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November 30, 2007

Antes tarde...

Desculpem o sumiço. Muito trabalho. Mas vocês logo terão notícias quentes _ segundo alguns colegas, jornais e revista semanais virão com informações interessantes sobre as teles no fim de semana.

Até que eles cheguem às bancas, porém, as novidades estão com a revista Panorama, da Itália. Ela traz uma grande entrevista com Fabio Ghioni, hacker contratado pela Telecom Italia e uma das várias pessoas presas por acusação de espionagem ilegal.

"Colocar um computador nas mãos dele é como dar um revólver a um serial killer", dizem os procuradores milaneses sobre Ghioni, que adotava no ciberespaço o codinome "Sombra Divina", segundo a Panorama.

Na entrevista, Ghioni admite ter roubado segredos de adversários da Telecom, inclusive da Kroll, mas garante que não adulterou os dados. De acordo com o hacker, tudo o que o grupo de especialistas em informática da Telecom Italia fazia era ordenado pelo "vértice" da empresa. Quem era esse vértice? Sombra Divina não disse.

Boa noite para vocês.

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November 29, 2007

Adendo

Aliás, leitor, fique de olho também na imprensa italiana: Corriere della Sera, Dagospia, Il Sole 24 Ore, L’Espresso, Libero, Panorama, La Repubblica, La Stampa.

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Briga na imprensa

Ontem me perguntaram o motivo pelo qual os jornalistas brasileiros correm do caso Telecom Italia. Além do pouco interesse do andar de cima na publicação e das dificuldades para juntar as informações, acredito que a maior parte dos companheiros passa ao largo do tema porque é grande a chance de ser rotulado como parcial.

Em sete anos de brigas, muitas reputações foram serrilhadas. A estratégia de desqualificação foi adotada por lobistas de todos os lados da disputa e, com o tempo, incorporada pela própria classe jornalística. Muitas pessoas que mal se conhecem falam barbaridades, inclusive de cunho pessoal, umas das outras.

Acho isso triste, mas é do jogo. O saldo da briga na imprensa, para o leitor, é muito positivo. Defesas ideológicas, engajamento político, objetivos financeiros e simpatias pessoais, antes ocultos, ficaram evidentes. Por isso o caso Telecom é tão importante. Ele é um instrumento para mapear os interesses de quem exerce poder: no governo, nos fundos de pensão, no setor privado, no Congresso e na imprensa.

Claro, existe um efeito perverso da disputa. Ela faz com que reportagens importantes sejam desqualificadas, inclusive (e principalmente) pelos próprios colegas. Pautas bacanas são assassinadas, fontes deixam de ser procuradas porque falam com beltrano ou sicrano, furos são contabilizados com muxoxos. Mas, como já disse, é do jogo. Ainda acho o saldo positivo.

Meu interlocutor me perguntou ontem como é possível, no meio desse cozido, saber em quem acreditar. Queria ter uma resposta melhor, menos óbvia, mas o único conselho que me ocorreu é o que dou agora: confie mais em você mesmo do que nos jornalistas. Não compre nenhuma versão sem antes compará-la. Pesquise o que já foi escrito. Só assim é possível entender qual é o fio que costura a coerência de quem está escrevendo. Faça isso comigo. Faça isso com todos.

A maioria dos leitores não quer. Prefere acreditar que a capacidade do jornalista para montar o quebra-cabeças é inquestionável. Paga o preço da desinformação, é manipulado sem dó.

Por isso, busque elementos para formar a sua opinião: Carta Capital, Folha de S.Paulo, IstoÉ, O Estado de S.Paulo, Veja. Blog do Mino Carta. Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim. Consultor Jurídico, de Márcio Chaer. Teletime, de Rubens Glasberg e Samuel Possebon. Os textos do Leonardo Attuch, da IstoÉ Dinheiro. E, por fim, o que escrevem Marcio Aith, Reinaldo Azevedo e o Diogo Mainardi, da Veja.

Ah, e antes que alguém me acuse de ficar em cima do muro, informo que gosto muito do trabalho do Diogo Mainardi. Ele desperta a ira de muita gente, principalmente no meio jornalístico. Mas acompanho o caso da Itália de perto e vejo que tem se provado mais investigativo que a maioria dos repórteres. E com uma coragem de lançar polêmica que não é para qualquer um. Exemplo é o programa que colocou no ar hoje.

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November 28, 2007

Tavaroli

Conversei há pouco com Giuliano Tavaroli, o ex-chefe mundial da Segurança da Telecom Italia. Ele disse que o Ministério Público poderá conseguir todas as declarações que fez sobre a atuação da operadora européia no Brasil. Basta pedir à Justiça italiana.

Tavaroli também deixou claro que gosta muito do Brasil. Fala um português razoável, inclusive.

Agora eu tenho de correr. Depois volto com mais.

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Futuro

Quatro dias. Foi esse o tempo necessário para esgotar o estoque do Kindle, o novo produto da Amazon. É um aparelho muito bacana mesmo. Segundo uma fonte que entende horrores de tecnologia e de negócios, a semente para uma revolução na mídia. Concordo.

O Kindle permite a leitura de livros eletrônicos, jornais e blogs. Tem acesso à internet sem fio e é, aparentemente, muito fácil de usar e carregar. A capacidade de armazenamento é fantástica _ até 200 livros _ e a bateria dura um tempão.

Com o Kindle, as pessoas podem comprar os livros da Amazon por US$ 9,99 (equivalentes a cerca de R$ 20). Também pagam mais barato pelo jornal The New York Times, um dos mais importantes do mundo. Os usuários, aliás, não desembolsam nada para acessar a internet. A Amazon cobre o custo.

Ok, o Kindle é caro (US$ 399, mais ou menos R$ 800). A tela não tem cores, a conectividade é limitada, não abriga arquivos de imagem ou áudio, e a tecnologia só é compatível com a dos Estados Unidos. Mas alguém aí duvida que os aperfeiçoamentos virão rapidinho?

A mídia tradicional é um negócio pouco rentável. O papel é caro, o maquinário de impressão também, a distribuição nem se fala. Em contrapartida, os número de assinantes só faz cair. Não é difícil entender os motivos pelos quais os veículos de comunicação tornaram-se reféns dos anunciantes e dos bancos.

A invenção de um aparelho como o Kindle subverte as regras do jogo. Os jornalistas ganharão a oportunidade de vender suas matérias diretamente ao leitor. Poderão aliar dois sonhos: ganhar mais e ter liberdade total para escrever. Cada um venderá sua própria credibilidade. Imaginaram?

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Medo do "Chuck"?

Vejo nos jornais que o Citigroup recebeu US$ 7,5 bilhões de um fundo de Abu Dhabi (Emirados Árabes). É uma montanha de dinheiro, mas não cobre o tombo que o banco levou ao investir no mercado imobiliário de alto risco. O prejuízo causou a renúncia do presidente mundial do banco, Charles “Chuck” Prince.

O Citi é o maior banco do mundo e cresceu uma barbaridade no Brasil ao longo dos últimos anos. Tem milhões de dólares investidos em infra-estrutura por aqui. Não vi, entretanto, na mídia tupiniquim uma matéria explicando qual a repercussão para o Brasil da saída de Prince.

Foi dele, por exemplo, o aval para o acordo fechado em 2005 pelos fundos de pensão e o Citigroup. O documento determina que os primeiros comprem a parte do Citi na Brasil Telecom. Na época em que foi fechado, as entidades de previdência se comprometeram a pagar três vezes o preço de mercado pelas ações do banco.

Esse acordo tem de ser exercido até o fim do ano. Ou seja, os próximos dias são decisivos. Sob nova direção, alguma coisa muda? Quanto vale o acordo atualmente?

Há algum tempo, os fundos mostraram-se dispostos a pagar integralmente o valor combinado _ apesar de um possível desgaste de imagem para eles próprios e para o governo. O Citigroup, por sua vez, nos bastidores, deu sinais de disposição para mudar as condições do pacto e, assim, facilitar a vida dos fundos _ apesar do prejuízo que daria a seus acionistas se abrisse mão de receber tudo a que tem direito.

O acordo entre Citi e os fundos é um dos assuntos que está sendo esmiuçado na Corte de Nova York, onde o banco move uma ação contra o ex-aliado Opportunity. Aliás, o presidente do banco no Brasil, Gustavo Marín, tem depoimento marcado por lá nos próximos dias. Há algumas semanas foi a vez do banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity, revelou hoje Sônia Racy, colunista d’O Estadão.

Em tempo: com a injeção de capital anunciada ontem, os árabes tornaram-se os maiores investidores individuais do Citi. O pessoal jura que, mesmo assim, não terá participação no Conselho ou na direção do banco. Formalmente, digo.

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November 27, 2007

Cadê? - 2

Os leitores também reclamaram da falta de imagens. Não seja por isso: mantendo o clima do post anterior, Carla Bruni.

"Nobody Knows You When You're Down and Out". Gelson, um foragido, que o diga...

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Cadê?

O blog é muito bom, mas precisa de outros assuntos além do caso Telecom. Essa é a impressão geral dos leitores, levando-se em conta os e-mails que recebi. Está difícil conseguir tempo até para as teles, mas posso tentar. Vamos lá.

Há cerca de dez anos, o Brasil viveu um surto de empresas que ofereciam contratos de parceria na engorda de rebanhos, negócio conhecido como “boi no asfalto”. Duas dessas empresas se destacaram: Boi Gordo e Gallus Agropecuária. Prometiam um rendimento meteórico. O que acabou chegando rápido foi a falência e o calote nos aplicadores.

Pois bem. A Gallus foi à lona em 1998 e milhares de pessoas foram lesadas. Em 2004, a Justiça determinou que o dono da empresa, Gelson Camargo dos Santos, era um estelionatário e merecia 11 anos de prisão.

Difícil não prestar atenção em Gelson Camargo. Ele tinha mais de 200 quilos. As pernas cobertas por varizes. Os braços e mãos, por ouro. Seus deslocamentos consistiam em operações de guerra _ ele não cabia em qualquer carro, nem em qualquer cadeira, sentia muitas dores ao ficar de pé, suava e reclamava.

Não me pergunte como, mas Gelson Camargo, o “Gordo Milionário”, provou que tudo isso não o impedia de ser ninja. Fugiu da cadeia. Ninguém viu. Perguntei aos que estão mais familiarizados com o caso se ele tinha feito uma operação no estômago. Disseram-me que não. Agilidade, astúcia e rebolado, como vocês podem perceber, não têm nada a ver com peso.

Talvez o fato de ser boquirroto tenha ajudado Gelson a fazer amizades estratégicas dentro da cadeia. Fora dela, nem tanto. Em 2002, ele acusou em depoimento o marido da ex-prefeita Marta Suplicy, o franco-argentino Luís Favre, de envolvimento com a máfia do ônibus. Favre negou, os empresários também. Gelson ficou caladinho. Depois fugiu. Por onde será que ele anda?

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Influenza

Tem gente surpresa com a indicação de Delfim Netto para o conselho curador da TV Pública. Não sei o motivo. Há tempos que o ex-ministro da Fazenda passeia com desenvoltura no governo e no mundo das telecomunicações.

Em meados de 2005, por exemplo, quando Delfim era deputado federal pelo PP de São Paulo, ele foi procurado pelo empreiteiro Sérgio Andrade, dono da Andrade Gutierrez e sócio da Oi (antiga Telemar), para intermediar uma negociação com a Telecom Italia.

Escrevi sobre o assunto na Folha. Foi um rolo danado. A Telemar comprou anúncio para desmentir a tentativa. A tele estrangeira, por sua vez, soltou nota oficial reiterando o contato.

Delfim Netto tinha força junto aos italianos, talvez por conta de sua amizade com o megainvestidor Naji Nahas, hoje na mira dos procuradores italianos.

O Ministério Público de Milão acha que ele é um dos caminhos para provar que a Telecom Italia fazia pagamentos ilegais a políticos brasileiros _ com as bençãos de Marco Tronchetti Provera, então presidente mundial da Telecom Italia.

Nahas andou por aí com uma mala de dinheiro _ R$ 3,25 milhões, para ser exata _ em maio de 2003. A revista Veja denunciou que esse dinheiro foi usado para subornar parlamentares. Mais tarde, a semanal italiana Panorama informou que eram da Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara.

Segundo Nahas, o dinheiro foi recebido porque ele costurava um acordo entre a Telecom Itália e o dono do Opportunity, Daniel Dantas. O presidente da operadora no Brasil, Giorgio Della Seta, endossou.

Até hoje eu não entendi isso. Nahas realmente fez a ponte entre ambos os lados e foi bem-sucedido, mas o contrato entre a Telecom Italia e o banqueiro foi assinado em 2005. O pagamento aconteceu dois anos antes. As datas não fecham.

Também tenho dúvidas se o Bradesco, o banco onde foi feito o saque, avisou ao Coaf (Conselho de Controle das Atividades Financeiras) sobre movimentação tão esquisita. E, se avisou, será que o Coaf investigou? Qual o resultado do inquérito?

Alô, Brasília. Tem matéria aí.

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November 26, 2007

Convidado

Prezados, hoje o dia está corrido. Deixo vocês com Luiz Guilherme Piva, convidado a colaborar com o Arrastão. Eu o conheci quando ele trabalhava na Trevisan. Piva é economista, doutor em Ciência Política e articulista da Gazeta Mercantil.

"Telecomunicações: memórias de um segmento sem malícia

Nossa história política recente terá de ser estudada com auxílio de especialistas em telecomunicações. A privatização e seus desdobramentos têm influenciado - lembra um romance em folhetim - campos em disputa, crises, traições, fugas e mistérios num grau talvez maior do que o que conhecemos ou suspeitamos.

São quase dez anos já, a serem comemorados em 2008, junto com os duzentos anos da chegada do Rei ao Brasil.

Em 1998, éramos uma República havia quase cem anos. Mas era o tempo do príncipe e do Real. A corte tinha interesses imensos no setor e praticamente todos os nobres se envolveram na disputa.

O processo começara, normativamente, em 1995, com o fim do monopólio. Em 1997 e no começo de 1998, a Lei Geral de Telecomunicações e o Plano Geral de Outorgas definiram o processo de privatizações. Que era necessário e importante.

Economicamente, haveria um enorme reforço ao caixa do Tesouro (foram R$ 22bilhões) - combalido com os déficits gerados pelo câmbio congelado por um grão-duque. O sistema precisava se expandir e modernizar: depois do crescimento dos anos setenta, a crise impedira o Estado de investir na década seguinte, produzindo um atraso ridículo e caro. E simbolicamente seria um marco de desregulamentação e modernidade. Quase uma abertura dos portos.

Na conformação dos consórcios, a mão do Estado - ou do trono - se fez sentir. Houve pressão para que os maiores fundos de pensão se aliassem a um dos grupos, feita por gente de sangue azul, ligada ao que viria ser o candidato a herdeiro nas eleições de 2002. O outro nobre pretendente, porém, tinha um irmão no consórcio que seria prejudicado. O imbróglio culminou coma crise dos grampos do BNDES e com demissões na alta cúpula.

Vida que segue, os consórcios se embolaram, se odiaram e se amaram como nos romances. Em 2002 o herdeiro perdeu o trono para um plebeu. Os fundos de pensão mudaram de rumo. O embaralhamento fizera de um gestor - o mesmo grupo que a fidalguia quisera ajudar - o sócio mais importante de uma das companhias em que os fundos e aquele irmão eram sócios.

A briga agora era de foice. Mas no escuro. O gestor se aliou a parte do governo plebeu. Os fundos a outra parte. Houve dinheiro grosso, em parcelas mensais - é o que se diz. Mas o caldo entornou, fez-se luz na camarilha, espirrou gente para todo lado e quase que o governo foi junto.

Hoje a telefonia é moderna, expandida, rápida. A privatização, nesse aspecto, é um sucesso. Mas é cara. Economicamente, foi boa para o Tesouro, embora não a panacéia que se apregoara. E simbolicamente acabou maculada gravemente pelo enredo político derivado: muita gente acha que tudo tinha beneficiários escolhidos. Assim como a abertura dos portos.

E não pensem que a briga acabou. Diferentemente dos romances, é difícil haver final feliz."

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November 25, 2007

Para entender o caso 5 - O PT vira o jogo

Inexiste, porém, situação de infinita desvantagem no mundo da política e dos negócios. Quando as pesquisas de opinião começaram a anunciar que a vitória de Lula era uma barbada, os sindicalistas recuperaram o prestígio dentro da Previ.

No governo de transição, instituído em outubro de 2002, o PT já tinha força de rolo compressor dentro dos fundos.

Com a posse do novo presidente, o partido tornou-se manda-chuva também no Ministério da Previdência e na Secretaria de Previdência Complementar. O ministério das Comunicações foi para o PDT e o BNDES para o PMDB, mas ambos atuavam em dobradinha com a Previ. O Banco do Brasil ficou com Cassio Casseb, figura com bom trânsito entre petistas da ala sindical.

O estratagema adotado pelos tucanos na intervenção da Previ, com a designação do voto de minerva ao governo, é hoje bem útil aos petistas. O PT nunca mudou as regras da intervenção, apesar de ter esperneado o quanto podia sobre a injustiça das mesmas quando foi vítima.

Em resumo, céu de brigadeiro para o PT de sindicato e para a Telecom Italia. Hora de traçar uma estratégia capaz de demover o Citigroup a abandonar o Opportunity e, assim, tomar o controle da Brasil Telecom.

Por hoje é só, pessoal.

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Para entender o caso 4 - A força da Previ

Aqui uma pausa necessária. A Previ é o maior fundo de pensão da América Latina. Tem participação em praticamente todas as grandes empresas do país: Companhia Vale do Rio Doce, Embraer, Telemar, Neoenergia, Perdigão, Complexo da Costa do Sauípe etc.

O fundo tem direito a nomear conselheiros e interferir, mesmo de forma indireta, na maioria dessas empresas. Daí a sua importância.

Por conta desse poder, a Previ sempre foi olhada com volúpia pelos partidos políticos. Desde o começo da década de 90, governo Collor, várias foram as acusações de má gestão, favorecimento e uso político da entidade.

Até junho de 2002, o PSDB tinha metade dos cargos da diretoria. O PT, mais especificamente a corrente sindical do partido, ligada a Luiz Gushiken, a outra metade. Era preciso “compor”, no jargão dos previdenciários.

A intervenção, entretanto, balançou o tabuleiro. O direito à ultima palavra ficou com o governo.

Para piorar a situação petista, o Ministério das Comunicações era do PSDB, o BNDES era do PSDB e o Banco do Brasil era do PSDB. O Ministério da Previdência, responsável pela fiscalização dos fundos de pensão, fazia parte do feudo do PFL.

Com um cenário desses, o PT não tinha a menor chance de interferir na Brasil Telecom.

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Para entender o caso 3 - A intervenção na Previ

O PT contava com três representantes na diretoria da Previ: Erik Persson, Henrique Pizzolato e Sérgio Rosa (atual presidente do fundo). Além do afastamento temporário, eles tiveram de engolir o sapo do cancelamento das senhas de computador e o bloqueio de e-mails.

O ato do interventor enfureceu o PT e foi creditado a gestões do controlador do Opportunity, Daniel Dantas. Dias antes da intervenção, ele tinha sido recebido pelo presidente FHC no Palácio da Alvorada. Na pauta do encontro, as teles.

O resultado foi uma saraivada de críticas contra Dantas por parte de diretores da Previ. Eles também apresentaram denúncias sobre negócios, fechados no governo FHC, que deram prejuízos ao fundo de pensão.

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Para entender o caso 2 - A venda da CRT

Em 2000, as desavenças pioraram. O motivo foi a aquisição da Companhia Riograndense de Telecomunicações pela Brasil Telecom por US$ 800 milhões.

Opportunity e Citi não queriam o negócio. Sustentavam que o pagamento estava cerca de US$ 250 milhões acima do preço de mercado. A Telecom Italia defendia a transação afirmando que o Sul era um mercado importante para a BrT. Os fundos de pensão lavaram as mãos, o que acabou selando a compra.

Dois anos depois, a relação entre os acionistas foi dinamitada mais uma vez. O governo autorizou uma intervenção na Previ, o todo-poderoso fundo de pensão do Banco do Brasil, líder das entidades de previdência que integravam o consórcio.

A razão, de acordo com a Secretaria de Previdência Complementar, órgão fiscalizador das entidades de previdência, era a perda de prazo para adequar o estatuto da entidade à legislação. Para a oposição, balela. Em ano eleitoral a intenção não era outra senão a de entregar ao governo o caixa da Previ.

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Para entender o caso 1 - A privatização

Amigos que não sabem bulhufas do caso Telecom Italia pedem que eu explique melhor o assunto. Nada mais justo. Adianto, porém, que o emaranhado tem proporções colossais _ vários fatos, interesses e acusações cruzam-se ao longo de anos. O que vocês lerão aqui, ao longo de muitos posts, é apenas um extrato, ok?

Em 1998, o governo FHC fatiou e vendeu a Telebrás, estatal de telecomunicações do país. O leilão aconteceu em meio a acusações públicas da oposição, acordos entre representantes de todos os partidos e bênçãos da mídia. Arrecadou R$ 22 bilhões.

Para concorrer às teles, os interessados formaram grupos de investidores financeiros e operacionais. Um dos consórcios juntou Opportunity, Citigroup e fundos de pensão patrocinados por estatais.

O dinheiro dessa turma foi reunido em dois fundos de investimentos, um nacional e outro estrangeiro. Era administrado pelo Opportunity e servia para bancar participações em várias empresas: Brasil Telecom, Telemig, Amazônia Celular, Santos Brasil e o metrô do Rio.

A Brasil Telecom, operadora de telefonia fixa responsável pela região Centro-Oeste, foi comprada pelo grupo em parceria com a Telecom Itália.
Desde o princípio, a convivência entre os sócios foi marcada pelo atrito.

Os fundos de pensão reclamavam de a gestão ter ficado com o banco brasileiro. O investimento financeiro do Opportunity era muito menor do que o realizado pelas entidades de previdência, argumentavam. O banco retorquia que esse é o modelo do “private equity”; funciona assim em qualquer lugar onde o investidor não queira transformar a empresa num canteiro de "boquinhas".

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Domingo

Sem novidades. Aproveitem para ler coisas interessantes no Edge, por exemplo.

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November 22, 2007

Tarantella

Saiu hoje no blog do Reinaldo Azevedo, colunista da Veja: em meados de 2008, "todos os documentos da investigação feita pela justiça e pela polícia italianas serão tornados públicos".

Vai ser uma festa.

Acaba, porém, de me ocorrer uma dúvida: será que algum dos processos que estão na Justiça brasileira envolvendo os italianos caduca antes? Taí outra resposta que eu gostaria de ler em algum lugar.

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November 21, 2007

Testemunha

O dono do grupo Opportunity, Daniel Dantas, foi chamado a testemunhar no caso Telecom Italia. Foram dez horas de conversa com os procuradores de Milão. O encontro ocorreu há três semanas.

Não vi a informação em nenhum jornal. Mas dá para compensar o furo tentando descobrir o que Dantas falou. Eu não consegui.

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Notícias da Itália - 2

Voltemos ao texto do La Stampa. O jornalista Paolo Colonnello lembra que Marcio Thomaz Bastos advogou para Gianni Grisendi. Também diz que a Tecnosistemi é suspeita de ter pago "diversas propinas a políticos, entre os quais o marido da atual ministra da Cultura (sic) e ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplissì (sic)".

Em 2004, a Kroll investigava esse tipo de história a mando da Brasil Telecom, então administrada pelo Opportunity. Foi interrompida quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Chacal, que resultou na invasão da sede da Kroll em São Paulo. A acusação era a de que a empresa estava usando métodos ilegais.

Por aqueles dias, a Telecom Italia mantinha uma equipe especializada em arapongagem. Os "trabalhos" aconteceram em vários países. O esquema foi descoberto e várias pessoas foram presas na Itália. As principais testemunhas admitiram o uso das escutas, inclusive no Brasil. Algumas, como Marco Bernardini, colaborador que aceitou a delação premiada, acrescentaram aos procuradores italianos que a tele pagava propinas para políticos, policiais e servidores públicos brasileiros. (A Folha publicou matérias sobre isso, algumas escritas por mim.)

Mas voltemos ao La Stampa. Outro ponto citado na reportagem é o caso Globo.Com, "aparantemente uma negociação sem pé nem cabeça", onde a Telecom Italia comprou uma empresa das Organizações Globo. De acordo com o La Stampa, desapareceram US$ 710 milhões. "Onde foi parar esse dinheiro?", pergunta o jornal.

O La Stampa diz ainda que o juiz responsável pelo caso Telecom em Milão, Giuseppe Gennari, ficou impressionado com a quantidade de documentos em poder da Telecom relativos à quebra da Parmalat. "Confirma a determinação da Telecom Italia de colocar as mãos, antecipadamente, naquilo que podia criar sombra à empresa", teria dito o juiz, de acordo com o diário.

Para quem lê em italiano e está disposto a pagar, a matéria pode ser encontrada aqui. O título é "Telecom, sospetti su fondi neri a Rio".

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Notícias da Itália

Texto publicado ontem pelo La Stampa, um dos mais importantes jornais italianos, informa que o Ministério Público de Milão suspeita que a divisão de inteligência da Telecom Italia trabalhasse para "esconder a existência de um suposto fundo de dinheiro sujo, que, talvez, retornasse à Itália após muitas voltas nos paraísos fiscais e o pagamento de propinas feitas no Brasil".

A matéria cita Gianni Grisendi, ex-presidente no Brasil da Parmalat, da Bombril (braço brasileiro da Cirio), da Telecom Italia e sócio minoritário da Tecnosistemi.

Escrevi sobre o assunto na Folha. A notícia é de fevereiro: procuradores investigam a existência de uma rede de lavagem de dinheiro e corrupção supostamente capitaneada por executivos italianos no Brasil. O pico das irregularidades teria ocorrido entre 1997 e 2004.

"A desconfiança dos procuradores italianos é que as filiais brasileiras da Parmalat, da Tecnosistemi e da Cirio serviram à lavagem de dinheiro das matrizes. No Brasil, suspeitam as promotores italianos, o esquema teria funcionado por meio de operações no mercado financeiro, como emissão de ações e negócios fictícios. Já o Ministério Público daqui investiga se houve corrupção de servidores públicos brasileiros e propinas pagas a partidos e políticos para acobertar as operações", afirmei.

O advogado de Grisendi negou qualquer participação do cliente em um esquema como o descrito acima.

No Brasil, Grisendi freqüentou as páginas dos jornais no início deste mês, quando o Estado de S.Paulo divulgou que o Ministério Público Federal enviou relatório sobre a Parmalat para procuradores suíços. Os papéis demonstravam remessas ilegais entre 1997 e 2003.

"O alvo principal do MPF é Gianni Grisendi, ex-presidente da Parmalat do Brasil. Ele foi denunciado sob as acusações de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e de induzir os sócios e investidores da companhia a erro (balanço falso), que contribuíram para a crise que quase provocou a falência do grupo no Brasil. Grisendi nega tudo. Seu advogado no Brasil, Luiz Fernando Pacheco, não quis se manifestar", disse o jornal.

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November 15, 2007

Polido

Mal coloquei o post abaixo, uma fonte me liga para dizer que o deputado federal Miro Teixeira (PDT-RJ) foi incisivo ao pedir que os procuradores italianos enviem ao Legislativo informações sobre o caso Telecom Italia.

Ele considera as informações veiculadas pela mídia como "genéricas e imprecisas", segundo o Jornal da Câmara.

Como disse antes, duvido que colem suspeitas no ex-ministro.

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Túnel do tempo

Nada como feriado e chuva para revirar alfarrábios e exercitar a memória. Folha de S.Paulo, 16 de setembro de 2003: "Telecom Italia tem razão, diz Miro". O Miro em questão era o ministro das Comunicações. Segundo o texto, ele “não resistia” a tomar partido na briga das teles.

“Vou dizer que a Telecom Italia está com absoluta razão. Eu examinei esse assunto. É que, lamentavelmente, eu não tenho o poder direto de agir. Isso é da agência [Anatel, Agência Nacional de Telecomunicações]", afirmou ele aos repórteres Chico Santos e Elvira Lobato, referindo-se à disputa pela Brasil Telecom entre os italianos e o grupo Opportunity .

Ainda bem que não tinha poder, hein, Miro? Tanta simpatia poderia ser vista hoje, à luz das investigações italianas, com estranheza.

Duvido, porém, que colem suspeitas no ex-ministro (hoje deputado pelo PDT do Rio). Como o próprio fez questão de sublinhar, ele representava apenas o primeiro escalão do governo.

(PS: Para os esquecidos, a primeira matéria sobre o mensalão nasceu com Miro Teixeira. A compra sistemática de votos parlamentares foi publicada pelos repórteres Paulo de Tarso Lyra, Hugo Marques e Sérgio Pardellas no Jornal do Brasil. Eu trabalhava como free-lance no JB e testemunhei os bastidores. Miro Teixeira dedurou o mensalão e depois, na maior cara-de-pau, soltou nota oficial de desmentido. Será que agora ele vai desmentir a Folha?)

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Listinha

Testemunhas afirmaram ao Ministério Público italiano, em Milão, que a Telecom Italia corrompia integrantes da Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados. Os pagamentos ilegais teriam sido feitos em abril de 2003, segundo cansou de informar Diogo Mainardi, colunista da Veja.

Fiquei curiosa para saber quem eram os integrantes da Comissão. Não achei na internet. Há alguns dias, liguei na Câmara (61 3216-6460). Em menos de dez minutos, consegui os nomes que constavam da lista. Por via das dúvidas, peguei também os de 2002.

O pagamento da propina teria ocorrido em abril de 2003. A Comissão não tem registro de quais eram os legisladores que respondiam por ela naquele mês. Por isso, foi preciso ligar para a Mesa Diretora da Câmara (61 3216-1181 ou 3216-1182).

Infelizmente, era horário de almoço. Não consegui falar com a pessoa que poderia me atender. Depois, como tinha de trabalhar, acabei deixando a pesquisa de lado.

Vamos ver se alguém de redação terá mais sucesso. O interessado pode aproveitar e levantar os nomes dos Conselhos da Telecom Italia no Brasil em 2002 e 2003. Quem sabe exista algo interessante por lá.

PS: Em dezembro de 2003, a Comissão de Ciência e Tecnologia era formada por uma turminha conhecida. Ângela Guadagnin, por exemplo, aquela deputada do PT de São Paulo que encantou a audiência brasileira com sua dancinha da impunidade. O atual prefeito de São Paulo, o pefelista Gilberto Kassab, também estava lá. O tucano Gustavo Fruet, à época do PMDB, é outro. (Eu colocaria as listas que obtive aqui, não fosse minha ignorância em criar links para arquivos .pdf. Humpf.)

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Aviso à praça

Falei ontem com um dos maiores interessados em esclarecer o caso Telecom. Repito o que disse a ele: trata-se de uma baralhada onde várias histórias se cruzam, muitas frentes de apuração estão sendo neglicenciadas, não sei por quanto tempo as fontes continuarão a me atender. Mas, na medida do possível, estou pronta a ajudar.

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Mistério

O número de comentários é absolutamente desproporcional ao de visitas. Por que será?

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November 14, 2007

Dica - 2

Outro caminho possível para quem está interessado em apurar o caso dos italianos é Brasília.

Brasil e Itália são signatários de um acordo que garante a troca de informações entre procuradores e juízes de ambos os países. Tais pedidos, chamados rogatórias, incluem a possibilidade, inclusive, de ouvir testemunhas.

O problema é a burocracia. Por aqui, as solicitações devem ser submetidas ao Ministério da Justiça. Até obter o sinal verde do Executivo, os procuradores e os magistrados ficam com as mãos atadas. Não podem interrogar os gringos, nem anexar aos processos locais os dados obtidos pelos colegas italianos.

Como leitora da grande imprensa, gostaria de ver respondido em algum jornal: as rogatórias estão mofando no Ministério da Justiça? Ou o Ministério Público e os juízes ainda não fizeram seu trabalho e sequer as remeteram para o Executivo? Também é possível que tudo esteja aprovado e dependendo dos italianos. Nesse caso, como é que se faz?

Quem for lá perguntar, por favor, não esqueça que as rogatórias referem-se aos casos Parmalat, Tecnosistemi e seus filhotes, além da Telecom Italia.

E se não quiser ligar pra Brasília? Bom, daí pode tentar no escritório do Marcio Thomaz Bastos, cuja equipe defende os italianos (ou defendia, até onde eu cobri o assunto). Como ex-ministro, ele pode até dar uma mãozinha se as coisas estiverem paradas lá na Esplanada.

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November 13, 2007

Dica

Façam de conta que voltei. Sou de novo repórter de um grande jornal. Tenho de pensar como transformar a maçaroca de informações em uma pauta para amanhã. O que eu faria? Iria atrás da Justiça, lógico!

Em 28 de janeiro deste ano, a Folha de S.Paulo publicou que a Justiça de São Paulo iria analisar pedido de falência da TIM Brasil, à época segunda maior empresa de telefonia móvel no país. “A solicitação, feita em dezembro, é a extensão do pedido de falência da Tecnosistemi, antiga fornecedora da TIM”, dizia o texto, escrito por mim.

Durante anos, o Ministério Público do Estado de São Paulo tentou relacionar a Tecnosistemi, empresa que está às voltas com um processo de falência fraudulenta no Brasil, com a TIM, uma das maiores teles móveis do país. Apesar de quilos e quilos de evidências, nunca conseguiu. Ninguém, nem os credores, que supostamente ganhariam com a comprovação do vínculo, estava disposto a dedurar os italianos.

A Tecnosistemi atuou no Brasil entre 1999 e 2004, com a responsabilidade de construir e implantar a rede de antenas usadas pela TIM. Foi à lona devendo, naquele tempo, R$ 100 milhões.

A proteção dos catataus brasileiros pode ruir. Na semana passada, 8 de novembro, o Corriere della Sera, um dos principais jornais da Europa, chegou às bancas com um texto dizendo que Giuliano Tavaroli, ex-chefe da segurança da Telecom Italia, admitiu a ligação entre a gigante das telecomunicações italianas e a Tecnosistemi. Conforme entendi, ao Corriere Tavaroli teria admitido que a Tecnosistemi era uma “laranja”: corrompia políticos brasileiros em benefício da Telecom Italia.

A Tecnosistemi era o braço local de uma companhia italiana que levava o mesmo nome. O procurador que cuida do caso na Itália chama-se Luigi Orsi (se não me falha a memória, luigi.orsi@giustizia.it) . Fala inglês e é extremamente educado com a imprensa, inclusive a de outros países.

Fiquem à vontade, colegas.

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Estamos aqui

Tenho acompanhado com interesse a discussão na internet sobre o caso Telecom Italia. Durante os últimos dois anos e meio, quando ainda trabalhava em redação, cobri o assunto. Posso garantir que é apaixonante. Na minha modestíssima opinião, a maior rede de intrigas políticas e econômicas da história recente do país. Envolve todos os tipos de personagens: empresários, banqueiros, arapongas, jornalistas, cafetinas, legisladores, ministros, publicitários, juízes, policiais, lobistas.

Todos batem na tecla da moral, da ideologia política, da defesa da privacidade, do contra-ataque, do saneamento dos negócios. Mentira e mentira. O nome do jogo é, e sempre foi, dinheiro.

Resta evidência, pois, que o prato servido acima é filé mignon para a reportagem. A cúpula, entretanto, pensa diferente _ pelo menos de 2005 para cá. Não fosse a insistência e o bom trabalho de alguns, colunistas e editores, as informações teriam sido reduzidas a poeira na gaveta de alguém. Ou, no caso da maioria dos jornais, sequer apuradas.

Há, claro, os publishers que têm coragem de tocar no assunto com regularidade. Mas eles agem com cautela excessiva e as reportagens sobre corrupção Brasil-Itália acabam, boa parte das vezes, espremidas no meio de índices. Se o texto vale destaque não ganha chamada de capa. Manchete, então, impossível. Paciência. É o custo de mexer com o vespeiro.

Pode-se especular o motivo da fuga da maioria e a razão para a timidez dos que, apesar das resistências, teimam em continuar com a lupa nas mãos. Abrangência do tema, dificuldade para explicar ao leitor tantas manobras e conluios, árdua obtenção de provas, pressão dos anunciantes, temor de falhas na cobertura resultando em perda de credibilidade para o veículo, medo de respingo nos próprios departamentos financeiros ou na prata da Casa, má vontade para corrigir informações veiculadas à exaustão, e com estardalhaço, há alguns anos. Pode-se, como disse antes, especular.

A minha tese é a de que há gente demais envolvida na salada. Muitas negociatas e favorecimentos viriam à tona. A quem interessa tamanho carnaval? A quem interessaria fazer sambar toda a República? Quando há muita gente envolvida, as forças se anulam. O pacto só é rompido para escolher um bode expiatório de plantão. Nesses momentos até gente que se odeia de morte gruda na mesma linha de apuração. É a imparcialidade aparente que alimenta o poder dos grandes jornais e revistas.

De qualquer forma, são apenas conjecturas. E de pouca valia. Não é por conta delas que decidi escrever. Estou aqui para colaborar com aqueles que ficaram nas redações.

Os colunistas têm perguntado onde estão os repórteres, os jornalistas investigativos. Eles estão onde sempre estiveram, amigos. Apurando. A postos também estão os editores para tratar o caso Brasil-Itália com a devida importância. A pergunta certa é outra: será que um punhado de blogueiros conseguirá leitores suficientes para efetivar a publicação?

A mesa aceita apostas.

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November 12, 2007

Chega de sombra

Estava convencida de que esse tal de jornalismo não era para mim. Não mais. Pedi as contas e fui cuidar da vida. Achei que conseguiria olhar a pesca de longe, quietinha, mas a tinta no sangue ferveu.

É arrastão. Nunca, jamais, se viu tanto peixe assim.

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