Para saber mais sobre a cantora, a sérvia Divna Ljubojevic, clique aqui.
"Os investimentos da União chegaram a R$ 9,4 bilhões no primeiro semestre de 2008, valor recorde se comparado ao mesmo período dos últimos sete anos, segundo levantamento da ONG Contas Abertas. Grande parte dos investimentos deve-se ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O Orçamento autorizado para este ano em investimentos também é um dos maiores desde 2001, ficando atrás apenas da dotação do ano passado, fixada em R$ 46,4 bilhões. Para 2008, cerca de R$ 40,2 bilhões estão previstos para a realização de obras e compra de equipamentos."
A notícia é muito boa. O governo fez um ótimo trabalho na área econômica e deve mesmo aproveitar o período para investir.
Mas é preciso colocar os investimentos em perspectiva, exatamente para o que é bom não se perca. Faltam processos para acompanhar o caminho do dinheiro. Além disso, há a questão das prioridades. Também n'O Estadão:
"O Senado aprovou na noite da última quarta-feira, 3, em votação simbólica, o projeto que estabelece o piso de R$ 950 para professores da educação básica da rede pública de ensino. A proposta, agora, vai à sanção presidencial. Segundo o projeto do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), o piso salarial nacional será implantado em todo o País, de forma gradual, até 2010. O piso de R$ 950 é uma antiga reivindicação da categoria. O valor deverá ser pago para professores com carga horária de 40 horas semanais. De acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), existem mais de 5 mil pisos salariais diferentes para a categoria, variando entre R$ 315 e R$ 1.400. Está prevista no projeto a complementação da União para os entes federados que não atingirem o valor de piso nacional."
Novecentos e cinqüenta reais é pouco, pouquíssimo, uma vergonha. O que dizer de R$ 315? Por isso vejo com bons olhos a informação que vem a seguir:
"O Senado também aprovou na última quarta proposta de emenda constitucional (PEC) que obriga a União a destinar integralmente à Educação 18% da receita, acabando, portanto, com a chamada Desvinculação de Recursos da União (DRU) para o setor. Atualmente, com a DRU, o governo usa 20% desses 18% para o superávit primário, reduzindo os investimentos na Educação."

Ótima sacada do Junião para o Diário do Povo.
A Folha mandou Marcos Strecker para cobrir a Flip. Ele mandou uma boa e apimentada matéria, olhe só:
"'É escandaloso o espaço que estão dando para a libertação de Ingrid Betancourt'. A opinião é do polêmico escritor colombiano Fernando Vallejo, 66, um dos convidados da 6ª Festa Literária Internacional de Paraty, que acontece na cidade fluminense até o próximo domingo. Para o autor, a ex-refém 'é uma manipuladora, velhaca, horrível, oportunista'.Na opinião de Vallejo, a ex-candidata à Presidência não é uma vítima das Farc, mas uma política ambiciosa que provocou a ação da guerrilha como forma de promoção política.
Segundo ele, 'ela e sua assessora e companheira de aventuras Clara Rojas [libertada em janeiro deste ano] são os únicos políticos que agiram para serem seqüestrados'. 'Na época da captura, ela tinha ido com a assessora intencionalmente para um local em que havia esse risco', afirmou Vallejo. Ingrid foi seqüestrada com Rojas em fevereiro de 2002, quando viajavam em campanha para San Vicente del Caguán, em uma região no sul da Colômbia tida então como bastião das Farc.
Reféns esquecidos
O autor se mostra indignado com a comoção que a política colombiana desperta. 'Milhares já foram seqüestrados ao longo dos anos, agora várias centenas estão sofrendo em poder da Farc, mas só se fala dela.' As Farc mantêm centenas de reféns não-político pelos quais pede resgate em dinheiro.
Para Vallejo não será surpresa se Betancourt concorrer novamente à Presidência, em 2010 -ela já abriu a possibilidade anteontem. Caso isso aconteça, o escritor acha que a ex-refém tem chances de ganhar as eleições. 'O povo colombiano é tão ignorante que pode até elegê-la. Mas ela é francesa, tem dupla cidadania. Por que escolheu fazer política e concorrer a presidente da Colômbia? Por que ela não concorre na França, com [Nicolas] Sarkozy?', questiona.
O escritor e cineasta é conhecido pelo romance 'A Virgem dos Sicários' (Companhia das Letras) e vive hoje no México. Em sua obra, inclusive no recém-lançado 'Despenhadeiro', usa sua cidade natal, Medellín, a mesma do presidente Álvaro Uribe, como fonte para uma prosa realista e autobiográfica. Costuma fazer um retrato ácido da sociedade colombiana e de Medellín, fortemente impregnadas de religiosidade e afetadas pelo narcotráfico, pelo crime e pela corrupção.
Para o autor, as Farc estão derrotadas. 'A Colômbia não gosta da organização, são um bando de assassinos, seqüestradores e narcotraficantes', afirmou -antes dissera em coletiva que o grupo, 'depois da Igreja Católica e de Uribe, é a maior praga da Colômbia'.
Grande crítico do atual presidente, Vallejo acha que se ele se reeleger depois de conseguir uma mudança constitucional, nada vai mudar. 'Toda a classe política na América Latina só pensa em seus próprios interesses, quando não está claramente envolvida com o crime e com a corrupção.'"
Como se vê, a libertação de Betancourt dará pano para a manga. Particularmente, acho que o escritor só tem razão no último parágrafo. Mas é bom, sempre bom, o contraditório em meio a uma cobertura tão intensa quanto a da libertação da colombiana.
Vi a melhor do dia na Folha de S.Paulo:
"Ninguém quer que a Nasa seja internacionalizada, diz Lula sobre a Amazônia"
Acabarão criando um nome para a lógica "sui generis" do presidente, pode escrever.
Só dá para dizer uma coisa: mulher admirável. Que os filhos sigam seus passos e nós, seu exemplo.
A íntegra da entrevista de Ingrid Betancourt pode ser vista aqui.
Também do Claudio Humberto:
"Em depoimento à Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado, nesta manhã, o empresário Marco Antonio Audi garantiu aos senadores que ignorava as ligações do advogado Roberto Teixeira com o presidente Lula quando o contratou pno início de 2006 para acompanhar a formalização da compra da VarigLog."
RÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁ...
Avoadinho o menino, não? No mesmo site:
"O empresário Marco Antônio Audi, que se encontra em Brasília para depor às 10h nesta quinta-feira na Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado, disse ontem que o advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula, é um autêntico 'amigo da onça' que fez de Lula refém de sua suposta amizade."
RÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁ...
Audi, Audi, Audi. Você achou que arrancaria bem, mas depois descobriu que motorzinho era 1.0, não é, filho?
O melhor do Brasil é o brasileiro. Aqui é Carnaval 365 dias por ano. Vamos lá, junto comigo, no ritmo, hein? "Ei, você aí, me dá um dinheiro aí, me dá um dinheiro aí... Ei, ei, ei..."
Só tem de mudar o finzinho da música. No lugar de beber, a gente chora. Até cair.
É de uma falta de vergonha na cara tão grande que estarrece qualquer criatura. Do Claudio Humberto:
"Custam pouco mais de cem dólares nos Estados Unidos os bafômetros pelos quais a Polícia Rodoviária Federal pagou R$ 6.798,53 cada. Conhecido por etilômetro, o modelo Alco-sensor IV (foto), igual ao da PRF, pode ser adquirido no site de compras norte-americano Ebay, acompanhado de maleta, impressora e bafômetro, por míseros U$ 152 (cotação à 00h15 desta quinta-feira). Exatamente igual ao modelo adquirido pela PRF. Há outros modelos ainda mais baratos.Pedro Paulo Bahia, da PRF, tentou explicar o bafômetro 4.400% mais caro: “O processo de importação é negócio e não filantropia”. Ah, bom.
O assessor da PRF disse mais: “Se em um fim de semana uma máquina [etilômetro] emitir dez multas, ela já se paga”. É a lógica Óleo de Peroba.
O bafômetro usado pela PRF custou quase R$ 7 mil (ou US$ 4,4 mil) “em razão dos impostos de importação”, diz o assessor da Polícia Rodoviária."
Apague a luz, por favor.

Grande Sponholz, para o paranaense Jornal da Manhã.
Tenho uma sorte tremenda: os melhores sempre cruzam o meu caminho e, por generosidade, ficam.
"O sábio, ainda que se baste a si mesmo, deseja ter um amigo, quanto mais não fosse para exercer a amizade, para não deixar definhar tão grande virtude. Ele não busca, como dizia Epicuro, «alguém que lhe vele à cabeceira em caso de doença, que o socorra quando esteja em grilhões ou na indigência». Busca alguém a cuja cabeceira de doente possa velar; alguém que, quando implicado numa contenda, ele possa salvar dos cárceres inimigos. Pensar em si próprio, e empenhar-se numa amizade com esse pensamento preconcebido, é cometer um erro de cálculo. A empresa terminará como começou. Fulano arranjou um amigo para dispor, um dia, de um libertador que o preserve dos grilhões. Ao primeiro tinido de cadeias, lá se vai o amigo.Tais são as amizades que o mundo chama de 'ligações temporárias'. O homem a quem se escolhe para prestar serviços deixará de agradar no dia em que não sirva para mais nada. Daí a constelação de amigos ao redor das grandes fortunas. Vinda a ruína, faz-se, à volta, a solidão: os amigos esquivam-se dos lugares onde são postos à prova. Daí, todos esses escândalos: amigos abandonados, amigos traídos, sempre por medo! É inevitável que o fim concorde com o começo: o interesse fez de sicrano teu amigo; o interesse fará com que ele deixe de sê-lo. Ele se mostrará sensível às vantagens que lhe sejam oferecidas para que dessirva a amizade, se, nesta, mostrava-se sensível a qualquer vantagem fora dela mesma.
Qual, então, o meu objetivo ao fazer um amigo? O de ter alguém por quem possa morrer, a quem possa seguir no meu exílio, a quem possa proteger com a minha pessoa, a cuja salvação possa devotar os meus dias."
Quem escreveu as palavras aí de cima foi Sêneca, um dos meus prediletos.
Como você se sentiria caso resolvesse um problema existente há mais de 300 anos?
Para ver a continuação, clique aqui.
Meu irrestrito apoio ao pessoal da Nova Corja. Que os meninos continuem fazendo seu excelente trabalho com irreverência e dedicação, marcas registradas do site, uma delícia de ler.
Com a Lei Seca e a cara-de-pau da politicalha, está na hora de mudar a musiquinha para "eu minto, sim, e vou vivendo". Da Folha:
"Aprovado por unanimidade pela convenção que oficializou anteontem a candidatura de Marta Suplicy, o programa de governo do PT omite dados, "subtrai" quase 1.500 casos de dengue ocorridos na gestão da petista e se apropria de projeto bilionário em estudo pelo governo federal para prometer mais que dobrar as linhas de metrô e os corredores exclusivos de ônibus da cidade.... O problema é que, na verdade, o investimento está em fase de análise pelo Palácio do Planalto e, se implantado, envolveria majoritariamente recursos federais, não da prefeitura. O estudo foi apresentado por Marta, quando ainda era ministra do Turismo, e envolve outros ministérios, além de investimentos para outras capitais. O objetivo é preparar o país para a Copa do Mundo de 2014.
Além de fazer promessa com o "bolso alheio", o texto diz que "Marta tomou as medidas essenciais para o combate à dengue, tendo sido registrado apenas dez ocorrências da doença na cidade durante sua gestão". Na verdade, foram 1.507 entre 2001 e 2004. Os dez casos ocorreram, na verdade, em 2004, último ano da gestão Marta.
O PT de São Paulo afirmou ter havido "erros de redação" no texto e que o programa está 'em construção'."
Erro de redação, veja você. Será que a Veja São Paulo, que veio com a entrevista de Paulo Maluf no fim de semana passado, também errou? Não creio. Acho mais provável que tenha baixado Amenófis III no ex-prefeito.
Para quem não leu, Maluf quer construir uma laje sobre o rio Tietê para "aumentar cinco ou seis faixas de cada lado, invadindo o rio". De acordo com ele, o trânsito é o "único, ú-ni-co!" problema da capital paulista e "não seria mau abafar aquele cheiro desgraçado".
As melhores partes da entrevista, porém, são outras. De acordo com Maluf, as obras da av. Águas Espraiadas, que custou dez vezes mais do que a construção da Rodovia dos Bandeirantes, saíram por um precinho mais salgado por motivo simples: não dá para comparar o custo do asfalto colocado na estrada, por alqueire, com o estendido na cidade, onde se leva em conta valores díspares do metro quadrado. Não é uma graça?
Fenômenos como o das Águas Espraiadas nada devem ter com práticas heterodoxas das empreiteiras, das empresas que disputam licitações e dos políticos. Como a Alstom, por exemplo, cuja CPI foi devidamente enterrada pelos tucanos. O governador José Serra prometeu apoio a Geraldo Alckmin, outro candidato à prefeitura de São Paulo, e está cumprindo. Como ficaria o ex-governador se as investigações sobre a Alstom/Cegelec/Alcatel mostrassem que houve dinheiro sujo rondando o PSDB paulista?
Gilberto Kassab, ou "Geraldo" Kassab, como é conhecido no ninho, acha que tem Serra para todo mundo e não parece enciumado. ""Estamos trabalhando, gastando juntos", disse Gilberto Geraldo. Ninguém duvida. Eu, pelo menos, não. E você?
O pior é que para beber não vai nada.
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PS: Circula na internet piadinha dando conta que Maluf vai processar a Marta. Isso porque ele não saiu na capa da última Vejinha, mas ela ganhou espaço na capa da Veja nacional.
PS2: Claro que o leitor percebeu o furo. Maluf não pode processar Marta, uma vez que só concorre para tirar votos de Kassab e Alckmin, de maneira a beneficiar a mãe do Supla. ;-)
O presidente da República, dono de 58% de aprovação, segundo a pesquisa CNI/Ibope, chamou de "insensível" quem classificou como eleitoreiro o reajuste de 8% nos beneficios do Bolsa Família. "Estamos dando o reajuste porque temos condições de dar, porque tem no Orçamento dinheiro para dar esse reajuste", afirmou.
Será? O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), usado para medir a inflação, teve a alta de 6,8% no semestre. Superou a rentabilidade de todos os investimentos no País. A taxa inflacionária, aliás, é a principal preocupação dos brasileiros _ 65% dos entrevistados temem a remarcação de preços.
O medo não é apenas local. O Banco de Compensações Internacionais, também conhecido como banco central dos bancos centrais, acredita que "o mundo vive hoje a maior turbulência financeira desde a Segunda Guerra e que a união de desaceleração econômica e inflação está empurrando para um 'ponto crítico' a economia global".
Ou seja, mais do que temer a própria inflação, há que se temer a expectativa que está se espalhando como gripe espanhola por todo o mundo.
O governo do Brasil, pelo que disse o presidente, parece estar imune ao pessimismo ganha espaço a cada dia e torna a crise uma profecia auto-realizável. Até aí tudo bem. O problema é a área política achar que nossa situação é boa o suficiente para criar gatilhos no pagamento de salários e benefícios.
Eles poderão significar um belo empurrão para o governo consolidar uma base de prefeitos robusta após as eleições, mas certamente haverá um efeito colateral perigosíssimo: o rombo nas contas do Estado.
O BIS, aliás, avisou aos emergentes para não ir com tanta sede ao pote e cuidar da inflação. Tendo em vista que o próprio presidente da República reconhece os feitos na área econômica como os mais bem sucedidos, não custaria um pouquinho de coerência. O Real foi uma conquista árdua e que precisa de todo o cuidado.
Para mim, o reajuste do bolsa-família é uma medida eleitoreira e perigosa. Infelizmente.
Com a palavra os economistas.
"You moved like honey in my dream last night... Does that scare you? I'll let you run away, but your heart will not oblige you. You'll remember me like a melody."
Fiona Apple
Tem blog novo no A Postos: é o Elite Triste, do Sebastien Salé. Confira. Aproveite para ler o Alexandre Soares Silva, o Filthy McNasty, o David, o Peerre, o Godoy, o Rodrigo...

Adão Iturrusgarai, atemporal. Visite o blog do moço.
Nariz Gelado alertou sobre matéria d'O Globo que informa: Denise Abreu, ex-diretora da Anac, gravou conversas que mostram a pressão da Casa Civil para a venda da VarigLog, aquela transação para a qual trabalhou o compadre do presidente. E agora, como fica?
Leia a íntegra aqui.
Da Reuters:
"O México se tornou no últimos anos o país mais perigoso na região para o jornalismo e o governo deveria endurecer as investigações e as punições contra a liberdade de expressão, disse na sexta-feira a Sociedade Inter-americana de Imprensa (SIP).O país tem sido sacudido nos últimos anos por uma onda de violência criminal, alimentada principalmente pelas guerras entre cartéis do narcotráfico pelo controle das rotas para levar drogas para os Estados Unidos. Mais de 1.600 pessoas morreram neste ano por conta disso.
Segundo registros da SIP, ao menos sete jornalistas morreram até agora neste ano no país e 3 estão desaparecidos, disse em entrevista coletiva o presidente da comissão de liberdade de imprensa e informação da organização, Gonzalo Marroquín.
... 'Até o fim do século passado a Colômbia era o país onde era mais perigoso exercer o jornalismo, eu diria que nesses últimos anos o México se converteu no país mais perigoso para os jornalistas', acrescentou."
Péssimo. A organização, todavia, não deve atuar em regiões como o Zimbábue. Aproveitando a deixa, a situação daquele país é absolutamente surreal. Também da Reuters:
"O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, foi empossado no domingo após ser declarado o vencedor de uma eleição de candidato único que observadores dizem estar marcada por violência e intimidação.Mugabe era o único candidato e foi adiante com a eleição apesar de uma onda de condenação internacional. Os Estados Unidos, que dizem estar preparando novas sanções, pediram no domingo por uma forte ação internacional.
O líder da oposição Morgan Tsvangirai se retirou da disputa há uma semana dizendo que uma campanha sistemática de violência, que matou quase 90 de seus seguidores, tornou impossível uma votação livre e justa.
A comissão eleitoral disse que Mugabe venceu com 85,51 por cento dos votos. Ele teve 43,2 por cento no primeiro turno em março, quando Tsvangirai venceu com 47,9 por cento, próximo à maioria absoluta necessária para uma vitória ainda no primeiro turno.
A comissão disse que o comparecimento às urnas foi de 42,37 por cento, quase o mesmo que em março. Entidades de direitos humanos e testemunhas acusaram as milícias pró-Mugabe de forçar as pessoas a votar em algumas áreas.
Os observadores da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC, na sigla em inglês) disseram no domingo que a votação foi maculada pela violência pré-eleição e não reflete a vontade do povo do país, dando um grande golpe à legitimidade de Mugabe.
... Mugabe, de 84 anos, que está no poder desde a independência da Grã-Bretanha em 1980, foi rapidamente empossado para um novo mandato de cinco anos em uma cerimônia no gramado da residência presidencial, com uma banda militar, marcha da guarda e juizes em túnicas vermelhas e perucas brancas."
Oitenta e quatro anos e infernizando a vida dos outros. Credo.
Diogo Mainardi na Veja. Vale a íntegra.
"Dá para encaixar um encontro com Roberto Teixeira? Dá. Sempre dá. Roberto Teixeira foi recebido por Lula. Segundo ele, tratou-se de uma mera visita de cortesia. Nada a ver com seu trabalho para a Varig. Nesse caso, porém, por que é que a Varig teria pago as suas despesas da viagem a Brasília? Foi o que eu perguntei a Roberto Teixeira, por meio de sua assessoria de imprensa. Ele respondeu candidamente que "aproveitava as idas aos tribunais e passava no Planalto". Isto mesmo: a Varig pode ter bancado seu encontro com Lula, mas o propósito da viagem era outro.Denise Abreu, no dia de seu depoimento, entregou ao Senado Federal uma mala abarrotada de documentos. Estou com cópias de alguns deles na minha frente. Referem-se às duas semanas que antecederam o encontro de Roberto Teixeira com Lula, no Palácio do Planalto. Em 10 de agosto, a Anac decidiu cancelar os "hotrans" e os "slots" da Varig. No dia seguinte, esse cancelamento foi comunicado oficialmente a Cristiano Martins, genro de Roberto Teixeira.
Os "hotrans" e os "slots" da Varig em Congonhas eram o que a companhia aérea tinha de mais valioso. Em torno deles, desencadeou-se uma batalha. De um lado, a Anac. Do outro, Roberto Teixeira e o Palácio do Planalto. "Hotrans" e "slots" correspondem às vagas nos aeroportos. Roberto Teixeira brigou pela posse dessas vagas, como um flanelinha dos ares. Em 16 de agosto, Cristiano Martins remeteu à Anac o plano de negócios da empresa, que incluía "hotrans" e "slots". Em 17 de agosto, Valeska Teixeira protocolou na Anac um pedido de registro da companhia.
Nesse período, ocorreu aquilo que, na diretoria da Anac, se tornou conhecido como Dia do Bife: um encontro de mais de oito horas, no Palácio do Planalto, coordenado pela secretária executiva de Dilma Rousseff, Erenice Guerra. Ela pressionou para que a Anac concedesse imediatamente um certificado homologando a Varig. O coronel Jorge Velozo usou a imagem do cozimento de um bife para ilustrar a impossibilidade de queimar etapas a fim de acelerar o processo. Longe do microfone, o coronel Jorge Velozo confirma os detalhes intimidatórios do Dia do Bife. Eu testemunhei isso. Perto do microfone, ele é muito mais acanhado.
Em 22 de agosto, a Anac se reuniu para determinar a abertura do processo licitatório dos "hotrans" e dos "slots" da Varig. No mesmo dia, Roberto Teixeira deu um pulinho no Palácio do Planalto, para se encontrar com Lula. O que aconteceu depois disso? O juiz Luiz Roberto Ayoub acolheu um recurso apresentado pelo compadre do presidente e desautorizou a Anac, alegando a necessidade de dar um "tratamento excepcional" à Varig. Em 24 de agosto, ele mandou intimar toda a diretoria da Anac. O flanelinha dos ares garantiu suas vagas em Congonhas. Honorários: 5 milhões de dólares."


Novaes, para o JB.
A disputa pelo jornal O Estado de S.Paulo está cada vez mais acirrada. Além de haver cisão entre os acionistas sobre a venda, há rumores de que os maiores interessados em comprar o diário - Globo e Abril - brigam por um sócio capitalista para concretizar a operação.
O endinheirado-alvo, conforme dizem, seria Eike Batista. Coincidência ou não, o moço recentemente enfeitou a capa da Época. Logo depois, apareceu na capa da Veja.
A avaliação dos supostos compradores seria a de que o BNDES está sob bombardeio e, portanto, não convém pedir ajuda ao banco, pois, além da concentração de mercado, os concorrentes teriam munição extra para reclamar do negócio.
Enquanto a situação não se resolve, a redação d'O Estado faz a festa. Emplaca um furo atrás do outro.
"Etten, 12 de novembro de 1881.
Mas precisamente porque o amor é tão forte, nós geralmente não somos fortes durante a nossa juventude (quero dizer 17, 18, 20 anos) para conseguir segurar firme nosso leme.Veja, as paixões são as velas dos barquinhos.
E alguém com 20 anos abandona-se inteiramente a seus sentimentos, apanha vento demais nas águas e seu barco faz água -- e naufraga -- a não ser que ele se recupere.
Alguém que em compensação iça em seu mastro a vela Ambição e singra direto pela vida, sem acidentes, sem sobressaltos, até que -- até que enfim, enfim aparecem circunstâncias que o fazem observar: não tenho velas o bastante, e diz então: daria tudo o que tenho por um metro quadrado de vela a mais e não tenho. Ele se desespera.
Ah! mas então ele reconsidera e imagina poder utilizar uma outra força; ele pensa na vela até então guardada no porão. E é esta vela que o salva.
A vela 'Amor' deve salvá-lo, e se ele não a içar, ele não chegará nunca."
Vincent Van Gogh, em "Cartas a Théo".
Claudio Humberto divulgou há algumas horas a lista de testemunhas de acusação no processo do mensalão. Segue a íntegra da nota:
"O ministro-relator no Supremo Tribunal Federal da ação penal 470, que investiga o escândalo do mensalão no governo Lula consideoru concluída a fase de interrogatório dos réus. O ministro Joaquim Barbosa, determinou o início da fase de depoimento das testemunhas de acusação pelos mesmos juízes que atuaram nos interrogatórios, ou por outros juízes federais escolhidos por livre distribuição. O ministro acredita que o processo ainda deve levar pelo menos dois anos para chegar a julgamento final pelo Plenário da Corte. Ele também estima que, “com muito otimismo”, será necessário mais um ano de instrução, no mínimo e de outro ano para ler todo o material recolhido e só então concluir seu voto. Entre os personagens listados está a cafetina Jeany Mary Corner. Veja a lista completa das testemunhas de acusação:
1. FERNANDA KARINA RAMOS SOMMAGGIO; 2. JOSÉ FRANCISCO DE ALMEIDA REGO; 3. LUCAS DA SILVA ROQUE; 4. GERALDO MAGELA FERNANDES SILVEIRA; 5. RAIMUNDO CARDOSO DE SOUZA SILVA; 6. ELIANE ALVES LOPES; 7. PAULO LEITE NUNES; 8. BENONI NASCIMENTO DE MOURA; 9. RAIMUNDO FERREIRA DA SILVA JÚNIOR; 10. RICARDO PENNA MACHADO; 11. SOLANGE PEREIRA DE OLIVEIRA; 12. LUIZ EDUARDO FERREIRA DA SILVA; 13. CÉLIO MARCOS SIQUEIRA; 14. JOSÉ HERTZ CARDOSO; 15. PEDRO RAPHAEL CAMOS FONSECA; 16. CARLOS EDUARDO GUANABARA; 17. ROBSON FERREIRA REGO; 18. MÁRCIO HIRAM GUIMARÃES NOVAES; 19. FRANCISCO MARCOS CASTILHO SANTOS; 20. PAULINO ALVES RIBEIRO JÚNIOR; 21. DAVID RODRIGUES ALVES; 22. ALESSANDRO FERREIRA DOS SANTOS; 23. VALMIR CAMPOS CREPALDI; 24. JEANY MARY CORNER; 25. IVAN GONÇALVES GUIMARÃES; 6. LÚCIO BOLONHA FUNARO; 27. JOSÉ CARLOS BATISTA; 28. AUREO MARCATO; 29. ADEMIR LUCAS GOMES; 30. GISELE MEROLLI MIRANDA; 31. APARÍCIO DE JESUS; 32. FREDERICO CLIMACO SCHAEFER; 33. MARIANA CLIMACO SCHAEFER; 34. EMERSON RODRIGO BRATI; 35. DANIELLY CINTRA CARLOS; 36. VALTER COLONELLO; 37. LAURITO DEFAIX MACHADO; 38. JOSÉ RENE DE LACERDA; 39. MAFALDA LANGELA SIBINELLI; 40. CHARLES ANTÔNIO RIBEIRO; 41. PAULO VIEIRA ALBRIGO."
Os grifos são meus e referem-se aos personagens que ficaram mais conhecidos no tempo da CPI dos Correios. Vou pesquisar os outros nomes e volto depois.
Mais verdade em dose homeopática em relação ao caso Varig. Folha de S.Paulo desta quarta-feira:
"A ministra Dilma Rousseff admitiu ontem que o advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Lula, foi recebido pelo menos duas vezes na Casa Civil em encontros omitidos de sua agenda pública e anteriormente negados por sua assessoria. Teixeira é acusado de influir na venda da VarigLog para o fundo Matlin Patterson, para quem advoga.A omissão desses encontros fere o decreto 4.334, de agosto de 2002, que determina que audiências de autoridades públicas com representantes de interesse privado devem ser registradas e acompanhadas por outro servidor.
Em entrevista no Planalto, Dilma admitiu que em um dos encontros estava presente uma das filhas de Teixeira, Valeska, que é afilhada de Lula e também advoga para a VarigLog. As reuniões, segundo ela, trataram de "questões relativas aos leilões da Varig", comprada pela VarigLog.
Questionada se advogados de outras companhias interessadas no negócio receberam atenção semelhante, Dilma reconheceu que não. Segundo ela, os presidentes da Gol e da TAM foram recebidos, mas não advogados das empresas."
Também na Folha:
"A ex-diretora da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) Denise Abreu relatou ontem ter se reunido "inúmeras vezes" ao longo de 2006 com a ministra Dilma Rousseff em encontros de que a Casa Civil alega "não ter registro". Abreu acusa Rousseff de interferência no processo de venda da Varig para a VarigLog.... De acordo com Abreu, num desses encontros Rousseff a teria pressionado a não mais exigir documentos que pudessem atestar a origem do capital e a capacidade financeira dos compradores da VarigLog, o que poderia atrapalhar o negócio. A ministra nega."
Você acredita em quem, na ministra Dilma ou em Denise Abreu? Eu fico com a segunda. Ao que consta, a ex-diretora da Anac não teve nenhum lapso de memória (leia aqui o que ela disse). Já a chefe da Casa Civil... Deve ser por isso que Dilma reclama da "escandalização do nada".
O curioso é que "o nada" pode ser medido em cifras: US$ 5 milhões para Roberto Teixeira, R$ 204 milhões em dívidas da VarigLog, R$ 7 bilhões (isso, bilhões) em dívidas da Varig. E O Estado de S.Paulo de hoje acrescenta mais uma, relativa aos compradores finais da Varig _ os mesmos para quem trabalha o compadre do presidente da República, Roberto Teixeira:
"A família Constantino, dona da Gol e da Varig, possui uma dívida tributária de ao menos R$ 377 milhões com a União, a maior parte acumulada no INSS por conta do não recolhimento de contribuições previdenciárias de dez empresas de ônibus do grupo. Em junho de 2006, antes da compra da Varig, ocorrida em março de 2007, a Justiça Federal em São Paulo reconheceu a existência do grupo econômico e penhorou ações da Gol para pagar as dívidas das empresas de ônibus.Os negócios envolvendo essa última companhia vêm sendo questionados por ex-diretores da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) - segundo eles, houve interferência do Palácio do Planalto.
"A família Constantino, dona da Gol e da Varig, possui uma dívida tributária de ao menos R$ 377 milhões com a União, a maior parte acumulada no INSS por conta do não recolhimento de contribuições previdenciárias de dez empresas de ônibus do grupo. Em junho de 2006, antes da compra da Varig, ocorrida em março de 2007, a Justiça Federal em São Paulo reconheceu a existência do grupo econômico e penhorou ações da Gol para pagar as dívidas das empresas de ônibus.
... Alguns processos que tramitam na Justiça revelam, segundo a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), indícios de que a família compra e vende empresas de transporte em um esquema que envolve 'laranjas'."
Vamos deixar claro mais uma vez o que está acontecendo.
1) Pessoas que trabalharam NOMEADAS PELO ATUAL GOVERNO acusam o Planalto de pressionar ÓRGÃOS PÚBLICOS a aceitar determinadas condições de venda de uma empresa QUE DEVE BILHÕES, inclusive a VELHINHOS, DOENTES e ao próprio TESOURO.
2) Tais condições beneficiaram diretamente o ADVOGADO que costurou a venda, sendo esse advogado COMPADRE DO PRESIDENTE.
3) Os COMPRADORES da companhia endividada, que foi entregue a eles LIMPINHA, sem débitos, TAMBÉM DEVEM MILHÕES ao governo.
4) O compadre do presidente, para quem não se lembra, costuma CEDER imóveis para Lula e seus filhos.
5) O mesmo compadre, aliás, que foi recebido seis vezes pelo presidente da República e, sabemos agora, também pela ministra Dilma Rousseff em encontros FORA DE AGENDA, o que é irregular, para discutir... a venda da companhia endividada. Antes de os jornais descobrirem, o motivo alegado era "cortesia".
Sobre as visitas a Folha revela:
"Três das quatro visitas que o advogado Roberto Teixeira descreveu como "cordiais" ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu compadre, no Palácio do Planalto, aconteceram no período em que as empresas aéreas questionavam a venda da VarigLog para o fundo norte-americano Matlin Patterson e três sócios brasileiros. Acusado de influir no negócio, Teixeira advogava para a companhia de carga."
Não é lindo? A ministra explicou para a Folha:
"Respondendo à acusação de que teria interferido em favor do grupo formado pelo fundo americano e os sócios brasileiros, a ministra da Casa Civil afirmou ter participado pouco do processo da Varig, que, de acordo com ela, concentrou-se na Justiça. Mas reconheceu que "o governo não queria que a falência da Varig fosse um ato de inação do governo".
O governo, bem com os juízes que cuidaram da falência, acreditam que era preciso "salvar" a Varig a qualquer custo. Por conta do calote nos aposentados que passaram a vida pagando um plano de previdência que foi transformado em pó nas fuças de administradores nomeados pelo Ministério da Previdência? Não, pois o plano de venda aprovado a toque de caixa não previa o pagamento de ninguém. Por conta dos credores, nos quais estão o INSS e a Receita? Não, pois pois o plano de venda aprovado a toque de caixa não previa o pagamento de ninguém. Por conta do mercado? Pode ser.
Minha pergunta, bem simples, é a seguinte: o mercado é quem mesmo, hein, compadre?
Muito bom o artigo de José Nêumanne sobre o caso dos militares que entregaram três rapazes a traficantes no Rio de Janeiro, publicado pelo Estadão hoje. Alguns trechos:
"Incapazes de enfrentar o problema da violência, anabolizada pelo crime organizado, que vende entorpecentes e contrabandeia armas, e de combater o mal endêmico da corrupção policial, governadores fluminenses sempre apelaram à União por uma intervenção militar nos territórios sem lei das favelas do Rio. Da mesma forma como não resistiu à tentação de mandar tropas cumprir a tarefa de Sísifo de impor a lei no Haiti, o governo federal, chefiado pelo petista Lula da Silva, cometeu a insensatez de atender ao pedido, contrariando a maioria dos oficiais das Forças Armadas e a unanimidade dos especialistas em segurança pública. Com a mesma fé que devota à própria infalibilidade e à capacidade de transferi-la à "companheirada" antiga ou moderna, o papa Lula Único se investiu da convicção inabalável de que a farda do Exército seria impermeável aos esgotos morais que infestam a periferia carioca. Mas não ficou nisso e foi além: em nome do "social", que tudo justifica, ele ungiu projeto do senador Marcelo Crivella, maioral da Igreja Universal do Reino de Deus, senador da República e um dos candidatos oficiais à Prefeitura da ex-Cidade Maravilhosa, permitindo que o Ministério das Cidades o bancasse e o da Defesa o protegesse.... Dado o primeiro passo para a insensatez, os seguintes se tornaram inexoráveis: quem joga uma maçã no esgoto não pode esperar que ela seja retirada limpa e pronta para ser comida.
... A 11 dias da tragédia, o mandante das torturas e das mortes e seus executantes estão livres e comandam o tráfico na favela. A polícia fluminense, tão diligente em acusar os militares que entregaram as vítimas aos algozes, não prendeu nem processou o chefão do tráfico e seus esbirros. O ministro da Defesa subiu o morro para pedir desculpas, expediente grato ao atual governo e ao qual também apelaram os protagonistas militares, com idêntico oportunismo. O ministro da Justiça não perdeu a ocasião de bajular o chefe, dizendo que Lula se opunha a usar o Exército no combate ao tráfico. E este agiu como se fosse um ombudsman ao classificar de 'injustificável' a presença das tropas sob seu comando no morro, além de ter prometido indenizar as famílias das vítimas, como se o vil metal bastasse para limpar a sujeira e a sangria desta tragédia impune e anunciadíssima."
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