidratante."

"Para o Lulinha [filho do presidente da República, que vendeu a Gamecorp à Oi por R$ 5,2 milhões, um mês depois de criá-la] não importa a verdade." (Dirceu disse que o Lulinha ao qual se referia não era o filho de Lula, mas sim ao assessor de imprensa Luiz Costa Pinto).

"Estou muito pessimista em relação ao meu futuro."

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Teles 4

Eu não apostaria nessa história de, após a fusão, as operações da BrT e da Oi serem mantidas em separado. Empresas se unem para garantir aumento de produtividade por meio de sinergia, certo?

Mas, por outro lado, entendo que o discurso oficial tenha de ser assim. Afinal, a lei ainda não foi mudada para permitir a integração das operadoras.

Admitir o óbvio _ que o governo já tem tudo prontinho para a mudança das regras _ ficaria muito feito.

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Teles 3

Mesmo que não saia pulverização, e o pessoal decida pelo modelo de aquisição da BrT pela Oi (ex-Telemar), os fundos e o Citi fizeram ótimo trabalho em divulgar o tipo de união que pretendem.

No mínimo, forçaram um preço melhor pelas suas respectivas fatias na BrT.

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Teles 2

Olhei os indicadores há pouco e as ações da BrT estão em indo de vento em popa. Ontem, aliás, já tinham disparado.

A Bovespa fechou a quinta-feira com alta de 0,12%. Os papéis da BrT ON (com direito a voto) disparam 8,3%, o que provavelmente levará a operadora a publicar um fato relevante explicando o movimento. As ações da ON Oi, por sua vez, aumentaram só 0,7%.

O samba de ontem ficou por conta dos ordinaristas. No pregão de hoje, todavia, a animação está com as ações preferenciais, devido às possibilidades, levantadas pelo Valor, de ocorrer uma troca de ações.

O único ponto que não ficou claro para mim ainda é o motivo pelo qual o Citigroup teria escolhido não exercer o contrato que garante a ele vender suas ações aos fundos de pensão por um valor polpudo.

Desde novembro passado, o Citi pode sair a qualquer momento da BrT. Se optasse por levar a cabo os direitos que adquiriu em 2005, levaria por suas ações algo em torno de R$ 1,5 bilhão, tendo em vista a correção embutida no contrato assinado entre os fundos e o Citi.

Não sou expert em mercado financeiro, mas acho que a pulverização terá de ser extraordinariamente _ mas extraordinariamente mesmo! _ bem sucedida para alcançar esse valor.

A "put" expira em outubro de 2008, embora sujeita a prorrogações.

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Teles

Excelente a reportagem publicada hoje por Talita Moreira, do Valor Econômico, sobre a reestruturação societária da Brasil Telecom (clique aqui para ler a íntegra). O texto mostra que ainda não há consenso em torno de como será feita a união da BrT com a Oi (ex-Telemar).

Segundo o Valor:

1) Citi e fundos trabalham para uma pulverização das ações, mas a hipótese desagrada a Andrade Gutierrez, que preferia a aquisição da BrT pela Telemar;
2) a pulverização permitirá a saída do Citi da BrT;
3) será adotada uma cláusula de veneno para impedir a aquisição da BrT no futuro;
4) o relacionamento entre os sócios da Oi é difícil, com brigas entre a Andrade Gutierrez e o GP;
5) há gente no governo que apóia a Andrade, mas também há os que defenderão o modelo que os fundos escolherem;
6) a junção da BrT e da Telemar suscitará mudança nas regras do setor, o que poderá servir a outras operadoras que atuam no país;
7) a estratégia comercial da BrT e da Oi é manter suas operações em separado.

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January 03, 2008

Tolinhos

Eis que, mal virou o ano, o governo aumenta os impostos para compensar a perda da CPMF. A legião de incorfomados aparece. Corre um rio de tinta sobre o ministro e a desfaçatez de seu discurso ao pé-da-letra.

Alguém aí, com as faculdades de juízo em pleno funcionamento e com mais de seis anos de idade, realmente acreditou que a patotinha iria manter a promessa de não lançar a conta de sua incompetência política sobre os ombros do cidadão? Ah, bom.

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January 02, 2008

Operação Botocúndia

Não tenho nada contra investigar o passado, mas todas essas páginas de jornais dedicadas para a Operação Condor soam como piada. Então é essa a notícia quente vinda da Itália? Ha, ha, ha.

Pelo trote do alazão, um dia a gente vai à banca e ganha, como brinde, nariz de palhaço.

Os gringos perceberam o desmonte das redações e estão agindo (leia o post abaixo). Já nós, os brasileiros...

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Tempos modernos

Muito interessante o texto de Paul Steiger, diretor do Wall Street Journal, traduzido hoje pelo Valor. Ele relata as dificuldades que atravancam o caminho dos jornalistas investigativos atualmente. Também aponta a solução que encontrou.

Aí vão alguns trechos (os grifos são meus). Quem quiser ler tudo pode clicar aqui.

"Amanhã eu vou recolher meus últimos pertences e me afastar de um jornal onde passei 26 dos meus 41 anos no jornalismo, entre os quais 16 como diretor de redação do WSJ. Atualmente, ao meu redor há um setor em polvorosa, com receitas e ações em queda acentuada, demissões e aquisições de editoras que dez anos atrás pareciam impossíveis de conquistar."

Para os leitores, as implicações [dos tempos atuais] são claras: um contraste marcante de abundância e escassez. A abundância de notícias nas esferas nacional, internacional, de negócios, esportes e especialmente editoriais disponíveis de graça na Web é de uma riqueza sem paralelo histórico. Qualquer um com um fato, um comentário, uma foto ou um vídeo pode publicar por conta própria e instantaneamente concorrer com os profissionais.

Ao mesmo tempo, a ampla gama de repórteres investigativos e de correspondentes estrangeiros mantidos pelos jornais em várias décadas está sendo reduzida em praticamente todas as publicações, à medida que os jornais sucumbem às pressões para cortar custos."

"O que vai acontecer agora? Uma mudança, acelerada e em grande parte imprevisível. Quase toda empresa no setor precisa de uma nova fonte importante de receita, grandes reduções de custos ou uma saudável dose de cada.

Uma palavra final: Na semana que vem eu começo a trabalhar para uma organização sem fins lucrativos chamada Pro Publica, como presidente e editor-chefe. Quando ela estiver com seu quadro preenchido, seremos uma equipe de 24 jornalistas dedicados a noticiar os abusos de poder cometidos por quem quer que detenha poder: governos, empresas, sindicatos, universidades, sistemas educacionais, médicos, hospitais, advogados, tribunais, ONGs, imprensa. Nós publicaremos em nosso website e também possivelmente por meio de jornais, revistas e programas de TV, oferecendo nosso material de graça se eles tiverem."

Estou torcendo pela Pro Publica. Acredito que você também.

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