… observo, com olhos emprestados.
O sistema é novo, a blogueira é antiga: vamos ver se rola. Que, em 2010, sua vida seja pura poesia.
“Bag of Tools
Isn’t it strange how princes and kings,
and clowns that caper in sawdust rings,
and common people, like you and me,
are builders for eternity?Each is given a list of rules;
a shapeless mass; a bag of tools.
And each must fashion, ere life is flown,
A stumbling block, or a Stepping-Stone.R. Lee Sharpe”
P.S.: Vale ver a série inteira.
Alvoroço em torno dos Napoleões de hospício e suas respectivas candidaturas. Faz recordar a animação que está aqui.
Mas a opção é por qualidade: “Screen Play”, de Barry Purves. Um primor.
Um monte de gente gravou, inclusive a Peggy Lee. Eu gosto da versão que está aqui.
Catatonia é uma doença estranha. O portador há tempos parado pode se movimentar de rompante. Basta um estímulo externo, que nem precisa ser grande coisa, para a alternância de estado. De modo que, após ler os jornais de hoje, levantei do caixão de vidro e resolvi tocar bumbo.
A vontade irresistível veio com o editorial d’O Estadão. Um trecho:
“O lulismo deixou o petismo de joelhos. Movido por um projeto inequivocamente pessoal que se desdobra em três etapas – eleger a candidata à sucessão que escolheu em decisão solitária, ser a eminência parda do próximo governo e voltar ao Planalto em 2015 -, o presidente Lula faz o que for preciso e obriga o PT a pagar qualquer preço para que se cumpram as cláusulas desse contrato que celebrou consigo próprio.”
Na Folha de S.Paulo, a mesma toada. Petistas históricos falaram sobre o vão entre Lula e seu partido. Reproduzo um pedacinho:
“FRANCISCO DE OLIVEIRA , sociólogo e fundador do PT: “A relação da crise atual com as anteriores é a mesma: o Lula tornou-se maior que o partido e o partido vive a reboque do presidente. Impõe o estilo autoritário que é próprio do Lula e foi escondido devido ao fato de que era um prestigioso líder sindical em oposição à ditadura. Lula é muito autoritário, arrasou o PT, fez do partido trampolim para suas alianças políticas espúrias. [A tese da governabilidade] é um velho argumento conservador. Todos no Brasil que preferem manter o status quo usam o argumento da governabilidade”.
Os contornos da briga entre lulismo e petismo ficam, portanto, cada vez mais definidos. Para o leitor é ótimo. Articulistas como Demétrio Magnoli há meses sinalizam tal direção:
“Lulismo e petismo são fenômenos distintos, porém entrelaçados. Lula é um político conservador, salvacionista, de rara sagacidade. No ocaso da ditadura, o suposto mago Golbery do Couto e Silva o imaginou como o agente da destruição da esquerda no Brasil. O PT é um fruto estranho, mas cheio de vitalidade, do encontro tríplice, no outono do socialismo soviético, entre a velha esquerda castrista, a militância católica da ‘Igreja da libertação’ e uma nova burocracia sindical.”
Além da divisão lulismo-petismo, epidérmica, existem outras. Talvez até mais importantes.
Há os petistas pragmáticos, seguidores de José Dirceu. Acomodaram-se em torno do empresariado e tocam um balcão de negócios de respeito. Tomam vinho fino, usam roupa de grife e não têm mais tempo para os amigos das antigas. Sua preocupação são as costuras políticas de longo prazo.
Há os petistas sindicalistas, outrora identificados com Luiz Gushiken. Sóbrios, centralizadores e pouco democráticos. Mandam nos fundos de pensão, nos bancos oficiais, nas centrais sindicais e na rede de distribuição da verba publicitária do governo. Na prática, são também os donos da polícia e os pauteiros do Ministério Público.
Ganha quem emplacar mais congressistas em 2010 e quem for o maior credor do futuro presidente, não importa o candidato.
O lulismo é o fiel da balança. Quando começa a pender muito para um dos lados, apanha forte.
Fácil apostar que o fogo não vai ter nada de amigo. Nada.
A ofensiva contra as empreiteiras (alguém lembra da “Castelo de Areia”?) secou o caixa dois dos partidos. Só vai arriscar quem tiver benção e garantia. O “dinheiro não contabilizado” vai sair mais fácil de estatais e congêneres.
Seguindo o raciocínio, é impressão ou o BNDES ficou invisível e faz o que quer? Capitalização de R$ 100 bilhões? Aumento da dívida pública? Dinheirama nas mãos dos amigos do rei?
Tenham dó, meninos da oposição. Depois não adianta reclamar.
Sábado à tarde, telefone. Minha filha. Está com os hunos na Av. Paulista, gritando contra a permanência de José Sarney.
Fico em silêncio.
Um lado meu pensa como a velhinha de Siracusa, aquela que protestou quando foram decapitar o tirano – “matam este e vem outro pior.”
Outro lado, resquício cara-pintada, quer dizer para a pequena o quanto tem orgulho dela, que democracia exige participação, que ter esperança é essencial para mudar etc.
No fim, pergunto apenas a que horas ela estará de volta. “Cedo”, diz.
Ainda bem.
Você também lembra do Igor, de “O Jovem Frankenstein”, quando o Collor arregala os olhos?
Lina, Dilma, Ideli, Lula. O Brasil, às vezes, parece uma grande Sucupira.
E a Record tomou uma lambada justo quando está prestes a lançar seu portal de notícias na internet. Coincidência ou não, a história da lavagem de dinheiro me fez lembrar desta aqui; a oferta de indulgências, daquela lá.
Acabo de ler que exportamos um “Jesus Pinto da Luz” para Madonna. É para fazer qualquer um passar mais seis meses quieto.
Demétrio Magnoli, uma das vozes mais bacanas do país, lança novo livro em 2 de setembro, às 19 horas, na Livraria Saraiva do Shopping Iguatemi.

“Neste mundo, se você ler os jornais/ Verá que todos estão brigando/ Você não pode contar com ninguém, baby/ Nem mesmo com seu próprio irmão.”
Get it while you can.